Infinity
5 Chapter Five - Movies, milkshake and shopping.
Vim no shopping à toa. A cachorra que eu queria não estava à venda, o funcionário que é um bosta não me avisou, e meu dia foi por água abaixo. O que me resta é o cinema e algum fast-food.
- Vamos no cinema? — Frank me pergunta.
- É, não tem nada melhor — seguimos em direção ao cinema. — Que filme veremos? — paro em frente aos cartazes.
- Escolhe você — sorri. Um monte de filme chatos, até acho um de terror.
- Premonição 4, que tal? — o olho.
- Por mim tudo bem — fomos comprar o ingressos. Só tinha três na nossa frente.
- Deve ser a mesma coisa dos outros.
- Anham. Mas é bom, e vai ficar melhor porque é em 3D — o caixa nos chama. — Dois ingressos para Premonição 4 em 3D, por favor — passo o dinheiro para o caixa.
- Aqui está — me entrega os ingressos e o troco. — Vai começar daqui à 10 minutos, tenha um bom filme.
- Obrigada — saímos da fila e entramos na fila da pipoca. Também não tinha muita gente. — Qual refrigerante vai querer?
- Coca-cola — uma mulher nos chama.
- Uma pipoca e duas cocas — digo.
- Qual tamanho da pipoca? — a mulher pega meu dinheiro.
- A maior que tem — sorrio. A mulher me olha com uma cara espantada. Eu sou apaixonada por pipoca, e além do mais, somos duas pessoas.
- Aqui está — volta com a pipoca e dois refrigerantes.
- Não há troco.
- Obrigada — e fomos para mais uma fila, a fila pra entrar na sala do cinema. — Nunca fui em tanta fila em um dia.
- Somos os segundos, tá reclamando de quê? — Frank abre sua coca.
- Cala a boca — o cara que vê os ingressos chama a primeira pessoa da fila. Confere os ingressos, dá os óculos e os deixam entrar.
- Os ingressos, por favor — pede ele. Entrego. Ele confere, entrega os óculos à nós e nos deixa entrar.
- Vamos lá para cima, lá no fundo — subimos as escadas.
- Uma desculpa para tacar pipoca nos outros, né — Frank ri. Sentamos nas cadeiras da última fileira encostadas na parede.
- Aqui tem segurança, e por mais incrível que pareça, eles conseguem ver — abro a pipoca.
- Corujas — pega um monte de pipocas. O filme começa.
O melhor filme em 3D que eu já vi. Os papéis voando e eu os seguindo com o dedo, a cobra vindo em nossa direção... Muito bom. Ainda mais com o Frank zoando o filme, ainda bem que ele estava ali. Frizo as sombrancelhas.
Espera, eu não disse isso.
- Estou com fome — diz Frank saindo do cinema.
- Você acabou de comer um pipoca enorme, a maior que vendem! — arregalo os olhos.
- Eu sei — ele ri. — Mas eu quero milkshake.
- Não gosto — fomos para a fila do Bob's. [N/A: Único lugar que eu conheço que vende um milkshake bom, segundo a minha irmã, porque eu não gosto].
- Um milkshake, por favor — pede para a atendente.
- Vou te esperar ali, naquela mesa.
- Tudo bem — me sento. Acabo de tomar minha coca que eu comprei à duas horas atrás, sou economista. — Cheguei.
- Não sei como aguenta tomar esse treco rosa — olho para o Milkshake.
- Não sei como consegue ficar tomando uma coca por duas horas — toma um pouco do milkshake. — Já deve tá quente.
- É mais gostoso — olho com desgosto.
- Vamos embora? Não gosto de ficar no shopping, é chato. Não consigo entender essas pessoas que vem ao shopping pra ficar passeando. Ficam horas e horas aqui, só bebem uma coca ou comem em um desses fast-food e fazem mais nada. Qual é a lógica disso? Me diz — reviro os olhos. — É melhor ficar em casa, na internet.
- Viciada — toma mais um gole do mikshake. — Então, vamos — levantamos da mesa e seguimos em direção à escada rolante. — Mas é melhor ficar aqui do que não fazer nada em casa.
- E nós não estamos fazendo nada aqui mesmo! Não há nenhuma diferença.
- Claro que tem. Você fica vendo as pessoas passarem para lá e pra cá e fala mal delas — rimos.
- Eu tenho alergia a shopping, acabou — ele ri. Já são três horas da tarde. O shopping está lotado, ainda mais que é sábado. Se locomover entre os fast-food e as mesas está difícil com as pessoas passando em cima do seu pé e te empurrando. — Tá pior do que os corredores da escola — digo.
Frank segura a minha mão e me puxa por entre as cadeiras.
- É melhor vir por aqui do que ali — continuamos andando de mãos dadas, mesmo sem a multidão, nem tinha percebido isso, então fingi que ia coçar o nariz e tirei a mão.
Descemos a escada e fomos para o estacionamento pegar o meu carro.
- Sabe dirigir? Estou com uma preguiça — abro o carro e entro. Deito no banco de trás.
- Tá né — ele entra. — Isso é um porta copos? — aponta para o objeto.
- É — olho. — Pode por o milkshake aí, não vai cair. Ele cobre, praticamente, todo o copo.
- Ahn — põe o milkshake no porta-copos. — Como você quer que eu ligue o carro? Com o dedo?
- Esqueci — entrego a chave a ele. Dá a partida no carro e dirige até a saída, onde enfia o cartão dentro de uma máquina vermelha.
- Tem trânsito a essa hora? — pergunta.
- Que eu saiba não — sacudo a latinha de coca. — Acabou, que trágico — abro a janela e a jogo fora.
- Poluindo o meio ambiente, que coisa feia — zoa Frank.
- Cala a boca, pela milésima vez — abraço o banco da frente. — Aqui atrás é muito chato, vou aí pra frente — pulo o banco. Abro as janelas. — Liberdade — rio. — Liga não, quando eu bebo coca fico meia retardada — o olho. [N/A: Quando eu bebo coca, eu fico meia fora de si. Começo a falar coisas desconexas, a ri de tudo e lembrar de coisas que aconteceram à trezentos anos atrás. Vai entender. '-']
- Como assim? — ele me olha por um tempo e volta a prestar atenção na rua.
- Sei lá, deve ser a cafeína.
- Você que é retardada — gargalha.
- Idiota — dou um tapa no braço dele.
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