Inside

11 Física, trapaças hereditárias e outro moreno...


Notas iniciais
Olá povo lindo!! Olha eu aqui! :D Bom, aos negócios. Obrigado a todos seus lindos! Sem vocês eu não seria nada. Nessa capítulo, que está consideravelmente grande, há o aparecimento de um novo personagem, que pretendo dar um destaque. Espero que gostem! Não esqueçam de comentar com os amigos sobre a fic...

Na manhã seguinte, o moreno acordou cedo, mais do que o de costume, afinal ele não havia dormido em casa e ainda teria de voltar para a mesma antes de ir trabalhar. Ele se levantou e foi até o banheiro que era anexado ao quarto, apenas para fazer suas necessidades, lavar o rosto e ajeitar seu cabelo. O básico para acordar de verdade.

Calçou suas pantufas e deixou o quarto em seguida, indo rumo à sala onde haviam jantado na noite passada. Fazendo o trajeto de volta a sala de jantar, passou novamente em frente ao quarto de Naruto, não resistindo à tentação de abrir a porta.

Naruto ainda dormia tranquilamente, descansando de um dia repleto de emoções, mas desta vez estava deitado em travesseiros, pois Mei já havia levantado e estava penteando os longos cabelos em frente ao espelho que havia no quarto.

– Ohayou Sasuke. – Disse ela, observando o moreno através do espelho.

– Ohayou... – Respondeu em um sussurro para não acordar o menor. – Como ele dormiu? E o que aconteceu ontem? Eu falei algo de errado? – Questionou.

– Ele dormiu muito bem. – Começou a responder, se retirando do quarto e levando Sasuke junto consigo. – E ele apenas sentiu falta da mãe. Aquela mulher causou muito mal a ele, Sasuke. – Fez uma pausa. – Eu... Simplesmente não entendo como ela pode fazer uma coisa dessas. Ela deve ser louca. – Comentou ela, com o olhar distante. – E respondendo sua última pergunta, você não fez nada de errado. Aliás, quando fui ver ele ontem a noite, quando bati na porta ele pensou que fosse você. – Completou ela, com ambos já chegando a sala de jantar.

– Sério? – Sasuke indagou, um pouco curioso. Não demonstrou, mas ficou contente também.

– É... Esse garoto gosta bastante de você. Você o entende, o ouve e...

– Olha só, vocês já estão acordados! – Mei foi interrompido por Minato. – Bom dia! Não esperava ver vocês de pé a essa hora. Dormiram bem?

– Bom dia, Minato-san. – Saudou Sasuke. – E sim, tive de acordar mais cedo. Preciso dar um jeito de ir até em casa. – Disse ele, pondo o pó de café e água na cafeteira. – Dormi como uma pedra.

– Geralmente sou eu o primeiro a acordar, e quando acordo, a casa está mais silenciosa. – Uma quarta voz foi ouvida, chamando a atenção dos demais.

– Ah, bom dia, Naruto! – Disse Minato indo até o filho e depositando-lhe um beijo na testa. – O clima está diferente hoje, mesmo.

– Bom dia, tou-san. – Abraçou seu pai. – Sasuke... Mei... – Sorriu para os demais. – Bom ver vocês.

– Bom dia. – Responderam uníssonos. – Naruto... – Continuou o moreno, desta vez só. – Eu queria me desculpar por ontem. Eu não... – Não concluiu a fala pois Naruto o cortara, erguendo a mão.

– Não se desculpe, você não fez nada de errado. – Disse ele. – Eu me deixei levar... E Mei, muito obrigado por ficar comigo. De verdade. – Completou, indo em direção a mulher e lhe dando um abraço apertado. Abraço de mãe e filho.

– Não por isso, garoto. Você me ajudou também, sabia?. – Disse ela, afagando a cabeça loira do menor.

– Mesmo? – Inqueriu, olhando profundamente nos olhos da morena, que assentiu. – Fico feliz então. – Comentou o garoto, com um largo sorriso. – Eu já volto para tomar café com vocês, só vou tomar um banho. Tenho que ir a escola depois. –Disse ele, engolindo seco. Sempre era um martírio.

– Tudo bem, vamos esperar você, então. – Deu uma piscadela ao menor.

Naruto saiu do cômodo com certa pressa, restando apenas os três novamente, em um silêncio estranho. Não era incômodo, era apenas... Estranho. Parecia que todos tinham algo a dizer, mas ninguém o faria. Não o faria porque não era necessário. Não totalmente.

– Mei... – Chamou Minato, depois de tomar coragem e pensar cautelosamente no que falaria. Não era bom com palavras. Nem com mulheres. Muito menos escolher palavras para dirigir à mulheres. – Eu queria agradecer... Sabe, pelo que você fez pelo Naruto ontem a noite. Eu nem sequer saberia o que faze. Digo, é complicado... – Ditou um tanto nervoso, se perdendo em seu raciocínio.

– Não precisa agradecer. – O interrompeu, em um tom que passava tranquilidade. – Eu entendo a dor dele. Nenhum de nós teve a melhor das infâncias aqui... – Disse ela, servindo o café feito por Sasuke em quatro xícaras.

Sentaram à mesa e iniciaram o desjejum. Naruto não demorou a voltar, já trajando o uniforme da escola e carregando uma mochila nas costas. Trocaram algumas palavras, mais para quebrar o silêncio. Já parou para pensar que é difícil ter uma conversa apropriada com dois estranhos que dormiram em sua casa? Pois então.

– Droga! – Exclamou Minato, de repente. – Naruto, não vou poder levá-lo a escola hoje. Vou entrar mais tarde na empresa, porque terei mais uma reunião e ainda tenho que me preparar e arrumar tudo. – Explicou-se.

– Não tem problema, eu posso ir a pé. – Disse o menor, finalizando seu sanduíche. – Não é tão longe assim, eu me viro.

– De jeito nenhum! – Pronunciou-se Sasuke, em um tom autoritário. – Eu posso deixá-lo na escola, sem problema algum. Eu só vou precisar de um carro, já que estou a pé.

– Verdade? – Perguntou Minato, recebendo um maneio positivo de cabeça. – Então tudo bem, Sasuke. – Limpou a boca com um guardanapo. – A chave do Jaguar está ali em cima do balcão. – Completou ele, apontando para a direção onde estava a chave. Sasuke se surpreendeu com o quão corriqueiramente Minato tratava um carro de luxo. Choque de realidades. – Aproveite e leve Mei para o hotel, se não se incomodar. Pode ir até sua casa com ele também, mando alguém buscá-lo em frente ao prédio do seu escritório mais tarde.

O mais velho tinha uma boa intuição, e ela dizia que Sasuke era uma boa pessoa.

– Muito obrigado Minato-san. – Agradeceu, levantando-se e levando a louça que sujara até a pia. Pode confiar em mim, vou cuidar muito bem dele, como se fosse um filho. E Naruto vai ficar bem também. – Riu junto de Minato, que gargalhava. O mais novo do recinto apenas rolou os olhos. Homens e seus carros. – Vamos então? – Perguntou, depois de juntar seus pertences e esperar os demais caroneiros fazerem o mesmo.

– Hai! – Responderam os outros dois, despedindo-se de Minato. Naruto com um abraço rápido e Mei com um beijo na bochecha e um agradecimento pela hospitalidade. Não que o Namikaze tivesse ouvido muita coisa depois do beijo, mas...

A viagem seguiu tranquila, a neve já estava derretendo e o sol havia voltado a brilhar, porém o frio ainda permanecia. Conversaram banalidades durante o percurso, com o rádio ligado em uma estação qualquer. O moreno estava apreciando ao máximo a experiência de pilotar um Jaguar.

Sasuke primeiro deixou Mei em seu hotel, já que ele era relativamente mais próximo, e então seguiu para KHS para deixar Naruto. Não demorou muito e ele parou o carro em frente aos portões da mesma.

– Acho que é aqui que nos despedimos. – Comentou Sasuke sorrindo e em um tom amigável.

– É, eu acho que sim. – Respondeu-lhe, olhando de soslaio. – Então até amanhã, Sasuke. Obrigado por tudo. Eu me diverti muito ontem. – Disse o loirinho, também abrindo um sorriso.

Em seguida, apertou a mão do moreno, sentindo mais uma vez a sensação estranha de quando tocou Sasuke pela primeira vez. Era algo incomum; era único; era inexplicável. Queria ele saber, algum dia, exatamente o que isso significava, com todas as letras.

Saiu do carro, ajeitando a mochila em suas costas e andando em direção aos portões negros da escola, olhando uma última vez para trás e acenando para o moreno, que acenou de volta e seguiu seu rumo, apreciando o ronco do motor do carro.

Por conta do imprevisto com sua carona, Naruto acabou chegando bem mais cedo do que o de costume à escola. Foi sentar-se em um banco, que ficava embaixo de uma imponente árvore, pegando o caderno que levava consigo em sua mochila e começando a folheá-lo.

Teria prova de física. O conteúdo da prova era calorimetria, uma matéria bem chata e complicada para a maioria, mas que para ele não era nada de mais. Estava estudando mais por tédio do que por necessidade. Queria matar algum tempo.

Passou um bom tempo lendo e relendo suas anotações, refazendo alguns cálculos somente porque queria fazer. Estava em paz, sossegado.

Mas, é de conhecimento geral que a paz não dura para sempre, ainda mais para azarado Uzumaki Naruto. Teve seus estudos interrompidos e sua paz aniquilada por aqueles que provavelmente seriam as pessoas mais desagradáveis e desnecessárias da face da Terra.

– Olha só quem infelizmente continua respirando. – Disse Neji, que se aproximava junto de Suigetsu, Sakura e Karin.

– Por favor, me deixem em paz. – Pediu Naruto, gaguejando em um misto de medo com um pouco de irritação. – Eu não fiz nada pra vocês!

– Por favor, me deixem em paz! – Remedou o albino, com a voz fina e caricata. Na sequencia, o garoto de olhos violeta tomou o caderno das mãos de Naruto, olhando-o com descaso, folheando-o sem o mínimo de cuidado, amassando e rasgando algumas folhas.

– Me devolve, por favor! – Clamou o menor, tentando pegar seu caderno de volta, mas sem sucesso, pois recebeu um empurrão que o fez sentar-se no banco novamente. – Qual é, por favor!

– Oh, tem prova de física hoje... Eu nem estudei. – Disse Neji, sem muito caso. – Só sei que se eu for mal, quem vai pagar vai ser você! – Disse apontando para Naruto, com um sorriso debochado nos lábios.

O que teria Naruto a ver com o sucesso ou o fracasso dos demais na prova? Nada. Nada mesmo.

– 'To contigo, Neji. – Disse o albino, ainda com o caderno do menor em mãos, causando alguns danos.

–Você pode me devolver? É sério... – Naruto tornou a pedir, fazendo os outros rirem. Por dentro o loiro estava cheio de raiva, mas não tinha muito o que pudesse fazer. Estava sozinho.

– Você quer? Então pensa rápido! – Disse o albino jogando o caderno contra a face de Naruto, que não teve tempo de reagir. A capa dura o acertou em cheio, arrancando um gemido de dor do mesmo. Ele só teve tempo de impedir que seus óculos caíssem e se danificassem. Talvez seu nariz estivesse sangrando. Sentia uma coceira misturada à dor, mas não parou para reparar.

Lembram-se dos óculos dele? Naruto não os usa apenas pelo fato das lentes o deixarem mais sexy ou algo do tipo. Quem dera fosse. Na verdade o astigmatismo é o verdadeiro culpado. Esse mal faz o loirinho enxergar as coisas desfocadas e borradas, e os óculos serviam para corrigir os sintomas e deixar sua visão nítida. Ou seja, sem seus óculos, o garoto enxerga apenas vultos e borrões. Os óculos já geraram alguns apelidos de mau gosto para o loirinho, óbvio.

O garoto ajeitou seu par de lentes e apanhou seu caderno, catando também sua mochila com dificuldade e se levantando para sair do local, ir para longe de seus opressores e voltar a sua tão desejada paz.

Não foi longe.

Quando se levantou e deu alguns passos, Neji pôs um pé na frente dos seus, fazendo-o ir ao chão e causando mais risos dos demais. Tentou se levantar, mas um pé o empurrou novamente de encontro ao chão.

– Quero ver você estudar alguma coisa sem isso, viadinho! – Exclamou o Hoozuki, indo em direção ao menor e puxando com violência as lentes que auxiliam a visão de Naruto.

– Ei, me devolve isso! Já chega! – Disse o menor se levantando e avançando no Hoozuki, que desviava dele como um toureiro desvia de um touro furioso, e como não possuía uma lâmina para matá-lo, desferia tapas em sua nuca.

– OLÉ! – O de cabelos brancos exclamava quando desviava do menor, causando risos histéricos nos demais que apenas assistiam, não só o pequeno grupo, mas alguns alunos que passavam por ali ou estavam em algum lugar nas proximidades. Ninguém ao menos tentava fazer algo. Ninguém ousava ir contra o filho de uma das famílias mais importantes da cidade.

A agressão a Naruto continuava. Era uma disputa suja, pois o menor não enxergava exatamente onde estava indo e "o que" era Suigetsu e o que não era. Eram só cores. Cores borradas. Movimento. Não conseguia distinguir nada.

– Me dê isso! – Exigiu Naruto, dando mais algumas investidas desesperadas contra o que identificou como Suigetsu, a última das investidas desesperadas, pois na sequencia, foi derrubado mais uma vez. Outro pé contra suas costas.

– Você quer? – Indagou Suigetsu com escárnio. – Já sabe o que tem que fazer! – Concluiu, arremessando os óculos do menor a um lugar qualquer. Naruto apenas ouviu o baixo ruído do pequeno objeto caindo no gramado, mas não conseguiu identificar exatamente onde havia se depositado. O loiro só rosnou em resposta.

O grupo de havia se dispersado, mas ainda riam da cena, que para eles era cômica. O menor agachado no chão, tateando de forma afoita o chão a sua volta em busca do que praticamente eram seus olhos. E o que causava mais graça é que ele não estava nem perto de onde os óculos estavam.

Ficou um tempo fazendo sua busca desesperada e solitária, mas sem sucesso. O objeto havia caído a uma distancia razoável de si. Não acharia nunca daquele jeito. Se ajoelhou no gramado e ficou imóvel, pensando no que faria. Ele só queria chorar de raiva, e era o que faria antes de ouvir uma voz se aproximando de si.

– Ei você! – Disse a tal voz para Naruto, chegando cada vez mais perto.

– Por favor, só me deixe em paz! – Suplicou. Fazer o que? Pedir por clemência era tudo o que podia fazer. – Se quiser levar alguma coisa, pode levar, só não me bate, ok? Chega disso pra hoje.

– Calma aí! Eu não quero te machucar, garoto. – Falou o dono da tal voz. Era uma voz grossa. Não era totalmente estranha.

Naruto olhou para a direção de onde vinha a voz, um pouco mais relaxadom semicerrando os olhos em uma tentativa para que aquilo lhe ajudasse a enxergar melhor. Uma tentativa não muito bem sucedida.

– Não? – Ele estava realmente surpreso. Surpreso e confuso. – Então o que quer comigo? Olha, eu não tenho nada mesmo para lhe oferecer, lamento. – Disse ele, se afastando da tal figura arrastando-se pelo chão, sujando um pouco mais suas vestes, já que o gramado estava molhado e meio lamacento por conta da neve, que já estava derretendo.

– Não, não vou te bater! – Exclamou irritado. – E nem te pedi nada também! Bem pelo contrário. – Disse o borrão, deixando o loiro curioso. – Toma, isso aqui é seu. – Continuou ele, pegando a mão de Naruto, que no início puxando sua mão junto ao corpo, mas o garoto insistiu, pegando e abrindo a mão de Naruto e depositando um objeto na mesma. Seu par de óculos. – Já disse que não quero te fazer mal, não precisa ficar assim, como uma raposa acuada. – Concluiu.

– Desculpe. – Disse Naruto, ainda tentando entender a situação. Alguém apenas querendo ser gentil com ele? Estranho. – Não é algo comum.

O loiro pôs seus óculos rápida e desengonçadamente, olhando diretamente para a “figura misteriosa” que o ajudara, dessa vez já enxergando claramente. Ele viu um rapaz de pele um tanto morena, cabelos castanhos e olhos um tanto ferozes, que lembravam um canídeo. Aquilo eram tatuagens em forma de presas em suas bochechas? Usava uniforme da escola, que já estava um pouco desgastado pelo tempo. Mas quem era ele mesmo? Não lhe era estranho.

– Não precisa se desculpar também. Vem, levanta. – Falou estendendo sua mão ao loirinho, que aceitou prontamente. Lembrou-se do que Sasuke havia dito, “seja legal”.

– Obrigado. – Agradeceu o menor, batendo e esfregando suas roupas para remover o excesso de sujeira que havia nela. Não tinha muito o que fazer. Em seguida, o silencio se fez presente e também se fez desconfortável.

Naruto pensava no que dizer, mas estava nervoso. Ser legal pode ser difícil, ainda mais com um “amigo em potencial”. O garoto apenas lhe olhava com uma expressão que retratava o enorme “hã?” que ecoava em sua mente.

“Vamos logo seu idiota, fala alguma coisa! A primeira pessoa da escola que chega perto de você e não é para esfregar sua cara na lama e você fica ai parado feito um imbecil?” A cabecinha loira estava a mil, mas sua boca não se movia. O sinal soou e foi como se salvasse o pequeno travadinho. Então, na sequencia Naruto optou pelo que parecia a melhor e mais madura opção no momento: Correr. Correr em disparada para a sala de aula e sentar-se em seu lugar, deixando o outro garoto lá parado, sem entender nada.

Naruto.

Muito bom Uzumaki Naruto, você conseguiu assustar mais uma pessoa! Ele deve me achar um idiota agora. Até eu acharia! Eu tinha que estragar tudo!

Droga! Pelo menos agora tem essa prova e talvez eu consiga deixar de pensar no quão idiota eu sou. Se eu pudesse pegar um taco de beisebol, daqueles feitos de alumínio, e bater com toda a força na minha cara, eu o faria. Eu fico com tanta raiva de mim mesmo por ser tão idiota!

Correr, Naruto? Francamente...

Meu caderno agora está um grande monte de lixo. Aquele idiota conseguiu estragar ele todo e vou ter que passar tudo a limpo. E falando em idiota, lá vem ele. Claro que ele e esse bando de porcos não poderiam passar por mim sem me importunar.

– Ei vocês aí atrás, já chega! – Gritou o professor de física. Agora ele faz alguma coisa, né? Hatake Kakashi é o nome dele. Esse cara é bem estranho, cabelos bem grisalhos apesar da pouca idade e estava sempre com uma espécie de máscara cobrindo boca e nariz, Deus sabe lá o porquê. – Para o seus lugares, já! Vocês têm uma prova a fazer, não têm?

Peguei o que básico para fazer a prova e guardei o resto do material na mochila. Caramba, estas mesas são bem econômicas. Enquanto eu guardava minhas tralhas, a porta da sala se abriu de forma um tanto brusca.

– Oe, desculpe o atraso sensei. – Eu conheço essa voz. – Posso entrar?

– Com a cabeça nas nuvens, como sempre, Sr. Inuzuka. Entre e vá rapidinho pro seu lugar. Já sabe o que fazer, né? – Ei, esse é o garoto que me ajudou mais cedo! Tá explicado o porquê ele não me era estranho. Mas ele estuda comigo desde quando? Eu reparo muito bem nas pessoas, mas por que nunca reparei nele? Ele não é um tipo tão comum. Será que eu 'tô com problemas? Tipo, como...

– Ei, de novo. – Ele disse, dando um aceno rápido e um sorriso simpárico, e claro, tirando-me dos meus devaneios. Ele tinha um sorriso singelo no rosto, não parecia estar com medo de mim ou de minhas estranhezas. Se eu fosse ele, eu com certeza teria. Talvez ele também seja louco, por não temer as minhas loucuras e...

Mas o que eu tô falando? Reduz a marcha, Naruto!

Olha só, ele senta na minha frente! Eu sou realmente tapado por não lembrar dele. Ok, vamos tentar...

– O-oi... – PELO AMOR DE DEUS FALA ALGO QUE PRESTA! – Me chamo Naruto. Uzumaki Naruto. – Até que não fui tão mal assim, mas ele me olhou com uma cara estranha.

– Ah, é. Eu sei, estudamos juntos. – Retiro o que disse. Ele riu de mim. – Mas enfim, Naruto, meu nome é Kiba, caso não lembre. Não é incomum de acontecer. – Ele deu outra risadinha, mas ele não parecia caçoar da minha cara. E olha que eu merecia, hein?

– Vocês aí, chega de papo! Virados para frente que vou entregar a prova agora. Sem mais conversas! –Disse o sensei. Disse, não, ele gritou.

– Sensei, a prova tá fácil, né? – Pediu quem agora eu sabia que atendia por Inuzuka Kiba. Ele parecia tenso.

– Se você prestou atenção nas aulas e fez as atividades propostas, sim, está fácil. – Falou com certo deboche. Kiba estava inquieto. Não parava de mexer a perna, e isso é nervosismo puro. Coitado, não deve se dar bem com exatas.

– Droga, eu preciso da nota máxima para me manter na média! – Acho que ele murmurou para si mesmo, mas não pude deixar de ouvir. Fiquei com pena dele.

O sensei já havia entregado as avaliações há alguns minutos. Está muito fácil, pelo menos a meu ver, mas para Kiba não parecia o mesmo. Ele fica levando as mãos aos cabelos, suspirando, tamborilando na mesa...

Sabe, eu li uma vez em um livro sobre relações sociais –Não me julguem por ser tímido ao extremo– que, um bom jeito para agradecer alguém por algo legal que ela tenha feito, é fazendo-lhe algo bom de volta. Isso subjetivamente fortalece os laços. Não custa tentar algo aqui.

Mas... Isso não seria errado?

Bom, seria muito errado. Mas, seria útil, né?

Bom, seria. É 50% de chance, não custa tentar.

– Ei, Kiba. – Sussurrei para ele enquanto o cutucava, até ele prestar atenção em mim, olhando para trás discretamente. – Não bota seu nome na prova, escreva os números de 0 a 9 em um canto e me dá ela rápido. – Pedi. Ele não precisava me ajudar, mas faz porque quis, então eu também farei.

– O que? – Ele perguntou bastante confuso

– Não faz perguntas, só faz o que eu pedi. Cuidado para o Kakashi-sensei não ver!

Ele demorou um pouco, relutou outro pouco, mas fez. Eu dei minha prova em branco pra ele deixar sobre sua mesa, como disfarce. Olha, a caligrafia dele não é tão ruim, afinal.

O que estou fazendo ser errado, mas ele precisa de uma nota máxima e eu posso dar a ele. Fiz a prova pra ele copiando exatamente sua caligrafia. Assim, não desconfiariam tanto. Nunca pensei que eu teria talento pro crime, assim como o Tou-san. Deve ser de família. Me sinto um gênio do crime! Muita adrenalina!

– Ei! – Chamei de novo. – Aqui, pegue e me devolve a minha. Finge que está escrevendo e resolvendo as contas agora, para dar uma disfarçada. – Fizemos a troca de provas bem rápida e sorrateiramente. Ele olhou a folha que eu entreguei a ele com cara de espanto, e ficou encarando a mesma por algum tempo. Eu fiz a minha prova bem rápido, já que lembrava da solução dos cálculos. Todos saíram felizes!

Depois de um tempo entreguei a avaliação já concluída ao professor e fiquei sem fazer nada o resto do tempo. Fiquei brincando com meu lápis, na verdade. Bem relaxante. Uns 10 minutos depois, Kiba entregou a prova dele. Ele tinha uma expressão estranha no rosto. Ele me olhou com um pouco de culpa, fez um breve gesto em agradecimento e sentou-se, voltando com os gestos de nervosismo. Parecia desconfortável.

Será que fiz algo errado?

Notas finais
Gostaram? Mereço reviews? Espero que sim. (não foi revisado,perdão pelos erros.) Bom, mesmo tendo na consciência que provavelmente vou tirar a nota mais baixa de toda a minha historia de provas trimestrais, eu estou feliz. :D Bom, vou ficando por aqui. Mais uma vez obrigado, e vi que há novos leitores, bem vindos! Podem mandar um review para eu saber pelo menos quem são vocês, seus lindos. Podem recomendar a fic se quiserem... Seria legal... ( ._.) Bom, Beijos do Tio Killua! ^-^ Até qualquer hora. Send me reviews! :D