Innocence

1 Mudança


Notas iniciais
BOA LEITURA!

Link Camionete: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/caminhonete-ford-f-100-decada-de-1960-7829-MLB5278491830_102013-F.jpg

Link Planta da Casa: https://www.mediafire.com/?aualuze2atgmgyk

Manhã de Sexta; Sol/Calor — Domonicky

— Pronto, Pai! — gritei colocando a última mala no carro, um Gol Preto completo. — Já podemos ir!

Dei a volta na garagem e fui para o banco do passageiro. Estava indo para o apartamento das minhas melhores amigas (e sua namorada), onde iria morar até terminar a faculdade. Eu morava bem longe da faculdade, tendo em média 40 minutos de percurso até chegar lá. Graças a muito esforço, consegui passar para Engenharia de Mecatrônica na UFSJ. Não, não é a Universidade Federal de São Joao del-Rei, e sim a Universidade Federal de San Jordan. Uma pequena cidade a 2 horas de Belo Horizonte.

Ah, San Jordan! Uma belíssima cidade com um lindo lago no parque que ficava no centro da cidade. Ela é um pouco menor que Campo Grande, de Mato Grosso do Sul. Pouco notada por ser tão nova, tendo apenas 38 anos. Enquanto meu pai não subia no carro, confirmava minhas coisas.

Malas com roupas e sapatos, mala com coisas inúteis, mochila com notebook e coisas para a faculdade, gaiola da minha calopsita Astrogonopolda.... É, tudo aqui. Encaro minha calça jeans colada e rasgada nos joelhos, amarro os cadarços do meu coturno velho e vejo se não sujei minha regata cinza solta e a camisa xadrez vermelha e preto na cintura. Graças a algum milagre estava tudo limpo, arrumei os cabelos castanhos claros e coloquei meu boné de aba reta vermelho por cima.

Finalmente meu pai entrou no carro, vestido para o trabalho. Era umas 8 da manhã no máximo e a manha estava realmente agradável, com um ventinho gelado as vezes refrescando o calor. Meu pai trajava uma roupa até simples para um advogado, usava uma camisa social com as mangas dobradas, jeans escuros e no pé um tênis discreto. Mas no banco de trás estava seu blazer preto, que ele colocaria ao entrar no escritório, já que lá tem ar condicionado e estará meio friozinho.

O caminho para a minha nova casa foi até rápido pela minha distração nas músicas que tocavam, que meu pai insistia em trocar a cada 5 segundos. Até que tocou uma batida bem familiar para mim.

— Deixa Ai!!! — gritei aumentando o volume imediatamente. A música era Happy, do Pharrell Williams.

Essa música era uma que me trazia boas lembranças, por sorte quando paramos no sinal vermelho estava bem na parte do refrão e eu e meu se olhamos antes de danças loucamente no carro. A gente fazia isso sempre quando tocava essa música e era simplesmente um dos melhores momentos da minha vida. E foi assim o caminho inteiro. Quando paramos na frente do prédio, Vic e Kat estava me esperando ali para ajudar com as coisas.

Vic tinha longos cabelos negros e olhos cor de chocolate, usava uma camisa solta que suspeitava ser de pijama e um shortinho jeans junto com seus chinelos. Kat trajava sua camisa com estampa de gatinho de óculos, bermudão e um chinelo velho. Seu cabelo curto estava molhado e seus olhos castanhos esverdeados estavam preocupados.

— Garota, pensei que ia trazer a casa inteira! — brincou Victoria vindo me abraçar quando desci do carro.

— É bom te ver também — a apertei nos braços, era ela menos que eu, como todo mundo. Essa era uma das desvantagens de ter 17 anos e 1,78 e sua melhor amiga ter 1,60. Encarei Kat, a namorada dela que olhava a rua ansiosa por algo. — Oiiii Katheriny — chamei indo até ela, que focou em mim e sorriu... e logo em seguida voltou os olhos para a rua. — Esperando alguém? — perguntei, sem jeito por ser a segunda vez que via a namorada da minha melhor amiga pessoalmente.

— Estou preocupada com a Ty... — ela disse mordendo o lábio inferior.

Ty... tinha ouvido muito dessa garota que até irritava. Pelo o que as duas me contaram quando fomos comer pizza e me convidaram para morar com elas, a garota era naturalmente Estadunidense e foi deixado pelos pais aqui num Orfanato para adoção com 5 anos. A garota então foi adotada por um casal de gays e hoje não sabia exatamente nada sobre o passado, já que os pais conheciam sua história e a deram tratamento psicológico pelo trauma do abandono.

Victoria a abraçou por trás e eu encarei as duas... tão fofas e doces que me deram diabetes.

— Relaxa amor, ela mesmo disse que o pai já tava bem e que saiu do hospital ontem à noite... foi estresse da viajem, se preocupa não. — então vi o sorriso da minha amiga crescer — Viu, olha lá a camionete dos pais da Ty.

Segui o olhar das duas e vi a camionete preta estacionando onde a frente do meu pai. Entre as caixas de som num volume super alto no local das bagagens, estava a tal Ty. Ela vestia uma regata vermelha com um círculo em azul no meio... demorei um pouco para ver que ela tinha a estampa da armadura do homem de ferro. Usava uma calça Saruel jeans bem velhinha e solta, de um jeito que sua cueca do super man ficasse avista de uma forma discreta e atraente sem ser vulgar. Nos pés lindos Vans de cano alto vermelho para combinar com a camisa. Um gorro preto discreto e um óculos ray-ban Wayfarer para destacar aqueles lindos olhos azuis.

A garota tinha um maxilar bem marcada e forte, um lindo sorriso nos lábios e os músculos dos braços numa definição atraente. Seus cabelos negros saiam do gorro. Ela então colocou nos ombros uma mochila preta grande e numa mão a caixa de violão adesivada, desceu e pegou a mala preta um pouco menor que a minha. Os dois homens desceram e se aproximaram da gente de mão dadas. Vi meu pai encarar aquilo com uma cara feia. Ah, pai... por que tão preconceituoso?

— Olá, Katheriny — disse o mais alto deles.

— Olá, George — ela disse sorrindo e abraçando o homem. — Michael — ela olhou para o outro que sorriu meigo para ela.

— Ah, má chérie — disse o menor para a Ty num sotaque forte francês — sentirei tanto sua falta!

Père — ela disse com um jeito manhoso que me fez arrepiar — Ficarei bem, uoi? — ele assentiu a abraçando.

Vi os dois sorrindo e vi meu pai descer do carro e vir até nós com minhas malas. O tal George era maior que ele, o que não o deixou tão contente. Ele pareceu estar até calmo, mas então casal gay se beijou e o vi bufar. “Ah, não...” pensei mordendo o lábio inferior.

— Olá — ele disse sorrindo. — Sou o pai da Domonicky, quem são vocês?

— George — se apresentou. Ele usava camisa folgada no corpo e jeans colados com tênis de corrida. Seus cabelos eram negros e seus olhos cor de mel.

— Michael — esse trajava uma polo rosa, bermudão e chinelos. Seus cabelos loiros estavam bagunçados e tinha um contraste interessante com seus olhos verdes.

— Sou Roberto, é um prazer conhece-los — meu pai aperta encara a mão dos dois de maneira firme e sorrindo forçado. Ele encarou a garota — Quem é o rapaz ai?

— É uma garota, senhor Roberto — disse Katheriny timidamente.

— Oh — meu pai empalideceu e forçou um sorriso enquanto disfarçadamente limpava a mãe na calça. Ele realmente não gostava de homossexuais... — É um prazer, qual seu nome? — ele estendeu a mão.

— Taylor Machado de Oliveira. — ela disse com uma voz que mostrava pura ironia e chegava a ser engraçado, encarou a mão do meu pai e disse na maior sinceridade. — Eu vi você limpando a mão após tocar na dos meus pais, não vou apertar só para vê-lo repetir o ato.

Encarei a garota com faíscas nos olhos. Quem ela achava que era para falar assim com meu pai? Tudo bem que ela foi até educada, mas o modo perfeccionista dela ao falar... Marcando bem o R e numa dicção invejável... aquilo me irritou profundamente, a dava um ar superior a nos. Meu pai fiquei de boca aberta encarando a garota da voz engraçada e infantil. Os pais dela disseram:

— Ninguém é obrigado a gostar de nós, Ty — disse George meio cansado.

— Então também não sou obrigado a gostar de preconceituosos. — ela repetiu em seu tom de tedio.

Logo depois disso a conversa se deu por encerrada e subimos com as coisas para o apartamento. Ty levava tudo sozinha enquanto conversava com Katheriny, meu pai fez questão de subir e deixar todas as minhas malas na sala.

Era pequeno, mas seu pequeno espaço fora bem aproveitado. A sala tinha um sofá pequeno que cabia três pessoas sem problemas, uma estante branca e cinza que combinava com o tom acinzentado do sofá. Uma porta de vidro separava o cômodo principal da sala de jantar, que tinha um balcão demarcando a cozinha. Um pequeno corredor tinha três portas e no fim dele a lavanderia. Uma delas era o banheiro, a outra era o quarto da Vic e da Kat e a que ficava na outra parede era a do meu quarto. Ele tinha uma mesa num canto, uma enorme janela, um guarda roupa grande e um beliche.

Minha colega de quarto já tinha largado sua mochila na de cima, deixando claro que era seu. Suspirei e vi ela vindo do banheiro para arrumar suas coisas. Ela deixou suas malas num canto e logo resolvi pegar a fita e dividir o quarto no meio. Ela ficou com a parte da janela e eu com a da porta, onde a porta ficava, ao lado da cama.

Especificando melhor, a janela ficava na parede contraria a da porta, que ficava mais a próximo a parede do beliche, o guarda roupa ficava do outro lado do quarto, sendo assim o oposto da cama.

— Para que a fita vermelha? — ela perguntou ao ver eu marcar o local no meio.

— Uma parte sua e a outra minha — expliquei me irritando pelo seu jeito perfeitinho de falar.

— Como vou entrar e sair do quarto se a porta está do seu lado do cômodo?

— Só pode passar para sair ou entrar, idiota — digo.

— Ah, okay. Realmente sou uma idiota... Mas não sou eu tomando uma atitude infantil como essa de dividir o nosso quarto. — ela tinha um sorriso convencido no rosto.

Ah, não, você não disse isso garota!

Terminei com a fita e deixei em cima da mesa que ficava no meu lado do quarto.

— O que disse? — perguntei perigosamente calma.

— Que está sendo infantil. — ela repetiu me encarando. Droga, ela devia ter uns 1,75. E tinha muito mais músculos que eu. Eu estava na desvantagem naquele momento. Se ia perder a pose de durona? Nunca.

— Você não sabe nem meu nome. — me aproximei dela, na esperança dela vacilar ou recuar. Mas ela não o fez.

— Ah, não? — ela sorriu vencedora e eu arregalei os olhos. — Domonicky Correa dos Santos? — O jeito que ela pronunciou meu nome, como se apreciasse cada silaba, me fez recuar.

Aquele sotaque francês e dicção perfeita era irritante, mas tinha me feito recuar. Ela me venceu com um sotaque e jeito certo de falar. Aquilo não ia ficar assim. Grunhi em raiva e a empurrei pelos ombros esmurrando seus ombros em quanto ela caminhava de costas para fora do quarto.

Ela ria. A maldita ria a cada golpe que levasse como se estivesse se divertindo com a situação. Foi então que a desgraça caiu e eu fui junto, já que ela havia me segurado pelos cotovelos, tentando diminuir meus golpes. Eu cai em cima da idiota, que perder os óculos na queda. Aqueles brilhantes olhos azuis intensos estavam encarando os meus verdes claros numa confusão que não sabia definir. Senti um frio na espinha a olhar para a imensidão azul que aquilo era...

— Opaaa — disse Vic em tom de deboche atrás de mim. — Acho que minha amiga esta caidinha pela colega de quarto... literalmente.

Grunhi novamente me levantando e indo até o quarto, onde bato a porta com forças.

Eu estava pagando pelos meus pecados, mas o que fiz de tão ruim para merecer ela? Eu mal conhecia a garota, mas tudo nela me irritava e era motivo para mim a dar um soco. Mas aqueles malditos olhos me fazia congelar e parar no tempo.

Estava condenada a passar os anos da faculdade dividindo o quarto com Taylor, a maldita desgraça desastrada que dormia em cima da minha cama.

Seria um longo tempo até eu me formar...

Notas finais
os links tão nas notas inicias, dão uma olhadinha, sim?