Interativa - O Décimo Reino
3 III - Aliança Temporária
Notas iniciais
Vamos deixar Anael para depois, afinal, temos muitas pessoas para conhecer. Agora me sigam até onde essas três pessoas que nunca estariam juntas se o mundo não tivesse acabado estão.
Um deles estava dirigindo um Porsche azul claro, ele estava dirigindo a uma velocidade bem alta, provavelmente mais de cem quilômetros por hora. Ele estava sorrindo e prestava mais atenção no espelho refletor do carro que na própria estrada. Estrada que era uma rodovia, longa e completamente vazia, algumas partes do asfalto estavam muito danificadas mas isso não incomodava o motorista. A grama ao lado da rua estava um pouco alta e amarelada, uma brisa fraca fazia o capim se mover lentamente balançando no ar.
O homem que o dirigia tinha trinta e cinco anos, mesmo sentado era fácil se perceber que ele era alto. Seu cabelo curto e rosa-claro penteado para trás, algumas mechas estavam na direção contrária. Seus olhos eram da mesma cor do cabelo. Estava usando um terno branco, com uma camisa azul e uma gravata roxa. As calças e os sapatos eram da mesma cor dando uma aparência formal para ele.
Observando suas mãos era possível ver o que provavelmente seria sua arma, manoplas negras com uma aparência óssea, e um cristal vermelho apagado no centro do verso da palma.
A poucos quilômetros dali, as outras duas pessoas. Uma jovem adolescente e um homem que ainda era jovem. A garota tinha dezessete anos e era bem baixa, um pouco mais apenas que um metro e meio e era bem magra, embora pudesse se dizer que ela tinha um corpo bem avantajado para a própria idade. A pele era clara, os cabelos longos e encaracolados caiam pelas costas, da cor castanha. Os olhos estavam em uma cor âmbar naquele momento. Ela estava usando um moletom branco e de mangas longas, uma pequena saia vermelha com listras brancas, meias bem longas da mesma cor das listras e uma sandália vermelha. Preso a cintura estava um chicote enrolado, no outro lado um bastão de metal curto e pequeno.
O homem que estava ao lado dela era bem maior, quase um e oitenta de altura. Seu cabelo era branco, liso, acinzentado e desajeitado, mas formava uma franja que cobria um dos olhos, esses da cor vermelha. Usava um casaco fino e aberto preto, uma camisa da mesma cor por baixo. A calça e os tênis eram da mesma cor, dando um visual escuro a ele. Nas costas estava uma lança de metal prateada, a ponta era semelhante a uma espada curvada, pintada de preto.
Outro veículo estava ali, uma moto negra com detalhes tribais rojos, uma Ninja 250R.
Os dois estavam em um clima tenso, não tenso de uma briga e sim tenso de ninguém dizer nada. O homem apenas olhava para a rua vendo a mancha azul distante se aproximar.
— Você sinceramente acha que parar o cara e roubar o carro vai funcionar? – a garota disse levando a mão ao queixo, pensativa.
— Por acaso tem sugestão melhor, Áurea? Parar o dono e pedir a gasolina dele? Seus poderes não estão num nível que consiga fazer nem metade disso. – Ele falou de um jeito intencionalmente grosso e áspero, a garota apenas rangeu os dentes com raiva.
— Eu não lembro de ter perguntado nada. Segundo, siga com sua ideia maravilhosa então.
Os dois se olharam, visivelmente não se davam muito bem mas ainda não sabemos qual o motivo deles ainda estarem trabalhando em equipe, ou ao menos tentando.
O carro se aproximou rapidamente, enquanto eles paravam. Aurea havia pensando rapidamente em uma ideia melhor, simplesmente se deitou no chão e fingiu estar desmaiada com uma preparação digna de uma atriz. Pedro ficou olhando a cena inexpressivo.
O carro se aproximava mais rápido ainda, e não foi preciso muito tempo para ele ver o corpo no chão mesmo de longe ainda, quando estava mais próximo parou o carro em uma freada brusca e violenta, fazendo uma curva na estrada.
O homem saiu do carro e olhou ao redor despretensioso, depois voltou seus olhos para a jovem no chão.
— Será que ela morreu faz tempo? Se foi hoje ainda eu posso usar o sangue... Espera, ela nem está ferida...
Antes que pudesse concluir sua frase Aurea se moveu, ele rapidamente colocou sua manopla sobre seu rosto numa posição defensiva, e recuou rapidamente para trás.
— Ei, calma, não quero brigar. – Ela levantou as mãos para sinalizar que não estava mal intencionada.
— É, eu não brigaria comigo. – Ele disse passando a mão pelo cabelo, seu tom de voz era grosso e prepotente. Aurea estava se perguntando porque acabava sempre com as pessoas mais idiotas possíveis.
— Somos dos territórios do Rio, na área da Grande Barreira. Estamos em uma missão até São Paulo para verificar um incidente nas minas de Orichulum. – Ela se apresentou e tirou do bolso a insígnia amarela que a identificava como um dos soldados da Cidade, era um pequeno objeto com formato de sol.
Daniel olhou por um segundo para aquilo e ficou pensativo, estava pensando num motivo que valesse a pena para ajudar aquela garota, e não parecia achar um convincente. No mais estava satisfeito com a dose diária de sua bebida favorita, embora um pouco mais não fosse incomodar... Mas se segurou ao ver Pedro levantar a grama com lança em punho, estava mais próximo de Aurea do que deveria e nem havia percebido isso ainda. Deu um passo para trás. Ele sabia que era incrivelmente poderoso e se sentia quase invencível, mas não gostaria de se arranhar agora.
— Posso levar vocês. Tem um Scrael bloqueando o caminho e eu preciso passar, e como sabemos nem eu conseguiria enfrentar um sozinho.
— Um Scrael? – Pedro imediatamente falou, parecia ter ficado levemente movido por alguma memoria quase esquecida. Não estava nem ai para Aurea ou o homem, mas precisava acabar com aquela criatura.
— Será que conseguimos derrubar ele sozinhos? – Aurea estava pensando num bem maior ali, mas já havia traçado sua estratégia, analisando ela e Pedro sabia que poderiam dar cabo de um Scrael, com muita dificuldade, mas poderiam, então com a ajuda de alguém que parecia forte como ele seria uma tarefa fácil.
Ninguém levantou nenhuma objeção, enquanto Pedro entrava na porta de trás do carro, Aurea pegava um pouco da gasolina no porta malas do carro e colocava em sua moto. Em seguida partiram seguindo a direção da estrada, prontos para acabar com a única coisa que havia juntado os três.
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