Infindável

15 Capítulo 14 — Katherine.


Nunca parei para pensar que a vida que levo é "errada". Não conheci nada diferente. Essa é a única vida que conheço, a única que me foi dada.

Os livros estavam espalhados pelo chão do meu quarto, vários deles, cheio de imagens lindas. De lugares que as pessoas criavam para o conto de fadas. Às vezes eu queria poder ser como as princesas e ir morar em lugar cheio de árvores e flores. Era injusto que só pudesse ter nos contos de fadas.

Quando papai me contou que o nome das “coisas” coloridas eram árvores e flores eu fiquei encantada e pedi uma. Ele riu e disse era impossível, que elas só existiam em contos de fada e que nosso mundo era monocromático. Eu não entendi.

Aquele foi o primeiro livro que eu recebi, mas ele veio com cobrança.

Papai dizia que eu tinha agradecer cada presente que recebia com abraços. O primeiro abraço doeu muito e chorei o tempo todo. Ele dizia que ia melhorar, mas nunca melhorou. Eu odiava abraçar o papai. Odiava ganhar presente.

Queria ser uma princesa porque doía não ser uma.

Lembro exatamente do momento em que ele “chegou”. Seu cabelo negro cobria completamente os olhos, mas no instante em que levantou a cabeça os fios se espalharam em cascatas negras, mostrando um lindo azul-acinzentado. Eu podia ver raiva, confusão e até curiosidade neles, mas não vi medo e isso me fascinou.

Essa era a memória mais vivida que eu tinha, porque foi quando eu conheci Damon Salvatore.

E foi ele quem me salvou.

De diversas maneiras.

Ouvi os passos se arrastando e sabia que ele estava vindo. Me encolhi no cantinho da cama, com o corpo já tremendo de medo.

Quando a porta se abriu a primeira coisa que vi foi uma embalagem de presente e logo depois o papai entrou com o rosto sorridente.

Katherine, meu docinho, papai trouxe um livro bem colorido para você. – Ele entrou e veio diretamente para a cama, onde eu me encolhia.

P-Papai, acho que hoje não quero ganhar presente. – Disse enquanto ele olhava para minhas pernas pequenas.

Não tem problema meu amor, você pode pegar depois. Mas você tem que abraçar o papai, já que ele veio só para trazer esse presente incrível só para você.

Não quero abraçar o papai hoje. – Eu só queria ficar sozinha.

Sua expressão foi primeiramente de surpresa e eu pensei ter visto raiva, mas se foi tão rápido que eu podia estar imaginando.

Você não ama do papai, Katherine? – Sua voz estava mais fria e comecei a sentir o medo me dominar.

Mas como uma boa criança de língua solta, disse tudo antes de pensar nas consequências.

Eu amo. Só não gosto de abraçar o papai. Não quero mais presente.

Antes que eu pudesse reagir, ele puxou minhas pernas que eu estava abraçando e me arrastou até o meio da cama. Com dois pequenos movimentos ele rasgou minha camiseta e calçinha.

Você virou uma menina muito má, Katherine. O papai só estava querendo ser abraçado, mas você não quis me abraçar mesmo eu trazendo vários presentes. – ele ficou em pé na minha frente e desabotoou a calça o suficiente para ficar livre. – Se você gosta de ser tratada como uma putinha é isso que eu vou fazer. – com as mãos no meu joelho ele abriu facilmente minhas pernas mesmo com toda minha resistência.

Não, papai! Eu não quero. Por favor, papai, por favor! – Comecei a gritar quando senti sua coisa dura no meio das minhas pernas. – NÃO, NÃO, NÃO! NÃO PAPAI!

E quando meus gritos não o fez parar e senti a dureza me abrindo comecei a chorar desesperadamente. Mas depois de um tempo enquanto ele se movimentava para trás e para frente, para trás e para frente, repetidamente, os soluços foram diminuindo e as lagrimas secando.

Meus braços ficaram como geleia na cama e enquanto eu olhava para o teto senti cada parte minha se rachar e se desintegrar. E mesmo quando ele não parou de se movimentar dentro de mim eu não senti nada.

Era como se eu estivesse morta.

Talvez eu realmente estivesse.

— Onde nós estamos? – Ele perguntou e eu novamente não respondi. Não fazia ideia do que aquele garoto fazia ali, mas não gostava do jeito que ele me olhava.

Deitei de costas na cama e fiquei olhando para o teto. Isso já era algo que eu fazia constantemente. Não me fazia sentir nada em especial, mas era algo que se tornou rotineiro, já que ele vinha todo dia.

Talvez eu devesse sentir medo ou raiva ou alguma coisa, mas não, eu não sentia nada. Completamente nada. Eu nem resistia mais quando ele vinha em busca de abraços, pelo contrario, até abria minhas pernas para ele.

Ele me chamava de puta.

Talvez eu realmente fosse uma. Mesmo que eu não soubesse o significado disso.

Esse garoto também devia querer ser abraçado e por isso estava aqui.

Isso era fácil. Eu podia fazer isso por ele.

— Ei, garota! Você está me escutando?

Ignorei sua pergunta e fui direto ao assunto:

— Você quer ser abraçado também? – Antes que ele respondesse já fui subindo minha camiseta.

— Jesus! O que diabos você tá fazendo? – Sua mão praticamente voou na minha e me impediu de continuar. – Porque tá tirando a roupa?

— Você não quer se abraçado?

Ele ficou me olhando de um jeito confuso e depois de um tempo respondeu:

— Não. E você não precisa tirar a roupa para abraçar alguém, sabia?

Agora quem estava confusa era eu. Se não era para ser abraçado então o que ele fazia ali?

— Então o que você ta fazendo aqui?

Ele suspirou enquanto soltava minhas mãos e então sentou ao meu lado na cama.

— Gostaria de saber.

Eu não tinha mais o que dizer — nem estava com vontade de conversar com ele — então voltei a me deitar de costas e olhar para o teto.

Em algum momento em que olhava para o teto devo ter caído no sono. Pois o garoto não estava mais ao meu lado na cama.

E eu tinha sonhado.

Sonhado que era uma princesa com um lindo vestido rosa, cheio de babados e que me deixava parecendo um bolo, mas no bom sentido. Eu era a mais linda do castelo e onde passava as pessoas me elogiavam e me saudavam como Princesa Cinderela. E tinha um lindo príncipe de olhos azuis que segurou minha mão enquanto me levava para o jardim cheio de flores e arvores.

O príncipe segurou minhas mãos no meio jardim e começou a me girar, numa dança desajeitada, mas aconchegante.

E ele disse que me amava.

Eu nunca tinha ouvido essas palavras direcionadas a mim.

Não com tanta verdade exposta.

Papai tinha entrado no quarto há algum tempo e vindo direto para o meio das minhas pernas sem dizer uma palavra. Desde que me forçou da ultima vez ele nunca mais dirigiu palavra alguma para mim. E eu acho que estava bem dessa forma, não tinha certeza se queria falar com ele.

Ele se movimentava sem para dentro de mim e sua boca grudava em meu pescoço e ombro. Eu me sentia extremamente cheia no meio das pernas e piorava quando sentia que ele ficava finalmente feliz.

Distraído, não viu quando a porta se abriu e uma bela mulher apareceu.

Ora, ora, ora. Por que não estou surpresa vendo isso?

Rapidamente ele tirou a boca do meu pescoço e olhou para a porta, mas em seus olhos não tinha qualquer emoção. E, como se ela não estivesse ali, continuou a entrar e sair de mim.

Fiquei surpresa com sua atitude, mas não fiz qualquer movimento para para-lo. Ele gostava mais quando eu resistia.

Mas me senti estranha quando a mulher não saiu do quarto, na verdade parecia entretida com o que acontecia. Ela olhava tudo com uma enorme fascinação.

Está terminando J.G? – Ela perguntou docemente.

Sim... Ah... Tão quente... – Papai balbuciou enquanto seus movimentos começaram a ficar mais rápidos. Normalmente eu não sentia nada, mas dessa vez estava doendo. Ele puxava e depois entrava com força. Parecia que estava me rasgando ao meio e as lagrimas se acumularam em meus olhos. – Oh, droga... Vou gozar... – Ele puxou de uma vez e de repente estava molhada por algo meio transparente. Não era muito, mas estava escorrendo pela minha barriga. E como se não fosse nada demais, ele levantou e foi até a mulher.

O que aconteceu, Bel?

Nada. Estava entediada e vim ver um pequeno show. – A mulher, Bel, puxou a cueca o cobrindo e depois puxou a calça e abotoou. – Agora me deixe falar com a menina e vá se lavar. Quero se fodida quando acabar aqui.

— Só tem livros de princesa aqui. – Ouvi uma voz masculina resmungar.

Abri os olhos e vi o mesmo garoto no canto olhando a pilha de livros que eu ganhei. Ele começou murmurar baixinho e não pude entender nada. Sua cabeça balança quase imperceptivelmente de cima para baixo. Era engraçado.

Devo ter rindo um pouco alto, porque ele virou sua cabeça na minha direção e um sorriso se ergueu em canto da sua boca.

— Oi, Bela Adormecida. – Minhas bochechas esquentaram com a comparação. A Bela Adormecida era muito linda.

Eu não sabia o que dizer, então fiquei calada vendo ele se aproximar.

— Você tem uns livros interessantes. – ele falou enquanto sentava na beirada da cama. Eu só dei de ombros em resposta. – Ok, menina muda. Você já leu todos eles?

— Não, só alguns. – Finalmente algo que dava para eu responder!

— Por que só princesas?

— Presentes. – Disse como se isso respondesse tudo.

Ele não disse mais nada, só ficou lá do meu lado na cama.

Eu ainda não tinha reparado, mas ele era muito bonito. Os cabelos negros caiam em seus lindos olhos azuis. Os lábios eram rosados e quando ele sorria só subia um dos cantos da boca.

— O que você estava murmurando antes? – Estava curiosa. Ele falava e balança a cabeça.

Ele olhou para mim novamente e um pequeno sorriso surgiu.

— Eu estava cantando.

— Cantando? – Não fazia ideia do que era isso. Pensei que ele estava falando sozinho.

— Sim. Não sabe o que é isso? – Só balancei a cabeça em resposta. – Quer que eu cante para você? Chega para lá pra eu sentar do seu lado. – ele falou antes de eu responder, mas fiz o que ele pediu. – Essa chama Wither de Dream Theater.

E então ele começou a cantar e nunca ouvi nada assim na vida. Talvez essa fosse uma das muitas coisas que eu estava perdendo. Mas era maravilho. Fechei os olhos e me foquei em sua linda voz.

Let it out, let it out
Feel the empty space
So insecure
Find the words
And let it out

Staring down, staring down
Nothing comes to mind
Find the place
Turn the water into wine

But I feel I'm getting nowhere
And I'll never see the end

Mas ele parou muito rápido. Queria ouvir mais.

— Já acabou? – Reclamei olhando para ele, que riu.

— Não vou cantar a musica toda, menina. Esse é só um pedaço.

— Ah... Bem, obrigado pelo pedaço. Eu realmente gostei.

Ele levantou da cama rapidamente e levou sua mão em minha direção. Levantei minha sobrancelha esperando ele explicar.

— Dança comigo que eu canto mais.

— Não sei dançar.

— Já imaginava isso, menina. Só vem. – Ele ainda estava me esperando, então coloquei minha mão na sua. Era difícil dizer não para esse garoto.

Ele puxou para o meio do quarto e colocou meus braços ao redor do seu pescoço e o seu ao arredor da minha cintura.

— Essa chama Run do Snow Patrol.

I'll sing it one last time for you

Then we really have to go

You've been the only thing that's right

In all I've done

And I can barely look at you

But every single time I do

I know we'll make it anywhere

Away from here

Ele sussurrou a musica baixinho e começou a girar, literalmente, comigo no meio do quarto. Não sabia o verdadeiro significado de dançar, mas não achava que era só girar.

— Estou ficando tonta. – Reclamei.

Ele jogou a cabeça para trás e riu ruidosamente.

— Ok, vamos começar com uns passos. Três para lá e três para cá. Entendeu? – Assenti e fiz o que ele disse, mas acabei pisando em seu pé. Ele resmungou, mas não fez nada.

Light up, light up

As if you have a choice

Even if you cannot hear my voice

I'll be right beside you dear

Louder louder

And we'll run for our lives

I can hardly speak I understand

Why you can't raise your voice to say

Tentei ser boa e fazer a coisa dos três passos sem pisar no seu pé, mas na terceira tentativa falha ele começou a reclamar que eu era muito ruim.

— Não é tão difícil. Como você não consegue dar três passos sem pisa no meu pé?

— Cala a boca. Eu estou aprendendo menino!

— Quando você aprender eu não vou ter mais meu pés! – ele parou de se movimentar e pensei que ele não ia mais querer dançar. Já ia me desculpar e me pedir que me desse mais uma chance quando ele falou: – Coloque seus pés em cima dos meus. – rapidamente fiz o que ele pediu. – Ok, assim é melhor.

Ele começou a movimentar lentamente pelo quarto comigo em seus pés. Na verdade estávamos só girando novamente, mas parecia diferente. Às vezes ele dava alguns passos pra lá e pra cá, mas eram poucos. Independente disso, de ser ou não uma verdadeira dança, eu gostei muito. E sua voz sussurrante melhorava ainda mais.

To think I might not see those eyes

Makes it so hard not to cry

And as we say our long goodbye

I nearly do

Light up, light up

As if you have a choice

Even if you cannot hear my voice

I'll be right beside you dear

Louder louder

And we'll run for our lives

I can hardly speak I understand

Why you can't raise your voice to say

Não sei se tinha passado muito tempo, mas estávamos ofegantes quando ele me jogou na cama e capotou do meu lado.

— Você dança muito mal sabia? – ele resmungou entre a respiração entrecortada.

— Você também não é lá essa coisas. Só ficou girando comigo.

Ao invés de ficar bravo ele começou a rir ruidosamente. E quando dei por mim, também estava rindo.

Esse menino era uma coisa diferente. Em poucos minutos ele retirou toda minha guarda e mal humor.

Quando ele parou de rir, olhou para mim e sorriu de lado.

— De nada, Cinderela.

Imediatamente senti meu rosto esquentar.

— Como você sabia? – resmunguei escondendo o rosto entre as mãos.

— Você fala dormindo.

Aqui estava a razão da dança. Ele tinha me ouvido falar enquanto dormi.

Ele só fez algo que eu era completamente louca para experimentar. Durante aquele pouco tempo eu estava onde eu sempre quis estar. Em um Conto de Fada.

— Você vai me dizer seu nome, Cinderela?

Tirei minhas mãos do rosto e olhei diretamente para ele.

— É Katherine.

— Bom. O meu é Damon Salvatore. Prazer. – E então ele sorriu para mim.

Sem dizer nada ele saiu me deixando sozinha com a mulher estranha.

Eu nunca a tinha visto, então não fazia ideia de quem era, mas estava com medo. O papai eu conhecia desde sempre, então não tinha medo dele, mas essa mulher era diferente.

Ouvi seus sapatos de princesa batendo no chão com cada passo que dava em minha direção. Não movi um músculo, só continuei a olhar para o teto tentando ignorar sua forte presença. Mas, antes que me desse conta, ela estava com o rosto na minha barriga e sua língua passava onde o liquido meio transparente escorria.

Fechei os olhos e apertei a mão em punho ao ponto de me machucar.

Se eu não vejo eu não sinto!

Isso é gostoso. – Ela murmurou enquanto lambia toda minha barriga. – Não acredito que ele desperdiçou um esperma tão bom com uma putinha como você...

Quando ela finalmente levantou me olhou com nojo.

Não consigo acreditar que sou mãe de uma garota suja como você. Que fode com o próprio pai...

Ela continuou a falar, mas eu não mais escutava nada a não ser a palavra “mãe”. Sempre perguntei para o papai onde estava a minha mamãe, como ela era, se eu parecia com ela e todas as respostas eram boas, me enchendo de alegria e esperança. Mas essa mulher não parecia à mulher carinhosa que ele sempre me disse.

Pelo seu olhar, vejo que ele nunca te contou. É a cara dele fazer isso, mas resumindo: Você é minha filha, infelizmente. Foi algo não planejado que só serviu para me engordar e foder com o meu homem. Aliás, isso é nojento sabia? Transar com o próprio pai.

E-Eu estava abraçando o papai. – Balbuciei ainda em choque com suas palavras. Minha mãe me odiava!

Abraçando? Foi isso o que ele disse? – ela começou a gargalhar até seus olhos encherem de lagrimas. Eu não entendi nada. – Sério, essa foi muito engraçada. Você é tão burra por acreditar nisso. Mas não se preocupe minha querida Katherine, vou te adestrar rapidamente. – E com isso dito, ela começou a tirar o cinto da calça.

O cinto parecia ser grosso e com o medo me devorando levantei rapidamente da cama temendo o pior. Minhas pernas bombearam e teria caído no chão se não fosse por sua mão me agarrando.

E como um vulto o cinto tocou minhas pernas me queimando e me fazendo engasgar de dor e surpresa. Antes que a primeira lagrima escorresse outra cintada me marcou e dessa vez meu grito saiu.

VOCÊ É SÓ UMA PUTINHA QUE VEIO ESTRAGAR MINHA VIDA. – Ela gritou enquanto jorrava cintadas por todo meu corpo. Quatro, cinco, seis... Dez. Meu grito ecoou por todo o quarto em desespero. Eu nunca tinha sentindo tanta dor, nem quando papai me abraçou pela primeira vez. Ela continuou a me bater até que minha perna ficou mole e eu cai no chão sem forças. – ISSO TUDO É SUA CULPA E VOCÊ VAI PAGAR TUDO COM SEU CORPO. VOCÊ FAZ TUDO QUE EU MANDAR E FICA VIVA. E A CADA VEZ QUE SEU PAI VIER ATÉ AQUI ATRAS DE FODA EU VOU VIR PARA TE SURRAR QUANDO TERMINAREM.

Mesmo quando estava não chão ela não parou de me dar cintadas, na verdade só piorou. Eu me encolhi como uma bola num modo de conter a dor, mas nada adiantou.

SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO! PARA MAMÃE, POR FAVOR! P-PAPAI, PAPAI SOCORRO! – Gritei entre lagrimas, desesperada por ajuda quando ela começou a usar a fivela. Mas a ajuda nunca veio. Ela me surrou tanto que chegou um ponto que meu corpo ficou dormente e eu não sentia mais as cintadas tão duramente.

Quando ela percebeu que eu não estava sentindo mais tanta dor, cuspiu em meu rosto e se virou para sair do quarto.

Pude ver o cinto com umas manchas e presumi que fossem do sangue que ela me tirou.

Com corpo ainda encolhido, chorei baixinho toda dor que me causaram. Ela tinha me batido tanto que fiz xixi em mim mesma.

Aos poucos a dormência foi passando e com a isso a dor em meu corpo ficou insuportável e doeu até que eu perdesse a consciência.

Ouvi o barulho da porta se abrindo e me encolhi como uma bola. Mamãe tinha saído há pouco tempo e me deixando com vergões por todo o corpo, não fazia ideia de quem poderia ser agora.

— Katherine? – Ouvir a voz de Damon foi um alivio, mas não queria que ele me visse nesse estado. Me encolhi ainda mais enquanto ele se aproximava da cama. – O que aconteceu?

Sua voz doce e preocupada me fez derramar, silenciosamente, as lagrimas que tanto segurei. Eu não ficava mais sozinha, porque tirando as vezes que papai vinha, Damon sempre estava comigo. Eu gostava do Damon. Ele me fazia rir e me ajuda a ler os livros que há tempos eu tinha odiado.

— Ei... – ele sussurrou e tirou os fios de cabelo que estavam escondendo meu rosto. – Você está chorando, Kath. Me diz o que aconteceu. – Quando eu não respondi, sua voz saiu mais desesperada. – Por favor!

Eu não podia dizer por que ele também me acharia nojenta e suja e não iria mais gostar de mim. Eu não queria o Damon me odiasse, mas quando ele passou a mão em meus braços cobertos não pude segurar o gemido.

— Kath... O que...? – suas mãos levantaram a longa camiseta que eu usava, deixando a mostra minhas coxas. – Mas que porra? – Pela sua voz eu pude perceber que estava com raiva. – Katherine, quem diabos fez isso com você? Me responde, porra! – Me encolhi quando ele gritou. Ele nunca tinha gritado comigo.

— Merda... Desculpe Kath, eu não devia ter gritado. Eu só... Merda, eu não sei. – Ele continuou a falar, mas eu estava com medo e não ousei olhar sua expressão. – Desculpe baby, venha aqui. – sussurrou de forma doce enquanto me puxava para o colo dele e eu fui porque gostava quando ele me tocava.

Somente quando estava aninhada em seus braços que ele voltou a falar.

— Desculpa ter gritado com você, Katherine. Sinto muito mesmo. Mas você está coberta de vergões, porra! Você tem que me dizer quem fez isso com você se não vou ficar louco. – Damon me segurava de forma carinhosa, como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Me senti segura em seus braços. Eu nunca tinha me sentindo segura antes.

Depois de pensar um pouco, sussurrei baixinho:

— Promete que não vai me odiar e depois me deixar?

— O que? Eu nunca te odiaria Kath. – ele soou incrédulo.

— Promete!

— Ok. Eu prometo. Não vou ter odiar nem te deixar.

Ele estava falando serio. Eu podia confiar nele. Damon não mentia!

— Papai sempre trouxe livros para mim, me mostrando as imagens bonitas. No começo ele trazia e lia os livros para mim, mas depois ele começou a cobrar. Ele começou a trazer um livro atrás do outro e depois me pedia para abraça-lo. Esse era preço de cada presente: abraço. Mas eu odeio Dam! Toda vez dói, mas a primeira vez saiu sangue e doeu mais do que todas as outras. – chorei em seu peito enquanto contava toda a verdade para ele. – Odeio ele, Damon! Odeio tanto! A mamãe sempre me bate quando ele vem ser abraçado. Também me diz que sou uma putinha suja. Ele me sujou e fez a mamãe me odiar! Odeio. Ele. – Meu choro se transformou em grandes soluços quando despejei toda minha dor em cima de Damon. Chorei tanto que minhas lagrimas começaram a me sufocar. Parecia que todas as lagrimas que contive estavam acumuladas e saíram em uma enxurrada.

Senti o corpo de Damon tenso e quando ele começou a me afastar agarrei minhas mãos em sua camiseta. Ele tinha prometido!

— Você prometeu Damon! Não pode me deixar! Você prometeu! – Comecei a ficar desesperada. Eu nunca devia ter contado. Agora ele me achava suja também! – Não pode me odiar!

— Odiar você? Eu nunca te odiaria. Kath, eu odeio ele por terem feito isso com você. Abraçar? Foda-se, ele estava te estuprando, porra! Estuprando a própria filha! Os únicos sujam aqui são eles. Filhos de uma puta do caralho! PORRA! – Ele me apertou como se eu fosse o seu bem mais precioso e eu me senti bem.

Ficamos ali abraçando um ao outro sem dizer uma palavra. Eu precisava disso. Precisava do Damon. Não sabia o motivo de ele estar ali, mas agradecia porque ele melhorou minha vida de um jeito que não acreditava ser possível.

De repente senti uma inveja enorme da tal Elena. Ela o tinha. Tinha tudo o que eu mais queria: Ser amada. Eu podia ver em seus olhos quando falava dela que ele a amava de verdade.

Mas agora ele estava aqui comigo! Cuidando de mim! Protegendo a mim!

Eu não queria pensar que era por causa dela que ele me protegia, mas se fosse eu não me importaria. Ser parecida com ela tinha sua vantagem. Ele poderia me usar como substituta o quanto quisesse. Contato que me amasse também!

Eu precisava mais dele do que ela!

Mas enquanto eu tentava me enganar, eu sabia a verdade. Eu nunca ficaria bem sabendo que era uma substituta, porque o amor dele não seria realmente para mim.

Reconhecer a verdade doía tanto quanto a cintadas que levei. Eu nunca seria boa o suficiente. Nem para os meus pais e muito menos para o Damon.

— Ei, o que está errado? – Sua voz doce me partiu ao meio. Eu queria tanto ser a Elena!

Eu balancei a cabeça, mas não disse nada.

No momento que abrisse a boca iria chorar.

Mas então senti a mão do Damon levantando meu rosto e de repente sua boca estava na minha.

O que ele estava fazendo?

Sua língua tocou meus lábios com força, empurrando até que eu estava com minha boca aberta. Estava acontecendo tudo muito rápido e eu não estava conseguindo acompanhar. Seus lábios encaixaram perfeitamente no meu e sua língua estava na minha boca, encostando-se à minha própria. Eu estava me sentindo sem ar, mas de alguma maneira a sensação era gostosa e eu não queria que parasse.

Mas o peso do que eu estava fazendo caiu sobre mim como pedras. Eu estava sujando o Damon ao encostar minha boca na sua. Me afastei rapidamente dele e teria saído do seu colo se ele não tivesse me segurado.

— O que aconteceu? Eu te machuquei? – Ele soou preocupado, o que só me fez sentir mais culpa. Balancei a cabeça em resposta. – Você não gostou?

— Não! Eu gostei Dam!

— Então por quê?

Eu não queria ter que dizer isso, mas ele parecia magoado por eu ter parado.

— Não quero sujar você, Dam.

Damon não disse nada enquanto me virava em seu colo, posicionando minhas pernas abertas ao lado da sua. Colocou suas mãos em meu rosto e me obrigou a olha-lo.

— Katherine você não suja. Merda, de todas as meninas que conheci, e foram muitas, você é a mais pura. Você não conhece nada de ruim do mundo. É impossível que você seja suja. Mas se você não acredita em mim, me deixe tirar toda a sujeira que você acha existir em você. Eu vou limpar tudo.

— Como? – Estava desesperada e se houvesse uma mínima chance de poder ser limpa eu aceitaria.

— Eu vou fazer sexo com você. Nada daquela merda de abraçar. Eu vou te abraçar sim, mas enquanto eu faço transo com você. Sou inexperiente e só fiz isso uma vez, mas vamos descobrir juntos, ok? Você quer? Por que só vou fazer isso se você aceitar.

Acenei com a cabeça enquanto respondia baixinho:

— Estou nervosa, Damon.

— Eu também estou, então vamos devagar, tá? – Dizendo isso ele levou sua boca até a minha novamente e dessa vez eu abri sem ele ter que forçar sua língua. Eu não sabia o que fazer enquanto ele movimentava seus lábios sobre o meu e quando sua língua entrou novamente na minha boca parecia que eu desmaiar. Sua mão foi do meu rosto para a barra da minha camiseta e ele a levantou lentamente e percebi que poderia para-lo se quisesse, mas não parei.

Quando ele afastou seus lábios do meu senti algo molhado escorres pelo canto da minha boca e antes que pudesse limpar ele passou a língua, lambendo a linha de saliva. Senti meu coração disparar quase instantaneamente e meu corpo todo esquentar. Era uma sensação nova e entranha, mas eu gostei.

Ele puxou sua camiseta e a jogou no chão e então colocou a mão na minha calcinha. Seu olhar estava no meu pedindo permissão e eu assenti. Fiquei em pé enquanto ele desliza a calcinha pelas minhas pernas. Senti minha bochecha esquentar conforme ele se abaixava lentamente.

Comecei a ficar nervosa enquanto ele se levanta, ficando frente a frente comigo. Sua mão foi até a calça e ele tirou, em um movimento rápido, as duas peças. Não olhei, no entanto. Estava com muita vergonha. Era diferente com ele. Damon me fazia sentir bem. Parecia ser certo.

— Kath. – Ele chamou e eu olhei para ele. – Você já sentiu? – Seu olhar se voltou para baixo e entendi a pergunta. Só balancei a cabeça, com muita vergonha pra falar alguma coisa. Com minha resposta ele pegou minha mão e levou até a dureza no meio de suas pernas. Toquei a ponta do dedo na parte rosada. Era quente. – Você gosta? – Assenti, por que sim, eu gostei.

Ele me levou até a cama e quando me deitei ele veio em cima de mim.

— Eu realmente quero colocar meu pênis dentro você. Tudo bem? – ele sussurrou e eu assenti novamente.

Sua boca veio até a minha novamente, mas dessa vez com mais pressa. Senti sua mão separar minhas pernas e logo depois seu pênis no meio das minhas pernas. Ele tirou sua boca da minha no momento em que entrou em mim e nós dois gememos.

Damon fez sexo comigo lenta e carinhosamente. Ele me tratou como algo importante, que se fizesse com força quebraria. Em todo momento em que se movimentava dentro de mim era como se ele realmente estivesse me limpando, mas não só isso, era como se ele estivesse concertando cada peça quebrada dentro de mim.

O que nós fizemos não foi errado ou sujo.

Damon deixou isso claro usando suas palavras doces e seu corpo.

Quando terminou, ele não se afastou ou me xingou. Ele me abraçou de verdade e não me deixou sair do seu lado.

Ele dormiu primeiro que eu, com seus braços ao meu redor.

Olhei para aquele garoto que tinha mudado tudo para mim e toquei seu lindo rosto com reverencia.

— Eu te amo, Damon Salvatore. – sussurrei baixinho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.