Infindável
3 Capítulo 02
A viagem, de volta para casa parecia interminável, porque era isso que uma pequena e rápida volta para casa tinha virado, uma viagem. O quanto podemos ser irônicos? De manhã na hora de ir para o colégio foi um trajeto rápido de pequenos minutos e agora quando mais agradeci por Fell’s Church ser uma cidade pequena é quando mais se demora pra chegar em casa. O caminho pareceu tortuosamente longo apesar de ser alguns minutos e estarmos em um velocidade não permitida.
Stefan estava dirigindo enquanto eu estava no banco do passageiro e Caroline que tinha vindo com nós estava no banco traseiro. O silencio era total e perturbador. Aparentemente, Stefan estava na sala de aula quando foi chamado na diretoria e ficado a par da noticia. Ele não acreditou primeiramente até ver que o diretor realmente falava a verdade e desatou a chorar ali mesmo, até se lembrar de mim e correr para me achar.
Quando ele me contou meu primeiro pensamento foi que ele era um mentiroso, mas quando vi sua expressão, seus olhos marejados e vermelhos foi que vi o quão verdadeira tinha sido sua palavra. Levantei em um pulo e passei correndo por entre alunos que estavam indo almoçar recebendo vários olhares curiosos. Parei em frente ao seu carro e esperei que Stefan tirasse o alarme e quando o fez pulei no banco esperando que ele fosse logo para casa. Bonnie disse que avisaria o diretor que nós três estávamos indo embora e então o carro ganhou partida.
Na hora eu não pensei em nada, só que queria ver Damon o mais rápido o possível, mas agora que estávamos indo para a casa dos Salvatore comecei a ficar ansiosa, nervosa e com medo, muito medo. Damon estava em casa era o que passava pela minha cabeça, mas como ele estaria agora? Eu não conseguia nem imaginar. Senti minhas mãos começarem a tremer em meu colo, então tentei pensar em uma lembrança/sonho de quando Damon me deixou em casa após nosso primeiro beijo. Não foi difícil.
Depois de termos ficado alguns minutos no parque olha para o nada, Damon se levantou me puxando e entrelaçou nossas mãos novamente. Fizemos uma pequena caminhada silenciosa e agradável para sair do parque. Nada mais me incomodava, nenhuma duvida, Damon tinha aplacado qualquer insegurança que eu sentia somente com sua presença e palavras carinhosas. Vamos ser felizes Elena, eu prometo... Suas palavras reverberavam em minha mente e uma calmaria enorme se apossava de mim naquele momento. Olhei para Damon de esguelha e ele parecia pensativo, sua expressão não dava qualquer pista sobre o que estava pensando, mas ele passava a sensação de calmaria, um mar vasto e calmo.
Andamos mais alguns minutos e comecei a pensar em como seria a partir de agora. Será que seu fã-clube — as garotas — o deixaria em paz? Ele ficaria juntinho de mim no intervalo? Abraçaria-me na frente dos seus amigos? Eu amava o Damon e essa era minha única certeza. Sorri involuntariamente com esse pensamento. Eu amava Damon e era diferente de como eu amava meus amigos ou minha família, eu o amava e queria ser sua namorada, o queria somente para mim.
Damon de repente soltou minha mão e correu. Quando vi a direção em que corria corei violentamente e não acreditei que ele compraria aquilo. Ele chegou na pequena barraquinha e um senhor de cabelos grisalhos e rugas nos olhos sorriu para ele e falou alguma coisa, Damon apontou para mim e sorriu para o senhor que lhe sorriu de volta. Ele voltou correndo para mim com uma mão escondida, como se eu não soubesse. Chegando mais próximo de mim ele revelou o que segurava: Um rosa azul. Sorri para ele timidamente pegando a rosa de sua mão e levando automaticamente ao nariz para cheirar.
— Não acredito que você fez isso, Damon. – disse com o olhar baixo e ainda cheirando a flor.
— O que eu fiz Lena?— não me passou despercebida o apelido que ele me deu quando éramos pequenos e somente ele usava.
— Me comprou uma flor. Eu fiquei com vergonha já que somente casais param ali naquela barraquinha.
Ele riu.
— E o que você acha que somos Lena?
— Bem... Ah! Não importa é recente e eu ainda fico com vergonha! – teimosia, um mal de Elena Gilbert.
Damon levantou meu rosto, se curvou deixando nossos rostos muito perto e me deu um beijo casto nos lábios, logo então enchendo meu rosto de pequenos beijos. Tudo que pude fazer foi fechar os olhos e esperar acabar. Então ouvi algumas vozes dizendo algo como:
— Olha amor, que fofos esses dois...
— Tão bonitinhos...
— Que casal tão jovem e fofo...
Foi o que bastou e com o rosto mais vermelho – se é que é possível – empurrei o Damon e lhe dei um olhar zangado.
— Damon! Todo mundo ta olhando! – o garoto começou a rir como um palhaço da minha cara e me puxou para um abraço.
— Eu não me importo. Todos estão vendo o quanto eu te amo!
— Ugh, vamos para casa Damon.
Ele gargalhou mais uma vez e me tirou daquele parque onde sentia que todos me olhavam. Damon por sua vez parecia mais feliz que nunca e eu gostei de ser eu a proporcionar essa felicidade.
Depois de alguns minutos estávamos chegando perto da minha casa e Damon me parou alguns metros antes. Ele me olhou nervoso, quase envergonhado, aquilo era surpresa. Damon envergonhado!
— Hum, sabe Elena... Hum, amanhã eu virei aqui na sua casa.
Não entendi sua hesitação só pra dizer que viria na minha casa, ele praticamente vivia ali. Então só concordei. Ele negou com a cabeça e percebi que tinha perdido algo da conversa.
— Não, Elena. Eu vou vir a sua casa amanhã e pedir para o tio Gilbert para me deixar namora-la – senti meus olhos se arregalando e não soube o que dizer. Ele viu minha expressão e se apressou a explicar. – Eu sei que é brega, não me olhe assim. Mas eu quero fazer tudo direitinho com você, até mesmo pedir para namora-la.
Joguei-me nele, passando os braços em volta da sua cintura e colando meus lábios nos seus. A pressão que ele colocou em meus lábios dessa vez me consumiu e me despertou. Ele beijou algumas vezes meus lábios, com seus beijos calmos ele parecia querer me dizer que faria isso lentamente, mas eu só conseguia pensar em sua boca e era tudo que eu queria pensar.
Seus lábios separaram-se dos meus por poucos segundos antes cola-los novamente mais urgentemente. Seus lábios se moviam contra o meu com destreza e experiência. Comecei a beija-lo de volta lenta e desajeitadamente enquanto ele era todo experiente. Fiquei preocupada de estar fazendo errado, mas então ele apertou minha cintura e me puxou contra ele. Corpos colados e bocas coladas. Senti sua língua gelada e áspera que de alguma forma parecia pedir passagem para entrar na minha boca, mas então sua boca estava longe da minha. Damon tinha interrompido o beijo abruptamente e todo que restou do nosso momento foi um filete de saliva que conectava minha boca a sua.
— É melhor você entrar Lena, está ficando tarde. – ele sorriu tão carinhosamente para mim que nem me importei com a forma como ele interrompeu nosso beijo. Assenti e recebi um beijo casto nos lábios antes de um empurrão em direção a minha casa. Antes que eu pudesse entrar ele me gritou.
— Sabe o que a rosa azul significa? – ele tinha um olhar divertido no rosto enquanto gritava. Neguei com a cabeça e ele continuou – Infinito. – então ele girou nos calcanhares e saiu correndo me deixando ainda mais com o coração acelerado.
Estava com um sorriso tão grande no rosto que foi impossível minha mãe não perceber. Dona Miranda estava na cozinha preparando um lanche para meu irmãozinho Jeremy. Então quando me viu entrando com uma rosa na mão e um sorriso de orelha a orelha tratou de perguntar o que era.
— O Damon me comprou a rosa mãe. – então sem dar conta de segurar lhe contei tudo que aconteceu hoje à tarde, até o beijo. Mamãe parecia uma de minhas amigas, ficou toda empolgada enquanto eu contava minha tarde maravilhosa com Damon. E me interrompia constantemente para dizer coisas como “eu sabia”, “que fofo”, “minha menina está namorando” e afins.
Jeremy que ouvia tudo disse que eu era nojenta por ter beijado o Damon e me mandou escovar os dentes. Mamãe e eu começamos a rir e ele ficou emburrado o que causou ainda mais ainda risadas minhas, mas então ele me olhou com raiva pegou seu lanche e saiu em disparada para o seu quarto. Me senti culpa e quando olhei para mamãe ela estava com um sorriso nos lábios e mandou ir falar com ele.
Jer, como o apelidei, era três anos mais novo que eu e lembro que quando passei a entender que teria um irmão eu tinha cinco anos. E odiei. Quando ele chegava perto de mim eu fazia caretas horríveis – que Damon me ensinou – para espanta-lo. Odiava a atenção que ele recebia de todos na família e fazia diversas coisas para chamar atenção para mim. Um pouco antes dá tão esperada festa de três anos dele, Jer chegou perto de mim para brincar e depois de usar tantas vezes a careta com ele não funcionava mais, então lhe dei um empurrão forte que lhe fez cair e ralar todo o rosto. Foi a primeira vez que meus pais gritaram e brigaram comigo, foi a primeira vez que chorei por ter machucado o Jeremy e foi a primeira vez que Damon ficou do meu lado.
Depois do “acidente ciumento” como ficou intitulado, meus pais sentaram e conversaram comigo, dizendo que eu ainda era filha deles, que me amava Jeremy como me amava e varias coisas que pais nesse problema diz. Mas quem realmente me fez aceitar isso foi Damon, que de repente virou para mim e disse que agora eu era como ele, uma irmã mais velha e que irmãos mais velhos deviam proteger os irmãos mais novos. E desde então com essa simples frase de Damon, Jeremy passou a ser meu “protegido” e meu irmão mais novo.
Entrei no quarto do Jer sem bater e o encontrei sentado na cama, com os pezinhos balançado pra lá e pra cá. Ele me olhou por meio segundo antes de voltar seu olhar para o chão e não vi resquícios da braveza nele.
— Ei Jer, me desculpa – disse e meu tom ficou todo amável como sempre ficava quando falava com ele.
Ele assentiu, mas nada disse. Alguma coisa estava errada, Jeremy não era quieto assim. Então me aproximei e sentei ao lado dele esperando que ele falasse.
— Agora você é namorada do Damon? – sua voz saiu tão baixa que mesmo estando perto foi difícil ouvi-la.
— Sim. – não tinha certeza se tinha ouvido corretamente, mas respondi e vi que tinha ouvido corretamente, já que ele ficou todo tenso. Parecia angustiado. – O que há em Jeremy?
— Então você agora vai ser só do Damon?
Então entendi. Jeremy estava com medo de que eu não ficasse mais tempo com ele. Puxei as bochechas do meu irmão com vontade até ele gritar.
— Eu sou sua irmã mais velha e ninguém nunca nunquinha vai me afastar de você Jer.
— Elena! Elena, chegamos! – olhei para Stefan em um sobressalto. Ele me olhava preocupado e percebi que me chamava algum tempo. Olhei para fora e vi que estávamos enfrente ao casarão dos Salvatore. Uma enorme casa arquitetada a mais de cinquenta anos e que o tio Giuseppe todo ano chamava alguém para se assegurar que a construção estava em perfeito estado, mas sem nunca mudar a estrutura original.
De repente estar naquela casa me deixou nervosa e senti minhas mãos começarem a tremer novamente, mas então senti um calor cobri-la e a mão calorosa de Stefan foi o que fez tudo em mim se acalmar. Sua mão estava sobre a minha e só precisei separar meus dedos para nossa mão se entrelaçar. Sua mão livre tocou a maçã do meu rosto e seu polegar me fez um carinho. Olhei em seus olhos e me deixei levar naqueles olhos esmeraldas que expressava abertamente tanto amor e carinho que por um momento me esqueci de Damon completamente. O que me trouxe de volta foi o barulho da porta sendo batida. Caroline tinha saído e olhava para nós de modo curioso com uma sobrancelha perfeitamente arqueada.
Soltei a mão de Stefan e saiu rapidamente do carro com o olhar baixo enquanto os de Caroline me perfuravam. Algo pior do que a culpa me consumiu e senti algo me corroendo por dentro. Eu mesmo que por alguns segundos esqueci de Damon. Aquele que passei três anos pensando. Aquele que veria novamente. O que diabos tinha acontecido comigo? Esses sentimentos era apenas amizade, certo?
Stefan saiu do carro e dessa vez não me olhou, indo para porta e esperando por nós. Seu corpo todo estava tenso e então vi que ele também estava nervoso por rever o irmão. Balancei minha cabeça e por hora deixaria aquele assunto, precisava me focar no que mais importava agora. Ver o Damon.
Caroline passou seu braço esquerdo pelo meu e se encaixou ali e juntas entramos na casa dos Salvatore.
A casa estava em completo silencio, não parecia ter qualquer pessoa ali. A sala completamente mobiliada de objetos antigos, não tinha nada ali que fosse mais moderno. Mas o que passou a me impressionar foi que ali naquele casarão não tinha qualquer vestígios de que dois adolescentes vivessem ali, com todas as instalações escuras a residência passava um ar sombrio. Aquela “casa” não tinha mais a sensação de um lar familiar, não depois do que aconteceu ali.
— Eles devem estar no quarto. – a voz de Stefan saiu em um sussurro fraco e ele começou a subir as escadas sem fazer o mínimo barulho.
Fomos atrás dele sem falar nada. Se tinha uma palavra que definia tudo que estávamos sentindo era tensão. Estava difícil de controlar os nervos para qualquer um de nós e imagina como tinha sido para o tio Giuseppe ao encontrar o Damon.
Qualquer pensamento fugiu quando estávamos na porta do quarto do Damon e ouvíamos sussurros e, estavam tão baixos que não pude sequer distinguir as vozes. Sem mais enrolação e com o coração na mão, Stefan abriu a enorme porta de madeira e entramos.
A primeira coisa que notei foi que o quarto estava exatamente como Damon deixou. As paredes com a coloração preta e cheias de quadros de banda pendurados. Seu quarto um completo breu, sem qualquer cor alegre. Então olhei para cama e o rapaz que vi não era meu Damon.
O garoto na cama devia ser maior que o Stefan, os cabelos espalhados pela face pálida. Não estava com nada mais que uma bermuda e camiseta velhas e pretas, e pude ver os músculos firmes do braço. As pernas fortes e definidas com alguns pelos. Seus olhos fechados se apertavam com força, sua testa franzindo violentamente. O garoto parecia estar angustiado enquanto dormia.
E então eu estava chorando. Lagrimas silenciosas, dolorosas e cheia de pesar. Enquanto minha visão embaçava e meu rosto se banhava de lagrimas por todo lado. Aquele garoto na cama não tinha nada do meu Damon. Nada do Damon de treze anos no Damon de dezesseis.
Me aproximei em passos pequenos da cama e senti pares de olhos em mim, mas nada poderia tirar minha atenção daquele garoto. Eu queria toca-lo e chamar seu nome. Queria ele acordado para ver novamente aqueles lindos olhos azuis acinzentados. Queria poder sentir novamente aqueles braços ao meu redor. Me ajoelhei de frente para seu rosto sofrido e estava em uma luta interna se devia ou não toca-lo quando senti uma mão quente em meu ombro, e sem precisar olhar sabia que era Stefan. Sem dizer uma palavra sabia que ele estava dizendo por meio de gestos que estava comigo. Levei minha mão esquerda até a sua que estava em meu ombro e com a mão livre fui em direção ao rosto de Damon. Eu precisava toca-lo! Mas antes que pudesse, uma mão fria segurou meu pulso e apertou com tanta força que fez soltar um gemido.
E então eu estava longe do aperto e da cama, com Stefan protetoramente do meu lado com os braços ao meu redor enquanto o garoto sentava-se na cama e nos lançava o olhar mais gélido que eu já tinha visto, fazendo meu corpo inteiro tremer de medo. Os olhos do garoto que devia ser o Damon brilhavam de tamanha intensidade e fúria. O fato de serem azuis só fez com que a frieza que neles estavam gravadas fossem pior.
Enquanto eu estava afastada da cama, tio Giuseppe e Liza estavam um de cada lado de Damon.
— Está tudo bem Damon. É só a Elena. – a voz do tio Giuseppe estava completamente diferente do usual. Mais doce e carinhosa.
Damon então olhou com mais calma para nós e por um segundo seu olhar pra mim foi repleto de amor, mas foi tão rápido que eu não podia ter certeza se tinha realmente acontecido. Ele olhou para Stefan que o olhava de volta de modo desconfiado.
— Stefan? – aquela voz rouca e grossa não era do meu Damon. Minha garganta estava se apertando gradativamente. Ele me afastou. Stefan abriu a boca para falar, mas não conseguiu então Damon continuou, mas com a voz repleta de sarcasmo. – Você cresceu. Não parece mais aquele garotinho que vivia atrás de mim. Ou talvez ainda seja? – seu olhar se prendeu nos braços de Stefan ao meu redor e um dos cantos de sua boca se levantou e ele sorrio de um jeito horripilante.
— Damon, por favor. – a voz do seu pai saiu cansada e triste – E Stefan que tal levar a Elena para seu quarto para descasar? Depois conversamos.
— N-não... O Damon... Eu quero falar com o Damon – me apavorei e deixei que as palavras saíssem atropeladas. Não podiam me tirar dali!
Damon sequer olhou para mim e senti meu peito rasgar. Ele não parecia querer ter qualquer tipo de conversa comigo. Aquilo estava sendo diferente do que eu tinha passado e repassado em minha mente. A imagem de um Damon feliz em ver que me abraçava e depois me beija dizendo que sentiu minha falta tinha evaporado. A verdade é bem pior do que queremos e a verdade era que aquele Damon não parecia sentir nada em relação a mim.
— Cadê minha mãe? – Damon perguntou para seu pai e todos ficaram tenso. Assunto delicado e complicado para se falar para um garoto desaparecido por três anos. – E porque diabos essas pessoas estão aqui? – seu olhar foi de mim para Caroline e depois para Liza. Até mesmo em mim.
Tio Giuseppe ficou pálido e pude ver claramente seu medo oscilar em seus olhos. Stefan abaixou os olhos e respirou fundo para manter as emoções sobre controle, mas pude ver seu lábio inferior tremer. Ele estava sofrendo e odiava tocar no assunto. Ninguém ali naquele quarto estava disposto a contar a verdade para Damon, seria extremamente doloroso para ele e talvez até impossível para ele superar, já que o próprio Stefan não conseguia.
Me soltei de Stefan mesmo com ele relutando em me soltar e me aproximei de modo hesitante de Damon enquanto a mãe de Caroline se afastava e ia ficar junto com a filha. Ele me olhou mais não disse nada. Senti os olhos de seu pai e mim e assenti com a cabeça levemente.
— D-Damon... – tentei, mas minha garganta estava embargada. Então procurei apoio em suas mãos e ele não afastou e vi isso como um bom sinal. – Quando você desapareceu todos nós ficamos muito abatidos, ainda mais quando não recebíamos qualquer sinal positivo em buscas. A tia Mirella, mais do que qualquer um, estava sofrendo muito. Para ela seu bebê tinha sumido e a dor foi demais. Quando se passou um ano e não recebíamos qualquer noticia ela estava já estava doente, sua mente estava fraca e...
— CHEGA! – Damon gritou e puxou sua mão da minha. – Está dizendo que minha mãe morreu?
Não consegui responder, se falasse agora choraria novamente e não podia, não quando era Damon quem devia estar chorando. Olhei para ele e seus olhos estavam perdidos e lagrimas desciam livremente pelo seu rosto.
— M-Minha c-culpa... – ele sussurrou entre soluços.
— N-não Damon... Não foi...
Eu não consegui terminar, porque a forma que ele gritou foi horrível e dolorosa.
— FORA! SAIAM DA PORRA DO MEU QUARTO!
— Damon... – seu pai tentou.
— EU DISSE PRA SAIR!
Eu me afastei as pressas de sua cama e seu pai nos disse para sair. A ideia me pareceu insana no começo, mas percebi que foi o certo. Assim que chegamos do andar inferior pude ouvir barulho de coisas se estilhaçando e então tive certeza que aquele não era mais meu Damon.
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