Notas iniciais
Como o prometido, aí está o primeiro capítulo! Espero que gostem, estamos ansiosos para o próximo XD

☼

H

e

n

r

y

☼

A cada ano as coisas ficavam cada vez mais estranhas. É claro, até por que depois de três anos que um super-feitiço foi lançado, é normal que coisas estranhas comecem a acontecer.

Ainda existe um “climão” quando Sinder e Freya estão próximas uma da outra. A diretora arranjara a maior briga com os pais da menina para que ela continuasse em Forccinari. Tudo está diferente agora. Um diferente ruim.

A cada dia que se passa, temos medo de olhar os jornais e nos deparar com novas e aterrorizantes criaturas mágicas renascendo das cinzas, colocando o nosso mundo em perigo. Colocando nossas vidas em perigo.

Sobre o Ruphus, não ouvimos mais falar dele. Talvez ele tenha morrido na hora de lançar a maldição. Assim eu espero. Por falar na maldição, nenhum sinal de envelhecimento rápido fora notado em qualquer bruxo ou trouxa. O feitiço afetava somente o espaço-tempo sem interromper nossas vidas.

Hoje, mais um ano repleto de medos e desconfianças se iniciava. Era hora de voltar para a escola. Era hora de encher a cabeça com outras coisas além da culpa que aquela noite nos deixava na cabeça. Estava tudo em nossas mãos e nós não conseguimos impedi-lo.

***

Como o de costume, minha avó beijara minha testa e a de Anne, nos desejando boa sorte e um ótimo ano letivo. Eu tinha pena dela. Depois que meu avô morrera há dois anos, ela sempre ficava sozinha durante o ano. Exceto os dias em que as amigas dela iam visitá-la e elas passavam o dia inteiro jogando o tão amado bingo bruxo – Além de ficar olhando as fotos do Tony Ramos mais novo. Isso me dava nojo –.

­– Ficaremos bem, vó. Não se preocupe. – Era o que Anne dizia todos os anos.

Ela afunda nossas cabeças na água – o que pra mim ainda é meio psicopata – como o de costume, e em um piscar de olhos nos encontramos no mesmo lugar de sempre. Eu não sei o nome, mas é um beco e os dois lados da rua são cheios de lojas mágicas.

— É... Cadê todo mundo? – Perguntou Anne segurando-se em meu braço. Um lampejo azul passou por entre nossas cabeças. Tento correr mas Anne congelara. Olho para frente e vejo uma mulher vestida de preto. Seu cabelo rosa se destacava no meio do contraste da roupa preta e da pele pálida.

— Vamos brincar de morrer?

—____________________________________________________________________

Acordo gritando. Tem sido comum esse tipo de pesadelos desde o último ataque. Com certeza eles têm sido liderados por Ruphus, mas ele não dá mais as caras. Para você que está se perguntando “Mas que ataques são esses, Henry?!”. Se acalmem, crianças. Eu irei explicar, mas não no momento.

Tenho que começar a contar toda essa história logo, se não quiser ter minha mão arrancada por Anne.

Minha avó está ao lado da minha cama com uma panela de alumínio batendo-a em uma colher de madeira. Ela aparentava estar desesperada. Eu tinha dois chutes do por que daquela cara:

Suas amigas velhas e taradas haviam chegado e ela ainda estava trajando suas roupas intimas de cheeseburgers

Suas revistas com nudes do Tony Ramos haviam desaparecido

Estávamos atrasados

E a resposta certa é *que rufem os tambores*... Três! Estávamos atrasados pra cacete. O horário normal que nós acordamos é por volta das 8:00. No momento o relógio prateado que ficava na cabeceira de minha cama estava marcando 11:00. Nesse momento todos estavam no Instituto, enquanto nós dormíamos.

— ACORDEM! ATRASADOS!

Vejo Annelise pronta. Seus cabelos devidamente penteados cobertos por um gorro beje, seu rosto maquiado cobrindo algumas amigas indesejadas chamadas espinhas, e vestida como uma menina normal: calça jeans preta, uma camisa vermelha lisa e um tênis preto também com a sola branca.

Ela aparece em meu quarto.

— Olha quem ainda está com a cara de ontem! – Disse sarcástica abrindo a gaveta de minha cabeceira e pegando seu relógio de bolso que eu havia escondido na noite anterior. Adoro irritá-la.

— Mas como... – Mal terminei minha pergunta e ela já me cortara.

— Feitiços, meu caro, feitiços. – Explicou ainda com a mão da maçaneta de madeira escura da minha cabeceira. – E se eu fosse você, eu usaria o mesmo.

Sim, é exatamente o que parece. Anne se transformara em uma daquelas meninas de filmes. Sabe aquelas que esnobam todos os meninos e são as patricinhas da escola? Pelo menos como primeira impressão, é o que parece.

Ela pega sua varinha do bolso interior do casaco e aponta a mesma para meu armário. Em um movimento lento, minha mala sai de lá de dentro com todas as coisas necessárias para o ano escolar.

— Uau! Valeu, isso foi muito doido! Como você fez isso?! – Perguntei me levantando da cama em um pulo.

— Tenho meus contatos. – Ela aponta a varinha novamente, só que dessa vez, em minha direção. Ela pronuncia um feitiço – Iam mundus, et mundus!

Sinto meu corpo estranhamente se limpando, como se eu tivesse tomado um banho. Mas sem água. Olho para o mesmo e me vejo em uma camisa branca simpes e uma calça moletom – Ah, como eu amo moletons – azul escura. No mesmo instante a porta do quarto se abriu, revelando nossa avó em um vestido florido esfarrapado. Apenas um de seus pés estava devidamente calçado.

— Prontos? Eu mesma levarei vocês! – E saiu falando coisas sozinha. Eu e Anne ficamos alguns instantes parados. –BORA! – Gritou a velha do lado de fora da pequena casa.

Corremos para seu encontro. Meu queixo quase cai do rosto. Minha avó está simplesmente sentada em um animal que parecia a mistura de um unicórnio com pégaso. Na verdade, era exatamente igual ao bichinho de pelúcia com o qual ela dormia todas as noites desde que meu avô morrera. Qual era o nome dele mesmo...

— Vamos! Rogério está se estressando! – Exatamente, Rogério, o pégasicórnio – sim, eu inventei essa palavra – de pelúcia.

Subimos em Rogério contra a nossa vontade. Estava com um mau pressentimento.

Rogério foi, mas minha coragem ficara em casa, pois eu, literalmente, quase me mijei.

Durante a primeira hora de viagem minha avó ficara cantando músicas do Roberto Carlos, e até aquela de final de ano da Globo. Eu já não agüentava mais ouvir sobre a “festa de quem quiser”.

O céu estava nublado, e quanto mais alto minha avó tentava ir, mais nuvens apareciam. Resultado: tivemos que voar no meio das nuvens para nos esconder dos trouxas. Mas não vá pensando que o único problema de voar entre as nuvens é a água batendo em sua cara em alta velocidade. Sempre que passávamos de uma nuvem para outra, um raio cruzava nosso caminho.

Todos se assustavam – até mesmo o Rogério – menos a minha avó. Ela parecia nem se preocupar em ter seus dois únicos netos queimados, além de seu bicho estranho de pelúcia.

Rogério já começava a se preparar para o pouso. No fundo do horizonte, logo atrás de algumas poucas nuvens, podia ver a ponta do castelo, e alguns espíritos da floresta que o rodeavam. Mas como a minha vida nunca foi tranqüila, um raio vermelho veio em alta velocidade do meu lado direito.

Anne gritou. Já minha avó não dera um pio.

Rogério perdera a consciência, nos levando em queda livre às pedras que rodeavam o chão terroso, enquanto vejo seu corpo se transformando de volta para sua forma normal: pano.

Viro minha cabeça para a direção de onde o raio viera e vejo um homem – ou mulher, não dava para identificar – com seu rosto coberto por uma mascara branca com detalhes em dourado, com a roupa toda preta e sua cabeça encapuzada. Sentado em sua vassoura, simplesmente aparatara enquanto nós caíamos para a morte.

Notas finais
Sentimos falta de escrever para vocês! Comentem para nos ajudar!