Instituição JGMB - Interativa

4 Um Novo Grupo Se Forma


Notas iniciais
Oiê! Recebi a primeira ficha feminina essa semana, e ainda faltam mais duas. Quem ainda não enviou, por favor, manda logo. É importante para a continuidade da história! Mas, enfim, boa leitura!

Hyun-Ae estava revendo um de seus projetos de engenharia. A mulher era uma típica coreana: Uma pele clara, cabelo castanho mediano, os olhos puxados, mas um pouco menos do que o normal, e baixinha. Havia ficado muito contente quando recebeu a carta, pedindo para que se juntasse a Instituição, já que o trabalho de seu não tão conhecido ascendente, Yi Sun-Sin, teve alguma referencia. Mas, por outro lado, ficou triste, pois então teria que deixar seu filho, Daisuke, em casa, pois era adotivo, e não era descendente direto de Sun-Sin. No meio de seus devaneios, ouviu alguém pedindo silêncio no palco, utilizando um microfone. Vendo que seria importante, ela rapidamente guardou o papel dentro de sua bolsa e se aproximou.

Eram quatro pessoas, da esquerda para a direita: Um homem loiro e de certa forma “cabeludo”, uma mulher muito bem arrumada, mas uma expressão que parecia de incômodo, um homem de cabelo preto e com uma cara pateta, e um narigudo de chapéu e barba nas laterais da mandíbula.

A mulher, quando viu que já estavam todos prestando atenção neles, começou a falar:

—Olá a todos. Eu sou a Margareth VI, a Rainha do Reino da Dinamarca. Ao meu lado esquerdo, temos Klaus Jorgensen, o primeiro ministro da Groelândia, e Harold Laudrup, o diretor desta Instituição. Ao meu lado direito, temos David Moore, historiador da Universidade de Princeton, que irá auxiliá-los durante sua estadia.

—Antes de continuarmos as apresentações, gostaria de avisá-los que na entrada tem uma loja de souvenirs. Os preços estão excelentes, e tenho certeza de que seus parentes e amigos adorariam receber algo da Groelândia. – Klaus interrompeu o discurso.

—Muito obrigada, Senhor Jorgensen. – A Rainha olhou para ele de lado. – Laudrup, gostaria de passar uma mensagem também?

—Sim, obrigado por passar a palavra, Majestade. – Harold bate as mãos e as esfrega uma na outra. – Primeiramente, queria dizer que se precisarem de qualquer coisa, podem me procurar. É para isto que estou aqui, afinal. E, em segundo, teremos reuniões semanais, onde iremos discutir sobre seus avanços e ideias. – Ele deu uma boa respirada. – É só isso o que tenho a dizer, por enquanto.

—Ótimo. Então, podemos começar a recapitulação do por que estão aqui. Moore, por favor. – Margareth se virou para David.

—Claro, Majestade. – O homem mostrou um controle remoto em suas mãos e apontou-o para o projetor. Enquanto eles se afastavam do meio do palco, o projetor ligou e imagens começaram a aparecer no lugar em que eles estavam. Ele devolveu o controle para a mesa e foi para o outro lado do palco.

Primeiro, apareceram fotos antigas, de tanques e armas no meio de um deserto.

—Bem, como devem lembrar de suas aulas de história, a suposta crise começou em 2020. Nessa época, um grupo, cujo nome se perdeu, dominou toda a área do Oriente Médio. Eles conquistaram a força aquela região e transformaram os países em províncias de mesmo nome. Lá, tinha algo que era muito valioso: O petróleo. Com a nova forma de governo, consegui-lo ficou muito mais difícil. Os novos líderes aumentaram o preço dele exageradamente. Mais tarde, poderemos falar mais sobre isso, ou vocês mesmos podem se dispor a pesquisar. – David virou o rosto levemente para Margareth. – Rainha, poderia, por favor, passar para a próxima imagem?

Hyun-Ae notou que visivelmente, a Rainha teve dificuldade para fazer isso. Ficou apertando os olhos até achar onde estava escrito “Próximo”. Quando finalmente conseguiu, as imagens mudaram para telas de bolsas de valores e prédios.

—Mais ou menos, nessa época, existia um país chamado China. Ele era muito forte economicamente, grande parte dos países do globo dependia dele. Porém, para ter o PIB sempre crescente, a China construía verdadeiras cidades fantasmas para empregar a construção civil, isso era chamado de Bolha Imobiliária Chinesa. Evidentemente, uma hora isso não daria mais certo, e realmente não deu. A bolha estourou e enfraqueceu muito a China, que era o principal destino das exportações mundiais. Se ela não podia comprar mais, os outros não conseguiam mais vender e a balança de todos caiu. Interessada nos recursos japoneses, a China, aliada com a Rússia, começou uma guerra contra o Japão, com armas nucleares. O Japão havia feito há pouco tempo uma nova constituição que permitia o uso desse tipo de armas, então, aliado aos EUA, lançou os mísseis na China. Só que os dois lançaram simultaneamente, e nenhum deles conseguiu fugir da consequência. Na China, não restou uma cidade, e as plantações se encobriram de radiação, virou um enorme deserto, por isso ninguém quis anexar essas terras. Os únicos seres humanos que vivem lá são primitivos, vivem em pequenas tribos nômades. Eles não sabem de nossa existência, e é melhor que continue assim. Quanto ao Japão, por ser formado por ilhas, as bombas provocaram um intenso terremoto, que as fez afundarem. EUA e Rússia não continuaram, pois só queriam tirar as duas economias do caminho e sabiam que se continuassem, seria o fim da raça humana. – David parou um pouco para respirar. – Próximo, por favor.

Mais uma vez, a Rainha aproximou sutilmente o controle para a cara e passou o dedo procurando o botão certo, até o achar e apertar. Dessa vez mostrou imagens de grandes telões com indicações negativas.

—Pouquíssimos anos depois, a União Europeia entrou em uma forte crise. O euro começou a despencar. Os países que faziam parte da Europa, mas não utilizavam o Euro, se mantiveram firmes nesse quesito, apesar de tudo. Próximo, por favor.

A Rainha, mais uma vez, iria se matar para achar o botão. Antes que fizesse isso, Harold pediu o controle para ela e trocou a imagem. Hyun-Ae reparou que, apesar de tudo, Margareth ficou aliviada de certa forma por não ter que passar por aquilo de novo, apesar do Klaus não ter ficado feliz com a atitude de Harold.

As imagens voltaram a ser do Oriente Médio, só que dessa vez, com menos armas.

—E, então, os poços de petróleo e as reservas de água do Oriente Médio acabaram. Foi um grande desespero para aquela região, quase o fim dela, segundo especialistas. Eles tiverem que se fechar para grande parte do mundo para se estabilizar. Só tinham praticamente relações comerciais com a Rússia.

David, então, pediu mais uma vez para trocarem a imagem, e Harold obedeceu. Agora eram de locais bonitos e pessoas felizes.

—Com o tempo, na Europa, vários países conseguiram se estabilizar, principalmente a Alemanha, Dinamarca e Holanda.

Depois, automaticamente, a imagem mudou para a de automóveis parando.

—Contudo, um pouco depois, houve a crise do petróleo. Se o Oriente Médio já havia parado de produzir, era só uma questão e tempo até o resto do mundo secar. Naquela época, era um produto fundamental e não se via como uma sociedade poderia viver sem ele. Demorou, mas finalmente, conseguiram meios de reverter esse problema. Substituíram o petróleo por outras coisas, as quais utilizamos até hoje, e estamos sempre inventando mais. Pode passar a imagem, por favor?

Harold novamente apertou o botão e o projetor passou imagens mais recentes.

—E, finalmente, o resumo chega a nosso tempo. A Rússia começou a se sentir enfraquecida pelos Estados Unidos, que estava “pegando” seu espaço geopolítico. Para acabar com isso, começou a combinar secretamente com o Oriente Médio e os países da antiga União Soviética um plano para acabar com os EUA, secretamente, lógico. Porém, o serviço secreto norte americano descobriu a informação e um hacker vazou pela internet. Logo todos já estavam sabendo, foi passado nos jornais e comentado no mundo todo. A população mundial, com medo disso, começou a protestar arduamente. Vários governos já estão a ponto de sofrerem golpes. Portando, para evitar que a informação chegue a esses lugares, recolheram o máximo possível de televisões, computadores, rádios, entre outros meios, pelo menos de parte da população, com exceção de alguns países.

—E é nessa parte em que vocês entram. – Harold desligou o projetor e a Rainha se aproximou das pessoas. – Nós montamos essa Instituição com o objetivo de reunir os representantes das possíveis mais brilhantes mentes da história e que seriam os únicos capazes de encontrar a solução para esse problema. O que os Estados Unidos e a Rússia estão produzindo em segredo é muito perigoso. Uma...

—Uma ameaça para a humanidade. – David interrompeu a Rainha. Deu para perceber que ela não esperava por isso e não gostou do comportamento. – Agora, é com Jorgensen e Laudrup. Muito obrigado! – Ele se retirou para trás das cortinas. A Rainha o seguiu.

—Bem, muito obrigado por estarem aqui. Espero termos uma boa relação e que possamos encontrar rapidamente a solução, antes que o pior aconteça. – Harold parecia preocupado com os dois atrás das cortinas, e estava ansioso para ir ver o que é. E também para sair do campo de visão daquela plateia que o enchia que o inquietava. – Para ajuda-los em seu trajeto, separaremos vocês em grupos de pesquisa. Dormirão no mesmo quarto e terão as mesmas atividades. Pesquisarão juntos.

—Serão grupos de oito pessoas, que dividirão beliches e material de estudo. – Klaus complementou. – Peço que todos se armem em uma fila em linha reta à direita de vocês. Em cima das mesas há vasos com papeizinhos. Esses papeizinhos serão o número de seus quartos, e consequentemente, de seu grupo de estudo.

—Depois de sortear seu grupo, vocês irão voltar à entrada, onde terão guias com o número sorteado em um papel. Eles irão mostrar a escola para vocês, e por fim, leva-los aos dormitórios. Se precisarem de algo, podem perguntar ao guia de seu grupo, e, para coisas mais sérias ou difíceis, venham diretamente a mim. – Harold completou. – Podem começar. Não se esqueçam de já irem se preparando para as atividades amanhã.

—E também não se esqueçam de comprar as lembrancinhas para quem ficou. Estão todas a preços acessíveis! – Klaus não perdeu a oportunidade de fazer propaganda da Groelândia. Harold olhou de lado para ele.

—Mais uma vez, muito obrigado pela atenção. Podem ir, e até amanhã.

Harold e Klaus saíram pelo mesmo lugar que a Rainha e David foram. Hyun-Ae, então, seguiu a multidão que formava uma fila para pegar um papel.

...

—O que você está planejando, Moore? – A Rainha rapidamente o questionou quando saíram de vista. – Por que não me deixou completar a frase?

David se virou para Margareth. Já sabia que ela iria pergunta-lo sobre isso e já havia preparado uma resposta.

—A senhora ia falar o que era a arma para eles, não ia?

—Mas é claro que eu ia! – Margareth pôs as mãos na cintura. – Eles têm o direito de saber. É contra isso que estão lutando, tem que entender o que queremos.

—Sim, mas vamos analisar como seria a situação se contasse para eles. – David Moore continuou calmo. – Eles primeiramente, ficariam assustados com a potência do problema que está nas mãos deles. Depois, ficariam desesperados para encontrar a solução. Não conseguiriam dormir ou comer, e teriam problemas de saúde. Não se lança uma informação pesada assim, sem saber o que pode causar nas pessoas.

A Rainha respirou fundo. Até que David tinha um ponto verdadeiro, mas eles precisavam saber. Talvez esperar um pouco para ver o perfil de cada um. Enquanto divagava, Klaus e Harold chegaram por trás e Margareth se virou. Conhecia Klaus a anos, e Harold, a vários meses. Se lembrou do barulho de chute no escritório de Harold depois que contou-lhe sobre a arma. Talvez David estivesse certo. Talvez devesse esperar mais um pouco.

—Falei-te que Moore não era confiável, Majestade. Interrompeu-lhe durante um discurso! Um ultraje! – Klaus foi logo defendendo a Rainha.

—Ele ainda vai continuar na Instituição? Ou vai embora de volta para Princeton? – Harold perguntou inquieto.

—Não, ele deve continuar... – Margareth se virou, e percebeu que David não estava mais lá. – Onde ele está?

...

Recostado na parede, David ativou seu celular clandestino. Sem ninguém ver, digitou os números para falar com a Associação.

—Alô? Scarlett? – Ele perguntou baixinho. – Estou ligando para confirmar. Aqueles dois, Klaus Jorgensen e Harold Laudrup, não parecem acreditar em minha palavra. Mas, a Rainha Margareth confia em mim. A impedi de falar sobre o projeto. – Ele parou um pouco para ouvir a mulher do outro lado da linha. – Sim, tenho certeza de quem ninguém desconfia. Passo um do plano AR, completo. Passo dois em andamento. Desligando. – Antes que alguém visse, David selecionou a opção para o aparelho diminuir de tamanho e, quando ficou do mesmo porte de um chip, o guardou no bolso.

Se levantou devagar para não fazer barulho, e, ao ouvir a Rainha perguntando onde ele estava, virou a parede para ir de encontro com os três.

—Desculpe a ausência, estava procurando o banheiro. – David inventou uma desculpa.

—O banheiro? – Klaus falou com um tom desconfiado.

—Primeira porta a esquerda. – Harold respondeu como se quisesse livrar-se logo dele.

—Obrigado. Já volto. – David saiu calmamente para onde estava antes, para não atrair suspeitas. O que não viram, é que tinha um grande sorriso malicioso em seu rosto.

...

“Cinco” era o que estava escrito no papel que Hyun-Ae tirou. Seu grupo era o número cinco. Depois de ver qual era o número, guardou-o no bolso da calça e andou calmamente até a entrada. Era um pouco menor do que o salão onde estava ainda há pouco. Várias lojinhas estavam espalhadas pelo recinto, junto a plantas e bancos no chão de pedra. Parecia uma praça, para falar a verdade. Os portões já estavam fechados, o que diminuía a intensidade do frio lá dentro. Dava para se perder facilmente, pela quantidade de pessoas confusas tentando encontrar seu guia. Por sorte, Hyun-Ae rapidamente conseguiu avistar o guia 5 sendo quase que sufocado por algumas pessoas que passavam batendo nele.

Quando conseguiu chegar até ele, depois de muito sufoco, Hyun—Ae conseguiu fazer com que os outros desviassem deles. O guia parecia agradecido.

—Muito obrigado, senhora. Acho que me salvou de ser esmagado. – Ele sorriu. O homem parecia ter mais ou menos a mesma idade de Hyun-Ae: 32 anos. Tinha porte mediano, cabelo e olhos pretos, feições árabes, e uma cara de inocente muito convincente.

—Não há de quê. – A mulher respondeu calma como sempre. — Meu nome é Yi Hyun-Ae. E o seu?

Antes que o rapaz pudesse responder, chegou um homem alto e com heterocromia e hiperventilando.

—Com licença. – O homem tentou se manter mais firme, e felizmente voltou ao padrão de respiração normal. — É aqui o grupo cinco, certo?

Nesse momento, outro homem, dessa vez com jeito de indiano, surgiu atrás de Hyun-Ae.

—Gente, esse é o grupo cinco, não é? – Ele, depois de recuperar um pouco o fôlego que havia perdido no meio das pessoas, viu a outra pessoa que havia chegado. – Edward? Você também tirou cinco?

—O quê? – O de heterocromia não ouviu. – Henry, o que está fazendo aqui?

Antes que qualquer um pudesse responder, outro menino se aproximou do grupo. Parece que foi só Hyun-Ae achar o guia, que todo mundo começou a segui-la. Dessa vez, o marcante era o cabelo todo espetado para cima.

—Henry? Edward? Estão no mesmo grupo também? Bom, pelo menos eu já conheço vocês, então fica mais fácil.

—Chriiiis! – Uma menina chegou e abraçou o menino por trás. O mesmo quase teve um ataque cardíaco. – Adivinha quem vai te dar bom dia todas as manhãs.

—Não acredito. Arícia, você é algum tipo de bruxa má do oeste, por acaso? Fez vodu e essas coisas para ficar aqui também, é?

—Quase isso. Tirei outro número e quando vi que tirou cinco, troquei com outra menina que havia tirado. Não vai escapar de mim tão fácil.

—Pode pelo menos me largar? – O menino já estava irritado. Hyun-Ae se perguntou se todas as pessoas de seu grupo seriam jovens. Ela havia visto vários da idade dela durante o caminho, não era possível que nenhum tenha ido para o mesmo grupo.

—Olha, não é que eu estava certo? Nos vemos de novo, afinal. – Outro jovem, dessa vez era bem alto e com um sorriso travesso nos lábios.

—E ainda por cima esse cara... – Chris comenta enquanto Arícia sai de cima dele e se esconde ao seu lado.

—Vejo que já estão todos aqui, então. – O guia começou, mas foi interrompido por Hyun-Ae.

—Na verdade, ainda faltam mais duas pessoas.

—Não se preocupem. Eu encontrei elas quando fui trocar o papel. – Arícia respondeu. – Falaram que tinham que resolver um problema antes, e que depois vão esperar você voltar do tour para ir. – Ela completou olhando diretamente para o guia.

—Se é assim, então vamos começar. Meu nome é Miguel Lieber, e serei o guia de vocês durante o tempo que for necessário. – Ele se virou e fez sinal para que o seguissem. — Vamos começar então, o passeio.

A Instituição era imensa, um verdadeiro castelo. Depois da entrada, encontrava-se o escritório do diretor Laudrup, biblioteca, refeitório e laboratório, entre outras coisas de estudo. No segundo andar, diversas salas com nomes estranhos. “Sala de Inspiração”, “Sala de descontração”, “Sala da discórdia”... Hyun-Ae ficou se perguntando o que elas seriam. E, finalmente, no terceiro andar, estavam os quartos.

—Vocês deram sorte. – Miguel comentou ao parar a frente da porta Cinco. – O dormitório de vocês é um dos primeiros.

—Espera, a nossa visita acaba aqui? Mas, ainda tem mais andar para cima, não tem? – Chris questionou.

—Para cima só tem mais quartos e cômodos dos quais não têm autorização para ir. – Miguel pegou do bolso do casaco um monte de chaves e utilizou uma delas para abrir o quarto. – Aqui tem chaves para cada um de vocês. Elas servem para abrir o quarto e o banheiro dentro do quarto de vocês.

Enquanto cada um ia entrando, ele ia entregando uma chave na mão da pessoa. Nem quando Jean dirigiu uma piscadela a ele, Miguel se distanciou da tarefa, apesar de não ter conseguido evitar ficar um pouco vermelho. Quando todos já estavam dentro do quarto, perceberam que as bagagens já estavam no quarto. Antes que pudessem perguntar, Miguel respondeu-lhes:

—Enquanto fazia o tour com vocês, outras pessoas se encarregaram de trazer as malas de vocês para cá, depois que os avisei sobre vocês. Espero que aproveitem o dia de descanso antes de começarem a trabalhar. – Após despedir-se, Miguel se virou e foi embora.

Depois que ele parou de falar, Hyun-Ae conseguiu visualizar melhor o quarto. Não esperava coisa mais simples: Quatro beliches dividiam o quarto, com apenas uma cabeceira entre cada uma para separa-las. Uma grande escrivaninha, com várias cadeiras, cobria a outra parede, e no lado direito do quarto, havia uma porta que levava ao banheiro.

—Nossa. – Jean logo disparou. – Esse quarto é muito vazio, será que deixam decorar?

—Até que eu gostei. Melhor do que minha casa. – Arícia comentou.

—Eu fico com a de cima! – Henry de repente jogou a mochila que já estava em suas costas na cama de cima mais a direita e subiu nela. Ao chegar lá em cima olhou para baixo e abriu os braços. – Estou me sentindo o Dr. Fergusson no balão!

—O quê que você disse? – Ed perguntou enquanto colocava as bagagens dele na cama abaixo.

—Que estou me sentindo como Fergusson. É um personagem do “Cinco Semanas Em Um Balão”. De Júlio Verne.

—Um verniano? Isso não é muito comum. – Hyun-Ae comentou ao colocar a mala na cama de baixo mais a esquerda, no extremo oposto.

—Bem, eu não diria verniano. Só gosto muito do mundo antes dos anos 2000. Para mim, esse foi o ano em que tudo começou. A virada do milênio.

Chris se aproximou de Hyun-Ae com a maleta na mão e sorriu para ela.

—Posso usar a cama acima da sua?

—Sim, pode sim.

—Que bom. – Chris subiu as escadas e posicionou a mala na nova cama. – Prefiro dividir beliches do que dormir em uma só comigo.

—E, o melhor de tudo. – Arícia usou as escadas do beliche ao lado para subir para a cama de cima, onde pode olhar diretamente para Chris. – Vou ser a primeira pessoa que verá todos os dias!

—Ah, qual é. Também vai virar as páginas de meus livros quando eu estiver lendo?

—Talvez, por que não? – Arícia contrabateu sorrindo e Chris revirou os olhos.

—Olha, não sei quanto a vocês, mas adorei meu lugar. – Jean declarou ao sentar-se na cama de baixo entre o beliche de Arícia e a cama de Ed. – Estou entre duas pessoas muito interessantes...

—Gente, agora que eu percebi! Nem nos apresentamos ainda! Quem quer começar? – Henry interrompeu-o antes que pudesse armar uma confusão.

—Isso demoraria demais. – Jean continuou. – Ficar falando nome, idade...

—Mas, até que o Henry está certo. Somos um grupo agora, e vamos trabalhar juntos, apesar de alguns não parecerem querer cooperar. – Estava óbvio para quem foi essa indireta direta do Chris.

—E se a gente se apresentasse assim: Sou Yi Hyun-Ae, de Yeosu, na Coréia do Sul. 32 Anos, descendente de Yi Sun-Sin.

—Seu nome é igual ao de seu ancestral? – Arícia estranhou.

—Não. No oriente falamos o sobrenome antes do primeiro nome.

—Uhm. Não sabia disso. Mas, achei a técnica boa, falar tudo logo de uma vez. Sou Arícia Ford, de Chicago, nos Estados Unidos. 21 Anos, descendente de Henry Ford. Esse rabugento aí é meu priminho. – Ela sorriu para Chris, que novamente só revirou os olhos.

—E eu sou Jean Diamond Comte, de Paris, na França. 18 Anos, descendente de Auguste Comte.

—Henry Murray, de Londres, Inglaterra! 20 Anos, descendente de Nathan Murray! – Henry continuou animado.

—Edward Maxwell Fleming, Birmingham, Inglaterra. 21 Anos, descendente de Alexander Fleming.

Depois de todo mundo ter falado, Chris se sentiu obrigado a devolver a confiança:

—Christian Fell Ford, São Francisco, Estados Unidos. 19 Anos, descendente de Henry Ford.

Nesse momento, uma buzina longa e uma curta tocaram, e em seguida, a voz do diretor apareceu:

—Esse sinal significa que está na hora de comer. Para saber o que significa outros sinais, peguem o folheto na saída do refeitório. Obrigado.

O grupo estava se preparando para sair, quando Chris falou repentinamente.

—Nós somos um grupo agora. Tanto de estudo, tanto de amizade. E, parece que encontrar a solução que eles tanto querem, é importante para todos. Espero que todos nós possamos trabalhar como uma equipe. – Ele discursou, como se fosse o líder do grupo.

Notas finais
Espero que tenham gostado do "começo". Tentei explicar tudo o máximo possível. Alguma crítica, elogio, comenta aí para eu saber o que melhorar. Meus leitores são meus amigos :3 Até a próxima, :)!