Notas iniciais
"Insaciável libido" narra a historia de Katharine. Uma jovem misteriosa que se muda para Nova Iorque por motivos pessoais e frustrantes que a cercam por todas as partes. A garota esta desencadeada a fazer qualquer coisa para esquecer seu passado - ou melhor, para que seu passado a esqueça - algo muito difícil de acontecer. Depois de levar a vida mudando de local para local, Katy pretende se estabilizar distante de tudo e de todos e começar uma nova vida. Sem planos. Tudo muda, quando o Bilionario Erick Hummel contrata Katharine como secretaria do seu escritório de advocacia e demonstra interesses sexuais muito intensos e até mesmo insanos com a garota...

Meus olhos esbugalhados cercaram o cômodo de Amanda demasiadamente. “Meu deus” suspirei em tom de realização, levando meu dedo indicador até parede cinzenta ao lado da porta de entrada seguindo até me estabilizar em frente a janela que trazia a vista corrida do dia-a-dia de Nova Iorque.

“o preço não é muito acessível amiga” sussurrou Amanda, me surpreendendo negativamente, colocando os braços por volta dos meus ombros atrás de mim.

“minha mãe pode pagar” a encarei com tom de superioridade – como ela pode pensar que eu não tenho dinheiro para comprar esse apartamento? – “graças ao falecido marido” sorri forçadamente.

“ótimo” Amanda rodou em círculos por volta da sala ampla do seu quase-ex-apartamento e por um momento pude sentir o seu lamento em ter que se desfazer do imóvel, que é realmente fantástico. E por fim, percebendo a minha cara impaciente e curiosa, me respondeu: “ É duro ter que me desfazer de um apartamento tão lindo”.

Problemas financeiros queridinha? Pensei, quase em voz alta. Mas mesmo assim, tive a decência de ficar calada. Apesar dos problemas que levariam Amanda a vender o seu apartamento pra mim no centro de NY, ela era assustadoramente elegante. Vestia uma blusa vermelha e solta no corpo, uma calça colada negra tampava suas pernas torneadas – provavelmente por passar longas horas na academia – e um salto alto dourado, que apesar de não combinar com o traje todo, parecia caro o bastante para ser usado quando ela bem entendesse. Suas orelhas eram cercadas por longos brincos de diamante e seu cabelo comprido e loiro pairava sobre a vista envidraçada do lado oposto a mim. “entendo” fui firme.

“acho que fechamos um bom negocio, não é mesmo?” depois de mais algumas lamentações, ela finalmente se aproximou de mim e ergueu as mãos para que eu pudesse me alegrar inteiramente “posso mandar preparar a papelada?” me indagou.

“com toda certeza” apertei suas mãos suadas e apreensivas de volta – talvez ela não estivesse tão apreensiva quanto eu estava, mas o nervosismo entre seus olhos era impossível de não ser notado – ainda mais por uma jovem tão observadora quanto eu.

“Quer comer alguma coisa?” e finalmente o papo desconcertante entre nós duas foi quebrado por uma troca de sorriso simpático e um convite a um belo restaurante diversificado, que por sinal, era muito próximo ao meu mais novo local de morada.

“E-eu adoraria” grunhi surpresa com o convite.

“E ai?” sorriu “o que vai querer?”

“Eu adoraria comer um espaguete” espaguete? Eu disse mesmo espaguete? E por um momento, a vontade de sumir daquele local me tomou inteiramente. Tão inteligente e tão burra ao mesmo tempo Srta. Katherine. Como você pode pedir espaguete em sua primeira vinda a NY?

“Espaguete?” desta vez, seu sorriso sem graça, encheu a mesa de desinteresse e constrangimento. Ok, ok, eu já estava constrangida o bastante para refazer o meu pedido então tornei a confirmar:

“sim, espaguete... algum problema?”

“Não, não” se armou “nenhum problema, é que ... Uau! Espaguete não é um pedido tão comum em uma primeira vinda a NY, Srta. Katherine.” Disse “você ainda precisa se tornar uma verdadeira Nova-iorquina” sorriu falsamente.

“MAMÃE, TOME cuidado, isso aí são xicaras!” gritei alto, observando minha mãe com a caixa sobre os braços, quase tropeçando em uma das caixas que estavam imóveis sobre o solo. Meu deus, quanta caixa, onde será que vou colocar tudo isso? É um lugar pequeno – apesar de muito aconchegante – e um preço extremamente rechonchudo. “Deveria ter trazido só a metade.”

“ Xicaras?” gargalhou em tom de deboche “ metade..?” tornou a gargalhar horrorizada. “ você esta mesmo falando serio querida? Você iria abrir mão de todas as roupas, ursos, moveis de mármore e madeira velha e toda essa bagunça que você tinha na casa antiga?” continuou “ tem até talher aqui, meu deus Katy”.

“Eu abriria mão dos talheres” sorri de volta “e não são madeiras velhas”.

“dos talheres?” me indagou curiosa deixando de lado os meus belos moveis de madeira ecológica e antiga, continuou: “e você iria comer aonde?”

“mãe, aqui é Nova Iorque. Você acha mesmo que alguém come em casa?”

“é por isso que estão todos obesos.” Ela se aproximou vagarosamente, e me acolheu em seus braços, colocando a mão em minha barriga. “eu não vou deixar a minha filha ficar gorda.” Brincou.

“você diz isso, porque tem esse corpo de modelo.” Rapidamente comecei a fazer cosquinhas em sua barriga e ela caiu sobre o sofá desajeitado, rindo feito uma boba. “estou tão feliz em começar uma vida nova aqui mamãe!”.

“existem males que vem para o bem, querida” estávamos lado a lado no sofá, mamãe era tão carinhosa comigo. Sempre muito elegante, Dona Victoria vestia um vestido negro, e um colar de ouro cercava seu pescoço. Seu salto preto e alto dava vida a mulher poderosa que eu sempre pude me inspirar. Ela é mesmo maravilhosa. “Eu sinto tanto, minha querida.”

“você não tem culpa de nada, mamãe” Me agarrei sobre sua cintura, confortando-a.

“Tem algum emprego em mente?” Desconversou rapidamente. Eu estava acabada, cansada, e com as pálpebras quase fechando involuntariamente. Meu suor escorregava como uma jarra de agua caída sobre mim. Nunca trabalhei tanto, nunca arrastei tantas caixas, nem nas minhas outras mudanças de cidade para cidade ou de países para países, foram tão difíceis assim. E mesmo assim, Victoria queria conversar? Não era notável o meu desinteresse naquele momento? Era!

“Tenho algo em mente” respondi “irei em uma entrevista de trabalho para uma empresa de advocacia amanhã” abracei mamãe, desta vez, pude sentir sua costela se comprimindo. “torça por mim”.

“Eu queria tanto ficar um pouco mais com você querida” sussurrou, enquanto meu sono crescia desajeitadamente e desconsertadamente.

“Eu sei que você precisa voltar Washington mamãe, não se preocupe, eu vou ficar bem.” Nos despedimos ali mesmo, rapidamente e sem nenhuma cerimonia. Victoria tinha uma empresa de frangos, que eram exportados por toda a região, e apesar da dificuldade em me ajudar na mudança, estava preocupada com os negócios da família.

Quando finalmente estava sozinha, desembrulhei algumas das caixas, mesmo estando cansada. Abri uma, duas três, e a quarta me trouxe lembranças devastadas sobre a época em que morava em Paris. Que saudades de paris, que saudades dos garotos gostosos que moravam lá. Dos garotos que tive a oportunidade de ir pra cama. – Sorrio sozinha no meu apartamento – e meu ventre se contrai deliciosamente, quando ouço um barulho na porta. Droga!

“pois não?” abro agilmente, apesar de tal canseira – ou excitação -.

“Precisa de ajuda?” Um homem moreno, forte. Bíceps malhado, troncos largos. Alto e irresistivelmente sexy me indaga. “Soube que esse apartamento estava recebendo uma nova moradora, não pude deixar de conferir”. Que delicia... Despertei-me rapidamente.

“Eu adoraria” menti.

“Posso entrar?” perguntou logo, e docilmente me encarando.

“Por favor”

Yuri e eu fomos apresentados formalmente depois de um forte trabalho da parte dele em ajeitar praticamente metade da minha casa. O homem sexy e viril usava uma camiseta regata branca e uma calça estilo Hip-Hop que poderia deixar qualquer mulher fora do seu ‘eu’ normal, mas não me deu bola em nenhum momento e eu nem estava interessada, já tinha problemas de mais. Sua ajuda foi puramente por simpatia. Quando me ajeitei no sofá, desta vez me agarrando ligeiramente ao sono agressivo que sentia. Yuri saiu do meu quarto todo suado e cansado – talvez mais cansado do que eu estava – pronto pra ir embora.

“Aceita uma bebida?” era o mínimo que eu poderia oferecer a ele, depois de toda essa força que ele havia me dado.

“claro” concordou.

“você mora em qual apartamento aqui?” perguntei curiosa.

“41”

“branco ou tinto?” me aproximei segurando dois vinhos diferentes, uma em cada mão.

“branco me agrada mais.” Educadamente o homem se direcionou a cozinha e se prendeu a duas taças que avistou notavelmente no lugar em que estava, sobre a mesa. “então você estava na França?” me perguntou, e por um momento meu coração gelou, e minha pressão simplesmente caiu.

“como você sabe?”

“o porteiro me disse” e um soar de alivio me cercou. Abri em um golpe só o vinho branco e servi enchendo a taça e até mesmo transbordando a minha. “desculpe-me” peguei um pano e limpei-me, estava toda suja de vinho. Meu deus, que loucura, isso parece uma cena de filme pornô.

“você se assustou?” perguntou, desta vez ele é quem estava se desculpando “as noticias correm aqui nesse prédio. Apesar de ser um lugar chique, todo mundo adora uma boa fofoca”.

“tudo bem” me acalmei e o tranquilizei também.

“se eu não fosse casado, eu te lamberia toda” gargalhou, em um tom galanteador, e por um momento fiquei confusa. – ele esta dando em cima de mim? Ou é impressão minha?! –

Você é casado?” me assustei. “acho melhor você ir embora, sua mulher pode ficar preocupada.”

“meu marido” me corrigiu. E tornei a levar um susto maior ainda, cuspindo grosseiramente – e nada feminino – o vinho boca a fora.

“você é gay?”

“sou” sorriu.

“me desculpe pela reação” implorei rapidamente “é que não parece” meu deus, eu disse – é que não parece -? Eu realmente disse isso? Quero morrer, quero morrer. Não, não, não..!

Depois da curta conversa desajeitada com Yuri, e uma ideia totalmente erronia que o tipo físico dele me deu, tornei a agradecer-lhe pela incrível ajuda que me dera – por deus, meu apartamento estava mais organizado do que eu poderia fazer naquele momento – e por fim nos despedimos, marcando um jantar qualquer com seu parceiro, ainda naquela semana. Deitada no sofá, sozinha e cansada, meu passado rodeava minha cabeça e ainda atordoada pela rapidez da mudança, acabei por pegar no sono gradativamente...

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Na manhã seguinte meus olhos estavam inchados e meu cabelo desgrenhado por completo – puta merda – me olhei no espelho: “Srta. Katharine, você precisa parecer uma mulher interessante” disse a mim mesmo. Meus olhos rodearam o relógio e agressivamente franzi a testa, revoltada com a noite mal dormida que havia tido “maldito pesadelo”, “maldito passado” e “maldita Katharine” ... “sua pele esta horrível”. Arquei-me e peguei um pote de creme “você precisa tratar isso”.

Enquanto meu rosto era massageado naturalmente por uma mascara de beleza, fui grosseiramente puxada diretamente para os meus devaneios. Meu corpo se contraia e minha barriga queimava, só de lembrar: estou em uma mata, isolada. Curiosamente correndo sobre os galhos secos e quebradiços que me cercam por toda a parte, sendo seguida. É horrível, é uma sensação desprezível e indesejável. “Será que eu nunca vou esquecer isso?” me pergunto diariamente. Todas essas lembranças me deixaram cansada e com medo, me limpei cuidadosamente e minha pele aparentava estar bem melhor. estava pronta. Preparada para minha entrevista de trabalho na empresa de advocacia de Erick Hummel. Merda, ele é lindo!

Notas finais
...Maravilhada com o inteligente, rico, poderoso, glamouroso e selvagem ser que Erick representa, Katharine decide se entregar rapidamente para o homem que pode mudar sua vida.Ambos seriam capazes de superar todos os segredos que ceram a vida de Katharine? E se os segredos de Erick também fossem revelados? Os dois superariam toda a magoa e ódio do passado, para viver um amor libidinoso e sexy como esse?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.