Inimigos Íntimos
22 Flashback filler: Taiorato . Coragem, Amor e Amizade.
Pov Sora
Sabe aquela sensação de ser mera espectadora na sua própria vida? Você enxerga os erros, sabe o que precisa ser consertado, mas não consegue tomar atitude e sair de cima do muro. Essa sou eu, Takenouchi Sora, romanticamente envolvida com Ishida Yamato, com uma relacionamento indefinido com Yagami Taichi, ainda tentando conviver com as regras e críticas da minha mãe.
Estou em uma fase da minha vida que eu não sei o que fazer, para onde ir, o que esperar, estou confusa comigo mesma e com os meus sentimentos. Pra ser sincera eu nunca me julguei amorosa e talvez tenha ganho esse brasão por isso precisa ser trabalhado em mim, mesmo que ao lado de Piyomon eu tenha evoluído muito e alcançado uma outra compreensão sobre o mundo que me cerca, ainda me sinto impotente diante da palavra amor.
Eu nunca fui o tipo de pessoa que abaixei a cabeça para as regras da sociedade, minha mãe queria uma filha delicada e eu era a filha que chegava suja e com os joelhos ralados, sempre em companhia dos meninos, comandava o time de futebol, quem era Taichi ou Daisuke perto de mim, eu amava jogar futebol, parece que me libertava.
Sempre fui mandona e tive espírito de liderança, então era a capitã do time e modéstia parte sabia bem o que fazia, quando fomos levado ao Mundo Digital, Taichi foi o eleito para liderar, aquilo pareceu uma seleção natural, no começo não gostei muito, sinceramente, mas depois ao ver os constantes embates entre ele e Yamato eu percebi que precisava estar ali firme, para intermediar as coisas.
Taichi sempre foi meu melhor amigo, talvez um pouco mais, eu ficava horas esperando uma ligação dele, esperando um e-mail e quando a gente se falava eu só conseguia arrumar briga, estava confusa, não sabia o que estava sentindo, não como agir com aquilo, era tão nova e paralelo a isso tinha meus problemas com meus pais.
Meu pai nunca estava em casa, mandava dinheiro, pagava as contas, punha comida em casa, mas era obcecado por pesquisas e estava sempre em viagens atras de pistas e mais pistas, a fim de provar suas teorias e minha mãe… A tipica esposa japonesa sem voz, educada e preparada desde criança para ser submissa ao marido, nunca fez cobranças, nem se impos, cuidava da casa, da floricultura, sempre aceitando tudo e eu as vezes a odiava por isso, na época eu não entendia, mas se eu tinha todo aquele jeito masculino, era medo de ser como a minha mãe.
A minha a vida após as aventuras no Mundo Digital, mudou muito eu consegui amar mais a minha mãe, mesmo o meu pai, os aceitando com seus defeitos, ficarem tanto tempo com um numero de pessoas diferentes me fez ver que todos tem seu valor, mesmo tendo defeitos..
Na minha adolescência eu decidi me tornar mais feminina, jamais viveria sob ordens de um homem ou sob suas vontades, mas também não precisava competir e mostrar igualdade a todo momento, descobri que poderia ser forte e feminina ao mesmo tempo.
Ainda me incomodava os conselhos da minha mãe sobre o que os homens não gostam em uma mulher. Não gostam de mulher muito sincera, nem de mulheres que tomam atitude, nem disso e nem daquilo, pelos conselhos da minha mãe os homens deveriam comprar uma boneca inflavel e contratar uma empregada, a boneca seria a esposa sem voz, sem atitude e a empregada seria para fazer as funções domésticas, eu que não ia virar uma fusão disso para agradar um homem.
O interessante é que a minha mãe faz todo esse esforço e baixa a cabeça para tudo, mas está sozinha, me criou sozinha, praticamente é casada só legalmente e mantém as aparências, mas tudo bem, não a odeio mais por isso, não odeio meu pai por perder minha infância devido a obsessão por seu trabalho, eu ignoro tudo e traço o meu próprio caminho.
Havia algo interessante sobre Yamato Ishida, nosso maior ponto de ligação parecia ser Taichi, poderia ter sido nossa aventura no Mundo Digital, mas não. Depois que voltamos ao mundo real, nossa vida seguiu seu fluxo normal, escola, hobbies, casa família, mas sobre amigos… Yamato continuava a preferir ser solitário, mas o interessante é que mesmo ele e Taichi quase se matando a cada cinco minutos por qualquer besteira, eles continuaram a ter contato diário, além do colégio.
Na verdade notei que Yamato era bem parecido comigo, ele mudou muito durante a aventura no Mundo Digital, era nítido que estava se dando uma chance e dando uma chance para as pessoas que ama, ele até montou uma banda, embora fosse rígido demais com seus integrantes era perceptível que eles o respeitavam.
Devido a Taichi estar sempre atrasado para os nossos encontros, Mimi ter ido morar um tempo nos EUA, Koushiro não desgrudar do computador, Joe estar focado nos estudos e os mais novos com outras ocupações, passou a ser comum que apenas nós três nos reunimos, mas em um belo dia Taichi não pode ir.
Foi nesse dia, uma manhã de sábado da qual eu consegui escapar de ter que ajudar na floricultura, então Yamato e eu nos entreolhamos, o dia estava bonito e ambos sem mais nenhum compromisso, sorrimos ao mesmo tem, seu sorriso era tão raro de se ver, ultimamente parecia ainda mais raro.
— Parece que somos só nós hoje. — Yamato quem iniciou a conversa.
— Aquele idiota, nem para mandar uma mensagem.
— O celular dele ta dando fora de área ou desligado. — Coçou a cabeça. — Se quiser podemos passar na casa dele.
— Não, ele deve estar de cueca dormindo na sala e vai atender a porta, não seria a primeira vez.
— O Taichi já te atendeu de cueca?
— E você não?
— Sim, várias vezes, mas você é uma garota, é diferente.
— Não pra ele, para o Taichi eu não passo de um dos moleques que dava um coro nele no futebol, quando éramos pequenos.
— Ele é um idiota mesmo, como pode olhar para você e não ver todas as mudanças que estão em evidência. — Falou naturalmente
Entretanto…
Duas coisas me chamaram a atenção, alguém como ele falar sobre as minhas mudanças e o fato de Taichi me ver como um garoto, me deixar tão furiosa.
Um contraste, foi isso? Eu não sabia dizer, foram dois sentimentos me abatendo no mesmo momento e me deixando confusa, talvez ele tenha percebido.
— Hey, quer andar em brinquedos de garotas ou prefere os radicais? — Falou apontando para os brinquedos mais ousados.
— Prefiro os radicais. Porque, você queria andar no carrossel? — Pentelho só para ver o que acontece.
Yamato não é de aceitar uma pentelhagem assim numa boa, ele agarrou minha mão e me puxou para a fila de uma montanha russa assustadora, além de dar voltas e voltas, ter muitas quedas, ainda virava muito de cabeça para baixo, confesso que fiquei apavorada e ele só mantendo um sorriso sacana.
Quando saímos do brinquedo, eu estava quase sem vida e ele ainda estava rindo, nos sentamos em algum lugar próximo para descansar, ele ainda ria da minha situação. Tão sacana. Passado algum tempo de análises sobre como eu quase desmaiei, decidimos comer alguma coisa.
Conversamos durante a refeição e, uma coisa que eu nunca esperava aconteceu, Yamato começou a se abrir comigo sobre como se sentia em relação a sua família e a sua vida. Aquilo me deixou perplexa, ele sempre foi fechado, agora estava confiando em mim para falar sobre coisas tão íntimas. Espera? Ele já tinha me falado que é evidente as mudanças que eu sofri?
A Partir daquele momento foi como se um coral estivesse cantando dentro da minha mente, cheguei até a imaginar se aquilo não foi combinado entre ele e o Taichi, outro detalhe, ele tinha pego a minha mão para correr até o brinquedo… Yamato era bonito, muito bonito. Eu via como as garotas olhavam para ele, mas suas atenções estavam focadas em mim.
Eu realmente não gostava dele daquela forma, na verdade eu sempre pensei que gostasse do Taichi, mas… Ele estava alí todo carente, falando sobre a vida, desabafando, justo aquele ranzinza de sempre. Um lado em mim estava exultante, ele realmente estava afim de mim? O outro estava me dizendo que não era certo, mas…
Como Yamato se abriu para mim, decidi fazer o mesmo, falei sobre tudo o que me incomodava, nossos pais não eram muito diferentes, só que os dele tiveram a coragem de se separar e os meus mantinham a aparência, o bom nome que minha mãe tanto zelava.
Quando desabafei acabei descobrindo que nós tínhamos muito incomum, muitos medos, dúvidas e revoltas e decidimos nos encontrar mais vezes “so nos dois”. Eu tinha quase certeza de que aquilo foi armado, mas mudei de ideia quando conversei com Taichi na escola.
Quando contei a Taichi como foi o nosso sábado e como combinamos de novos encontros ele travou por alguns momentos, depois deu um sorriso e desejou felicidades, mas algo parecia não estar tão bem quanto ele tentou aparentar.
POV Taichi
Parece uma regra geral que as pessoas sejam obrigados a namorar. Eu queria que o tempo parasse e pudéssemos todos ser crianças para sempre, naquela fase inocente onde ninguém magoa ninguém. O que você espera que eu conte? Sobre problemas com os meus pais? Desculpe eu nunca tive. Problemas com minha irmã? Lamento, mas até hoje Hikari só teve problemas de saúde frágil quando pequena, fora isso sempre foi meu orgulho então não tenho lamentações… Problemas com amigos? Não, acho que sou o mais normal, Joe exagera com os estudos, Mimi é boazinha, mas meio cabeça de vento, Sora tem que provar a mãe que é o contrário de tudo o que ela ensina, Yamato nunca se conformou com a separação dos pais, Koushiro tem mais vida virtual do que social e os mais novos, bem… Nem sei muito o que dizer.
Não é que eu não tenha preocupações, mas eu prefiro evitar coisas muito profundas.
Aquele sábado em que não fui ao encontro, acordei muito tarde, fiquei no computador conversando com os amigos do time e perdi a hora, me joguei na cama e quando acordei já passava de uma hora da tarde. Imaginei que Sora e Yamato tivessem tomado rumos diferentes, mas não, eles passaram o dia juntos.
Já me senti estranho quando Yamato me conmtou no telefone, no domingo, mas na segunda quando Sora me falou eu senti que… Senti que eu era um otário, ela sempre foi mais minha amiga, talvez algo mais, mas eu queria uma eterna infância, não queria lidar com problemas, compromissos e riscos de magoar alguém, por causa disso eu perdi algo que acho que eu tinha, perdi os sentimentos dela.
Porque ela? Yamato era popular, ainda mais depois da banda, mas ele apesar de meu amigo sempre foi competitivo, será que chegou nela por saber que ela gostava de mim? Nunca me senti tão confuso, ver um se arrumar para sair com o outro e depois me contar sobre o encontro. Era isso que eu merecia afinal? Foi isso que eu plantei?
Queria mil vezes ficarem no Mundo Digital e derrotar Digimons malignos ao lado de Agumon do que passar por isso.
Agumon… Agumon me escolheu como parceiro, acho que não me substituiria se precisasse…
Como se tivesse me ouvido, meu Digivice começa a apitar, procuro um computador mais próximo, para ver se consigo contato e como num passe de mágica sou sugado para dentro do mesmo, encontrando Agumon.
Tudo está um caos pelo Mundo Digital e tento evoluir Agumon, mas não consigo, sou informado de que um novo inimigo está atacando esse mundo e se auto intitula Digimon Kaiser, parece que as tais Torres Negras e Anéis Negros servem para escravizar os Digimons, mas não há nada que eu possa fazer a não ser mandar um pedido de socorro.
Sabem aquilo que eu disse sobre não ser substituído como Digiescolhido, pois é, eu fui, novos escolhidos herdaram o poder de digievolução, mas na boa, tudo bem, talvez seja melhor assim eu decidi apoiar como pudesse, mas isso me mostrou uma coisa.
Quando precisamos do apoio de Yamato, ele preferiu a banda até mesmo a ver Gabumon novamente, obviamente depois ele acabou reconsiderando e ajudando os novatos, mas… Era evidente sua obsessão pela banda.
A verdade é que Yamato se jogou de corpo e alma nessa banda, ele não suportava nem que os integrantes tivessem vida pessoal, quando algum faltava ao ensaio ele ficava furioso, como se aquilo não fosse um hobbie e desse dinheiro.
O fato era que isso parecia deixar Sora triste, eles não estavam namorando, mas tinham algo, só que ele nunca estava presente nos torneios de tênis dela, enquanto ela sempre ia em seus shows e dava todo apoio, mas ela nunca se abriu, era orgulhosa demais para isso.
A gota d'água foi o nosso acampamento de verão, Yamato sabia disso desde o começo do ano e só na última hora avisou que não ia viajar devido aos shows, achei que ela ficaria furiosa, quebraria tudo, bateria nele, mas ela não fez, entrou em silêncio e seguiu para o fundo do ônibus, então entendi que estava realmente magoada.
Dei um soco nele, pelo vacilo e segui atrás dela, andei até o fundo do ônibus e me sentei ao seu lado.
— Sabe que o banheiro fica aqui perto, não é?
— Pode ir lá pra frente, não estou te obrigando a ficarem aqui.
— Sabe que o Hitome-san veio nessa viagem? E olha só, ele já está comendo. — Aponto para o banco onde o garoto, porcalhão da sala estava sentado e, ela faz careta.
— Eu realmente quero ficar aqui, pode sentar lá na frente, não tem que ser minha babá. — Falou segurando as lágrimas.
— Acho que vou ficar aqui, já passamos por ataques de Numemons, isso não pode ser pior... — Ela sorriu em meio as lágrimas que não conseguiu segurar.
A viagem era a noite e logo todos estavam dormindo, ela não quis desabafar, não falou nada, mas não sai do seu lado.
Nos dias que se seguiram, vi que ela tentou se divertir, mesmo assim ainda estava triste. Fiquei pensando se eu seria capaz de fazer ela mais feliz, talvez fosse eu o namorado dela, será que eu faria melhor?
Uma noite combinei com o pessoal do time de sair escondido dos monitores e ir curtir na cidade vizinha, quando estávamos saindo de fininho Sora apareceu, pensei que tinha melado tudo, mas ela quis ir junto, não a impedimos.
Na cidade nos jogamos e nos divertimos, não demorou para que os rapazes arrumassem companhia, restando apenas nós dois, como estava tendo uma festa na cidade, os policiais pareciam estar cuidando de coisas sérias, essa foi a brecha para podermos experimentar algumas bebidas.
Quando me dei conta já estávamos falando além da conta.
— Você ainda me vê como se eu fosse um garoto? — A pergunta me pegou de surpresa, assim como sua iniciativa de beber mais.
— Nunca te vi como um garoto, bom, na verdade acho que até os doze, mas depois disso, não. — Fui sincero.
— Sabe, eu sempre achei que a gente fosse namorar. — Ela gargalhou.
— Todo mundo achava, até eu, mas um belo dia você e o meu melhor amigo já estavam saindo e… Você gosta dele?
— Gosto muito. No começo não, ele era apenas parecido comigo, uma companhia agradável, mas agora já nos envolvemos tanto na vida um do outro que não tem como eu não sentir um calor no coração quando penso sobre ele, mas…
— Mas?
— Mas gostar do Yamato, as vezes parece ir contra gostar de mim mesma sabe?
— Não, não sei. Não sobre gostar do Yamato, sobre ir contra seu amor proprio, eu não entendo o que quer dizer, exatamente.
— Desde crianças eu sei bem o jeito dele, seus medos, revoltas, nunca pensei em mudá-lo, mas eu imaginei sim, que eu seria como uma luz para a vida dele. Parece presunçoso, mas eu queria encontrar meu caminho o ajudando a encontrar o dele, entretanto…
— Entretanto?
— Ele parece ter decidido que a luz de seu caminho é a música, a banda. A impressão que eu tenho é que nenhum de vocês precisa do meu amor. Fiquei com raiva de você porque percebi que você me fazia ser parecida com a minha mãe, eu esperava você mandar e-mail telefonar, como ela fez a vida toda com meu pai. Agora eu espero as sobras de tempo que o Yamato tem para mim e isso me prova que não importa o quanto eu fuja, meu destino é repetir a história da minha mãe.
— Para com isso Sora, você não é a sua mãe, o seu destino é seu. Se alguém não valoriza seu amor, a culpa não é sua e eu não me refiro ao Yamato, não acho que ele faça isso por maldade, é só aquele jeito dele, mas falo por mim… Eu fui um idiota, covarde.
— Porque covarde?
— Porque eu queria te ligar mais, te mandar mais e-mails, mas era tão difícil, eu não conseguia, travava, tinha medo do que eu sentia estar me tornando adulto, nunca quis crescer síndrome de Peter Pan. Eu mereci ver você e o Yamato, tomei um choque de realidade, mas desejo felicidades, porque são duas pessoas que eu amo.
— Deseja felicidades… — Ela riu, completamente solta, eu também já tinha me excedido com a bebida. — Eu pareço estar feliz agora? Pareço feliz quando só eu vou aos eventos dele e ele nunca tem tempo para nada que eu faço? Queria firmar compromisso, apresentá-lo a minha mãe e poder mostrar pra ela que sendo eu mesma, sem me ajoelhar diante de um homem e baixar a cabeça, podia encontrar a felicidade, mas…
— Você pode… Sora, não tenha tanta mágoa da sua mãe, ela tenta te ensinar essas coisas porque a mãe dela a ensinou e veio de geração em geração.
— Mas está errado! — Ela bateu o punho sobre a mesa, fazendo com que algumas taças caíssem. — EU ODEIO ESSA CULTURA DE MERDA, COMO PODE TER GENTE QUE AINDA ENSINA ISSO PARA AS FILHAS? FALE BAIXO “HOMENS NÃO GOSTAM DE MULHERES ESCANDALOSAS”, FAÇA ASSIM SENÃO NÃO VAI CONQUISTAR UM BOM MARIDO… ESTOU POUCO ME LIXANDO PRA ISSO. EU ODEIO ESSA CULTURA DE MERDA, ESSE PAÍS CHEIO DE LIXO EMBAIXO DO TAPETE, ESSAS MULHERES SEM ATITUDE… ODEIO A MINHA MÃE!
— Para Sora, já deu, vamos embora. — Deixei o dinheiro sobre a mesa e a puxei pela mão.
Sora estava muito alterada falando de sua mãe e os valores idiotas japoneses, de mulher submissa, vociferando sobre seu pai e se comparando com ambos. Eu sempre soube que ela sentia falta do pai, quando comemoramos algo lá em casa ela olhava para meus pais de uma forma diferente. Minha mãe não é submissa ao meu pai, ambos nos criaram em comunhão, lado a lado, nenhum nunca tentou se impor.
Depois de uma crise de fúria, ela iniciou uma crise de choro, não encontrava nenhum dos nossos amigos, os celulares davam desligados, não vi outra opção a não ser ficarmos em um quarto de motel, óbvio que eu não tinha intenção nenhuma de fazer nada com ela, embora a amasse desde a infância ela era namorada do meu melhor amigo.
— Olha pra onde você me trouxe, seu pervertido. Uma moça não deve fazer essas coisas antes do casamento. — Ela gargalhava, enquanto eu a jogava sobre a cama, tirando seus sapatos.
— Hahaha, muito engraçado, mas eu vou dormir no chão. — A cubro com a colcha da cama. — Melhor que ficarem lá fora nesse frio, com você desse jeito.
— Eu estou parecendo uma idiota, não é?
— Não, Sora, eu te entendo. Só dorme, tá legal — Falo estendendo um lençol sobre o tapete, minha cabeça estava girando.
— E se eu não quiser dormir? — Ela soa maliciosa descendo da cama e vindo até mim.
A princípio tentei impedi-la, mas era a garota que eu sempre gostei, me beijando em um local como aquele, eu estava alterado pelo álcool e então tudo que não deveria ter acontecido acabou acontecendo.
No outro dia eu queria que ela dissesse que adorou e terminaria o namoro, mas não foi assim, ela se sentiu culpada, me pediu que esquecesse tudo e agisse como se aquela noite nunca tivesse acontecido e assim eu tenho feito.
Não sei se sou culpado por ser fraco, se ela foi culpada por estar frágil ou se Yamato quem teve culpa por estar obcecado na banda, sei que não fui um bom amigo, mas o pedido dela para que eu esquecesse o que houve, já foi uma punição, creio que a dor desse momento tenha me feito pagar por todos os meus pecados.
POV Yamato
Obsessão? É essa a palavra que as pessoas usam quando veem você correr atras de um sonho? Que seja, estou querendo construir uma carreira e me esforçando para isso, quero fugir para bem longe daqui e afogar nas minhas letras e acordes todas as dores que sofri e todos os sonhos que nunca se realizaram.
Quanto a Sora, tenho estima por ela, mas não sei se posso firmar um, compromisso, realmente quero seguir minha carreira e nunca conversei com ela sobre até onde ela me apoiaria, se estaria disposta a esperar por mim e não iria julgá-la se não estivesse.
‘ Ela reclama de todas as regras e manias de sua mãe, mas a mãe dela pode lhe dar conforto, proteção, coisa que eu ainda não posso, não tenho como garantir isso nem a mim mesmo, então… Como posso firmar um compromisso com ela?
Há anos atrás, quando o Mundo Digital voltou a precisar de ajuda, eu hesitei, depois me arrependi, meu coração até doeu por ter feito Gabumon pensar que eu não me importava, eu me preocupava sim, mas estava com medo, não de derrotar inimigos ou algo do tipo, estava com medo de me afastar daquilo que tenho construído para mim.
Obsessão? Talvez fosse a palavra certa, mesmo e eu deveria estragar a vida daquela garota por algo que não sei se vai dar certo? Sora não quer ser como sua mãe e ficar a espera de seu marido enquanto ele segue seu sonho, mas não é isso justamente o que eu teria para oferecer?
O pior dos problemas é gostar verdadeiramente dela e temer deixá-la sofrendo, quando comecei o relacionamento eu não gostava mesmo dela, ela era bonita, legal eu a conhecia, mas tinha certa inveja do que rolava entre Taichi e ela e quis aquilo para mim, foi feio? Nada que me faça merecer carregar meu brasão da amizade? Eu sei que sim, mas foi humano, não sou um santo, um herói, essa foi minha falha, um instinto de competição. Eu só valorizei o que Taichi não quis valorizar, mas acabei me apegando.
Como não me apegar, Sora sempre foi tão prestativa, carinhosa e, cuidadosa, ela me tratou de uma forma que nem minha mãe nunca fez e acho que aos poucos um amor foi nascendo. Quando fiquei doente ela veio cuidar de mim, fez comida, lavou as roupas, eu insisti que não precisava, mas não adiantou.
Todavia, eu sei que não vou ficar aqui e fazer uma faculdade ao lado dela, não vou pedi-la em casamento ou algo do tipo, ao menos não por agora, então o que eu diria a mãe dela quando oficializasse essa relação.
Sei que algumas vezes ela me achou frio e distante, mas a verdade é que eu estava com a cabeça no futuro. Em parte me arrependo de ter ficado entre Taichi e ela, mas em outro ponto, foram os momentos mais felizes da minha vida.
As coisas começaram a dar errado com a banda, os integrantes estavam vendo aquilo como passatempo, brincadeira, forma de ser popular entre as garotas e eu sempre era o carrasco que queria compromisso, exigia a presença de todos nos ensaios, abdicar de coisas importantes para fazer ensaios e shows.
Em um dado momento nossa banda contou muito com a ajuda da Inoue e do Koushiro, ela tem uma família grande, um dos tios trabalha com eventos e possui um pequenos estúdio acoplado a uma radio de sucesso médio, Miyako conseguiu o local para que pudéssemos ensaiar, gratuitamente, assim como seu tio nos engajou em vários eventos.
Os eventos rendiam pouco dinheiro, mas nos ajudava a fazer o nosso nome, no entanto vi que meus companheiros de banda realmente não estavam se dedicando, a gota d'água foi quando um dos integrantes faltou em um evento pago a banda dependeu do Koushiro e da Miyako para fazer o instrumental complementar no computador.
Depois desse dia eu vi que era o único a levar o sonho a sério, talvez o sonho fosse somente meu, um produtor que estava no evento pegou meu contato com o tio da Inoue, assim iniciamos as conversas online, ele falou sobre as minhas letras e a chance que eu tenho em uma carreira solo ou mesmo com outra banda escolhida pela agência
Eu estava irritado, magoado, decepcionado com a banda e aceitei, só faltava contar pra eles, contar pra Sora e para minha família, assim que eu me formasse, partiria em turnê, será que estou sendo injusto?
Quando a confusão toda da Inoue desabou, eu queria que fosse mentira, não podia ser verdade né? Vindo de alguém como eu, talvez, mas alguém como ela… Eu estava acostumado a ver o Koushiro e ela trabalhando juntos na sonoplastia e os achava perfeitos um para o outro, a forma como se comunicavam, completavam frases e dividiam teorias sobre tudo.
Quando entendi que a minha raiva e mágoa em relação a Inoue ter agido daquela forma, era que eu me via e via em Koushiro a desgraça que eu causaria nos sentimentos de Sora. Eu estava decidido a conversar com ela, naquela tarde chuvosa, mas todas as minhas conversas com o produtor, foram jogadas na internet, na rede social da escola e os integrantes da banda vieram tirar satisfações.
Sora soube da minha decisão e consequente partida, da pior forma. Naquela semana a escola já estava um verdadeiro caos, fotos e segredos íntimos vinham sendo revelados a todo momento, eu realmente não esperava que fosse acontecer comigo, não ia conversar com ela por medo e sim porque era minha obrigação, assim como era em relação ao restante da banda, mas as coisas aconteceram da pior forma possível.
Quando ela correu em meio a chuva fria, tudo que pensei foi em alcançá-la e abrir meu coração, assim eu fiz, estávamos molhados, assustados e decepcionados, mas eu disse o que precisava dizer, revelei a ela os meus motivos por ainda não ter oficializado o nosso namoro e o que eu diria a sua mãe “vou desistir da faculdade para ser cantor e viajar pelo mundo quando der eu volto” com certeza não seria um bom começo de relação.
Se ela entendeu eu nunca soube, pois ela me deixou lá e saiu sem dar qualquer resposta, e o que mais eu queria? Talvez ela pensa que perdeu tempo demais comigo? Talvez ela esteja certa.
Eu queria voltar a conversar com os integrantes da banda, mas nenhum deles queria olhar na minha cara, eu não posso comprá-los, pelo ponto de vista deles o que eu fiz foi um golpe traiçoeiro, mas pelo meu ponto de vista eu sei bem que quando se formarem cada um deles já possui seus planos e estes não incluem a banda.
No final de semana, eu tive um bom tempo para pensar, não consegui falar com ninguém sobre o assunto, fora o meu pai, a minha namorada era a única pessoa com quem eu costumava conversar, mas ela também estava magoada comigo.
Quando as aulas voltaram eu pensei que poderia resolver tudo, me desculpar, tentar conversar e explicar o meu ponto de vista, fazer alguma coisa ao invés de ficar socando tudo que via pela frente, mas o destino tinha outra surpresa para mim e naquela manhã eu descobri o que aconteceu durante as últimas férias de verão entre a garota que estava saindo comigo e o meu melhor amigo. Vi meu irmão também se envolver em problemas e não tive nada a dizer.
E no começo eu perdi a cabeça, minha honra masculina estava manchada, sem pensar partir para cima de Taichi descarregando toda minha ira, obviamente ele revidou e os curiosos se aglomeraram sedentos por sangue, sei que muitos ali estavam secretamente comemorando, a queda de uma amizade de anos, então quando já havia rendido meu amigo estava sobre ele pronto para desferir o último soco, pausei o movimento e pensei se eu tinha mesmo direito de estar fazendo aquilo.
Todos os dentinhos, todos omitiram, todos enganamos, porque eu deveria me sentir traído? Por honra? Por orgulho? Que valor isso tem agora? As coisas pioraram um pouco mais quando a polícia descobriu quem havia divulgado todas aquelas informações, fiquei me questionando se por algum motivo que eu não sei qual, poderia mesmo ter sido ele? Porque não? Ao que me parece que todas as pessoas têm um lado desconhecido, mesmo eu deixei pessoa se decepcionar em comigo, porque não ele?
Fui levado para a detenção, juntamente com Taichi, pelo caminho pude ver Sora, abraçada a Mimi, que só conseguia chorar como uma criança, se perguntando porque tudo aquilo estava acontecendo, porque de repente o mundo ficou maluco estava tentando destruir tudo o que somos.
Aquelas falas infantis da minha amiga, me fizeram ver uma coisa, o mundo não estava tentando destruir o que somos, estava nos desmascarando, estava nos fazendo encarar e aceitar o que somos e agora temos que lidar com isso.
Enquanto eu me perdia em pensamentos, já não sentia vontade nenhuma de brigar ou quebrar alguma coisa, entendi que a minha volta coisas graves estavam acontecendo quando vi Hikari passar correndo em prantos, olhei para lateral e vi a humilhação nos olhos da mulher que estava sendo detida. Ainda não entendi ao certo o que estava acontecendo mas seja o que for não me parece algo que veio para nos afastar, talvez seja algo que veio para nos unir ainda mais, somos humanos, cometemos falhas, mas ainda assim podemos ser amigos e continuar tentando juntos, alcançar nossos sonhos e objetivos.
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