Ininterrupto
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Tem certeza que não quer vir conosco? — Amanda insiste, irritada por minha rara negativa.
Eu quero ir.
Eu não posso ir.
Preciso voltar para minha unidade habitacional o mais rápido possível. Preciso continuar com meus experimentos. Tenho que realizar backup de minha memória cerebral. Apesar de um tanto quanto inútil, sempre é bom tem material extra sobre assuntos diversos. Mesmo paleontologia.
Amanda é pequena e simétrica. Sempre sorri ao pronunciar nomes de frutas e bufa ao olhar para hologramas de tarefas. Geralmente se coloca na ponta dos pés para falar com as pessoas, mas nunca usa sapatos com saltos. Seus olhos castanhos sempre estão brilhando e seu cabelo preto cacheado curto sempre partido para o lado esquerdo. Manda ondas de informações com histórias de autoria própria para a rede de inteligência orgânica Kyna! semanalmente. É minha colega de trabalho há 7 meses, duas semanas e dois dias.
– Hoje eu não posso, Amanda. — respondo enfadonho. Meu ser se contradizendo como um pulsar de rotação vagarosa criado após explosão de supernova . Seus grandes olhos imploram e o resto de minha força de vontade entra em colapso. Se eu fosse uma estrala, me tornaria poeira densa de prótons e elétrons ligados. Eu me transformaria em uma estrela de nêutrons. Um pulsar. Invés de girar, curvo minha vontade e fico a mercê de seu obsecro. — Tudo bem. Mas preciso ir embora cedo!
– Sabia que você viria Will! — recebo um abraço de recompensa. Minhas córneas sobem em exaspero, mas não consigo deixar de sorrir. A palavra magia quase ganha significa conciso.– Mas teremos que correr, ou vamos perder a carona.
É claro que não iríamos usar nossos desenvolvimento de transporte de partículas, uma vez que Drian possuía magia de transporte coletivo. Nunca entendi o motivo por trás dele ter adquirido tal desenvolvimento de ki, talvez para impressionar Vee ou qualquer outra pessoa do sexo feminino num raio de 10 1 quilômetro para enciumar Vee.
Nos apressamos pelos corredores do Game S9 meu segundo emprego, quase vertiginosamente. Passamos no escritório administrativo para buscar Collin e nos dirigimos ao campo permitido para transporte. Claro que recebemos olhar e palavras irritadiças de Vee ao chegar 5 minutos atrasados. Vee sempre estava irritada. Drian dá dois tapinhas de leve em seu ombro esquerdo. A garota alta mais alta que eu passa as pontas dos dedos sobre o couro cabeludo e esfrega três vezes em exaspero. Joga seu cabelo pra cima e nos dá as costas. Seu cabelo está embaraçado. Uma cortina marrom embolada pelas costas. Ela provavelmente usa flatting. Ninguém tem o cabelo liso desse jeito.
– Todos preparados? — Drian se prepara e todos nós tocamos em seu ombro. Vee é a última, afinal seu momento dramático a levou a alguns metros de distancia de nós. A viagem dura pouco mais de um minuto. Seu desenvolvimento de teletransporte é de ótima qualidade. Antes da desmaterialização de minhas moléculas, sinto o formigar. Porém este não parte de meu centro de ki. Começa na palma que está encostada em Drian, sobe por meu braço até alcançar meu peito e se espalha pelos meus canais de ki.
Chegamos ao Druid PV4, nos sentamos na mesa de costume e pedimos uma pizza. Comida favorita de Collin. Não sei qual o sabor, Drian e Collin que escolheram. Agora, Drian está tentando puxar assunto com uma distraída Vee, enquanto esta verifica novas ondas nas redes de inteligência orgânica social. Amanda está competindo com Collin estalos de pulso eletromagnético a partir de desenvolvimento snap. E eu estou recostado, olhando para o nada, enquanto realizo transferência de informações de um centro de memória temporário para um auxiliar.
Não sei bem o porque de nosso improvável grupo se formou, contudo estranhamento começamos a nos entender após um pequeno acidente que acabou com Driem de braço quebrado. Digo estranho, pois cada um tem personalidades e aparências que nada se parecem uma com as outras.
Amanda é sorridente, animada e levemente traumatizada por sua diminuta estatura.
Collin adora comer qualquer coisa que não for da cor verde. Principalmente se for crocante e frita. É claro que tal personalidade teria consequências, principalmente quando seu gasto calórico é baixo. O acúmulo de lipídios no citoplasma dos adipócitos do tecido adiposo é responsável por grande percentagem de seu peso.
Driem é muito calmo. Completamente o oposto de Collin. Tanto na aparência, como na personalidade. Seu corpo é magro, muito mais do que o normal. Seu cabelo ruivo vivo dá a ele um ar inocente e engraçado. Driem é completamente apaixonado por Vee. Completamente.
Eu pessoalmente não sei o que Vee faz no nosso grupo. Ela aparentemente nos odeia. Na verdade, na minha opinião, a única pessoa de quem gosta é ela mesma. Vee sempre está em seu mundinho de rede inteligente ou irritada conosco. Principalmente comigo. Vee sempre está irritada comigo. A conheço desde que me mudei para minha atual unidade habitacional, ela é minha vizinha.
E eu sou o mais deslocado dos cinco. Até mais que Vee. Eu realmente não faço a mínima ideia do porquê de estar incluído no grupo. Já conjecturei milhares de suposições e não cheguei a nenhuma conclusão. Após muito tempo, simplesmente aceitei. Minha origem oriental me fez magro e alto. Meu cabelo cresce rápido e sempre está cobrindo meus olhos, tanto que já aceitei minha franja castanha.
– Will! — sou desperto por uma voz fina que só pode pertencer a Amanda. — Você está dormindo? — Percebo que fechei os olhos.
– Estou. — confesso envergonhado. Não gosto de dormir em público, principalmente quando estou perto de Collin. Nunca se sabe quando serei pego numa magia Funny. — Desculpe.
– Você está babando. — Vee informa sem tirar os olhos das ondas de rede inteligente.
– Como você sabe? Nem está olhando. — Mesmo assim, passo as costas da mão sobre a boca e limpo a saliva ali alocada. Realmente estava babando. Garota medita.
– Eu estava falando sobre o problema no jogo Hugger Hill! 5, conte a eles como foi difícil achar o problema! Diga a eles que não foi idiota.
– Foi idiota, Amanda. — suspiro me lembrando das 2 horas que passamos tentando descobrir o porque do jogo ter desligado e depois descobrir que um rato roeu o cabo de energia ki de conexão com o painel holográfico. — É claro que não estaria funcionando. A conexão de energia ki foi rompida.
– Mas... Tudo bem. Foi idiota. Mas quem poderia imaginar?
– Vocês! — Collin praticamente rugiu. Sua gargalhada deixou claro o motivo pelo qual Amanda estar tão decidida em defender a idiotice mor do dia.
– Pega leve, cara. — Drian tentou aplacar a sede de ironia de nosso grande amigo. Inutilmente, mas ao menos tentou.
– Quem se importa. — Vee murmurou para ela mesma.
– Dois Nerd's 0, minúsculo rato de inteligência inferior 1!
– Na verdade quando cheguei logo verifiquei a origem do problema. — informei entediado — Amanda que não quis dar o braço a torcer. Não estou certo?
– Ah, você também? — A voz de Amanda saiu alguns decibéis mais alto, algumas notas mais baixas. — Eu pensei que estava tudo ok com os cabos de energia ki!
– Eu sei que pensou. Ninguém a esta julgando por isso. — tento a confortar.
– Eu estou! — Collin desata em mais um rompante de gargalhadas.
– Ninguém se importa com o que você faz, Collin. — Vee murmura. E pela primeira vez quase concordo com ela. Quase.
Quando o relógio mostra que já se passa das duas horas da manhã, me levanto para voltar para minha unidade habitacional. Drian ofereceu carona, porém rapidamente recuso, afinal todos estavam se divertindo.
– Não adianta, cara. Nós vamos com você. — Drien insiste. — Mesmo que não queira minha carona, acho que também está na minha hora. Não sou vagabundo como Collin. Tenho aula amanhã.
– Acredito que deva ir também. — Amanda se adianta. Dois minutos depois todos nós estamos saindo do estabelecimento alimentício. O campo de transporte está vazio e escuro. Alguma bateria de ki para iluminação pública deve estar descarregada.
Após silenciosas despedidas me desmaterializo e minhas chaves de encriptação de dados atravessam a cidade por fótons emaranhados. Estou praticamente dormindo durante a viagem, já se passaram sete minutos, quando bato em alguma coisa.
Antes de tudo, sinto dor. Não entendo como ocorreu, mas minhas chaves de encriptação de dados de alguma forma abstrata se chocaram com algo. Muito diferente do puxão que senti quando os Yong me perturbaram pela manhã. Sinto como se tivesse batido de cara com uma parede em alta velocidade, contudo, cada célula de meu corpo compõe meu rosto. O impacto é total.
Por outra razão desconhecida, estou materializado. Materializado e caído no chão de um beco. Tento colocar meus pensamentos em ordem quando percebo que não estou sozinho.
Há mais alguém aqui.
Levo um choque ao perceber que esse outro alguém é conhecido.
Vee está há dois metro de distancia. Aparentemente, também se chocou com a "parede" encriptada. Ela se encontra sentada com a cabeça entre os joelhos. Parece tentar se recuperar, assim como eu.
– Você está bem? — pergunto em voz baixa. Não sei porque estou sussurrando. Não me importo o bastante.
– O que você fez? — dispara ao perceber que também estava lá. É claro que Vee iria colocar a culpa em mim. Mas ao mesmo tempo está confusa. Ela sabe que não há chance alguma de qualquer coisa ali ser minha culpa. — Que saber, não me importo.
Vee se levanta e fecha os olhos.
Nada acontece.Ela tentou se desmaterializar e continuar a viagem.
– Olha, eu não sei o que você está pensando ou fazendo. Mas pare. Agora. — seus olhos estão estreitos e secos. Ela pensa que sou eu agora?
– Não estou fazendo nada. Você deveria saber. — Você não é burra.
– O que você está fazendo aqui então?
– O mesmo que você. Estava indo para minha unidade habitacional quando inexplicavelmente me choquei em alguma coisa. Como estávamos indo para o mesmo lugar e nos desmaterializamos ao mesmo tempo... só não sabia que seu desenvolvimento de transporte era lento como o meu.
– Se você está... — contudo, sinto uma onda de energia muito grande. Como Vee interrompeu-se no meio da frase, penso que ela também sentiu este segundo impacto. Sou jogado pra trás violentamente. Quando me recomponho vejo que Vee está caída no chão, o cotovelo sangrando. Foi nisso que nos chocamos da primeira vez. Deveria ver como ela esta, mas não o faço. Estou chocado demais para isso.
– O que diabos foi acabou de acontecer? — A voz de Vee transmite temor. Eu também estou atemorizado.
Por alguma razão, nenhum de nós diz mais nada.
Por alguma razão nos dirigimos a origem da onda de Ki.
Péssima ideia.
Seguimos o caminho contrário do razoável e inteligente. Seguimos na direção de onde havia vindo a onda. O beco se estende por algumas intrincadas congênitas e resultam num corredor cercado de depósitos e latas de lixo.
Deveríamos ter saído dali o mais rápido possível.
Deveríamos, mas não o fizemos.
Me arrependo no momento que chegamos ao destino. Um campo construído com razão de transporte, geralmente utilizado para teletransporte público. Cercado de grossos muros de pedra e tijolo o local se estendia por vários metros quadrados. Algum combate foi acirrado naquele local. Vejo as marcas profundas nas paredes. Enegrecidas da forte energia que achatou a alvenaria. Pedaços de parede espalhados e vidro quebrado.
Quem fez isso não está mais aqui. Felizmente.
Passo a ponta dos dedos na ondulação da parede, algo se chocou ali e não partiu a pedra, a distorceu. A moldou. A pedra está quente. Magia poderosa. Não faço a mínima ideia qual.
Nunca ouvi falar em venda de desenvolvimento de ki agressivo e nocivo daquela maneira.
– Will? — Vee me chama a meia voz. Sei que há algo mais errado que a história gravada na pedra. História de poucos minutos atrás. Sei que algo sombrio ocorreu ali.
Minha cabeça tange na direção de minha vizinha de unidade habitacional.
Vee está de costas pra mim.
E aos seus pés, o cadáver de Dantan Ceran repousa.
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