Inside

17 Adolescentes, jantares, e sorte do dia...


Notas iniciais
Oi! Primeiro de tudo quero dizer que ainda não voltei com Inside, e explicarei nas notas finais... Eu tinha esse capítulo pronto, e como depois de pensar bastante decidi dar uma bela virada em Inside, decidi postar o capítulo só pra matar a saudade mesmo... Corrigi ALGUNS erros nos outros capítulos e renomeei eles! :D Outra, quero que sejam sempre sinceros nos reviews... Bom, quero agradecer também a quem acompanhou Blue Eyes.. ^-^ E claro, não posso esquecer de agradecer as recomendações... Acabei de receber uma em Blue Eyes, obrigado Twary.. ^-^ E claaaro, não posso esquecer de agradecer as que ganhei aqui.. Obrigado Igor Vasconcelos e Farsante Quinze! :D Um agradecimento mais especial ainda a minha Clara Uzumaki que fez essa capa nova! Um amor ela. :D Saudade de dizer isso por aqui em Inside então, aos costumes!

A manhã de sábado se iniciava tão calma quanto qualquer outra. Pássaros cantavam e o sol já despontava no horizonte, denunciando o belo dia que teriam pela frente. A fina geada que cobria árvores agora já se desfazia e tornava-se orvalho novamente. Na mansão Namikaze, dois loiros estavam sentados à mesa, diante de uma mesa farta. Tomavam o café da manhã normalmente, conversando e rindo, do jeito que Minato sempre quis. Há alguns dias isso seria anormal, mas já se tornava rotina.

– Vai fazer alguma coisa hoje à noite, Naruto? – Perguntou o loiro maior bebericando seu café. – Afinal, não sei que horas eu volto. Pode chamar Kiba para dormir aqui, se quiser. – Sugeriu. Naruto nunca teve amigos para isso. – Eu gostei dele. Sabe, ele me lembra alguém... – Adotou uma postura pensativa.

– Ele é muito legal mesmo, tou-san. Ele vai passar a tarde aqui, talvez vamos sair para algum lugar, não sei. – Respondeu sem muito caso. – Mas nós vamos ajudar o senhor se arrumar antes, afinal alguém aqui tem um belo programa pra essa noite, não é mesmo? – Indagou o menor com um tom carregado de malícia e deboche, como o sorriso que tinha no rosto naquele momento. – E bota belo nisso!

– Olha o tom garoto! O respeito ainda mora nessa casa! – Repreendeu o mais velho, fazendo Naruto erguer as mãos em sinal de rendição. – Mas, eu sem dúvidas vou precisar de uma ajuda. – Confessou em um suspiro. – E eu estou me sentindo um adolescente novamente. Estou super nervoso e com um frio na barriga.

– Não fique. Cabeça erguida, tou-san! Confie no seu taco, – Falou o loirinho animado, tentando contagiar o mais velho. – Ontem fomos ao shopping com ela, por um mero acaso. – Sacudiu de leve a cabeça ao lembrar de outros acontecidos do dia anterior. Depois de alguns longos segundos em silêncio e sob um olhar interrogativo de seu pai, ele continuou. – Ela veio aqui só para falar com você sobre o encontro, porque você não atendia ao telefone. – Contou. – Eu disse que você estava muito animado e ela correu pra fazer compras.

– Encontro... – Sem graça. – O último encontro que tive foi com sua mãe... – Estava com o olhar fixo na mesa e a mente viajando longe. – Sabe Naruto, eu tenho medo. – Confessou aquilo que estava martelando sua cabeça nos últimos dias. Na verdade, estava apavorado.

– Medo? De que? – Perguntou o menor, surpreso e curioso. Seu pai temia alguma coisa? Isso era novidade...

– De magoar a Mei do mesmo jeito que magoei sua mãe. De ser insensível com Mei assim como sua mãe dizia que eu era com ela. – Confessou o maior, com lágrimas já se formando em seus olhos. Nunca foi bom em contê-las, do mesmo.

– Não diga uma coisa dessas! – Naruto falou em um tom mais enérgico, deixando Minato um tanto surpreso. – Se alguém magoou alguém nessa história, foi Kushina e não você! Francamente, se tem algo que você não é, esse algo é insensível. – Ditou em essa parte em um tom moderado, para logo em seguida voltar a elevar a voz. – Além do mais, quem largou você com uma criança pequena foi ela, tou-san! Ela! – Gritou o menor, esfregando um dos olhos com o polegar. Era chorão como o pai. – Você é o melhor pai que eu poderia querer e eu te amo muito, lembre-se disso! Droga... – Seus olhos ardiam cada vez mais e ele os esgregava com o dorso da mão. – Eu te proíbo de ficar se martirizando por algo que não é sua culpa! – Continuou os berros com voz embargada pelo choro, que não estava conseguindo conter.

Minato foi até seu filho lhe abraçando fortemente, sendo retribuído. Ficaram em silêncio algum tempo. Não precisavam de uma palavra sequer, pois conseguiam ler perfeitamente um ao outro.

– Naruto, eu...

– Escute, a partir de hoje, não se refira mais a Kushina como minha mãe. –Minato afastou-se para olhar o garoto nos olhos. Estava surpreso com o que ouvira. – Ela só me causou mal, tou-san... E a você também... E se o senhor estragar tudo com a Mei, que é o mais próximo de uma mãe que eu conheço, eu vou te dar uma surra! – Gritou abafado por conta de seu rosto estar colado ao peito do pai, que era um pouco mais alto que ele. – Ouviu bem? – Completou afastando-se do abraço, limpando as lágrimas e abrindo um sorriso. – Promete que vai se esforçar?

– Eu prometo, Naruto! Não vou decepcionar nem você nem a Mei hoje à noite. – Respondeu o maior, também abrindo um sorriso. – Embora eu não tenha a menor ideia de como irei fazer para cumprir essa promessa.

– Seja você mesmo. Isso já vai ser o suficiente. Ela gosta muito de você, quem sabe lhe de uma chance. – Ditou sugestivo. – Afinal, Namikaze Minato, você é o homem que toda a mulher gostaria de ter. – Falou o menor, dando um soco fraco no peito do pai. – É bonito, prestativo, tem um corpo de dar inveja e principalmente, tem um filho muito bacana. – Concluiu piscando o olho para o mais velho, que riu.

– Você o melhor filho que eu poderia querer, sabia? – Indagou o maior rindo do que o menor disse e afagando os fios loiros do mesmo.

– É, to sabendo. – Respondeu brincando. – Você também não é nada mal como pai!

– Dessa parte eu estou bem ciente. – Devolveu na mesma moeda. – E olha só, pelo menos os anos gastos em academias valeram a pena. – Comentou analisando seu próprio corpo. – Acho que dá pra impressionar com a minha idade.

Minato tinha a musculatura bem definida, que dava inveja a qualquer jovem por aí. Braços fortes, peito largo e firme e abdômen bem dividido e definido. Ele era de fato um homem bonito para a sua idade. Não era velho, mas também não era mais um garoto, apesar de se portar como um em várias ocasiões.

Após a conversa dos dois, cada um foi para seu canto. Minato estava muito nervoso, então resolveu extravasar tudo na academia. Exercícios não muito puxados, apenas para botar para fora as preocupações, afinal tinha que guardar um pouco de energia para a noite. Naruto resolveu fazer algo parecido. Como ainda era cedo, ele foi até seu quarto, foi até seu quarto e vestiu uma calça leve de moletom, camiseta e casaco e resolveu que iria correr. Tirou os óculos e pôs as lentes de contato, afinal os óculos só atrapalhariam.

Informou seu pai sobre o que faria, pegou seu celular e seu fone e saiu. Acoplou o fone ao celular, ligou uma música qualquer, aqueceu-se e em seguida começou sua corrida, rumo a lugar nenhum. Corria em um ritmo não muito apressado, estava aproveita o ar frio que lhe batia contra o rosto e também o clima agradável, porém gélido, que fazia sua respiração tornar-se visível e fumacenta.

Corria despreocupadamente, já estava em uma parte menos nobre da cidade, e como bom azarado que é, virou em uma esquina errada e acabou dando de cara com alguns membros do seu adorável grupo de colegas. Perguntou a Deus como, numa cidade daquele tamanho, isso seria possível. Talvez seu azar fosse muito maior do que pensara.

Neji estava conversando distraído com Suigetsu e um ruivo, que nunca lhe chamara muita atenção. Se a memória não lhe falhava, seu nome era Gaara. Ele passava sempre bem abaixo do radar. Os três riam e papeavam descontraídos até ver o loiro, que ainda fez uma tentativa falha de sair de fininho. Nunca funcionou antes, por que funcionaria agora?

– Olha só quem a gente encontrou! Ohayou Naru-chan! – Disse Suigetsu maliciosamente. – O destino, às vezes, é bem irônico. Falávamos de você!

– Que sorte que a gente tem, não é? Tenho algo pra você! – Falou Neji estalando os ossos dos dedos. – Sabe, não estamos na escola, então aqui não tem diretora alguma pra te defender. – Fitava o loiro diretamente nos olhos, como um predador. – Você sabe o tamanho daquela escola? Sério, é enorme. Imagina então ter que limpá-la toda! – Seu tom era de ironia pura. – Suigetsu e eu estávamos indo encontrar o Juugo lá. Não temos muito tempo, então temos que ir logo começar a sua punição. A culpa dessa porcaria toda é sua, afinal! –Completou estalando agora o pescoço.

– Minha? Vocês arrebentam minha cara e a culpa é minha? – Indagou Naruto, tirando coragem de algum universo paralelo.

– Cala essa sua boca! – Respondeu o garoto de cabelos longos e argumentos curtos. – A questão é, estamos na rua. Nem a diretora, nem o sensei e nem seu amigo vira-lata estão aqui pra te defender, seu viadinho de merda. E como não vejo nenhum motivo pra não te dar um corretivo aqui mesmo... – Falou irônico, levando a mão ao bolso em seguida, tirando dele seu celular, o qual entregou para o albino. – Dessa vez não vai sobrar nada de você, Uzumaki.

– Neji, já chega. – Gaara pronunciou-se num tom moderado. Não queria chamar a atenção desnecessariamente.

–Você, ruivo, quieto! Eu já disse, nada vai me impedir de acabar com ele. – Fitou Naruto com o olhar repleto de ódio, como sempre. Se perguntassem ao moreno a origem de tamanho desprezo, ele não saberia responder.

O menor já estava sendo tomado pelo medo novamente, a descarga de adrenalina e dose única de coragem já havia se esvaído. Sabia que se corresse seria pior, então permaneceu estático. Se corresse, apanharia; se não corresse, apanharia do mesmo modo.

Já estava de olhos espremidos, preparado para o soco que viria, mas algo o fez abri-los novamente. Algo não, alguém.

– Eu vou te dar um bom motivo, o 'Do cabelo. – Soou uma voz grossa vinda do outro lado da rua. A figura misteriosa estava escorada na parede, segurando um copo de cappuccino. O portador da voz assustadora botou-se a andar sem pressa, atravessando a rua e se parando na frente do loirinho, de costas para o mesmo e encarando Neji fixamente. – Pode não haver regras de escola por aqui, mas Newton dizia que, para cada ação existe uma reação contrária, sabe. Leis da física. Elas regem o universo. – Dissertava em um tom tedioso. Havia mudado o foco da situação.

– Ok, palmas pra você, físico de boteco, agora sai da minha frente. – Falou Neji com escárnio, fitando a figura morena parada em sua frente.

– Eu quis dizer a você, moleque, que tudo o que vai, volta. E tudo o que você fizer ao loirinho aqui, — disse apontando para Naruto com o polegar. – vai voltar para você, e vai ser pelas minhas mãos. – Concluiu dando um gole em seu café. Sua pose era de total despreocupação, mas seus olhos estavam em chamas. Não desgrudaram dos de Neji por nenhum minuto. – Toque nele, garoto, e e eu te mato. – Seu tom não demonstrava um pingo de brincadeira.

Silêncio.

Todos no local gelaram. Naruto estava perdido e Neji arrepiou dos pés a cabeça. Os olhos de Gaara e Suigetsu dobraram de tamanho. O ar parecia pesar toneladas.

– Está me ameaçando? – Inquiriu desafiador, rindo irônico em seguida. Levara quase quinze segundos para replicar. Foi o tempo que levou para se recompor. Esses segundos pareceram anos para todos ali, exceto para o desafiante. – Você não pode bater em mim, muito menos me matar! Você é maior de idade e vai direto pra. – Completou.

– Eu estou apenas lhe advertindo. E você por acaso sabe o meu nome? –Perguntou calmamente, recebendo uma careta de dúvida como resposta. – Pois é, não sabe. – Riu. Naruto assistia à cena incrédulo e com a cabeça cheia de dúvidas. – E não há como me denunciarem por homicídio, se não houverem testemunhas, certo rapazes? – Indagou fitando os garotos atrás de Neji, com um sorriso que lhes deu calafrios. Os dois correriam, mas suas pernas estavam bambas. – Vá embora, cabeludo, e eu penso em não arrebentar a sua cara apenas por você ter me desafiado. Leve seus amiguinhos com você, por favor. – Bebeu mais um gole de sua bebida quente. – E se eu não ficou claro, é nessa parte do roteiro que vocês somem da minha frente.

Neji não respondeu, apenas engoliu grosso e bufou com raiva, atravessando a rua e segundo seu caminho, acompanhado de seus amigos. Andavam a passos rápidos e ninguém comentou o acontecido. O ruivo antes de ir ainda murmurou um “desculpe”, recebendo um maneio de cabeça do mais velho.

– Tudo bem aí? – Perguntou a figura. Para ele, parecia que nada havia acontecido.

– S-sim... Eu acho que sim. – Respondeu um tanto atordoado pelo ocorrido. O homem a sua frente aparentava uns 27 ou 28 anos, talvez menos. Era alto e possuía olhos e cabelos negros, sendo os cabelos bem compridos, e no momento presos de forma desleixada por um elástico. Ele lembrava alguém. – Muito obrigado por... Tudo isso. – Como definir o que tinha acontecido?

– Não precisa agradecer baixinho. – Disse ele, afagando os cabelos do menor. – Sugiro que volte pra casa agora, loirinho. Até a vista! – Concluiu, abrindo um sorriso escancarado e virando-se para ir embora.

– Naruto! – Gritou o loirinho, chamando a atenção do rapaz, que travou seu passo e virou-se. – Uzumaki Naruto! Posso saber seu nome? – Indagou. Estava no mínimo curioso.

– Me chame apenas de... – Uma pausa para pensar. – Sorte do dia! –Respondeu rindo. Bateu continência para o mais novo e voltou a seguir seu rumo, sumindo em uma esquina em seguida.

Naruto ficou estático por uns instantes, tentando processar tudo o que havia acontecido ali. Só tentou mesmo, porque quanto mais pensava, menos sentido tudo fazia.

Sem chegar a nenhuma conclusão concreta, deu meia volta e seguiu para casa como lhe fora aconselhado. Não queria mais encontros desagradáveis para aquele dia. Provavelmente não teria mais tanta Sorte caso tivesse mais algum desencontro.

Novamente ele estava correndo despreocupadamente, ouvindo uma música agitada para se distrair. Estava perdido em seus pensamentos quando foi puxado de volta à realidade, ao esbarrar em algo. Alguém, talvez.

É, era de fato um alguém.

– Foi mal! – Desculpou-se a outra figura, e o loiro apenas murmurou um "não foi nada" antes de fitar o indivíduo.

Naruto fitou o garoto por alguns segundos, e percebeu que era aquele ruivo que andara com Neji pouco mais cedo, mas que agora estava desacompanhado. Não era possível ter tanto azar em um dia só, era?

–Ah, m-me desculpe! Eu juro que foi sem querer! Por favor, me deixe ir! –Vociferou Naruto, já com um frio na barriga. Escapou de uma surra, mas será que escapava de duas? Sorte do dia!

– Ei, calma! – Exclamou o ruivo, erguendo as mãos a frente do corpo. – Não vou te fazer nada, não. Eu não sou o Neji, e também não é porque ando com ele que vou querer te bater sem motivo ou qualquer coisa do tipo. – Falou em tom suave, gesticulando junto.

– Não? – Perguntou o loiro com uma sobrancelha erguida. Talvez ele devesse generalizar menos as pessoas. – Mas você sempre tá com o Neji, aí eu pensei que... – O loiro não pode terminar sua frase, pois o ruivo o cortou rapidamente suspirando.

– Pense um pouco, Naruto. – Se pronunciou chamando a atenção do menor. –Você lembra-se de alguma vez que eu tenha te batido, ou mesmo te xingado? –Indagou ele. Naruto fitou o chão, parecia pensativo.

– Pensando bem, não me lembro de nada. – Respondeu após alguns segundos de reflexão. – Você nunca me fez nada...

–Pois é. – Retrucou, escorando-se em uma parede atrás de si e fitando o céu. – Se você quiser ir, pode ir. Eu não vou te impedir.

– Hã... Ok, certo. – Em seu âmago, Naruto desejava ser melhor com o uso de palavras. – Desculpe.

“Manhã estranha” foi o que o loiro pensou, ao sair andando a passos apressados. Antes de mais surpresas, o loiro correu de volta para casa. Foi até a academia, mais especificamente, e lá encontrou seu pai, que agora levantava pesos.

Contou-lhe toda a estranha história da sua manhã.

Na hora do almoço, os dois comeram juntos e conversando ainda sobre os causos matutinos de Naruto. Foi um almoço bem simples, mas divertido. Ficaram sentados à mesa por horas, apenas conversando. Por volta três da tarde, Kiba chegou e juntou-se a conversa, e assim seguiram por mais um pedaço da tarde. Falaram sobre escola, sobre o encontro de Minato, sobre o novo emprego de Kiba e também sobre certo psiquiatra.

Já eram 17h00min, Minato deveria começar a se aprontar em breve. O homem já estava mais tranquilo. Tinha certeza que estava preparado.

Estavam conversando sobre encontros, e uma simples frase de Kiba mandou toda a calma do Namikaze para o espaço.

– O primeiro encontro que eu tive foi um desastre. – Contava o moreno. – Peguei as melhores flores do jardim da minha mãe, mas mesmo assim acabei rejeitado. – Gargalhou da própria história e Naruto também, mas foram cortados por um grito vindo de um cômodo mais afastado.

–PUTA QUE PARIU! – Berrou Minato, rasgando, pisando e cuspindo em seus bons modos. – FLORES!

– Pai, você não comprou flores? – Gritou Naruto de volta, incrédulo. – Puta que pariu mesmo, hein?! Qual é o seu problema? – A indignação estampava seu rosto.

– Eu esqueci, caramba! – Exclamou o loiro maior entrando na sala onde os menores estavam. – E agora? Como eu pude esquecer as flores?! – Martirizava-se. – Será que da tempo de ir comprar?

– Olha, sem querer ser pessimista, mas já sendo, acho que não. – Naruto olhou para seu relógio de pulso. – A floricultura mais próxima daqui ainda fica há quilômetros e o trânsito a essa hora é caótico. Se for a pé, vai demorar muito na ida e na volta, tendo pouco tempo para arrumar-se. Vai demorar horas! Ir de carro é impossível. Se for correndo, logicamente vai demorar menos, mas vai se cansar e suar como um porco. – Retratou o mais novo, enumerando as opções com os dedos. – Não vai rolar, tou-san.

– Droga! – Praguejou Minato. – Não posso chegar de mãos vazias! Eu vou dar o que para ela? Grama?!

– Não se desespere, Minato-san! – Silabou Kiba com toda a calma do mundo em sua voz. – Felizmente você tem um praticante de parkour e um loiro magrelo que corre mais que o Diabo da crus à sua disposição. – Falava enquanto estava curvando seu corpo para o lado, fazendo alongamentos. – Nós resolvemos isso.

– Pera, pausa: você pratica parkour? – Perguntou o loirinho, ignorando todo o resto.

– Sim! – Respondeu estalando alguns ossos. – Quando se é fraco, às vezes precisamos ser criativos para fugir de valentões.

– Mas você não é magro e nem fraco... – Murmurou o Uzumaki, procurando sentido no que Kiba falara.

– Deixemos as histórias longas para mais tarde. – Cortou-lhe o moreno. –Minato-san, que flores quer que compremos? – Indagou à Minato, que já estava mais calmo, mas tão curioso quanto Naruto a respeito do parkour, mas estava sem tempo. – Nós vamos buscar enquanto você se arruma.

– Eu não sei o que seria de mim sem vocês. – O loiro estava se sentindo toneladas mais leve. – Bom... acho que rosas! Um buquê de rosas amarelas e vermelhas! Ela gosta dessas cores! – Exclamou empolgado, indo até a carteira e retirando algumas notas de alto valor. – Ei, Naruto, pegue isto e vá comprar algo como chocolates ou coisas do tipo! Kiba, você já sabe. Capriche nas flores! Peça as mais belas e não poupe com a decoração! – Exclamava cada vez mais eufórico, distribuindo o dinheiro entre os garotos. Mais uma frase e ele estaria gritando histericamente.

– Chocolates, tou-san? – Perguntou Naruto. – É sério meso? Ela é uma modelo! Até pediu sorvete light no shopping ontem. Ela não tem cara de quem de quem faz essas gordices de comer chocolate. – Estava indignado com a lerdeza de seu pai naquele momento.

– Você tem razão... – Disse o loiro maior pensativo. Andava de um lado para o outro. – Vá então até a joalheria de Sasori e de sua avó simpática e compre alguma coisa, então. Diga que eu pagarei segunda quando for te levar à consulta. –Ordenou. – Não compre um anel! – Gritou repreensivo. – Anel é algo muito sério para um primeiro encontro. Um brinco, um broche... Algo para o cabelo talvez ou...

– Tou-san! – Naruto cortou o pai, que estava deixando o nervosismo escapar em forma de palavras. Típico. – Vai tomar seu banho e não se preocupe com nada. Eu resolvo isso. Está tudo sob controle!

– Não vamos decepcionar! – Kiba esbanjava confiança, dando suas últimas esticadas antes de sair. – Vou trazer um belo buquê de flores nem que seja a última coisa que eu faça. Fica tranquilo! – Sorriu. – A gente não vai deixar você desapontar a garota!

– Obrigado garotos! Sério, amo vocês! Tipo, muito! – Suspirou aliviado. – Mas espere, não interprete mal Kiba, eu quis dizer que gosto muito de você, mas no bom sentido. Tipo um filho! Eu não sou pedófilo ou qualquer coisa do tipo. E também...

– Vamos logo Kiba, ele vai começar tudo de novo. – Disse Naruto indo para a porta. O outro riu da situação e o acompanhou. – Você tem cada ideia estranha, Kiba. Tome cuidado. – Completou o menor fazendo alguns alongamentos também.

– Hai! Você também. –Disse o moreno saindo em disparada. – Nos vemos em menos de uma hora. Jaa ne! – Despediu-se, pulando o portão de forma quase felina em seguida.

Naruto saiu correndo em seguida também, mas atravessou o portão ao invés de pulá-lo. Naruto corria rapidamente, dobrando esquinas, cruzando ruas, tudo em alta velocidade. Corria mais que trombadinha da polícia. Já Kiba, além de correr em alta velocidade, saltava diversos obstáculos de forma quase artística. Muros, escadarias, latas de lixo, carros parados; nada podia o deter. Apesar de ter a aparência feroz dos cães, saltava como um felino.

Depois de longos minutos de correria e adrenalina, ambos já chegavam aos seus destinos.

Kiba parou em frente a uma pequena floricultura que encontrou. Escorou-se na parede da loja para retomar o fôlego e só então entrou. Foi até a atendente e pediu o mais belo buquê de rosas vermelhas e amarelas que ela pudesse fazer. E com urgência. Enquanto esperava, sentou-se no piso do local para descansar mais.

Já Naruto ainda corria até o prédio que recentemente começara a frequentar, mas desta vez, por um motivo diferente. Pouco tempo depois, já atravessava correndo as portas de vidro escuro que o lugar possuía, cumprimentando todos que podia, mas sem perder o pique, correu para o elevador rumo ao oitavo andar, que conhecia bem. Quando a porta abriu, o menor correu rumo não ao consultório de Sasuke, como era o de costume, mas sim até a joalheria.

Entrando lá, viu uma cabeleira ruiva que organizava algo na prateleira, mas não era a de Sasori. Hesitou por um momento.

– Yo! – Saudou Naruto, não muito consistente.

– Terceira vez no dia Naruto. – Falou o ruivo, virando-se na direção do mesmo. E pela terceira vez no dia, deu de cara com Gaara. – Posso ajudar?

– Um é pouco, dois é bom, mas três... – Brincou. – Espera, você trabalha aqui?

– De vez em quando. – Comentou o ruivo, apoiando-se no balcão de vidro. – A Chiyo-baa foi visitar uma amiga e o Danna está ali no escritório do Sasuke. Disse algo sobre precisar falar com ele. Deve demorar, pois provavelmente vai conversar com a Tenten, e aí já viu, né? – Comentou bem humorado.

– Ah, entendo. Eu deveria ter notado as semelhanças. – Disse o loirinho fitando o garoto. – E parabéns! Quer dizer, eu acho. – Exclamou, estendendo a mão para um cumprimento um tanto hesitante.

– Como? – Indagou confuso.

– Sasori estava comprando um presente ontem, para seu primo que estaria de aniversário. Aposto todas as minhas fichas que seja você esse primo. – Falou fazendo um movimento com a mão para enfatizar que esperava uma resposta, que prontamente veio quando o ruivo apertou sua mão.

– Supôs certo. Obrigado, Naruto.– Sorriu, soltando a mão do menor. – Mas em que posso ser útil?

– Ah, é claro! Preciso de um presente. Nada de anéis ou coisas formais e sérias demais. De preferência verde... – Mordia a ponta do seu polegar e tinha uma expressão contemplativa enquanto falava.

– Hm... – O ruivo pensou um pouco. – Temos algumas pulseiras, brincos e broches, que se encaixam com as suas exigências. Colares também. – Explicou, pegando em seguida algumas peças depositando-as sobre o balcão. – É para alguma namorada? Achei que você namorava aquele tal de Kiba... – Comentou baixo. – Desculpa, é que comentam tanto que... Ah, desculpa! Eu não tenho nada que me meter na sua vida. – Desculpou-se, repreendendo-se mentalmente. Poderia enfiar a cabeça em um buraco naquele momento.

–Não, tudo bem! Mas nós somos apenas amigos, nada mais que isso. – Naruto riu e Gaara deu um pequeno sorriso, que passou despercebido. O loiro ficou encarando as peças por alguns minutos até se decidir. – Acho que vou levar esses brincos. Essas esmeraldas combinam com os olhos dela. – Pegou a caixinha e analisou o par de peças com mais atenção. – Ah, e não é para nenhuma namorada também, caso queira saber. – Ergueu os olhos para o outro rapaz, que corou de vergonha. – É uma futura mãe talvez! – Explicou sorridente. – Você pode deixar anotado, ou algo assim? Meu pai disse que pagará na minha próxima consulta! Sasori o conhece, sabe que ele não é caloteiro.

–Hai, hai, sem problemas. – Gaara deu uma última polida na peça com uma flanela. – O valor da peça é doze mil em dinheiro local, mas aceitamos em qualquer moeda. Avise a ele, ok? – Falou o atendente, pegando a caixinha e pondo-a em uma sacola com o logo da loja. – Boa sorte! E mais uma vez, perdão pelo que eu falei.

– Arigato! E não foi nada, não esquenta! – Disse saindo do local, e sem paciência para esperar o elevador, dirigiu-se a escada de emergência, descendo os degraus freneticamente, até mesmo pulando alguns.

Enquanto isso, Kiba já corria e saltava como um predador de volta à mansão. Sabia que precisaria ser rápido, mas cuidadoso, então segurava o ramo de flores com mais cuidado que estava tendo consigo mesmo.

E não era brincadeira.

Quando iria pular um corrimão, acabou enroscando o pé no metal tropeçando. Foi uma queda feia, e antes de se espatifar no chão de concreto, girou seu corpo de forma que o ramo de flores ficasse são e salvo. Bateu com força as costas no chão. Se ralou inteiro; a coxa, parte do rosto, braços e cotovelos... Mas, no seu ponto de vista, se o buquê estava bem, ele também estava.

Se sentou no chão com certa dificuldade e avaliou o estado das flores: impecáveis. Pensando em quão era sortudo e azarado ao mesmo tempo, levantou-se rapidamente, e em ritmo mais lento e manco, seguiu seu rumo. Quase todo seu corpo doía, mas não podia se preocupar com isso agora.

Em uma esquina, quando se preparava para atravessar a rua, viu uma cabeleira loira passar por si como um raio por si.

– Naruto! – Berrou chamando a atenção do tal raio, que parou e voltou, avaliando rapidamente o moreno.

– Achei que só nos veríamos em casa e... – O menor parou para observar o melhor estado do amigo. – O que aconteceu com você? – Perguntou levando a mão ao ombro do amigo, e aproximando o rosto da bochecha dele para observar os arranhões e o garoto gemeu de dor.

– Tive um encontro conturbado com o chão. Parece que ele não gostou muito das flores. – Brincou, o que fez Naruto rir. – Mas olha, elas estão intactas! –Vangloriou-se, entregando o buquê à Naruto, pois sua mão ardia muito, coisa que ele não disse para não preocupar o loirinho. – Se você visse o tombo que eu levei, você diria que eu merecia uma medalha por esse feito.

– Você é muito, mas muito babaca mesmo, Inuzuka Kiba. – Negava com a cabeça para completar a repreensão. – Vamos logo, você precisa de uns curativos.

Depois disso, ambos seguiram correndo para casa, para levar os troféus de sua maratona para Minato.

Esta já havia tomado banho, e agora terminava de por seu terno e dava uma bagunçada em seu cabelo, porque não queria ficar com ele "lambido". Estava ficando cada vez mais aflito. Pretendia sair às 19h15min para pegar Mei e ir até o restaurante que havia escolhido e feito uma reserva para as 20h15min. Uma hora daria tempo de sobra. Mas, seu relógio de pulso, o mesmo que Sasori consertara, marcava sete em ponto e nada dos garotos aparecerem. Pensava em mil e uma coisas horríveis que poderiam estragar a noite, e como sua sorte era horríve pelo menos novecentas delas poderiam ocorrer.

Estava entrando em parafuso, mas aquele barulho da porta se abrindo, junto daquele grito o fez respirar mais aliviado. Nunca ficou tão feliz em ouvir o grito do seu filho.

– Tadaima! – Berrou um loirinho com o resto de fôlego que lhe sobrava. Minato correu para a sala, sentindo-se uma tonelada mais leve. – Demoramos um pouco, desculpa. Tem bastante movimento a essa hora, até mesmo nas calçadas! Ah é, o “Bakiba” se esborrachou, também.

– Mas o buquê está intacto, do jeito que eu prometi! – Gabou-se com um sorriso brincalhão e orgulhoso ao mesmo tempo.

– Você está bem? Eu posso levá-lo até o hospital e...

– Eu estou bem. Nada que uns curativos não resolvam. – Disse estendendo as flores a Minato. – Agora, honre o sacrifício que eu fiz por essas flores e faça uma mulher feliz! Vá pegar a sua garota! – Deu-lhe uma piscada de olhi,

– Isso aí! Veja, aqui está um belíssimo par de brincos de prata com pedras de esmeralda, no capricho! – O loirinho estendeu a sacola ao pai. – Doze mil bem gastos, sem dúvidas!

– Vocês merecem uma recompensa garotos. Vocês são os melhores! –Agradeceu o maior olhando em sue relógio. – Mas me cobrem a recompensa outra hora! – Ditou, batendo as mãos em seguida, e começando uma minimaratona pela sala. – Fiquem bem! Volto tarde! Peçam uma pizza para jantar! Não durmam com fome! E Juízo! Nada de prostitutas! Se o Naru incomodar ou incorporar a Nicki Naru, chame a polícia! Jaa ne! – Berrava as recomendações aos garotos à medida que pegava os seus pertences, e em seguida saiu correndo pela porta.

– Nicki Naru? – Indagou o Kiba com tom de deboche. – É irmã da Cameronaru? – O moreno aiu na gargalhada. Só parou para gemer de dor causada pelo soco que tomou no braço já dolorido.

– Urasai Kibaka! – Retrucou nervoso e corado de vergonha. – Vai tomar um banho. Vou pegar os primeiros socorros para remendar você. – Disse ele se afastando e resmungando. Kiba riu e foi fazer o que foi lhe pedido.

Já no porsche cayenne branco da família Namikaze, um loiro nervoso e bem arrumado ia ao seu tão esperado encontro. Ele usava um terno italiano feito sob medida na cor preta, sapatos bem lustrados também pretos e camisa branca. A gravata que completava o belo traje era de cor turquesa, a mesma cor dos olhos de Mei. Seus cabelos loiros estavam bagunçados como sempre, e isso lhe dava um ar jovem e lhe caía muito bem. Usava também um perfume importado. Estava realmente pronto para impressionar. No banco do carona, a sacola com a joia comprada pelo filho e no banco de trás, o buquê comprado por Kiba.

Era possível estar confiante e apavorado ao mesmo tempo?

Depois de longos minutos de angústia, o loiro finalmente parou o carro em frente ao hotel em que a moça estava hospedada. Usou alguns minutos para se recompor e tomar uma grande dose de coragem, para então sair do carro com a sacola em mãos. Foi até a porta de trás e pegou o buquê, para então ir até a recepção mandar avisar que já havia chegado.

Minato andava de um lado para o outro em nervosismo, suspirando profunda e pesadamente. Ele ainda não acreditava que estava naquela situação. Sinseramente, ele havia pensado que nunca mais iria a um encontro romântico com alguém. Depois de Kushina, se envolver com alguém não era prioridade. Mal era uma o opção. Mas, surgiu Mei e BOOM, ali estava ele, com as pernas bambas novamente.

E não demorou muito para o elevador então se abrir e revelando a dona de um dos mais belos olhares que Minato já havia visto na vida. Estava mais bobo do que criança ao ver truque de mágica.

Ela usava um vestido preto simples, mas que lhe caiu muito bom. A peça ia até o meio da coxa da mulher, era preto, tomara que caia e vinha justo até a cintura, e dali para baixo era mais solto. Não reparou muito nos detalhes em renda. Quem repararia? Na cintura ela um cinto de cor turquesa com um tope. Tudo isso em cima de um belo salto Louis Vuitton também preto. Na mão, fora alguns anéis, levava uma pequena bolsa de mão, sem alça. Tinha a franja caída em seu olho esquerdo e o restante do cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto. Já a maquiagem era leve, com exceção do batom Pink. Sem dúvidas, estava linda. Pelo menos aos olhos de um loiro deslumbrado, estava. Parecia alguma das amigas da Barbie. Ele rezava para estar à altura de algum dos amigos do Ken.

– O-oi... – Disse o loiro um tanto abobalhado enquanto fitava a mulher que se aproximava. – V-você está linda! – Na sua mente, se recriminava e se xingava por gaguejar como um panaca. Sabia que provavelmente estava com o rosto e as orelhas coradas.

– Olá Minato, boa noite. – Respondeu-lhe cordial e lhe dando um beijo amistoso na bochecha. – Tenho que devolver o elogio, você está lindo também. E cheiroso. – Deu um sorriso aberto. Kushina, em seus melhores dias, que lhe desculpasse, mas aquele era o sorriso mais belo que já vira.

Apesar de não demonstrar, Mei estava nervosa também. Suas mãos estavam geladas. Apesar de se recriminar por isso, ela tinha de admitir para si mesmo que Namikaze Minato era diferente. Nunca viu nada demais nele lendo aqueles artigos chatíssimos das revistas de negócios, que ficavam na mesa da sala de espera do seu dentista. Foi quando conheceu o loiro melhor, quando viu quem ele era de verdade, que ela se viu mexida pelo outro. E agora estava ali, suando frio pelas mãos.

– Ah, isso é pra você! – Falou estendendo-lhe o belo buquê e a sacola com a joia, fazendo-a acordar de seus pensamentos. Não fazia ideia de quanto tempo silêncio havia se instalado ali. – Espero que goste, não queria dar somente flores, então... Espero que goste! – Vociferou nervoso. Minato, você merece uma surra daquelas! Recomponha-se, homem! Sua mente gritava.

– Minato! Não precisava... – Disse admirando ambos os presentes encantada. –É lindo. Eu amei! Esses brincos devem ter saído caro! Não precisava ter gasto comigo! Mas os brincos são lindos! Eu deveria ter comprado algo pra você também. – Finalizou, guardando a joia na sacola.

– Sua companhia já me é suficiente. – Sorriu maroto. Finalmente, dei uma dentro! – Vamos?

– Ah, claro. Posso saber aonde vamos? – Ela perguntou, aproximando-se do carro, mas foi impedida de abrir a porta.

– Um restaurante italiano no centro da cidade. – Explicou abrindo a porta do carro para que Mei entrasse, fechando a mesma em seguida e entrando no veículo também. Cavalheiro, pensou Mei. – Costumo ir lá somente acompanhado pelo Naruto, pois a maioria dos chef’s e garçons apenas falam italiano. Eu garanto, é excelente!

– Espera, o Naruto fala italiano? – Mei olhou para o loiro, que já arrancava com o carro, recebendo um maneio positivo de cabeça e um sorriso divertido.

– Fomos lá certa vez, ele tinha sete anos. Além de fazer o pedido em italiano, ele e o garçom ainda conversaram no idioma. – Contou tirando os olhos rapidamente da estrada e os voltando para a mulher. – Foi engraçado ver a cara de espanto das pessoas.

– Eu imagino. – Riso. – Naruto é incrível, não é? – Disse Mei em tom de admiração.

– Sem dúvidas.

– Passei pouco tempo com ele, mas ele me cativou bastante. É educado, inteligente, divertido... Você deve ter um orgulho do filho que criuou!

– Eu tenho! É do que eu mais tenho orgulho nessa vida, Mei. – Minato abriu o sorriso mais largo que seus lábios podiam dar. Seus olhos brilhavam em animação. Realmente se empolgava ao falar do filho. A modelo admitiu em seu interior que os traços do loiro eram muito belos. Não só os físicos.

Após vários minutos de uma viagem tranquila, regada a conversas aleatórias, os dois chegaram ao destino. A fachada do lugar ela linda, Mei estava deslumbrada. O restaurante tinha uma aparência rústica e sofisticada, num equilíbrio majestoso.

Minato desceu do carro indo até a porta do carona, abrindo-a para Mei sair, ouvindo um "obrigada" em resposta. Após isso, fechou a porta e ativou o alarme do carro. Fez um gancho com o braço, oferecendo-o para que Mei, que logo transpassou o seu próprio braço pelo de Minato. O seu charme é inegável, pensava a mulher. Ambos abriram sorrisos bobos.

Eles entraram no estabelecimento, sendo recepcionados e levados até a mesa que o homem reservara. Logo os dois já estavam sentados à mesa, esperando os pedidos que depois de algumas dificuldades e risadas, conseguiram fazer. Sempre que cruzavam olhares eram obrigados a sorrir envergonhados.

– Já li várias matérias sobre você, Minato. – Mei contou bebericando o vinho em sua taça. – Você não parece muito com o que eu vi nas revistas.

– Isto é bom? – Questionou também bebendo o conteúdo da taça.

– Acho que sim. – Ela riu. – Você me pareceu àqueles ricos arrogantes, mas não é nada disso. Você é um doce. – Disse sorrindo sincera. – Você tem uma alma pura, entretanto parece que já sofreu bastante. Resumindo, você me parece um ótimo homem, mas difícil de decifrar. – Comentou ela, pegando garfo e faca para comer a macarronada que havia recém chegado. Resolveu que quebraria a dieta naquela noite.

– Isto é bom! – Riu ele, preparando-se para saborear a refeição também. –Sempre fui alegre e procurei ser o mais espontâneo possível. A parte do “sofreu bastante” vem de mais tarde, depois do rompimento com Kushina, eu acho. – Murmurou a ultima parte com certo pesar.

– Sem querer ser metida, mas já sendo, posso saber o motivo da separação? – Indagou insegura. – Mas se não quiser falar, eu entendo, tudo bem.

– Não, tudo bem, não preciso esconder nada... – Fez uma pequena pausa para comer uma garfada de sua refeição. – Não foi bem um rompimento. Após muitas e muitas brigas, ela simplesmente fez as malas e saiu de casa sem nem ao menos se despedir de mim ou de Naruto. – Confessou triste, com a voz mais pesarosa que antes.

– Isso é terrível! Na verdade, é desumano! – Mei estava revoltada, não conseguia esconder.

– Pois é... Desde então, me viro para criar Naruto como posso. Sempre tentei ser forte, mas confesso que chorei muitas madrugadas e tenho certeza que ele ouvia. – Riu amargo fitando um ponto aleatório da toalha que cobria a mesa. Em sua mente, as memórias passavam como filmes. – Quem acabou sendo forte por mim, foi ele... – Disse com os olhos já enchendo d’água. Mei pegou de Minato que estava sobre a mesa e apertou em solidariedade. Estava tão sentida quanto ele, e não sabia o que dizer. Foi instintivo. – Desculpe, não te convidei para jantar e ficar falando dos meus problemas!

– Não, me desculpe você, eu que não deveria ter perguntado... Desculpe mesmo. – Disse ela arrependida. – Eu mal consigo imaginar a barra que você deve ter passado.

– Não se preocupe comigo, Mei... Eu agradeço, mas não precisa. – Falou abrindo um sorriso, típico da família. – Mas me fale sobre você. – Completou olhando para a sua mãos entrelaçada com a dela, aproveitando o contato e acariciando a mão da moça com o seu polegar.

– Oh, não tem nada demais! – Bufou com descaso.– É a história da menina estranha que queria ser modelo. – Ela confessou rindo. – Na escola eu era toda desengonçada. Eu era magricela, mas era chegada em um barraco! Nada glamourosa! – Gargalhou alto, aparentemente em um momento de nostalgia. –Enquanto as outras garotas vinham querer arranhar, eu dava logo socos, chutes e tapas. – Continuou, vendo que o loiro gargalhava também.

– Mas você se metia em muitas brigas? – Ele questionou envolvido pela história, recebendo um maneio positivo de cabeça, porque a mulher estava gargalhando e não conseguia falar. – Por que?

– Eu nunca fui de levar desaforo pra casa! – Respondeu, já mais calma. – Me chamavam de vários apelidos pejorativos, aí eu ia lá e socava a cara delas. Com o tempo elas pararam.

– Elas perderam todos os dentes e não conseguiram mais te xingar? – Perguntou zombeteiro, vendo Mei cair na gargalhada novamente. A mulher levou a mão ao peito num ato desesperado.

– Ai, Minato, você não existe! – Vociferou com a respiração ofegante. – Mas não, elas apenas pararam. Medo, talvez. E, encurtando a história, certo dia resolvi mudar eu resolvi mudar. Trabalhava em uma lojinha e economizei meu salário vários meses, até que me dei um “banho de loja”. Moral da história: fui descoberta por um olheiro bem cedo e me tornei modelo. – Concluiu e buscou a taça de vinho para mais alguns goles.

– Uma história interessante para uma mulher interessante. – Comentou o loiro entre risos e já terminando de comer sua refeição. – Sabe, minha vida atualmente é meu trabalho e Naruto, e isso já é o suficiente para acabar comigo. É difícil manter tudo e conciliar as coisas, apesar de Naruto ser bastante compreensivo e auto-suficiente.

– A minha é viajar por aí, sem um lar fixo. Sempre voando, em hotéis, desfilando, fotografando... É uma correria. – Contou terminando sua refeição também. – Mas, e como vai o Naruto? Está melhor? Ele estava meio esfolado da última vez que o vi!

– Está sim, esse garoto se recupera muito rápido e, aparentemente, Kiba também. – Riu, mas logo fechou a expressão em uma cara contemplativa. – Ele está bem até demais! Hoje pela manhã, Naruto me mandou não estragar tudo com você. – Confessou erguendo os olhos para Meie, que sorriu. – Ele disse que eu não devo mais referir-me a Kushina como sua mãe. – Mei ficou um tanto espantada. Era algo muito forte.

– Ele também passou por maus bocados por causa dessa mulher... É até compreensível. – Disse ela, com um olhar vago. As mãos de ambos, em algum momento após o fim da refeição, voltaram a se unir.

– Ele gosta muito de você... – Falou fitando os olhos turquesa da mulher. –Disse que é o mais próximo de uma mãe que ele já conheceu.

Mei sorriu ternamente. Seus olhos estavam marejados pelo que acabara de ouvir. Minato sorriu e com seus polegares, limpou as lágrimas que teimaram em correr pelo canto interno dos olhos da moça, junto com um pouco de maquiagem preta.

– Parece que aquele mulherão das revistas também tem seu lado sensível, não? – Minato cutucou e Mei tampou o rosto com as mãos, um pouco envergonhada – Você não deveria esconder seu sorriso. Ele é lindo... – Concluiu, apoiando a cabeça em sua mão esquerda, olhando fixamente para a mulher, que não sabia o que responder.

O loiro mexera com ela. Ela nunca se encantara tanto por alguém como por ele. Seu olhar, sua postura, seu perfume, sua presença... Minato era mesmo um em um milhão.

Após mais um tempo de conversa, o loiro pagou a conta e ambos saíram do restaurante assim como entraram; de braços atados. Eles foram até o carro e seguiram rumo ao hotel em que Mei estava hospedada.

O jantar foi muito bom na perspectiva dos dois. Fluiu muito bem e as horas passaram voando. Pouco tempo depois, já estava em frente ao grande hotel. Ambos lamentavam mentalmente o fim da noite que compartilharam.

Minato parou o carro em frente à construção imponente. Estavam parados ao lado do carro, mirando qualquer coisa na paisagem. Estavam em silêncio, ninguém sabia o que falar.

– Eh, bem... – O loiro tentou começar uma frase coerente, mas o nervosismo adolescente confundia seus pensamentos. – Eu espero que a noite tenha sido tão boa para você quanto foi para mim... – Murmurou envergonhado e um pouco sem jeito, enquanto brincava com os dedos. Realmente parecia um adolescente. – Eu me diverti muito e amei sua companhia.

– Eu adorei tudo, Minato. Do início ao fim. Vamos repetir qualquer dia desses. – Falou sorrindo, o que fez Minato ter coragem de fitá-la diretamente.

– Isso é bom! – Exclamou a mesma frase novamente, de forma entusiasmada, o que fez Mei rir. – Eu estava muito nervoso com isso... Sabe, estava enferrujado em encontros. – Confessou. Só depois de falar, pensou que podia ter dito alguma besteira. Talvez o loiro fosse paranoico. – Espera, isso foi um encontro né? Tipo romântico? – E o lado abobalhado estava de volta. – Eu falei bobagem? Se você não levou isso como um encontro, mas sim como um programa de amigos, eu peço desculpas e... – O falante loiro nervoso não conseguiu concluir sua frase, pois fora deliciosamente cortado pelos lábios da modelo, que colaram-se aos seus

Um beijo.

Um beijo simples, mas suficiente para transmitir o carinho da mulher. Um simples colar de lábios, mas que fez o loiro congelar e arregalar os olhos. Um beijo que fez com que as pernas de Minato ficarem bambas e seu coração ficar acelerado. Parecia o seu primeiro. Mei não estava diferente. e

E, de certo modo, realmente era um primeiro beijo. Era o primeiro de muitos. O primeiro de uma nova vida. O primeiro de um novo amor.

Após conseguir assimilar o que acontecia, serrou os olhos e levou as mãos até a nuca de Mei, aprofundando o contato, tornando-o mais lascivo e desejoso. Quando o fôlego lhes faltou, separaram-se. Ambos abriram um sorriso um tanto travesso.

– Boa noite, Minato. – Murmurou Mei, levando suas mãos ao rosto do outro, dando-lhe um último selinho e limpando o resquício de saliva dos cantos da boca dele. Foi só nesse momento em que reparou no quão profundos e marcantes eram os traços faciais do loiro. Foi aí que ela se apaixonou por eles...

Minato era perfeito!

– Boa noite, Mei. – Despediu-se, arrumando a franja da mulher com os dedos, pondo-a atrás da orelha. Só então reparou no quão comprido era o cabelo dela. Em como ele era bonito e contrastava bem com seus olhos. Foi aí que se apaixonou pelas nuances dela...

Mei era perfeita!

Após isso, Mei entrou no prédio de posse de seus presentes, não sem antes agradecer mais uma vez pela noite. Assim que a porta do elevador se fechou, ela começou a pular e comemorar. Pôs toda sua euforia para fora. Sem dúvida, parecia uma adolescente apaixonada!

Do lado de fora, a situação não era diferente. Minato pulava agitava os braços como uma criança hiperativa. Não sabia mais como extravasar tanta alegria! Ele gargalhou e gritou tão alto, que todos os outros hóspedes do hotel poderiam ter facilmente o ouvido!

E que ouvissem mesmo! Ele não ligava! Estava apaixonado mesmo e não precisava esconder de ninguém!

...

Neste meio tempo do jantar dos apaixonados, Naruto e Kiba tiveram uma noite normal. Nada de safadezas e nem prostitutas, como recomendara Minato. Como solicitado, Kiba tomou banho e após isso, Naruto cuidou de seus arranhões. Não economizou no spray desinfetante, que era ardido.

Depois disso, assistiram à TV, jogaram vídeo games e pediram pizzas para o jantar. Mais tarde, Naruto tocou algumas músicas em diversos instrumentos, apenas para provar a Kiba que sabia, pois o mesmo duvidava. Comeram chocolate e assistiram filmes de comédia e também de terror.

Depois de tudo, Naruto preparou a bicama de seu quarto para Kiba dormir ali. Apenas de cuecas e cada um em sua cama, conversaram mais um pouco até finalmente entregarem-se ao sono. Fora uma noite de garotos bem divertida, sem dúvidas.

Pouco depois da uma hora da manhã, Minato chegou em casa. Passou no quarto do loirinho e sorriu ao ver seus “dois filhos” dormindo. Minato já tinha Kiba como uma espécie de filho. Nutria um carinho pelo mesmo. Ele lhe lembrava muito alguém.

Vendo que estava tudo tranquilo, foi fazer o mesmo que os dois. Tirou o seu terno e largou-o sobre uma cadeira. Não estava com paciência para organização. Tomou um banho quente e foi dormir. E dormiu muito feliz, sem sombra de dúvidas.

Notas finais
Gostaram? Bom, quero ver quem realmente ainda está aqui... Mandem reviews e façam minha felicidade! Poxa, eu mereço, fui tão querido e fiz um capítulo ENORME pra vocês e postei antes do previsto... BEM antes... Queri ver leitores novos também, pois desde que pausei inside tem uns 15 ou 20 novos.. ME AMEM! :3 Espero que gostem... Tantas informações nesse capítulo.. Betado pelas coxas. Inside ainda não está de volta, mas tenho mais um capítulo que não é muito importante pela metade, quando terminar postarei... Ai começarei a escrever os novos capítulos, tornando Inside algo mais dark, quem sabe... Esse foi pra matar as saudades e porque amo vocês... Me amem também! Falem comigo, mandem reviews, recomendem se quiserem... To feliz hoje!Espero ver vocês nos reviews... Beijo do Tio Killua! :D Jaa ne!