Interativa - O Décimo Reino
9 IX - Vamos Todos Juntos
Notas iniciais
— O que vamos fazer? – Pedro quase tremia enquanto o Scrael batia violentamente suas patas no asfalto, produzindo o som metálico característico de sua espécie.
— Se virarmos as costas para correr vamos ser mortos facilmente... – Aurea colocou o chicote de volta em sua cintura e pegou sua outra arma, um bastão que se expandiu revelando duas laminas.
— E se ficarmos para lutar vamos do mesmo jeito! Qual seu problema?! – Pedro gritou irritado com ela, o monstro os observava enquanto preparava o próximo ataque.
Finalmente o Scrael avançou raspando no chão suas garras e saltando contra Aurea que estava mais a frente, ela rapidamente girou seu bastão colocando uma das pontas na direção dele, e com uma rápida investida saltou para trás após empurrar ele, os dois se olharam por um segundo antes de partirem pra outra rodada de golpes. Aurea bloqueou um ataque na altura do seu rosto com o centro do bastão depois deslizou a arma pelas garras do Scrael, produzindo faíscas com o movimento. Assim que desprendeu a lamina do monstro ela girou a arma e realizou mais um golpe o empurrando para trás.
O Scrael recuou por um momento atordoado, mas rapidamente se recompôs e voltou a avança, dessa vez Pedro o interceptou usando sua lança para o atingir pelo lado, fazendo com que a criatura rolasse metros para fora da estrada. Ele avançaria sobre ela mas preferiu recuar e não se arriscar.
— Não vamos conseguir nada assim! – Aurea deu alguns passos para trás, empunhando sua arma em uma postura defensiva. Não conseguia pensar em nenhuma ação significativa contra a criatura, e o Scrael não tinha nada além de arranhões sobre sua casca.
— Será que você realmente não sabe fazer mais nada além de falar o que já sabemos?! – Pedro gritou irritado, dessa vez ele e Aurea trocaram olhares bem mais intensos que antes, se não estivessem numa lutando por suas vidas estariam lutando entre si.
— E você fez o que além de reclamar até agora?! – Aurea gritou de volta, mas o Scrael não estava disposto a esperar eles terminarem de reclamar, novamente voltou a avançar sobre eles.
— Vocês nunca aprendem, não é? – Uma voz grossa os fez tirar os olhos do monstro que corria contra eles por um segundo. E então uma lança enorme passou entre os dois, numa velocidade surpreendente. Enquanto a arma cortava o ar era possível ver uma energia escura sobre ela.
A lança fez o trajeto inteiro de onde foi arremessada até o Scrael em um tempo muito curto, e diferente de todos golpes aplicados na criatura até agora a lança perfurou sua pele facilmente, empalando o monstro no chão.
— Muito bom né, funciona. – Outra voz também foi ouvida, dessa vez bem mais jovem.
Aurea se virou sem entender direito o que havia acontecido. A lança era completamente prateada, com uma ponta simples num formato de cone arredondado. O homem que estava a alguns metros e era quem muito provavelmente havia atirado a arma olhava os dois com certa desaprovação no olhar.
Era um homem de trinta e cinco anos, com um cabelo castanho e liso, penteado para trás, tinha um cavanhaque ralo também. Usava uma armadura verde, com muitos detalhes dourados, que cobriam os ombros, antebraços, coxas, peito e as pernas. Pelas partes que não estavam cobertas era possível ver uma roupa comum branca. Seus olhos eram da mesma cor do cabelo.
Do seu lado estava um jovem baixo e magro, de cabelos lisos e bagunçados bem vermelhos. Tinha quinze anos e isso era bem perceptível em sua aparência. Seus olhos também eram vermelhos. Usava uma camisa vermelha com detalhes dourados. Por cima disso usava uma capa azul sem capuz e botas comuns marrons.
— Evan, o grande mago negro! – O mais jovem gritou agitando seu braço no ar, uma onda de energia negra que se estendia por seu braço se dissipou lentamente. – Oi Aurea, oi Pedro! – Ele continuou gritando e agitando o braço.
— Você é muitas coisas, mas grande com certeza não é uma delas. – O mais velho disse e colocou a mão sobre a cabeça de Evan, desarrumando seu cabelo enquanto dava uma gargalhada espontânea e um tanto paterna.
Aurea deu um suspiro, aliviada. Estavam salvos. Ambos eram da cidade, Evan era seu parceiro na época que treinava como soldado aprendiz ainda e o mais velho, Gilliam era um de seus treinadores. Possivelmente estavam ali graças ao fato de que para se graduar, Evan estava fazendo uma missão supervisionado por seu tutor.
— Essa foi por pouco. – Gilliam passou por eles e arrancou a lança do corpo do Scrael, fazendo jorrar um enorme jato do liquido roxo conhecido como sangue de demônio. Parecia comicamente uma fonte. – Eu não sei o que o tutor de vocês tinha na cabeça, de mandar vocês dois juntos na mesma missão.
— Oi. – Uma terceira voz surgiu, essa soou familiar a Aurea e Pedro. E não foi preciso muito para os dois levantarem suas armas para lutas. Também, quem falava era Daniel, acenando para eles como se nada tivesse acontecido.
— O que você... – Aurea já estava irritado e bufou enquanto caminhava em sua direção com a arma em punho. Mas Gilliam a parou com um braço.
— Ele que nos falou de vocês. Estava em um carro azul e nos parou para perguntar algo sobre Evan. – A voz de Gilliam era séria, firme e calma ao mesmo tempo.
— Ele perguntou se eu sabia algo sobre uns tais de “Paz” já que tinha o cabelo vermelho, ai eu falei que a gente estava fazendo alguns estudos sobre isso na cidade. – Evan falou despreocupado, seus olhos analisavam tudo ao redor curioso. – Depois ele disse que conhecia gente da cidade que podia precisar de ajuda, e nos levou até vocês.
Aurea olhou para Daniel de canto. Seu braço emitiu uma luz rosa quase imperceptível. Não era burra, obviamente Daniel estava com outras intenções. Mas algo incomum aconteceu, não conseguiu nada na mente de Daniel. Era um simples vazio branco. Ela rapidamente percebeu que ele usava seus poderes para bloquear sua mente. Não insistiu nisso pois seria percebida caso o fizesse, mas fez uma nota mental de ficar de olho em Daniel a partir de agora.
— Então? Vamos andar. Temos a mina de Orichulum para investigar e uma troca de armas para fazer, já que estamos todos aqui, vamos juntos! – Gilliam colocou a lança em suas costas e tomou a liderança da equipe, os guiando para dentro da cidade.

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