Notas iniciais
OOOIe :D

Oh, não pense em fazer isso. – Falei em um tom alto enquanto corria em direção a uma prateleira, minha respiração estava falha e sentia meu corpo todo ficar tenso, eu não poderia perder essa oportunidade, então encarei a pessoa que estava preste a pegar o “objeto” na mão, tentei fazer o meu melhor olhar ameaçador.

— Eu não estou entendendo, eu só quero pegar isso... – A voz falava em um tom confuso, porem eu ainda me mantive sério.

— Não pode pegar, sinto muito, mas esse já é meu. – Comentei cruzando os braços e chegando mais perto.

— E se eu não der para você? O que vai me fazer? – A voz falou em um tom petulante e isso fez eu revirar os olhos, eu não queria brigar, porem ele não esta ajudando.

— Eu não quero brigar, mas se for necessário, eu vou fazer isso. – Disse dando de ombros e fingi um tom macabro e internamente eu estava comemorando por gostar de assistir filme de terror.

— Você vai brigar comigo por causa de um jogo de vídeo game? Só por causa de um jogo? – Ao ouvir o que o garoto falou, sim, um garoto de 14 anos... Como ele acha que é só uma briga por um jogo, como ele ousa falar isso.

“Não seja todo Stiles, você queria brigar com um garotinho.” – Os meus pensamentos gritou e eu fiz questão de ignora-los.

Eu não iria brigar, isso era obviou, eu só iria dar um susto básico nele, nada que faria o garoto se machucar, mas o que eu poderia fazer, eu queria aquele jogo, fazia uma semana que eu voltava correndo da escola para tentar salvar o jogo mais rápido que o Scott.

“Isso tudo é culpa do Scott.”

Ele sabia que eu estava completando o jogo mais rápido que ele, então ele achou que seria legal invadir minha casa e roubar o mesmo, ok, devo admitir que foi uma ótima ideia, mas eu nunca iria concordar na frente dele, pelo simples fato de que eu não posso perder e não existe nada mais sério do que uma guerra de jogo.

— Ok garoto, eu preciso desse jogo e eu não vou sair sem ele. – Falei revirando os olhos, não estava aguentado mais ter que discutir com esse garoto, mas como eu sou uma pessoa azarada, logico que quando eu chegasse para comprar, só teria um jogo, merda.

— Eu não vou te dar o jogo, ele é meu. – O menino falou com o jogo na mão e com um sorriso grande nos lábios, um sorriso que eu já estava começando a ficar com raiva de ver.

“Calma Stiles, respira, ele somente tem 14 anos.”

Eu como sou uma pessoa responsável, resolvi fazer algo mais sensato nesse momento, então olho para os lados e observo que somente tinha nos dois na loja, depois meus olhos foram para a sua mão que tinha o jogo e acabo por me culpar pela infantilidade que iria fazer, mas era isso ou eu perderia para o Scott e eu com certeza não vou perder.

— Sinto muito por isso. – Falei em um tom baixo e isso fez o garoto de 14 anos me olhar confuso, então rapidamente pego o jogo da sua mão e saio correndo para o caixa e isso faz eu ganhar alguns segundos de sorte, já que o garoto estava tão surpreso com o que eu fiz que não foi atrás de mim. – Está aqui o dinheiro... Obrigado. – Falei rápido jogo o dinheiro para o garoto do caixa e sai correndo.

“Se algum dia alguém falasse que eu fiz isso, eu iria negar até a minha morte.” – Pensei correndo pelas ruas e todo o momento eu olhava para ver se ele estava atrás de mim, porem parecia que o garoto tinha desisto.

— Com certeza ele ficou com medo de mim. – Sussurrei um pouco cansado e logo soltei uma gargalhada baixa, animado com a adrenalina do que tinha acabado de acontecer.

Admito que não era certo fazer isso, mas eu precisava daquele jogo e o Scott não ganharia dessa vez, ao chegar em casa, vou correndo em direção ao meu quarto, que admito, estava uma bagunça, roupas espalhadas para todos os lugares possível, caixa de pizza aberta em cima da minha cama e várias latas de refrigerante e energético.

— Isso aqui está parecendo um lixeiro. – O meu pai falou entrando no meu quarto, seu terno impecável fazia inveja a qualquer pessoa que estivesse perto dele, sua postura séria fazia muitos temerem encarar ele por bastante tempo.

— Não está tão ruim assim. – Comentei tranquilamente, porem eu sabia que ele estava certo, aquele quarto não tinha visto a limpeza a um bom tempo, mas o que eu poderia fazer, estava em uma missão e essa missão era completar o jogo primeiro que o Scott.

— As vezes me pergunto o que eu fiz de errado. – Seu tom era um sussurro e isso fez eu revirar os olhos, era sempre a mesma coisa, Stiles porque você só fica nesse vídeo game, porque não participa do time de futebol, Stiles isso, Stiles aquilo.

— Porque você esta no meu quarto? – Perguntei ignorando o que ele tinha falado, não queria uma discussão agora e eu sabia que se eu retrucasse, ficaríamos horas falando e estava mais curioso por saber o que ele estava fazendo no meu quarto, já que ele nunca entrava naquele local.

— Não posso entrar para conversa com você? – Perguntou em um tom baixo.

— Quando você tem tempo para conversa comigo? – Falei revirando os olhos e fui em direção ao vídeo game para colocar o jogo que eu tinha comprado, me jogo em minha cama e fico esperando o mesmo começar.

— Eu trabalho, mas te dar um futuro bom... Como você acha que você consegue sempre ter os melhores celulares, vídeo games e tudo o que você quer? – O meu pai falou ainda me encarando, o mesmo continuava na porta e seus olhos eram cansados.

Oh, eu não sou ingrato, eu sei que tudo que tenho de bom é por causa do meu pai ser um ótimo advogado, porem desde que minha mãe morreu, ele esqueceu que tinha um filho e sua maior obrigação e seu emprego. Se ele soubesse que eu trocaria todos os presentes caros para ter um dia com ele normal, mas as coisas não assim e eu não sou uma criança mais, não me iludo com isso.

— Valeu pelos presentes... Agora deixa eu jogar, já fez seu papel de pai. – Disse dando de ombros e isso fez o mesmo soltar um suspiro cansado, agora ele andava em minha direção e ao chegar perto de mim, tirou o controle da minha mão.

— Vamos conversar e você não vai jogar enquanto eu estiver falando com você. – Ele falou em um tom sério e eu somente concordei brevemente, voltei meus olhos para ele e esperei ele começar.

— Ultimamente você viu alguma coisa estranha? – Perguntou e aquilo me deixou confuso, acabo por negar. – Nada de estranho? Tudo normal?

— Como assim estranho?

— Não aconteceu nada de diferente? Ninguém estranho foi falar com você? – O meu pai perguntou e dava para ver em seus olhos como ele estava nervoso, porem eu não conseguia compreender, estava tudo normal, a escola estava uma merda como sempre foi e meus dias passavam mais rápidos do que eu conseguia pensar.

— Está tudo normal, nada de diferente. – Falei dando de ombros.

— Não recebeu nenhuma carta ou alguma mensagem? – Ele perguntou novamente e isso fez eu revirar os olhos, odiava quando as pessoas não iam para o assunto principal.

— Que tal você falar o que está acontecendo. – Comentei em um tom nervoso, já estava começando a ficar nervoso, primeiro ele entra no meu quarto e isso é algo que ele nunca faz e segundo ele vem com essas conversas estranhas. – O que está acontecendo?

Ele respirou fundo e levou sua mão para seu rosto, onde ficou assim por algum tempo, parando para perceber, o meu pai estava estranho fazia algumas semanas, o mesmo sempre estava mais nervoso que ao normal e sempre mandava eu trancar as portas quando ele saia, porem isso era algo que eu sempre ignorava, já que onde morávamos era um lugar seguro.

— O senhor está me deixando nervoso. – Resolvi falar, depois de ficarmos alguns minutos em silencio somente nossa respiração e som do jogo no fundo.

— Eu estou recebendo algumas ameaças, mas antes eu pensava que era só uma brincadeira de mal gosto. – O seu tom era cansado e seus olhos foram em minha direção, onde o mesmo esbouçou um sorriso triste. – Mas parece que as ameaças são verdadeira e eu não entendo o porque disso, não sei porque estão nos ameaçando, filho.

— Como assim nos ameaçando? – Falei me levando de onde estava sentado e começado a andar pelo quarto. – Porque alguém faria isso? É alguém que você colocou na cadeia?

— Eu não sei Stiles, esse é o problema... Eu não sei. – Ele falou me encarando e aquilo somente me deixou frustrado, nervoso e principalmente, apavorado. Algo que eu sempre admirava em meu pai era que ele sempre estava no controle de tudo, mas dessa vez ele não estava e isso me deixava completamente apavorado.

— Eles querem nos matar? O que os recados dizem? – Perguntei tentando entender. – Eles querem dinheiro? Porque nós podemos dar nosso dinheiro, temos muito, certo?

— Esse é o problema, eles não querem nosso dinheiro... Eu já tentei dizer que daria uma ótima grana, mas parece que não é isso que eles querem. – Ele falava em um tom calmo, agora sua expressão estava séria e ele estava desse modo para tentar provavelmente me acalmar também. – E os recados são sempre os mesmo, falando que estamos escondendo algo importante... Mas eu não sei o que eles querem dizer, eu não consigo entender.

— Vamos fugir, vamos embora daqui, mudar para outro local. – Falei rápido demais, estava desesperado.

— Não vai resolver, eles conseguiriam nos achar... Eles parecem ser profissionais. – O meu pai falava com calma, provavelmente ele já deveria estar pensando nessa hipótese.

— Faz quanto tempo que isso está acontecendo?

— Faz um mês.

— Um mês? E somente agora você está me falando isso? – Gritei em um tom algo, fazendo o mesmo se assustar com meu repentino ataque. – Merda, porque você não me falou antes? Como me deixou ir para a escola e a qualquer momento alguém poderia me pegar, hein? – Continuava gritando, passei a mão em meu cabelo e chutei uma lata de refrigerante, estava abismado em como ele não tinha me contado.

— Eu pensei que era brincadeira e...

— E porra nenhuma, mesmo que fosse uma brincadeira eu tinha o direito de saber. – Falei ainda furioso e isso fez o mesmo se levantar também. – Não se aproxima de mim.

— Filho, tente me entender... Eu não sabia o que fazer. – Seu tom era sincero, mas naquele momento eu somente me sentia traído, isso era algo que ele tinha que me contar, não era algo que ele poderia me esconder.

— Só me deixa sozinho, eu preciso pensar em tudo isso que esta acontecendo. – Falei em um sussurro e vejo o mesmo tentar falar algo, mas logo desiste. – Depois conversamos mais sobre isso, eu só estou um pouco nervoso e agora não é um bom momento.

— Ok, mas não se preocupe... Eu estou resolvendo isso. – Ele falou já andando em direção a porta.

— Como você está resolvendo? – Perguntei em um tom curioso.

— Eu chamei a policia, eles falaram que vão investigar o que esta acontecendo. – O mesmo falava me encarando e isso fez eu respirar um pouco mais aliviado, pelo menos ele já tinha entrado em contato com a policia e eu já estava torcendo internamente que a policia resolvesse o mais rápido possível. – Eu falei para eles que você era minha prioridade e eles disseram que deixariam alguém de olho em você.

Depois que ele terminou de falar eu o vejo indo embora e me deixando sozinho, logo que observo eu sozinho, vou em direção a minha cama e me jogo nela, coloco a almofada em minha cabeça e solto um grito, merda, isso é uma loucura, ainda não conseguia acreditar no que o meu pai tinha acabo de dizer, queria que fosse um sonho de bosta e no final eu somente acordasse assustado... Mas não era isso, com certeza não era isso.

“Pelo menos eles vão mandar alguém para cuidar de mim.” – Pensei, tentando tirar aquela sensação de medo que já estava sentindo, eu sabia que não teria chance se alguém tentasse me raptar, eu era somente um viciado em jogos que está no ultimo ano da escola, somente um garoto normal e com uma vida normal, bem, agora não tão normal assim.

Pelo menos teria alguém para me proteger e provavelmente seria um policial, espero que o cara seja legal, porque ter alguém me seguindo o dia inteiro ou me vigiando como se fosse um guarda-costas não era algo que eu gostasse, seria muito desagradável, mas isso não iria durar muito, certo?

Mas será que vai ser um homem que vai me proteger? Ou uma mulher?