Infiltrates (Os Infiltrados)
20 Conhecendo uma organização secreta? Super Normal!
Notas iniciais
A cada passo que eu dava eu ficava cada vez mais encantada com o lugar, o lugar parecia ficar maior e maior enquanto descíamos, e muito mais impressionante. O verde do lugar parecia muito mais vibrante do que o de todos os lugares que eu já tenha ido, as árvores em volta a central de treinamento pareciam consideravelmente maiores a todas que eu já tenha me dado o prazer de ver. E com certeza, quanto mais eu chegava perto, mais minha boca ficava aberta.
—Fertilizante especial.
Olhei para Percy.
—O quê? — eu perguntei.
—Você deve estar se perguntando como este lugar é tão verde, e como essas árvores são tão grandes. Eu estou apenas respondendo. Isso tudo é feito com fertilizante especial. É uma coisa que os intelectuais fizeram.
—Quem fez? — eu perguntei pesando que tivesse entendido errado.
—Os Intelectuais... Ah, desculpa. “Intelectuais” é como chamamos as pessoas inteligentes aqui. Sabe?
É claro que eu sabia. O que ele acha que eu sou? Uma anta?
—Mas porque colocaram esses apelidos nas pessoas?
—Ah, não é apelido. É como um codinome. A Delta é organizada por quatro tipos de grupo. Todo o grupo tem seus mascotes aqui. Por exemplo: O mascote dos intelectuais é a coruja, que representa a sabedoria, a inteligência e a estratégia. O dos Guardiões é o cão, que simboliza a lealdade, o companheirismo. Os dos guerreiros é a raposa, não desiste de sua caça, objetivos e metas. Também é um animal habilidoso, astuto e perseverante que age em silêncio. Já aqueles conseguem ter habilidade tanto pra serem guardiões, intelectuais ou guerreiros, são chamados de cameleões, significa o poder de adaptação quando necessária. — ele explicou — Mas os camaleões são muito difíceis de se ver. Poucas pessoas conseguem passar nas provas dos camaleões.
Eu refleti um momento tentando digerir tudo que ele havia dito.
—Todos que entram aqui, têm que participar de um grupo? — eu perguntei.
—Sim, — ele respondeu — você faz uma prova pra descobrir em que você tem aptidão.
—Você é de que grupo? — eu perguntei
—Eu sou um guardião — ele me respondeu.
—É claro. Burrice minha — eu disse, ele havia me dito que tinha sido designado a me proteger, então é claro que ele era um guardião — Hã... tem como ser de dois grupos? Por exemplo, se uma pessoa descobrir que tem aptidão para ser guerreiro e para ser guardião, mas não ter aptidão para ser um intelectual o que acontece?
—Ela vai ser um guardião e um guerreiro ao mesmo tempo. Terá o direito de escolher o que vai fazer, por exemplo, se tiver uma missão para um guerreiro e uma para um guardião e a pessoa for escolhida para ambas, ela poderá escolher a missão que quiser ir. Eu por exemplo, sou um guerreiro e um guardião. Mas isso não me torna um camaleão, você só se torna um camaleão se você tiver aptidão para as três coisas. Entende?
—Entendo — eu respondi.
—Acho melhor entrarmos — ele disse.
Enquanto andávamos Percy tirou de dentro de seu bolço algumas pulseiras. Eu contei-as mentalmente, havia cinco azuis e quatro vermelhas. Ele as colocou em seu pulso antes de passar cartão na imensa porta.
As portas se abriram, eu olhei para dentro encantada. Era bem mais lindo do que eu havia imaginado. Era imenso. O lugar onde estávamos era lindo, e me lembrava de um salão de baile. Havia um grande lustre de cristal no teto, ele era lindo e chamava muita atenção.
O salão estava lotado de gente, passando de um lado para o outro, conversando, rindo, lendo. Olhando melhor eu notei que todos eles tinham pulseiras, como as de Percy. Alguns tinham duas pulseiras brancas e uma azul, ou azuis e vermelhas e alguns tinham apenas uma pulseira vermelha. Mas era sempre isso, vermelha, branca e azul, eles não pareciam usar nenhuma outra cor. Devo ter visto mais ou menos duas das pessoas com pulseiras pretas, mas eram adultos. Não vi nenhum adolescente com pulseiras pretas. Isso devia ser realmente difícil de acontecer.
—Qual é a das pulseiras? — eu perguntei ao Percy.
Ele me respondeu em um tom baixo de modo que apenas eu podia ouvi-lo.
—Ah, é bem simples. Veja, — ele disse — os intelectuais usam as brancas, os guerreiros usam as vermelhas, guardiões usam azul e a pulseira preta é para os camaleões. Quando começamos o treinamento e descobrimos em que tipo de grupo estamos, ganhamos uma pulseira igual a essa — ele apontou para uma de suas pulseiras azuis — ela significa que estamos na primeira fase do treinamento. São cinco fases, quando você ganha todas as cinco você está qualificado para trabalhar naquilo que você descobriu que é bom. No meu caso, eu trabalho como um guardião, — ele levantou os pulsos mostrando as cinco pulseiras azuis — ainda falta uma fase para eu me tornar um guerreiro.
É claro. Ele só tinha nove pulseiras em seu braço. Devia ser por isso que ele parecia tão importante. Ele era um guardião. Ele tinha apenas dezessete anos e já era um guardião completo. Olhando ao redor deu pra notar que não havia nenhum garoto com dezessete anos que tinha cinco pulseiras, na verdade os que pareciam ter a idade de Percy tinham no máximo três pulseiras, e mesmo esses eram poucos. Percy parecia uma espécie de menino pródigo.
—Percy! — gritou uma menina andando, quase que correndo em nossa direção.
Eu me dei à oportunidade de estuda-la. Ela era bonita, tinha cabelos crespos castanho-avermelhados. Ela vestia jeans surrados com alguns furos, uma blusa colorida com desenhos abstratos como se simplesmente tivessem jogado a tinta na blusa, e de cor preta estava escrito “NOGUCHI MUSEUM”. Ela parecia gostar de arte, já que ela estava usando uma blusa do museu de Long Island, é um lugar lindo, verde até mesmo como muitos dizem “zen”.
Ela finalmente nos alcançou e quando o fez ela literalmente pulou no pescoço de Percy, colocando-o em um abraço que eu sinceramente achava que o impedia de respirar. Enquanto seus pulsos estavam ao redor do pescoço dele eu notei suas pulseiras. Ela tinha três pulseiras brancas. Eu já devia ter reparado que ela era uma intelectual. Normalmente as pessoas usam blusas de bandas de Rock e não de museus.
Quando finalmente ela deu oportunidade do Percy respirar, soltando ele, ela me olhou me estudando de cima a baixo.
—Essa é ela? — ela perguntou ao Percy — A tal filha de Atena?
Percy abriu a boca para responder, mas eu fui mais rápida.
—Pra começar — eu disse — meu nome não é “ela” ou “ A tal filha de Atena”, eu tenho um nome e ele é Annabeth e gostaria de que me chamassem assim.
—Desculpa — ela disse parecendo arrependida — Eu realmente não queria te ofender — ela sorriu pra mim — então você é a...?
—Annie?
Eu olhei para trás para ver quem me chamava. Thalia. O que ela está fazendo aqui? Ela correu em minha direção parecendo nervosa.
—O que aconteceu? — ele perguntou ao Percy preocupada.
Ele olhou para ela nervoso, acho que ele estava considerando como contaria a ela que a pessoa que ela considerava como seu tio há anos havia sido sequestrado.
—O que aconteceu? — ela perguntou alterando um pouco a voz e chamando a atenção de várias pessoas. Ela olhou pra mim — Annie, o que houve?
Olhei para ela assustada. Como ela sabia que tinha acontecido alguma coisa? Será que estava escrito na minha testa?
—Meu pai... — eu não consegui terminar a frase.
—O tio Frederick? O que houve com ele?
—Ele foi sequestrado — Percy disse, seu tom era cauteloso.
Thalia olhou pra mim, seu olhar era um misto de terror e tristeza.
Com uma rapidez surpreendente ela colocou seus braços ao meu redor.
—Você está bem? — ela perguntou enquanto se afastava.
Eu tentei dar a ela um sorriso fraco. Você prometeu que não iria chorar. Lembrei a mim mesma. Eu olhei para Thalia que parecia estar esperando que eu me derramasse em lágrimas. Mas eu não ia fazer isso. Eu não ia chorar na frente de todas essas pessoas.
—Eu estou bem — eu disse e fiquei muito feliz que minha voz não tenha saído cortada ou algo assim. Mas Thalia não parecia convencida — Olha Thalia, eles não mataram meu pai. Eles apenas o levaram para me ameaçar.
Ela me estudou por um tempo.
—Ótimo — ela suspirou.
—Então, — eu disse — era sobre isso que você não podia me contar? — eu fiz o gesto para o salão em que estávamos.
Ela sorriu.
—Era sim.
Depois de mais ou menos meia hora de excursão em todo o centro de treinamento da Delta, incluindo sala de treino, sala de computadores, algumas impressionantes salas de aula, refeitório e outros lugares. Eu estava completamente admirada. Tudo aqui era tão lindo, limpo que parecia impossível de não ficar de queixo caído.
Thalia havia saído com a desculpa de que tinha treino dos guardiões. Depois de uma olhada em sua pulseira eu notei que ela usava três azuis. Ela não era uma guardiã completa ainda. Quem estava me mostrando o Lugar era Rachel, ela parecia super desanimada em ter que explicar para uma novata o que cada sala continha. Percy decidiu nos acompanhar, mas ele passava a maior parte do tempo em silêncio apenas ouvindo o que Rachel falava. Ele parecia encantado por ela saber tanto. Mas não é o esperado de um intelectual? Que pelo menos conheça o lugar onde passa a maior parte de seu tempo? Por que Percy parece achar isso tão impressionante?
Chegamos ao fim de um corredor, que era exageradamente grande, lá havia uma imensa porta de metal, Rachel passou um cartão e a porta se abriu. Lá havia uma sala cheia de pessoas com pulseiras brancas estudando vários tipos de elementos químicos. Era um laboratório. E tinha milhares de componentes que podiam facilmente explodir o prédio inteiro se uma pessoa descuidada fizesse algo errado.
Mas não parecia que as pessoas de lá eram descuidadas, é claro, a grande maioria era adolescente. E, eu notei, todos usavam pulseiras brancas. Não havia nenhum misto aqui, ninguém usava dois tipos de pulseiras, esses usavam somente a branca.
—Esse é o nosso laboratório — Rachel disse como se isso não fosse óbvio. — Apenas pessoas que estão na fase de número três tem acesso a esta sala. É aqui que criamos muitos de nossos antídotos, remédios e essas coisas — ela olhou pra mim — se você for tão esperta quanto dizem, tenho certeza que poderá entrar aqui em breve.
Ela me deu um sorriso que mais me pareceu forçado. Quando ela havia falado sobre eu estar aqui em breve eu notei duas coisas em seu tom de voz, inveja e ironia. Ela com certeza não achava que eu era tão esperta quanto diziam a ela. E ela parecia que não ia gostar nada se descobrisse o quanto eu posso ser inteligente. Eu era inteligente o suficiente para perceber o tom de desafio na sua voz. Era como uma mensagem subliminar me levando a provar a ela o quanto eu posso ser esperta.
Eu sorri. Pode ter parecido um sorriso amigável para as outras pessoas, mas eu vi em seus olhos que ela havia entendido meu recado. Eu estarei aqui em breve pode ter certeza. E era isso que meu sorriso e o meu olhar queriam dizer a ela.
Finalmente depois que Rachel já havia me mostrado todo o lugar ela foi embora, alegando que tinha trabalho a fazer, sendo assim deixando eu e Percy sozinhos novamente.
—Vamos — ele disse entrando em um dos corredores — Precisamos conversar com meu... hã quer dizer, nosso superior. Ele tem que saber o que aconteceu com seu pai, e precisamos organizar algumas coisas para que você possa ficar aqui com agente.
—Aqui, pensei que aqui era apenas um lugar de treinamento.
—Não — ele disse com firmeza — No último andar a quartos disponíveis para quem precisar ficar.
Eu não havia ido ao ultimo andar. Quando pegamos o elevador no penúltimo, nós simplesmente descemos. Rachel com certeza não fez questão que eu visse eles. Com certeza ela ainda mantinha uma esperança de que eu não fosse ficar.
—Mas porque eu tenho que ficar aqui? — eu perguntei — Eu prefiro minha casa.
—Mas sua casa é muito arriscada, não podemos arriscar sua vida.
—Não precisa — eu rebati — Vocês tem postos seguranças atrás de mim à vida toda, só continue com isso. Além disso, eu sei me cuidar sozinha.
Ele olhou pra mim com seu olhar cansado. É claro, ele não havia dormido ainda, eu tinha dormido no carro, mas ele já parecia que não dormia direito há alguns dias e isso me quebrou por dentro.
—Eu queria mesmo poder fazer isso — ele disse — Mas não é só questões de segurança. Eu preciso que você treine, e com certeza ficar aqui vai facilitar muito seus treinamentos. Principalmente os de combate.
Eu suspirei.
—Vamos então ver seu superior e acabar logo com isso porque você está com uma cara horrível de sono.
Ele riu.
—Devo estar mesmo.
A sala do superior de Percy era muito grande, com muitas prateleiras de livros, uma prateleira contendo uns montes de pastas arrumadas em ordem alfabéticas e várias folhas do que pareciam imensos contratos em cima de sua mesa. Ele estava ao telefone e fez um sinal para que sentássemos.
E foi o que fizemos. Sua secretária havia dito que ele estava desocupado. Olhando bem ao redor reparei que desocupado, era uma coisa que ele provavelmente não era há muito tempo.
—Claro, eu entendo Partenos, mas eu não posso fazer isso sem... — ele me estudou por um momento enquanto falava com Partenos ao telefone — Hã... eu acho que temos um problema, só um minutinho — ele colocou a mão sobre o telefone para abafar o som da sua voz — Quem é você? — ele me perguntou.
—Annabeth Chase — eu disse confiante.
Seus olhos se arregalaram.
—O que a trouxe aqui? — ele perguntou cautelosamente.
—Meu pai foi sequestrado — eu disse tentando manter minha voz descontraída.
Ele me estudou por mais uns momentos e depois colocou o telefone no ouvido de novo.
—Temos um problema — ele disse ao telefone — Annabeth Chase está aqui.
Houve um logo momento de silêncio, ao que parecia a pessoa do outro lado da linha estava pasma de mais para poder dizer alguma coisa. Quando finalmente o respondeu foi rápido de mais, baixo de mais, para que eu pudesse entender alguma coisa.
—Seu pai foi sequestrado — ele disse respondendo uma pergunta que devia ter sido ao como “O que ela faz aí?”.
Mais chiados do outro lado da linha, ainda baixo de mais para que eu pudesse entender e sem falar nada desligou o telefone.
Ele estendeu a mão pra mim e eu apertei.
—Prazer meu nome é Marcos Stritt — eu apenas sorri, não era necessário dizer meu nome se ele já sabia. Ele recolheu sua mão e continuou — Certo me contem o que aconteceu — ele disse sentando ereto em sua cadeira — Porque a única coisa que sabíamos era que você quase morreu ontem de manhã. Depois disso não tivemos mais informações sobre você — ele lançou a Percy um olhar mortal, ele com certeza não estava gostando de saber as coisas assim.
—Desculpa senhor — disse Percy não parecendo nervoso — A gente teve que tomar algumas providências e sair da minha casa rapidamente.
Ele fez um sinal para que nós prosseguíssemos.
—Conte-me tudo.
E foi o que fizemos, contamos tudo a ele, desde a parte em que eu quase morri de manhã, passando pela parte em que eu quase morri a noite até chegar à parte em que meu pai foi sequestrado. Belíssimo dia que eu tive em.
Assim que terminamos ele pediu para que Percy me mostrasse meu quarto enquanto ele fazia algumas ligações para ver como todo esse assunto do sequestro iria ser resolvido.
—Minhas malas — eu bati em minha testa, eu não tinha feito às malas, mas elas basicamente já estavam prontas já tudo que eu havia tirado eu coloquei de volta — eu não acredito que eu esqueci minhas malas.
—Você não vai precisar — disse Percy — A partir de agora você só vai usar roupas para o treinamento. Eles devem levar em seu quarto mais tarde, fique calma.
—Eu estou calma — eu resmunguei.
Quando chegamos ao quarto Percy se foi, ele estava cansado e com certeza iria direto para sua cama. Eu também estava muito cansada, os meus cochilos no carro não foram o suficiente para me deixarem completamente descansada. Eu estudei o quarto rapidamente ele não era muito grande, mas também não era nada pequeno, era apenas um pouco menor que o quarto da minha casa e tinha poucas cômodas, tinha apenas um guarda-roupa, uma cama, mesinha de cabeceira e uma escrivaninha.
Abri as portas do meu guarda-roupa e como eu esperava não tinha nada lá. É claro, eles não estavam me esperando, e esse quarto tinha sido escolhido pelo Sr. Stritt pra mim de última hora.
Eu estava quase me deitando na cama quando alguém bateu em minha porta.
Fui até ela quase que correndo e a abri.
—Olá — disse uma menina, ela tinha pele morena, seus cabelos encaracolados eram castanho-escuros, ela devia ser um pouco mais alta que eu e devia ter uns dezoito anos, ela era bonita do seu jeito — Meu nome é Samanta, estou aqui para te ajudar com as roupas.
Olhei para seus pulsos a procura de uma pulseira, mas se ela tinha alguma não estava usando. Notei sua mão estendida e a apertei.
—Annabeth Chase — eu finalmente disse.
—Eu sei. Quer dizer — ela parecia ligeiramente envergonhada — você sempre foi um assunto aqui, era como se você fosse uma lenda ou algo assim.
—Eu? Uma lenda? — eu perguntei pasma.
—Claro. A filha de Atena Chase, a menina que dizem que foi criada para ser a mais inteligente de todas as pessoas, aquela que tem todos os segredos da Delta guardados em sua cabeça.
—Criada para ser a mais a mais inteligente? O que você quer dizer com isso?
—Ah, eles ainda não conversaram com você sobre isso? — ela disse meio pensativa — Desculpa não acho que eu deva me meter nesse assunto — ela pareceu animada de repente — Vamos, tenho um monte de roupas que com certeza vão cair muito bem em você.
—Fala pra mim que são calças jeans e blusinhas de alças.
Ela fez uma careta.
—Desculpa, são basicamente roupas de treinamento. Não é apropriado se usar jeans para atividades como essa.
Eu bufei.
Acabou que a roupa de treinamento era uma calça preta larga nas pernas, e uma blusa de alcinha larga também. Eu ganhei três peças de cada.
—O treinamento não é difícil — Samanta disse enquanto andávamos em direção à sala administrativa que, segundo Samanta, era onde eu descobriria em que tipo de grupo eu pertenceria — Hum, pelo menos não parece ser.
—Então você é uma intelectual? — eu perguntei.
Ela ainda não havia me dito de que grupo ela era e eu estava um pouco envergonhada para perguntar.
—Oh, — ela parecia completamente envergonhada, ela corou levemente — oh, não eu não sou um infiltrado.
Isso me surpreendeu, eu achava que todos que aqui estavam eram infiltrados. É claro que não as pessoas da limpeza e os cozinheiros, mas fora eles eu achava que todos eram infiltrados. Mas no fim eu não estava completamente errada.
—Minha mãe é camareira — ela disse — nós moramos aqui desde que meu pai morreu. Eu tinha doze anos, nós quase chegamos a passar fome, nossa casa havia sido hipotecada e as únicas coisas que meu pai nos deixou foram contas. Quando ela conseguiu um emprego aqui nossa vida melhorou bastante, eles me deixavam assistir as aulas junto com os intelectuais que moravam aqui, então eu tive uma ótima educação. Mas é claro que não podemos sair daqui. Como eu completei dezoito esse ano, eu consegui com que eles me colocassem em um emprego como ajudante, é como um faz tudo — ela deu de ombros — É sempre bom ter seu próprio dinheiro.
—O que você quer dizer com “eu não posso sair daqui?” — eu perguntei.
—Quando escolhemos ficar aqui dentro dizemos adeus para o mundo lá fora. Qualquer um que trabalhe aqui dentro é capaz de nos trair então, quem não é infiltrado, não tem permissão para sair daqui. A menos que suas memórias sobre tudo isso — ela fez um gesto mostrando o lugar onde estávamos — sejam apagadas.
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