Infinito
3 03 - Hero
Notas iniciais
Momoi olhava para baixo, receosa. Seu corpo tremia, e sua respiração estava acelerada. O medo dominando-a pouco a pouco.
Não!, pensou, Não tenha medo, é o melhor!
Deu um pequeno passo, aproximando-se mais da beira da ponte. Dessa vez, olhou para o céu azul e pensou que, definitivamente, um dia bonito não era o dia ideal para se suicidar, mas deu de ombros, ignorando esse fato. Ela só precisava parar de sentir medo e se jogar, o resto aconteceria tão rápido que ela nem iria se lembrar do maldito céu azul.
Sentiu o vento beijar-lhe o rosto e fechou os olhos cheios de lágrimas. Abriu lentamente os braços e virou de costas – decidiu que se jogar de costas era mais elegante e daria mais impacto nas noticias, ainda que tivesse certeza de que eles não mencionariam o modo como ela se jogou, mas ela poderia sonhar. Tomou fôlego e coragem, e deixou seu corpo ir para trás. Agora era só esperar pelo impacto com a água gelada.
Adeus, mamãe. Adeus, papai. Adeus, amigos. Adeus, escola... Eu vou sentir falta de todos, mas não sei outro jeito de tirar esse vazio. Por favor, perdoem-me...
E mesmo que ela não quisesse sua mente ainda implorava para alguém vir salvá-la. Algo em vão, é claro, já que ninguém sabia que ela estava aqui.
— Puta que pariu, você está maluca? — uma voz rouca gritou perto da garota e mãos fortes a seguraram antes do seu corpo se inclinar totalmente e a queda ser inevitável.
Momoi abriu os olhos, assustada, e olhou para o rosto da pessoa que a segurava. Suas bochechas coraram assim que o viu: pele morena, cabelo azul-escuro assim como seus olhos e um físico forte. Ele era bonito pra caramba!
— Oe, você tá’ bem? Quer dizer, isso é apenas modo de dizer, porque para tentar se jogar, é óbvio que você não tá’ bem. Aliás, isso é algo idiota, sabia? Tem gente querendo viver, sua besta, e você aí, querendo se jogar de uma ponte.
Seus olhos se arregalaram, ele estava lhe dando um sermão...? Tentou impedir a risada, mas não conseguiu. Gargalhou alto, parecendo realmente uma louca.
— Ih, já vi que você deve ter fugido de algum hospício...
— Cala a boca, idiota! Eu não fugi de hospício nenhum! — gritou e se soltou de suas mãos fortes – coisa que ela não queria fazer, pois gostou da pressão delas em sua cintura – saindo da borda da ponte; a altura estava lhe dando arrepios já. — Bem, obrigada por me salvar, mas já vou.
Virou-lhe as costas e deu dois passos até sentir a mão do garoto em seu braço. Ele estava sério, mais do que antes e a encarava com intensidade.
— Saco! Odeio ter de ser careta e falar essas coisas — começou. —, mas você não precisa chegar a esse ponto. Não sei seus problemas, e mesmo que soubesse não poderia dizer que é frescura sua ou não, cada um tem suas dores e ninguém pode julga-las, porém não é necessário tentar tirar sua vida, entende? Tantas pessoas querendo ter a oportunidade de viver por aí, tantas pessoas em estado decadente sorrindo por apenas ter a chance de respirar... — suspirou.
Os olhos de Momoi encheram-se de lágrimas e ela chorou. Chorou como nunca havia chorado antes. Atirou-se nos braços do garoto, que, hesitante, abraçou-a de volta.
— Eu sei de tudo isso! Mas eu não tenho ninguém que me entenda, todos acham que eu tenho a vida perfeita! — gritou por entre as fungadas. — Não posso contar com ninguém...
O moreno apertou ainda mais o abraço e declarou:
— Se você não tem um confidente, então eu serei o seu.
Ela soltou-se lentamente dele, abismada; seu coração batia acelerado e suas bochechas estavam avermelhadas. Limpou os vestígios das lágrimas e sorriu, estendendo sua mão para o garoto.
— Momoi Satsuki.
— Aomine Daiki — falou, apertando a mão delicada dela.
O vazio de Momoi havia, finalmente, ido embora.
Mas não dizem que o amor surge quando a gente menos esperar?
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