Inimigos Íntimos
21 Flashback filler: Takaishi Takeru - Falsas esperanças
POV Takeru
Desde que me entendo por gente, sempre gostei de garotas, do cheiro que elas exalavam, as vozes, o jeito como agiam, como demosntravam as suas emoções. Não sabia definir ainda o porque, mas, nunca fui de fugir quando as amigas da minha mãe queriam me apertar e colocar no colo, mesmo eu sendo já “grandinho” demais para isso. Naquela época eu ainda não sabia.
Mas o que dizer das garotas? Ou no caso, as mulheres no geral? Elas são tão complexas, ao mesmo tempo tão magníficas, o mundo delas parece tão atraente, tudo relacionado a elas é extremamente sedutor. Eu nunca fui do tipo: moleque marrento que implicava com as meninas, praticando bullying com elas, era só observador; já tive várias paixonites, entre elas, as professoras, me sentia fascinado pela postura delas, os trajes que usavam, como andavam e se maquiavam, o perfume… Tudo nelas me atraia de uma forma surpreendente.
Nunca achei nenhuma mulher feia e sim com padrão diferenciado de beleza. Eu era o garoto que sempre estava lá para elas, das mais lindas as mais exóticas, conversava com a mais bela da classe, sem nervosismo e sempre estava lá para ajudar a mais desajeitada a recolher os livros do chão, quando essa os deixavam cair e pode acreditar, em recompensa eu ganhava o sorriso mais belo de todos.
Toda mulher tem seu potencial de beleza, muitas vezes só precisa de um incentivo, para isso ser despertado na hora certa; gostava de ver, quando os meus colegas de escola viram o tempo passando e transformando os patinhos feios em cisnes, surpreendendo-se com o desenvolvimento das garotas, nas quais humilharam e perseguindo, dando-lhes o troco merecido e os ignorando. Eu não me surpreendia, era como se de alguma forma, eu já as visse belas, mesmo quando não eram.
Uma vez que quando pequeno eu fui levado ao Mundo Digital, junto ao meu irmão e amigos, a experiência se repetiu e eu pude encontrar Patamon novamente e ajudá-lo a proteger seu mundo, mesmo assim, minha vida continuava, agora eu tinha meu parceiro me perguntando sobre várias coisas, me divertindo e como minha mãe trabalhava e chegava bem tarde eu costumava passar horas sozinho na sacada olhando as garotas que passavam na rua e como cada uma era diferente.
Enquanto isso Patamon usava um pincel com aquarela para pintar algumas telas que minha mãe havia lhe dado de presente, ele ficava todo encantado, voando e optando por usar a boca para guiar a pintura. Não existe uma criatura tão fofa como ele. O deixei em seu divertimento e voltei para observar as garotas, não que eu seja um desses tarados que ficam esperando passar um vento para ver a calcinha delas ou algo do tipo, mas eu só gostava de me debruçar na sacada e imaginar como seria a mente de cada uma.
Foi muito precocemente que eu percebi que amava demais as garotas, mas era jovem demais e não tinha tanta coragem para me aproximar delas, me sentia mais a vontade com Hikari-chan, que por mais que Daisuke morra de ciúmes e eu sempre alimentei isso por diversão, a castanha sempre tive como uma irmã, nunca consegui enxergá-la como mulher.
E aos poucos, com o passar do tempo eu fui estudando as garotas, assistindo os doramas que elas assistem, ouvindo as músicas que elas ouvem, comprando os tipos de revistas e mangás que elas gostam de ler, eu sei que parece estranho, talvez seja, mas todos tem seus hobbys, suas manias, as minhas eram estudar aquilo que tanto me encantava.
Não demorou muito e eu descobri que nem todas as garotas são maravilhosas, aprendi a separar o joio do trigo. Observando o que uma pessoa gosta de ler pode se saber muito sobre ela, vou dar exemplo de livros famosos e os tipos de pessoas que os lêem.
Crepúsculo é resumidamente, a história de uma garota “sem nada de especial”, a primeiro momento a autora tenta introduzir a garota como sendo mais um grão de areia na praia, sem atrativos físicos espetaculares, sem riquezas ou notas excepcionais, isso é uma isca para que muitas garotas que se sentem um zero à esquerda na vida se identifiquem e esse é o tipo de garota que não vale a pena porque ela não quer um amor com um cara legal e sim um resgate de sua miserável existência, são garotas fúteis que buscam ser mimadas e paparicadas.
Sim, toda garota que busca mangás com conteúdo “nerd vcs popular” NÃO PRESTA, são garotas sem auto estima que se realizam nessas leituras bizarras, se sentem as protagonistas simples e normais a espera de um milionário lindo e problemático, de um anjo caído, um vampiro que brilha e do nada a tira de seu mundinho de fracasso e a torna o mais disputado dos troféus.
Existem aquelas que pegam títulos renomados, não consideram mangás, revistas e livros do momento, como leitura, são as chatas amantes de O Morro dos Ventos Uivantes, uma trama pobre com um drama ruim, cujo o final já é mais do que previsto, assim como O Fantasma da ópera, suas leitoras são soberbas e mesmo que jovens possuem almas de velhas amarguradas, quando carregam seus livros elas gostam de exibir, para mostrar o quanto são superiores, essas normalmente se dizem gostar de poemas e citações, não passa de uma tentativa desesperada de atenção “Ah, tão jovem e já li tanto títulos nobres”. Essas garotas fedem a hipocrisia e são pedantes.
São raras as garotas que leem aventura e magia, essas são mais interessantes, mas está fora da minha zona de conforto. Se uma garota lê ficção científica , viagens no tempo, clonagem ou coisas do tipo, são garotas acima do meu nível, não poderia impressionar uma desse tipo, normalmente são focadas no futuro, ambiciosas, mas sem sonhar com um príncipe, fazem suas próprias metas.
As garotas interessadas em moda, culinária e mundo dos artistas, tendências e atualidades, são meio termo, elas estão entre o vislumbre da boa aparência, são ambiciosas, mas também sabem traçar suas metas, não são tão obtusas quanto as que sonham com o “vampiro, príncipe, encantado, atleta popular que no fundo tem bom coração, também não são tão audaciosas e complexas quanto as que leem ficção magia e científica, ou seja, um campo mais interessante, não são depressivas fracassadas, nem soberbas pedantes.
Com base em todas as observações, chegou um momento em que decidi sair da zona de conforto. Não vou negar que as garotas da minha escola sempre tinham uma “brecha” para mim, muitas até se declaravam através de cartas, isso devido a minha participação no time de basquete. Nenhuma delas me interessava, a maioria era “Crepúsculo Girl.”.
Uma das garotas que eu observava era estudante de outra escola, ainda estava na oitava série e era atendente em uma confeitaria, a qual eu comecei a frequentar com frequência, conseguia ver seu material de leitura bem melhor do que via quando ela passava em frente ao meu prédio. Como me aproximar? Que tal algo clichê, garotas assim adoram clichês, então usei o velho truque de perder a carteira.
No outro dia não passei no local como forma de jogar a isca, no dia seguinte “BINGO” como diz a Miyako-san, a garota me esperava na saída do colégio, vestida com o uniforme azul de sua escola. Eu não podia deixar que meus amigos vissem, então me despedi dando uma desculpa qualquer e segui em sua direção.
— Garota da confeitaria? — Fingi surpresa.
— Olá, torta de morango com chantilly e sonho de doce de leite. — Me chamou pelo meu habitual pedido, a torta preferida do Patamon e o sonho era para minha mãe.
— Esperando alguém em especial? É seguro estar aqui falando com você, eu não quero apanhar do seu namorado.
— Namorado? Não, nada disso.— Ela abriu a mochila e tirou a minha carteira. — Isso te parece familiar? — Me entregou com um sorriso, doce, com um leve toque de atrevimento.
— Então foi lá que eu perdi? — Peguei fingindo surpresa. — Obrigado por vir aqui me devolver.
— Não há de que. Ontem pensei que você iria a confeitaria, como não foi, vim te devolver.
— Quando te vi pensei que os negócios iam mal e vocês estavam laçando os clientes e os arrastando a força para confeitaria. — Brinquei, guardando o objeto.
— O QUE? — Ela soltou uma risadinha fofa. — Que bobeira, nosso negócio vai bem, obrigada, ainda não estamos laçando clientes ou recorrendo à hipnose.— Acompanhou a brincadeira.
— Takaishi Takeru. — Aproveitei a deixa para me apresentar e faço uma breve reverência.
— Yoshiaki Mahina. — Se apresentou devolvendo a reverência. — Agora que a minha missão está cumprida…
— Ah, não eu... Você saiu da sua rotina para me fazer um favor, eu insisto em agradecer de alguma forma. Se eu puder te pagar um sorvete?
— Não precisa se preocupar.
— Eu insisto.
— Err… — Ela coçou o queixo. — Tudo bem, mas devo ser rápida, minha mãe me espera para ficar na confeitaria.
Ela aceitou, sorri largamente com a vitória, a levei em uma sorveteria próxima, bem discreta e pouco movimentada por ficar em um quarteirão sem saída. Primeiras conversas sempre são difíceis, mas até que fomos bem, perguntei sobre como é trabalhar na confeitaria, elogiei seus produtos, questionei se é normal que os clientes esqueçam as coisas por lá com frequência, procurei sempre olhar em seus olhos e não ficar salivando em sua beleza, mesclei o assunto com pequenas brincadeiras para fazê-la se sentir à vontade, mas brincadeiras, cantadas nunca.
O segredo todo é fazer com que ela se sinta como se estivesse conversando com outra garota, sem pressão, sem intenções, teoricamente. Depois do sorvete eu a acompanhei até a confeitaria, conheci sua mãe, uma mulher moderna e gentil que mais parecia ser sua irmã mais velha. Agradeci novamente e me despedi, sem convites para um novo encontro, seria forçar demais.
Obviamente depois disso ficamos mais próximos, eu continuei a passar pela confeitaria e comprar o de sempre, cada vez conversamos mais, até que um dia eu a convidei para um outro sorvete, quando me senti confiante e confortável o bastante a convidei para um encontro e ela aceitou.
Era um belo sabado, temperatura agradável e o dia do nosso encontro, passeamos pelos lugares mais arborizados, os jardins bem planejados. Ela era fã de uma atriz de dorama que estava sendo uma febre no Japão, minha mãe tinha falado sobre uma tarde de autógrafos que ela iria fazer, mas foi muito pouco divulgada. Como uma das surpresas do encontro levei Mahima para ver a atriz, ela quase desmaiou.
Ela era assim… Doce, mas não tímida, inteligente, mas não em excesso, parecia uma criança ficando feliz com coisas simples. Era bom estar com ela e esquecer um pouco o peso de lutar pelo Mundo Digital, afinal eu tinha uma vida a ser aproveitada também.
Os encontros com ela eram divertidos, parques, shoppings, jardins, aquários, sempre coisas simples que um estudante pudesse pagar. Uma noite, quando eu a levava para casa, após sairmos do cinema, a rua estava vazia e a lua estava bonita no céu.
— Casal apaixonado sob a luz do luar, é tão clichê. — Brinquei a fim de provocá-la.
— Então quer dizer que você está apaixonado por mim?
— Claro, porque mais eu iria fingir que esqueci minha carteira na confeitaria.
— Não creio?! — Ela parou colocando as mãos na cintura. — Você me enganou. Que truque sujo!
— Não encontrei outra forma de conversar contigo. Foi sujo, mas funcionou. Olha onde estamos agora, sozinhos sob a romântica luz da lua. — Apontei para a lua e ela franziu a testa. — Admita eu sou um cara legal, valeu a pena.
— Eu deveria te bater.
— Vai em frente. — Paro em sua frente, apontando para minha bochecha. — Pode bater, eu mereço.
Ela riu pelo nariz e envolveu os braços em torno do meu pescoço, então, eu a beijei, meu primeiro beijo, estava um pouco inseguro, mas eu queria muito aquilo. A princípio apreciei apenas o contato entre os lábios, mas meu instinto me fez sugar suavemente os lábios dela e provar seu sabor, enquanto ela repetia o processo nos meus e em dado momento nossas línguas se encontraram e um choque de sensações maravilhosas impactaram minhas veias, as fazendo pulsar.
Depois de tanto observar e estudar, pela primeira vez eu provei o gosto de uma garota, uma menina gentil, sonhadora, alegre, cheia de pessoas que a amam, cheia de planos simples, que só desejava ser uma boa esposa no futuro, ser uma boa mãe e formar uma família feliz.
O tempo foi passando, eram raros meus encontros com Mahina, eu sempre passava em sua confeitaria, mas os encontros românticos estava sendo dificeis, sua mãe estava sempre tendo cursos e ela ficava responsável pelo estabelecimento.
Em uma tarde de sexta, eu estava correndo no parque central de Odaiba, tinha levado Patamon comigo, mas para evitar ser visto ele foi brincar entre as árvores. Meu corpo estava suado, quente e eu parei para beber água em um dos bebedouros do local, quando vi uma garota tendo problemas em não conseguir frear seus patins.
Eu tinha que fazer alguma coisa, pois a sua frente algumas crianças bem pequenas, estavam brincando com bloquinhos, mesmo ela gritando para que saíssem, não saíram. Acabei correndo em sua direção e me jogando contra ela.
Logo estávamos no chão, caídos sobre a grama, rolei para o lado a fim de evitar constrangimentos, então notei que aquela era uma das garotas que eu observava da minha sacada, mas ela era bem mais bonita de perto.
— Me desculpe por isso. — Pedi, averiguando se ela não tinha se machucado.
— Tudo bem, se não fosse por você, eu teria ferido aquelas crianças. Obrigada. — Agradeceu tirando os patins. — Eu não devia ter tentado isso.
— Entendo… — Peguei um deles de sua mão. — Mas veja bem, a culpa não foi sua é que seus patins estão estragados.
— Estão? — Perguntou confusa.
— Sim, olha os freios estão danificados, você poderia ter se ferido gravemente. — Então sua expressão mudou para uma completamente triste. — Tudo bem, não precisa ficar triste com isso. Eu tenho um lá em casa, que não uso mais, se você quiser.
— Não… — Suspirou pesarosa. — É que estes patins são novos, foi presente da minha meia irmã. Eu acho que não vieram estragados da loja.
— Isso é muito sério. Vocês convivem? Se não for perguntar demais. — Me levantei oferecendo a mão para ela, que aceitou e se levantou também.
— Há alguns meses, eu morava com a minha avó, mas ela faleceu e vim morar em Odaiba com meu pai e a família dele. Digamos que as coisas tem sido meio complicadas.
— Que tenso, eu lamento por isso.
— Tudo bem, acredito que todas as coisas acontecem por uma razão. Estou me sentindo uma intrusa, mas esse lugar me faz relaxar.
— Então você está sempre por aqui?
— Depois da escola eu passo por aqui para escolher um lugar tranquilo para meditar e praticar a gratidão pela vida.
— Você faz meditação? Isso é incrível, eu sempre quis aprender.— Realmente uma garota incrível, aparentemente tão nova, mas que pratica meditação e fala de gratidão pela vida. Ela me deixou curioso.
— Eu posso te ensinar, para agradecer por hoje.
— Eu aceito. — Sorri. — Takaishi Takeru. — Reverenciei.
— Kimura Keiko. — Ela retribui a reverência.
Trocamos nossos números de celulares e passamos a nos encontrar sempre no parque, para meditar e consequentemente depois disso acabavamos conversando. Keiko era vegetariana, amante de plantas e animais, desapegada de bens materiais e tentava ser compreensiva com as maldades que sofria de sua irmã, dizia que tinha pena, pois a garota ainda não tinha alcançado a evolução, era ciumenta, invejosa, cheia de negatividade.
Eu realmente tinha pena dela, bem, ela arrumou uma forma de passar por aquilo, dizia fazer uma bolha para se isolar de tantos ataques sofridos em casa, mas eu ficava imaginando o quão difícil deveria ser comer à mesa com pessoas assim, dormir e acordar, ficar apreensivo a cada momento, mas ela sempre dizia que acredita estarmos na Terra para sermos testados e que é uma guerreira forte.
Sem dúvidas, uma garota maravilhosa, as folhas de outono caiam, deixando o parque amarelado e frio, ainda mais vazio do que já era, quando a beijei pela primeira vez, foi quando ela parou de brincar de ser tão forte e admitiu que só queria ter para onde ir, confiou e desabafou, depois ficou com medo do universo a julgar ingrata por ela ter roupas, comida, um lugar para dormir, a possibilidade de aprender em uma escola.
Aquilo foi tão importante pra mim e tão profundo. Eu a incentivei quando ela decidiu fazer teatro, a ajudei a ensaiar e fui assistir a estreia da peça. Ela não era a mais inteligente, às vezes parecia um pouco louca, mas sabia ser especial do jeito dela.
(...)
A torcida estava agitada, fomos jogar contra um colégio vizinho, não é querendo me gabar, mas demos um show. A torcida ficou louca, para mim foi bem divertido, no dia anterior passamos por uma batalha muito intensa no Mundo Digital e vimos muitos Digimons inocentes perdendo duas vidas, eu precisava desse alívio, essa energia, animação toda.
No intervalo do jogo, as lideres de torcida das duas equipes eram quem comandava e animavam a todos com os seus graciosos movimentos; enquanto que o treinador passava as instruções sobre a formação que a equipe iria seguir naquele segundo tempo, observava aquelas garotas, porém, uma em especial me chamou a atenção, da equipe do outro time.
Não sei explicar, ela era diferente, se destacava entre as outras, os seus movimentos eram bem mais graciosos do que os das outras, o seu cabelo se movia sincronizado com o balançar da coreografia, fora que, seu corpo parecia elástico, as acrobacias eram tão surpreendentes, que deixam todos boquiabertos, inclusive eu.
Quando a música acabou, uma explosão de aplausos e assobios se iniciou pelo ginásio, estávamos seguindo para a quadra, quando os meus olhos se cruzaram com os dela, eles passavam uma mensagem enigmática, na qual senti meu corpo todo se arrepiar e esquentar. Precisava falar com aquela garota e seria no final daquela partida.
Demos uma aula de basquete no segundo tempo, só dava cestas a favor da minha escola, fiz algumas, em todas, olhava em sua direção e piscava um dos olhos, arrancando uma risadinha tímida dela, enquanto conversava despreocupadamente com as suas amigas. O jogo terminou com uma vitória esmagadora, dava pena de ver os garotos do outro time, era notável o quanto estavam decepcionados, isso dava para sentir quando eles apertavam as nossas mãos e parabenizaram pelo jogo.
As lideres de torcida também vieram apertar as nossas mãos, a garota que eu estava de olho foi a última da fila, assim como eu era também, e quando chegou na minha vez, nossas mãos se tocaram e senti uma corrente elétrica percorrer pela minha espinha. Pisquei algumas vezes os olhos, processando aquele turbilhão de sensações, ela deu um sorriso de canto, enquanto me entregava um bilhetinho, que fui ler no vestiário, pedindo para encontrá-la na biblioteca da escola dentro de uma hora.
Uau, normalmente era eu quem chegava nas garotas, algo me dizia que essa era diferente das outras, tanto que quando cheguei na biblioteca, fui puxado e empurrado contra a parede,esbarrando em uma das estantes, fazendo alguns livros caírem sobre a minha cabeça, sorte que o local estava totalmente deserto.Meus lábios foram tomados de uma forma agressiva e sensual; tive um pequeno choque inicial, isso era algo diferente de tudo o que já havia experimentado, para logo em seguida seguir minhas mãos em sua cintura, apertando-a de leve, arrancando um gemido demorado de seus lábios.
Aquele calor que senti quando os nossos olhares se cruzaram voltou com força total, a forma lasciva como os seus lábios se moviam entre meu queixo e pescoço, fez com que, algo dentro de mim fervesse, me impulsiona a agir, tanto que deslizei minhas mãos pelas suas curvas, parando nas pernas, dando um leve apertão, sentindo o quanto elas eram macias, algo totalmente novo para mim.
Com o toque das minhas mãos, sentia que ela ainda usava a roupa de líder de torcida, essa sainha era muito mais curta do que imaginava, tanto que tapava um pouco do seu bumbum, deixando-me louco de tentação para afundar a minha mão na sua pele. Aquele amasso estava tomando outras proporções que jamais imaginei que poderiam acontecer, as nossas mãos deslizavam pelos corpos, sentia uma grande excitação crescer dentro de mim, algo totalmente inexplicável, que nunca tinha experimentado, só ouvia os outros garotos falarem.
Fiquei todo arrepiado quando senti suas unhas arranhando as minhas costas, contornando o cós da bermuda, adentrando, e apertando de leve meu membro por cima da cueca. Joguei as costas para trás e gemi sonoramente, arrancando o riso maldoso de seus lábios. Ela continuou por um tempo aquela tortura, até que não se conteve mais, colocando essa mesma mão dentro da minha cueca, e me tocando retirando meu membro para fora, movendo-me lentamente de cima para baixo, me arrancando ainda mais gemidos, isso era delicioso demais.
Obviamente havia um misto de vergonha, hesitação e curiosidade, eu estava em uma biblioteca deserta, de uma escola estranha, com uma garota desconhecida e fazendo algo tão inapropriado, aquilo poderia me dar tantos problemas, mas aquele toque estava me tirando toda a capacidade de pensar. Como ninguém nunca havia me tocado daquela forma eu não resisti por muito tempo, me contorci, tentei avisá-la, mas ela não parou e então… Então eu tive um orgasmo intenso nas mãos daquela desconhecida.
— Hm! Primeira vez gatinho? Me admira, um garoto tão bonito… — Ela sussurrou contra o meu ouvido, a vi limpar a mão em sua saia e curvei a sobrancelha, ainda não conseguia falar. — Ah, isso? Não se preocupe, vou para o vestiário assim que acabarmos aqui.
Eu definitivamente não sabia como agir, mas também não estava a fim de ficarem ali parado sem retribuir a gentileza. Assim que recuperei o ar, tomei seus lábios novamente e minha mão correu para suas pernas, passando por entre as coxas, encontrando sua intimidade encharcada. Não sabia como tocá-la , mas comecei a agir por instinto.
Deixei que minha mão a explorasse, sendo guiado pelos seus gemidos e incentivos, eu podia não saber como tocar, mas ela sabia onde queria ser tocada e a cada nota boa que eu tirava recebia como prêmio um gemido incentivador, nesse ritmo, bocas se devorando, mentes fantasiando, corpos pedindo mais do proibido, ela não demorou a encontrar seu orgasmo e quando o fez, meu membro já estava vibrando, pronto para o segundo tempo, latejava intensamente, o púbis todo formigava, enquanto eu a observava se contorcendo, derramando-se contra meus dedos.
Eu já era puro instinto, seus gemidos, o suor de sua pele, o cheiro da nossa quimica, aquilo me afetou de tal forma que a ergui de uma só vez, deixando sua intimidade pronta para ser penetrada, pela forma com que suas pernas se engancham a minha cintura.
Abri novamente o zíper da minha bermuda, tirando meu pênis para fora, chegava a doer. Ela se recuperava, mesmo assim percebeu minhas intenções e facilitou as coisas, enfiou ou a mão em seu sutiã e me surpreendeu ao tirar um preservativo, rasgou a embalagem com agilidade e me entregou. Sorrimos ao mesmo tempo.
Seus braços estavam envoltos em meu pescoço, me puxando para um beijo. Coloquei o preservativo ansioso e posicionei meu membro contra sua entrada a penetrando lentamente, sentindo-a toda por dentro. Eu estava todo dentro dela, dentro daquela garota desconhecida e linda. Era muito gostosa a sensação, eu queria mais e mais.
Estoquei uma, duas, varias e varias vezes, mais forte, mais fundo, ela pedia mais, queria mais fundo, queria com mais força, gemia, me arranhava, mordia meu pescoço, puxava meu cabelos. Aquela loucura maravilhosa tinha que ter um fim, o calor foi expandindo, uma febre, um suor, uma sede de querer entrar onde não se tinha mais como alcançar, precisava estar mais fundo e de repente repetindo a estocada, mais, mais, mais até que chegamos juntos a um ápice tão avassalador…
Minhas forças foram drenadas e minhas pernas perderam o equilíbrio, lentamente quedamos ao chão, suas costas suadas deslizando contra a parede fria. Nossos corpos estavam suados, cabelos grudados, eu ainda estava dentro dela, quando sorrimos um para o outro.
— Emi… — Ela sussurrou com voz rouca, mas eu não ouvi corretamente. — Meu nome Yamada Emi.
— Ah… — Eu quase não tinha forças. — Takaishi Takeru.
— É um prazer…
— Com certeza o prazer foi todo meu.
Rimos um para o outro. Aquilo foi a coisa mais louca que já me aconteceu? Não, na verdade depois que conheci Emi, as loucuras que ela me fez viver são indescritíveis, que garota maluca! Muito louca mesmo, viciada em sexo e em lugares inusitados, óbvio que eu não reclamei.
Além disso Emi é alegre, animada, ama dança mais do que tudo, sonha em ser uma cantora e dançarina famosa, ela é muito divertida, bem humorada, está sempre contando piadas e as aventuras em que se envolve com suas amigas.
Com o tempo eu conheci mais garotas e o problema era que todas foram se tornando especiais de alguma forma. Era um mérito conseguir estudar, lutar para proteger o Mundo Digital e ainda ter tempo para as minhas garotas, normalmente a Hikari-san deixava a Tailmon lá em casa, mas quem acabava ficando com ela e Patamon, era a minha mãe.
No Natal passado eu quis presentear as garotas, mas não queria favorecer nenhuma, pois amo todas da mesma forma, então consegui comprar uma certa quantidade de anéis idênticos, assim fiquei com a consciência tranquila, mas minha mesada foi embora.
Quando toda aquela história da Miyako-san ter dois namorados estourou na escola, eu não vi como algo tão grave. Bem, ela poderia amar os dois e se eles a amam onde está o problema? Acho pior pessoas que se casam sem amor, mas amar não deve ser julgado. O amor mais bonito é aquele que te liberta, ciúmes é egoísmo, vaidade.
Se você está fazendo alguém feliz, isso é o que importa, se sabe tratar com carinho e ser para a pessoa o que ela precisa, não ser sua propriedade. Não entendo essa forma de pensar que as pessoas têm. Eu sabia que devia conversar com as garotas, contar sobre… Como vou contar que tenho várias namoradas e gosto de todas, não quero magoá-las e não quero perdê-las.
Esse pensamento teve muito pouco tempo para me afligir, naquelas semanas as coisas estavam intensas na escola, Hikari-san foi exposta, meu irmão teve segredos revelados, muita gente na escola sofreu com armações, mesmo Daisuke que sempre é amigo de todos, mas aquele dia para mim foi o mais traumático, vi as garotas da minha vida andando juntas em minha direção, chorando, me dizendo coisas horríveis, me esbofeteando e jogando o presente que eu dei, contra meu rosto.
Eu mereci tudo aquilo? Não sei dizer, nunca fiz nada para magoar qualquer uma delas, tudo o que fiz foi em função de fazê-las felizes, mas elas não pareciam interessadas em ouvir meu lado. Eu vi todos cochichando, me usando como alvo de piadas. Parece que estamos sofrendo um ataque direto, o pior é descobrir que foi o Koushiro, mas porque? Isso não tem lógica, talvez tenha ficado magoado pelas coisas que a Miyako-san escondeu e decidiu descontar sua raiva em todos?
Minha vida está um caos, minha cabeça está um caos, não consigo pensar em uma saída para isso. Taichi e meu irmão nem estão se falando, Hikari está em choque, apavorada por ter visto a pessoa que ama ser presa… Todos foram feridos, foram expostos, mas as minhas garotas não merecem sofrer isso, não mereciam descobrir dessa forma. Afinal de contas quem disse que o meu amor não é verdadeiro?
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