Inside
5 Naru...
Após a saída de Minato, Sasuke fechou a porta e foi em direção à poltrona que ficava próxima ao sofá.
— Sente-se, Naruto.
— H-hai... – Respondeu o loiro, um pouco desconfortável com a situação.
— Bom, Naruto, você já foi a psicólogos ou psiquiatras antes, correto?
— Aham.
— E pelo visto você não gostava muito, não é?
— Certo.
— E por quê?
— Não sei bem... Se abrir para um estranho não é uma situação agradável. Não para mim.
Sasuke anotou algo em seu bloquinho.
— Concordo com você Naruto. Se abrir a desconhecidos pode ser bem desconfortável. Assim como você, eu já frequentei psiquiatras na infância e adolescência. Sei como é chato...
O loiro nada respondeu, apenas fitou o chão, desconfortável e inseguro.
— E se eu não fosse mais um estranho pra você? – Indagou o maior, chamando a atenção do outro.
— O que quer dizer com isso, Sasuke-san?
— Primeiro: nada de “san” ou qualquer coisa do tipo, apenas Sasuke. – Disse em tom repreensivo, mas não sério.
— Gomen... Sasuke.
Sasuke fitou o menor sorrindo, e sorriu junto. O loirinho possuía um sorriso tão belo que era até um desperdício não mostrá-lo.
— Continuando, Naru, como eu dizia antes: e se eu não for mais um estranho para você? Quero dizer, antes de eu lhe perguntar sobre você, te dou a liberdade de perguntar tudo o que quiser sobre mim. O que acha?
Ele nada respondeu, apenas desviou o olhar para qualquer outro ponto da sala que não seu psiquiatra, corado.
— O que foi? Está tudo bem? – Indagou o maior, indo em direção do outro, pondo uma mão sobre sua testa para verificar a temperatura.
— Não é nada... É... É... Você me chamou de Naru... – Falou.
Sasuke corou, retirando rapidamente a mão da testa do menino e voltando a sentar-se em sua poltrona. Pegou seu bloquinho, olhando-o como se fosse algo muito interessante, mas na verdade só estava evitando olhar Naruto nos olhos, estava envergonhado. “Sasuke! Qual o seu problema?” indagou-se mentalmente, repreendendo-se.
— Perdão, eu não percebi...
Naruto sorriu maroto com a situação. Sasuke corado, em sua perspectiva, ficava muito engraçado.
— Não tem problema... – Falou, mas logo em seguida o sorriso travesso do menor estava se apagando, dando lugar a um sorriso repleto de mágoa. – É que minha mãe me chamava assim... Naru...
— Desculpe, Naruto, eu não sabia. – Falou, vendo os olhos do outro encherem-se de lágrimas. – Não queria te fazer chorar. – Disse, estendendo-lhe caixinha de lenços. – Você gostava muito dela, não é?
Naruto apenas assentiu, rendendo-se às lágrimas. Sasuke observava a cena. Naruto logo levantou a cabeça, secando o rosto com a manga do moletom, fungando.
— Desculpe o choro, mas respondendo: sim, gostava muito dela. Quando ela nos deixou, eu sofri bastante. À noite, ouvia meu pai chorar e se perguntar o que ele faria dali por diante e isso me fazia chorar junto. Mas decidi ser forte, por mim e por ele.
— Você teve uma infância dura, pequeno... Não deveria carregar um fardo tão grande com tão pouca idade. – Disse o moreno, olhando-o com o semblante pesaroso.
— É, eu sei, mas não tive muita escolha. Ela nos fez sofrer, Sasuke, apenas pelo fato de não conseguir aturar algumas brigas e carregar alguns fardos. Simplesmente jogou tudo para cima de nós e partiu. – Explicou Naruto, fitando-o, inexpressivo.
— Você ainda sente falta dela? – Questionou, pegando a caneta se preparando para anotar algo.
Naruto soltou uma risada triste, fitando seus pés em seguida.
— But you didn't have to cut me off… — O menor começou a cantarolar… — Make out like it never happened and that we were nothing! And I don't even need your love, but you treat me like a stranger and that feels so rough. No, you didn't have to stoop so low, have your friends collect your records and then change your number. I guess that I don't need, that though…
— Now you're just somebody that I used to know… – Mas dessa vez foi o moreno quem continuou. – Eu adoro essa musica.
— Também gosto bastante dela, mesmo me trazendo memórias tristes.
— Você tem uma bela voz, Naruto.
— Ah, obrigado... – Falou sem jeito, coçando a nuca. Nem parecia o mesmo Naruto de antes. – Você não fica atrás, sua voz é bela também.
— Obrigado... E essa música respondeu minha pergunta... Mas enfim, recapitulando: há algo que queira saber de mim? Pode perguntar o que quiser.
— Tudo bem então. Por que você precisou ir a um psiquiatra? – Questionou o loiro, mantendo a curiosidade estampada no rosto.
— Hm... Achei que fosse começar com algo mais leve, como idade ou algo do tipo. – Disse Sasuke, irônico.
— D-d-desculpa, é que... – Foi interrompido antes que pudesse terminar.
— Quando eu era pequeno, tive depressão profunda por conta da pressão que eu recebia em casa. Eu deveria ser o melhor, como meu irmão, mas por mais que me esforçasse, não era o suficiente para meu pai, e eu acabei adoecendo. Tornei-me um adolescente um tanto fechado e arrogante...
— Entendo... – Falou o outro, ainda demonstrando curiosidade e interesse. –Posso pedir algo mais pessoal?
— Já disse que responderei o que quiser.
— Certo... – A secretária, Tenten... Ela é... E-e-ela é... S-s-sua...
— Namorada? – Concluiu o moreno.
— É... – Disse o loiro, meio constrangido.
O moreno simplesmente riu.
— Não, ela não. Nunca. Ela é como uma irmã. Um dia no fim da aula, eu seguia meu caminho para casa, sozinho, pois ninguém me aturava. – O loiro riu com a última parte. – Não ria! Enfim, estava caminhando e vi um grupo de idiotas em volta de uma garota, empurrando-a, puxando seu cabelo e a xingando. Não sei por quê, mas eu intervi, a ajudei e somos amigos desde então.
— Você é realmente incrível... – Com essa afirmação, o maior corou. – Mas e sua família? Como ela é?
— Não tenho mais contato com eles há algum tempo. Quando decidi ser médico, ao invés de um empresário, brigamos e fui posto pra fora de casa.
— Perdão, eu não sabia. Não queria te fazer lembrar isso.
— Não, tudo bem.
Naruto titubeou um pouco, mas tomou coragem:
— Sasuke... Vocêtemnamorada? – Perguntou tão rápido que quase não deu pra entender. Mas dessa vez, o loiro não desviou o olhar, ao contrário, olhou no fundo dos olhos do Uchiha, que se surpreendeu com a pergunta e com a atitude do outro. Porém, Sasuke respondeu, dando um sorriso:
—Não, eu não tenho. Já namorei algumas vezes, mas não achei a pessoa certa ainda.
Naruto sorriu com a resposta.
— Vou retribuir a pergunta: e você, Naruto, tem namorada? Com seu belo rosto, olhos penetrantes e até uma bela voz, deve ter alguma pretendente.
O loiro sorriu amargo, olhando para o maior e disse:
— Eu não tenho nem amigos, quanto menos pretendentes.
Essa frase agiu como uma lâmina no coração do moreno. Como pode alguém não querer se aproximar de alguém tão belo e tão puro?
— Não diga mais isso, Naruto. Eu sou seu amigo. – Sasuke sorriu terno para o menor, que retribuiu com um sorriso bobo, com os olhos brilhando de felicidade.
— Mas você mal me conhece e já é meu amigo? – Perguntou ao maior com um tom de dúvida e relutância.
— Você já me contou o suficiente. Amigos surgem espontaneamente, já te considero um amigo. E acho que nem percebeu que está falando pelos cotovelos. – Brincou o maior, arrancando risos de ambos.
— Obrigado, eu acho... – Disse o loiro, meio confuso. – Não percebi mesmo. Acho que já falei mais aqui do que em minha vida toda.
— Sinal que você confia em mim. Fico muito feliz. – Ambos fitaram-se por um tempo. Um olhar repleto de sentimentos ainda desconhecidos para ambos. Algo estava nascendo ali, mas o que?
— Ei, Naruto, me acompanhe. Eu preciso que você faça um desenho. – Dito isso, o moreno se deslocou até a estante, pegando uma caixa onde guardava materiais para desenho, como lápis de cor e canetinhas. Levou-a até sua mesa e chamou o loirinho, que, relutante, sentou-se em frente a ele.
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