Instituto Forccinari
3 Conhecendo futuros colegas de classe
Notas iniciais
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A
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e
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Estava tudo embaçado e eu não havia recuperado totalmente o fôlego, tentava achar Henry tocando-o — bati na cara de um homem que passava. Pude perceber que ele tinha bigode e cabelos grisalhos -.
Minha visão voltou ao normal no mesmo momento em que esbarro em um menino. Em Henry. Eu o abraço com toda a minha força. Estou com medo. Com muito medo.
Antes de poder dizer um "A", somos empurrados contra a parede. O ser humano — que não parecia tão ser humano assim — era muito grande, dos dois jeitos, de largura e de altura. Um Bruta-Monte. Era ruivo e sua cara sardenta. Olhava para nós com olhar de fuzilamento.
— Saiam da frente babacas! – Nos xingou.
— Aquilo foi o que? – Perguntei – Um Ogro?
— Provavelmente. – Concordou Henry – Espere um pouco... Estamos em um Mcdonalds?
— Acho que estamos...
Olhei para o cara que nos aguardava. Só nós dois não estávamos lá. Senti meu rosto queimar. Abaixei a cabeça e andei até o grupo, arrastando Henry pelo braço junto de mim.
Chegamos até lá e nos misturamos à multidão.
— Então começando. Todos vocês estão aqui pelo mesmo motivo. Descobriram que são bruxos. Vou guiar vocês para comprarem seus materiais e blá, blá, blá... Vocês entenderam.
Ele tinha cabelos negros e curtos, com uma cicatriz na sobrancelha direita.
Caminhou até um pequeno micro-ondas velho que estava num canto. Pelo visto, há muitos anos não era usado.
Digitou um código de uns trinta números. A parede fez um estrondo e engoliu o micro-ondas deixando à mostra apenas sua parte da frente. Ele se abriu ao meio, assim como a parede a sua volta.
Logo estávamos a frente de um grande beco, cheio de lojas dos dois lados e muitas pessoas andando por ele.
— Uau! – Exclamei.
— Me sigam. – Continuou o instrutor me ignorando. – Vamos começar pelos livros.
Ele nos levou a uma loja próxima e disse ao vendedor velho de cabelos totalmente brancos.
— Livros do primeiro ano. – Depois virou-se para nós – Peguem seus dracmas.
Eeeh... Não sabia como pegar dracmas. Olhei para Henry pedindo ajuda, mas pelo seu olhar, percebi que também não sabia.
— Ei! – Murmurou alguém me cutucando nas costas. – Quer ajuda para pegar seus dracmas?
Virei-me para trás e me deparei com uma menina com cabelos ruivos e lisos caindo aos ombros, olhos castanhos claros e sardas no rosto.
— Eeeh... Por favor! – Respondi.
Ela enfiou sua mão em meu bolso e tirou um pequeno cartão.
— Encoste seu dedo aqui. – Ela disse apontando para a ponta do cartão.
Obedeci. Encostei meu dedo no canto do cartão, e vinte moedas apareceram na minha mão. Dracmas.
— Como você fez isso? – Perguntou Henry.
Mostrei a meu irmão o que a menina havia acabado de me ensinar, por incrível que pareça, ele conseguiu tirar os Dracmas rapidamente.
Pagamos os livros e saímos da loja.
— Muito bem! Daqui para frente vocês seguirão sozinhos! – Disse o instrutor. – Suas listas aparecerão na frente de vocês na hora que quiserem. É simples. Digam "Index rerum appareant".
Mal terminou de falar, uma lista de material apareceu em sua frente.
Todos nós repetimos. Uma lista de material apareceu a minha frente. Tudo bem, pensei, preciso anotar isso.
— Vocês deverão estar aqui daqui exatamente uma hora. Será nosso ponto de encontro. Quem não estiver aqui na hora marcada... Fica!
Quando fomos liberados, puxei Henry para um canto.
— Ei! O que acha que vamos fazer? Não sabemos usar...
— Desculpe. – A menina que me ajudou com o dinheiro me interrompeu. – É que eu estou sozinha, e não é muito seguro andar por aqui sozinho... Tem muita gente estranha!
— Ah, claro! – Disse eu.
— Obrigado. – Seu rosto corou. – Desculpe pelo o que eu fiz... Que eu te interrompi...
— Não foi nada. – Comecei a pensar... A menina me ajudou e eu sequer sabia o nome dela – Por sinal, meu nome é Annelise, e esse é meu irmão Henry. Mas por favor, me chame de Anne.
— Tudo bem. Meu nome é Gwen. Prazer.
Apertamos as mãos e fomos correndo em direção ao resto das lojas já que não queríamos ficar para trás.
Entramos em várias lojas, de caldeirões, livros didáticos e até em uma de animais de estimação. Gwen comprou um gato. Ele era preto e tinha os olhos azuis. Henry comprou um esquilo... Não exatamente comprou, ele ganhou aquele esquilo. O dono da loja deu-lhe de bom grado. Acho que ele vai se arrepender de tê-lo comprado. Eu comprei apenas uma coruja preta. Simples, mas bonita.
Enfim chegamos à melhor parte — aplausos por favor — ! As varinhas.
— Já esperava por você – O dono disse a Gwen, que foi a primeira. – Tenho algumas que vão combinar perfeitamente.
Ele pegou uma caixa no meio de várias. Uma preta.
— Feita de Videira, flexível, vinte e quatro centímetros. Núcleo de pelo de unicórnio.
Ela deu sorte. Olhou a varinha de cabo a rabo e apontou para a janela quebrada. Balançou um pouco e ela se consertou.
— Sabia que seria essa! – Exclamou o velho dono da loja.
Ela pagou pela varinha e nos esperou do lado de fora. Henry também conseguiu ficar com a primeira. Trinta centímetros, não flexível, feita de Salgueiro com núcleo de fibra de coração de Dragão.
Agora era a minha vez.
Peguei a primeira que ele me deu. Não tive sorte. Mirei na lâmpada e ela estourou. Peguei umas quatro. Uma derrubou uma estante de varinhas, a outra quebrou a bengala de um velhinho no beco, a outra estilhaçou um vaso de plantas. Por fim, a última. Levantei-a sem mirar para lugar nenhum. Apenas fechei os olhos e pedi silenciosamente para que funcionasse.
Me senti estranha. Abri os olhos e percebi que meus pés não tocavam mais o chão. Estava flutuando. Tudo que as outras varinhas que eu usei estragaram e quebraram, estava se consertando. Era aquela. 27 centímetros, flexível, Cerejeira e com núcleo de cabelo de Veela.
Paguei, agradeci e saí correndo para o lado de fora da loja, onde encontrei Henry e Gwen conversando angustiados.
— O que foi? – Perguntei com o sorriso sumindo de meu rosto.
Henry olhou para mim e saiu correndo na direção de onde chegamos.
— Corre! – Gritou Gwen indo em direção a ele. – Estamos atrasados!
Sim, eu havia esquecido. Tínhamos o local de encontro. Se não chegássemos logo, todas aquelas compras não valeriam a nada.
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