Infected by Our Hope

5 Morgan lembra o meu irmão.


Gavin olhou para o teto. Sua garganta sedenta por água coçava, e a agonia subia-lhe a cabeça só de ver as teias de aranha pelos cantos.

Já tinha desamarrado a corda da cintura e as mochilas tinham sido jogadas no chão, agora Morgan e Jane perambulavam, pela cabana de madeira, afobados enquanto procuravam por algum vestígio do Cordyceps. O menino não fazia nada e nem movia um músculo sequer, como haviam mandado-o.

– Posso coçar o nariz? – Perguntou Gavin, mas ninguém prestou atenção para respondê-lo. Vendo que ninguém o responderia, ele passou a mão por cima do nariz rapidamente como se alguém se importasse.

O sol estava a desaparecer no horizonte. A paisagem amarelada era vista pela janela ao lado de Gavin, um vento forte batia contra os vidros rachados hora ou outra, amedrontando o menino que o tempo inteiro se perguntava o que seria daquela noite. Não podia deixar de reparar o quão velho era aquele lugar, já que do lado de fora era possível ver um estábulo pequeno caindo aos pedaços. Gavin só torcia pra que a cabana não desabasse sobre sua cabeça justo quando estava lá.

– Tá limpo, não tem nada aqui. – Morgan comentou, guardando seu canivete e se espreguiçando logo em seguida.

– Vamos passar a noite na cabana, Gavin. – Jane se aproximou do menino, os dois se sentaram no chão e Morgan se encostou-se a uma parede próxima.

– Cara, que sede. – Reclamou Morgan. – Sério que ninguém trouxe água?

Uma rajada de vento forte bateu em um dos cantos da casa. Gavin prontamente se jogou em Jane, com medo. Morgan virou o rosto de cara fechada, ele ainda não concordara com a ideia do menino segui-lo por toda a parte. Mas pra quê toda aquela implicância?

– Talvez o encanamento ainda funcione, nós podemos ferver a água. – Disse Jane, abraçando o menino Gavin.

Morgan foi até a cozinha, balbuciando.

– Não consigo te ouvir daqui, Morgan... – Disse Jane.

Gavin se desvencilhou aos poucos dos braços de Jane, a ventania se acalmara um pouco e não estava tão nervoso quanto antes. Ele se sentou afastado, olhando pro chão um pouco decepcionado.

Jane percebeu, mas não quis perguntar diretamente.

– Então... O que aconteceu aquele dia? Na zona de quarentena que você estava. Você morava lá?

– Sim, morava. Com meu irmão mais velho. Não sei o que aconteceu. Só lembro que ele me mandou entrar na caixa, e depois... – Gavin parou por alguns segundos. – Mas eu não vi nada, só ouvi.

– Sinto muito, Gavin.

– É, eu também. Morgan lembra o meu irmão. – Disse, voltando a olhar pela janela novamente.

O vento finalmente se acalmou por completo, encorajando Gavin a se levantar. Ele pretendia ficar olhando a paisagem a fora por um bom tempo. A escuridão estremeceu seu corpo. O que tem naquele estábulo? pensou, alimentando a curiosidade.

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Morgan ouvira tudo, mas os dois não conseguiam vê-lo ali atrás da porta. Pela primeira vez no dia, ele se arrependeu de ter insultado o menino tão indiretamente, chamando-o de “peso”. Mas alguns segundos foram suficientes pra ele retomar seu orgulho de volta. Sem saber o que fazer, ele voltou alguns passos atrás e pisou forte no chão como só estivesse vindo naquele momento, maquiando uma cena.

– É! Tem água sim, e também tem gás o quê é muito estranho, além do mais... – O rapaz interrompeu a si mesmo quando Gavin virou pra escutá-lo. – Enfim, é isso.

Não tinha como negar, Morgan estava corroído de remorso. Ele disfarçou abrindo sua mochila no chão, procurando por alguma coisa pra encher de água. Meio desgovernado, e cego ele ficou procurando as mesmas coisas por um bom tempo. Jane não deixou de reparar.

– Quer uma lanterna? – Perguntou Jane.

– Não! – Respondeu assustando. – Sim! Quer dizer... Sim, quero.

– Você está bem? – Riu, procurando por sua lanterna. Assim que a achou, iluminou a mochila de Morgan, que não prestava atenção.

O rapaz encarava Gavin de costas olhando pela janela. Jane apontou a lanterna para a cara de Morgan, que reprimia os olhos rindo brevemente.

– Desculpa, me desliguei. – Disse voltando a procurar.

– O que aconteceu? – Sussurrou perto de Morgan, suficientemente para apenas os dois escutarem.

– Como assim? – Ele fingia desentender.

– Não minta pra mim. – Ela aproximou o rosto do ouvido dele. – Você estava um saco há dois minutos, e agora nunca vi mais estranho. – Jane perguntou, olhando de canto para ver se o menino continuava sem os ouvir. Quando voltou Morgan olhava fundo em seus olhos parecendo procurar alguma resposta rápida.

– ... TPM – respondeu, rendendo uma risada alta de Jane.

Aliviado ao se safar de Jane o intimidando com suas perguntas, achou uma pequena panela no fundo de sua mochila, que logo foi tomada de suas mãos para as mãos de Jane. A jovem correu até a cozinha da cabana para enchê-la de água e ferver no fogão velho.

Morgan encostou-se a uma das paredes encarando Gavin. O menino parecia mesmo entretido olhando pra lá. Queria, mas não abriu a boca pra falar, não sabia como começar aquilo.

Seria uma longa noite para os três, principalmente para Morgan.

Notas finais
depois de muuuito tempo, entrego esse capítulo péssimo. Mas não se preocupem! A ação de verdade estará vindo no próximo capítulo! Desculpem a demora, mas aí está.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.