Notas iniciais
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Capitulo Um — Angeliny

No mesmo dia em que completei 17 anos eu morri, mas não estou completamente morta. Eu posso ficar dias, meses e ate mesmo anos sem respirar, mesmo assim eu ainda continuo viva. Posso pular de um prédio que tenha dezenas de andares a ainda assim sair andando como se nada tivesse acontecido. Sou mais forte, mais ágil e muito mais rápida do que uma pessoa normal, também posso me comunicar com outros da minha espécie por pensamento e posso fazer um campo de força invisível a minha volta me protegendo de qualquer ataque.

O nome do homem que havia me salvado no pior dia da minha vida era Vladmir e desde aquele dia em diante Vladmir se tornou meu criador e me ensinou todas as minhas habilidades, para mim é como se ele fosse um irmão mais velho que eu nunca tive, mas eu sei que ele não me vê como uma irmã mais nova e sim como mulher, sei que ele sente desejos de homem por mim e que ele me quer como sua mulher, já chegamos a ficar juntos como um casal por um tempo, mas eu não achei isso certo e pedi um tempo e assim continuamos, Vladmir as vezes tentava, mas eu impedia.

A minha idade verdadeira é 239, mas o meu rosto é de uma garota de 17 anos, meus olhos que quando humana eram castanhos escuros se tornaram azuis como os de Vladmir, a minha pele se tornou mais branca que o normal, lisa e fria, meus cabelos foram a única coisa que não mudaram, continuaram pretos como a noite, eu me tornei uma garota perfeita, com o rosto e o corpo perfeito, ou quase perfeita, eu tenho um defeito, me tornei uma vampira que tem sede por sangue. Vladmir me ensinou a me alimentar do sangue dos animais selvagens, desde o dia em que me transformei, no começo eu queria me alimentar de humanos, mas Vladmir sempre me ajudou a controlar e me impediu muitas vezes de matar humanos, por sorte e graças a ele eu nunca cheguei a matar algum humano. Desde que tudo isso começou eu só queria era poder voltar ao normal, voltar a ser apenas uma mortal.

Sou Angeliny, uma vampira criada há 223 anos atrás, meus cabelos são lisos e pretos como a noite, tenho a pele perfeita e todas essas minha perfeições sempre atraíram muita atenção. No decorrer dos anos eu preferia não ter sido salva e sim ter morrido junto com meus pais.

Eu e Vladmir nunca ficávamos muito tempo em uma mesma cidade, no maximo ficávamos um mês, as vezes menos e sempre tomávamos cuidado com os caçadores de vampiros, que mesmo eles sendo humanos eles sabiam as nossa fraquezas. Também tínhamos que ter muito mais cuidado com os lobisomens, que eram criaturas muito forte, rápidos e espertos e tinham a capacidade de se transformar em um lobo maior que o tamanho de uma pessoa, eles não se alimentavam de sangue humano, pois não sentiam desejo por sangue e sim gostavam de caçar animais nas florestas e caçar vampiro era o que eles mais gostavam, eu nunca tinha visto um lobisomem se transformar em lobo, já enfrentamos dois lobisomem no decorrer do tempo mas nunca vi eles transformarem.

Fazíamos o possível para não chamar muita atenção o que era quase impossível. Vladmir havia me ensinado muitas coisas, ele era muito mais velho que eu, mesmo ele aparentando ter 23 anos a idade verdadeira dele é 843. Vladmir é um sangue puro, um vampiro nascido como vampiro de pais também vampiros, os sangue puros são os mais fortes da nossa espécie e também são os mestres, os que não são sangue puros tem que obedecer os que são. Eu fui a primeira e a única que Vladmir transformou e mesmo ele sabendo que eu poderia me proteger com o meu poder de projetar um campo de força ao meu redor ele estava sempre pronto quando alguém ou alguma coisa me atacasse, eu confiava a minha vida a ele.

Muitas vezes pedi para Vladmir para ficarmos em uma mesma cidade por mais tempo, pelo menos por um pouco mais de um ano e não por menos de um mês como sempre fazíamos. Vladmir pela primeira vez concordou com o meu pedido que eu fazia a mais de 100 anos. Porem seria Vladmir que escolheria a cidade que iríamos morar um tempo, é claro que eu não discuti e aceitei feliz a decisão dele. Depois de muitas horas pensando ele finalmente decidiu por uma cidade pequena chamada União, era uma cidade pequena e pacifica e havia florestas perto, onde havia animais para nos alimentarmos.

Vladmir decidiu que já estava na hora de tentarmos viver como humanos e ele me matriculou em uma das escolas da cidade para eu estudar de noite e ele também conseguiu uma vaga como professor de historia, assim ele poderia estar perto de mim se algo de errado chegasse a acontecer.

Chegamos na cidade chamada União numa quarta-feira, começaríamos a ir para a escola na próxima segunda-feira. Estava tudo indo bem, sem nenhum perigo em vista, nos escondíamos do sol durante o dia em uma casa que Vladmir havia comprado na cidade. Durante o dia dormíamos no porão da casa que era bem limpo e não tinha essas coisas de caixão, dormíamos em camas separadas e normais, Vladmir bem que quis colocar uma cama de casal. Claro que na casa cada um tinha o seu quarto onde poderíamos ficar durante a noite. Quando o sol saia e a noite chegava, nós dois saiamos para caçar animais na floresta que havia ali.

Quando chegou o domingo de noite, havia uma comemoração no centro da cidade, enquanto Vladmir foi caçar para nós dois eu fui olhar a comemoração de aniversario da cidade.

Chegando lá havia muitas pessoas e tinha uma banda tocando, fiquei escutando e olhando para as pessoas ate que o rosto de um homem que estava no meio da multidão me chamou atenção, achei estranho pois ele estava me olhando fixamente e estranhamente. Sai de perto e continuei observando os humanos e o quanto eles era felizes e se importavam uns com os outros. Observei casais com os seus filhos e lembrei de meus pais e do quanto eles me amavam. Pude ver vida neles. Fiquei desejando ser novamente uma humana, poder ter filhos, se bem que mesmo eu sendo vampira eu poderia ter filhos, não existe essa historia de que vampiros não podem procriar, Vladmir iria adorar a idéia de ter um filho comigo, o problema era que eu o via mais como um irmão do que como um homem que eu queira ter relações, quando dormíamos juntos eu sentia que era errado.

Ao me virar para sair dei de cara com um homem alto, o mesmo homem que a poucos minutos ficara me olhando estranhamente. Eu media 1,64 e ele era bem mais alto que eu, talvez quase 1,90.

– Desculpe — Me desculpei como qualquer pessoa faria.

Olhei para o rosto do homem, ele tinha os olhos cinzas, corpo musculoso, deveria ter uns 18 anos, ele era muito bonito, não consegui tirar os dele ate que a voz dele me trouxe a realidade.

– Não foi nada — A voz dele era grossa do tipo que impunha respeito. Ele também me olhava nos olhos.

Resolvi que já estava na hora de voltar para casa, pois a aquela hora Vladmir já devia ter voltado. Eu estava voltando para casa caminhando normal, como qualquer humana faria, a rua estava escura e vazia quando três ladrões me abordaram.

– Oi gatinha — Disse o primeiro deles vestido com um casaco vermelho e calça preta.

– Que tal você nos passar todo o dinheiro que tem? — Disse o segundo vestido com jaqueta amarela e calça azul escura.

Cada um dos três estava com uma faca. Naquele momento eu tive vontade de atacar eles, mas controlei esse meu sentimento, nunca tinha matado nenhum humano e não seria por qualquer bobagem que eu iria começar a fazer isso, porem eu iria me defender sem precisar machucar eles.

– Que tal vocês saírem da minha frente? — Perguntei gentilmente, eu sabia que eu poderia seduzir eles e pedir para saírem da minha frente, mas eu não os seduzi.

– Desculpe, não tem negociação — Disse o terceiro vestindo jaqueta branca e calça preta.

Dois deles tinha os cabelos castanhos e tinham ambos aproximadamente 25 anos, o outro tinha os cabelos loiros, era o mais novo, aproximadamente 21 anos.

– Se você não passar o dinheiro, teremos que lhe tirar a força e talvez tenhamos que tirar outras coisas a mais — Disse o de jaqueta vermelha mordendo os lábios e dando um passo em minha direção me olhando com desejo.

– Se eu fosse você não faria isso — Disse um homem que saiu de um beco escuro.

Aquele era o mesmo homem que estava me observando quando eu estava na comemoração. Os ladrões não responderam e foram direto atacando o homem, pensei em ajudá-lo, não queria que nenhum humano que tentasse me ajudar saísse machucado, mas percebi que não seria necessário a minha ajuda.

O homem lutou contra os três e em poucos segundo os três já estavam jogados no chão, o homem teve muita facilidade, ele nem precisou suar, ele deixou os ladrões irem embora.

– Eu não precisava de ajuda, mesmo assim obrigada — Eu disse a ele, mas tive a impressão de que ele estava me seguindo.

– Disso eu não tenho duvidas, a verdade é que preferi não arriscar a vida deles — Percebi que ele sabia o que eu era, no entanto eu não tive tanta certeza do que ele era, no começo achei que ele era um caçador.

Mesmo sem eu ter certeza do que ele era, eu me preparei para uma possível luta, me agachei um pouco, amostrei rapidamente as minha garras afiadas que cresceram, e minha presas, meus olhos ficaram ainda mais azuis do que já eram e as pupilas dos meus olhos ficaram como as de um gato, eu estava pronta para atacar. Me assustei quando ele fez a mesma coisa, porem os olhos dele ficaram amarelos e as pupilas dele também ficaram como as de um gato. Alem da cor dos olhos, as garras dele também era diferentes, ele era um lobisomem.

Eu não conseguiria vencer ele sozinha e eu não teria tempo para conseguir fugir, pois ele era tão rápido quanto eu, talvez ate mais, o meu campo de força iria me proteger por um tempo, mas eu não conseguiria impedir ele de me matar por mais de alguns minutos, com certeza ele iria acabar me matando. O garoto rosnou para mim, o som me assustou, mas não deixei que ele percebesse, o rosnado dele era bem mais alto e ameaçador que a de um lobo comum, eu grunhi para ele, claro que ele não se assustou.

Eu estava pronta para lutar com ele mesmo sabendo que eu iria acabar perdendo nessa luta. Ficamos apenas nos encarando por um longo tempo, de repente ele deu um passo em minha direção eu rapidamente dei um passo para trás, ele deveria ter percebido o meu medo. Os meus olhos azuis não desgrudavam dos olhos amarelos dele, parecia que alguma coisa invisível estivesse me puxando na direção dele. O lobisomem deu mais um passo na minha direção, mas dessa vez foi um passo mais lento e menos arisco do que o passo anterior, eu não recuei mas dei também um passo na direção dele, continuamos nos olhando sem nos atacarmos.

– Eu não quero machucá-la — Disse ele finalmente.

– Eu não quero lutar — Eu disse ainda olhando para ele e fazendo com que meus olhos, presas e garras voltassem a forma humana, ele também voltou ao normal.

– O que faz aqui? — O lobisomem poderia estar na forma humana, mas dava para perceber que ele não estava com a guarda baixa, também estava claro que ele estava bravo por haver uma vampira na cidade.

– Nada que te interesse — Ele também estava sendo grosseiro comigo. A testa dele franziu perante a minha resposta.

– É melhor que você não se alimente de nenhum humano enquanto estiver por aqui — Os lobisomens eram muito conhecido pela minha espécie por serem protetores dos humanos — Se você matar algum humano, da próxima vez que nos encontrarmos eu não serei tão bonzinho com você quanto estou sendo agora.

– Com isso você não precisa se preocupar, eu não me alimento de sangue humanos — Eu disse imediatamente a ele que pareceu não acreditar.

– Como assim?

– Eu fui criada me alimentando do sangue de animais, eu nunca me alimentei de humanos — Ele parecia surpreso.

Ficamos mais um tempo nos olhando. O olhar de raiva dele parecia ter sumido.

– Sou Lucius.

– Angeliny — Imediatamente virei as costas para ir embora.

– Espera — Ele me chamou, olhei para Lucius que por sua vez sorriu, ele ficou ainda mais lindo sorrindo — Espero nos vermos novamente. — Eu sorri.

– Nos vemos por ai — Quando terminei a frase sai correndo na velocidade de um vampiro e fui direto para casa.

Continua...

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.