Inocente

2 Capítulo II


Notas iniciais
Bom,obrigado a todos aqueles que leram e comentaram a respeito do primeiro capítulo.Sabe,eu me surpreendi um pouco...o Ace sempre foi um dos meus personagens favoritos de One Piece,mas não tanto assim,acima dele haviam muitos,como o Luffy,o Sanji,o Smoker,a Tashigi...mesmo essa fic,pensei em escrevê-la apenas com o intuito de mostrar um passado e um futuro alternativos da Unschuldig.Mas o Ace está se revelando um personagem muito divertido de se escrever a respeito,e acho que o papel de adolescente rebelde cai muito bem nele.Sei lá,se a coisa continuar assim é capaz que o Ace tome o primeiro lugar dentre meus personagens favoritos de One Piece (no momento,está o Shanks em primeiro,o Luffy em segundo,a Nami em terceiro,e o resto eu não sei xD).
Bom,mais um capítulo...espero que apreciem.
E quem não leu a fic Unschuldig,da Meilyn,leia que não irá se arrepender: http://fanfiction.com.br/historia/213056/Unschuldig/

Os dias em que Ace ficava na casa de Garp pareciam ficar mais movimentados.Já estavam em férias,de modo que nem Nami e nem Luffy tinham a menor responsabilidade.Portanto,Nami procurava quaisquer desculpas disponíveis para ir até a casa de Luffy quando Ace estava lá,apenas para admirá-lo.Ace era três anos mais velho que ela e Luffy,e embora fosse apenas um adolescente rebelde,Nami o achava realmente encantador.Por isso,Nami sempre convencia Luffy a chamar seus amigos todos para sua casa,para que pudessem ficar todos ali.Embora todos eles tivessem entre 14 e 15 anos,Ace normalmente se aproximava,normalmente quando estavam fazendo algo divertido,como jogar vídeo-game ou mesmo RPG de mesa.E Nami aproveitava a confusão que normalmente acontecia para olhar Ace à vontade.Sabia que era algo que ficaria apenas em olhar,pois Ace já era quase um adulto,e guitarrista de uma banda.Com certeza,haviam garotas à sua altura que ele ia encontrar nas horas que saía de casa.Porém,para ela estava bom: se contentava em observar Ace e sonhar.Se sentia esperta por dentro,pois era uma coisa apenas dela,que mais ninguém sabia.Luffy,Zoro,Sanji...todos eles estavam a ajudando,mesmo que não soubessem disso.Ela estava passando a perna em todo mundo.

Ou,pelo menos,era assim que ela pensava.

Ace notara os sinais que Nami fora manifestando.Prestava atenção ao fato de que normalmente Luffy reunia seus amigos ali por sugestão de Nami,pois normalmente iam todos pra casa de Zoro.Além disso,costumava espiar disfarçadamente e percebia que Nami sempre procurava situações em que ele aparentemente estava distraído com outra coisa,para deitar seu olhar sobre ele.Ace se divertia com a situação: não deixava de se sentir um pouco orgulhoso em saber que era protagonista das primeiras fantasias de uma garota recém-saída da infância,entrando na adolescência.

Não que Ace tivesse qualquer intenção de fazer algo a Nami.Ela era ainda uma jovenzinha,com que cara ele ficaria se alguém descobrisse que se aproveitara de sua amiga de infância,que até poucos dias atrás era apenas uma criancinha?

Porém,não deixava de ser divertido observar as ações de Nami,com ela pensando que estava fazendo tudo tão perfeitamente que ninguém percebia suas ações.

Numa manhã específica,Nami acordou de bom humor.Após fazer sua higiene e tomar café da manhã,decidiu arrumar o quarto antes de ir chamar Luffy,na esperança de que,dessa vez,Ace já estivesse acordado àquela hora (normalmente ele saía de noite e voltava um pouco tarde,então só costumava acordar por volta do meio-dia,para almoçar).

Antes de mais nada,abriu a porta-janela que dava para a sacada,para o sol entrar à vontade em seu quarto.Então,ligou o rádio e colocou um CD com suas músicas favoritas.Começou a tocar a música “Kimi no Kioku”,da cantora Kita Shuuhei,e também encerramento da animação de Persona 3.

A música era uma de suas favoritas,e a manhã estava das mais alegres,principalmente por causa do bolo de laranja delicioso que sua mãe Bellemere deixara para ela e para sua irmã Nojiko.Então,Nami começou a cantar a música,com uma bela voz e uma alegria imensa,deixando o pensamento vagar enquanto colocava as coisas em ordem na bagunça daquele quarto...como diabos uma caixa de tênis havia ido parar debaixo de sua cama?!

Se deixando levar pelo devaneio da música enquanto cantava,Nami sonhadoramente havia voltado o rosto para o sol,de olhos fechados,apenas cantando feliz,sentindo o calor do sol em seu corpo.Assim que a música acabou,Nami abriu os olhos.

Ace estava ali diante dela,sentado no peitoril da sacada do quarto de Luffy,a encarando com uma expressão um bocado surpresa.

Nami corou.Havia quanto tempo Ace estava a observando?

Pelo visto,Ace a observara por tempo suficiente,pois a primeira coisa que falou,assim que Nami abriu os olhos e o notou,foi:

– Caramba,Nami,quando você aprendeu a cantar assim?

Nami demorou um pouco pra responder.Seus olhos ainda estavam fixos no braço de Ace,aonde estava visível a tatuagem ainda coberta pelo plástico,pois Ace estava usando uma camiseta sem mangas com uma bermuda.A visão da tatuagem do braço a fez se lembrar da que ficava em suas costas,levando-a a sentir um calor repentino.Então,apenas respondeu:

– Eu...sei lá,eu só gosto dessa música...

– Sério,você canta muito bem...se você fosse mais velha,eu te chamaria pra cantar na White Bite.Estamos sem vocalista. — disse Ace

Nami ouviu isso,e se sentiu um pouco enraivecida. “Se você fosse mais velha”...tudo bem que Ace era mais velho e de um patamar totalmente diferente do dela,mas não precisava falar como se ela tivesse cinco aninhos de idade!

– Quantos anos você tem mesmo,Nami? — continuou Ace

– Catorze...mas,em alguns meses,vou fazer quinze! — respondeu Nami.Rigorosamente falando,ela só faria quinze anos em julho do ano seguinte,o que seria mais de seis meses a partir dali...mas queria que Ace notasse que não era apenas uma garotinha.

Ace riu.

– É verdade,que idiotice de minha parte.Você tem a mesma idade do Luffy,eu sempre me esqueço.

Isso foi a gota d'água para irritar Nami completamente.Na verdade,Luffy era alguns meses mais velho que ela,fazendo aniversário dia 5 de maio,mas não era exatamente algo legal que Ace a comparasse a seu irmãozinho mais novo.Nami queria que Ace visse que ela não era mais uma criancinha,que havia crescido,e era diferente,que não era uma eterna criança,como Luffy.

– Bom,eu tenho que limpar meu quarto,então com licença. — disse Nami,com uma voz tão fria que pareciam cair pingos de gelo de suas palavras,enquanto fechava a porta-janela

Porém,antes que pudesse fazer isso,Ace pulara em um movimento rápido da sacada de Luffy para a de Nami.

– Seu maluco!Que ideia foi essa?Você poderia ter caído! — exclamou Nami,perplexa.Uma árvore crescia bem entre as duas sacadas,de modo que era fácil usar os galhos para passar de uma sacada para outra,mas Ace pulara de modo inesperado.

– Nami,eu não tinha intenção de te magoar.Por favor,me desculpe. — disse Ace — Eu sei que você não é mais uma criancinha como o Luffy,vocês mulheres amadurecem mais rápido que nós...então vai entender o fato de eu ter dito aquilo sem querer,afinal de contas sou um homem... — ele soltou uma risadinha após isso

Nami não queria rir,não gostou do que Ace comentara antes,mas o último comentário do rapaz quebrou a barreira que tentara fazer.Sorriu,se aguentando pra não soltar uma risadinha.Ace notou:

– Isso mesmo,prefiro ver você sorrindo.Você não é do tipo que fica linda quando fica brava.

Ao ouvir isso,Nami corou.Ace riu.

– No final das contas,o que você estava fazendo no quarto do Luffy? — perguntou Nami,após alguns segundos de constrangimento

– Eu tinha ido acordar ele.Vovô Garp já me tirou da cama mais cedo,e mandou eu ir acordar o Luffy.Mas assim que entrei no quarto,ouvi você cantando,e acabei esquecendo de acordar ele...

Nami ficou mais constrangida.Nem percebia como estava cantando alto,a ponto de alcançar o quarto de Luffy.Mas a sua voz prendera a atenção de Ace...será que era algo bom?

– Sério,Nami.Você canta muito bem.

– Obrigada...

– Enfim... — Ace deu uma espiada no quarto de Nami – Você estava arrumando seu quarto?

– Estava...coloquei música,pra me distrair enquanto arrumava.

– E faz muito bem.Deixa eu ver o que tem aqui...

Sem esperar licença,Ace entrou no quarto de Nami.Então,foi até o rádio e começou a passar as músicas pra frente,verificando as que tinham no CD.Nami entrou no quarto,suspirando.

– Aqui...essa música é ótima. — disse Ace,quando finalmente parou em uma música específica

A música era “Break Up”,do artista Ayumi Miyazaki,e um dos temas de evolução do anime Digimon.Realmente,a música era uma das favoritas de Nami,também.

– Bom,agora já temos a música.Agora,só resta terminar com o trabalho aqui...francamente,o que você tanto faz nesse quarto pra ele ficar essa bagunça?Nem o meu fica desse jeito!

Porém,logo após isso,Ace gargalhou.

– Mentira.O meu quarto é bem pior.Mas enfim,agora que já começou,vamos terminar!

Nami se surpreendeu um pouco,mas sorriu sem remorsos após isso.Então,os dois começaram a arrumar as coisas dali,colocando tudo em seu devido lugar.

– Como você guarda tanta tranqueira aqui? — perguntou Ace,enquanto estava de bruços com metade do corpo embaixo da cama de Nami,tirando tudo que é velharia que encontrava lá embaixo

– Ah,eu sei lá!Elas simplesmente...aparecem aí. — disse Nami

– Olha só!Um dado de RPG,um caderno velho todo rabiscado,e...o que é isso aqui?

– ME DÁ ISSO AQUI!É UM ABSORVENTE! — Nami ficou completamente vermelha até a raiz dos cabelos.Estava mais constrangida do que nunca,quando tomou a pequena embalagem da mão de Ace.

Ace gargalhou.

– É,realmente você está bem crescidinha...e isso aqui? — ele disse,pegando outra coisa do meio daquela bagunça

– Se for outro absorvente,me dá aqui logo!

– Não,não...isso é...

Ace tirou o corpo da parte de baixo da cama de Nami,e se sentou ereto.Nami olhou: era uma palheta,com o símbolo da banda L'Arc em Ciel.

– Por que você tem uma dessas aqui,Nami? — perguntou Ace

– Sei lá!

Na verdade,Nami comprara a palheta de um vendedor ambulante quando viu o símbolo de uma de suas bandas favoritas,pensando que fosse um bottom.Porém,apenas quando chegou em casa descobriu que não era um bottom,mas sim uma palheta.E,como não tocava violão e nenhum outro instrumento musical,era inútil pra ela.Mas era preferível dizer um simples “sei lá” a contar uma história ridícula dessas a Ace.

Então,uma súbita inspiração tomou conta dela.

– Ace...fique pra você,pode ficar com essa palheta. — disse Nami

Ace ergueu a sobrancelha.

– Tem certeza? — perguntou ele

– Tenho,vai te trazer sorte...e vai fazer você se lembrar de mim quando estiver tocando. — completou sem pensar,e apenas um segundo após isso se tocou do que acabara de falar.Corou na hora,e sentiu vontade de enfiar a cabeça em algum buraco e nunca mais sair.

Porém,Ace sorriu para Nami.

– Muito obrigado,Nami.Pode deixar,que guardarei com carinho. — em seguida,Ace enfiou a palheta no bolso

Nami encarou os olhos negros de Ace,visualizando seu rosto sardento que lhe dava um certo ar de malandragem.Seu coração batia muito rápido.

“E agora?O que eu faço?Droga,sua besta,pensa em alguma coisa!” os pensamentos de Nami estavam à mil

– AAAAAACEEEEEE!!!!

A voz de trovão de Garp chegara até o quarto de Nami.Ace se esquecera de acordar Luffy,e,com a demora,Garp fora pessoalmente verificar o que havia acontecido,e não encontrara Ace ali.Seu berro,aparentemente,fora forte o suficiente para acordar Luffy,pois logo ouviram o garoto berrando “QUE GRITARIA É ESSA?EU QUERO DORMIR!!!”,o que foi seguido por um torneio de gritos,socos e pontapés entre avô e neto.Nada muito diferente da rotina normal daquela casa.

Ace riu.

– Bom,acho que é melhor eu ir lá,senão os dois vão acabar se matando... — disse ele

– Tudo bem... — disse Nami,embora um pouco desapontada.Apesar de ter começado a irritando,estava sendo muito agradável estar ali com Ace

Ace,então,foi até a porta-janela,mas antes de sair se virou para Nami e disse:

– Nami,você é uma graça.O garoto que namorar com você será o cara mais sortudo do mundo.

Em seguida,mandou uma piscadela para Nami e pulou para a sacada do quarto de Luffy.

“Ainda bem.” Nami pensou,antes de se deixar largar na cama,suando com o calor que se apossara de seu corpo

Notas finais
Bom,está aí.Confesso que ri um bocado na parte do absorvente,espero que vocês tenham gostado.Nunca entendi bem a neura que vocês,garotas,tem com esse lance...hoje mesmo,eu tava junto com minha quase-talvez-namorada,e ri quando a mãe dela mandou mensagem no celular dela pedindo pra ela voltar pra casa,porque ela tava sem absorvente...não tinha ninguém junto da gente,mas mesmo assim,só porque eu li em voz alta ela me bateu xD Mas é algo de vocês,e como homem,meu trabalho não é entender,mas sim respeitar.
Enfim,espero que apreciem =D