Inner Outer Space
11 Verdade e...
Notas iniciais
Tirei o capacete com pressa. E também com dificuldade, não é fácil tirar algo que você não enxerga. Senti um certo alívio ao entregá-lo para Kasumi, pois, por menor que fosse o incômodo, o SPIPA era mais pesado que nada.
- $¨%*£¢$%& — ela disse, segurando-o.
- Ahn... De nada?
Ela o vestiu e instantaneamente assumiu a forma humana com a qual nos acostumamos. Ana acordou nesse momento, olhando para ela.
- Tá tudo normal, agora – Kasumi disse, com um sorriso.
- Ah, assim é bem melhor – respondeu, aliviada por vê-la “humana”, falando nossa língua e ao lado de um Matt inalterado. Levantou-se, dirigindo-se a mim – Você tá normal também, né?
- Sim.
- Que bom – ela sorriu por um momento, depois me deu um tapa na cara.
- Aii!! Por que você fez isso?! – perguntei, choroso.
- Pra você se lembrar de nunca mais fazer uma coisa dessas.
Fiquei mudo. Não sabia se devia pedir desculpas ou rir. Ela notou minha dúvida e a esclareceu, rindo:
- Calma, Matt, eu sei que foi necessário!
- Tá – eu ri – mas vai ficar uma manchona na minha bochecha...
- Ah, seu fracote! – falou, com uma expressão de deboche – Como você quer me proteger desse jeito?
- É... – respondi, também debochando – Primeiro, é bom eu aprender a ME defender.
- Isso é um desafio? – ela perguntou, se aproximando.
- Talvez... – eu disse, com um certo medo do sorriso que ela tinha no rosto. Porém, contrariando minhas expectativas de outro tapa ou algo pior, ela me envolveu em seus braços e...
- Etoo... Podemos voltar ao assunto em questão? – Kasumi lembrou.
Ainda na frente do beco escuro, formamos uma rodinha (ou melhor, um triângulo) e retomamos as idéias que tínhamos até ali.
- Ok, Kasumi – comecei – Está mais que comprovado que seu SPIPA é o mesmo desde que você chegou à Terra.
- Certo – ela confirmou.
- Isso quer dizer que você não poderia estar na casa da Ana enquanto eu estava lá.
- Certo – ela repetiu.
- Mas isso não significa – Ana interveio – que não foi você que mexeu na minha memória anteontem.
- Mexeram na sua memória?! O que foi apagado?
- Nada foi tirado – eu disse – Colocaram uma memória nova na mente dela.
- O SPIPA indicou isso? – Kasumi parecia perplexa.
- Sim. Se quiser conferir, sinta-se a vontade.
Kasumi ficou paralisada por um instante, olhando fixamente para Ana, que contraiu uma expressão amedrontada. Eu estaria do mesmo jeito se tivesse uma alien de olhos arregalados direcionados a mim. Por fim, ela voltou a si e perguntou:
- Quem é essa Joana?
- Bom... Achávamos que fosse você.
Ela parou outra vez, mas agora sem olhar para nada específico. Parecia imersa em profundo pensamento. Nós a encaramos, esperando alguma resposta, até que Ana perdeu a paciência:
- Oi, dá pra falar alguma coisa? Só pra constar, o silêncio não vai salvar sua pele!... Ou seja lá o que te cobre.
Kasumi manteve-se calada. Quando Ana abriu a boca para falar novamente, ela exclamou:
- ...ah! Achei!
De repente, ela se levantou. Ouvimos um barulho de turbina, como se um avião estivesse prestes a decolar. Mas quem decolou foi Kasumi, fazendo Ana e eu gritarmos em uníssono. Continuamos travados enquanto ela sumia por trás das casas.
- ...Ela voa? – Ana estranhou — ...Matt, você deixou ela fugir!
- Eu nem sabia que ela fazia isso! E de qualquer jeito, acho que eu sei o que ela pretende.
- Não me diga que ela vai voltar aqui carregando a Joana nos braços...
- Aqui está! Esta é a sua Joana, certo? – Kasumi surgiu do nada, com Joana em seus braços, se debatendo.
- É, exatamente – disse às duas, ainda que Ana estivesse vendo a cena, sem acreditar.
- Solta, sua maldita! Quem você pensa que é? – disse a falsa empregada.
- Pergunto o mesmo pra você – respondeu a outra falsa empregada (que agora, estava outra vez do nosso lado) – O que você acha que está fazendo com essa inocente menininha?
- Eu nem conheço essa garota! – falou, e antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, começou a gritar de dor e se debater mais forte. Kasumi estava imóvel.
- Isso foi um choque elétrico? – perguntei.
- Não, é uma tortura neural avançada. Funciona só com espécies de nível 57 pra cima, então fica tranqüilo!
- Ah, tá... – odeio quando ela destaca essa inferioridade.
- Droga, você tem um SPIPA – decepcionou-se Joana (ou seja lá qual for o nome verdadeiro dela) depois que passaram seus espasmos – Não posso te enganar.
- Não, mesmo. Acho bom falar seu objetivo de uma vez, Joana. Ou eu deveria dizer, JNN-60606K?
- ...Ei! Isso quer dizer que ela veio do mesmo lugar que você? – exclamei.
- Mais ou menos. Dá pra saber que ela também trabalha para o C.E.M. . O que é muito estranho, porque eles me falaram que eu era a única encarregada da Terra.
- Heh! Foi isso que te disseram? – Joana sorriu.
- Foi. E tenho certeza que você sabe de mais além disso.
- É. Eu sei, sim. Mas não estou nem um pouco a fim de compartilhar nada agora.
Os gritos começaram de novo. Dessa vez, ainda mais desesperados que antes. Quando acabaram, Joana, ainda presa e de cabeça baixa, deu uma risada.
- Tá rindo do quê? Você é masoquista, por acaso? – Kasumi estranhou.
- Acho que você está se esquecendo de uma coisa importante.
- O quê?
- Eu tenho a mesma tecnologia que você! – e facilmente se libertou, enquanto Kasumi urrava de dor. Joana olhou para mim e para Ana, que estávamos apavorados, e sorriu, maligna. Um flash bastante familiar saiu dos seus olhos. Sobrou tempo apenas para vê-la voar para longe, enquanto Kasumi se recuperava, aparentemente preparando-se para ir atrás dela.
E ficou tudo escuro.
Notas finais
Vêm mais notícias por aí!
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