Infinito
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu deveria estar dormindo ou estudando, porém ontem eu conheci uma música por qual me apaixonei chamada Saturn do Sleepin at Last e a letra dela me fez pensar, além de dar uma vontade de escrever, então acabei fazendo essa história.
Espero que gostem!
O vento frio bateu no rosto de Marcos Oliveira, quando ele fechou os olhos apenas para aproveitar o momento e deixar as lágrimas escorrerem um pouco. Já havia se passado dois meses desde que Laura havia partido, porém aquele era a primeira vez que se encontrava no cemitério olhando para o tumulo da sua amada. Já haviam passado cerca de dez minutos que estava apenas em silêncio na frente do túmulo, sem saber exatamente o que fazer.
Marcos olhou para o céu, era inicio de uma noite estrelada e isso o fez pensar mais ainda em Laura e em como ela tinha olhos negros, como a noite, porém com um brilho nele, como o das estrelas. O rapaz não pode evitar de se apaixonar, aliás como ele poderia saber que o tempo deles era curto? Como poderia saber que ela tinha câncer de pulmão que acabaria com o amor dos dois prematuramente?
Respirou fundo, tinha noção que mesmo se soubesse antes de se apaixonar que ela estava morrendo, ainda sim repetiria tudo novamente. Laura o ensinara tanto e o dera tanto, o amor dela pela vida e tudo ao seu redor era grande, isso ele recebeu plenamente da moça. Nem com todos seus problemas a moça desanimou, Marcos não a viu se amargurar nem mesmo quando os médicos lhe deram um prazo de vida. Laura parecia amar a vida a cada dia mais, quanto menos tempo tinha parecia mais encantada por tudo que tinha e já teve.
Marcos lembrava de uma noite em que os dois estavam olhando as estrelas da sacada do hospital, algumas semanas antes de Laura falecer, quando ele reclamou como aquilo era injusto e não queria perde-la. Ele reclamou da vida e de tudo que poderiam ser se não fosse o câncer, que não conseguiram curar, e outros problemas. A moça apenas o ouviu e depois sorriu docilmente, naquele dia, mesmo com falta de ar, ela dividiu mais um pouco de sua visão de vida e aquilo ensinou muito Marcos.
"- Olhe para o céu, Marcos, veja as estrelas, veja a beleza de tudo isso. Eu sei que a vida não é fácil e trouxe várias provações para mim, para você e para outros, porém é melhor encarar isso com coragem e aproveitar todo esse milagre belo que temos aqui – a mão dela passava em seu rosto – Olhe as estrelas, elas sempre estão ali brilhando para nós, apesar disso já se extinguiram a muito tempo. Eu não vou sumir após me extinguir, estarei no brilhando em algum lugar, como quando se lembrar de mim e do nosso amor. Estarei com você enquanto viver, nas suas memórias e seu coração, assim como o brilho das estrelas.
—Você realmente me faz acreditar que o mundo não é tão ruim, como vou continuar o achando belo sem você por aqui para me fazer ver?
— Você conseguirá – ela disse passando a segurando a mão do namorado, enquanto olhava para o céu e respirava fundo – Olhe para o céu novamente, você sabe o quão grande é o universo? O infinito de possibilidades que há lá fora? É assustador e bonito ao mesmo tempo, porém há uma ideia muito bela por trás dessa infinidade que acreditamos ser vazia, isso torna a nossa existência e vida mais bonita e rara. -Laura começou a tossir, porém logo que parou voltou a falar – Estamos em algo maior que nossa imaginação, algo infinito e ainda assim, tecnicamente, só há vida no nosso planeta e por isso deveríamos ser gratos por isso, mesmo com todas as dificuldades, deveríamos ver a beleza no presente frágil e raro que a Terra ganhou. — Laura estava com cada vez mais dificuldade de respirar – Existir é o presente mais belo que temos, poder presenciar tal grandeza e tudo isso – Laura fez um gesto com a mão, como se apontasse para tudo –Todo o universo infinito foi feito para ser visto por nós, pequenos seres vivos da infinidade, foram especialmente feitos para serem feitos por você."
Marcos lembrava de ter pedido para Laura repetir novamente suas palavras, pois queria anotar tudo aquilo quando achasse uma caneta, porém ela teve uma crise de tosse por ter se esforçado para falar mais do que a falta de ar permitia e por isso ficaram quietos por um tempo, apenas observando as estrelas e o universo. Mesmo sem ter achado uma caneta para anotar ou sem ela ter repetido, Marcos conseguia recordar daquele dia perfeitamente, pois naquele dia havia aprendido mais uma lição com Laura e essa tinha modificado seu jeito de ver o mundo.
—Sabe, eu devo me desculpar por nunca ter vindo aqui – comentou se abaixando na frente do tumulo — Viver sem você foi meio confuso no inicio e eu não consegui encarar até hoje, porém é necessário para realmente seguir em frente – lágrimas caiam de seu rosto – Eu sei como a vida é preciosa e rara, como ela deve ser apreciada e ainda consigo ver a beleza do mundo em meio a dor graças a você — Marcos deu um sorriso — E agora sei que estava certa, és uma estrela que sempre iluminará minhas noites, mesmo que seja apenas seu brilho, através das coisas que me ensinaste. — o rapaz limpou o rosto – Então, prometo que levarei a vida o melhor que puder, vendo a beleza das coisas mais simples e compartilharei sua visão com outros que eu encontrar, assim seu brilho será visto por outros.
Marcos colocou no tumulo um buquê de flores e uma pequena placa escrita "A eterna estrela infinita Laura Lopes", ele respirou fundo pensando em como daria qualquer coisa para vê-la novamente ou para pelo menos ouvir repetir seu belo discurso sobre o universo e como esse foi feito para ser visto. O rapaz sabia que isso era impossível, então apenas ficou ali observando as estrelas como costumavam fazer e sentindo como se ela estivesse ali por um momento. Lágrimas voltaram a cair de seus olhos, porém não estava se sentido triste como antes, ele se sentia calmo como se as coisas estivessem encaixadas e mesmo em um lugar mórbido, como um cemitério, houvesse grande beleza e por isso riu. Um outro rapaz se aproximou, perguntando se Marcos precisava de ajuda.
—Não, eu estou bem, apenas lembrei de umas coisas que Laura me falou e acabei me sentindo estranhamente bem.
O rapaz ficou curioso e Marcos, que estava respirando mal por causa do choro, começou a falar das coisas que Laura o ensinou e em como a amada começou a explicar sobre o infinito, o universo e como é raro e belo as pessoas existirem mesmo com as coisas ruins que acontecem. Falando da ex-namorada para um desconhecido, Marcos soube que seguiria sua vida em frente, porém ela sempre estaria dentro como uma lembrança boa. Para ele, Laura era como o universo, extremamente belo e infinito, porém algo que apenas podia conversar sobre.
Notas finais
Primeiramente, vou deixar o link da música aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=ByiEV2kGD4g
Sleeping at Last pra mim é muito bom e merece ser ouvido, então se tiver um tempo ouça as músicas dele (indico muito Vênus, além de Saturn)
Agora, sim, eu escrevi essa história triste por ter sido o que veio na minha cabeça quando ouvi a música e li a letra, espero que tenha gostado.
Beijos e até mais!
Fale com o autor