Inside
3 They tried to make me go to rehab!
No carro, a viagem seguiu um pouco silenciosa, apenas com meu pai tentando quebrar o gelo, explicando um pouco sobre o psiquiatra e o porquê de tudo aquilo. Como se eu não soubesse, né? Eu apenas assentia e mantinha o olhar na janela, observando a paisagem, que passava por nós como borrões. Não estava com vontade alguma de ouvir aquele discurso, mas também não queria cortar o tou-san. Ele achava que estava ajudando, então deixa ele.
— Naruto, nós temos algum tempo antes da consulta. O que acha de almoçarmos? Faz tempo que não saímos juntos, em um programa de pai e filho. – Ele me convidou, do nada. Ok, talvez não fosse tão do nada assim, sei lá, eu realmente não estava concentrado no que ele falava.
Não me levem a mal, eu amo meu pai, amo conversar com ele, mas eu estou ansioso com a consulta. Eu realmente só quero que esse dia acabe.
— Claro, por que não? – Apesar de tudo, ele tinha razão, fazia um bom tempo desde a última vez. Talvez isso ajude a distrair.
Rodamos algum tempo e achamos um restaurante bacana. Escolhemos uma mesa mais ao fundo e fizemos nossos pedidos. Nós comemos e interagimos bastante. Qual é, trocar algumas palavras para mim é interagir bastante. Eu achei bem produtivo.
Conversamos um pouco sobre a escola, provas, sobre os meus “amigos” (nem imaginários, pai. Desculpa.), professores e toda essas trivialidades. Ele me perguntou até sobre namoradas. Talvez você esteja se perguntando isso agora, então vou responder: não, meu pai não é bom em puxar ou manter conversas.
E só pra constar, tive apenas uma paixonite por uma garota chamada Sakura, mas já faz algum tempinho. Tudo sumiu quando ela jogou refrigerante nas minhas calças no meio do pátio da escola. Eu não sabia onde enfiar minha cara de tanta vergonha, mas sabia o que eu queria fazer com a cara dela e era quebrar. Enfim...
Meu pai é um cara legal. Eu deveria ser mais sociável com ele. Ele já passou inúmeros vexames por minha causa. Sério, foram vários mesmo, mas isso é história pra algum outro dia.
Estávamos de volta ao porsche cayenne preto, seguindo viagem desta vez rumo ao consultório do tal do meu psiquiatra. Sinto-me um pouco desconfortável quanto a isso.
Quem é ele mesmo?
A ideia de passar algumas horas com alguém desconhecido, em um lugar desconhecido, com o tal desconhecido querendo invadir minha mente, não me agrada.
— P-pai... – Ele me olhou como se eu fosse um alienígena. Também, eu não sou de puxar assunto. Minha cabeça não para um segundo, em compensação.
— Sim? – Ele estava incerto, mas também empolgado. Era tipo "Nossa, ele abriu a boca!",
— C-como você disse que é o n-nome do psiquiatra mesmo? – Perguntei, encarando minhas mãos, as quais estava mexendo incessantemente. Eu tava nervoso, ninguém pode me culpar. Eu gaguejo muito falando e odeio isso.
— Que cabeça a minha! Eu falei tanto sobre psiquiatra que nem me lembrei de falar seu nome! – Ele respondeu, com um sorriso nervoso. Eu apenas sorri de volta. Viva, somos dois bocós! – Ele é irmão de um conhecido meu, seu nome é Uchiha Sasuke.
— Hmm... – Apenas murmurei em resposta. Pode parecer estranho, mas só de saber seu nome eu já me sentia mais calmo. Agora ele não era mais cem por cento estranho para mim.
— Não fique nervoso, se ele for como seu irmão, é um cara legal.
— Certo. – Eu não podia prometer nada, mas...
Cerca de 10 minutos depois, paramos o carro em frente a um prédio alto e imponente, com vidros negros, de tirar o fôlego de tão belo. Era uma fachada realmente muito bem arquitetada. Eu gosto de arquitetura, sabem? E acho que fiquei tempo demais babando nela, também.
— Vamos? – Ouvi meu pai se pronunciar. É, eu fiquei mesmo. Apenas concordei com a cabeça, desengatando meu cinto de segurança.
Descemos do carro e fomos até a recepção do prédio. Tudo era tão bem decorado...
— Olá, como posso ajudar? – Perguntou-nos a moça, com um sorriso .
— Oi! – Meu pai, sempre sorridente — Temos uma consulta com o Dr.Uchiha — Mostrou-lhe o cartão, que indicava meu nome e a hora da bendita.
— Tudo bem, podem subir. O elevador é por ali, virando a direita – disse ela, indicando com o dedo a direção – 8º andar, sala 805. Podem entrar direto, a porta leva à sala de espera.
— Ok, obrigado – Meu pai se despediu com um aceno de mão. Eu só olhei-a de canto, e ela ficou me encarando com uma expressão confusa.
Entramos no elevador, apertei o botão relativo ao 8º anda e subimos. Senti a mão de meu pai em meu ombro, apertando um pouco em um gesto de carinho. O fitei com um olhar um pouco distante, afinal, estava nervoso. Ele sorriu terno para mim, e eu retribui. Forçado, mas retribui.
Subimos em silêncio, apenas com uma música de fundo, uma sinfonia na verdade. Canon. Uma bela melodia.
A porta em nossa frente se abriu, revelando um local bem agitado, com uma grande correria de pessoas, gritos e chamados afoitos. Tudo em um ritmo acelerado. Não gosto muito de pessoas estranhas, mas tive de admirar essa correria, parecia uma versão em miniatura da cidade lá fora.
Meu pai correu os olhos por todo o lugar, admirando o local e também procurando o consultório do tal Sasuke. Assim que o avistamos, fomos em sua direção, desviando de algumas pessoas.
Chegamos na tal porta, que continha uma placa metálica fosca, com a escrita preta que dizia Uchiha Sasuke — Psicologia e Psiquiatria, e entramos. Era um ambiente calmo, diferente da correria do lado de fora. Bem decorado, cores de tons agradáveis, tudo acolhedor eu diria.
— Boa tarde. – Falou uma moça de cabelos castanhos, com dois coques no alto da cabeça. Kawaii. Deve ser a secretária dele.
— Boa tarde! – nos dirigimos à mesa dela – Sou Namikaze Minato e este é meu filho, Uzumaki Naruto. Ele tem uma consulta marcada.
— Certo, o novo paciente do Sr. Uchiha. Sentem-se, vou avisar sobre sua chegada.
— Obrigado.
Fomos em direção às cadeiras e tomamos nossos lugares.
— Tudo bem? – Indagou-me
— Sim... Só nervoso. – Sorri.
A moça dos coques pegou o telefone, teclou qualquer coisa e logo disse algo como “o paciente chegou”. Foi ai que eu gelei. Acho que nunca fiquei tão nervoso. Pus a touca do meu moletom, como se aquilo fosse me proteger.
Apenas ouvi o som de porta se abrindo e meu nome pronunciado por uma bela voz masculina.
“É agora...” Suspirei fundo, e acho que meu pai notou minha ansiedade, e então se agachou em minha frente e disse:
— Ei, vai dar tudo certo, garotão! – Deu um sorriso.
Nem levantei a cabeça, apenas acenei positivamente e levantei-me, acompanhado de meu pai, rumo à fonte de minha ansiedade, que para mim até agora não tem face, só um belo nome: Uchiha Sasuke.
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