Infiltrates (Os Infiltrados)
3 Cólica, cólica e mais cólica.....
Notas iniciais
—Posso fazer uma pergunta? — eu disse depois de muito tempo em silêncio. Eu estava no meu armário pegando o livro de aritmética para próxima aula e Percy estava comigo, já que fazemos essa aula juntos.
—Pode. — ele disse.
Depois que a gente saiu do refeitório ele ficou de cara fechada até agora. Acho que ainda esta tentando descobrir o porquê do Luke ter falado aquilo.
—Como você sabia meu nome hoje cedo?
—Eu procurei conhecer todas as pessoas importantes dessa escola. Você é presidente do grêmio e também a jornalista da escola, pelo menos era isso que o site da escola dizia.
Ah, é verdade. Nossa escola tem um site onde os alunos podem conhecer todos os professores, o presidente do grêmio e os jornalistas da escola. Lá tem a foto dos alunos, logo abaixo da foto tem o nome do aluno e a função que ele exerce na escola, se ele exercer alguma função, se não eles simplesmente não colocam. Mas isso não me faz importante.
—Você sempre faz isso? Conhece as pessoas antes mesmo de entrar pra escola?
—É claro. É assim que eu sei quem vai ser meu amigo e quem não vai.
No meio da aula de geometria, a aula logo depois de aritmética, Percy me mostrou os horários e parece que na semana ele só não faz três aulas comigo, que é, geografia na segunda, biologia na quarta e espanhol na quinta.
Na última aula desse dia, que era geografia, eu estava conversando com a minha colega de classe Silena, quando comecei a sentir as dores no pé da barriga novamente. Só que ela estava mais forte do que hoje de manhã. Coloquei as mãos em cima do ponto onde doía pra ver se amenizava um pouco a dor, mas nada aconteceu. Inclinei o corpo um pouco para frente forçando mais minha mão contra o pé da minha barriga, mas a dor só aumentava.
—Annie você tá bem?
—Estou, é só cólica — eu disse.
Percebi que a sala estava em silêncio, levantei um pouco a cabeça, e meus pressentimentos estavam certos. Eu virei o centro das atenções na aula.
—Annabeth Chase — disse a professora — você está bem querida? — ela colocou as mãos no meu ombro e se abaixou até poder olhar em meus olhos — precisa de alguma coisa? Um remédio, ou algo assim?
—Não professora é só cólica. Acho que vou tomar uma água.
Levantei me apoiando com dificuldade na cadeira.
—Annie, eu vou com você. Não vamos correr o risco de você desmaiar sozinha no corredor da escola — disse Silena. Se foi uma tentativa pra me fazer rir, não deu certo.
—Eu não vou desmaiar Lena. Acho melhor você ficar e pegar a matéria pra mim.
—Você não consegue nem andar sem se apoiar nas mesas. Acha que vai chegar ao bebedouro sem minha ajuda? E eu não estou pedindo sua permissão, estou apenas avisando que vou com você até lá.
Eu conheço Silena muito bem, pra saber que mesmo que eu insista ela vai atrás de mim de qualquer jeito.
Ela colocou a mão ao redor da minha cintura, apoiando-me pra eu não cair. Quando chegamos ao fim do corredor ela disse que precisava ir ao banheiro eu assenti e fui beber minha água, o bebedouro estava perto, mas eu fui me apoiando na parede. Estava quase me jogando no chão e me contorcendo de dor ali mesmo. O bebedouro ficava no final do corredor onde estava encostado na parede à minha direita, só havia um corredor que virava pra esquerda e bebedouro ficava entre os dois, o corredor em que eu estava e o outro corredor.
Eu estava quase chegando ao bebedouro quando eu ouvi vozes. Era horário de aula e poucos alunos tinham permissão pra ficar no corredor. Mas não foi isso que me fez parar e me pressionar contra a parede do corredor para ouvir a conversa sem ser vista. O que me fez parar foram as vozes, eu conhecia aquelas vozes.
Eram Percy e Luke. O que eles estariam fazendo fora da sala de aula, e ainda por cima juntos? Deu pra perceber hoje mais cedo que eles não se gostam.
—Eu só quero saber quem é o seu protegido mais nada — a voz de Luke veio até mim.
—Eu já falei que isso não interessa — Percy parecia estressado como se estivesse cansado de repetir aquilo — O que me trouxe aqui ou quem me trouxe aqui não é da sua conta.
—É da minha conta, quando você está na minha área.
—Ah Lucas, pelo amor de todos os deuses. Todos sabem que você veio pra cá como uma punição. Você nem gosta daqui. Pelo que eu sei você gastou todos os seus contatos tentando sair dessa cidade.
—Eu realmente tentei sair daqui de início. Mas agora eu já estou acostumado com o lugar. Mas isso não te interessa. Eu quero saber, quem é o seu protegido.
—Descubra sozinho, se você é tão bom em desvendar mistérios como você diz.
Ouvi som de passos e dei uma rápida espiada para o corredor de onde as vozes vinham, Percy estava indo embora. E logo depois Luke foi também.
O que eles queriam dizer com protegido? Eu sabia que Luke não havia nascido nessa cidade, mas pensei que o que tinha trago aqui era a doença de sua mãe. Ela está com alguns problemas mentais e o melhor lugar para ela viver é uma cidade calma como Long Island, e os tratamentos em pessoas com doenças mentais aqui também é muito recomendado. Mas se ele não veio pra cá por isso, por que ele veio então?
Long Island não é apenas uma cidade calma. Ela é uma cidade pequena, quase esquecida por completo do mapa. Por isso essa cidade nunca atrai turistas. Meu pai pesquisou bem até acha-la, ele queria morar longe de Nova York que era nossa cidade natal. Meu pai e minha mãe moraram em Nova York por muito tempo, quando eu fiz dois anos. Minha mãe desapareceu. Ela foi sequestrada bem na minha frente e na frente de meu pai. Não pudemos fazer nada, o que? Eu tinha dois anos, o que podia fazer? E meu pai estava muito ocupado me defendendo dos sequestradores que queriam me levar também. Então ele não pode fazer nada. Ainda ficamos alguns anos em Nova York, pelo menos até a polícia fechar o caso da minha mãe e dar ela como morta, pois sem telefonema pedindo dinheiro pra resgate, e sem a volta dela eles deduziram que ela não iria mais voltar pra casa. Meu pai não aguentou ficar muito tempo em Nova York, pois minha mãe era uma arquiteta muito famosa, sem contar que ela tinha inúmeras livrarias no nome dela, e também era dona de uma escola que ela abriu assim que conseguiu o diploma de doutorado dela. Meu pai dizia que pra onde ele olhava ele via um pouco da minha mãe, e que isso era muito difícil pra ele, por isso viemos pra cá. Minha mãe nunca veio aqui, não tem pedaços dela nessa cidade. Meu pai continua administrando a escola e as livrarias da minha mãe, de vez em quando ele tem que fazer uma viajem pra ver como estão os negócios ou resolver um problema, mas a maior parte do tempo ele fica escrevendo seus livros de História que são muito famosos, e se ouso dizer, meu pai é um ótimo escritor.
—Annie o que foi?
Olhei para o lado para ver Silene me olhando com preocupação.
—Ah, nada, eu só estava com um pouco de dor e resolvi parar. Mas minha dor já esta melhorando.
E era verdade, minha dor realmente estava diminuindo.
—Eu acho que vou beber um pouco de água e vou ligar para o meu pai pra vir me buscar. Você pode guardar minhas coisas no seu armário? Amanhã assim que eu chegar eu pego com você — eu disse.
—Tudo bem.
Já em casa eu deitei na minha cama para descansar. Convencer meu pai de que eu estava bem e que o que eu estava sentindo era apenas uma cólica que já ia passar foi bem difícil, mas eu tive que fazer. Eu não estava conseguindo dormir então eu fiz o que sempre faço quando não tenho nada pra fazer. Peguei meu Notebook.
Há algum tempo eu entrei para um grupo no Facebook de um livro que eu havia lido. Entre alguns comentários sobre o livro e outras coisas eu acabei fazendo um monte de amigos. Entre eles, uma que se tornou meio que minha confidente. Ela não mora em Long Island, mora em Nova York. Mas sempre me acalma conversar com ela. A gente mantém essa amizade a distância já faz quatro anos e parece que sempre temos coisas pra conversar. Ou pelo menos eu tenho. Ela quase nunca fala de si mesma.
Percebi que ela estava online e fui logo falar com ela:
Annie: oi, tudo bem?
Amélia: Tudo e vc como tá?
Annie: Mais ou menos, estou com aquela cólica de novo.
Amélia: Vc já procurou o hospital, como aconselhei?
Annie: Eu vou procurar assim que puder, mas ñ hj. Prometi aos meus amigos que se ela continuar por mais duas semanas, eu vou ao médico.
Amélia: Espero que vc vá mesmo Annie.
Annie: Tenho certeza que já vai ter passado. É que fiquei menstruada semana passada. É normal, eu sempre fico com cólica antes e depois da menstruação.
Amélia: Não acho que isso seja “normal”, mas já que vc diz que vai daqui a duas semanas, tudo bem.
Ouvi meu pai me chamando do andar de baixo da casa, e sei o que isso significava, era hora do jantar.
Annie: Amélia vou ter que sair — eu digitei — agente se fala amanhã.
Amélia: Se cuida Annie.
Annie: Eu vou bjs.
Amélia: bjs :*
Desliguei o Notebook e desci para o jantar.
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