Inquietude
3 Perturbação
Notas iniciais
E as palavras de Luiza ainda pairavam no ar mesmo depois de a sobrinha ter ido embora. Agora deitada em sua cama Clara pensava e repensava o que queria, quem queria e como queria. Mas não conseguia chegar à conclusão nenhuma. As personagens daquela história eram poucas, mas suas vidas entrelaçadas davam uma dramaticidade só vista em novelas. E Clara nem se lembrava qual a última novela que havia visto.
Ainda com a camiseta do avesso adormeceu. Talvez poderia sonhar algo que a ajudasse a trilhar um caminho sem tantos desastres.
Marina rodeava Clara numa dança lenta e sensual. Ambas estavam nuas. Uma de frente para a outra.
Marina parou diante de Clara, virou-se de costas e desceu rebolando vagarosamente, arrepiando-se quando sentiu os seios de Clara tocar-lhe a pele.
Não sabendo o que fazer Clara enlaçou Marina com seus braços quando esta fez o caminho de volta agora de frente para ela. Beijou-lhe o pescoço, disparando leves mordidas. Marina gemeu em seu ouvido.
Os corpos estavam entrando em combustão e explodiriam a qualquer momento.
Marina e Clara caíram na cama da dona de casa trocando beijos ardentes enquanto as mãos vasculhavam cada canto de seus corpos. Clara ainda um pouco tímida não havia desvendado o sexo da fotógrafa, mas o sentia pulsar em sua coxa que estava entre as pernas de Marina.
Marina empurrou Clara de maneira delicada e sentou um pouco abaixo de sua barriga. Jogando o cabelo de lado pegou as mãos de sua assistente e colocou em seus seios. Mexeu o quadril para frente e para trás, repetidas vezes, fazendo seus sexos roçarem. Clara gemeu alto e um zumbido agudo atingiu-lhe os ouvidos. Estava surtando e o melhor ainda estava por vir.
Ofegante Marina sentou de frente para Clara, colocando as pernas da dona de casa ao redor de sua cintura. Sem entender, Clara apenas obedeceu aos comandos mudos de Marina.
Marina desceu os dedos por toda a extensão do corpo de Clara, sentindo-a trepidar em seus braços.
– Você é tão linda – disse Marina junto ao ouvido de Clara.
Beijou o pescoço de Clara com voracidade.
Marina então deslizou dois dedos na direção do sexo de Clara e sentiu as mãos da mulher em seus braços apertando sua pele.
Clara acordou num salto apertando o travesseiro. O coração batendo na garganta. Respirou longa e pausadamente.
Ela queria um sonho revelador e não... Um sonho erótico.
Levantou da cama desorientada, tropeçando nos próprios pés. Olhou pela janela e as luzes dos outros apartamentos já começavam a se acender. Há quanto tempo o sol tinha se posto?
Clara tirou as roupas ainda no caminho para o banheiro. Mudou a chave do chuveiro para desligado e sentiu a água fria atingir seu corpo.
Ao passar as mãos pelo pescoço sentiu como estava quente.
Seu coração ainda pulsava fora do ritmo natural. Fechou os olhos, mas só conseguia visualizar a nudez inquietante de Marina.
Ordenou que seu corpo voltasse ao normal, que seu pensamento mudasse de direção, mas só conseguia chegar mais e mais perto da mulher que havia bagunçado seus pensamentos.
Não ouviu o barulho da porta se abrir. Quando deu por si Cadu estava no banheiro, despindo-se.
– Está muito brava ainda ou eu posso tomar banho com você? – perguntou Cadu adentrando o box, puxando Clara para seus braços.
Deixou-se ser beijada e não sentiu nenhuma vontade de ser recíproca. Sentiu um arrepio. Não era o arrepio que sentira quando viu Marina despir-se diante de seus olhos meses atrás. Era um arrepio ruim, como se aquele corpo junto ao seu fosse completamente estranho.
Cadu descia a boca pelo corpo de Clara que tinha um choro preso à garganta. Sentiu a ereção do marido entre suas pernas. Não queria transar com Cadu, não depois do sonho que tivera. Não com a imagem de Marina perturbando seu juízo.
– Cadu, não... – pediu Clara empurrando o marido – Minha cabeça... Está explodindo.
Cadu se resignou a menear a cabeça e encostou- se ao azulejo frio para dar espaço para a esposa sair.
Clara tirou o excesso de água do cabelo, vestiu o que achou mais prático, enfiou um chinelo nos pés e foi para casa de Helena. Não poderia desmoronar ali diante dos olhos de Cadu.
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