Notas iniciais
Cidade de Corumbá, onde fica o IGE

Local: Cidade de Corumbá, centro-oeste do país.

A cidade Branca do país, Corumbá, desflorou como a flora de sua região lindamente nos últimos anos.

Havia recebido todo o tipo de investimento e grandes riquezas se concentraram ali.

Virou não só um dos novos pólos industriais, mas também tecnológicos.

Porém o mais importante desses avanços – o que leva essa história para esse local – foi a criação do maior Instituto Educacional do país.

O Instituto Gore de Educação, IGE, – com seu novo sistema educacional e sua estrutura extremamente equipada – atraía estudantes de todo o país para a cidade. Os filhos dos mais importantes e mais bem sucedidos casais brasileiros estudavam ali. Por que não dizer dos casais do mundo?

Na universidade Gore existia muitos alunos estrangeiros, mas a maior frequência no Instituto era nacional, pois dava preferência a alunos locais, já que o intuito de sua criação era exatamente manter as grandes mentes do país, nele próprio.

Sendo assim era um instituto com muita ajuda governamental e obviamente dos responsáveis de seus aristocráticos frequentadores.

Inclusive por esse motivo – pelo Instituto Gore – Corumbá naquela noite estava recebendo novos moradores.

A família Hu desceu do carro em frente a uma incrível mansão, cercada de vegetação.

Estava de noite em Corumbá, mas quente como Mia nunca sentiu.

A garota coreana caminhava em direção a uma escadaria que levava ao nártex da mansão – aquele espaço anterior à entrada que é aberto por colunas.

Carregava sua mala em uma mão, uma mochila e um urso de pelúcia na outra.

Teddy. Havia sido dado pela sua falecida mãe e apesar da garota não ter mais idade para gostar de pelúcia, tinha que admitir – não com muito orgulho – que aquele ainda lhe era muito importante.

Seu rosto delicado, quase angelical, era emoldurado pelos cabelos lisos e escuros que voavam com o vento da sua nova cidade.

Subiu as escadas e seus olhos brilhavam vendo a enorme casa branca onde iria morar.

Nunca havia visto um lugar assim de perto e estava realmente admirada.

O baque forte que seu pai deu contra a porta a trouxe de volta a realidade.

Seu pai, Hu Choi Kyo, vinha carregando suas duas malas somente. Choi era um oriental barbudo, parecia bem familiarizado com o local, parecia sério também. Mas talvez fosse mais a aparência.

Ao chegarem à porta já havia uma espécie de mordomo que a abriu para eles.

– Fique à vontade, Senhor Hu. E senhorita, seja muito bem-vinda!

– Olá! – Cumprimentou a menina com um sorriso e uma pequena reverência.

A menina sorria com seu sorriso enorme e iluminador, colorindo toda a noite. Por mais que estava tarde ela parecia empolgada, analisando todos os cantos da imensa sala.

– Eu sou o mordomo Leandro. Estou aqui para o que precisar.

Ela acenava com a cabeça para o mordomo enquanto ele falava.

– Leandro, obrigado pela recepção. Mas você não precisava ficar acordado até agora nos esperando, homem! Vá dormir. A gente se vira a partir daqui. – Choi Kyo disse com um pequeno sorriso no seu rosto severo.

– Imagina senhor. É meu prazer servi-los! Senhorita Mia! É ainda mais bonita pessoalmente. Estava ansioso para conhecê-la, já ouvi muito a seu respeito.

– Ah... Também é um prazer te conhecer! – A menina acenou, mantendo seu largo sorriso, tentando disfarçar sua timidez.

Antes de viajarem para o Brasil, seu pai a avisou que ela precisaria de um nome ocidental para conviver melhor na escola, então escolheram uma variação parecida com seu nome original. Ela já estava até gostando de como Mia soava ao lhe chamarem assim.

Leandro queria mostrar toda a casa para ela, mas Choi não deixou, disse que eles deveriam ir dormir e deixar isso para amanhã. O mordomo seguiu o conselho de Choi e foi dormir.

Choi levou a mala dela por uma porta na parte de trás daquela grande sala e Mia o seguiu. Andaram um pouco até uma espécie de câmara que se dividia em alguns corredores.

O pai da garota continuou caminhando pelo corredor que havia ali.

Mas a garota parou no centro daquele local circular e colocou sua mala no chão, enquanto seus olhos brilhavam.

As paredes ali eram douradas e havia quadros aparentemente antigos pendurados na parede.

No teto, logo acima de sua cabeça, tinha um enorme lustre de cristal.

Mas o que mais admirou a garota, naquele lugar, foi o piano recostado a parede. Era um piano de calda todo preto lustroso.

Desacreditando que ele fosse real, Mia passou a mão sobre sua lateral, onde em letras douradas se lia Steinway.

Uma vontade imensa de se sentar ali e tocar nele durante a noite toda, surgiu na pequena garota, mas ela sabia que seu pai não iria gostar muito da ideia.

Seu pai... Ao pensar nele, só se apressou em pegar sua mala no chão e correu pelo corredor, até alcança-lo, onde ele já segurava uma porta aberta.

– Deixe eu te ajudar agora com essa mala. – Sugeriu Mia à Choi, pegando a mala e um ursinho de pelúcia da mão dele, enquanto ele abria uma porta no fim do corredor.

– Esse aqui vai ser o seu quarto.

Ela olhou pela porta.

– Então...? – Choi perguntou, parecendo mais impaciente do que o normal.

– Uau. É incrível.

– Certo. Só não perca muito tempo admirando e vá dormir rápido. Você tem aula amanhã.

Mia acenou ainda sem tirar os olhos do quarto.

Choi deu um beijo rápido em sua testa e saiu fechando a porta atrás de si depois de lhe desejar uma boa noite.

– Acho que nossa sorte, a partir de hoje, vai mudar Teddy... – A garota disse ao Teddy, confiante com seu sorriso no rosto ao adentrar mais no quarto e colocar sua mala no chão.

Mia queria fazer tantas coisas, queria olhar cada centímetro do quarto e da casa.

Não achava que conseguiria dormir tão cedo... Abriu o guarda-roupa e encontrou o uniforme da escola pendurado. Tirou os cabides e colocou sobre a cama para poder observar as roupas.

Eram praticamente todas de calor.

Duas regatas brancas com duas linhas verticais, uma roxa e uma preta.

Duas camisas brancas com botões na frente e sem manga.

Um colete, gravatas. Havia também uma saia de colegial, um shorts e uma calça de malha comprida.

Em outro cabide no armário até tinha um blazer preto com o logo do instituto bordado, porém não parecia um tipo de roupa que usavam por ali.

Por aquele pequeno tempo que estava na cidade e pelo que seu pai disse, fazia muito calor naquele lugar.

Ela deixou uma camisa, a calça e a saia para decidir qual usar depois, e a gravata para fora. Dobrou o restante, colocando de volta no armário.

Remexeu nas gavetas, desfez sua mala e tentou arrumar suas poucas coisas no quarto até achar que estava com sono suficiente e conseguir finalmente dormir, quando se jogou na cama nova cama. Gigante e macia, ao lado de Teddy.