Notas iniciais
☆Boa leitura.

POV: Catherine.

Está de noite. Me levanto e esfrego a mão esquerda no meu braço direito. Pego uma vela e vejo claramente meu braço vermelho e o quarto antigo com beliches vazios. Não é meu quarto. Ando até a porta calmamente, sem fazer um pio de barulho mesmo estando vazio, abro a porta e saio. O corredor está vazio e escuro, iluminado apenas com um lustre aceso a cada quatro metros. Algumas pessoas passam e me olham estranho, cochichando algo com alguém do lado. Olhei as paredes conservadas e contemplei a arquitetura do instituto mais uma vez, como um castelo medieval. Tão belo que nunca enjoa. Entrei em uma sala grande mal iluminada, pessoas conversam rápido e não dá para acompanhar, fico apenas olhando para os mantos vermelho, verde e púrpura e as sandálias. Uma voz era de uma mulher e duas de homem. Começo a me aproximar para poder vê-los, e sem querer, tropeço num pequeno degrau e caio de lado no chão. Eles olham pra mim, mas não se importam nem para me ajudar a me levantar. Me levanto sozinha, apoiando no pequeno degrau, passo minhas mãos pelo meu corpo e percebo que eu estou usando uma blusa de couro que só tampa os meus seios e uma mini saia curta de couro pregueada e uma gladiadora com salto de seis centímetros com duas fitas de couro que se entrelaçam do meu tornozelo até minhas coxas. Saio da sala e ando pelo corredor sem saber para onde vou.
– Que bom que te achamos! Temos mais uma missão. Vamos! — disse uma ruiva gótica animada.
Saímos em um grupo de sete pessoas, mas não reconheci. O instituto é um castelo tão grande e cheia de alunos, passei em uma porta de vidro e me vi no reflexo. Meu cabelo loiro com cachos desarrumado, meu olhos verdes irritados e minhas unhas unhas grandes com o esmalte verde saindo. A rua está deserta, pouco movimento de carros e só algumas pessoas fazendo caminhada com seus cachorros e apitos pendurados no pescoço.
– Você é a nossa líder. Não pode deixá-los tão dispersos assim. — cochichou no meu ouvido a mesma garota de antes.
Só então vi que eles estão afastados, pensativos e calmos. Algo me perturbou. Por que ela quer que eu chame a atenção deles? Por que ela quer trazer a discórdia? Seria isso que causaria se eu brigasse com eles, eles iam parar de ficar calmos e iam fofocar se levantando contra mim. "Temos que ser calmos para conseguir ativar todos os nossos sentidos para podermos nos proteger. Nunca podemos nos alterar, isso afeta nosso campo de proteção." — professor de Defesas e Ataques. "Há seres que querem trazer discórdia, medo, fome, pestes e morte. Todo o cuidado é pouco, temos que estar atentos." — diretor.
Saquei a adaga do cinto e encravei em seu peito. Ela começou a sangrar, um sangue preto e grosso que logo se transformou em cinzas assim como o corpo dela. O grupo me olhou e sorriam.
– Seu campo de proteção está baixo, mas você ainda sabe agir com sabedoria. — comentou um garoto ficando do meu lado.
Eles chegaram perto e deram as mão, eu fiquei no meio e o garoto do meu lado. São três garotas (contando comigo) e quatro garotos. Entramos em uma floresta densa e andamos, é como se o nosso instinto tomasse conta de nós, nossa intuição. Vimos uma casa bem precária, batemos na porta e uma garota morena de olhos cinzas e alta abriu. A senhora que está sentada na cadeira tricotando perguntou quem era e eu comecei a explicar.
– Oi. Meu nome é Catherina, mas podem me chamar de Cat. Estamos aqui pois sua neta foi selecionada a estudar no Instituto Dos Deuses. Esse são meus colegas: Saymo, Draco, Philipe, Diego, Sarita e Caroline.
– Entrem. — convidou a senhora.
Entramos, três se sentaram no sofá antigo e Draco, Diego, Saymo e eu ficamos em pé.
– Preciso saber algo desse Instituto? — perguntou a senhora.
– Existe desde os tempos medievais, a arquitetura continua a mesma, mas foi instalado tecnologias novas. A nossa diretora Scarlet é uma senhora de grande respeito em muitos países. Temos alunos de todos os lugares, principalmente da Europa. A comida é balanceada com auxílio de nutricionistas. Aulas práticas e uma biblioteca que ocupa uma torre. Professores qualificados e um ótimo espaço para lazer. Os quartos são grandes, fresco com dois beliches. Esqueci de algo?
– O valor. — ela parece preocupada.
– Gratuito.
Ela ficou um pouco aliviada, mas continua tensa.
– Não se preocupe. A protegeremos.
– Faça a mala, Samantha. — ela ordenou para a garota que nos olha esperançosa.
Samantha foi até um quarto e começou a tirar tudo do guarda-roupa.
Está tão escuro que decidimos dormir aqui enquanto dois fazem guarda.
– Okay. Primeiro turno, Draco e eu. Segundo turno, Diego e Saymo. Precisa do terceiro? — perguntei.
– Não. Temos que chegar lá cedo. — Sarita está séria.
– O que foi, Sarita? — Diego acaricia seus cabelos.
– Nada. Só um pressentimento.
Ela se deitou encolhida no cantinho no chão com as costas encostadas no sofá e as pernas na parede. Diego fez o mesmo dormindo abraçando ela. Caroline deitou no sofá com Philipe. Saymo dormiu sentado no chão entre as paredes. Draco saiu e eu o segui.
– Quer ficar nos fundos? — perguntei sorrindo.
Ele se aproximou me encurralou na parede. Ri.
– Meu dragão está excitado? Rimos. Draco é loiro, alto, forte, postura invejável, olhos azuis com verde, um ar de rico e mimado e filho do presidente. Entrelacei meus braços em volta do seu pescoço e tasquei um beijo em sua bochecha. Ele segurou minhas coxas e me levantou, fazendo-me entrelaçar minhas pernas em volta da sua cintura.
– Acho que não sou o único excitado aqui, amor. — ele sussurrou em meu ouvido dando uma mordidinha.
– Tem toda a razão. — dei um chupão em seu pescoço enquanto arranho suas costas. Ele passou suas mãos em meu corpo e mordeu de leve meu ombro. Ele fez um caminho em meu pescoço com seus beijos e eu tentava segurar alguns gemidos. Ele me beijou e começamos uma batalha de línguas. Mordi a ponta da língua dele e quando ele foi morder a minha eu tirei minha língua o fazendo morder o a sua. Ri e ele me puxou mais forte pra si, colando nossos corpos.
– Não faça isso de novo. — ele tentava segurar o riso.
– E se eu fazer?
Ele passou sua mão na minha parte íntima por cima da saia. Passei minhas mãos em sua barriga arranjando e depois passei em suas costas novamente.
– Seu presente de aniversário de um ano está em cima da sua cama.
– E o seu embaixo da sua. — sussurrei mordendo seu queixo. Ele subiu suas mãos e as parou em meus seios. Massageia e me beija ao mesmo tempo. Senti cada vez mais seu membro ereto. Ele voltou uma mão para minha parte íntima, enfiando a mão por debaixo da saia e sorriu ao perceber que estou muito molhada.
Ouvi um barulho e o empurrei. Saquei minha adaga e ele fez o mesmo. Algo está em movimento por dentro da floresta. Voltamos para dentro da casa e acordamos todos. Fomos novamente para fora e vimos uma forma felina. É um demônio de luz. Apagamos todas as lâmpadas, as velas e todos os aparelhos eletrônicos.
– Que coisa é essa? — a senhora sussurou.
– É um demônio movido a luz. Ele aparece quando vê um sinal de energia nas florestas. — explicou Draco a levando para o quarto. Samantha se trancou no outro quarto, menos uma para nós preocupar. Uma galinha andou na frente perto das árvores. Strack. Ele pulou em cima da galinha quebrando todos os ossos. Ele a devorou em alguns minutos. Corri em sua direção e enfiei a espada em sua barriga. Não pareceu fazer nem cócegas. Ele me atacou com a pata me jogando na parede da casa. Draco corre até mim e citou a magia de cura. Só os ferimentos leves que melhoraram, mas meu braço esquerdo continua doendo. Meu ombro esquerdo foi deslocado com o impacto com a parede e Draco segurando a vontade de chorar o colocou de volta. A dor imensa me fez vomitar. Ele me pegou e me levou até o sofá. Sarita, Carol e ele começam a recitar a magia de cura. Eu também recitei mesmo falhando em algumas palavras. Logo melhorei, mas meu tornozelo ainda está quebrado. Draco saiu procurando algo para meu tornozelo. Ele voltou com um pano escuro e um faça cega. Ele enrolou o pano em meu tornozelo e colocou a faca no meio.
– Está muito apertado. — resmungo.
Ele apenas me beijou e acariciou meu rosto. Ouvimos algo batendo na porta dos fundos. Continuamos no mesmo lugar caso fosse uma armadilha.
O demônio tentou atacar pela frente jogando um pedaço do tronco de uma árvore, mas Carol defendeu com sua espada que brincou de tênis com o tronco sendo a bola.
– Tive uma ideia. — Sarita correu para o quarto de Samantha e quebrou a porta.
Ela voltou mexendo no celular da Samantha com a garota brava atrás.
– Lembrei da página 83 do livro de defesa contra demônios.
– Nem li. — comentei.
Draco riu.
– Isso é tão comum.
– Ei! — briguei.
Ele estalou um beijo na minha testa e me ajudou a levantar. Sarita correu até o demônio e o mesmo abriu a boca para a devorar, mas ela jogou o celular na boca dele e ativou seu escudo. O demônio explodiu.
– SARITA! — gritei preocupada.
– Estou bem.
Ela se levantou, desativou o escudo, andou até nós e me entregou uma pele quente do demônio.
– Para a aula de química. — ela sorriu.
Sério? Ela se preocupa em estudarmos e fazer veneno com isso para o próximo demônio? Nossa.
– Temos que ir. — avisei.
– Jura? Pensei que era pra ficar aqui e trabalhar com agricultura. — ironizou Sarita.
– Hahaha. — minha risada falsa. — Vai querer ir ou não? — perguntei diretamente para Samantha.
– Ela vai. — respondeu a avó.
Samantha entrou e voltou com uma mochila e duas sacolas com sapatos.
– Adeus senhora. — dissemos fazendo um gesto com a cabeça em sinal de respeito e despedida.
– Adeus. — ela respondeu e entrou dentro da casa.
Samantha apenas se despediu com um beijo na bochecha.
Voltamos para o instituto, deixamos ela na sala da diretora e continuamos nossas vidas, nossas atividades e nossas missões. Demônios são apenas demônios, todos temos dentro de nós, não podem morrer, mas podemos impedi-los de vencer o bem.

Notas finais
☆Obrigada por lerem.♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!