Inominável

1 Wendigos canibais


A voz de Sam vinha dos dois lados e dos dois lados ela pedia por ajuda e acusava a segunda de ser falsa. Dean não aguentava mais ouvir as vozes, a velocidade com que elas atravessavam as paredes de madeira e papel daquela maldita casa abandonada faziam seu sangue ferver e sua mente girar. A esse ponto já estava tonto tentando decidir entre correr para a cozinha e atender a primeira voz que apenas urrava de dor ou subir as escada e socorrer aquela que do quarto gritava para que ele ficasse onde estava.

Os gritos, os malditos gritos. Com certeza não era capaz de distingui-los. Fechou os olhos por um instante tentando se concentrar, os gritos não paravam. O primeiro vindo de cima, o segundo vindo mais ao lado. Era como se as vozes, exatamente idênticas, exatamente a de Sammy, estivesse disputando quem gritava primeiro e ao mesmo tempo quem gritava por último. Não era uma situação fácil.

Por todos os dias de sua vida, desde que se lembrava do que seria aquela vida, estava disposto e sendo empurrado para a defesa do irmão mais novo. Ainda que cada momento fosse assustador de certa maneira estava acostumado a lidar com aquelas situações com o minimo de frieza necessária para fazer dar certo no fim. Mas os gritos, os malditos gritos estavam tirando ele do sério.

Sentiu a raiva daquela situação de escolha encher o peito e com o susto, ainda que avisado, deu ele mesmo mais um berro ao mesmo tempo que disparou o sal de sua pistola no quadro de luz. A explosão fez um barulho tão alto que calou os gritos por um segundo. O tempo de escuridão foi quebrado em ambiente e som. Apenas um deles gritou de volta.

– Dean! – a voz de Sam, como era de se esperar, veio da cozinha, assustada pela nova fase da situação. Uma explosão aparentemente não era esperada em um ninho de wendigos. Tão inesperada que apenas o verdadeiro Sammy se preocuparia com a vida do irmão perdido na sala.

Logo no primeiro som do seu nome, bastava o D, ele se pôs a correr, e assim ficando apenas nove segundos na frente dos três monstros que desciam a escada. Tempo e espaço o suficiente para acertar a cabeça do ser que tentava mastigar mais um pedaço da cocha do seu irmão.

Um tiro para chamar atenção, uma jorrada de fogo para queimar lhe o rosto. Sem tirar o dedo do maçarico com um giro chutou a cadeira onde Sam era mantido amarrado e o jogou contra o chão, a precisão do tempo e a direção perfeitas para acertar os outros dois que agora entravam pela porta da cozinha.

Há sete metros dali os corpos de homens desfigurados e esverdeados, que um dia tinham sido humanos, queimavam em uma vala bem mal cavada. A ideia de uma casa de Wendigos irmãos que se auto alimentavam era bizarra de mais para ser lembrada por mais linhas desta história.