Insanity

3 No Regret 2 B Insane


Thalia estava realmente entretida puxando os fiapos do tecido caro do seu vestidinho cor de rosa completamente fru-fru. Ela ouvia o monólogo chato e entediante de seu pai e um velho careca de barba e bigode grisalhos, prestando atenção o suficiente para saber que a empresa ia muito bem. Obrigada. Não sabia porque o homem correspondente à sua figura paterna ainda fazia questão de a levar a estes encontros de negócios, se já tinha a Miss Vinte e Sete anos de idade para o acompanhar a onde quisesse. O fato é que aquilo conseguia ser ainda mais entendiante do que a aula de história que assistira naquela tarde.

O coquetel de frutas cítricas sem álcool a sua frente estava pela metade e o sabor ácido de sua boca a estava deixando com náuseas. Precisava sair dali o mais rápido possível. A essa hora, Annabeth e Percy deviam estar encontrando Ares, o que só a deixava mais tensa ainda, já que estava sem notícias. Pensou em ligar para Nico, para ver se ele sabia de alguma coisa, mas do jeito que o moreno não estava nem aí para nada, provavelmente deveria saber tanto ou menos do que ela.

Sem dúvida nenhuma o que a deixava mais preocupada era a maluca psicopata de Annabeth. Só Deus sabe o que aquela garota era capaz de fazer, e Thalia esperava do fundo de seu coração que Percy conseguisse a controlar, porque se ficasse só por conta da loira as coisas provavelmente sairiam do controle. A falta de informações a estava consumindo, e seus lábios já estavam ardendo de tanto que ela os mordera. O que será que Ares sabia?

Com o resto de educação que a restava, pediu licença e sobre o olhar pegajoso e irritante de sua Najastra se retirou da mesa. As vezes ela se perguntava se era conseguia enxergar a temperatura das pessoas como as cobras, de tão víbora que ela era. Foi ao banheiro, andou de um lado para o outro, lavou as mãos, andou de um lado para o outro mais um pouco, e até mesmo usou do fio dental de menta que havia ali. Mas nada a deixou mais tranquila. Suspirando, ela pegou o celular e abriu em alguma das suas redes sociais. Talvez ao menos isso a distraísse.

Foi pulando de uma foto a outra. A maioria era de pessoas da escola, ou de pessoas de outras escolas, ou de conhecidos. Havia alguns vídeos do Instagram de academia que seguia e coisas do tipo. Já ia bloquear a tela para guardar o celular e voltar à mesa quando uma foto especial a chamou atenção. Era de um dos garotos do time de futebol, em uma festa, haviam vários outros caras com ele. Mas o que a deixou preocupada foi o moreno de olhos verdes. Rapidamente procurou a quanto tempo a foto fora postada e verificou que faziam poucos minutos.

Respirou fundo, tentando controlar a respiração. Calma Thalia, a foto podia ser velha, não precisava necessariamente ter sido batida naquela hora. Não é? E de qualquer forma, com os dedos trêmulos, digitou o número conhecido de Percy Jackson, torcendo cada vez mais para que ele não atendesse.

Simplesmente não era possível que ele tivesse deixado Annabeth ir sozinha. Não era possível. Só Deus sabe o que aquela doida era capaz de fazer. Já podia até imaginar o que apareceria na capa do jornal no dia seguinte, ou a polícia indo a sua casa para a prender. Por Deus! Se é que ela ainda tinha o direito de proclamar o seu nome. Ela simplesmente não podia ser presa. Era nova demais para isso, nova demais.

Percy atendeu no quinto toque, sua voz soava estranha.

– Alô. — ele parecia alegre demais

– Percy? Onde você está?! — Thalia falou, depressa demais

– O que?! Não estou te ouvindo! — sua voz estava abafada, como se ele cobrisse o celular para falar — A música está muito alta!

– Percy você bebeu?! — ela pergunta — Onde está a Annabeth?

– Annabeth? O que? — podia ouvir as vozes do outro lado da linha, a música alta

– Onde está a Annabeth, Percy?!

– Comigo, infelizmente, é que não é. — ele falava arrastado, Thalia podia apostar que estava bêbado

– Percy, você tinha que ter ido com ela!! Você sabe as merdas que ela pode fazer?!

– Com ela pra onde? — era impressão dela ou ele estava soluçando?

– Ela foi encontrar o Ares! — Thalia bufa — Perseu, você é o maior irresponsável de todos os tempos! Se vira e vai atrás dela agora mesmo!!

Ela desliga o celular e o joga com força no espelho.

Não queria nem pensar no que Annabeth poderia estar fazendo agora.

Insanity ☠

Nove.

Dez.

Onze. Doze.

Com um longo suspiro de cansaço e o resto de disposição que lhe restava, Annabeth coloca a bola de pilates cor de musgo que usava em um dos armários e bebe um grande gole da água adicionada de sais minerais que preenchia a sua garrafa cor de rosa. O celular vibra em sua mão, mas àquela altura ela não tinha coragem para sequer digitar o código de segurança para o desbloquear. A sua personal trainer havia mudado a sua série de exercícios para uma muito mais pesada, e suas pernas ainda estavam dormentes devido às séries de agachamentos.

Ainda sentindo a sensação exaustante "pós-treino", ela se encaminha ao vestiário para pegar a sua mochila e lavar o rosto. Com a água gelada escorrendo pela face límpida de maquiagem e rosada, Annabeth avalia o próprio reflexo no espelho: um banho relaxante de banheira com sais de banho de morango e champanhe e talvez algum documentário sobre serial killers ou pinguins a ajudasse a tirar aquela expressão de exaustão.

O celular apita novamente, e com um revirar de olhos Annabeth vê a mensagem piscando na tela inicial.

"17 horas no lugar de sempre"

O número era desconhecido, o que faz Annabeth franzir o cenho, até se tocar de que estava com o celular pessoal. Não se dá o trabalho de responder, simplesmente bloqueia o celular e dirige até sua casa.

Cantarola as letras de algumas musicas enquanto dirige em alta velocidade até o condomínio de luxo em que vivia. A cidade estava praticamente deserta naquela tarde de terça-feira, ao menos, mais que o normal. Estaciona o carro de qualquer jeito no gramado verde e bem tratado do jardim de entrada de sua casa, deixa a grande e pesada porta de madeira bater depois que entra e pega uma maçã suculenta e vermelha na fruteira na bancada da cozinha. Dá algumas mordidas enquanto caminha e tira os tênis cor de rosa e verde neon e as meias, sobe as escadas de mármore pulando os degraus de dois em dois e bate na porta do escritório do pai.

– Pai, trabalhando, sério? — diz, caminhando em meio às estantes de livros e mesas cheias de papel — O senhor devia tentar descansar por alguns minutos, o que acha?

O pai de Annabeth sorri, cansado, e suas sobrancelhas loiras se franzem quando o faz.

– Alguém precisa colocar dinheiro nessa casa, minha filha. — ele diz, divertido — Além de que, eu gosto do que faço.

– Ainda assim, eu posso ver daqui toda a energia negativa que o senhor está exalando. — ela se inclina para dar um beijo nos cabelos claros e grisalhos do pai antes de completar — Acho que a mamãe adoraria uma segunda lua de mel.

Ela dá uma piscadinha com um dos olhos enquanto escuta a gargalhada familiar e agradável do homem, joga o miolo da maçã em um lixeiro e sai do cômodo. Suspira de cansaço e se arrasta pelo longo corredor repleto de quadros de pintores famosos nas paredes até o seu quarto, joga os tênis e o celular com fones de ouvidos na cama cheia de travesseiros e almofadas e se despe. Vai tirando peça por peça no caminho até o banheiro, onde liga o registro da banheira e seleciona os sais de banho. Passa um tempo observando a água preencher o espaço e quando a banheira já estava cheia e quente o suficiente, ela mergulha, sentindo o calor aquecer e acalmar os seus músculos.

Passa algum tempo apenas aproveitando a sensação de paz, os olhos fechados, o tempo parecia ter parado e não havia nenhuma outra coisa no mundo. As vezes, até ela própria se surpreendia com a sua capacidade de superar facilmente as coisas. Já fora o tipo de garota que tinha pesadelos e passava noites em claro por causa de um filme de terror, e agora, a cena da vida se esvaindo de Ares e do seu sangue formando uma poça no chão daquele quarto sequer a abalava.

Havia sido até, de certa forma, divertido. Aquele homem a tirara dos nervos por tanto tempo, que a cena de seus olhos vidrados — vidrados e sem vida por sua causa — eram até algum tipo de alívio e prazer. Podia parecer doentio, mas em seu mundo não havia mais remorso e nem arrependimento, o que estava feito estava feito, e ponto.

A água já estava começando a esfriar e os seus dedos já estavam enrugados quando ela se enrola na toalha branca e felpuda, sentindo o choque térmico. Ela liga o aquecedor da suíte e se demora ao passar hidratante na pele branca e marcada por sardas e pintas. Escolhe uma lingerie confortável e veste meias calças verdes musgo e grossas, uma saia de cintura alta de lã e o seu suéter favorito da Lacoste. Calça sapatos de salto de bonecas e deixa o cabelo secar naturalmente, apanhando o sobretudo negro e a bolsa já na saída do quarto.

– Pai, vou dar uma saída, não sei se volto para o jantar! — grita, já descendo as escadas, o barulho dos saltos finos contra a pedra ecoando por todo o andar

O mordomo — Alfredo, ele cuidara dela por muito tempo enquanto seus pais estavam em viagens de negócios, e também fazia o melhor chá de limão de todos os tempos — a esperava na porta com as chaves de seu carro nas mãos. Annabeth sorri para ele e da um beijo estalado em sua bochecha antes de correr pela calçada de pedras, no frio, até o aconchego do calor de seu carro. As casas de seu condomínio passam depressa enquanto ela dirige até o galpão onde a esperavam, e o barulho solitário do aquecedor era calmante e reconfortante.

Estaciona ao lado de um carro que ela acreditava ser o de Thalia, e caminha tranquilamente até o depósito abandonado. A porta de metal velho e enferrujado range quando ela a abre.

– O que você pensa que fez na noite passada?!– a voz aguda de Thalia a atinge como uma caixa de som tocando rock pesado recém ligada, em meio às suas palavras metralhadas

Insanity ☠

Percy bate à porta do seu armário com força, colocando a mochila azul e negra sobre um dos ombros e bagunçando um pouco mais os cabelos já despenteados. Ele pode escutar algumas segundanistas suspirando quando passa, mas simplesmente as ignora (assim como os "E ai Percy?" ou os "Ei cara, por onde você andou?! Ta sumido ein!") e segue em frente sem desviar de seu rumo. Estava cansado, exausto para ser mais específico, de pessoas ao seu redor, falando besteiras que não o interessavam e fofocando com suas línguas de cobra.

Seu olhar cruza com o eletrizante de Thalia quando ele a encontra no corredor, e pela forma como ela franze as sobrancelhas, ele entendeu que teriam de tratar sobre aquele assunto mais tarde. Apenas confirma sutilmente com a cabeça e desvia os olhos dos aterrorizantemente ferozes da garota. Continua o seu caminho até as portas que levavam a liberdade e suspira quando finalmente está do lado de fora, onde o ar entra puro e gelado em suas narinas.

Sente falta da sensação do pó, mas balança a cabeça para tirar a ideia da cabeça. Ele não podia se viciar, estava totalmente fora de questão: ele não iria usar mais nenhuma vez sequer. Gira a chave do carro em sua mão depois que o destrava, e não se dá o trabalho de abrir a porta, pulando pela janela do conversível e jogando a mochila de qualquer jeito no banco de couro do passageiro. Acelera para fora dos domínios do prédio e coloca uma música alta, não queria nem pensar na discussão que teria de enfrentar mais tarde.

Estava preocupado com o que Thalia poderia fazer com Annabeth, por mais que ele soubesse que a loira tinha capacidade e sagacidade de se defender sozinha. Mas ele sabia que Thalia estava prestes a explodir de raiva, e que a garota teve sorte por ter faltado aula, se não a morena teria dado um jeito de a fazer perder a calma em público, o que não seria nada bom.

Antes do que podia imaginar, e desejar, já estava em casa. Ele suspira, torcendo para que o pai não tivesse chegado do trabalho ainda, enquanto caminha até a porta. Joga a mochila de qualquer jeito no piso branco e brilhante e pega uma cerveja da geladeira sob o olhar reprovador de Judith — a babá/cozinheira mais amável de todos os tempos. Cruza todos os enormes, e desnecessários, cômodos que o separam de seu quarto tentando fazer o mínimo de barulho possível para não chamar atenção.

Da um belo soco no saco de pancadas preto pendurado no teto de seu quarto antes de se jogar de qualquer jeito na cama king size — ele tinha ótimas lembranças de orgias com várias mulheres ali, por isso camas grandes eram sempre úteis — e apanhar o celular no bolso da calça jeans. Toma cuidado, verificando se aquele era o celular pessoal, e digita rapidamente uma mensagem avisando Annabeth sobre a reunião de mais tarde.

Liga o laptop e depois tira o moletom enquanto este inicia, bebe o restante do conteúdo da garrafa em um só gole e digita a senha de acesso. Acessa as planilhas de lucro nos últimos três meses e alguns outros dados de contabilidade que ele detestava, mas tinha de lidar, até abrir em uma página de noticiário online. Uma manchete chama a sua atenção, e Percy suspira ao se dar conta de que Thalia tinha razão.

"Policial é assassinado por amante, que depois se suicida."

Havia uma foto repugnante de Ares nu, com o corpo cheio de marcas e hematomas e sua pele já arroxeada mais roxa do que o normal. Seus olhos estavam fechados e ele tinha a garganta cortada. Já ia clicar para ler mais informações quando a porta de seu quarto é aberta brutalmente e a voz imponente de seu pai ressoa sobre o ambiente.

– Ei, moleque, você não devia estar estudando?

Percy suspira, já sabendo o que vinha pela frente. Ele bagunça mais os cabelos.

– Os meus testes ainda estão longe e eu gostaria mesmo de ter um pouco de...

– Um pouco de que?! Você só vive nessas merdas dessas festas e só se mete em confusão, você precisa crescer, Perseu, crescer! Onde já se viu, como você vai poder herdar tudo que é meu um dia se só se importa em fazer sexo e viver nessas festinhas de merda bebendo e fumando? — os olhos verdes do homem eram exatamente iguais aos do filho, e agora demonstravam fúria

– Olha só, eu não te devo satisfações, eu não preciso do seu dinheiro pra nada! — Percy aumenta o tom de voz, ficando de pé e encarando o pai da mesma altura — Eu faço o que eu bem entender da minha vida, e você não tem que se meter.

– Ah não, seu merdinha filho de uma puta?! — Poseidon Jackson agora estava realmente irado — E de onde você tira essa droga de dinheiro pra contratar prostitutas? Como é que você compra a porra dessas bebidas e frequenta as merdas dessas festas?! Eu não vou mais ficar pagando pra você ser um merda, quando você provar que merece a sua mesada, nós voltamos a conversar.

Percy ri, gargalha na cara do pai, tão irado quanto o próprio.

– Quanto tempo faz que você não checa o caralho da conta do meu cartão, papai? — ironiza — Porque se você olhasse, ia ver que eu não gasto um centavo do seu dinheiro! Eu não preciso de absolutamente nada que venha desse seu bolso podre!

Poseidon desfere um soco no maxilar do filho, seus dentes estavam trincados e os olhos verdes borbulhavam de fúria.

– Você acha que pode me bater?! — Percy grita — Então vem, velhote, eu acabo contigo em dois tempos!

Poseidon o encara por algum tempo, mas por fim, acaba suspirando.

– Eu não sei onde eu errei com você. — diz, sua voz controlada e o olhar sério

Percy o observa fechar a porta e ir embora, e depois desconta toda a sua raiva do pai no saco de pancadas. Fazia tempo que os dois não tinha uma boa relação. Poseidon achava que o filho precisava ser exatamente igual a ele, mas Percy não queria se tornar a máquina em que o pai se transformara. Bom, desde que ele pode se lembrar, o pai só o desmerecia por tudo que ele fazia e deixava de fazer, isso quando estava presente, porque passava a maior parte do tempo viajando a trabalho.

Vai até o banheiro e entra de calça mesmo debaixo do chuveiro, sentindo a água gelada queimar a sua pele e congelar os seus sentidos. Seca os cabelos e depois veste uma roupa seca e moletom, junta os cacos da garrafa que ele havia quebrado — mesmo que não se lembrasse em que momento isso aconteceu — e pega o computador jogado no chão e o desliga.

Mais calmo, já era quase hora de sair. Bate à porta do quarto com força para deixar bem claro para o pai que estava saindo, e faz o máximo de barulho possível ao descer as escadas e atravessar a sala de televisão que era próxima do escritório. Acaba encontrando a mãe antes de sair.

– Você vai sair, meu filho? — pergunta, o olhar vago e a voz suave

– Não, não, só estou indo até a porta pra checar se a maçaneta está lustrada. — diz, irritado

Sally o observa com os olhos castanhos e carinhosos cheios de mágoa, e Percy cede. Por mais que fingisse não ver e nem ouvir as brigas de Percy com o pai, Sally não tinha culpa.

– Olha só, desculpa, ok? — diz, sem parar pra falar com a mãe e já quase do lado de fora da casa — Estou saindo, não sei que horas volto.

O caminho até o balcão era longo, e Percy apreciava isso. Podia sentir o vento frio e cortante atingir o seu rosto e deixar os seus lábios dormentes, e suas mãos ao volante geladas. Ele gostava do frio, por mais que preferisse o verão. Ao chegar lá, os carros de Thalia e Nico já estavam estacionados.

– Se aquela vadia loira se atrasar eu juro que eu a mato. — Thalia dramatiza, andando de um lado para o outro sem parar de falar por um segundo — Ela tem muito o que explicar e eu não vou deixar que...

Ela se interrompe com o barulho da velha porta de metal abrindo e uma Annabeth com o olhar mais indiferente já visto entrando.

– O que você pensa que fez na noite passada?! – ela dispara, antes que consigamos raciocinar qualquer coisa

Annabeth revira os olhos, fechando a porta de metal atrás de si e caminhando tranquilamente até nós. O seu perfume era forte, e os cachos loiros balançavam conforme ela andava. Se sentou em uma das cadeiras de ferro enferrujado e colocou os pés em uma mesa velha e acabada.

Thalia já estava a ponto de enlouquecer, não aguentava ser ignorada e Annabeth parecia não se afetar com o seu olhar mortal e assassino.

– Bom, por que estamos aqui? — ela pergunta, depois de um tempo nos encarando

E ai, parece ter sido a gota d'água para Thalia, que começa a gritar e caminhar novamente de um lado para o outro.

– "Por que estamos aqui?" Por que estamos aqui?!– ela repete — Você é a pessoa mais sonsa e irresponsável que eu já tive o desprazer de conhecer. Aliás, eu nem sei o que você está fazendo aqui, não sei porque você está nisso! Ninguém precisa de uma patricinha metida e idiota que além de tudo isso é uma psicopata que adora sair por aí matando pessoas quando dá na telha. Você nunca segue os nossos planos, e ai tudo sempre da errado e sempre sobra pra nós concertarmos as suas merdas! Annabeth, você é uma vaca estúpida.

Annabeth simplesmente a encara com o olhar indiferente, como se esperasse que ela fosse continuar a falar. Eu ainda me impressionava como ela conseguia não responder aquilo ou continuar com a expressão impassível, mas Annabeth era sempre uma caixinha de surpresas.

– Abra. A. Merda. Da. Sua. Boca. E. Se. Explique. Antes. Que. Eu. Te. Mate. — Thalia fala pausadamente, sua boca estava torta, como sempre ficava quando estava extremamente irritada

– Se você está se referindo ao Ares, você devia me agradecer. — ela diz por fim, se esticando na cadeira e apoiando as duas mãos atrás da cabeça

– Agradecer? — Thalia solta uma risada estranha e irônica, Nico e eu só observávamos aquilo como se fosse uma espécie de pingue pongue — Agradecer você por levantar mais suspeitas, ou por ser uma completa idiota?

Annabeth sorri sem mostrar os dentes, o que consegue ser mais assustador que Thalia descabelada e rindo feito uma descontrolada.

– Thalia, Thalia. — diz, por fim — Você é tão inocente. Acha que tem tudo sob controle, acha que sabe das coisas. O mundo não é esse faz de contas que você acredita, as pessoas não são esses fantoches que você imagina. Você acha que basta estralar alguns dedos e pronto, tudo vai estar resolvido. Basta pagar alguma mixaria e pronto, os segredos serão guardados. Mas me deixe lhe falar uma coisa: só há uma forma de acabar com um segredo, e é o fazendo ser enterrado junto com a pessoa que o guarda.

Annabeth se levantou, e agora era ela quem caminhava de um lado para o outro, falando calmamente. Ela sustentava o olhar de Thalia tão ou mais intensamente que a morena.

– Ares não ia fechar o bico, homens são incontroláveis e você já devia saber disso. Você pode dar o que ele quer agora e ceder à chantagem, mas depois ele vai voltar e vai pedir mais, e ai tudo só vai virar uma bola de neve. Ares sabia demais, muito mais até do que nós imaginávamos que ele sabia. — ela para de andar, desvia o olhar do de Thalia e passa a encarar nós três — Doentio seria deixar alguém como ele, que sabia o que ele sabia, vivo.

Nico pigarreia, finalmente cortando o silêncio de alguns minutos que havia se instalado.

– O que você quer dizer com isso?

Annabeth o encara, os dedos finos e compridos passeavam pela própria saia de lã.

– Eu quero dizer que ele tinha mais informações do que apenas aquele bordel. Muito mais informações do que a prostituição. — ela fala — Ares sabia sobre o tráfico.

Ela desvia o olhar, e os seus olhos cinzas encontram com os meus antes que ela os desvie e volte a falar.

– Ele sabia os nossos nomes.

Eu a encarava sem saber o que dizer, e o silêncio era tanto que eu escutava a respiração pesada de Thalia.

– O que você fez? — pergunto

Annabeth me olha, e era estranho e desconfortável ser encarado pelos seus olhos penetrantes.

– Ele queria transar comigo. — ela fala, com uma expressão de nojo — Eu já havia puxado a sua ficha e sabia que ele tinha uma espécie de caso com uma das prostitutas. Mandei ele me esperar em um dos quartos e pedi para que ela fosse o encontrar lá depois de algum tempo. Eu fingi que ia dar pra ele...

O seu olhar era vago, e eu senti o meu estômago contrair só de imaginar as mãos ásperas e nojentas daquele homem tocando a pele macia e branca de Annabeth.

– E aí eu o matei. Eu já havia o chicoteado e o algemado a cama, e então depois simplesmente enfiei o canivete no seu pescoço. — diz, com naturalidade — Roxele chegou pouco tempo depois, e ai eu só precisei enfiar o mesmo canivete em sua barriga e esperar que ela morresse de tanto perder sangue.

– Você é louca, completamente psicopata. — Thalia diz, mais calma, mas seu olhar demonstrava medo — Quem em sã consciência conseguiria planejar isso tudo e depois descreveria isso com tanta indiferença.

Nico e eu apenas ficamos calados, e Annabeth da de ombros.

– Eu só fiz o que tinha de ser feito. O idiota era burro demais pra escrever isso em algum canto, aposto que ninguém mais sabia porque o mané queria se vangloriar de ter descoberto o caso sozinho. — ela suspira, retirando alguns fios de cabelo do rosto — É de se surpreender que ele tenha chegado tão longe.

– Você ia transar com ele? — digo, quando finalmente consigo falar alguma coisa

Annabeth me encara divertida, seus olhos cinzas não pareciam mais tão duros como aço, mas sim mais suaves, como uma tempestade de verão. Percy só conseguia pensar em como ela podia ser tão diabolicamente perfeita, e em o que aquele ser repugnante poderia ter feito.

– Claro que não. — ela diz, contendo a expressão de nojo — Pobre Roxele, o pênis daquele cara era tão pequeno, roxo e enrugado que mais parecia uma uva passa.

Rimos um pouco, por mais que o clima ainda estivesse tenso.

– Bom, era só isso? — ela pergunta, se espreguiçando e jogando a cabeleira loira de lado

– Na verdade, não. — Nico sorri — Tenho mercadoria nova pra mostrar pra vocês.

Seis caras altos e fortes entraram no galpão, cada um segurando uma garota vendada e que tinha a boca coberta por um pano imundo. Dois deles eu reconheci como Charles Beckendorf e Octavian, os outros não fazia ideia de já ter visto.

– A segunda da esquerda foi comprada por um cara de Ohio por oitenta mil. — diz, indicando com o queixo uma garota pequena e de pele morena — A última está em negociação entre um sul coreano e um cara da Austrália. O restante ainda está à venda, ou pode ir pra algum dos bordeis.

Thalia as analisa, as garotas tinham alguma espécie de olhar mais clínico que nós homens.

– A quarta é muito gorda, vai precisar de um regime antes de ir pro catálogo. — diz, por fim

– E a primeira é muito velha, fala sério, quantos anos essa mulher tem? Quarenta? — Annabeth pergunta, a testa franzida e a expressão de nojo e indiferença

Sorrio malicioso.

– Eu não me importaria de fazer um test drive.

Annabeth me encara com uma sobrancelha arqueada, sorrio de volta.

Ela se levanta, pegando a bolsa e se dirigindo à ninguém em especial enquanto sai.

– Vejo vocês no inferno amanhã. — fala, se referindo a escola

E de qualquer modo seria verdade, porque o que quer que acontecesse, de um modo ou de outro, todos nós tínhamos um lugar reservado pertinho do diabo.

Notas finais
Hey, one less lonely girl aqui! MIL MILHÕES DE CENTENAS DE MILHARES DE DESCULPAS PELA DEMORA, DE VERDADE, GENTE EU SINTO MUITO MUITO MUITO. Eu queria mesmo ter voltado antes, mas como eu tinha dito no capítulo passado, ta tudo muito mais corrido do que eu imaginava que seria, e eu tô sem tempo até pra respirar direito. Eu cheguei de viagem e ai fui direto pro colégio, e ai o terceiro ano começou com tudo e tem prova/simulado do ENEM/redação toda semana. Eu engordei mais nesses 3 meses do que eu já tinha engordado na minha vida inteira, e também to com uns probleminhas na coluna de passar tanto tempo sentada/deitada estudando. Isso tudo só pra vocês terem uma noção de como a situação ta difícil. Mas, eu sei que também tive o carnaval e semana santa pra escrever e peço desculpas por isso. Acontece que eu acabei viajando com uns amigos no carnaval (o que foi ótimo, porque eu precisava mesmo espairecer um pouco depois de chegar e entrar direto nos testes). E na semana santa eu tive simplesmente o pior bloqueio criativo de todos os tempos, juro que tentava sentar pra escrever, mas não saia absolutamente nada. Nem eu nem a filha do sol queríamos escrever qualquer merda, e por mais que o capítulo não tenha ficado essas coisas todas, foi realmente o melhor que pudemos fazer. O próximo capítulo vai ser BEM mais emocionante, então preparem os forninhos e amarrem os eletrodomésticos porque vai ser nao recomendando para pessoas que shippem... Bom, segredo super secreto! Eu queria agradecer demais demais demais a todo mundo que ta acompanhando/comentando/favoritando, de verdade, vocês estão me dando forças pra continuar escrevendo em meio a tudo isso que ta acontecendo. Algumas coisinhas e notícias chatas tão me atrapalhando um pouco, mas eu não preciso aborrecer vocês com isso, pelo menos não tão cedo. Espero que não tenham esquecido da fic, e de mim, e continuem por aqui! Já estou aceitando as ameaças de morte pelos reviews, e juro de coração que vou tentar não demorar tanto!! Também tenho uma fanfic que maravilhosa em que eu estou mais que viciada pra recomendar, então deem uma olhadinha! Se chama Bad Girls da Mrs. Evans, e senhor, eu só falto enfartar de ansiedade pro próximo capítulo! É isso, me amem nos reviews e espero voltar em breve e o mais rápido que puder com o próximo! Kisses