Interativa - World of Raven
6 Timing
Notas iniciais
Havia se passado uma semana desde o primeiro contato entre Shyuri e Viktor desde que os dois foram colocados juntos para o torneio. Dessa vez a sede seria em Steel, o que colocava uma responsabilidade maior sobre os dois guerreiros e a outra dupla. Havia se falado muito sobre Spear dessa vez, e as tensões entre a Terra do Aço e a Estalactite estavam bem altas, se entendessem de política ou buscassem a harmonia de todas as nações estariam torcendo para Greenleaf ganhar.
Em duzentos anos desde a nova divisão Greenleaf foi a mediadora dos conflitos entre os outros dois reinos. Vista por quem era de fora, a Grande Arvore era um reino fraco e sem forças, mas durante a Grande Guerra, eles haviam prometido não interferir, mas Steel e Spear investiram contra o reino, e perderam tanto que a guerra acabou. Mas isso foi a quase cem anos, Greenleaf não era mais o mesmo de antes e as sucessivas derrotas na Batalha vieram a causar um grande impacto na visão que os outros dois reinos tinham.
E mais questões ainda eram preocupantes para o reino verde, estavam sem um governante definitivo já faziam dez anos e o governo estava bem desestruturado para impedir uma guerra. Enquanto Steel continuava forte como nunca, cada vez descobrindo mais coisas com suas maquinas e tecnologias, Spear tinha seus guerreiros treinados ao máximo. E o resultado do torneio poderia apenas ser a faísca no barril de pólvora, pois as tensões eram causadas por algo do interesse dos dois. As minas que ficavam em Spear tinham preciosos e raros recursos que estavam sendo procurados por Steel em abundancia, e se a Terra do Aço colocasse as mãos naqueles metais, seria um problema ainda maior.
Alheios a essas questões estavam Shyuri e Viktor, treinando em um dos ginásios da academia de seu reino. A garota tinha sua mão apontada para um alvo móvel no meio do campo, estática amarela corria por seu braço. E um pedaço do alvo de metal estava destruído.
Três robôs perseguiam Viktor, todos tinham uma forma humanoide, mas eram maiores, cerca de dois metros e tinham enormes punhos. Um deles atacou o homem, mas este bloqueou com seu machado, reagiu rapidamente cortando a máquina ao meio com um único e poderoso golpe, seu golpe foi extremamente rígido. Ele girou o machado sem interromper e atingiu o braço do robô que o atacaria por trás. O golpe foi muito forte, tanto que mesmo sem calcular muito, arrancou a mão do inimigo.
Shyuri levantou a mão e as luzes do local piscaram enquanto raios de energia atingiam seu corpo, a esfera azul em seu bolso ficou com uma coloração bem amarela, e apenas um choque rápido percorreu seu braço até ser liberado como um raio pelos seus dedos, pegou o terceiro robô em cheio e fez um buraco no centro de seu corpo.
As luzes piscaram mais uma vez e uma voz eletrônica avisou que o combate estava encerrado.
— Você foi bem. – Viktor disse observando o estrago no robô que foi atingido pela garota.
— O bom de ser Condutora é que dá pra usar bastante as habilidades. Mas você vai ter que ficar na linha de frente. – Shyuri parecia um pouco cansada, mas não muito. Apenas estava um pouco ofegante.
— Por mim tudo bem. Melhor ainda. – Ele falou e se sentou, largando o machado ao seu lado.
— Você realmente quer vencer o torneio, né? – Shyuri sentou no chão mesmo e se escorou na parede.
— Não exatamente. Só quero lutar, não quero nada em troca. – Viktor respondeu rapidamente e não falou mais nada.
* * *
— Vamos gente! Vai dar certo! – Lilac pegava nas mãos de Mabel e pulava tentando animar a amiga.
— Meu Deus, você é doida. – A garota tinha 17 anos mas parecia um pouco mais jovem do que realmente era. Tinha a pele extremamente clara, quase pálida. Era bem baixa e um pouco magra. Seus cabelos eram castanhos, claros e longos, caindo até o fim de suas costas, presos por um pequeno laço lilás. Seus olhos castanhos eram levemente puxados. Estava usando um casaco branco por cima de um vestido rendado verde claro e botas longas brancas. Sua arma era um chakram. Uma lamina circular de metal, revestida por dentro de madeira, ao olhar parecia extremamente afiada.
— Eu não vou. – Henry disse e baixou a cabeça sem falar mais nada.
— Vaaaaamos gente, vai ser legal! – Ela tentava animar os dois, mas não estava tendo sucesso. – Entrar lá na diretoria e pegar os nomes de todos os participantes é uma ótima vantagem.
— E é trapaça. – Mabel foi direta ao falar.
— Não, minha cara amiga. Como nosso professor mesmo disse, essa é uma batalha de informação, não só força. – Lilac continuava falando, e fez Mabel parar e pensar um pouco. E além do mais, hackear a rede da Batalha não é tão difícil assim para você Mabel. – A garota levantou um pequeno dispositivo vermelho, com as letras “HM” em cima. – Então, vamos lá, Hacker Mab?
— Olhando assim... faz sentido... – Mabel olhou para Henry, que parecia relutante ainda um tanto apreensivo e ela sabia o motivo.. – Mas Lily, Henry não vai usar seu poder. E não me chame por esse nome, isso é passado. E sem armas. – Ela apontou para o chakram de Lily.
Mabel não havia omitido muita coisa na sua ficha para se inscrever na academia, exceto seu pequeno tempo em uma certa organização de assassinos e ladrões, mas isso era outra história...
* * *
Era quase meia noite quando os três se juntaram a alguns metros de distância da torre de gelo. A temperatura ali estava extremamente amena, algo por volta de dez graus negativos. Guardas estavam na porta, ao redor de toda a torre.
— Não vamos poder usar o teleporte para entrar, eles têm sensores. – Mabel fechou os olhos e pensava em algo.
— Não é difícil assim. – Lily apontou a mão para frente, um pequeno aparelho que estava na porta foi envolto por água que subiu do chão. – Pronto.
Mabel prendeu a respiração e pegou na mão dos dois. Em um segundo após a onda de vento eles entraram no local. Mabel levou as mãos à cabeça e abriu um pouco a boca com dor.
— Isso nunca fica bom... – A vertigem que ela sentia passou bem rápido e ela se levantou pronta para continuar.
As luzes estavam todas apagadas àquela hora, e não havia nenhum som além do de neve forte ao lado de fora.
O corredor todo parecia vazio e as salas totalmente trancadas. Haviam mais guardas, Henry sabia. Mas não estavam na entrada.
Os três começaram a andar pelo corredor sem fazer nenhum ruído, chegando até uma divisão em três caminhos. Henry apontou para frente, as garotas checaram os corredores. Nenhum guarda, correram rapidamente para o caminho a frente.
Estavam indo bem, mas um guarda se aproximava com passos pesados. Lilac fez um gesto circular com as mãos e um pouco de agua se juntou em uma esfera. Antes que o guarda os avistasse, a esfera envolveu seu rosto e ele começou a se debater por ar, caindo no chão em seguida. Nenhum dos dois se perguntou se ele estava bem, pois sabiam que aquilo só o faria desmaiar.
Continuaram caminhando mais atentos agora, estavam próximos da sala e não podiam errar nesse momento.
Dois guardas deram um grito ao ver seu colega no chão e uma explosão aconteceu, iluminando o local. Antes que alguém pudesse ver algo, Mabel correu e pegou os braços dos seus colegas, desaparecendo em seguida.
Eles surgiram em baixo de uma mesa na grande sala de maquinas e equipamentos da escola, Mabel levou a mão a cabeça e outra a boca para não gritar com a dor, baixou a cabeça em seguida e sangue escorreu de seu nariz em grande quantidade, mas ela segurou tudo na manga de sua roupa.
— Mabel, você está bem...? – Henry perguntou e ela assentiu com a cabeça que sim.
Dos cantos da parede começaram a surgir plantas com outro movimento de Lily, que cobriram as câmeras do lugar rapidamente.
— Vamos! – Ela ajudou Mabel a sair e correu para a tela azul que flutuava no centro da sala.
Mabel se recuperou novamente e pegou o pequeno objeto vermelho de seu bolso, inserindo no objeto que fazia a tela azul flutuante aparecer.
— São muitos arquivos para procurar! – Mabel lia rapidamente todos os arquivos quando um alarme tocou. – Não vou achar a tempo...
— Copie todos! – Lilac deu a ideia rapidamente enquanto revestia a porta com camadas de gelo, quando um impacto aconteceu.
— Eles vão entrar! – Henry avisou e Mabel arrancou o dispositivo da máquina. – Como a gente sai?
Os dois olharam para Mabel, que ainda tinha um pouco de sangue no rosto.
— Você consegue, não tem outra saída! – Lily a incentivou enquanto começava a escorrer sangue de seu nariz por estar forçando seus poderes na porta e nas câmeras, e os impactos ficavam mais fortes a cada batida.
— Meu Deus, me ajude... – Ela pegou nas mãos dos dois, cerrou os olhos com força e se concentrou, dessa vez o transporte demorou um pouco mais para acontecer, mas aconteceu. Mabel não deixaria ninguém pegar seus amigos, custasse o que custar.
Mabel, Henry e Lilac estavam no lugar onde começaram, Mabel não levou a mão a cabeça, nem sangue escorreu de seu nariz nos primeiros segundos.
— Você tá bem...? – Lilac a olhou um pouco preocupada. Não era comum uma Movimentadora tão jovem usar seus poderes assim sem consequências e para mais de uma pessoa.
— Sim... – Mabel disse, seus olhos estavam vazios e encarando o ambiente. – Eu estou... – De repente ela revirou os olhos violentamente, fazendo a íris desaparecer, ficando com o olho totalmente branco. Logo em seguida a parte branca ficou completamente vermelha e uma quantidade enorme de sangue começou a escorrer pelo rosto dela, se juntando ao sangue que saia de seu nariz e de sua boca, o que também impedia ela de respirar. – Me... Ajudem! – Ela gritou a última palavra e uma quantia ainda maior de sangue começou a escorrer, suas veias e artérias do pescoço e da cabeça estavam saltadas e roxas.
Henry e Lily recuaram, ele sem saber o que fazer, a garota desesperada e com a mão na boca.
— Foi... Foi a gente que fez isso! – Lilac gritou e começou a chorar, se ajoelhou no chão.
— Eu não quero... – Henry levou as mãos à cabeça, desesperado.
* * *
Os dois olharam para Mabel, que ainda tinha um pouco de sangue no rosto.
— Você consegue, não tem outra saída! – Lily a incentivou enquanto começava a escorrer sangue de seu nariz por estar forçando seus poderes na porta e nas câmeras, e os impactos ficavam mais fortes a cada batida.
— Não faça isso! – Henry gritou impedindo Mabel de pegar sua mão. Olhou diretamente nos olhos dela, que respirou fundo, muito mais calma agora. – Pela janela, se atirem!
Ele correu e se jogou contra o vidro, que não era muito resistente, seguido pelas garotas. Estavam caindo do decimo andar.
— A gente vai morrer! – Mabel gritou e fechou os olhos, mas enquanto ela esperava um impacto frio e gelado no chão ao lado da escola, sentiu seu corpo se envolver em uma grama quase macia, ardia um pouco devido ao impacto. Quem tinha uma quantia maior de sangue no rosto era Lily, mas ela estava aparentemente bem.
— Vamos! – Mabel pegou os dois e dessa vez seu teleporte deu o mesmo efeito dos outros, uma forte dor de cabeça e um pouco de sangue. Eles estavam de volta no lugar onde tudo começou. Henry caiu no chão sem dizer nada, estava consciente mas exausto.
— Será que valeu a pena...? – Mabel perguntou olhando o dispositivo vermelho em seu bolso.
— Descobriremos em breve... – Lily disse e atirou seu corpo no chão, cansada também.
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