Notas iniciais
Antes de qualquer coisa quero agradecer, mais uma vez, as pessoas novas que estão acompanhando e favoritando minha fic. Vocês não tem noção do quanto isso me deixa feliz e com um sorriso afetado, rs. Obrigada também aos comentários, dou muita risada da revolta de vocês, AMO ISSO. *-* Posso largar tudo e escrever pelo resto da minha vida? Posso? Esse capítulo tá meio heartbreak, acho que coloquei a Marina meio dramática igual a mim, hahahaha Ao som de: Face The Sun - James Blunt (essa música não poderia ser mais Cladu) Janta - Marcelo Camelo feat. Mallu Magalhães E se eu disser que a fic tá com os dias contados? :s

Cadu

Estou andando na praia ao lado dela, como fizemos tantas vezes juntos. Tenho vontade de segurar sua mão, tocar seu rosto que fica ainda mais lindo com a luz do Sol e dizer que eu ainda a amo. Deus, como eu amo essa mulher! Como eu a amo.
Mas ela não é mais minha. Talvez nunca foi. Talvez ela sempre foi desse amor que sempre buscou, desse amor que pra mim ainda é estranho e que nunca, nunca vou me acostumar.
E ela está tão feliz que dói aqui dentro, meu coração dói em pensar na felicidade dela e eu não sou hipócrita de dizer que estou feliz por ela. Não consigo, ainda. Eu queria ser dono desse sorriso bobo, desses olhos brilhantes, desse coração.
Mas meu tempo acabou, acabou antes mesmo de ela declarar a plenos pulmões que é apaixonada por outra mulher. Cabe a mim respeitar e aceitar, na medida do possível, que ela não é mais minha.

"Sim, este amor não é bom o suficiente
É hora de deixá-lo ir
Nossos corações pesados, apenas desmoronam
Eu sinto isso em meus ossos

(...)

Então, em silêncio, apenas ande comigo
Como em outro dia qualquer
Sem despedidas tristes, sem lágrimas, sem mentiras
Basta ir para nossos caminhos separados”

Clara girou docemente o buquê em sua mão, encarando as flores com o mesmo olhar que encarava o gesto. Achou encantador, mas não mexeu com seus nervos, não abalou suas estruturas. E então ela respirou em paz. Era aquela sensação que queria sentir quando falasse ou pensasse no Cadu. Paz.
– Vai ficar ai sem falar nada? – perguntou Cadu mexendo seus pés na areia.
Estavam sentados a beira do mar. As luzes públicas já estavam acesas e o Sol já havia sumido quase que completamente no horizonte.
– Você deveria ter dado essas flores à Veronica – respondeu Clara sorrindo – Vocês tem se dado bem, né? Sempre que vejo vocês dois juntos sempre estão sorrindo, conversando. Vocês formam um casal bonito.
– É... – Cadu disse vagamente – Eu gosto muito dela. E ela de mim, mas não sei.
– Como assim não sabe? Investe, Cadu. Ela é linda, gente boa. Está esperando o que?
– Quem – corrigiu o ex-marido passando seus dedos no rosto de Clara.
A morena fechou os olhos, mas não sentiu nada além de uma dor aguda no coração. Não queria chegar àquele ponto da conversa, mas não pode prevenir.
– Cadu, não! – pediu.
– Você sabe o quanto eu ainda te amo? Eu espero por você todos os dias da minha vida, Clara. Não me conformo que aquela... Não me conformo.
– Não vamos ter essa conversa de novo, não quero te machucar – Clara se levantou e por um minuto esqueceu-se do propósito daquela conversa.
– O que é um machucado a mais pra quem já está ferido? Eu amo você, Clara. Não é possível que você não me ame mais. Foram quase 11 anos, onze anos, cara.
– Tempo não é determinante de intensidade, Cadu. O que eu sinto pela Marina... – Clara parou passando a mão no cabelo, concentrando-se no que queria falar desde o início – Eu te chamei pra conversar porque queria te pedir desculpas por ter sido desleal, por ter mentido. Quero te dizer que eu tenho um carinho muito grande por você. Você foi meu companheiro, meu amigo por todos esses anos. Poderemos ser amigos. Eu quero ser sua amiga, quero saber como você está. Desejo todo o bem do mundo pra você, mas eu sou louca pela Marina. Eu... – Clara tentou segurar o sorriso bobo que queria escapar – Eu a amo e não é pouco. Não vai desaparecer assim – estalou os dedos demonstrando a rapidez que não ia chegar – Desculpa te falar assim, mas é verdade.
Clara devolveu as flores para Cadu após sentir o perfume doce que delas saía.
– Entrega pra Veronica, ela vai gostar.
Clara se aproximou de Cadu e deu um beijo que quase bateu na trave quando ele virou o rosto na intenção de beijar os lábios de Clara.
– Se cuida, tá? – disse Clara andando de costas – Estou aqui pra o que precisar, serei a sua amiga se quiser.
Sem dizer nada Cadu afundou o rosto nas mãos após jogar as flores com raiva metros a frente. O jogo havia terminado para ele.

“Você diz o que você diz
Então você faz isso para mim de qualquer maneira
Você faz o que você faz
Sim, eu sei que é tarde demais
(Você não vai ficar comigo?
Eu sei que você não vai ficar comigo)”

Clara chegou ao apartamento e ao abrir a porta sentiu um cheiro forte de álcool. Estranhou já que há um bom tempo Marina não bebia sem moderação. A cozinha intocada denunciava que nem a fotógrafa ou Ivan haviam se alimentado. A morena foi para o quarto do filho e a cama, assim como a cozinha, estava intocada. Ligou para a irmã mais velha e Helena a informou que Ivan estava lá.
Ainda conversando com Helena, Clara entrou no quarto e parou diante da imagem à sua frente.
– Irmã, o Ivan pode dormir ai hoje? Preciso resolver umas coisas... – pediu Clara piscando repetidas vezes para garantir que aquela não era uma ilusão de ótica de muito mau gosto.
Encerrada a ligação, Clara caminhou até a cama e percebeu que Marina dormia atravessada na cama, estava descabelada, exalando um forte cheiro de uísque da garrafa que estava bem abaixo da metade e jazia no chão, ao lado do criado mudo.
Clara chamou Marina uma vez. Sem resposta. Chamou pela segunda vez. Também sem resposta.
Perdendo a paciência chamou pela terceira vez e então Marina abriu os olhos sentindo a cabeça girar.
– Você tá bêbada? – perguntou Clara incrédula demais para raciocinar – O que aconteceu com você, Marina?
– Resolveu voltar pra casa, é? – a voz da fotógrafa era pastosa, preguiçosa e irônica.
– Levanta dai e vai tomar um banho, você está fedendo. Caraca, que pesadelo! Não dá pra acreditar.
Trôpega Marina levantou da cama e quando tentou ficar completamente ereta sua cabeça girou e ela caiu sobre o criado mudo. Espatifando o abajur e fazendo o resto do uísque se derramar pelo chão.
A fotógrafa achou o fato engraçado, pois ficou sentada no chão rindo como se alguém tivesse lhe contado a melhor das piadas.
– Levanta, caramba! – gritou Clara pegando Marina pelos ombros.
– Me solta, eu sei me virar sozinha – Marina se desvencilhou bruscamente das mãos de Clara e caminhou trocando os passos até o banheiro – Tira essa mão com cheiro de Cadu de cima de mim.
E então Clara estacou. Muita coisa se esclareceu para ela naquele momento.
– Burra, burra, burra – disse Clara para si mesma.
Clara seguiu os passos de Marina e quando chegou ao box ligou o chuveiro na água fria. A fotógrafa estava de roupa e parecia ter se esquecido de como se tirava as peças.
– Me solta, eu sei tomar banho sozinha – reclamou Marina não querendo a ajuda de Clara.
– Faz o que você quiser então, eu vou limpar a sujeira que você fez – Clara saiu do banheiro batendo a porta com toda força que lhe era permitida.
Marina ficou sentada no box sentindo as pancadas frias da água. Aos poucos foi tirando as roupas e deixando-as de lado. Não cronometrou quanto tempo havia passado desde que Clara havia saído. Ouvia barulhos e constatou que a morena estava limpando a bagunça.
Sentiu os efeitos do uísque saírem de seu corpo e começou a chorar baixinho, envergonhada, humilhada e sentindo como se o mundo tivesse ruindo ao seu redor e ela nada pudesse fazer.
Clara voltou com um roupão e uma toalha nas mãos. Fechou o chuveiro e ofereceu a mão para Marina se levantar, a fotógrafa recusou e caminhou para fora do box. Tropeçou no degrau e Clara a segurou. Seus rostos ficaram perto, mas estavam com tantos sentimentos confusos dentro de seus corações que o desejo de se beijaram perdeu-se em algum momento daquele olhar.
Clara jogou o roupão no corpo nu de Marina e enxugou os cabelos da amada. Marina sentiu no gesto de Clara a raiva que a morena sentia.
Marina já conseguia amarrar o roupão sozinha e prendeu a toalha nos cabelos.
– Vou fazer um café forte pra você. Termine de se enxugar – disse Clara sem olhar para a fotógrafa.
Quando Clara chegou ao quarto, Marina dormia com a toalha nos cabelos e encolhida como uma criança assustada. Clara percebeu que os olhos de Marina estavam molhados, mas não eram da água do chuveiro.
Colocou a xícara fumegante no criado mudo às suas costas e tirou a toalha dos cabelos de Marina. Trocou de roupa segurando as lágrimas que queriam cair. Depois apagou as luzes e deitou-se de costas para a fotógrafa. Desejou poder dormir até que aquela dor sumisse de seu peito, desejou não ter sido inocente ao ponto de achar que Marina sempre seria a pessoa compreensiva e que sabe perdoar. Sentiu medo. Nunca havia visto Marina brava, não com ela. Seus pensamentos se perderam quando seus olhos já não conseguiam mais ficar abertos. Achou melhor apagar o abajur e esperar que o novo dia viesse.

Marina abriu os olhos e sentiu a cabeça pesada. Teve a certeza de que tinha pegado pesado na bebida. Tentou ligar o abajur, mas percebeu que ele não estava mais ali ao seu lado. Um flash do momento em que caíra invadiu seu pensamento e ela bufou, indignada consigo mesma. Olhou o relógio que estava sobre o criado e ele marcava 3h42. Perguntou-se quantas vezes Cadu havia batido a mão no objeto para desligá-lo.
Seu estômago revirou e ela correu para o banheiro. Vomitou pelo menos um terço do uísque que havia ingerido. Ficou sentada ao lado do vaso sanitário até que a náusea passasse. Levantou-se ainda um pouco atordoada e olhou-se no espelho não se reconhecendo. Estava horrível.
Clara ouviu o barulho da água batendo na pia e quando decidiu se levantar viu a silhueta de Marina voltando para a cama. Queria voltar a dormir, mas pontos de interrogações rodavam sua mente e ela saberia que seria uma luta perdida. Então sentou-se na cama, puxando a coberta para suas pernas nuas e esperou Marina fazer o mesmo.
A fotógrafa a olhou e Clara devolveu o olhar.
Marina sentiu as lágrimas fazerem o caminho até seus olhos e respirou fundo. Não queria chorar. Acendeu o abajur que ficava ao lado de Clara e voltou para a cama. Como Clara não quebrava o silêncio, Marina o fez.

“Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Eu ando em frente por sentir saudade”

– Cadê as flores que o Carlos Eduardo te deu?
– Não faz rodeios, Marina. Pergunta o que você quer perguntar de uma vez – respondeu Clara ainda com os olhos fixos na fotógrafa.
– Não é uma pergunta, é uma constatação. Eu vi você e o Cadu abraçados... – ao lembrar-se Marina permitiu que as lágrimas chegassem ao seu destino – Desde quando isso vem acontecendo?
– Desde nunca. Eu só fui conversar com ele pra colocar um ponto final digno a nossa história.
– Você me acusou de mentir pra você, mas fez a mesma coisa. Não sabia que você era vingativa – ironizou com os braços cruzados.
A amargura nas palavras de Marina deixou Clara igualmente amarga.
– Menti por que... Porque a gente faz essas coisas, Marina. Mentimos pra proteger quem amamos.
– Que desculpa mais batida, Clara.
– Não vou ficar implorando perdão por um crime que não cometi. Eu e o Cadu estamos acabados, não quero mais nada com ele.
– Não sei, né? Você viveu quase onze anos com ele, talvez tenha dado saudade de algo que eu não tenha.
Clara ergueu a mão para descê-la no rosto molhado de Marina, mas se conteve antes mesmo de a fotógrafa prever o ato.
– Eu não vou entrar na sua pilha, Marina! Não é o que está passando pela sua cabeça. Acredite no que quiser, já que a minha verdade parece não lhe convencer.
– Falar é fácil, Clara.
– PARA DE FALAR MEU NOME – reclamou dois decibéis a mais que o normal, incomodada com a frieza e informalidade.
– Não é esse o seu nome de batismo? Não era assim que o Cadu te chamava enquanto te comia...
Dessa vez Clara não se segurou. Num movimento brusco girou o corpo na cama e quando deu por si sua mão ardia com o tapa que havia dado em Marina.
Ambas choravam. Clara de arrependimento, Marina de surpresa.
Clara foi pra cima de Marina, mas com a intenção de abraçá-la e se desculpar, mas Marina recusou o gesto saindo da cama ainda sentindo o rosto queimar.
– Eu não quero mais nada com o Cadu, caramba! Eu amo você... Só você – a voz de Clara era engasgada e baixa.
– Depois do que eu vi e disso – a fotógrafa apontou para o rosto – Eu não sei de mais nada.
– Não sabia que você era tão difícil de ser contestada.
– Quer desistir? Aproveita a oportunidade. Já estamos quebradas mesmo.
– Dá vontade. Vontade de voltar pro Cadu e pra vida que eu tinha. Pelo menos ele confiava na minha palavra, confiava em mim.
– E porque não volta? – a vontade de provocar era maior que a de calar a boca e se jogar nos braços de Clara. Marina nunca havia se envolvido em uma briga tão cheia de farpas e palavras dolorosas. Não sabia que o ciúme a deixava tão descontrolada.
Clara ria sem som.
– Porque eu passei o inferno pra ficar com você. O que está acontecendo? Parece que quer me fazer desistir de nós porque você já desistiu. Você não é assim, Marina...
– Há muitas coisas sobre mim que você não sabe, bem vinda ao meu porão onde eu guardo o pior de mim.
Clara levantou da cama com tanta rapidez que Marina se assustou e recuou achando que viria um golpe pior que o tapa no rosto.
– Sabe porque eu não vou voltar pro Cadu? – perguntou Clara procurando a pequena sacola preta grafada em prata que estava em meio as suas roupas.
Clara jogou tudo que estava sobre a cômoda no chão.
– POR QUE EU TE AMO, SUA BABACA! – gritou jogando a sacola contra o peito de Marina.
Mais uma parte do corpo de Marina ardia por um gesto raivoso de Clara.
Marina tinha as mãos trêmulas e o coração tão acelerado que obrigou os pulmões a trabalharem mais rápido. O ar parecia rarefeito.
Clara foi até a beirada da cama e pegou seus chinelos. Fez um coque prendendo o cabelo com ele próprio e limpou o rosto.
– Eu não vou conseguir dormir na mesma cama que alguém que não acredita em mim, no meu amor e na minha confiança. Então espero que você tenha uma boa noite de sono...
– Pra onde você vai? Espera! Vamos... Vamos conversar.
– Quando cair a sua ficha e você concluir que eu amo você e somente você vem me procurar, estarei te esperando. Mas não vou esperar pra sempre.
Marina estava tão chocada com toda a cena que não conseguiu dar um passo. Clara saiu de casa com a roupa do corpo e Marina ouviu a porta da sala bater com a mesma força que Clara batera em seu rosto.
Jogou a sacola em cima da cama e deitou em posição fetal, odiando-se por ter sido tão baixa e inconsequente. Chorou até sentir a cabeça latejar. O relógio agora marcava quase 5h da manhã.
Quando cansou de chorar pegou a sacola e desamarrou o pequeno laço que a enfeitava. Seus olhos cansados de chorar se transbordavam a medida que seus batimentos cardíacos aumentavam.
Dentro da sacola havia uma caixa no formato de uma câmera fotográfica, delicada, frágil, como Marina estava se sentido àquele momento. A embalagem era tão pequena que coube na palma de sua mão.
Marina encontrou o fecho da caixa e abriu. Limpou os olhos para enxergar a surpresa que eles presenciariam. Viu dentro da caixa dois objetos que se diferenciavam apenas pelo tamanho. Eram alianças chanfradas, de um dourado fosco e com um singelo diamante no centro.
A torrente de lágrimas inundou seus olhos e caíram dentro da caixa. Não precisou ficar em pé para sentir as pernas bambas.
As lágrimas que antes eram de raiva, se metamorfosearam em lágrimas de arrependimento, alegria e medo.
Saiu correndo do quarto, iludindo-se com a ideia de encontrar Clara deitada no sofá, mas quando chegou, a sala estava vazia e escura. Num ataque de fúria jogou outro abajur no chão, depois almofadas e um porta retrato.
– Não podemos estar terminadas, simplesmente... Não podemos – foi a última coisa que Marina disse antes de deitar-se no sofá e esperar o dia amanhecer diante de seus olhos insones.

Notas finais
E se eu disser que tem outra fic fritando meu cérebro e com vários esboços?