Insistente
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ela se apresentara a cada um dos membros daquele grupo de uma maneira alegre, afinal, Lin estava feliz por saber que teria a ajuda de outras pessoas para procurar a “chave” que precisava: Mari, a última habitante de Calnat – que, segundo o homem de cabelos pretos, Sieghart, havia desaparecido após despertar um grande poder em si.
A grisalha se divertia com as personalidades dos seus novos companheiros; Não conseguia entender como pessoas tão diferentes conseguiam conviver juntos.
Após cumprimentar todos, a Sacerdotisa percebeu que sobrara um integrante: Um garoto com cabelos de um verde fosco, um visor que deixava somente sua boca descoberta e que portava uma estranha espada que tinha algo parecido com um olho.
Ela se perguntou se ele fazia parte daquele grupo, pois estava realmente distante de onde haviam montado o acampamento; Decidiu simplesmente perguntar a alguém, então se aproximou de Arme, que tentava ler um livro, mesmo com o barulho que todos faziam por estarem conversando.
— Arme!— Falou um pouco alto, para que a Arquimaga escutasse.
— Ah! Precisa de algo, Lin?— A garota de cabelos roxos marcou a página em que estava e fechou o grosso livro. Parecia que tinha desistido de ler.
— Quem é aquele garoto?— Lin apontou para o garoto afastado do grupo, que não se movia em momento algum.
— Seu nome é Zero. E é somente isso que sabemos sobre ele.— Encarou a nova companheira ao terminar de falar; Sabia que ela faria outra pergunta, então continuou. – Antes de se juntar à Grand Chase, nós o encontramos algumas vezes, no entanto, ele nunca falava nada coerente. Só fomos saber seu nome quando ele, de repente, começou a nos seguir.
— Entendo... Mas, olhando com um pouco de atenção, parece que ele está falando sozinho...— A garota de cabelos brancos olhou para Zero, fazendo Arme olhá-lo também.
— Esqueci desse detalhe...— A Arquimaga parecia ter lembrado de algo.
— Detalhe?— Lin olhou para Arme, confusa.
— Pelo que parece, ele pode se comunicar com sua espada, chamada Grandark.— Respondeu, parecendo pensativa. – Na maioria das vezes que ele fala, que são poucas, ele geralmente diz que a espada o mandou falar, ou está falando com ela; Ninguém mais escuta, então acredito que somente ele possa ouvir.
— Impressionante! Uma espada com vida própria?— A garota estava com uma expressão empolgada. Havia saído de sua vila e agora estava descobrindo coisas que achava serem impossíveis de existirem.
— Por pura curiosidade...— Arme aproximou-se de Lin, sussurrando. – Qual o motivo de estar tão interessada?
— Ele é misterioso.— Ela sorriu para a garota mais baixa para, logo depois, olhar para o céu alaranjado pelo pôr do sol. – Eu sempre fui curiosa e hiperativa, o que me fez dar bastante trabalho aos meus tutores.— A garota fez uma expressão triste, mas logo sorriu e olhou para Arme. – Vou cumprimentar ele, pois foi o único com quem não falei.
— Tudo bem. Voltarei a tentar ler este livro... Se esses idiotas deixarem!— A garota de cabelos roxos apontou para seus companheiros, que discutiam sobre o porquê de Sieghart sempre dormir na mesma barraca que Dio e não aceitar o rodízio de duplas que faziam. Ao verem a expressão furiosa de Rey, as duas garotas riram. – Boa sorte para fazer ele falar. Vai precisar!
— É claro que eu vou conseguir!— A grisalha sorriu e foi em direção a Zero, confiante, mas, pela primeira vez, um pouco nervosa.
Lin aproximou-se do local onde o garoto de cabelos foscos estava. Havia algumas pedras com, facilmente, dois metros de altura, onde Zero se encontrava sentado no topo. A garota ia falar algo, mas o Peregrino a interrompeu.
— Grandark já percebeu que alguém se aproxima, por isso, identifique-se.— Zero falou como se estivesse lendo algum roteiro.
A garota andou em volta das pedras até ficar frente-a-frente com o estranho garoto.
— Ora, então você percebeu? Eu planejava fazer uma surpresa.— Ela sorriu, encarando o visor que cobria os olhos do Peregrino. – Ou eu deveria dizer que a Grandark percebeu?
Zero levantou-se e apontou a Grandark para Lin, deixando-a confusa.
— Quem é você? Por acaso tem alguma relação com Duel?— A garota não podia ver seus olhos, mas, por algum motivo, tinha certeza de que estavam inexpressivos, como sua voz.
— Desculpe, acabei por esquecer a razão pela qual eu vim!— Lin tirou seu leque, abrindo-o e fazendo uma pose qualquer. – Eu sou Lin! Uma Sacerdotisa vinda da vila de Gaon e...
Novamente, Zero antecipou-se e a interrompeu.
— Sinto muito, mas não aceito desafios.— O Peregrino sentou-se novamente.
— Não vim para desafiar você!— Percebeu que falou um pouco alto, então olhou na direção onde o resto do grupo estava. Todos olhavam para ela. Acenou, com um sorriso sem graça estampado no rosto, e voltou-se para Zero. – Eu me uni à Grand Chase recentemente, por isso vim me apresentar...
Ela esperou alguns segundos, mas o garoto não respondeu.
— Não vai falar nada?— A Sacerdotisa encarou o Peregrino, sorridente.
— Já se apresentou. Tem algo a mais para falar?— Ele voltou o rosto para o céu, agora estrelado.
Lin ficou indignada.
— Que mal educado!— Sussurrou para si mesma; Em seguida, teve uma ideia. Saltou, pousando em cima das pedras a sua frente, sentando-se ao lado do garoto.
Ele se assustou e afastou-se bruscamente para o lado oposto á garota; Teria caído se ela não tivesse agarrado sua mão.
— Você é sempre desastrado assim?— Ela sorriu, puxando o Peregrino para perto de si, soltando sua mão.
Zero sentou-se novamente, colocando a Grandark em seu colo. Percebeu que Lin o olhava fixamente, então a olhou de volta, perguntando, silenciosamente, o que ela queria.
— Não vai me agradecer?— Sorriu.
— O-obrigado...— Olhou para o lado, escondendo o rosto um pouco corado.
— Então... Por que está aqui, sozinho, e não junto dos outros?
— São muito barulhentos. Nem mesmo consigo escutar o quê a Grandark diz...— Ele olhou para a espada em seu colo.
— É mesmo verdade que essa espada pode se comunicar com você?— Lin fitou o objeto. Parecia uma espada normal, exceto pelo grande olho que tinha nela.
— Grandark tem seus próprios pensamentos e vontades.— Zero continuava a olhar para a espada. – Eu fui criado pelo único propósito de poder manuseá-la.— Ele olha para o céu.
A Sacerdotisa olhou para a Grandark e, logo depois, para o garoto. Com uma das mãos, ele alisava toda a extensão da grande espada, enquanto olhava para o céu. Ele riu, deixando Lin surpresa, pois, pelo que Arme disse, pensava que ele não tivesse emoções. Principalmente depois de ele ter dito que foi “criado”.
— Como assim, “não faça coisas indecentes”?— Ele falou baixo, em um tom que parecia, no mínimo, brincalhão. – Você é somente uma espada, eu posso tocá-la em qualquer lugar.— Ele riu novamente, tateando a espada, até que percebeu o olhar da garota fixo em si, corando por ela ter presenciado uma cena tão constrangedora.
Ela sorriu, pois havia percebido algo. Zero apenas tinha uma timidez excessiva, por isso não se misturava aos outros.
Uma ideia surgiu em sua mente; Seus olhos iluminaram-se.
— Ei, Zero...— Ela chamou o Peregrino. No momento em que o garoto olhou em sua direção, ela aproximou-se bruscamente dele, deixando seus rostos bem próximos.
— O q-— Ele se afastou, mas a grisalha se aproximava cada vez mais, até que ele caiu de costas na pedra em que os dois estavam; Lin ficou de joelhos em cima de Zero. Ele a encarou por alguns segundos, ficando com seu rosto violentamente vermelho, logo depois. – Vo-você disse que eu vou perder o quê?!— Ele olhou para a Grandark, assustado.
— Zero, eu farei isso!— A Sacerdotisa o encarou com uma expressão destemida.
— N-não!— O terror apoderou-se de seu rosto. – Vo-você não precisa fazer na-nada!— Ele tentou levantar-se, mas teve seus braços presos pelas mãos da garota.
— Claro que preciso! Devo ser a única pessoa desse grupo que entende você!— O lado direito do seu quimono escorregou ombro abaixo, deixando o local amostra.
Zero realmente não entendia o sentido daquilo. Eles deveriam fazer aquilo somente pelo fato de terem ficado um pouco próximos?!
— Por isso... Eu devo ajudar você a fazer amizade com todos os outros do grupo!— E saiu de cima do Peregrino, levantando-se e ajeitando sua roupa.
— O que disse?— Pôs-se sentado, observando a garota.
— Exatamente o que você ouviu!— Sorriu. – Agora vamos!
— Vamos? Aon-— Teve sua mão puxada pela grisalha, que saltou de cima das pedras, o levando junto. Agarrou Grandark rapidamente.
Lin levava Zero em direção ao grupo, onde todos ainda conversavam. O Peregrino olhou um pouco receoso para as pessoas, até que a Sacerdotisa apertou sua mão e acelerou o passo, fazendo-o ganhar um pouquinho de confiança. Ele sorriu discretamente, e sussurrou para a espada.
— Realmente, Grandark, ela é muito insistente.— Ele olhou para as costas da garota, ainda sorrindo. – Mas é uma ótima pessoa.— Sussurrou novamente, para que Lin não ouvisse.
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