Inside Insanity

1 Capítulo 1 - Como você veio parar aqui?


Um novato perguntou o motivo deu estar aqui, eu o encarei e o Fellipe logo soltou um ‘You are Inside Insanity!’.

Você aprende a não se apegar as pessoas, a não ser sentimental, conter os sentimentos e guardá-los numa caixinha.

– Hey Lua! Vai pra aula de história? —perguntou Midas sentando-se ao meu lado na mesa do café no refeitório.

– Vou sim, mas depois tem aula de artes então não sei se vai dar por que tenho que ir pegar trabalho no quarto... — respondi olhando pra ele mordendo a maçã.

– Já me intrometendo. —disse Lucy— Eu levo o seu quadro, eu tenho que buscar o meu no quarto também! — mandou um beijo no ar pra mim.

– Ah, obrigada... Então eu vou sim, Midas.

– É que a gente precisa conversar. —disse me encarando com aqueles olhos castanho escuros.

– Ta pegando é? —zoou Kristopher abraçando Midas.

– Claro que não, Kristopher! Eu e a Lua? Fora de questão! —respondeu com um leve gaguejar— Fellipe me dá um cigarro aí!

– Para de ser trouxa, você vai morrer cedo! —exclamou Zoey.

Fiquei ouvindo o Midas discutir com a Zoey sobre cigarro pela 3ª vez na mesma semana, enquanto Luna ficava ao meu lado com os olhinhos brilhando olhando para o Fellipe, aquela menina nunca parou de olhar daquele jeito pra ele desde que entrou aqui, olhei pra ela e me levantei ainda com a discussão da Zoey com o Midas sobre aquele maldito cigarro. Peguei outra maçã, e fui até meu armário buscar o material das aulas que eu teria hoje: história, artes e música, depois à tarde teria aula de psicologia, mas recebemos o comunicado da troca de aula por uma de tiro. Logo que sai pela porta do refeitório cruzei com o Eds no corredor, que pelo que percebi propositalmente esbarrou em mim.

– Caralho, qual teu problema garoto? —exclamei extremamente puta da vida porquê ele tinha me visto perto e eu tinha desviado e ele veio pra cima.

– Para de frescura! —retrucou com um tom ameaçador.

Ignorei-o e segui até meu armário, abri o mesmo e retirei os materiais necessários para as aulas da manhã. Fechei-o. Mark estava ao meu lado pegando os materiais também, ele balançou a cabeça num sinal de 'Bom Dia, Lua', eu o olhei e puxei assunto:

– Bom dia pro colega mais calado deste inferno! —ri e percebi um sorriso de canto de boca dele— Preparado pra aula da Mégara?

– Digamos que sim, história é a minha matéria predileta depois de ciências polícias e astronomia. Falando nisso, você fez o trabalho de astronomia pra amanhã? —perguntou sem jeito.

– Fiz sim! Está com dúvidas? —perguntei encostando no armário enquanto Kristopher passava, fazendo um sinal de 'Ok' com Layla em direção ao pátio.

– Sim, eu gostaria que você me desse essa ajuda, fico te devendo essa... —respondeu coçando a cabeça sem jeito.

– Ajudo sim, Mark. Pode ser lá pelas 15h, depois da minha aula de tiro?

– Sem problemas eu tenho aula de neurologia até às 15h. Na biblioteca?

– Pode ser. —toca o primeiro sinal— Vamos?

Ele fez que sim com a cabeça e nos mantemos em silêncio até entrarmos na sala. A professora entrou e deu sua aula como de costume, a aula acabou e Midas estava me esperando na porta ele não havia desistido de falar comigo depois da aula.

– Oi Lua... —disse ele sem meio gaguejando.

– Oi. —respondi revirando os olhos.

– Eu queria um conselho. —ele me parou e foi se encostando na parede.

– Se for sobre o que o Kristopher falou fica de boa, eu o conheço desde...

– Não é nada disso... É sobre as aulas de psicologia, eu percebi que você ficou com dificuldade na última aula e sei lá queria saber se tu gostarias de ajuda... —disse enquanto tirava o isqueiro do bolso esquerdo.

– Ah... —fiquei calada durante uns segundos— Eu tô atrasada pra próxima aula, depois a gente conversa... Tchau.

– Mas... Ta bem, boa aula!

Corri até a sala e Lucy já havia chego com o quadro, me sentei colocando o mesmo no cavalete ao lado do dela e gesticulei 'obrigada' com a boca, logo que coloquei o avental o professor entrou estava subindo pelas paredes de raiva só pelo olhar dele dava para notar isso.

– Terminem seus trabalhos, assinem e para a próxima aula eu quero uma pesquisa de 5 páginas, no mínimo, sobre a cultura e arte Celta. —disse andando entre os cavaletes— E também quero uma escultura relacionada a algo que tenham citado na pesquisa.

Maldito seja aquele trabalho de artes, ele ta ficando mais pirado que a gente! Ele queria algo que viesse do fundo meu inconsciente, um medo, um momentos, ele queria que eu usasse sentimentos pra fazer aquele trabalho! Eu dei o meu máximo e acho que ficou bom. Não sou pessimista em relação aos meus quadros só não gosto quando pedem algo muito sentimentalista pra entregar no dia seguinte. Fim da aula. Hora de encarar a entrega de uma partitura pra aula de música de autoria própria, mais coisa difícil. Escolhi fazer para violão, pois fazia um tempo que o violino e eu não tínhamos um tempo apenas nosso.

Eu teria que aguentar o Eds na mesma sala, fazendo aqueles comentários desnecessários que só ele faz. Em compensação ele escreve letras muito bonitas e melodicamente falando limpas e boas de se adequar a uma partitura melancólica para violão, e adivinha. Ele é a minha dupla nesse maldito trabalho. Pelo menos pra isso ele é menos chato.

– Trouxe o violão? —perguntou Eds enquanto eu entrava na sala.

– O que tu acha que é isso nas minhas costas?

– Um violão?! —rio.

– Parabéns, você sabe o nome dos instrumentos. Trouxe a letra da música?

– Sim, e você trouxe a partitura?

– Não, eu decorei, pra que partitura?!

Depois de algumas apresentações na aula de música não deu tempo de ir todo mundo, obviamente, eu e ele ficamos de apresentar na próxima aula. Estava quase na hora do almoço, porém antes de ir pro refeitório passei no meu quarto pra deixar o trabalho de artes, tirei a blusa e me joguei na cama, logo que pensei na conversa com o Midas, bateram na porta.

– Quem é? —perguntei meio manhosa.

– Sou eu Lua, o Midas! —ele logo foi entrando após bater.

– Caramba mano! —levantei correndo, peguei a blusa e fui para o banheiro— não sabe esperar?

– Desculpa?

– Ta ta, tanto faz! Mas da próxima vez espera, né.

– Então pensou em relação à ajuda em psicologia? —perguntou encostando a porta do quarto.

– Por que fechou a porta? —me encosto-me à porta do banheiro.

– É que eu queria te contar uma coisa. —disse se aproximando.

– Primeiro, tira esse isqueiro da mão.

– Ok! Nem percebi que estava com ele em mãos —joga o isqueiro no chão.

– Agora pode falar!

Ele se aproximou, colocou a mão no meu rosto, eu abaixei a minha indo em direção ao meu bolso direito onde guardo minha faca bolso.

– Eu sempre fui meio vidrado nesses teus olhos azuis, Lua...

– E pra dizer isso tem que chegar tão perto assim, Midas?

– Pro que eu vou fazer agora sim. —ele se aproximou mais.

– Se você fizer o que eu tô pensando que vai fazer, eu corto sua garganta. —digo colocando a faca no pescoço dele.

– Lua, calma eu só ia...

– Você só vai se me fizer acreditar que posso confiar no que você sente. —abaixei a faca enquanto olhava no fundo dos olhos dele— agora pensando na ajuda em psicologia, não preciso, eu me viro. —abaixei a cabeça.

– Ta bem, Lua... —disse beijando minha testa levanta meu rosto me fazendo olhar pra ele— eu vou tentar, mas você tem que cooperar também, ta?

– Vou tentar...

Ele pegou seu isqueiro e saiu do quarto fechando a porta. Essa situação estava indo rápido demais, nos conhecíamos há quase dois anos e ele quase nunca falou comigo! Agora ele vem com essa de “sempre fui meio vidrado nesses teus olhos azuis”. Bem acho que o dia seria como todos os outros, aulas, tempo livre, passar na direção por brigar com alguém e depois mais tempo livre.

Depois do almoço fomos para o jardim para ficarmos um pouco ao ar livre, sentamos em roda, Luna, Kristopher, Lucy, Mark, Fellipe, Midas, Zoey, eu e digamos que o Eds estava junto também, porém encostado na fonte no meio do lugar. Eu levei o violão para tocarmos em roda, sempre fazíamos algo juntos à tarde.

Pedi para a Zoey passar o violão pro Midas, pois era ele que sempre tocava as músicas em roda, eu sempre fiquei observando o que acontecia.

– O que vamos tocar hoje? —perguntou Kristopher.

– Sugiro I See Fire por que, principalmente, é mais fácil pra tocar. —disse Midas enquanto afinava o violão.

– Gostei... —soltou Mark em baixo tom.

– Posso sugerir uma coisa gente? —perguntou Lucy se levantando vindo em minha direção.

– Sim. —respondemos em coro.

– Eu sugiro que hoje a Lua cante I See Fire, se vocês dividissem o quarto com ela, como eu, saberiam o talento dessa menina! —disse Lucy me abraçando.

– Mentira! —virei indignada pra ela.

– É verdade, não renegue seu talento. —respondeu ela com um tom sério.

Mantive-me calada.

– Eu concordo com a Lucy! —exclamou Luna— Você tem tantos talentos, Lua, e nem os reconhece.

Fiquei encarando Lucy fulminantemente, como ela ousa falar uma coisa dessas na frente do pessoal?!

– Vocês querem realmente isso? —perguntei olhando pra trás percebendo que haviam enfermeiros nos olhando.

– É uma ideia legal até, Lua… — disse Mark pouco cabisbaixo.

Cocei a cabeça meio em dúvida, mantive-me em silêncio por alguns minutos e alguém começa a dizer:

– Pra que vocês querem ouvir essa daí? Deve ter uma voz de taquara que nem dá pra se imaginar! —exclamou Eds com um tom ameaçador.

Esse moleque realmente deve me odiar, eu não suporto ameaças. Levantei-me e fui em direção a ele, fechando a mão pra meter um soco no meio da cara dele. Feito.

– Lua! —gritou Midas.

– Você tem demência? —perguntei olhando ele se levantar.

– Só porque está aqui há mais tempo não significa que vou ficar sem revidar! — disse ele me dando um chute no estômago fazendo com que eu caísse de joelhos no chão.

Me levantei, olhei no fundo dos olhos dele e cuspi o sangue que ficou na minha boca na cara daquele filho da puta. Ele ficou tão puto que veio pra cima de mim de novo, desviei, ele ficou parado na frente em frente à fonte que costuma ficar desligada todas as tardes. Fui pra cima dele, fazendo com que ele caísse perto da fonte, fiz com que ele se virasse e ele me pegou pela manga da minha blusa e colocou minha cabeça dentro da fonte fazendo com que eu segurasse no braço dele com toda minha força.

Fellipe tirou aquele trouxa de cima de mim e o segurou, fazendo com que ficasse com os braços pra trás, Kristopher estava me ajudando a levantar, o empurrei e parti pra cima do Eds dando um soco em seu estômago, fazendo-o cuspir mais sangue do que quando ele me deu a joelhada. Fellipe o soltou e foi se encostar na fonte, todos estavam meio estáticos durante, praticamente, toda nossa briga. Derrubei-o, fazendo-o deitar ficando com os braços dele sob meus joelhos, começando a dar uma série de socos na cara dele. Ele tirou um dos braços que estava sob meu joelho e me jogou no chão, eu rolei pro outro lado e me levantei.

Boca, nariz, supercílios, tudo sangrando, escorrendo, deixando rastros por aquele lado do pátio todo. Os enfermeiros notaram a briga e tentaram apartar, cada um segurou um, mas o Eds se soltou e tentou me dar outro soco, dei-lhe um chute no saco que ele nunca mais esqueceria dessa briga.

Os malditos nos levaram para o diretor. Como sou orgulhosa demais, deixei o sangue que havia escorrido durante os 10 minutos de briga, Eds igualmente. Nisso que dá colocar dois psicopatas no mesmo ambiente.

– Senhorita Lua, você por aqui, achei que não arrumaria encrenca essa semana! —disse ele abaixando um livro titulado “Como entender uma mente Psicopata”— Francamente Lua, o rapaz é mais novo que você, o que aconteceu dessa vez?

– Ela veio pra cima de mim sem motivo algum!

– MENTIROSO FILHO DA PUTA! —disse me levantando em direção à cadeira que ficava do outro lado da sala onde ele estava sentado me encarando.

– Se acalme Lua. —levantou indo em direção ao Eds.

– ME ACALMAR? VOCÊ PODE ME COLOCAR UMA CAMISA DE FORÇA PELA QUARTA VEZ ESSE MÊS, MAS ME ACALMAR COM ESSE MALDITO ME PROVOCANDO, ISSO ESTÁ TOTALMENTE FORA DE COGITAÇÃO!

– Certamente os dois vão pra parede hoje. —ele voltou a se sentar, abriu a gaveta da sua mesa e pegou a ficha de ocorrências do Eds e minha.

– De novo? Quanto tempo dessa vez seis horas ou uma noite? —perguntei me levantando.

– Seis horas pra ele, e o resto do dia até amanhã de manhã pra você.

– Mas quem começou foi… Argh. —me virei e abri a porta pra sair da sala.

– Onde você pensa que está indo, garota?

– Pra parede né, eu sei o caminho de cor.

Sinceramente eu aprontava bastante, até explodi o botijão de gás da cozinha uma vez com o Midas e a Luna foi engraçado demais. Eu esperava que ele passasse o mesmo período de tempo que eu naquela merda, mas não ele sempre fica menos tempo.

Eds e eu fomos levados até outra ala do I.I. onde ficam as famosas "paredes" que é para onde somente os 'encrenqueiros' vão, no caso eu quase toda a semana.

Nos vestiram com as camisas, o bom era que eu não ia precisar olhar pra cara do Eds durante um bom tempo, abriram portas e nos mandaram entrar. Entramos. As luzes foram desligadas e só ficou a claridade do mormaço daquele dia nublado.

– Um dia e meio nesta merda por culpa tua. —disse tentando soltar da camisa.

– Fica quietinha, se não fosse pelo Fellipe você teria apanhado mais, e não adianta você não vai conseguir tirar essa camisa. —respondeu Eds.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.