Infiltrates (Os Infiltrados)
8 Amiga?? Espero que sim!
Notas iniciais
—Você não pode estar falando sério. Fala pra mim que você está brincando — eu olhei pra ela, raiva penetrava em minhas veias, ela não teve tempo de responder — É claro que você está brincando. Porque a Thalia que eu conheço não falaria uma besteira dessas. Eu realmente não tive nada com seu primo idiota. Sabe o que eu fiquei fazendo lá na sua casa? — de novo, eu nem mesmo a deixei responder — Eu dormir — praticamente cuspi a palavra na cara dela — e fiquei esperando você, a noite toda. Eu realmente precisava de uma amiga ontem, eu realmente precisava conversar com alguém. Mas se você quiser conversar sobre ter uma noite agradável com um garoto, que tal você me dizer o que você e Luke fizeram a noite toda? E não venha me dizer que não aconteceu nada porque vocês passaram a tarde toda juntos e uma boa parte da noite. Então eu acho que quem tem que contar alguma coisa aqui é você!
Ela olhou pra mim assustada. Eu sei que exagerei mas ela não pode ficar insinuando coisas sobre mim e o lerdo do primo dela. Como ela pode falar de mim se ela mesma não me conta o que está acontecendo entre ela e Luke. Como ela quer cobrar uma coisa de mim, que ela mesma não quer dar.
Ainda de braços cruzados e com o pé batendo no chão fiquei esperando a resposta dela. Ela permaneceu em silêncio por muito tempo.
—Não aconteceu nada — ela finalmente disse encarando o chão em seu total embaraço — Agente apenas ficamos conversando e perdemos a hora. Só isso.
Estreitei meus olhos.
—Você vê? — eu disse — É isso que eu estou querendo dizer. Thalia eu sempre digo tudo o que acontece comigo, te conto tudo da minha vida. Mas quando é pra fazer o mesmo você simplesmente foge das minhas perguntas ou muda de assunto. E não é a primeira vez que eu percebo isso não, você sabe tudo da minha vida. Mas eu quase não sei nada sobre você, por exemplo, eu não sei o que você fazia ou onde você estudava em Nova York. Você nunca me falou sobre suas amigas antigas. Você nunca me falou como você sabe falar francês. E sempre que eu faço esse tipo de pergunta você desvia o assunto ou me dá respostas vagas. Como você quer que eu confie em você... — eu olhei para ela, e estava sentindo meus olhos marejarem — Como você quer que eu confie em você, se você não confia em mim? — respirei fundo, tentando ao máximo engolir as lágrimas. Eu não vou chorar. Eu disse a mim mesma.
Eu continuei esperando por uma resposta que não veio. Ela continuou me encarando, seu olhar era uma mistura de espanto com mágoa. Mas acho que a única que tinha que se sentir magoada era eu. Amizade é uma troca de confiança, e se ela não confiava em mim isso não podia ser chamado de amizade. Não éramos mais amigas. Ela me conhecia, ela sabia tudo sobre mim. Mas naquele momento, eu havia percebido que eu não sabia nada sobre ela. Não sabia onde ela havia crescido, nem como. A história da família dela era a única coisa que ela havia me contado, mas também era uma coisa que todos sabiam. Eu nunca vi fotos da antiga casa dela. Dos amigos delas. Da antiga escola dela. Nada. Eu não sabia nada sobre minha melhor amiga.
Eu olhei pra ela, e já não conseguia segurar as lágrimas. Mas também não tentei limpa-las. Queria que ela soubesse o quanto isso havia me machucado.
—Quando você, puder confiar em mim de verdade me procura — eu disse me afastando.
—Está atrasada — o professor de redação disse sem nem mesmo tirar os olhos do quadro em que ele fazia algumas anotações — a senhorita sabe que horas são.
—Desculpe-me professor — eu disse em uma meia voz — eu não estava muito bem.
Ele pareceu notar que minha voz não estava nem um pouco normal porque ele virou para me encarar. E tenho certeza de que meus olhos estavam vermelhos. Minha maquiagem não estava lá grandes coisas também. E eu não conseguia parar de fungar. Resumindo, eu devia estar horrível.
Se eu tinha alguma dúvida disso o professor retirou todas elas. Ele me encarava com o olhar preocupado.
—Você está melhor? — ele perguntou — Não quer que eu te dê uma dispensa? Você ainda está sentindo alguma coisa.
—Sim. Eu estou com dor não pé da barriga — eu disse — mas tenho certeza que vai passar.
E não era mentira. Eu ainda estava com cólica, só que ela não estava tãão forte a ponto de eu perder uma aula. Se eu ficar indo embora toda vez que eu tiver cólica eu vou acabar sendo reprovada.
—Você não me parece muito bem — ele finalmente disse.
—Eu vou ficar — eu disse e fui para o meu lugar ao lado de Sabrina.
Muito, muito de vagar eu peguei minhas coisas na mochila e comecei a copiar a matéria.
—O que você quer? — eu disse olhando pro lado pra dar de cara com Percy, ele havia sentado no lugar em que Sabrina havia estado a poucos minutos — Por quê você tirou a Sabrina de seu lugar.
—Pra começar, — disse ele — eu não a tirei. Eu pedi pra ela trocar comigo. Queria falar com você.
—Se você quer se gabar por ontem, eu quero que saiba que eu não estou nem um pouco afim de escutar.
—Eu não quero me gabar, nem nada do tipo.
—Ótimo. Então agora eu acho que você já pode me deixar em paz copiando minha matéria.
—Ual, você está bem estressada em. O que foi que eu te fiz pra você me tratar assim.
—Você nasceu. Foi isso que você fez.
Ele não olhou pra mim magoado como eu achei que ele ia me olhar. Muito pelo contrário, havia outra coisa em seu olhar era preocupação. Ele está preocupado comigo, eu pensei, e eu estou sendo super ignorante.
—Desculpa — eu disse esfregando minha testa com a mão para ver se pelo mesmo ela clareava um pouco — Não é com você que eu estou estressada. Eu não devia descontar em você isso.
—Tudo bem — ele disse — eu entendo você. E acho que você precisa desabafar. Não quer me contar o que está acontecendo?
Eu olhei pra ele pensando em realmente contar tudo pra ele.
—Desculpa. Mas eu acho melhor não — eu finalmente disse — eu tenho certeza de que no final do dia vai estar tudo resolvido. Mas obrigada.
Ele sorriu, ele parecia que havia ganhada um óscar.
—Por que tá sorrindo desse jeito? — eu perguntei estressada, eu aqui super triste e acabada, e ele sorrindo-se todo como se fosse o dia mais feliz de sua vida.
—É que você disse desculpa, umas duas vezes, e acabou de me agradecer. Você deve estar ruim mesmo pra estar sendo educada.
—Mas eu sou educada — eu disse meio que na defensiva.
—Não foi o que pareceu ontem.
—Pra quê que eu ia agradecer a você. Eu não precisava levantar sua moral mas do que você estava fazendo. Você se acha.
—Eu não me acho, eu sou de mais.
Revirei os olhos.
—Viu, — eu disse apontando pra ele — é disso que eu estou falando.
—Do quê que você está falando senhorita Chase? — perguntou o professor.
Eu olhei para o professor que tinha uma das mãos em sua cintura e umas das sobrancelhas levantadas.
—Que antes de “P” e “B” se usa “M”, professor — menti — Acredita que Percy ainda se enrola com isso?
O professor pareceu se convencer. Ele me deu um leve aceno seguido por um sorriso aberto.
—Isso acontece muito senhorita Chase, aliás é um dos maiores erros nos testes que eu passo.
Vi Percy tentar segurar o riso e eu fiz o mesmo.
Depois disso as aulas seguiram normalmente. É claro que minha dor ainda não havia passado e eu realmente estava considerando ir a um médico. Mas como já era parte do trato com Thalia e Luke, eu preferi esperar.
Na hora do intervalo eu não vi Thalia. Ela não estava em nenhuma das mesas, e Luke pelo visto não tinha mesmo vindo pra escola. Ele devia ter uma boa razão para faltar aula. Ele nunca foi muito de matar aula. Eu estava cogitando ligar pra ele mas desisti.
Peguei o meu lanche e fui direto pra mesa em que eu normalmente sentava, só que antes com os meus amigos e agora sozinha. Comecei a comer um pouco da minha comida sem vontade nenhuma. Eu estava quase me levantando e jogando toda ela fora quando vejo uma bandeja bate sobre a mesa em que eu estava.
—Almoçando sozinha? — Percy perguntou puxando uma cadeira para si e sentando à minha frente.
—Não, está é Keterine — eu disse apontando para uma cadeira vazio do meu lado esquerdo — E esta e Isabelle — eu disse apontando pra cadeira vazia que estava à minha direita — Como você pode simplesmente ignora-las?
Percy riu.
—Você é sempre tão sarcástica? — ele perguntou.
Eu fingi estar ofendida colocando as mãos sobre o coração e arregalando meus olhos.
—Mas é claro que não — eu disse — dizem que quando eu estou dormindo eu não sou tão sarcástica. Se bem que teve uma noite em que estava sonhando com o Zac Efron... — eu disse batendo o dedo indicador no queixo fingindo estar pensando — Não. Retiro o que eu disse. Você está certo. Eu sou sarcástica assim o tempo todo.
Eu dei a ele um sorriso amarelo.
Ele tirou um bloquinho pequeno de seu bolso junto com uma caneta.
—Sarcás...tica e cabe...ça dura — ele disse de vagar enquanto escrevia em seu bloquinho — Mas alguma coisa que eu deva acrescentar?
—É claro — eu disse — Linda, assustadoramente apaixonante, especial, muito, muito, legal...
—É claro — ele me interrompeu voltando sua atenção para seu bloquinho novamente — Sem... ne...nhuma humil...dade — ele disse escrevendo novamente.
—Ah, e olha quem fala — eu disse apontando pra ele com meu garfo — o garoto que não tem a palavra “humildade” em seu vocabulário.
—Ei, eu conheço essa palavra, só não sou muito familiarizado com ela.
Nós dois rimos.
—Você viu a Thalia? — eu perguntei parando de rir.
—Vi sim, ela me disse que não estava muito bem e que ia pra casa.
—Ata — foi a única coisa que eu consegui dizer.
Se ela não estava bem imagine eu. Eu estava pensando em sair da escola e ir direto para casa afogar minhas mágoas em uma panela bem cheia de brigadeiro.
—Você quer que eu te leve pra casa? — ele perguntou me tirando de meus pensamentos — Eu posso te levar no meu carro se é com isso que você está preocupada.
—Não, não é com isso que eu estou preocupada. E não precisa me levar. Eu vou pegar o ônibus da escola.
—Sério. Eu posso te levar. Não vai ser nenhum incômodo.
Eu estava pensando em negar. Mas não estava nem um pouco afim de pegar o ônibus da escola e ficar tendo que falar com um monte de gente que com toda certeza vão querer saber como está andando as coisas do baile. Sabe aquele baile de primavera em que eu não tive ideia nenhuma do que vai ter ou sobre o que vai ser. Mesmo com a reunião de ontem, nós acabamos sem decidir nada. E tenho certeza de que os outros alunos não vão gostar nada de saber que eu não tenho nenhum plano para o baile deles.
—Sim — eu disse — eu aceito sua carona.
—Que aula você tem agora?
—Biologia — eu disse.
Ele fez uma careta.
—Química agente faz junto certo? — ele disse — Por que eu não tenho biologia agora. Mas te vejo na aula de química.
Ele se levantou e saiu.
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