Insane
2 Capítulo 2- Um dia terrível
O dia foi um completo inferno. Como se fosse minha culpa o fato de que aquela gente podre freqüentasse logo o colégio mais importante da cidade. O logo da escola era tão temido e desprezado como uma suástica, e nós tivemos de ouvir calados os sermões que deveriam ser para os alunos até então suspensos. A diretora foi de sala em sala, tomando as melhores aulas e agendou uma palestra para o dia seguinte, pois “A população não pode esperar, principalmente quando se fala em segurança, o que é o mínimo que um cidadão que paga imposto tem o direito de receber, e etc, etc, etc” como se não tivéssemos ouvido o mesmo texto do porteiro, da faxineira, da professora de história, da de geografia... Mas nada que me incomodasse tanto quanto o fato de ter visto todos os pequenos psicopatas na escada da entrada do colégio, um deles pendurado em um ponto acima do portão, onde se situava um crucifixo. Ele foi passando de mão em mão, depois arremessando, até que um deles, o mais drogado e pervertido jogou-o numa poça em frente a escola, coisa que só eu vi, o que me fez ficar no mínimo encrencada. O pior deles, o do crucifixo, se aproximou de mim, e chegando cada vez mais perto do meu rosto disse:
–Você não vai abrir a boca para ninguém né, docinho?
–Não -gaguejei um pouco- claro que não!
–Mas cadê toda aquela convicção daquela certinha?
–Todas elas são, cara. Não vai implicar com a menina por causa disso...- disse o mais velho.
–Cala a boca! Agora eu quero ouvir de você – começou a segurar o meu cabelo — vai ficar quieta o não vai?
–Vou, agora me solta!- e me jogou para cima de outro deles.
–Repete o que você disse!
–Vou... pode deixar...
–Na próxima vez já sabe né?
–Aham...
–Agora já chega, né, Frankiee? Já deu seu showzinho -disse o mais velho –pode ir, é, Anna, não é isso? Agora vai...
E fui. Cheia de coisas na cabeça... e o mais estranho era que eles me pareciam um pouco mais humanos agora. Não sei, acho que era o fato de um deles saber o meu nome. Mas, que fosse, isso eu deveria esquecer.
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