Innocence

4 Lembranças e Evolution


Noite de Terça – Céu nublado/acho que vai chover... — Taylor

Lá estava eu com fazendo minha mala de mesa para conseguir jogar no meu notebook. Eu só precisava fazer isso por que Domonicky deixou a mesa na parte dela do quarto.

Eu estava num momento crítico e poderia fazer um QuadraKill no League of Legends... se Duque não desse uma de gato gamer e ter subido no meu notebook, fazendo todas as habilidades do meu carinha irem para o nada.

— Obrigado, Duque, foi extremamente útil isso — resmunguei. Ele me olhou e miou, parecendo brincar com minha ironia — Sai, Duque!

Depois de terminar a partida, decidi que precisava comer algo. Sai do quarto e vi as garotas reunidas no sofá vendo alguma coisa chata. Me servi de um copo de leite, mas ao estar no caminho do quarto alguém bate na porta.

— Eu atendo — me manifesto indo até a porta. Abri a porta e vi o loiro na porta vestido de uma para parecer casual. — Aff — disse e fechei a porta.

— Quem é? — Domonicky perguntou. Éramos mais ou menos amigas naquela época.

— Philipe — disse com pouca importância.

— Taylor! — ela disse levantando e indo atende-lo.

Eles estavam ficando vazia alguns dias e isso doía. Antes de entrar no quarto tive que ver eles se beijando. Fechei a porta com cuidado e tranquei antes das lagrimas começarem a escorrer.

Eu sabia que ela não me amava como eu a amava, mas ainda assim doía, feria, machucava. Abri minha mochila pegando minha faca de decoração da minha parte do guarda roupa. Ela era de verdade e afiada. As lagrimas borravam minha visão, e eu ainda estava sem óculos. Mas quando toquei a lamina no pulso, Kat bateu na porta.

— Taylor...? — sua voz parecia um sussurro em minha mente. Tudo parecia ter deixado de existir. — Skylart...? — ela chamou num sussurro, mas pareceu que ela tinha gritado.

Partes de uma lembrança antiga voltou a minha mente. Lá estava eu acordando num dia chuvoso com meu pai sorrindo para mim com um Cupcake nas mãos com uma velinha em cima. “Happy Birthday, Sky!”, ele dizia sorrindo para mim. Destranquei a porta e sorri triste para Katheriny.

— Happy Birthday, Sky... — disse e ela viu a faca em minha mão. Segundos depois da lamina tocar o chão, ela me abraçou.

— Oh, Ty... Eu te amo... — ela sussurrou em minha orelha.

— Eu também te amo... — a apertei em meus braços e caminhei fazendo a gente trompar na parede.

Ela riu e me apertou mais ainda me empurrando contra a outra parede, só que eu tropecei nos meus próprios pés e caímos no chão. Logo estávamos brincando de lutinha no corredor.

— Crianças! — ralhou Victoria — Sem brigas no corredor, pro sofá, agora! — ela deu um sorriso, entrando na brincadeira.

— Mas, amor... — tentou Kat.

— Sofá, agora. — ela repetiu e caminhamos com um bico para o sofá.

Assim que sentei, senti o olhar de Domonicky em mim. Meu rosto ainda estava vermelho e inchado pelo choro, e isso pareceu incomodar ela. Philipe até tentou chamar a atenção dela, mas parecia nem notas ele falando. Seus olhos estavam sobre mim e isso me incomodava de uma maneira boa.

Depois de jantarmos, eu e Domonicky fomos para o quarto. Ela ainda me olhava daquele jeito e eu estava começando a ficar desconfortável, então decidi dormir.

Grande erro da noite, assim que encostei a cabeça no travesseiro, apaguei. Só que as lembranças vieram.

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Madrugada de quarta – Frio/Frio — Katheriny.

Eu sabia que ela iria piorar, só não sabia que ia ser tanto.

Lá estava em deitada no sofá dormindo de conchinha com Taylor. Não, não é nada disso. Ela teve um pesadelo e era só uma criança, deitar assim com ela era o único jeito que a deixava segura. As vezes ela acordava com o coração disparado e a respiração ofegante, então eu só a abraçava com mais força e ela dormia novamente.

Em parte, sabia que era culpa de Domonicky. Ty nunca havia ficado tão mal por conta de uma garota, mas dessa vez a coisa estava ficando seria. Eu estava quase cochilando quando ela apareceu na sala e perguntou num sussurro:

— Ela tá bem?

— Nada que fuja do normal da Taylor — sussurrei de volta. — Que horas são?

— 4:42 — ela responde sem nem olhar o relógio.

— Cuida dela aqui um pouco? Vou fazer um chocolate quente para ela... ela sempre melhora depois de um xicara de chocolate quente com chantilly.

Ela assentiu e assim que eu levantei deixando Ty ali enrolada na coberta, Nicky correu para o lado dela. Da cozinha a vi mexer no cabelo da morena com uma delicadeza não muito comum nela. Acho que no fundo ela gostava mesmo da nerd ali... e foi então que eu lembrei como eu a conheci, aquela inocência era tão pura que era impossível não gostar de Taylor.

Então lembrei de como a gente se conheceu...

Eu realmente estava ansiosa para o primeiro dia de aula. Seria meu primeiro dia em uma escola e eu queria aprender e conhecer uma pessoa legal para ser a minha melhor amiga. Só não esperava encontrar ela num balanço no parquinho.

De todas as outras crianças ali, ela foi a única que me chamou atenção. Tinha o cabelo cortado num moicano e vestia uma fantasia do Capitão América. Mas tinha óculos grandes com um durex ali no meio. Me sentei no seu lado e ela me encarou.

Para duas crianças de 7 anos, nos demos muito bem.

Brincávamos em tudo, subíamos em arvores, fazíamos pegadinhas. Tudo. E depois de 10 anos, Taylor ainda parecia ser a mesma.

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Tarde de Quarta — Sol/Calor — Domonicky

Eu passei o resto do dia com a imagem de Taylor dormindo feito anjo no sofá, e pensar que acordada era aquela desgraça irritante... Deixei isso de lado para dar a grande notícia as garotas:

— Nós vamos numa festa hoje — eu disse fazendo todas me encararam de sobrancelha erguida. — Ah, fala sério. Vocês não conhecem a Evolution?

— Ah, você tá me zoando! — Victoria deu um gritinho — Eu sempre quis ir lá, como conseguiu os convites?

— Philipe — sorri e vi Taylor revirar os olhos.

— Amor, nós temos que ir — disse minha amiga para Kat.

— Okay, eu vou — ela disse, derrotada com o olhar da namorada.

Encarei a Taylor com uma esperança estranha dentro de mim, eu queria que ela fosse... e ao mesmo tempo queria que ela não fosse.

— Desculpa, já tenho planos para hoje à noite. — ela sorriu de um jeito extremamente fofo. A encarei semi cerrando os olhos. — O que? O League of Legends atualizou e eu cai para Diamante I, tenho que recuperar meu Tier de Mestre! — ela disse como se não entendesse o porquê de não acharmos aquilo importante.

— Atualizou? — Kat disse e suspirou — Eu tinha acabado de ir para Diamante II... ainda não atualizei o meu...

— Vamos todos a boate. Sem exceção. — encarei a Ty.

— Não pode me obrigar a ir.

— Posso, irritante, eu posso — a encarei com um sorriso maldoso.

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Noite de Quarta — Céu Nublado/Brisa fria — Domonicky

Foi fácil fazer Ty não ficar em casa no computador, eu troquei a senha da internet e ela perdeu o acesso à rede, ficando assim sem o precioso jogo. Difícil foi deixar ela o menos nerd possível.

Eu vestia um shortinho jeans e uma regata soltinha por cima, e all star cano médio preto. Vic colocado um all star qualquer que achou no fundo do armário, um jeans colado e uma camisa de manga canoa. Kat optou por um jeans surrado, coturnos e uma camisa de uma banda que eu não conhecia... algo como ‘Bring Me The Horizon’.

Taylor já usava um jeans velho e rasgado nos joelhos, um all star vermelho sujo, uma camisa do super man branca com as mangas azuis e uma camisa vermelha xadrez por cima desbotada. Depois de muita insistência ela finalmente penteou o cabelo, e foi tudo o que consegui dela naquela noite. Além de maquiar Victoria de uma maneira invejável, ela arrumou o cabelo de Katherine que estava pior que minha Calopsita quando estava assustada. Tudo pronto, o irmão mais velho de Philipe pegou a gente de carro.

O ruim é que o carro era um Gol, então alguém foi no colo de alguém. Por sorte Kat ficou com Vic no colo e eu tive que ir com o ombro colado nos de Taylor, o que não foi agradável. Mas chegando lá, todos nós entramos sem precisar esperar na fila já que Eduardo, irmão de Philipe, era vip no lugar e tinha dado convites vip’s para nós.

Assim que entrei senti o cheiro das bebidas e então fiz uma promessa para mim mesma: Eu ia beber até não aguentar mais. O estresse da faculdade me matava e... eu precisava de um pouco de álcool.

Se eu soubesse o que ia acontecer depois que eu bebesse, eu juro que ficaria no suco de laranja.