Innocent girl
10 Capítulo 10 - Tensão
Notas iniciais
POV EMMA
Acordei mais cedo que de costume aquela manhã, estava preocupada com minha mãe, raramente via ela chorando, se é que vi alguma vez, minha mãe tem o espirito bem leve, apesar de trabalhar praticamente o dia todo, sempre que a vejo, ela está sorrindo. Me levantei, escovei meus dentes, tomei um banho e fiquei pronta para escola, quando percebi que Snow já estava acordada e preparando o café da manhã me dirigi para a cozinha, ela parecia estar devastada, como se tivesse chorado a noite toda.
— Bom dia, mãe – Disse, dando um abraço nela, não era comum eu dar abraços, mas senti que ela precisava, e eu estava certa, pois ela desabou em lágrimas. – Mãe, se acalma e me conta o que aconteceu, aconteceu algo com o papai? — Meu pai viajava de segunda a quinta a trabalho, então logo pensei que ele havia sofrido algum tipo de acidente, o que fez meu coração disparar, mas eu tinha que manter a calma e ser forte por minha mãe.
Mamãe chorou por uns 5 minutos sem parar, até que foi se acalmando, se virou em silêncio e terminou de preparar o café da manhã, eu fiquei na mesa sentada e a observando, eu estava extremamente ansiosa. Ela se sentou, pediu para que eu comece para conversamos. Comi rapidamente.
— Pronto mãe, pode falar.
— Emma... Seu pai, ele...
— Fala mãe, a senhora está me deixando nervosa.
— Tudo bem, vou te contar do começo, para que você entenda.
— Ok.
— Apesar de não comentarmos nada, você sabe que após a morte dos seus avós seu pai ficou tão triste que a única saída que ele encontrou foi o álcool, e após aquele dia, seu pai bebe todos os dias, ou bebia, porque nem sei se eu o conheço mais.
— Mãe, do que a senhora está falando? Como assim, não o conhece mais?
— Emma, me faça as perguntas no final, me deixe terminar. Continuando... Então seu pai arrumou esse emprego, no qual ele tem que viajar 4 dias da semana, para trabalhar em outra cidade, mas quando ele fica aqui nós finais de semana, comecei a perceber que ele não estava mais bebendo.
— Mas isso é uma coisa boa, não?
— Sim, é uma coisa boa, mas eu achei estranho, porque eu tentei de tudo para seu pai largar a bebida e ele não o fez. E em uma dessas viagens ele volta falando que não bebe mais? No mínimo estranho.
— Sim... Mas deve ser que estava prejudicando ele na empresa, sei lá... Acordando com enxaqueca?
— Esse foi meu primeiro pensamento, a empresa, mas o instinto fala mais alto nessas horas, então resolvi seguir seu pai ontem, e acompanha-lo até essa outra cidade, para ver onde ele estava ficando hospedado.
— Mãe!!!
— Continuando... – Disse ela meio impaciente – Seu pai parou o carro em uma casa, isso mesmo, Emma, uma casa, não em um hotel. Eu achei muito estranho, fiquei parada em uma esquina próxima até ver seu pai sair e fui até a casa. Toquei a campainha e uma criança me atendeu, deveria ter uns 3 anos de idade, e eu perguntei, “sua mãe está?” e ele me disse que ela estava na cozinha, então perguntei, “e seu pai?” e sabe o que ele me disse?
— O que? – Perguntei sentindo meu coração apertar.
— Ele me disse que o pai dele havia acabado de sair para trabalhar, fiquei acabada, mas não quis acreditar naquilo, então perguntei qual era o nome do pai dele e ele me disse que o pai dele se chamava David.
— O QUE? O papai tem outra família?
— Então eu pedi para que ele chamasse a mãe dele. Katherine, loira, alta, olhos claros. Perguntei para ela sobre David e ela simplesmente me disse “Você é Snow White, certo? A ex esposa de David? O que você está fazendo aqui?”
— Mãe... Meu Deus... Eu sinto muito, eu sinto tanto, não acredito que o papai fez isso com a gente. – Nesse momento eu já estava em lágrimas junto com a mamãe, mas eu tentava ser forte, ela ia precisar de mim, mais do que nunca. – E o que você fez?
— Eu não consegui fazer nada, Emma. Eu perdi todo meu chão daquele momento, sai dali apressada, entrei no carro e esperei eu me acalmar, e liguei para o seu pai. O que eu quero te falar é que não o veremos por um bom tempo, eu o proibi de aparecer aqui, pelo menos por enquanto.
— Entendo, eu também não quero ver ele. Eu vou ficar aqui com a senhora, não vou à aula hoje.
— De jeito nenhum, não quero que você falte a escola, seu pai não merece que paremos nossas vidas para ficarmos aqui chorando por ele, eu vou trabalhar e a senhorita vai a aula, eu vou te deixar lá, se não você vai se atrasar.
— Mas, mãe...
— Sem mas, vá pegar suas coisas.
Chegando na escola, fui direto para o banheiro conferir meu rosto, por ser muito branca, quando eu chorava, além dos meus olhos ficarem avermelhados, meu rosto também ficava, mas já estava ok, apenas os olhos estavam um pouco vermelhos, então me encaminhei para a sala.
— Bom dia, loirinha.
— Bom dia Ruby, bom dia Zelena. – Disse tentando esconder a tristeza que estava sentindo.
— Emma, seus olhos estão vermelhos. Aconteceu algo?
— Não gente, é que passei a madrugada acordada, fazendo um trabalho para o cursinho. – Menti.
A aula ocorreu normalmente, todos estavam rindo de alguma besteira que o professor de geografia estava falando, mas eu não estava conseguindo prestar atenção em nada, resolvi me retirar da sala.
— Professor.
— Pode pegar o crachá na mesa, Emma.
— Não, na verdade eu queria me retirar da aula, não estou me sentindo muito bem, acho que porque passei a noite em claro fazendo trabalho.
— Tudo bem, Emma. Pode ir, cuidado para Cora não te pegar sem crachá, e retorne logo, em 15 minutos começa a sua próxima aula.
— Ok. – Ele falar da próxima aula, só me fez querer mais ainda sair daquela sala, pois a próxima aula era de Regina.
Me retirei da sala, e fui pra um canto escuro atrás do colégio.
POV REGINA
Cheguei na sala de Emma e a primeira coisa que percebi é que ela não estava ali, mas as suas coisas sim, mas que diabos ela estava pensando? Será que ela queria outra advertência? Comecei a aula e ignorei esse fato, expliquei um pouco do conteúdo e passei um exercício para os alunos fazerem em sala, me sentei em minha mesa e esperei pelas dúvidas, mas o fato de Emma não estar ali, estava me incomodando. Então fui até a mesa de Ruby e perguntei por Emma.
— Ruby, onde está a senhorita Swan?
— Eu não sei, ela chegou aqui com os olhos vermelhos, disse que ficou a noite em claro fazendo um trabalho, depois disse que não estava se sentindo bem e saiu da sala, durante a troca de professores eu procurei ela em todo pátio, banheiro e cantina, mas não à encontrei.
— Ok. Continue fazendo o exercício, eu vou procurar por ela, pois eu não permiti que ela ficasse perambulando por aí durante a minha aula.
Me retirei da sala de aula e fui procurar por Emma, não a encontrava em lugar algum, só falta um lugar, atrás do colégio tinha um beco, entre a parede da sala dos professores e o muro, e foi lá que a encontrei, sentada, com a cara afundada no joelho, chorando desesperadamente, e nossa... Como aquilo doeu, não entendi bem o porquê, na verdade não entendo nada sobre o efeito que Emma causa em mim, então me sentei ao seu lado, por puro impulso.
POV EMMA
Me sentei e comecei a processar tudo que Snow havia me contado, parecia um pesadelo. Eu nem percebi quando comecei a chorar, mas quando percebi já estava em um choro compulsivo; Já havia algum tempo que eu estava ali e então percebi a presença de alguém se sentando ao meu lado, preferi não olhar quem era, não queria que ninguém me visse nesse estado.
— Miss Swan, o que aconteceu? – Era ela, Regina. Pelo tom de voz parecia bem preocupada.
— Nada.
— Swan, você não estaria nessa crise por nada... O que aconteceu?
— Como você se importasse.
— É claro que eu me importo, porque você acha que eu estaria aqui? – Disse ela, nervosa com meu comentário.
— Meu pai...
— O que tem seu pai? Aconteceu algo com ele? Quer que eu te leve pra casa?
— Não... Meu pai tem outra família – Disse eu, abraçando Regina em um ato impulsivo e segurando as lágrimas que queriam cair.
— Oh, Swan. Eu sinto muito – Disse ela realmente preocupada.
— Obrigada por vim atrás de mim.
— É minha função vir atrás de um aluno que não está em sala de aula, certo? — Disse ela, voltando ao seu tom autoritário.
Naquele momento meu sangue subiu, não acredito que ela ia me tratar como um aluno qualquer logo naquele momento, mas que droga.
— Que droga, Regina. Você é realmente uma Evil Queen. Vá se ferrar. – Disse, saindo de lá.
Fui até o banheiro, e fiquei ali até a aula de Regina acabar, voltei para sabe, disse para as meninas que foi apenas um mal-estar e que já estava bem, assisti todas as aulas seguintes, fui para o curso da tarde, cheguei em casa, fiz janta para meu irmão e eu, e me deitei. August não sabia de nada, provavelmente mamãe estava procurando uma maneira menos dolorosa de contar a notícia para ele.
Peguei meu celular e fui olhar mensagens antigas, a de Regina ainda estava ali, acho que fui grossa com ela mais cedo, resolvi ligar pra ela, para me desculpar. Mas é claro que ela não atenderia. Abri a agenda de contatos, procurei por seu nome, e disquei seu número, o telefone chamou apenas uma vez e ela já atendeu, incrível.
— Swan?
— Sim, sou eu.
— Aconteceu algo?
— Não, eu só queria me desculpar por hoje mais cedo. Reagi mal e você só estava tentando ajudar.
— Tudo bem... Mais alguma coisa?
— Não, obrigada e boa noite.
— Boa noite, Swan.
Mal desliguei o telefone e ele voltou a tocar.
— Alô, quem fala?
— Já deletou até meu número, Emma?
— Neal? Oi... Tudo bem?
— Não, Emma. Você pode vir aqui fora, aconteceu uns problemas na minha família e eu preciso desabafar com alguém, estou muito mal.
— Neal, já tá tarde...
— Por favor, Emma. Eu pensei na sua proposta de sermos amigos, e acho que daria certo sim. Afinal eu gosto de você e você gosta de mim... Eu preciso de você agora.
— Tudo bem, deixa eu só colocar uma roupa aqui, porque estou de pijama e já estou saindo.
Desliguei o telefone, vesti uma calça e uma blusa aleatória e saí, Neal estava dentro do carro, entrei e ele pediu para que colocasse o sinto que íamos para uma praça ali perto, conversar. Mas ele começou a se afastar muito da minha casa.
— Neal, pra onde estamos indo?
— Confia em mim, Emma.
— Não, Neal... está tarde, não avisei minha mãe que eu sai, por favor, me leve de volta para casa.
— Cala a boca, Emma, você fala demais.
— Como é?
— Cala essa boca.
A última visão que tive foi Neal pegando um pano com um cheiro muito forte e colocando no meu rosto, eu apaguei.
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