Intensa Paixão
8 Como diria Clarice Lispector...
Notas iniciais
Dinho, irônico com as palavras de Lia, resolveu "retrucar":
– "Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais..."
Fatinha, feliz com a situação, deu uma provocadjénha:
– Como diria Clarice Lispector, "É difícil ter que desistir de coisas que te fizeram bem um dia".
Lia e Dinho se entreolharam, enquanto Isabela chamada a atenção da (ex) periguete:
– Fatinha, estamos trabalhando com Vinicius de Moraes e não com Clarice Lispector...
– Eu sei! Foi só pra descontrair :D
– Mas, então, você trouxe seu poema? Do Vinicius de Moraes, claro...
– Trouxe, sim, professora!
– Então pode começar.
– "Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois."
Lia, incomodada com a situação, se "escondeu", abaixando a cabeça, enquanto Dinho e Fatinha trocavam sorrisos. Para eles, Vitor nem existia, mas a verdade é que o motoqueiro estava soltando fumaça pelos ouvidos.
– Eu acho que textos como esses não precisam ser explicados, né, eles estão bem explícitos. — disse Isabela, para alívio de Lia.
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