Notas iniciais
WHAT A FEEEEEEEELLING! ~PARAN PÃ PARÃÃ~! GENTE, QUE SAUDADEEEEE! EU VOLTEI DANÇANDO TWERK AO SOM DE FERGALICIOUS! Nossa gente, quanto tempo! EU DISSE QUE NÃO ABANDONARIA A FIC! Faz mais de um ano, né, mas eu estou aqui, em carne, osso e cara de pau, postando mais um capítulo bem recheado de Inside! Caso vocês não tenham me abandonado, ou morrido de velhice, releiam o último capítulo para lembrar das coisinhas um pouco. Ou talvez nem seja necessário, não sei. Como ficar melhor. Nossa, muita coisa aconteceu nesse tempo que eu estive fora... Realmente, mais de um ano... tomamos 7 gols da Alemanha, perdemos o Zé Wilker (eu amava ele), Katy Perry DESTRUIIIIU no show do Super Bowl, eu fiz amigos, eu perdi amigos... Perdi uma tia também... A vida tem dessas, né? Pensei MUITO sobre essa história, e sobre outras também. Estou betando e aprofundando Blue Eyes (estou pensando até mesmo em um prólogo, como vocês queriam!), não sei bem o que quero para Medicine, mas estou pensando. Pensei até em outras histórias! Enfim, eu não vou ficar aqui divagando por mais tempo! Vamos ao capítulo! (qualquer desconfiguração, culpem o Nyah!, porque eu dei uma revisada) MIL PERDÕES PELA DEMORA, EU ESPERO MESMO QUE COMPENSE! (Ah, quando eu disse que estive pensando em Inside, estive pensando naquilo que toooodos vocês esperam desde o início, e garanto que vocês não irão se arrepender, e que essa espera valerá muito a pena. :) )

Aquela tarde estava amena. O frio havia resolvido dar uma folga. Para falar a verdade, ele já estava indo embora. O sol que brilhava majestosamente no céu combinava perfeitamente com aquela brisa fresca que soprava. Um amenizava o outro. O dia estava lindo, e a mulher dos olhos turquesa não estava com vontade de desperdiça-lo.

Sentada sobre a pedra negra de um tumulo imponente estava Mei, com os olhos fechados e rosto voltado para o sol, apenas sentindo seu calor. Estava ali sentada já fazia algum tempo. Ao seu lado, um saco de lixo e alguns outros objetos. Viera para limpar a sepultura de Minato, como fazia rotineiramente.

– É um saco ficar sem você, sabia? – Comentou com casualidade. – Já faz quanto tempo? Um mês, um mês e meio? Dois, quem sabe? Eu não sou boa com essas coisas. Sei lá, para mim parece uma eternidade. – Sorriu pesarosa. – Aconteceu tanta coisa, Minato. Todos ainda estão tentando se acostumar a ficar sem você porque, cara, você faz muita falta. – Mordeu a parte interna da bochecha. – Mas, fora isso, está tudo tranquilo. – A mulher levantou-se, retirando do bolso um elástico, o qual usou para prender o cabelo.

Pelo menos uma vez quinzenalmente Mei fazia essa tarefa. Largava tudo o que tinha para fazer e ia até o cemitério para ajeitar as coisas, tirar as flores mortas e substituir por novas, quando nevava ela tirava todo o acúmulo, tudo com as próprias mãos, sem ajuda. Gostava de passar esse tempo com Minato. Naruto não queria ir com ela, então se habituou à tarefa solitária.

– Eu tenho tentado ocupar a mente o máximo possível. Perdi as contas de quantas entrevistas já me pediram nesse meio tempo. Não que eu tenha concedido muitas... – Murmurou enquanto abria o saco que trouxera e enfiava algumas plantas já mortas. – Na verdade, tenho passado bastante tempo em casa, e sabe o que é o mais inusitado? Neji sempre fica me fazendo companhia. – Riu sozinha imaginando a cara que Minato faria em resposta. – No fundo, ele é legal. Nós temos conversado bastante e eu até tô ensinando ele a cozinhar. – Riu sozinha. – Ele tem problemas em casa com o pai, por isso gosta de ficar longe daquele homem, então é bem conveniente, sabe? Um distrai o outro.

Algumas tardes após o enterro de Minato, a modelo estava sozinha na mansão sem fazer nada a não ser se lamentar enquanto olhava algumas fotos dela com Minato ou imagens apenas do loiro. A ficha ainda não havia caído direito, então pensar sobre a ideia da ausência do então namorado doía. Em algum momento a campainha tocou e era o garoto de cabelos compridos. Ele queria entregar alguns papéis para Itachi a pedido de seu pai e quando viu o estado de Mei, não conseguiu simplesmente ir embora. Ele sentou-se junto da mais velha e eles iniciaram uma conversa, que acabou fazendo ela se distrair e descontrair um pouco, e que no fim, virou uma amizade. Mei pegou dicas preciosas de como cuidar do cabelo com o rapaz.

– O Naruto tá cada vez mais estranho. – Ela suspirou pesado. – Acho que ele tá fazendo aquilo de novo, sabe? Se fechando. No começo, ele ficou mal, mas parecia estar aceitando tudo numa boa, mas depois de um tempo, ele começou a ficar cada vez mais calado. Eu, Sasuke, Kiba... Todos nós tentamos animar ele, mas parece que ele se recusa a isso. Ele tá bem irritadiço, também. Passa os dias lendo livros pelo quintal, malhando com fones de ouvido ou estudando. Ele não abaixa a guarda, ou melhor, abaixa a guarda muito poucas vezes, e só quando tá com o Sasuke. É engraçado ver esses dois. O Uchiha é todo sério e o Naruto tá todo fechado, mas quando estão juntos, não demora muito pra eles darem uma brecha e ficarem implicando um com o outro. – Ela gargalhou brevemente, passando detergente em uma esponja com a qual começou a limpar o mármore.

Sasuke não morava oficialmente na mansão Namikaze, mas estava sempre por lá. Ia muito pouco para seu próprio apartamento, uma vez ou outra, para fazer uma faxina e pegar algumas roupas. Passava o máximo de tempo que podia com Mei, Naruto e os outros para tentar dar suporte psicológico, mesmo que indiretamente. Ele próprio viu o que o loirinho estava fazendo consigo mesmo, mas não estava conseguindo ajudar muito, porém ninguém podia dizer que ele não estava tentando ao máximo e dando tudo de si para vê-lo bem.

– E por falar em “engraçado”, me lembrei do seu outro filho, o de consideração. Esse aí continua o mesmo idiota de sempre. – Divagou enquanto polia a foto de Minato. – Ele realmente te amava como um pai. Ainda ama, na verdade. Kiba ficou arrasado, mas Gaara não saiu do lado dele, e hoje ele tá bem melhor. E esse garoto não para mais quieto! Acreditaria se eu te dissesse que esse fedelho se meteu a fazer aulas de dança? – Perguntou incrédula, como se Minato estivesse ali, ao lado dela, ouvindo atentamente a tudo. – Ele faz aulas de dança de salão, e pelo que ouvi ele leva jeito. Eu o vejo apenas na agência, de vez em quando. A reforma da casa dos Inuzuka acabou há algum tempo, então ele, Tsume e Toboe, que cresceu bastante, voltaram para lá.

Kiba tinha passado por maus bocados e com o passar do tempo foi ficando abatido com toda a situação. Tentou manter-se firme, mas não conseguiu, e então Gaara e Sasuke sugeriram a ele que começasse a fazer coisas diferentes para ocupar a mente. Foi então que ele correu atrás de algumas aulas que, atualmente, ocupavam uma boa parcela de seu tempo e como não demoraria muito para as aulas retornarem, logo sua rotina ficaria ainda mais atribulada. Conciliar tudo isso com o trabalho de modelo e também com seu namoro, o que já não estava sendo fácil, ficaria ainda mais complicado, mas ele teria de se virar.

– Oh, contei que eu arrastei o Gaara para o “mundo da moda”? Sou quase uma aliciadora de menores! – Novamente gargalhou sozinha, enquanto jogava no saco de lixo mais algumas flores mortas e arranjos velhos. – Fiz um comercial e umas fotos para a campanha de um perfume e eles precisavam de um garoto com olhos claros. Ficou perfeito, porque os olhos dele são da mesma cor que os meus. Gaara é todo tímido, mas se saiu bem. Agora o engraçado é ver Kiba com ciúmes do Gaara, e vice-versa. Ninguém lá sabe da relação deles, além de mim, é claro. Mas, no geral, eles estão indo muito bem juntos.

A mulher fez uma pequena pausa. Pegou o saco de lixo, agora cheio, e levou até o lado de fora do cemitério, onde o jogou em uma grande lata destinada a coleta desses resíduos, mas não demorou para retornar ao túmulo, pegar a esponja e recomeçar a sua atividade. Ela estava começando a pegar gosto pelo local. Era calmo, silencioso e excelente para espairecer. Se perguntava quantas histórias não haviam por trás de cada sepultura daquelas.

– Ainda nessa onda de amor, sabia que o Danna e a Tenten tão se pegando? Quer dizer, oficialmente, porque esses dois tem caso há tempos, só resolveram assumir isso de vez agora. – Pegou um balde com água, que estava do seu lado, e jogou o líquido por cima de toda a estrutura para tirar a espuma, e logo em seguida, fazendo o possível para tirar o excesso de água também. – Itachi e Konan estão bem, também. O Uchiha tá cuidando muito bem do que você deixou pra ele e a Konan tem sido uma ótima amiga. Eu, ela e a Tenten nos aproximamos bastante também e vivemos fazendo “programas de garotas”. – Mais uma vez, ela inspirou profundamente, soltando o ar bem lentamente.

Ela continuou os afazeres por mais alguns minutos. Deixou novos arranjos de flores sobre a lápide, acendeu alguns incensos e ficou algum tempo num silencia profundo. Se ouvia apenas o vento, que sacudia seus cabelos. Finalizou a limpeza e guardou o que trouxera para o trabalho dentro do balde que usara.

– Bom, acho que por hoje é tudo, Minato. – Mirou a foto na lápide. – Eu estou linda como sempre, a propósito, e meu coração ainda te pertence, seu idiota. – Articulou casualmente dando as costas para a sepultura. – Jaa ne. Sinto sua falta...

Saiu do cemitério, entrou em seu carro e partiu, sem olhar para trás, como sempre fazia.

[...]

Em outro canto da cidade, sentado em um banco de madeira um ruivo também estava aproveitando a tarde, junto de Toboe. O cão crescera consideravelmente, já não se comparava à pequena bola de pelos a qual Kiba carregava em uma mão só. E era justamente o moreno a quem os dois estavam esperando. Com toda a nova rotina de dança de Kiba, acabava sobrando menos tempo para eles passarem juntos.

O Inuzuka fazia aulas três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas, inicialmente das 13h00min até as 15h00min, porém, o período letivo logo se iniciaria e o ensino diário em KHS ia até o início da tarde, terminando exatamente na mesma hora em que começavam suas lições de dança. Por isso, para evitar confusões, o garoto se transferira com antecedência para outra turma de bailado, cuja aula se iniciava às 14h00min e estendia-se até as 16h00min, o que geraria menos problemas.

Hoje seria o primeiro dia de seu namorado na nova turma, por isso Gaara estava ali, naquele banco o esperando. Queria fazer uma surpresa. O ruivo estava com o cão porque o levara ao pet shop, para que dessem banho no bichinho e Kiba não precisar fazê-lo. Também passara no supermercado e comprara alguns ingredientes que ainda faltavam para poder preparar um dos pratos favoritos do moreno. Queria mimá-lo um pouco. Passara também na cafeteria, onde havia comprado a bebida favorita do garoto, e agora, estava ali sentado, olhando seu relógio constantemente.

Ultimamente, Kiba quase nunca estava disponível. Estava ou ocupado com modelagem e dança, ou estava exausto por conta das atividades, o que até que era compreensível. Por mais em forma que o garoto estivesse ninguém é de ferro. Portanto, qualquer momento e qualquer gesto de carinho contavam, e contavam bastante.

O estúdio de dança não era tão longe dali, na verdade era visível ali de onde o ruivo estava sentado, mas Kiba estava um pouco atrasado. Ficou um tempo divagando sozinho sobre o fato e só parou quando, sem querer, viu uma cena no mínimo estranha; Kiba e uma garota desconhecida andando juntos, com ela segurando o braço dele, rindo de Deus sabe o que. Gaara estreitou os olhos e descobrira naquele exato momento que era uma pessoa ciumenta. Pretendia observar em silêncio, sem ser notado, mas esse plano havia sido frustrado por Toboe, que resolvera uivar esganiçado como só ele sabia.

Kiba ouviu. Reconheceria o uivo daquele cachorro em qualquer lugar.

Ele parou e olhou em volta, procurando de onde vinha aquele som tão familiar. Não demorou muito para ver o cão, e ao lado, seu namorado. Com a parada brusca, a garota ao lado do moreno fez o mesmo, e quando avistou Toboe, não se conteve e atravessou a rua correndo e dando gritinhos. Kiba foi logo atrás, feliz e curioso.

– Que garoto lindo! – A garota falou com uma voz manhosa, agachando-se na frente do cachorro e afagando o pelo do mesmo. Gaara apenas observou. – Oi! Ele é seu? – Perguntou sorridente, fitando o ruivo. – Desculpe, é que amo cachorros!

– É, mais ou menos, eu diria... – Respondeu sem vontade fitando Kiba, que se aproximava. – Na verdade, é dele.

– Dele? Mas e o Akamaru, Kiba? – Questionou surpresa. Gaara franziu ligeiramente o cenho percebendo que o moreno e ela tinham algum grau de intimidade.

– O Akamaru morreu já faz algum tempo. – Kiba se prenunciou, parando-se ao lado da garota e interagindo com o cão faceiro. Ela soltou apenas um “lamento” em resposta. – Surpresa te ver por aqui, Gaara. Tudo bem?

– Muitas surpresas por aqui hoje... – Murmurou baixo o suficiente para o moreno não ouvir. – Tudo ótimo! Resolvi passear com o Toboe já que o dia tá tão bonito, e você anda sem tempo.

– Que ótimo que esse pulguento do Kiba arrumou um amigo decente. – A garota voltou a pronunciar-se, chamando a atenção do ruivo pelo modo com o qual ela se referiu ao outro. Fitou Kiba nos olhos com certa indignação. “Pulguento? Sério mesmo?”

– Claro, claro... – Retrucou com descaso. – Me desculpe, mas você seria quem, exatamente? – Gaara perguntou sem fazer cerimônia, ouvindo um pigarreado repreensivo de Kiba, para o qual cagou e andou.

– Ah, desculpe pela grosseria! – Ela levantou-se. – Sou Hyuuga Hinata, a parceira de dança e velha conhecida do Kiba. Prazer! – Ela esticou a mão para um aperto, que foi correspondido sem muita vontade.

– Sabaku no Gaara, o amigo... um tanto confuso dele. – Retrucou quase que implorando por explicações mais esclarecedoras.

– Como troquei de turma, troquei de parceira. Ela é prima do Neji – O moreno falou, captando a deixa. – Conheço a Hinata há bastante tempo, mas ela foi passar um tempo fora, na Colômbia, para ser mais específico. Não é legal? – Inquiriu animado, tentando dar gancho para uma conversa mais suave.

– Claro, muito bacana. – O descaso era evidente. – Vocês têm bastante em comum. Toda essa coisa... Latina. Tsume-san é um pouco colombiana, não? Super legal. – Tentou complementar, para não parecer tão grosseiro.

– É um lugar bem diferente. – A devidamente apresentada, Hinata, respondeu. – Kiba e eu estávamos indo tomar um café. Quer vir conosco, Gaara-kun? – Ela convidou amigavelmente e o ruivo novamente despejou toda sua indignação para com Kiba através de um olhar.

Foram incontáveis as vezes em que Kiba negara um convite de Gaara para fazer algo juntos, porque o moreno alegava que estava cansado ou sem tempo, o que parecia que não o impedira de sair com a tal de Hinata. Isso o incomodou.

– Obrigado, mas eu terei de recusar. – Rebateu, pondo-se de pé, finalmente. Pegou o copo com o frappé que comprara para o namorado e jogou com certa violência na lixeira ao seu lado. – Não quero incomodar os dois. Vocês devem ter muito para conversar, anos de conversas para por em dia. Além do mais, tenho que levar o Toboe para casa, então, não vai dar. Mas, aproveitem bastante. – Ele falava com certo sarcasmo. – Sabe, o tempo livre do Kiba anda bem escasso.

– Gaara... – O outro garoto murmurou. Ele sentira o desconforto do namorado. O evidente e quase palpável desconforto. Ciúmes, se preferirem.

– Não, tudo bem. – Cortou-o. O ruivo pegou as sacolas de compras e a guia de Toboe, preparando-se para partir. – Até outra hora, Pulguento. – Deu dois tapas no peito de Kiba, fortes o suficientes para ecoarem, e seguiu seu rumo. – Foi um prazer, Hinata-san. A gente se vê!

– O prazer foi todo meu, Gaara-kun. Até a próxima – Ela respondeu com estranhamento para as costas do rapaz, vendo o ruivo sumir ao virar a esquina. – Tudo bem com ele? Ele parecia meio aborrecido.

– Provavelmente estava. Na verdade, eu tinha combinado de sair com ele e me esqueci. Ele deve ter ficado chateado. – O garoto mentiu.

– Você não deveria ir se desculpar?

– Não, tudo bem, eu me acerto com ele depois. – Deu o assunto por encerrado. –Vamos, tô afim de um frappé gelado.

Os dois seguiram juntos para o lado oposto do qual Gaara tinha ido. O ruivo caminhava a passos largos, distraído da vida e concentrado em seus pensamentos. Tudo o que sentia agora poderia se resumido em uma palavra; ciúmes. O seu namorado não tinha tempo para ele, mas para aquela garota, ele tinha. Tudo bem, provavelmente os dois eram amigos não se viam há bastante tempo, mas mesmo assim. E mais, de onde se conheciam? E desde quando?

O garoto de olhos claros era inseguro quanto ao seu relacionamento. Ele sabia que Kiba sentia atração por garotas também. Até não muito tempo atrás, sentia-se atraído somente por elas. Isso ficava martelando na cabeça de fios ruivos.

Quer dizer, Hinata era uma garota muito bonita. Gaara a tinha observado. Ela possuía praticamente a mesma altura de Kiba, pernas bem torneadas; provavelmente já fazia dança há tempo. Tinha olhos claros, iguais ao de Neji, cabelos negros, o que contrastava bem, tanto com os orbes quanto com sua pele. Seu rosto era livre de imperfeições. Seus seios eram fartos, assim como seu bumbum; linda. Vulgarmente, gostosa. Isso poderia ser um problema. Dos grandes.

Menos de quinze minutos e a paciência do Sabaku já tinha virado história. Poderia estar sendo muito ciumento por nada, mas não conseguia evitar. Passou na casa dos Inuzuka, onde deixou Toboe e depois seguiu para a própria residência, para deixar as compras. Perdera a vontade de cozinhar. Jogou-se no sofá e ficou matando o tempo. Sabia que precisava ter uma conversa com Neji.

Sentiu seu celular vibrar sobre o sofá que estava deitado, anunciando uma nova mensagem. Era de Kiba.

“Desculpa! Não fica chateado comigo. Assim que eu puder, vou correndo aí! Beijo.”

Riu soltando o ar pelo nariz e jogou o celular de volta no sofá. Riu de si mesmo. Talvez devesse ser menos neurótico. Bem menos, pensou consigo. Foi até a cozinha, fez uns sanduíches – a vontade de cozinhar não voltara –, e tornou a jogar-se no sofá para esperar Kiba. Na concepção do ruivo, o outro não demoraria tanto. Então, ele esperou.

E esperou...

E esperou...

E esperou mais...

Então a noite caiu, e a espera continuou. Todavia, ele não iria ligar ou mandar mensagem alguma para o outro. Questão de orgulho.

Ficou distraído pensando coisas ruins, que em nada acrescentavam e acabou se esquecendo de tomar seus remédios. Nem se lembraria deles se não fosse a dor de cabeça que o acomete, causada pela falta dos medicamentos. Acabou tomando todos de uma vez. Eram comprimidos fortes, porém não haviam grandes problemas em tomar assim, de vez. Gaara já os tomara desse modo diversas vezes. O único efeito colateral era uma forte sonolência, contra a qual ele lutou bravamente, mas que no fim acabou o vencendo e o fazendo apagar no sofá.

[...]

Quando Kiba, algumas horas depois, entrou ofegante pela porta, imaginou que teria problemas. Hinata o alugara por tempo demais com suas histórias e suas perguntas, então se atrasara pra caramba, segundo o relógio analógico do seu celular. Andou a passos lentos até à sala e quando viu seu namorado dormindo profundamente no sofá, se sentiu um grande idiota. O maior idiota do mundo. Talvez ele fosse mesmo. Andou até o sofá e ficou observando o ruivo dormir. Bonito. Estava tudo tão silencioso que, dava para ouvir tranquilamente a respiração pesada do ruivo.

– Você por acaso sabe que horas são pra ficar aí, invadindo a casa dos outros há essa hora? – A voz moderada e grave de outro ruivo soou preenchendo o cômodo e fazendo Kiba quase gritar com o susto que levara.

– Meu Deus, Sasori! Você não sabe fazer barulho quando caminha não? – Perguntou indignado, levando uma mão ao peito, onde o coração batia em ritmo frenético.

– Aprendi a andar sorrateiramente. – Falou casualmente, sacudindo os ombros para cima e depois largando para baixo. – Mas, que mal lhe pergunte, onde você estava, garanhão? – Indagou o ruivo, carregando a frase com zombaria. O moreno suspirou. – Eu disse que te mataria se você pisasse na bola, lembra?

– Calma, Kill Bill! – Devolveu o sarcasmo. – Depois da dança, fui tomar um café com uma amiga que não via há anos. – Explicou-se, tirando seu casaco e jogando-o em uma poltrona. – A gente conversou e depois eu a acompanhei até sua casa. Não teve nada demais, só para deixar bem claro.

Sasori suspirou fundo, massageando os olhos, deixando o ambiente em silêncio. Por um segundo, Kiba achou que fosse mesmo morrer, mas se surpreendeu com a resposta que teve.

– Escuta garoto, eu tô meio cansado pra isso, além de que eu nem deveria me meter, mas, se você achar necessário eu tenho um sermão na ponta da língua pra você. – Jogou seu peso sobre a outra perna.

– Não é necessário, obrigado. Já me sinto idiota o suficiente agora. – Coçou os olhos que já ardiam em cansaço. Não era tão tarde da noite assim, mas a atividade da dança sempre o esgotava. – Você acha que ele acorda logo?

– Nem a pau. Ele tomou os remédios todos de uma vez de novo. Tá ‘chumbado. – Esclareceu, dando alguns passos para mais próximo dos dois. – Não acordaria nem por decreto.

– O que eu faço agora, então? – Estava com sono, não raciocinava mais tão bem.

– Olha, o namorado é seu, então o leve para a cama, no sentido puritano da coisa e reze pra ele te desculpar. – Sasori bebericou a xícara com café que tinha em uma das mãos vendo Kiba ajeitar-se e pegar Gaara nos braços e rumar às escadas, sem reclamar. – E você, tome um banho. Tá fedendo ao Carolina Herrera 212 VIP Rosé da sua amiguinha. Gaara não gostaria de sentir esse cheirinho ao acordar. – Riu anasalado da própria frase, coberta de sarcasmo. Kiba parou por um instante para fitar o ruivo de olhar tedioso.

– Você virou cão farejador ou o que? Eu nem sei que perfume é esse!

– Eu sou um amante de tudo o que é refinado, e isso inclui perfumes. Joias também, é claro. – Encarou o moreno que o fitava curioso. – É uma fragrância muito agradável, sua amiga tem bom gosto. Espero que não seja uma meretriz. – Irônico, mas sincero.

O Inuzuka tinha uma sobrancelha arqueada em estranheza. Iria rebater, mas estava cansado demais para iniciar uma discussão. Sacudiu a cabeça e voltou a olhar para frente, subindo as escadas sem questionar mais nada. Sasori era esquisito demais para querer entende-lo.

Já no andar superior, abriu a porta do quarto do ruivo e deitou-o na cama com todo o cuidado que lhe cabia. Tapou-o com o cobertor, depositou um beijo casto em sua bochecha e depois, acatando a ordem de Sasori, foi tomar um banho quente antes de deitar-se junto do seu namorado para dormir um pouco. O dia seguinte seria puxado.

[...]

O sol preguiçoso finalmente trouxe a manhã. O seu brilho era intenso, mas o calor que irradiava era ameno e casava muito bem com a brisa fresca que soprava e sacudias árvores, lhe roubando o orvalho acumulado. Estava tudo extremamente pacífico.

Na mansão, quase pensão Namikaze, o silêncio era a única companhia da mulher dos olhos de jade. Ambos os irmãos Uchiha já haviam saído, assim como Konan. Naruto estava dormindo, então Mei estava praticamente sozinha. Ultimamente era sempre assim. Ela estava um pouco perdida na função de mãe. Não sabia como lidar com Naruto. No passado, Minato estava sempre ao seu lado, lhe auxiliando com tudo, mas agora ela estava só.

Naruto não estava bem e ela não sabia como agir. Sentia-se uma grande incompetente. Ela era muito inexperiente nessa área, muito imatura. Em muitas ocasiões, mal sabia lidar com os próprios problemas. Talvez não prestasse para isso. Todavia, não havia tempo para pensar nisso agora porque ela tinha trabalho a fazer. Um dia de ensaio fotográfico importante lhe esperava.

Maquiagem ela faria no local, então apenas terminou de arrumar sua bolsa e pegou o estojo preto, onde estavam guardados seus óculos escuros. Ninguém precisava ver as suas olheiras. Caminhando pelo corredor rumo à saída, parou em frente à porta do quarto de do único loiro que ainda ocupava aquela casa.

– Naruto? – Chamou em tom suave. Repetiu algumas vezes o nome até obter uma resposta do loirinho, que se sentou na cama. – Desculpe lhe acordar a essa hora, mas eu queria avisar que tenho uma sessão de fotos e só volto no fim da tarde. Tudo bem pra você? – Indagou ao garoto que coçava os olhos em meio a um bocejo. – Precisa de alguma coisa?

– Ah, sem problemas... Eu me viro se precisar de algo, obrigado. – Murmurou com a voz rouca. – Divirta-se.

– Você vai ficar bem? Vai se alimentar? – Naruto havia emagrecido, era visível.

– Tudo sobre controle... – Respondeu sem muita vontade voltando a deitar-se.

Mei não disse mais nada. Fechou a porta do quarto, foi até seu carro e seguiu para o estúdio. Conversar com o garoto não era fácil. Quando ele não queria conversa, insistir era apenas para comprar briga. Enquanto dirigia, ligou para Sasuke, a única pessoa que conseguia lidar com Naruto atualmente.

[...]

Quase que simultaneamente a tudo isso, outra casa ganhava vida. Gaara, sentado em sua cama massageando a cabeça, custou a reconhecer o próprio quarto. Não se lembrava de como tinha ido parar lá. Só teve uma vaga ideia, quando viu que ao seu lado a cama estava bagunçada também. Sua cabeça latejava e esse era o preço por tomar os remédios de forma indevida. Por um segundo, achou que estivesse delirando quando viu uma rosa de cor carmesim junto de um bilhete, em seu criado-mudo.

“Desculpe por eu ser um babaca. Saí cedo porque tenho trabalho. Não é no estúdio de sempre, mas o endereço está no seu celular, apareça se quiser. Não fique chateado comigo, por favor.

Te amo.

Kiba.”

Riu sozinho. O moreno sempre sabia como o desarmar, o que era engraçado porque nem Sasuke quando fora seu psicólogo, o fazia tão bem. Levantou-se da cama para ir fazer suas necessidades matinais. Iria até o local.

Tomou um banho rápido para tentar expulsar parte da lentidão que lhe acometia e, enquanto escovava os dentes, por alguns segundos poderia jurar que havia uma mulher lhe chamando de “Loca”.

É, havia mesmo.

Cuspiu a espuma na pia do banheiro anexo e foi até o quarto para procurar a origem daquela música animada. Ele vinha do meio dos cobertores, mais especificamente do celular de Kiba que, provavelmente havia sido esquecido. Ergueu uma sobrancelha ao ver que no visor piscava o nome “Hinata”. Não atendeu porque não queria se irritar logo pela manhã e nem dar uma de metido, mas ficou se perguntando o que aquela garota queria tão cedo. Vestiu uma bermuda de cor creme, uma camiseta vinho, e um par de tênis num tom mais escuro que o da camiseta e saiu, não sem antes comer uma fruta.

O tal estúdio era em um bairro mais afastado, mas, por sorte, o ruivo quase fora atropelado ao atravessar uma rua. Sorte sim, pois a doida que dirigia o Porsche branco era Mei, então acabou ganhando carona até o local, sem contar que ganhara passe livre para perambular pelos bastidores. O tal ensaio era para uma marca renomada e o estúdio onde seria feito o ensaio era terceirizado, então não era qualquer um que poderia se sentir “em casa”.

– Bom dia, suas lindas! – Mei gritou o mais alto que podia, quando abriu a porta do camarim reservado para as garotas. – E eu trouxe um presente para vocês abusarem sexualmente, mas, com moderação, por favor! – Acrescentou, puxando Gaara para dentro enquanto o mesmo ria completamente sem jeito.

O Sabaku tornara-se amigo de muitas das modelos da agência. No início, não ia com a cara de nenhuma delas, mas isso mudou radicalmente. Quando Mei o arrastara para fazer a campanha do perfume, ele estava muito tenso, e então as garotas se mostraram muito diferente do que ele julgava. Ajudaram ele a relaxar, deram dicas, conversaram e, desde aí, o ruivo se tornara o queridinho das moças.

Ele ficou ali junto com as garotas, que terminavam de se arrumar. Era o camarim reservado exclusivamente para as garotas da agência, então ele era o bendito fruto entre as mulheres.

Depois de devidamente maquiadas, vestiam a roupa com a qual iriam usar no ensaio e ficavam ali aguardando a hora de fotografar. Tomaram café, comeram alguns aperitivos e conversaram banalidades, como bons amigos fariam. Gaara era “de casa”.

– Meninas, alguma de vocês pode me emprestar o... Celular? – A porta foi aberta abruptamente por uma versão elegante de Kiba, vestindo um terno perfeitamente cortado e cabelo levemente ajeitado. E sua surpresa cortou a própria fala ao ver o ruivo. – Oi, Gaara! Você...

– Seu celular está ali em cima daquela bancada. – Interrompeu-o assim que se recompôs de breves pensamentos aleatórios. Alguns levemente impuros. – E sua amiga “muy loca” ligou mais cedo. – Completou com sarcasmo, fazendo aspas com os dedos.

– A Hinata? – Kiba perguntou, apenas para confirmar e tentar prolongar o diálogo. O ruivo apenas levantou o polegar direito, afirmando à Kiba. O Inuzuka já havia entendido que Gaara tinha ciúmes da garota. No fundo, ele gostou de saber disso. – Adoro quando você é irônico em espanhol. – Tentou amenizar o clima. Gaara revirou os olhos

– Quem é essa tal de Hinata, Kiba? Você está namorando e não nos contou? Você está apaixonadinho por ela e não disse nada? Cruel, hein... – Uma das garotas resmungou falsamente ofendida, fazendo as outras entrarem na sua onda e fazerem o mesmo, o que por sua vez fez Kiba rir enquanto digitava algo em seu celular. Esse tipo de brincadeira era comum entre eles. Alguém começava e todos entravam na bagunça. – Pelo menos ela é gostosa?

– Ela é só uma amiga. – Falou casual, devolvendo o celular à mesa. – Ela é bonita sim, mas não faz meu tipo. Não mais. – O modelo procurou uma foto da morena em questão, para mostrar para as amigas. Gaara rolou os olhos novamente.

– Ela é linda! – Uma delas exclamou. Estavam todas em um aglomerado para ver quem era a tal garota. – Tem cara de ser nojenta. Mas, se ela “não faz seu tipo”, o que é que faz, então? – Indagou com indignação. – Quer dizer, ela tem um rosto lindo, um corpo com tudo no lugar... Acho que você está exigente demais. O sucesso lhe subiu à cabeça. – Finalizou a fala e devolveu o celular a seu dono.

O outro garoto no cômodo fitava as próprias unhas. Estava tentando se desligar da conversa, ou fingir que o fazia. Não estava com paciência alguma para aquele papo.

– Nem um e nem outro. É que, na verdade, eu já achei alguém que é tudo o que eu preciso. – Soou doce e as garotas, que agora já estavam de volta às suas atividades, se espantaram. Ele falara firme, não parecia brincar.

Enquanto falava, ele olhara discretamente para Gaara, vendo-o abaixar a cabeça e virar o rosto de leve para esconder um sorriso teimoso. O ruivo queria se manter firme, manter a pose de bravo, mas vacilara por alguns segundos. Merda. Á medida que as modelos enchiam o moreno de perguntas, beliscões e apertos de bochecha, Gaara se recompunha.

– Mas e aí, quem é ela? Nós conhecemos a felizarda? – Era uma moça de feições asiáticas quem o bombardeava de perguntas. – Quem é a pessoa?

O moreno trocou a perna de apoio e olhou a hora. Estava escorado na parede, não quis sentar-se.

– Bem, vocês conhecem essa pessoa, sim. – Iniciou após decidir por onde começaria. Decidira também que não mentira totalmente. – Tem mais ou menos a minha altura, cabelos ruivos... – Fez uma pausa. – É uma pessoa gentil, carinhosa, prestativa. Pode não ter tantas curvas quanto a Hinata, mas tudo bem, eu já me acostumei, e até prefiro assim. – Riu baixo. Todos na sala tinham um sorriso no rosto. – E tem os olhos mais lindos que já vi. E também...

– Espera! – Gritou uma delas, a mesma que começara as brincadeiras. – Parou com a palhaçada! Você está descrevendo o Gaara, só que de um jeito meloso! – Apontou o indicador no rosto de Kiba, estarrecida. – Seu babaca, eu aqui pensando que você estava apaixonado e você brincando! Você é um bundão mesmo!

Durante o tempo em que o Inuzuka era xingado e estapeado pelas colegas, Gaara ria debochado. Queria esganar o moreno quando ele começou o discurso e agora se sentia vingado.

– Ei, suas ogras! – Gritou clamando por ordem. – Por que vocês acham que eu tô brincando, hein?

– Qual é, você já pegou metade dessa sala! – Gaara ergueu uma sobrancelha. Continuava quieto na dele, tentando ver até aonde a situação iria. – E isso inclui a mim. Deu pra perceber do que você gosta!

– E isso me impediria de gostar do Gaara? De namorar com ele? Que eu saiba, você também já pegou metade dessa sala, sua ‘sapatão! – Cutucou a colega.

– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Inuzuka. – Rebateu. – Mas isso é simples de resolver. É só você beijar o Gaara e pronto, a gente acredita em você. – Deu uma piscadela para o garoto.

O modelo riu, olhando para Gaara e encontrando um dedo médio levantado especialmente para si.

– Eu adoraria, mas ele tá bravo comigo. – Passou a mão nos cabelos. – Na verdade, eu mereci.

– Verdade! Nisso você tem razão! – Foi o que o outro respondeu. – E eu não beijaria você. – Kiba franziu o rosto com a resposta. “Ah não?”.

– Mesmo? – Ironizou. – Bom, mas almoçar comigo você almoçaria, né? Hoje, no intervalo do ensaio. – O moreno propôs como um pedido de desculpas, tentando desconversar. – Vai, eu não aceito um não.

– Mas e se eu disser não? O que você vai fazer? – Soltou em tom desafiador, olhando direto em seus olhos.

– Entregar meu celular e a senha de acesso para elas. – Rebateu direto, apontando o dedo para as garotas na sala. – Aí elas vão poder ver todas as minhas fotos, mensagens vídeos e...

– OK! – O ruivo gritou, cortando-o de imediato. – Eu almoço com você! Só cala a boca e vai tirar suas fotos! – Rosnou. Tinha vontade de estrangular aquele projeto de La Bamba. – Some daqui!

– Ótimo! – Kiba piscou para o ruivo, que ficou ainda mais irritado e vermelho.

– O que tem de tão incriminador nesse celular, hein? – A japonesa perguntou.

– Nada! – Gaara levantou num pulo do sofá, se dirigindo a Kiba e o empurrando para fora do camarim. O Inuzuka gargalhava. – Some daqui, seu podre! Anda!

Quando conseguiu expulsar o outro, bateu a porta com força. Estava um tanto ofegante, como se tivesse levado um susto. Não que as moças, que agora olhavam indagadoras para ele, precisassem saber o que se passava em sua mente. O rapaz jogou-se no sofá novamente, sendo bombardeado de perguntas. Apenas mandou as modelos voltarem a seus afazeres, fugindo do assunto.

E elas o deixaram em paz.

Pelo menos pelos dois ou três minutos seguintes, até que, simultaneamente, o celular de todas na sala tocou ou vibrou, por causa de uma mensagem de Kiba. Na verdade, uma foto onde ele estava mordendo o lábio de Gaara, que tinha os olhos fechados e um sorriso largo no rosto.

O Inuzuka ainda estava do lado de fora da porta, e a última coisa que ouviu antes de finalmente ir fotografar, foram gritos histéricos femininos e um palavrão cabeludo vindo do namorado.

Correu como um maratonista pelos corredores, até o estúdio, onde estaria seguro.

...

Na casa do agora loiro solitário, tudo estava muito quieto. Quem visse juraria que estava vazia. Os corredores e cômodos que, antes eram cheios de vida, agora pareciam mortos e grandes demais. Frios. Mas, nem tudo estava diferente.

Sasuke era a prova de velhos hábitos dificilmente, ou nunca morriam. Havia tirado o dia de folga e estava ali, na poltrona reclinável do quarto de Naruto, que dormia como uma pedra. Esperava o mais novo despertar, pois tinha inúmeros planos para os dois. Sabia que ele iria negar qualquer coisa, então tinha um método especial de convencimento.

A verdade é que Naruto não saía há eras. Vivia enfurnado no quarto, fazendo qualquer coisa para alegar “estar ocupado”. No início, Sasuke realmente achou que ele fosse passar por tudo de uma forma positiva, mas se tivesse apostado, teria perdido. Quando a ficha da perda de Minato de fato caiu, Naruto foi decaindo, dia após dia. Passou a agir como o velho Naruto, internalizando tudo. Não era uma boa coisa.

Ficava no quarto fazendo anotações, cálculos e diversas inutilidades, para tentar por a mente em ordem. Havia emagrecido um bocado, também. Sasuke tentara praticamente todas as técnicas que conhecia para ajudar o mais novo, pois doía ver o seu Naruto daquela forma, mas falhara em todas. O loiro estava mais esquivo e astuto. Sabia as intenções por trás das investidas do psicólogo, e desviava de todas. Parecia que não queria ser ajudado.

Então, Sasuke queria tentar algo diferente.

– Bom dia, lindo! – Exclamou um tanto irônico, vendo o menor se remexendo embaixo dos cobertores, virando-se em sua direção. – Levanta, porque o dia está lindo e temos que nos apressar!

– Apressar pra que, Sasuke? – Resmungou uma resposta. Mal havia acordado, mal sabia quem era e o moreno já vinha sobrecarregando seu cérebro. – Aliás, você não deveria estar trabalhando? – Indagou, olhando a hora em seu celular, cuja tela parecia brilhar mais que o sol, no momento. – E bom dia pra você também. E lindo? Sério? Isso é meio cafona. Bem cafona, na verdade.

– Pare de censurar minhas demonstrações de afeto, coração! – Retrucou debochado, fazendo o loiro revirar seus olhos preguiçosos. – E sim, eu devia, mas tirei folga para convidar você para sair! Vamos almoçar e depois podemos ir ver o ensaio da Mei. Será no parque, vai ser legal! Kiba deve estar por lá também! O que você acha? Você não só vive nesse quarto...

– Olha Sasuke, obrigado pelo convite e por se preocupar, mas eu tenho algumas coisas para revisar. – Respondeu fitando o chão. Estava evitando os olhos negros do outro. – Obrigado mesmo, mas...

– Ok, eu sabia que você diria algo assim... – Cortou a fala do loirinho. Falava com certo desapontamento na voz. – Você sabe o que é isso? – Perguntou erguendo uma caixinha em sua mão esquerda, mudando totalmente de assunto.

Naruto demorou um pouco para processar essa mudança brusca. Uma parte do loirinho ainda não havia despertado.

– Uma caixa de fósforos...? – Falou incerto. Não sabia o que Sasuke queria ouvir.

– Exato! – Exclamou em resposta. – E você já olhou para o piso do seu quarto? – Fez-lhe outra pergunta, erguendo sua sobrancelha negra. Estava tramando algo.

O loiro curvou-se na cama, procurando receoso por algo anormal no mármore do piso. Sasuke estava maquiavélico demais.

– Isso é... Uma trilha de água? – Voltou sua carranca matutina novamente para o moreno. Pois é, ninguém acorda bonito. – Sasuke, o que...

– Não, dessa vez você errou. Isso no chão é álcool. – Corrigiu.

O garoto na cama fechou os olhos por alguns instantes, tentando processar melhor a situação toda para assegurar que não estava ficando louco.

– Você disse o que? – Perguntou calmamente, depois de uma longa e profunda suspirada.

– Isso mesmo o que você ouviu, Naruto. – Deu um sorriso que, para Naruto, era diabólico. – E você sabe onde estão todas aquelas folhas, anotações, rabiscos e rascunhos que estavam na sua escrivaninha? Você se dedicou horas a tudo aquilo, não é?

– Uchiha Sasuke, você... – O loiro praticamente rosnou, fazendo menção em levanta-se da cama, mas foi interrompido.

– Nah, deixa que eu respondo pra você! – Sua voz estava carregada de sarcasmo. – Tudo aquilo está bem seguro, num plástico lacrado e dentro do cesto de metal que você usa como lixeira. – Viu os olhos do namorado se estreitarem mais. – Aliás, a trilha de álcool no chão leva até ela.

– Você não...

– Sim... – O interrompeu novamente. – Não se preocupe, não há risco de incêndio. O cesto está do lado de fora da casa, e a trilha passa longe da mobília. A única coisa que vai pegar fogo são suas folhas, mas só se você se negar a sair comigo hoje.

– Seu chantagista! – Berrou. – Você não se atreveria a fazer isso!

– Vou repetir a pergunta... – Ditou, dessa vez um tom mais sério, riscando e acendendo um palito de fósforo. – Quer sair comigo hoje?

Ficaram se encarando, à medida que o fósforo queimava. Quando o moreno ameaçou soltar o palito em cima do líquido, e Naruto percebeu que era sério, ele cedeu:

– OK! – Gritou com raiva. – Vamos sair! Vamos almoçar e depois ir ao parque! Podemos até jantar juntos, mas para com essa palhaçada! Você é louco, é? E me devolve todas as minhas coisas!

– Ótimo! – Apagou a pequena chama com um sopro, levantando-se da cadeira e se jogando na cama com o loiro, segurando-o pelo rosto e o enchendo de beijos, alguns bem molhados, e cócegas, só para irritar ainda mais o menor. – Se arrume, então! E escove os dentes, você tá com bafo de carniça!

O loiro tentava barrar o outro, o mandava parar e se afastar, mas não obteve sucesso. Ficaram algum tempo rolando na cama, rindo e trocando cutucadas e beijos, numa batalha ferrenha de amor e ódio, para ver quem caia do leito ou se rendia primeiro. Ambos perderam. Ou venceram, dependendo do ponto de vista.

O mais velho levantou-se ofegante e saiu do quarto, mas não sem antes apressar o loirinho e dizer que a água no chão não se secaria sozinha.

Tomou várias travesseiradas e ouviu incontáveis xingamentos, mas saiu pela porta gargalhando.

Missão completa. Objetivo concluído, por hora. Só restava abraçar o belo dia que lhes esperava.

Notas finais
E aí? Deu pra matar a saudade? Eu sinceramente não posso prometer prazos, não sei quando irei postar novamente, porque isso era tudo o que eu tinha. Postei mais para vocês verem que Inside não está abandonada, e que Tio Killua continua vivo! Eu realmente não vou cobrar reviews. Depois de um ano sumido, quem sou eu para isso? Mas eu espero que vocês também não tenham me abandonado! Se quiserem falar comigo, me dar oi, me xingar e falar da fic, deixem um review! Eu vou adorar responder, vocês sabem que eu amo falar com vocês! :D Apesar de não parecer, eu entro com frequencia aqui ainda. Enfim, meus pimpolhos serelepes, eu estou com saudades. Espero que me desculpem por ser um péssimo tio! Até os reviews, moçada! Passe o tempo que for, Tio Killu sempre vai amar vocês! Jaa ne
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.