(In)fortúnio

8 Tensão, prefácio de uma dança particular.


Notas iniciais
Oi gente, nesse eu me empolguei. E por favor, tentem ser um pouco mais pacientes! Esse é um projeto longo, as coisas acontecem devagar, certo? Bem, aí está, espero que gostem!

8. Tensão, prefácio de uma dança particular.

Foram dadas ao casal as devidas instruções para o castigo e, antes de irem cumprir a pena de infração eles limparam toda a sujeira que fizeram por derrubar o vaso (caríssimo, diga-se de passagem), estabelecendo novamente a simetria do corredor, para a alegria de Kid. É claro que para Kid, o filho do Shinigami, aquele castigo era somente simbólico. Enfim, guardados os instrumentos de limpeza, o jovem, ao lado de Maka, foi ao encontro das irmãs Thompson afim de explicar o ocorrido, instruindo elas a irem para a mansão mais cedo e que não havia necessidade de esperá-lo. Feito isso, ambos dirigiram-se para a sala onde o castigo seria aplicado. Maka andava pisando com força no chão, claramente irritada com a situação.


–Oras, só quebramos um vaso e ainda por cima foi sem querer! E agora vamos ter que ficar trancafiados por três horas em um sala estudando botânica sob supervisão! — Ela reclamou em tom exaltado e com expressão emburrada.

–Pensei que gostasse de estudar, Maka. — Kid comentou com indiferença.

–É claro que eu gosto, mas não suporto a ideia de estar de castigo. É a primeira vez que fico e isso definitivamente não é nada legal para a minha imagem. — Ela anunciou indignada.

–É, realmente isso não é nada “maneiro" — Kid acrescentou, tentando imitar o tom de voz e a postura largada de um certo albino, ao ver que ela expressava a mesma preocupação típica com a reputação deste mesmo. Maka riu com a imitação descontraída do namorado e então lembrou-se do parceiro. Bem, a saudade estava grande, quem sabe ela não faria uma visitinha rápida a ele mais tarde? Afinal, ele já parecia estar mais estável e certamente uma surpresa amigável ia o alegrar, ao menos um pouquinho.

–Bem pelo menos não é nada tão horrível assim. O que poderia acontecer de ruim, não é? Olha só, chegamos. Vamos entrar? — Kid sugeriu, oferecendo com cavalheirismo que a loira adentrasse a sala primeiro.

–Obrigada"- Maka agradeceu estampando um sorriso no rosto.

Sid já os aguardava sentado na mesa do professor.

–Maka? Kid? Vocês por aqui? — Ele indagou levantando as sombracelhas, a surpresa explícita nos olhos.

–Bem, não importa o motivo, não sou xereta. Esse é o tipo de cara que eu era. Podem escolher seus lugares, tem de sobra. — ele falou e apontou para as bancadas vazias. Havia ali somente dois indivíduos além deles, já acomodados em seus lugares. Um certo Black*Star, que estava riscando qualquer coisa no caderno, e uma pobre Tsubaki, que provavelmente não estava ali por erro próprio mas apenas acompanhando o parceiro traquinas.

–Tá, esqueça o que eu falei sobre não ser ruim. — Kid sussurrou para a loira, direcionando o olhar diretamente para Black*Star e, notando a quem ele se referia, ela assentiu com uma careta. Bem, o mais sensato seria sentar longe deles para evitar agitações desnecessárias mas Tsubaki era uma das melhores amigas deles e não tinha culpa nenhuma do parceiro ser um idiota, não seria justo com ela. Além disso, apesar da arrogância, Black*Star era amigo de infância da loira e a acolheu sem hesitação quanto ela precisava encontrar um lar temporário e também a ofereceu todo o conforto que ele dispunha como um (quase) perfeito anfitrião. Bem, não restou muita escolha para eles. O casal sentou-se ao lado dos amigos e almejou que o garoto de cabelos azuis não causasse muita balbúrdia.

–Oi, Maka, Kid. O que fazem aqui? — Após cumprimentar ambos gentilmente, indagou confusa.

–Er... Quebramos um vaso sem querer... — Maka anunciou, um tanto encabulada.

–Que burros! Como conseguiram ser tão descuidados? — Black*Star lançou-os tais palavras, caçoando dos amigos.

–Você destruiu cinco de uma vez com uma de suas manobras loucas, Black*Star! É por isso que estamos aqui hoje! — Tsubaki anunciou, em tom acusatório. Maka e Kid se olharam e riram baixinho.

–Até parece, Tsubaki! Eles me colocaram aqui pois não conseguem lidar direito com a minha grandeza. = Ele cruzou os braços e empinou o nariz, pomposo. Tsubaki suspirou. — Mas, deixando isso de lado, como está o Soul, Maka? — Ele normalizou a postura e estava agora sério.

–Ele está melhor, ao que me pareceu no telefone. Mas ainda estava um pouquinho deprimido. Estava pensando em visitar ele hoje, na verdade. — Maka disse. Kid torceu o nariz e franziu o cenho, parecia desgostar da ideia.

–Eu e a Tsubaki podemos ir? — Black*Star indagou e os olhos dele reluziram ao ver ali uma oportunidade de visitar o melhor amigo o qual tanto sentia falta da compania.

–Infelizmente, Black*Star, eu acho melhor ir um de cada vez. Ele ainda está meio sensível e é melhor evitar muita agitação. Mas eu posso dizer pra ele que você quer ir lá um dia desses, aí vocês marcam por telefone. — Ela instruiu.

–Beleza, por mim tudo bem. Valeu, Maka, você é a melhor! Quer dizer, depois de mim, é claro. — Ele anunciou, fez sinal de jóia com o polegar e voltou a rabiscar o caderno. Claramente não eram anotações sobre botânica que haviam ali mas sim desenhos infantis e diversos jogos da velha já finalizados, que provavelmente Tsubaki foi quase que obrigada a jogar com o parceiro insistente, durante o tempo de castigo deles.

–Tem certeza que é uma boa ideia, Maka? — Kid de repente indagou e parecia incomodado.

–Por que não? Ele já parece melhor. -Maka replicou.

–Pode até parecer, mas não dá pra saber. Você ir sozinha vê-lo, pode ser perigoso. Acho que seria melhor não ir vê-lo. — Ele disse, em tom razoavelmente autoritário. Maka franziu a sombracelha, notando a seriedade do namorado. Oras, ele estava por acaso tentando mandar nela de alguma forma? Certamente ela não era do tipo de garota que gostava de ser contrariada. Seria o fim do mundo para ele ela ir vê-lo? Com certeza não.

–Eu vou vê-lo de qualquer forma, acho que ele precisa de um pouco de compania. — Ela disse com a mesma seriedade do amante.

–Bem, faça como quiser. — Kid anunciou, embezerrado.

–Que seja então. — Ela falou em tom irritado e suspirou fundo. Ambos olharam para lados contrários com teimosia e com expressão emburrada.

–Arrumem um quarto! — Black*Star de repente disse de forma descontraída, quebrando imediatamente o clima de tensão, fazendo o casal de artesões corarem ao extremo. Ambos tentaram ao máximo fingir indiferença, uma tentativa aliás infrutífera, mas que na realidade naquele momento não fazia muita diferença. Black*Star era lesado o suficiente para não perceber que o comentário besta os afetou. Ele provavelmente só os provocou ingenuamente, sem quaisquer indícios de segundas intenções. Tsubaki estava ocupada demais constrangendo-se com a falta de sensibilidade do parceiro. Quando notaram a falta de perigo, soltaram um suspiro de alívio. As próximas horas de castigo foram mais descontraídas, ficaram os quatro conversando sobre assuntos cotidianos e não havia sequer um vestígio por parte deles de estudos botânicos. Sid estava ocupado demais com uma papelada importante e estava focando naquilo o suficiente para não se preocupar com a pouca atenção que dava para os alunos ali castigados.

Passado o tempo limite, todos foram dispensados. Tsubaki e Black*Star foram embora na frente pois já estavam cientes que Maka passaria na casa dela para visitar o parceiro. Sobrou apenas o casal, que sentiu necessidade de discutir, obviamente a sós, o que havia acontecido com ambos durante o castigo.

–Olha Maka, desculpa o meu comportamento imaturo agora há pouco. Além de estar preocupado com a sua segurança, admito que estou com um pouco de ciúmes do Soul. Você sempre passa tanto tempo com ele...Até mesmo agora, que finalmente consegui você só pra mim, eu tenho que te dividir. — Ele anunciou, expressando arrependimento no olhar, ao mesmo tempo que cíumes nítido.

–Eu também peço desculpas pela insensibilidade, eu não deveria ter te afrontado daquela forma...Mas olha Kid, em relação a minha segurança, pode ficar tranquilo que eu sei me virar muito bem. E, além disso, o Soul não vai fazer me machucar, conheço ele o suficiente para afirmar isso. E não precisa ficar com ciúmes, oras! Tudo bem, você vai ter mesmo que conviver com a ideia de me ver perto dele, afinal ele é meu parceiro e amigo, não posso deixá-lo de lado nunca. Mas você sabe que eu pertenço a você e é ao seu lado com quem gostaria de futuramente ter uma vida junto. Ele é meu amigo, você é meu namorado. É você quem eu quero, entendeu? Pode confiar em mim. — Ela explicou amena e então sorriu docemente para o amado. Os olhos dele diante das palavras dela demonstraram intensa paixão, felicidade e pareceram satisfeitos com a explicação.

–Tem razão, Maka. Eu tive um pensamento muito egoísta, me desculpe mesmo. Mas... Eu posso ao menos te levar até lá? Eu te deixo uma esquina antes, para evitar qualquer perigo. Por favor, eu insisto. Eu estou com o Belzebuub aqui, será mais prático para você. — Ele a olhou com expressão de cãozinho pedinte. Ele suspirou e em pouco tempo deu-se por vencida. Seria impossível rejeitar o pedido dele diante de um rostinho tão exigente e gracioso.

–Tudo bem, mas vamos ser esguios tá, não podemos deixar que nos vejam. — Ela requisitou e ele assentiu com um sorriso no rosto, extremamente satisfeito por sair vitorioso. Ambos foram a um beco próximo com sutileza e furtividade e logo se acomodaram no skate. Em poucos minutos de viagem Maka já estava a alguns míseros metros de sua casa. Eles pousaram o skate voador em um lugar escuro e ambos desceram dele.

–Obrigada pela carona Kid. Estou indo. — Maka o agradeceu tascando-lhe um beijo, o que imediatamente o embebedou de paixão e o tirou um enorme sorriso do rosto.

–Por favor tome cuidado e se cuide, Maka. Nos vemos amanhã.- Ela assentiu e então os dois despediram-se acenando um para o outro.

Quando o amado sumiu de vista ela seguiu seu rumo. A loira pegou a chave própria na bolsa e adentrou a casa, silenciosa, desejava surpreender o parceiro. Ela largou os pertences no sofá e dirigiu-se ao quarto dele, onde ele provavelmente estaria. A porta estava encostada e a luz apagada. Ela adentrou o cômodo em silêncio e encontrou o jovem adormecido na cama, com expressão amena no rosto, as luzes do corredor ilumanavam o rosto dele.

"Ele parece estar bem", pensou ela e então sorriu docemente. Foi, em passos suaves, aproximando-se do parceiro e então se ajoelhou diante dele. A suave expressão no rosto dele a satisfez pois gerou um alívio intenso e imediato no peito dela. Ela não sabia se ele estava constantemente sentindo-se bem como parecia, mas apenas vê-lo ameno como estava naquele momento já a fazia mais feliz. Ela pousou os lábios na testa do parceiro e lhe presenteou com um beijo carinhoso e acolhedor, como forma de agradecimento por fazê-la se sentir melhor. O carinho o fez soltar um grunhido, e, ao ver que inconvieniente poderia acordá-lo, se afastou e o deixou ali dormindo mais um pouco. Enquanto isso, ela decidiu surpreendê-lo com um belo jantar caseiro, fazendo o prato preferido dele. Ela foi logo para a cozinha e começou a cozinhar ligeira e arduamente pois desejava terminar a refeição antes do parceiro acordar.

Não foi fácil cozinhar apressada, mas em uma hora de preparo estava tudo pronto e a mesa muito bem arrumada para os dois. Ela foi verificar a situação no quarto dele e como ele ainda estava apagado a loira aproveitou para tomar um banho. Ela estava desgastada e suada devido o dia cheio que tivera e então sentiu a necessidade de sentir-se um pouco mais fresca. Terminado o banho colocou uma das mudas de roupa que sobrora no armário e sentou-se na sala para esperar pelo parceiro.

Não demorou muito para Soul acordar e, ao entrar na sala, ficou embasbacado. Pouco ele acreditava que o que estava diante dele era real. Maka, sua parceira e melhor amiga, estava logo ali, a poucos metros de distância dele. Ele permaneceu estático por alguns segundos. Maka, logo notando a presença do jovem, levantou-se e correu para abraçá-lo.

–Soul! Que saudades que eu estava de você. — Ela exclamou e o apertou forte, fazendo-o sentir tanto nostálgico como rejuvenescido. Quando finalmente o choque cedeu, ele retribuiu o abraço, apertando-a de forma intensa e carinhosa, sem dizer sequer uma palavra. Ele quis apreciar aquele momento em silêncio por alguns instantes, e, sem condições de se bloquear, começou a chorar sem qualquer hesitação, mas não por estar sendo afogado em tristezas, e sim por uma alegria vívida. Estava ele agora apoiado sobre um ombro amigo, o qual podia confiar incodicionalmente, e era aquele, somente aquele, que poderia oferecer-lhe o conforto necessário para afastar suas inseguranças e angústias.

–Eu também estava com saudades, Maka. — Soul murmurou soluçando. — A minha cabeça está me matando. — Ele comentou, olhando com expressão manhosa para ela.

–Aguenta mais um pouco, Soul. Assim que o Shinigami-sama estiver disponível eu vou ver com ele como está o andamento das coisas. Se pelo menos conseguiram algum vestígio da bruxa. — Ela explicou um tanto aflita com a situação dele. Ele sorriu em agradecimento.

–Venha, vamos comer, eu fiz algo especial pra você. — Ela falou e então o puxou pelo braço até a cozinha. Soul sorriu como nunca havia o feito antes, abriu os olhos anteriormente apertados, sentou-se apressado e começou a comer com vontade. Em alguns instantes ele se interrompeu notando o quão grosseiro havia sido por não esperar nem a parceira se sentar.

–Desculpe — ele disse baixinho, encabulado, olhando para baixo. Maka riu baixinho e sentou-se.

–Anda comendo muito miojo? — ela indagou divertida.

–É, daqui a pouco vou ter uma overdose. De miojo e sashimi. A Blair não sabe cozinhar e só quer saber de trazer peixe, peixe e mais peixe. Não aguento mais! Não sei nem como ainda não fui parar no hospital por intoxicação — Ele exaltou, fazendo uma careta.

–Oras Soul, aprenda a se virar. É só dar um jeito de tentar cozinhar! Eu posso deixar com você algumas receitas fáceis. E faça com que a Blair compre outras coisas que não sejam peixe. Você não pode deixar ela fazer o que bem quiser! — Ela instruiu, assim como uma mãe faz a seu filho.

–Ué, eu não tenho culpa! Eu posso até tentar cozinhar, mas com a Blair é diferente. Toda vez que eu tento contrariar ela me abraça e eu fico afundado naqueles peit... — Ele disse mas foi interrompido.

–MAKA-CHOP! — Ela o acertou pois já sabia qual era o final dessa história que ele estava contando.

–Até disso eu tava com saudade. — Ele a olhou enquanto afagava a própria cabeça contundida e então sorriu com aqueles grandes e afiados dentes de tubarão que tinha. -As vezes eu me pergunto de onde todos esses seus livros saem. — Ele completou e ela deu de ombros. Oras, esse era e sempre seria um verdadeiro mistério. Enfim, assim que Maka se serviu, Soul voltou a comer e saboreou com gosto aquela deliciosa refeição. Um momento agradável para ambos, que conversaram descontraídamente e colocaram todas as novidades em dia.

Finalizada a refeição ambos foram para a sala e sentaram-se no sofá lado a lado para continuar a conversa.

–Soul, diz pra mim, porque não tenta ler um livro, já que está cansado de jogar video-game? — Ela indagou.

–Livros não são maneiros. — Ele simplesmente anunciou, mantendo sua postura "legal".

–Aí é que você se engana, Soul. Livros te levam a um mundo totalmente diferente do seu, te desprendem da sua vida real e te levam a uma realidade moldável ao gosto pessoal. Você não tem limites quando imagina. É fantástico. E pode ser uma perfeita distração, é só você os ler com a mente aberta. — Ela explicou animada e então ele suspirou.

–Certo, vamos ver. Se um dia eu estiver com paciência eu penso no assunto. — Ele anunciou orgulhoso. Ela sorriu e sentiu-se vitoriosa.

–Maka, mudando de assunto, você anda falando muito com o Kid?"- Soul indagou.

"Merda, merda! Não era para eu ter perguntado isso! Mente idiota!" Ele se exasperou em pensamento, arrependendo-se imediatamente do que perguntara, por pura ansiedade e instinto. Maka gelou diante da pergunta mas tentou fingir naturalidade.

–Oras, e-eu... Converso com ele... d-de vez em quando só. — ela disse, tropeçando nas palavras, em uma tentativa parecer indiferente. Uma pergunta tão de repente a pegou despreparada. A reação dela claramente explicitou que alguma mentira estava sendo dita, o que fez ativar a ansiedade de Soul. -Você está mentindo pra mim, não está, Maka? — Ele indagou enquanto se aproximava dela afim de pressioná-la.

–Eu.. Não estou não, Soul. — Ela exclamou ansiosa.

–Está sim, eu te conheço, Maka! — Ele falou e então a segurou pelo braço e os forçou para baixo, fazendo ela deitar no sofá enquanto ele se posicionava em cima dela.

–Por favor Soul, pare com isso!" Ela se assustou com a reação dele e tentou se debater assustada, ele estava a segurando com força, prendendo-a naquela posição. Mas aquilo não durou muito pois em pouco tempo o medo dela transformou-se em tristeza. Quando ela o olhou no olhos, relaxou. Ele não estava nervoso nem irritado. Eram lágrimas de tristeza que enxarcavam os olhos avermelhados do parceiro. Ele segurava com força os braços dela não por cólera, mas sim por medo, medo de perdê-la.

–Ficando com ele ou não, você não pretende me deixar, pretende, Maka? — Ele indagou, algumas lágrimas escorriam do rosto dele e caiam nas bochechas dela – dessas gotículas eram feitas um depósito de carência e insegurança. É, o feitiço estava fazendo seu efeito, e piorava a cada dia, ao contrário do que a Maka imaginava.

–É claro que não vou, Soul! Como pode pensar algo assim? Eu sou sua parceira, eu nunca te deixaria para trás. — Ela falou confusa ao passo que notou o sofrimento que até há pouco o amigo estava contendo e que logo a contaminou e a fez chorar também. Como poderia o parceiro dela de alma duvidar da fidelidade por parte da parceira, por sequer um segundo? Soul soltou os braços da amiga e saiu de cima dela e então eles se sentaram novamente. Maka o abraçou para confortá-lo.

–Soul, em nenhum momento ouse pensar que eu vá te deixar. Eu NUNCA farei isso, você é mais que um amigo para mim, é meu parceiro. Nos conheçemos a tanto tempo, já somos irmãos, você sempre cuidou de mim e eu pretendo fazer o mesmo com você. Não está nos meus planos te deixar de lado. — Ela falou baixinho, próxima a ele, ainda abraçada com o jovem. As palavras dela o confortaram e o fez imediatamente se sentir mais seguro do que nunca. É claro que ele não a deixaria. Era da Maka de quem ele estava falando. Da sua amada parceira de alma.

–Eu sou um idiota, Maka. Desculpe se te machuquei... — Ele murmurou enquanto soluçava, olhando tristemente para o braço dela. Nunca antes a loira havia visto o amigo tão sensível como ali estava.

–Não foi nada, Soul — a jovem disse, sorrindo de leve, apesar de que preocupada em pensamento. O feitiço, realmente, era forte e perigoso. Deveria ser revertido. Poderia levar dias, meses ou anos para o amigo cair subitamente na insanidade. Não importava qual seria o período, o ideal seria reverter aquilo o mais rápido possível. "Soul, eu vou falar com o Shinigami-sama o quanto antes. Por favor seja forte e aguente enquanto eles não conseguem obter resultados." Ela disse entristecida, odiava não poder fazer nada. Sentia-se inútil. Ele assentiu diante das palavras dela parecendo determinado. Eles permaneceram por mais alguns minutos ali, em silêncio, até que Soul se acalmou e como já era tarde, o mais sensato seria Maka voltar para o lar temporário. Eles então se despediram, Maka antes deu para ele o carderninho dela de receitas, avisou sobre Black*Star e também afirmou que iria tentar visitá-lo mais vezes. Um abraço selou a despedida final e então Maka voltou para a casa de Black*Star e Tsubaki para descansar do longo dia que tivera.

Algumas semanas se passaram depois daquele episódio, Maka contou o que havia acontecido com Soul para Kid, que foi compreensivo com a situação. Ela também conversou com o Shinigami-sama, que disse que não havia ainda pistas das bruxas mas que uma equipe altamente capacitada já estava no local e procurava arduamente por ela, o que por um lado a tranquilizou mas que por outro a deixou entristecida. Contou a notícia para o Soul, que felizmente, estava novamente estável e parecia não querer ceder para a loucura. A visita de Black*Star o ajudou a sentir-se relaxado. Kid e Maka, durante o mês que se passou, se encontravam escondidos todos os dias. Estava certo que Soul já suspeitava de que algo ali acontecia entre eles, mas o casal prefiriu não confiar na percepção do albino. Oras, ele estava extremamente sensível. Suspeitar era uma coisa, ver com os próprios olhos era outra. E se a mente perturbada dele falasse mais alto? Seria melhor não arriscar. Sendo assim, eles eram sutis, mas aproveitavam cada oportunidade que tinham para ficarem juntos. Certo dia ambos estavam em um parque, sentados atrás de uma enorme árvore, dificilmente avistados por outros.

–Maka, durante o fim de semana a Liz e a Patty vão viajar para um zológico na África para ver girafas. Meu pai, como sempre, estará trabalhando. Você quer ir lá pra casa? — Ele indagou.

–O fim de semana inteiro, Kid? O que eu falaria para a Tsubaki e o Black*Star? — ela perguntou. Kid sorriu maroto e tirou um papelzinho do bolso.

–Fala que você vai para o acampamento dos amantes de leitura! Olha só, conhecidamente é durante esse fim de semana. — Ele a entregou o papel e piscou para ela.

–Eu não gosto muito de mentir, mas confesso que muitas vezes pode ser conveniente. E, se bem que esse acampamento parece interessante,- ela comentou. -Mas prefiro estar com você, obviamente — completou, sorriu e deu uma piscadela. Ele sorriu em resposta e eles então se beijaram intensamente enquanto trocavam carinhos e arrancavam suspiros um do outro. Após um longo e intenso momento de ternura, ambos conversaram por mais alguns minutos e no finzinho da tarde se ajeitaram para ir embora.

–Vai ser um ótimo fim de semana — Kid disse e sorriu enquanto acariciava o rosto dela. Ela enrubesceu e assentiu. Estava combinado, então. Ambos iriam se encontrar naquele fim de semana.

A desculpa foi implantada na mente dos anfitriões do lar temporário de Maka e pareceu convincente. Quando o fim de semana chegou, Maka preparou pequenas malas, despediu-se e tomou seu rumo. Ela chegou na casa do Kid pela manhã, Liz e Patty já haviam saído no dia interior. Ambos passaram o dia todo conversando e assistindo alguns filmes aclamados pelas críticas, aquele fora um dia divertidíssimo e descontraído para ambos. Mal perceberam que o tempo passou veloz, que quando se deram conta já era madrugada. Chegava a hora de dormir.

–Então... onde vou dormir? — Ela indagou, olhando-o com ânsia, a resposta que desejava escutar era óbvia.

–Bem, tem o quarto de visitante, que é ao lado do meu. Mas você pode... dormir comigo, se quiser. — O rubor imediatamente tomou o rosto do jovem e da amada.

–Se não se importar... — A loira disse, tímida. Kid não poderia recusar uma oferta tão tentadora e então a levou até o quarto dele. Ambos se prepararam para descansar, Kid vestiu seu pijama típico de caveira e Maka um pijaminha de conjunto, perfeitamente simétrico (como Kid gostava) e totalmente certo nas curvas delas. Vê-la naquelas roupas era uma experiência nova para o jovem e o fez enrusbecer fortemente, assim como o fez sentir-se excitado o suficiente para proximar-se dela e começar a beijá-la com vontade, deixando os desejos deles explícitos para ela. Em pouco tempo ambos se viram deitados na cama, agarrando-se com vontade, a volúpia aos poucos os consumindo e os transformando em seres movidos pelo instinto. A troca de carícias era constante, Kid tentava atiçar Maka, e o fazia com sucesso. O contrário também era verdade. Os dois estavam ali, o jovem posicionado em cima dela, beijando-a com gosto, e ela correspondia, estavam delOKiciando-se em um beijo fervoroso e coberto por puxa luxúria. Seria aquele o prefácio de uma prazerosa dança particular?



Notas finais
Olha, o próximo vai ser BOM! Hehe. Por favor comentem!
Aliás, essa imagem retrata bem o pequeno momento "SoMa" (Mais puxado para a amizade e companheirismo): http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2012/085/e/5/when_soul_cry__s_by_taintersmaster666-d4tzu9a.jpg (Pobre Soul :`()