Innocent girl
6 Capítulo 6 - Preocupação
Notas iniciais
POV EMMA
Na sala dos professores tinha uma mesa enorme no centro, parecida com uma mesa de jantar de uma família rica, e cerca de 20 cadeiras de madeira. Tinha um bebedouro de parede, os armários dos professores, um quadro de recados e uma porta que dava acesso há uma sala de informática, na qual raramente íamos. Me sentei em uma das cadeiras e apoiei minhas mãos no meu colo, Regina se sentou ao meu lado, 19 outras cadeiras para ela se sentar e ela se sentou ao meu lado, colocou seus óculos, que a deixava com ar de intelectual e sexy e começou a ler um livro, e permanecemos ali em um silêncio nada confortável e aquilo estava me sufocando, minhas mãos estavam suando, eu estava nervosa e nem mesmo sei o porquê.
— Por que você sempre faz isso?
— Isso o que, Miss Swan? — Ela perguntou sem me olhar, como se não prestasse muita atenção no que eu falava, o que era irritante.
— Sempre pegar um livro para evitar que as pessoas conversem com você, também faço isso, mas com meus fones de ouvido.
— Não sei do que a senhorita está falando, Miss Swan. – Falou ainda sem me encarar, mas pude perceber o incomodo na sua voz.
E pronto, o silêncio retornou à sala.
— Desculpa. – Falei sem nem mesmo perceber.
— Desculpa? Pelo que necessariamente? — Disse ela dessa vez me encarando, curiosa.
— Pela apresentação, eu não sei o que realmente aconteceu comigo hoje, eu não costumo ser tão ruim em seminários, na verdade sou boa nisso. Eu realmente queria ter sido boa hoje. – Eu estava realmente triste, eu nunca deixava ninguém perceber quando eu estava triste ou frustrada comigo mesma, mas naquele momento as palavras estavam simplesmente saindo, como se eu não pudesse controla-las.
— Miss, Swan. A sua apresentação não foi uma das piores que já vi. E já ouvi sua fama de boa aluna pela escola, apesar de na minha aula você ter demonstrado ser uma ótima pessoa em quebrar regras, o que contradiz um pouco o que ouvi por aí.
Como assim ela ouviu falar de mim por aí? Ela andou perguntando sobre mim? E porque ela estava sendo gentil? Digo, não tão gentil, mas perto de como ela costumava me tratar, estava sendo bem gentil.
— O que estamos fazendo aqui? Não vejo um objetivo claro para estarmos aqui sozinhas, sentadas e fazendo nada, porque pelo que eu saiba você me chamou aqui porque eu estava tonta, mas você não me perguntou novamente como eu estou, não vejo nenhum médico por aqui.
POV REGINA
Aquela pergunta me deixou sem palavras, porque ela estava certa, o que estávamos fazendo ali? Nem eu mesmo sabia, eu apenas... Apenas gostava da sua presença, o que era bem estranho pra mim, nunca gostei da presença de pessoas, sempre preferi ficar sozinha, mas ela era diferente, tinha algo especial, que eu ainda não sabia muito bem o que era, e isso me deixava extremamente frustrada e irritada.
....
No dia que Emma apareceu na porta da minha sala de aula, eu percebi a sua presença assim que ela chegou ali, já havia a visto antes pelo corredor da escola. Loira, olhos claros, e um pouco mais alta que eu, parecia um anjo (um anjo, Regina? Sério? Qual o problema com você?). Permiti que ela continuasse a observar a aula, quando os alunos da sala também começaram a notar sua presença, dei um olhar em sua direção, não queria que ela arrumasse problemas (Me castiguei por esse pensamento, não fazia sentindo querer proteger alguém que eu nem mesmo sabia o nome). Naquele dia mesmo resolvi perguntar sobre ela para alguns colegas de trabalho, me falaram apenas coisas positivas dela, boa aluna, boas notas, bom comportamento. O que não se encaixava com a atitude de quebrar uma regra e subir até o andar de cima durante o horário de aula para observar a minha aula.
No dia seguinte, resolvi andar pelo corredor, não sei bem o porquê, mas assim que a avistei, fui em sua direção, e a segurei pelo braço e exigi uma explicação por aquela atitude negligente. Ela me pareceu tão assustada, o que não vou mentir, me divertiu um pouco.
No ano seguinte comecei a dar aula para ela. Hoje ela simplesmente deixou a sala de aula após a sua apresentação, sem nem mesmo pedir minha permissão, mais uma vez quebrando regras. Esperei que todos apresentassem e me retirei da sala e fui procurar por Emma, dessa vez eu não ia deixar que ela quebrasse uma regra e não tivesse uma punição. Encontrei ela sentada e Milah ao seu lado, passando a mão em seus cabelos loiros, aquilo me deixou extremamente irritada, Milah acha que ela está onde para ficar demonstrando aquele tipo de afeto para com um aluno? Ao ver que Emma estava passando mal, toda a minha ideia de punição foi por água a baixo (o que você está fazendo, Regina? Se fosse qualquer outro aluno, isso não imporia, uma regra foi quebrada e ela merece punição), minha preocupação foi maior do que eu esperava.
....
— Estou aqui para ter certeza que a senhorita não vai se levantar e sair andando por aí como se quase não acabará de desmaiar.
— Entendo. Mas, Regina... – Disse ela, parecendo estar medindo as palavras para falar comigo.
— Diga – Disse sem paciência, porque se ela me fizesse mais perguntas eu não saberia como responder, porque eu realmente não sabia o que estava fazendo.
Antes que ela concluísse o que ela queria falar, minha mãe entrou na sala e ficou me olhando com reprovação, porém fiquei aliviada, por não ter que responder mais uma das perguntas de Emma.
— O que essa aluna faz na sala dos pedagogos?
— Ela está com um mal-estar passageiro, estamos aguardando até que ela esteja em condições para retornar para a sala de aula.
— Regina, você pode me acompanhar até minha sala? – Disse mamãe, com um tom nada agradável.
— Claro. Miss Swan, aguarde por mim aqui.
Sai sem esperar uma resposta, entrei na sala de mamãe e ela já estava sentada e me olhando com um olhar questionador.
— O que você está fazendo?
— Já disse, mãe. Não vou repeti, não tenho paciência.
— Ah, não tem paciência para me dizer o que está acontecendo, mas tem ousadia para trazer uma aluna até a sala dos professores durante o horário de aula e ficar acompanhando ela, enquanto você tem N coisas para fazer, como por exemplo dar aula? E outra, não sabia que você agora além de psicóloga e professora, era médica também.
— Eu não disse em momento algum que eu era médica, e eu não devo satisfação de tudo que faço da minha vida para você, não sou mais uma criança.
— Aqui eu não sou sua mãe, Regina. Sou uma coordenadora, e estou te tratando como qualquer outra professora.
— Primeiramente, não me ofende você falar que aqui não é minha mãe, porque fora daqui você também não faz esse papel como deveria, e você é uma coordenadora de disciplina, seu vínculo é para com os alunos, a coordenadora pedagógica a qual respondo é a Milah, você pode até me tratar como qualquer professor que tem aqui, mas ao contrário deles eu sei dos meus direitos e não tenho medo de Cora Mills, agora se você me der licença irei ver como Emma está.
— Emma? Já estão assim tão íntimas? – Droga, me perguntei a mesma coisa, nunca chamava os alunos pelo primeiro nome. Naquele momento senti minhas bochechas corarem, mas mamãe não viu, eu já estava de costas na porta, apenas sai.
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