Inimigos Íntimos

15 O que os olhos não vêem


Sou um mentiroso à noite

Eu sou um lutador de dia

Eu sou um trovão

Na parte de trás da chuva

Eu sou a fumaça nos seus pulmões

Eu sou o preto na sua praga

Eu sou o único que está se alegrando com sua dor

Sem misericórdia

[No mercy — Kit]

Pov Kaiser

Recobrei a minha consciência, enquanto esfregava com força o sabonete no meu corpo, limpando os vestígios de toda aquela nojeira que tinha acabado de fazer. Olhei para as peças de roupas espalhadas pelo chão, esses trajes precisavam ser lavados, ela não poderia ficar semi nua o tempo inteiro, era bem capaz daquele maldito devaneio se realizar.

O que mais me chamou atenção foi a sua calcinha de renda, essa peça sim tem mais urgência em ser lavada e seca, sei que demoraria um tempo até a lavanderia fazer esse serviço. Argh que ódio! Era tudo o que precisava para fechar o pacote de bizarrices dessa noite, ter que lavar a roupa íntima desse demônio, ah, Inoue, isso não vai ficar assim!

Peguei aquela peça do chão, levando-a ao nariz, inspirando o seu cheiro. Fechei os olhos, deixando a minha mente vagar longe, lembrando de cada cantinho das curvas do seu corpo, de quando contornei com as pontas dos dedos o cós desse pedacinho de pano, retirando de sua pele macia e cheirosa. Ah, merda, estou sentindo aquelas queimações novamente, de novo não, que inferno! Eu não vou fazer isso novamente, por hoje já decaí demais o meu nível.

Abri os olhos, pegando o sabonete e passo naquela peça, fazendo um pouco de espuma, esfregando-a embaixo d'água, tentando fazer o mais rápido possível esse processo humilhante. Onde já se viu, eu, o imperador do Mundo Digital, tendo que lavar a calcinha da minha escrava pessoal?! Isso é ultrajante demais! Finalizei, jogando-a junto com as outras roupas, devo avisar aquele inútil do Gotsumon que essa peça tem prioridade na hora da secagem.

Desliguei o chuveiro, me enrolando na toalha, saindo do box. Estava com tanta raiva de mim mesmo, que noite maldita, sem sombra de dúvidas, fui ao fundo do poço de toda a humilhação. Me sequei imaginando mil maneiras de como torturaria aquele demônio, a fazendo pagar por tudo o que tive de fazer por ela, principalmente por esse infame devaneio.

Terminei de me vestir e sai do banheiro, dando de cara com aquela imbecil dormindo, toda espaçosa, como se a cama fosse dela, e olha que é de casal; mesmo assim a forma que se virava, ocupava todo o espaço. Bufei irritado, a ajeitando da maneira correta, consequentemente tocando em seu corpo novamente; hunf, dessa vez não vou cair na armadilha da minha mente.

Baixei a iluminação do quarto. Eu estava exausto, muitas coisas aconteceram, sentia muito sono, mas não podia ir para casa ainda. Bocejei, enquanto colocava alguns travesseiros, me recostando a cabeceira da cama; olhei para Inoue novamente, ela ressonava tranquilamente, totalmente diferente de algumas horas antes. Olhando-a adormecida assim, a minha vontade de torturá-la, simplesmente sumiu, como se nunca tivesse existido, acabo erguendo a mão e colocando alguns fios lilases, que lhe cobriam o rosto, para trás da orelha. Sua pele é tão macia, deslizo as pontas dos dedos pelo seu rosto, contornando seus lábios, noto o quanto estão avermelhado, na certa foi devido a…

Meu bracelete apitou, olhei e era uma mensagem do Bakemon, me informando que tudo havia saído conforme o planejado. Dei um sorriso vitorioso, lhe respondendo que era para voltar imediatamente. Ah, gralha maldita, você vai ter uma surpresa e tanto quando acordar, estou louco para ver a que cara irá fazer quando ver o que a sua cópia perfeita aprontou, enquanto estava me dando trabalho.

Prevendo diversos questionamentos quando Inoue acordar, ordenei para que Gotsumon trouxesse o parceiro de volta para o quarto e lhe desse as devidas explicações. E sendo honesto, não sei se era boa idéia ficar naquele quarto sozinho com ela, depois de todo o que passei e das coisas que aconteceram durante o meu banho; até que estou sendo bem bonzinho, vou dar bastante corda a ela, para que fique achando que tudo está maravilhosamente bem, para depois dar um belo puxão no seu tapete, fazendo-a cair, se espatifar no chão. Isso será tão lindo, vê-la no chão, e aproveitarei para pisotear ainda mais nela, destruindo-a de vez. Ah, Inoue, minha cara, a sua vidinha medíocre será um inferno!

O comunicador tocou, era Gotsumon, informando que estava ali e trazia o vermezinho para o quarto; ordenei para que ele fosse até o banheiro e recolhesse as roupas. O acompanhei para ver se ia fazer o serviço direito, não confio 100% na capacidade desses imbecis, sempre acho que vão esquecer de algum detalhe e falhar. Enquanto recolhia as peças, passei as recomendações sobre a roupa íntima, a urgência que tinha na secagem, ele assentiu com a cabeça e se retirou, fiz o mesmo, indo para minha sala de controles receber Bakemon, que havia regressado com novidades do mundo real e precisava que eu abrisse o portal para ele.

Orientei para que ele viesse comigo e ficasse na forma da “nova Inoue” esperando o meu chamado. Antes de ter um boa noite de sono, havia algumas surpresinhas para nossa querida Cinderela. Segui pelos corredores, voltando para o quarto, notando que ela havia despertado, e falava coisas sem nexo para o seu Digimon, delirando que aquilo era apenas um pesadelo. Ah, engano seu, querida.

— Tendo problemas com pesadelos “Miyako-chan”? Deveria parar de ver filmes de terror antes de dormir. — Óbvio que eu não perderia a oportunidade de debochar um pouco mais dela.

Inoue colocou seus óculos e começou a olhar em volta, tentando reconhecer o lugar onde estava, e virou-se para si, vendo as roupas que vestia. Uma expressão de choque e pavor se fez em seu rosto, abrindo a boca, emitindo um grito supersônico, que é a sua especialidade. Como se não bastasse todo o trabalho que me deu, ainda vem querer me deixar surdo?! Argh, que ódio dessa garota!

Parecia que ainda ela estava fora de órbita, tratei de colocá-la em seu lugar, relembrando bem onde se encontravam ameaçando mandar para Izumi as fanfictions que havia escrito sobre mim; deu certo, pois ficou tratou de ficar caladinha e aproveitar que, ao menos, tinha seu parceiro nos braços.

Confesso que não pude deixar de me divertir com o chilique ela que deu, quando descobriu tudo que se passou, isso que nem imagina que me agarrou, ou será que imagina? Será mesmo que estava sem consciência de seus atos? Ela pode muito bem se lembrar e está se fazendo…

Sou tirado dos meus devaneios com seus questionamentos sobre sua calcinha? E lá vem outro chilique, exagerado, mas dessa vez tampo sua boca lhe contando o quanto tem motivos para ficar constrangida.

Wormmon chama nossa atenção, finalmente Guardromon chegou com o alimento. Não é que ela quis fazer charminho, que não ia comer e mimimi... Ah, mas ia comer sim, nem que fosse a força, acha que tá em condições de se negar a fazer alguma coisa. Meus domínios, minha escrava, minhas regras, parece que as coisas ainda não estão claras para Inoue.

Parece que entendeu o recado e decidiu se alimentar, enquanto ela comia, como uma escrava obediente, mandei que Bakemon entrasse e mostrasse todas as novidades, a deixando chocada. Não consigo deixar de me divertir com suas reações. Eu sei, óculos caros, mochila, sapatos, uniforme novo, com certeza todos vão pensar só o pior, da coitadinha. Que sociedade cruel? Sobre sua sessão de fotos, já imagino a crítica sensacionalista, dizendo que ela está usando minha fama para se promover. Oh, muito triste!

Eu bem gostaria de ter ficado e tripudiado mais um pouquinho, mas estava a beira de um desmaio, de tanto sono e naquela altura meu estômago já estava roncando também. Passei recomendações do que ela não deveria fazer durante minha ausência me retirei, ignorando suas infantilidades. Por hoje já estava farto de Inoue, na minha frente.

Bakemon me acompanhou e abri o portal para o quarto da gralha no mundo real, o mandando para lá. Amanhã o dia estava prometendo! Nunca pensei que um Digimon tão simples, fosse ser tão útil. Depois que o despacho, dou uma última olhada nos meu planos para amanhã e enfim abro o portal para meu quarto.

Visto um pijama e decido ir até a cozinha preparar algo para comer. Para variar, não preciso me preocupar com a presença daqueles dois, um está viajando em missão e outra está desmaiada com a cara cheia de remédios, depois de quase colocar fogo na casa. acendendo velas perto de uma foto de Osamu, como uma cristã idiota. Odeio essa casa, essa gente!

Preparo um sanduíche e como, enquanto lembranças de todo o dia passam pela minha mente, me lembro que as coisas de Inoue acabaram ficando comigo, seu D-terminal, D-3 e mesmo… Mesmo seu celular. Termino de comer e sigo para o quarto, começando a mexer no aparelho, encontrando rios de mensagens de seus amigos. Ela não vai ler porcaria nenhuma! Leio uma a uma, as excluindo, deixando a caixa de mensagem limpa.

Acabo vasculhando outros arquivos e encontrando várias fotos, muitas que não tinham no seu PC, dela com as irmãs, com Poromon, com colegas de classe, com os amiguinhos Digimbecis e argh... Eu não acredito nisso! Tantas fotos com aquele verme do Izumi! Eles em eventos, de gorrinhos de bichinhos, no parque de diversão, na pista de patinação, na Wander Fest. Eles são ridículos, podres, escolheram até trilha sonora para o namoro, eu nunca senti tanta ânsia de vômito na vida.

Para piorar tinham diversos vídeos musicais com várias fotos deles e mensagens românticas. Cerro os punhos com tanta força que acabo machucando a palma da mão, me lembro das imagens do “encontro romântico” que tiveram no Mundo Digital e essas lembranças em combinação com aqueles arquivos, me faz sentir um gosto amargo na boca, um peso sobre o estômago. Por que? Por que me sinto dessa forma? Não consigo parar de pensar nisso, não deveria ter acontecido, eu não podia ter deixado. Por que essa besteira me incomoda tanto?!

Embora estivesse com ódio, sentindo uma dor horrível em meu peito, com aquelas imagens, não conseguia deixar de vê-las, repeti-las, tentando entender o motivo. Desgraçados, eu os odeio demais e vou esmagar cada um de vocês como se fossem formigas, principalmente esse ruivo asqueroso. Já estou os esmagando, tive muito sucesso na primeira parte do meu plano, amanhã será a segunda fase, e estou louco para ver as reações deles com a nova Inoue.

Em meio a essa chuva de sentimentos, me lembro daquele maldito beijo. Como fui permitir um absurdo desses? Coloco uma mão sobre os lábios, se eu fechar os olhos ainda posso sentir o gosto dela, a textura macia dos seus lábios, a sensação de nossas línguas se atritando, a forma como me envolveu com seus braços, nossos corpos naquele contato e tudo pra depois me chamar de.... Sinto um arrepio percorrer pelo meu corpo e meus olhos se focam naquelas imagens novamente, desgraçada, maldita, sinto como se o ar do ambiente estivesse acabando, observo que algumas gotículas respingaram sobre a tela… Espera! Passo a mão pelos meus olhos, incrédulo, ao constatar que.... Isso não pode estar acontecendo! Minha ira se explode tanto que, acabo arremessando o aparelho contra parede, o estilhaçando em vários pedaços. Ainda não satisfeito, me levanto e piso várias vezes sobre os cacos, não restando mais nenhuma evidência.

A porta do quarto abre num solavanco. Ah, que legal, era só o que me faltava para encerrar essa noite bizarra com chave de ouro.

— Querido, você está bem? — Ouço a voz enjoativa, daquela mulher, mas nem ergo a cabeça para encará-la.

— Me deixa em paz!

— Mas parece que…

— VAI COMEÇAR A SE IMPORTAR AGORA QUE SEI ME VIRAR SOZINHO? É SURDA? SAI DAQUI, ME DEIXA EM PAZ! — Berro, extravasando toda minha ira e ela se encolhe, fechando a porta.

Inferno maldito! Eu não consigo controlar isso, e muito menos fazer parar, as lágrimas só continuam vindo e minha cabeça parece que vai explodir. A garganta está seca, meu peito dói como se estivesse sendo perfurado por adagas envenenadas, que sensação horrível é essa?! Caio de joelhos observando os destroços do aparelho, levo uma mão sobre o peito, como se fosse possível fazer aquela dor parar, a outra mantenho cerrada em punho, sobre minha perna. Eu queria gritar, quebrar tudo, mas não posso, não nesse maldito mundo. Deixo tudo como está e me arrasto até a cama, indo para debaixo do edredom, encolhendo-me como uma criança medrosa. Minha mente está em branco, não consigo mais pensar, e nem me controlar, isso é terrível! Estou me sentindo um verme inútil, sempre tive tudo e todos sob controle, eu sou o imperador do Mundo Digital, tenho diversos escravos a mercê dos meus comandos, tantas áreas conquistadas, porque que então, estou tão impotente agora?

É tudo confuso demais, são coisas que jamais havia sentido, pela primeira vez não consigo achar respostas para as minhas perguntas, a única coisa que sei é que, todas elas tem aquele maldito demônio envolvido. Desgraçada, eu vou acabar com você, te destruir de todas as formas, vou fazer você se lamentar amargamente por tudo o que fez até agora.

Pov Narrador

Ken se encontrava encolhido em posição fetal, sem conseguir controlar as lágrimas, se sentindo humilhado, perdido, as cenas se passavam como um filme em sua mente, as muitas batalhas, algumas ganhas outras perdidas e tudo que vinha acontecendo nos ultimamente. Não havia um código que ele não decifrasse, uma equação que não resolvesse, mas aquilo, aqueles pensamentos e sentimentos, aquela dor, não sabia o que fazer e não saber o que fazer, na mente de um gênio é a coisa mais humilhante e inaceitável de todas.

Ao contrário de Miyako, que dormia tranquilamente no Mundo Digital, Ken teve uma noite bastante agitada; os muitos questionamentos em sua mente o impediram de ter um sono tranquilo e quando dormia, pesadelos foram constantes, em um deles, Inoue, ao lado de Izumi e seus amigos, o vencia, o destruindo por completo e ainda riam da sua derrota. Acabou desistindo de dormir, acordando mais cedo do que normalmente estava acostumado. O frio da manhã invadia o ambiente escuro de seu quarto, as lágrimas haviam secado, mas seus olhos ainda ardiam, sua cabeça estava dolorida e parecia haver um nó em seu estômago. Levantou-se e caminhou até o banheiro, fez a sua higiene matinal e saiu sem tomar café da manhã, não queria cruzar com sua mãe, estava sem paciência e com seu péssimo humor, era capaz de a tratar mal, como na noite anterior.

O trajeto de trem até Odaiba foi o seu maior martirio, aquele horário era mais cedo que o do dia anterior, no entanto, o seu vagão se encontrava lotado, as pessoas se esbarravam umas nas outras, e a cada estação que passava, parecia lotar ainda mais. Ken se sentia enjoado, aquela gente toda lhe tocando de alguma forma, para uma pessoa que odeia qualquer tipo de contato humano, aquele trajeto estava torturante demais; agradeceu a Kami quando, finalmente, chegou em sua estação, desembarcando, retirando de seu bolso um tubo de álcool em gel, passando por suas mãos e rosto, desinfetando qualquer germe que tenha contato com sua pele.

Ele praguejava enquanto caminhava pelas ruas, foi andando calmamente, ainda tinha tempo antes da aula, aproveitou para parar no meio do caminho e comprar um lanche como café da manhã, afinal, como todo bom vilão, ele precisa estar bem alimentado e com energia, para fazer suas vilanias contra os digiescolhidos.

Quando se deu conta, já se encontrava em frente a escola de Odaiba. Alguns alunos já haviam chegado, os grupinhos estavam formados, e quando o avistaram um burburinho se iniciou, as garotas continuavam a se questionar e lamentar pelo namoro com Inoue, a julgando ser uma garota sem graça alguma. Ichijouji deu um sorrisinho de canto, todas teriam uma grande surpresa neste dia, queria ver qual a reação que cada uma daquelas pessoas teriam, em especial Izumi Koushiro, o garoto o qual ele queria destruir de todas as formas.

Paralelo a isso, Bakemon, que havia assumido a forma de Inoue, se encontrava na casa da garota, e terminava de vestir o novo uniforme. Relembrou de todas as recomendações de seu mestre, e as seguiu conforme orientado, falando somente o básico com os pais dela. Era certo que eles fariam alguns questionamentos sobre as mudanças, principalmente sobre o óculos novos, notando o quanto era caro; Bakemon respondeu com segurança todas as perguntas, mostrando os books com a propaganda que havia feito da marca. A família Inoue pareceu não gostar muito da ideia, muitas coisas estavam acontecendo e mais aquilo, a decepção que sentiam pela filha aumentava ainda mais. Mantarou revirou os olhos e não quis se intrometer, de qualquer forma ficaria de olho na irmã e seu novo comportamento, Momoe e Chizuru não achavam aquilo certo, mas julgou

ser vislumbre da idade e pressão da sociedade.

Notando que o clima entre a família pesou, e os olhares de reprovação lançados em sua direção, Bakemon decidiu finalizar o café da manhã e seguiu para o banheiro, fazendo as suas higienes pessoais; repassou mais uma orientação de Kaiser, sair cedo, para evitar qualquer encontro indesejado com os digiescolhidos que moravam em seu prédio. Se despediu dos pais da garota e saiu do apartamento, fazendo o trajeto do dia anterior em direção a escola; para aquele Digimon, que estava acostumado a vagar pelo Mundo Digital, estar no mundo real era muito estranho, os lugares eram diferentes, tinha bastante curiosidade em conhecê-los, sabia que precisaria se acostumar com os costumes estranhos dos humanos, afinal, passaria a conviver com eles quase que diariamente.

Mesmo tendo acabado de se alimentar, seu olfato era seduzido pelos muitos aromas vindos das padarias pelas quais passava. Era um mundo novo, sabores desconhecidos, atmosfera sedutora para ser explorada. Notou que algumas pessoas usavam algo que lhes cobriam as orelhas, com sua audição apurada pode captar como sendo música, outra coisa que lhe pareceu atraente demais, mas sabia que deveria se focar em sua missão.

Bakemon notou que durante o caminho, cruzou com vários estudantes com a mesma cor de uniforme, e todos sussurravam a seu respeito, no caso, Inoue Miyako; conseguiu captar no ar qual era o comentário, falavam sobre a briga da garota com uma das alunas, em frente a loja de conveniências, a qual havia presenciado, e não pode se manifestar para fazer alguma coisa por ela, devido às ordens de seu mestre.

Com exceção dos irmãos Yagami, os digiescolhidos se encontravam em frente a escola, lançando olhares desconfiados em direção a Ichijouji que, parecia não se importar com o fato. Mimi e Sora relatavam que haviam enviado diversas mensagens a violácea, e nenhuma delas havia sido respondida, estavam preocupadas com o bem estar da amiga, ainda mais depois de terem assistido o vídeo no qual brigava com outra garota, aparentemente por ter sido ofendida devido a sua relação com o queridinho da mídia japonesa.

Koushiro também não havia conseguido dormir direito na noite passada, depois de todas coisas que havia lhe acontecido durante o dia, sua mente fervilhava de teorias, nada saia da sua cabeça que, o sequestro de Poromon e as atitudes estranhas de Miyako estavam envolvidas com a misteriosa transferência de Ichijouji para a escola. Não era somente o ruivo que pensava isso, Iori também, e ia mais além, achando que o gênio era Digimon Kaiser.

A garota que Miyako havia brigado no dia anterior, se encontrava com as amigas, no meio entre Ken e dos digiescolhidos; seu rosto e pescoço estavam cobertos de maquiagem, para disfarçar os hematomas, causados pela violacea. O comentário da briga estava na boca do povo, alguns alunos passavam ao seu lado e riam de sua cara, deixando-a ainda mais furiosa. Praguejou, prometendo vingança contra Inoue, pois não deixaria barato essa humilhação que sofreu.

Um burburinho entre os estudantes se iniciou, Ichijouji sorriu de canto, enfim seu Bakemon havia chegado; os olhares foram direcionados para a garota, a qual vinha caminhando tranquilamente pela calçada, de cabeça erguida, com a postura ereta e quadris alinhados, parecendo caminhar sobre nuvens, demonstrando confiança e serenidade, o oposto do que se encontrava no dia anterior, deixando a todos chocados, principalmente Koushiro, que ficou boquiaberto com a mudança em Miyako.

“Inoue” se aproximou de Ichijouji, cabelos e seu belo uniforme novo, dançavam com a brisa fresca da manhã, sob os olhares de todos, lhe deu um beijo no rosto. Ken não resistiu em lançar um olhar de provocação contra Izumi. Esse gesto da “violacea” acabou ainda mais choque em todos ali presentes, deixando sua inimiga ainda mais irada, tanto que a mesma saiu pisando duro para dentro da escola. Na hora do ocorrido, Daisuke, Takeru e Iori chegaram e se juntaram ao grupo dos digiescolhidos, o líder da segunda geração coçou os olhos diversas vezes, para ver se não estava enxergando errado, se beliscou nos braços, tentando acreditar se era realmente aquela pessoa em sua frente.

— Acho que estou enxergando coisas, não é possível... Aquela ali é a girafa? — O ruivo estava catatônico, assim como os demais amigos.

— Aparentemente sim. — Takeru respondeu, observando o casal entrar na escola de mãos dadas.

— Ela está diferente. — Koushiro se manifestou, seguindo-os com o olhar. — Uniforme, sapatos, mochila e óculos novos. Seu olhar está diferente, parece outra pessoa, não a Miyako-chan que conheço. — Complementa observador.

— Hm, toda aquela cara de choro ontem, para estar bem alegrinha hoje. Depois vocês querem defendê-la, dizendo que não fez trairagem com o Koushiro-kun?! Ora por favor, me poupem. — Yamato desabafou com os punhos cerrados, recebendo um olhar reprovador de Sora.

— Yamato-kun, pare e repense nas suas palavras, novamente você está acusando injustamente a Miyako-chan. — Sora o advertiu, recebendo uma bufada irritada do loiro como resposta.

— É o que eu acho, até que me provem o contrário. — Finaliza dando as costas entrando na escola, sendo seguido pela ruiva portadora do brasão do Amor.

— Eu super apoio a mudança no visual, sempre achei que Miyako-chan escondia suas curvas atrás daquele uniforme velho e largo, os óculos estão um espetáculo e se tudo isso foi presente do Ichijouji eu devo admitir que ele sabe cuidar bem do… — A garota das madeixas rosadas, cobre a boca ao notar o quão indelicada estava sendo em relação a Izumi. — Se ela pelo menos respondesse as mensagens, explicasse toda a situação que está acontecendo, as coisas ficariam bem mais fáceis. Estou preocupada com ela. — Mimi suspirou, mexendo em seu telefone celular, revendo as mensagens enviadas para a amiga.

— Não só você, Mimi-san, todos nós. — Koushiro respondeu suspirando, enquanto entrava na escola com os amigos.

O sinal para a entrada havia tocado, todos os estudantes estavam se dirigindo para as suas salas de aula, pelo trajeto dos corredores, Ichijouji passou mais algumas orientações a Bakemon, o que faria durante as aulas, e principalmente, no horário da educação física sacaneando novamente os digiescolhidos, desviando mais uma vez os focos dele e de Inoue.

O ocorrido com Yagami Hikari, ainda era comentado na escola inteira, alguns alunos estavam revendo as fotos, analisando com zoom, cada cantinho do corpo da garota. O gênio deu uma risadinha, ao se lembrar que isso não era nada, perto dos segredos que ela possuía; fez uma nota mental de que, quando retornasse para a escola, revelaria mais um deles, expondo-a a mais uma humilhação.

Como um bom namorado, Ichijouji, acompanhou “Inoue” até a sua sala de aula, se despedindo dela com um beijo em seu rosto; Daisuke, juntamente com Takeru, passavam rapidamente pelo corredor naquela hora, presenciaram a cena, se entre olharam confusos, não comentaram nada sobre o caso, pois estavam atrasados para a sua aula, deixariam para fazer isso no intervalo, juntamente com os outros digiescolhidos.

Ken teve que se segurar para não começar rir ali mesmo, naquele corredor, com toda aquela gente olhando para ele; tudo estava saindo conforme o planejado e, isso sem dúvidas é uma das coisas que mais adora. Foi para sua sala de aula, seguindo para o fundo, sentando-se na janela novamente; Daisuke acompanhou cada movimento seu desde a entrada na sala, e seguiu durante todo o período de aula observando o gênio prodígio, não prestando atenção nas palavras dos professores.

O ruivo tentava entender o que se passava na cabeça do garoto, esses últimos dois dias haviam sido confusos e estranhos. Ele também se questionava sobre a conduta da amiga, sabia muito bem que ela era fã girl de Ichijouji, achou que com o namoro com Izumi havia superado essa fase, porém, pelo o que percebeu, nada havia mudado. O acontecido com Hikari ainda o perturbava muito, era difícil de acreditar que ela havia feito aquelas fotos, tentava crer que tudo aquilo não passava de montagens e que muito em breve descobririam quem tinha feito aquilo.

Deixando o portador do brasão da Coragem de lado, com seus questionamentos, mudamos de sala de aula, seguindo para o segundo ano, na qual a turma de Inoue se encontrava no período de educação física. Tudo estava seguindo bem para Bakemon, achou divertido os períodos de aula, as coisas que os professores falavam sobre aquele mundo, tudo era novo demais e a sua curiosidade se aguçava ainda mais; tinha que admitir, o mundo real era fantástico, imaginou o quanto seus amigos ficariam felizes em conhecer um lugar tão diferente da realidade na qual viviam.

Sua atenção se voltou naquele vestiário com várias garotas, cada uma falava um assunto diferente, por mais apurada que a sua audição era, não conseguia acompanhar muito o que elas diziam, algumas falavam sobre garotos, outras sobre produtos de higiene; preferiu não dar ouvidos e repassar o plano de seu mestre. Era só esperar o local ficar vazio e ele poderia agir, porém, sabia que precisaria ser rápido, pois provavelmente um dos professores daria falta de Inoue na aula.

— Err… Miyako-san. — Uma garota se aproxima de “Inoue”, parando ao seu lado, lhe encarando com ar de curiosidade.

— Sim? — “Miyako” olha sem entender para aquela pessoa, isso não estava programado nos planos de seu mestre. Mais algumas garotas se juntaram, formando um grupinho em volta da violácea.

— Então, é que nós estamos curiosas, como é namorar com Ichijouji Ken-san?

— Ah, é legal, ele é uma boa pessoa, me sinto bem perto dele. — Bakemon teve que pensar em quais palavras diria sobre o seu mestre, qualquer passo em falso, seria punido.

— Vocês já fizeram aquilo? — A mesma garota que chamou, foi quem fez essa pergunta.

— Hãn? O que seria aquilo? — O fantasma pisca algumas vezes, tentando entender o que ela queria dizer. Como assim aquilo?! Tem tantas coisas que poderiam ser definidas com essa palavra, ainda mais tudo o que havia presenciado até agora. As garotas olharam confusas em sua direção, algumas estavam vermelhas, outras davam uma risadinha envergonhada.

— Ah, você sabe Miyako-san, é aquilo que se faz no quarto. — Uma delas sussurrou em seu ouvido.

— Hein? — Bakemon ficou ainda mais confuso. Aquilo? No quarto?! Então se lembrou na noite anterior, na base de seu mestre, que Miyako estava no quarto, comendo uma refeição feita por Digitamamon. Era isso! Havia descoberto o significado daquela palavra! — Ah, sim, ontem estávamos no quarto. Estava bem delicioso. — Dizendo isso, uma gritaria eufórica se iniciou no vestiário, deixando o Digimon ainda mais confuso.

— Qual dos dois é melhor?

— Ele é carinhoso?

— É grande?

Uma enxurrada de perguntas constrangedoras se iniciou, Bakemon olhava sem entender para todas aquelas garotas, era só uma simples refeição, não sabia o porquê delas estarem daquele jeito. No lado de fora do vestiário, os outros alunos escutavam os gritos, tanto que a professora de educação física foi acionada para ver o que ocorria, se alguma aluna havia se machucado em sua ausência.

Vendo que nada aconteceu, pediu para que todas se retirassem do banheiro e seguirem para a pista de corrida. Enquanto elas estavam distraídas, comentando sobre os fatos que “Inoue” disse, discretamente o fantasma atravessa a parede de um dos armários, voltando a sua forma normal. Esperou tudo se silenciar para, então, entrar em ação.

Sabia que precisava ser rápido, pois logo dariam falta de “Miyako” na aula. Passou em todos os armários do vestiário, recolhendo diversos itens que seu mestre havia solicitado; reconheceu, pois usava um como aquele. Para ele, eram simples pedaços de pano, mal sabia, a grande importância que tinha na vida das garotas.

Usando a sua invisibilidade, atravessou paredes, entrando nas salas de aula e vendo os alunos estudarem, tanto que acabou entrando na sala de seu mestre. Percorreu por toda a escola, chegando ao armário que Ichijouji havia lhe indicado. E lá estava o fantasma, abrindo a bolsa na qual se encontravam: collants de natação, roupas de ginástica e lingeries, que as garotas tiravam para vestir a roupa de natação, para completar, ainda tinha um livro feito por Kaiser, com fotos comprometedoras das mesmas, usando aqueles trajes. O Digimon lotou o armário do jovem escolhido, o compartimento já era bem bagunçado com os reais pertences do garoto e inclusive alí havia uma bolsa com seu obento.

A missão estava cumprida, ele estava se roendo de curiosidade para saber no que aquilo resultaria, regressou ao vestiário e quando foi questionado sobre sua ausência, alegou que estava com “problemas intestinais”. Sim, ele tinha estudado bem os humanos, para realizar seu trabalho com maestria.

Naquele mesmo momento, um burburinho havia se iniciado no vestiário, as garotas já começaram a dar falta de suas peças íntimas e pela fúria que elas ficaram, Bakemon teve certeza que o parceiro de Veemon estava seriamente encrencado, foi se afastando para mandar um sinal para seu mestre.

(...)

As garotas da escola estavam em polvorosas, após o horário de educação física da sala de Inoue, mais duas turmas passaram pela mesma matéria, mas as roupas não estavam nos armários de suas donas e aquilo deu um rebuliço e tanto, os professores de educação física não sabiam o que fazer.

Quando o horário de almoço chegou, Ichijouji se apressou a ir buscar a “namorada” pois não queria perder a cena. As garotas estavam tão revoltadas que não falavam em outra coisa. Embora o colégio estivesse agitado, tumultuado, o gênio retornou bem a tempo de ver quando o ruivo andava lentamente, conversando com Takeru e Iori e cada um foi abrir seu armário. Ichijouji descia as escadas com a falsa Inoue ao seu lado e ambos pararam onde estavam, assim como o colégio todo parou.

Inocentemente Daisuke, girou a chave abrindo seu armário, ansioso para encontrar seu almoço, chegava a sentir o gosto da comida nos seus lábios; porém, o caderno com fotos pervertidas, foi para o chão e muitas das fotografias não estavam coladas e voaram pelo corredor, o ruivo e seus amigos ficaram embasbacados e o amontoado de lingeries desmoronou sobre o garoto.

A cena pareceu passar em câmera lenta, os rapazes voaram sobre as fotografias, como cães famintos, quase brigando por elas, tanto que o caderno foi estraçalhado, as garotas, algumas começaram a chorar pela exposição e outras se rebelaram, partindo para bater em Motomiya que não sabia como se comportar, tanto como Iori e Takeru não sabiam como defender o amigo daquele ataque.

O gênio insano, teve que fazer um esforço imenso para não rir naquele momento, ainda mais que notou que Koushiro o observava do andar de cima, estudando suas reações. Tudo bem, Bakemon tinha câmeras em seus acessórios femininos, brincos, colares e relógio e com certeza estava tudo bem gravado para que ele pudesse se divertir o quanto quisesse em sua base.

Comparado com o dia anterior, o caos foi ainda maior, demorou quase uma hora até os professores e os monitores da escola conseguirem acalmar um pouco os ânimos dos alunos e os encaminharem para as salas de aula. Algumas garotas chegaram a insinuar que, foi Daisuke quem espalhou as fotos de Hikari, mesmo ele negando veementemente, se defendendo de todas as formas.

Os pais das vítimas foram solicitados a comparecerem na escola, todos ficaram chocados com o ocorrido no dia e clamavam pela expulsão de Daisuke, tendo até alguns, ameaçarem a processar a família do ruivo por expor as garotas daquela forma. Por mais que o garoto argumentasse que não tinha ideia de como aquelas coisas foram parar em seu armário, ninguém acreditava em suas palavras; a direção optou por suspendê-lo por uma semana, expulsá-lo do time de futebol e mais uma punição, teria que limpar sozinho a sua sala de aula durante o ano inteiro.

Mais um golpe para os digiescolhidos, Ken estava em êxtase com o sucesso do seu plano, um sorriso de canto brotou em seus lábios quando viu Daisuke sair acompanhado de seus pais, sendo que o pai o segurava pela orelha, puxando-o em direção ao carro da família. Seu olhar seguiu em direção a Takeru, se deliciou com a expressão de desolamento do loiro, notava o quanto a sua cabeça encontrava-se longe, pensado no que ocorria naquela semana, em menos de dois dias, a escola estava de pernas para o ar com tantos acontecimentos, todos envolvendo os digiescolhidos.

Não era só o herdeiro do brasão da esperança que estava com esses pensamentos, Koushiro não conseguia prestar atenção no que os professores falavam, nada saia da sua cabeça que os acontecimentos estavam todos ligados a Ichijouji, por mais que o garoto disfarçasse as suas reações, o ruivo tinha as suas suspeitas, só tentava entender como aquelas fotos e roupas foram parar no armário de Daisuke.

Os últimos períodos de aula seguiram turbulentos, os comentário sobre o ocorrido rolava solto, ninguém mais conseguia prestar atenção no que os professores falavam. O sinal da saida tocou, Ichijouji respirou aliviado, estava ansioso para voltar a sua base e ver as filmagens feitas por Bakemon. Esperou todos os alunos saírem da sala, para arrumar as suas coisas e sair, não queria andar pelos corredores cheios e correr o perigo de se esbarrar em alguém, afinal, já teria várias pessoas esbarrando em si por uma hora dentro do metro.

Enquanto que Ken, saia da sala, “Inoue” já se encontrava em frente ao seu armário, guardando os seus sapatos. Já que seu mestre demorava um pouco para vir, aproveitou para analisar as coisas que haviam ali dentro, puxou alguns livros, folheando-os, vendo o que estava neles, eram aqueles que a verdadeira Miyako precisaria para fazer as lições de casa.

Haviam poucas pessoas nos armários retirando os seus itens, ele sentiu que alguém observava cada movimento seu e, não era o seu mestre. Discretamente, ajeitou os cabelos, colocando-os de lado, virando um pouco seu rosto, olhando de canto de olho, viu que era um dos digiescolhidos veteranos, Ishida Yamato. Relembrando as recomendações de Kaiser, se caso algum dos amigos de Miyako viesse conversar algo em sua ausência, ele não poderia falar absolutamente nada, apenas levantar e se retirar.

O loiro havia decidido que esperaria até o final das aulas para tirar satisfações com Inoue, sobre o que a garota tinha feito com seu amigo, e não passaria daquele dia, mesmo estando perto de Ichijouji e, aproveitaria para lhe falar o que estava entalado em sua garganta. Para ele, o que ela fez foi era a maior trairagem, usou e brincou com o sentimentos de Koushiro, terminou por telefone, não teve coragem o suficiente de chegar e falar que estava namorando com o seu ídolo. Por mais que Sora falasse que não era para julgar sem provas, Yamato não lhe dava ouvidos, tanto que acabou brigando com a ruiva, devido a ela defender a violácea.

Seus punhos estavam cerrados com força, teve que respirar muitas vezes antes de dar o primeiro passo e abordar a garota em questão; enquanto ele dava os passos na direção dela, repassava em sua mente tudo o que falaria. Yamato pousou a sua mão no ombro de “Miyako”, fazendo com que a garota se virasse e o encarasse com um olhar confuso.

— Miyako-san, podemos conversar? — Yamato pareceu escolher cada uma das suas palavras, estava se controlando ao máximo para não se exceder.

— “Meu mestre deixou claro, nada de conversar com os digiescolhidos.” — Com esse pensamento, Bakemon se virou, para sair caminhando, sem dizer palavra alguma. O loiro não gostou dessa atitude, a achou desrespeitosa, e acabou a segurando pelo pulso, impedindo a sua fuga.

— Acha que é bem assim, fazer as coisas nas nossas costas e depois querer fugir sem dar explicações? — O herdeiro do brasão da Amizade explodiu, fazendo com que o seu aperto ficasse ainda mais forte. — Como pode, vocês estavam bem… Semana passada juntos ajudando na sonoplastia, recebendo os parabéns de toda a banda. Você parecia feliz, todos estavam felizes e olha… Se ninguém tem coragem de vir aqui perguntar, eu tenho. Quem é você e o que fez com a garota de semana passada? Qual é o seu problema garota?

— Eu é que estou muito curioso para saber qual é o seu problema. — Ken surgiu, ficando frente a frente com o loiro que, acabou soltando “Inoue”. — Que belo showzinho, pena que não teve público para assistir. Vocês, amigos do Izumi-san parecem que não se conformaram com a escolha que Miyako-san fez.

— Me conformar com a escolha que ela fez? Impossível! Ela agiu da maneira mais suja desse mundo, quebrou o coração do meu amigo, mentindo para ele os seus sentimentos. Tem ideia de como o Koushiro está?!

— Ah, que lastimável! Não sei e nem quero saber como ele está, não me interessa nenhum pouco. Tratem de aceitar, ela quis ficar comigo e não com ele. Já disse, a escola está cheia de garotas, vai ser fácil ele achar outra namorada. — Ichijouji deu de ombros pegando a mão de “Inoue”, e dando por encerrado aquele assunto, virou-se de costas, deixando para trás um loiro enfurecido.

— Seu idiota, isso não vai ficar assim! — Yamato gritou, dando um murro no armário em sua frente,

Ninguém havia percebido que essa, rápida conversa, estava sendo observada por Sora; a ruiva balançou a cabeça em reprovação, sabia que uma hora ou outra, Yamato acabaria abordando Miyako para lhe tirar satisfações, temia qual seria as reações dele, pois conhece muito bem o temperamento explosivo do garoto. Ela achou muito rude e egoísta as palavras de Ichijouji, tratou como se fosse nada os sentimentos de Koushiro, o que mais admirou, era que Miyako não havia dito palavra alguma, apenas olhava para o loiro, aparentando não entender o que ele falava.

A garota suspirou, enquanto caminhava para saída da escola, o sol já estava se pondo, o crepúsculo alaranjado no céu dava uma bela visão; ela retirou o celular da bolsa, verificando as suas mensagens, algumas de sua mãe, outras de Yamato, mas nenhuma delas era resposta de Miyako. Abriu as redes sociais, se deparando com o que tinha acontecido com Daisuke, se apavorou com os vários posts o difamando, chamando de coisas que não eram verdadeiras; conhecia o ruivo, sabia que ele era incapaz de fazer aquele tipo de coisa, ainda mais sendo completamente apaixonado por Hikari.

Sua mente confusa tentava entender as tantas coisas que estavam estourando ao mesmo tempo, Miyako terminando com Koushiro num dia e no outro namorando com seu ídolo que, se transferiu de Tamachi para Odaiba, Hikari teve suas fotos íntimas vazadas e expostas para a escola inteira, Taichi suspenso e incomunicável, e agora com Daisuke sendo difamado injustamente e não podia fazer nada para defendê-lo. O que mais poderia acontecer? Quem seria a próxima vítima dessa pessoa? Sentia-se de mãos atadas ao ver os amigos tão desestabilizados, queria poder fazer algo para ajudá-los, só que era inútil, o que restava era esperar os problemas um a um se resolverem, sendo que o primeiro deles, era conversar com a violácea sozinha. Por enquanto tudo o que ela precisava era ir para sua casa e tomar um banho relaxante, tentar colocar as idéias no lugar.

Continua