Inevitável

24 Não tenho medo de nada!


Notas iniciais
Ai gente... QUE SAUDADEEEEEEEEEEEEEEEEE o/ Tudo bem com todo mundo? Vamos para Los Angeles hoje? Vai ser um capítulo bem básico! E um detalhe... Aqui não existe fuso-horário ok??? xDD Gomen... Vejo vocês nas considerações finais e nos comentários! Senhorita Ta1ga, só quero dizer que te amo, husbanda! E não precisa ficar com ciúme, Hide-Senpai, te amo muito tbm (apesar de você ser cruel ~Não li seu capítulo antes de postar isso, talvez eu te odeie em menos de 15 minutos, mas eu ainda te amo) Boa leitura meus anjos! ;*************************************

3 anos depois

Quarta-feira, 06 de julho — 18h36min

~Aomine Daiki~

– Pare de se enrolar aí Daiki... A gente vai se atrasar de novo! – Kagami reclamou em voz alta pela segunda vez, batendo insistentemente a bola de basquete no chão de assoalho da sala. – Kuroko até já mandou uma mensagem... Todo mundo já chegou!

– Tá, tá... Vamos! – O moreno fez uma careta e pegou qualquer regata de dentro do guarda-roupa. Sem muita pressa, andou até a sala onde o ruivo o esperava impaciente, já com a porta do apartamento aberta.

– Você parece uma noiva se arrumando! – Kagami sorriu ao vê-lo surgir sem camisa e só então vestir a regata preta. – Mas é uma noiva bem gostosa...

– A única noiva gostosa aqui é você Taiga! – Aomine riu pegando as chaves antes de saírem juntos porta afora.

– Sabemos que não! – Kagami disse, olhando-o dos pés a cabeça enquanto o moreno trancava a porta. Com um meio sorriso o ruivo perguntou: – O que você esqueceu, Daiki?

– Ahn... – O moreno riu na hora, voltando para dentro do apartamento. – Obrigado!

– Idiota! – Kagami balançou a cabeça, observando-o do corredor do prédio.

O moreno correu até a geladeira e pegou uma de suas garrafinhas cheias de água, colocando na mochila que esqueceu jogada no sofá. Saiu apressado novamente do apartamento com um sorriso inocente em seu rosto. Enquanto trancava a porta sentia a nuca ser perfurada pelo olhar julgador e cômico de Kagami... Era sempre assim!

– O que seria de mim sem você, Taiga? – O moreno admitiu antes que ele pudesse falar alguma coisa, pois seria um discurso enorme. Abraçou-o pelos ombros e juntos se dirigiram ao elevador.

– O mesmo que eu sem você! – Kagami sorriu satisfeito, dando-lhe um selinho assim que apertou o botão para descerem ao térreo. – Nada...

– É... Absolutamente nada! – Aomine concordou com um meio sorriso, aproveitando aqueles segundos que passariam fechados e sozinhos para dar-lhe um lento beijo nos lábios, enterrando os dedos em seus cabelos.

– Só não fique de pau duro! – Kagami sussurrou provocante contra seus lábios, passando a mão vazia com força pelas costas de Aomine, na intenção de aumentar o contato entre eles. – Esse teu calção aí não vai esconder nada!

– Ih Taiga, tarde demais... – Ele murmurou com um sorriso safado, colocando a língua novamente dentro da boca do ruivo por mais alguns segundos.

O barulho do elevador denunciou que chegaram ao térreo, por isso tiveram que se afastar antes de a porta abrir automaticamente. Como quem não quer nada, Aomine pegou a bola de basquete das mãos do ruivo e saiu andando com ela na frente de seu corpo. Estava procurando apenas esconder a ereção, mas acabou arrancando uma deliciosa risada de Kagami.

– Tenho certeza que o segurança está lá vendo nosso vídeo de agora no elevador, bem de boa, tocando uma punheta! – Aomine ironizou, assim que saíram para a garagem do prédio.

– Claro que está! – Kagami concordou divertido, balançando a cabeça. – E ele ainda deve levar uma cópia da gravação para casa. Fica revendo todos os nossos pegas no elevador durante horas!

– Isso se já não instalou uma câmera com escutas no nosso quarto! – Aomine riu, jogando as chaves do carro para o ruivo, que foi para o lado do motorista.

– Melhor a gente procurar quando voltarmos! – Kagami fez uma cômica expressão preocupada, destrancando o veículo. Eles riram juntos, fazendo piadas sobre o assunto enquanto saíam da garagem com o carro.

Aomine e Kagami sabiam que o segurança – na verdade um simples vigia – mais jovem do prédio tinha uma leve queda por eles... Sempre o encontravam na parte da manhã quando chegavam do serviço, provavelmente era o horário que o rapaz entrava para trabalhar. Ele enrubescia e tentava se esconder cada vez. Seu nome era Koji, não aparentava ter mais de 21 anos e parecia o Salsicha, do Scooby Doo. Ele era o responsável pelas câmeras de segurança do prédio.

Essa implicância com o rapaz começou há mais ou menos um ano, quando o elevador ainda estava em manutenção... Os dois estavam voltando do trabalho e pararam para se beijar no meio da escada, não conseguiram esperar até chegar em casa, para variar. O rapaz subiu silenciosamente alguns minutos depois e por acidente os encontrou. Koji se escondeu imediatamente na curva da escada e permaneceu observando por um longo tempo... Aomine o percebeu desde o começo, mas disfarçou, queria ver o que ele iria fazer. E ele não fez absolutamente nada...

Daiki e Taiga ficaram por mais uns dez minutos se provocando, de uma forma não tão sutil, antes de irem para o oitavo andar, e nesse meio tempo o segurança nem sequer se mexeu. Aomine fez aquilo por querer, e no final jurou ter visto uma ereção no meio das pernas dele... Até porque ele passava a mão por cima da calça o tempo todo enquanto assistia.

Depois daquilo, Koji virou o alvo de suas piadas, mas nem suspeitava disso... E suspeitava muito menos que fora flagrado naquele dia! Ambos sabiam que era quase maldade darem um selinho toda vez que o encontravam, como uma forma de provocação... Mas era divertido demais ver a reação encabulada do rapaz, principalmente quando o cumprimentavam depois.

Uma atitude nada digna de dois marmanjos com quase 27 anos de idade.

***

– Viu, hoje o Midorima vai jogar também! – O ruivo comentou, guiando o carro até a quadra do Maji Burguer. – Kuroko mandou uma mensagem avisando que aquele idiota já estava cansado de esperar a gente!

– Tsundere de merda. – Aomine riu, olhando distraidamente do movimento janela afora para o ruivo ao seu lado. – A gente devia ir mais devagar só para irritá-lo!

– Ah, a vontade é grande, mas tem mais gente esperando. – Kagami sorriu, parando suavemente o carro no semáforo, que estava com o sinal vermelho. Ele tinha o costume de dirigir com uma mão no volante e uma no câmbio... Aquilo era errado e Aomine insistia em avisá-lo, mas Taiga não mudava. Um dia ainda iria multá-lo só de birra.

– Quem vai jogar hoje?

– Acho que nós dois, Kuroko, Kise, Takao e Midorima! – O ruivo comentou, colocando na primeira marcha e deixando a mão apoiada ali mesmo. Aomine ignorou aquele gesto com muito custo. – Três contra três, vai ser bom.

– Basquete sempre é bom, mesmo quando somos só nós dois! – Aomine sorriu animado, girando a bola em seu colo ao olhar para frente.

Todas as quartas-feiras eles se reuniam em grupo para jogar. As partidas eram extremamente divertidas, mas principalmente competitivas... Dava para sentir a antiga rivalidade pairando no ar. Com toda a certeza os fazia suar muito mais do que seus mano a mano, pois todos em quadra levavam aquilo muito a sério, jogavam com tanta intensidade que até atraíam um certo público. Afinal, não era todos os dias que seis adultos em boa forma, verdadeiros prodígios no basquete, se reuniam em uma quadra de rua para brincar um pouco.

– Sim, basquete sempre é bom! – Kagami concordou também animado, acelerando assim que o sinal mudou para o verde... Mas ainda com a maldita mão no câmbio.

***

Quarta-feira, 12 de julho — 20h18min

~Kagami Taiga~

– Meu Deus, Teddy, calcule só o pulo de alegria da mamãe ontem quando eu contei que você iria vir pra cá! – Nick exclamou animada do outro lado da linha.

– Ah, eu acredito! Sinto muita falta dela, e de vocês duas também! – O ruivo sorriu radiante, atraindo um rápido olhar de Aomine, que até então se concentrava em seu livro. Ele apoiava as pernas em sua coxa enquanto se deitava no sofá.

– Quando vocês vêm?

– A gente sai daqui no domingo. Meu último dia de trabalho é no sábado agora. – O ruivo explicou, mal conseguindo conter o sorriso. – É só por nove dias, mas já vai dar pra matar um pouco a saudade.

– Claro que sim, Teddy do céu! – Ela ria como uma boba do outro lado da linha. – Você não tem ideia de como eu quero te esmagar! Seu desgraçado, faz uns três anos que eu não te vejo pessoalmente! Só webcam não vale, tenho muita saudade do meu maninho fedorento!

– Também estou com muita saudade de você, sua praga! – O ruivo riu animado. Estava sentindo muita saudade dela mesmo.

– E aquele Nigga, preciso ter uma conversa bem séria com ele sobre muitas coisas, vai avisando já! – Nick exclamou, fingindo seriedade, mas voltando rapidamente para seu jeito retardado. – Porra, Teddy! Sabe que no verão sempre tem uns shows massas por aqui, não é? Parece que algumas bandas fodas vão tocar... Vai separando o money aí! Vou achar um monte de coisas legais para fazermos!

– Sei que vai! Mas já temos uma quantia certa para gastar aí... As passagens já foram uma pequena fortuna, e agora é tudo em dobro aqui em casa. – O ruivo exclamou franzindo a testa. Arrancou um sorriso de Aomine dizendo aquilo. – Faça aí uma lista dos lugares pra gente ir, depois eu calculo os gastos, e então escolhemos!

– Teu cú que vou ficar alimentando sua pão-durisse! – Nick gargalhou do outro lado da linha. – Quero mais é que você se foda com sua mão fechada aí! Vamos em todos os lugares que eu achar legal...

– Então vai tomar no meio do seu cú com bastante força, Nick! – O ruivo riu inconformado. Ela já tinha uns 31 anos de idade, mas nunca amadurecia. – Depois nós vemos o que vamos fazer! Acho que nosso voo chega aí as 7h da manhã da segunda-feira...

– Ah, você com esses horários de bosta! – Ela reclamou, com um suspiro cansado. – Mas tudo bem, só vou abrir uma exceção porque é você! Saudade maninho... Manda um beijo na bunda daquele negão, porque agora tenho que ir trabalhar. Estou fazendo hora extra para pegar folga na sua visita... Me agradeça muito!

– Ok Nick! Obrigado minha maninha linda! – Kagami falou, com um enorme sorriso. – Saudade de você também... A gente vai se falando. Bom trabalho sua sarna!

– Beijão Teddy, te amo!

– Também te amo, Nicolle!

Com um sorriso imensurável, o ruivo desligou o telefone e ficou olhando para o aparelho em sua mão por um bom tempo. Demoraram anos para conseguir encaixar essa viagem em seus planos, mas agora finalmente Kagami estava voltando para visitar sua família, e dessa vez levaria Aomine junto! Saudade era pouco para descrever o que sentia.

Estava tudo indo muito bem! Era sua última semana de trabalho, e então finalmente teria quase um mês para descansar em suas mais do que merecidas férias... Já as de Aomine haviam começado nessa semana, mas ele ainda tinha uns 20 dias de folga sobrando... Foi um timing perfeitamente combinado entre eles! Claro que ambos tinham o direito para pegar essas férias há tempos, mas aproveitaram para fazer isso juntos, nesse verão.

Kagami ficava muito animado com o fato de finalmente poder apresentar Aomine pessoalmente para sua mãe, depois de tantos anos falando apenas por webcam. Eles já se davam muito bem assim à distância, Kagami tinha certeza que de perto seria melhor ainda.

O ruivo já tinha praticamente tudo esquematizado em sua cabeça: Levaria o moreno para conhecer todos os cantos que conhecia, o ensinaria a surfar e até aceitaria algumas ideias de Nick, dependendo do que viesse... E tinha o encontro que já vinha planejando há meses, o "primeiro encontro" dos dois. Ficava ansioso apenas em pensar... Era impossível não ficar, chegava a sentir a barriga embrulhar de ansiedade com a ideia!

Olhou animado para Aomine, que deitava-se confortavelmente no sofá, ainda com as pernas apoiadas em sua coxa. Ele estava concentrado, lendo o mesmo livro de terror desde o começo da semana... Aquilo na verdade parecia um dicionário, de tão enorme. Desviou o olhar do objeto para o rosto do moreno e teve que rir pela milésima vez. Era impossível se acostumar com a cena de Daiki – moreno, alto, lindo, agressivo, gostoso – usando óculos para leitura. Não combinava nem um pouco, simples assim.

Há mais ou menos uns seis meses, Daiki começou a reclamar que precisava afastar demais o livro para ler, pois as letras pareciam embaralhar e tudo o mais... O resultado foi uma consulta com um oftalmologista e posteriormente uma visita à ótica. Aquela armação de óculos fina, meio quadrada e azul escura era particularmente estranha, só ele achou legal quando foi escolher... Pelo menos só precisava usar quando lia.

Quem olhasse para aquela cena com certeza pensaria que o moreno era um nerd, estudioso, intelectual ou qualquer coisa do tipo... Amargo engano. Mas até que Aomine ficava bem sexy, principalmente vestindo as camisetas desbotadas de banda que Kagami usava para dormir. Hoje era de Slayer...

– Está feliz Taiga? – Aomine perguntou com um sorriso, percebendo que estava sendo observado.

– Demais! – Kagami acenou feliz, vendo-o remover os óculos e colocar na mesa de centro, junto com seu livro.

– Que bom! Porque também estou! – O moreno sentou-se ao seu lado e deu-lhe um beijo carinhoso nos lábios. – Quero muito visitar L.A.! E sem falar que finalmente vou conhecer pessoalmente a minha sogra, depois de tanto tempo.

– Sim! – O ruivo concordou radiante. – Temos tanta coisa para fazer por lá, Daiki, você não tem ideia... Tenho um monte de lugares para te mostrar. Puta que pariu, como estou empolgado!

– Eu também estou! – O moreno sorriu animado. – E não esqueça que você precisa me ensinar a surfar! Você me promete isso há anos!

– Isso se eu lembrar como faz! – Kagami ironizou, puxando-o pela cintura para mais perto. – Devo estar bem enferrujado...

– Lembra sim Taiga, você é foda em tudo o que faz! – Ele disse com um sorriso, que foi diminuindo aos poucos ao olhar para algum ponto atrás do ruivo.

– O que foi? – Kagami perguntou alarmado, notando a mudança do moreno.

– Amor, não olhe para trás, ok? – Ele pediu com a voz suave, voltando a encará-lo.

– Daiki? – A voz de Kagami saiu tremida ao encarar os olhos azuis. Estava começando a ficar assustado. – O que foi?

– Calma! – Ele continuou de forma paciente, olhando novamente para o local. – Tem alguma coisa ali e eu acho que...

– É uma...? – O ruivo sussurrou, olhando-o aflito ao mesmo tempo que sentia seu corpo congelar.

– Sim, é uma aranha. – Ele avisou, acariciando sua perna. – Não olhe pra trás, ok?

– Argh! – O ruivo teve um calafrio enorme e prendeu a respiração ao imaginar aquele monstro de oito pernas e olhos em algum ponto ás suas costas. Quase sentia as patas do aracnídeo o envolvendo para morder em seguida. – Sério, a gente está no oitavo andar, porque elas precisam vir pra cá?

– Relaxa, ela é pequena e está bem longe de você... Já vou matar. – Aomine sorriu tranquilizador, dando-lhe um selinho antes de se levantar.

Kagami ainda lembrava claramente da enorme dor que sentiu as ser picado por uma aranha, há dois anos, quando estava inocentemente trocando a roupa de cama. A ferida que surgiu logo depois foi bem feia, por sorte era Bombeiro Socorrista e sabia como agir naqueles casos, mas mesmo assim seu braço ficou imobilizado por uma semana. Kagami pegou fobia do aracnídeo no ato, e uma bem pior que a de cachorros.

O moreno sabia muito bem de seu medo e sempre era bem atencioso quanto a isso.

Taiga não se ousou mover um músculo sequer, inclusive fechou os olhos e prendeu novamente a respiração. Só conseguiu voltar ao normal após ouvir o baque surdo na parede, indicando que Aomine a matara em um golpe só. A vibração de "Bem feito!" passou pela sua mente.

– Pronto, te salvei mais uma vez seu fresco! – Aomine sorriu satisfeito, voltando ao sofá com aquele sorriso debochado no rosto.

– Obrigado... – Kagami agradeceu com um suspiro longo, já esperando as provocações que viriam em seguida.

– Agora vem cá, Bakagami cagão! – O moreno riu, puxando-o para sentar entre suas pernas. – Deixa eu proteger o meu medroso!

– Vai se foder! – O ruivo tentou não sorrir ao ser envolvido pelos braços de Daiki.

– Você fica tão gay quando está com medo! – Ele riu, mordendo sua orelha. – Mas fica tão bonitinho também!

– Cala a boca seu idiota! – Kagami reclamou, lutando – sem muita resistência – contra o abraço dele. – Um dia eu ainda vou descobrir o seu medo e vou me vingar!

– Eu não tenho medo de nada, Taiga! – Ele murmurou, dando-lhe um beijo molhado no pescoço.

– Todo mundo tem medo de alguma coisa! – O ruivo disse, fechando os olhos ao sentir arrepios se espalharem por seu corpo. Daiki continuava a beijar sua pele mais uma vez, e mais outra, e outra.

– Mas eu não tenho... – Aomine sussurrou em seu ouvido de forma provocante, puxando-o mais para perto de seu corpo quente. Kagami não ofereceu mais resistência... Apenas deixou.

– Veremos... Daiki... – O ruivo terminou aquela frase com um leve gemido, ao senti-lo dar um gostoso e forte chupão em sua nuca.

Kagami sorriu enquanto as mãos de Aomine percorrerem seu tórax, descendo provocantemente em direção às suas coxas. Sabia exatamente como aquilo iria terminar... Nem lembrava mais de aranha nenhuma.

***

Domingo, 16 de julho — 20h30min

A aeromoça já havia terminado de dar os avisos padrões antes do voo decolar. O burburinho das pessoas animadas para a viagem preencheu o avião logo em seguida, assim como o barulho dos motores e das turbinas.

Nas últimas vezes que Kagami esteve sentado em uma poltrona de avião a sensação não era realmente boa... Sempre havia aquele ar de despedida, e isso doía. Mas hoje era diferente, seu namorado estava ali, sentado do seu lado direito.

O sarna insistira em ficar com a poltrona da janela. E lógico que ele ganhou no par ou ímpar... Kagami sempre tirava dois dedos, e não sabia o porquê!

– Quer alguma coisa já, Daiki? – O ruivo perguntou distraído, olhando o conteúdo da mochila enquanto retirava os fone de ouvido do compartimento interno.

Silêncio.

– Daiki? – Olhou impaciente para o moreno, estranhando a falta de resposta.

– Uhm? – Ele murmurou apressado, observando fixamente algum ponto no banco da frente.

– Tudo bem? – Kagami perguntou, tocando-lhe o braço para chamar sua atenção.

O moreno apenas virou o rosto suavemente e o encarou. Pupilas dilatadas, respiração pesada, músculos tensos. Kagami teve que rir, mais por dentro do que por fora. Deliciou-se com cada uma das palavras que pronunciou em seguida:

– Está com medo, amor?

– Não! – O moreno disfarçou na hora, franzindo a testa como se aquilo fosse a coisa mais ridícula que Kagami perguntara na vida.

– Sei, estou vendo... – O ruivo respondeu suavemente, acariciando a mão fechada em punho do moreno. Ele estava bem tenso. – Relaxa, é bem bom viajar de avião, você vai ver. Vai chegar uma hora que você nem lembrará que está voando.

– Não estou com medo, Taiga! – Ele retrucou com a voz levemente irritada, olhando novamente para o banco.

– Tá bom! – O ruivo sorriu, tirando um chocolate meio-amargo da mochila. – Come isso que vai ajudar...

– Não precisa Taiga. – Ele sorriu de canto, abrindo a mão suada para Kagami entrelaçar os dedos. – Está tudo bem!

– Ok! – O ruivo fingiu que aceitou. Estava procurando não rir ao perceber que ele se fazia de durão. – Mas segura o chocolate com você, sei que logo vai me pedir.

– Sarna! – Aomine pegou a pequena barra e voltou a olhar fixamente para o banco.

Kagami apenas o observava, chegava a ser cômico o olhar que ele lançava ao tecido da poltrona em sua frente. Queria muito rir, mas a sensação de querer confortá-lo no momento era bem maior.

– Amor, o que você quer ouvir na viagem? – O ruivo perguntou para distraí-lo.

– Hm, Pink Floyd? – Ele murmurou sem pensar muito.

– Mesmo? – O ruivo estranhou a escolha, pois no dia anterior Aomine dissera que queria ouvir as coisas da Nick.

– Sim...

– Qual álbum? – Kagami deu de ombros.

– Division... Bell, pode ser. – Ele balbuciou assim que o avião começou a entrar em movimento. Kagami sentiu a mão dele apertar a sua com força quando isso aconteceu.

– Daiki, olha aqui pra mim! – O ruivo atraiu a atenção de Aomine. O moreno tinha uma expressão ligeiramente aflita, mas tentou esconder assim que o encarou. – Você tirou o lixo da cozinha e do banheiro?

– Não sei... Tirei? – Ele sorriu fracamente ouvindo aquela pergunta repentina e fora de hora.

– Eu te pedi para fazer isso antes de sairmos. – Kagami comentou, erguendo as sobrancelhas. Sua distração estava quase funcionando, ele parecia pensativo por trás da expressão assustada.

– Eu não lembro. – Aomine respondeu, olhando rapidamente para frente antes de voltar a encarar Kagami. Sua respiração ficava mais pesada conforme o avião acelerava.

– Daiki, se você não tirou, o apartamento vai ficar fedendo e eu vou te socar quando voltarmos! – Kagami avisou, passando o polegar da mão livre na tela do celular, buscando o álbum que ele pediu. Decidiu mentir ao encontrá-lo, precisava distrair Aomine. – Não tenho o Division Bell, escolha outra coisa para ouvir.

– Sei lá... – Ele balbuciou, enquanto sua mão suava contra a de Kagami. – Pode ser o que você quiser.

– Eu sempre escolho a música na volta e você sabe disso. – O ruivo insistiu, acariciando os dedos dele com o polegar, para que relaxasse o aperto em sua mão. O avião ia cada vez mais rápido e estava prestes a alçar voo. – Fala aí Daiki, quer ouvir o quê?

– Hm... Eu... – Ele fechou os olhos, numa tentativa de disfarçar seu medo. – Pode ser Iron Maiden então, sei que você gosta.

– Ok, qual álbum? – Kagami insistiu.

O ruivo precisou suspirar fundo ao senti-lo espremer seus dedos, aquilo estava doendo bastante, mas era um mal necessário para que o moreno se sentisse melhor. O avião começava a inclinar e subir. O frio na barriga que vinha nesse momento já era algo extremamente comum para Kagami, mas era a primeira vez que Aomine voava e ele não parecia estar gostando.

– Taiga... – Ele sussurrou, já não conseguindo mais disfarçar a aflição, pois o avião sofria uma leve turbulência na subida.

– Calma amor, o pior já vai passar. – Kagami riu, beijando-lhe o rosto. – Me responde... Qual álbum você quer? Aquele da música que você sabe tocar?

– A que começa só com o baixo? – O moreno perguntou com a voz acelerada, muitos segundos depois. Ele relaxou um pouco o corpo assim que o avião parou de tremer, sua inclinação estava voltando ao normal.

– Isso, da música The Clairvoiant...

– Pode ser! – Ele soltou um longo suspiro assim que o voo ficou mais suave e estável. – E eu não tirei o lixo lá de casa, pode me socar!

– Relaxa, eu sabia que você ia esquecer e tirei hoje de tarde! – Kagami sorriu, dando-lhe um selinho. – Meu cagão esquecido!

– Vai se foder Taiga! – Ele riu nervoso, evidentemente aliviado.

Sua respiração ainda estava um pouco pesada quando foi abrir o chocolate, mas estava com dificuldades por suas mãos estarem um pouco trêmulas. Kagami quase sentiu dó dele, mas não poderia perder aquela oportunidade...

– Você fica tão gay quando está com medo! – O ruivo sorriu triunfante, repetindo o que ele sempre dizia depois de salvar Kagami das aranhas. – Mas fica tão bonitinho também.

– Idiota! – Ele reclamou com uma expressão irritada. Sem muita cerimônia, mordeu o chocolate e enfiou o resto na frente de Kagami. – Come aí cala a boca...

Kagami apenas se controlou e deu uma mordida no doce. Evitou a muito custo olhar para Aomine enquanto mastigava, pois sabia que iria rir da cara emburrada que ele fazia.

Lutando contra o próprio sorriso, o ruivo concentrou-se em seu celular e procurou o álbum Seven Son of a Seventh Son. Era o que Aomine mais gostava de Iron Maiden, mas tinha dificuldade em falar o nome com tantos "S" juntos... Era bem engraçado vê-lo confundir tudo, mas na verdade seu inglês estava muito bom. Praticaram o idioma durante duas semanas seguidas por insistência do moreno.

– Obrigado por tentar me acalmar... – Aomine sussurrou quase inaudivelmente, depois de muito tempo.

– Oi? – Kagami provocou, desviando o olhar da tela para encará-lo. Agiu como se não tivesse ouvido, mas em sua testa estava escrito "sarcasmo" e o moreno notou.

– Eu disse, "obrigado por tentar me acalmar", ok? – Aomine resmungou em um tom de voz mais alto, enfiando o resto do chocolate na boca.

– De nada amor! – Kagami sorriu, deliciando-se com a expressão irritada dele. – Quando precisar, estou às ordens!

– É, está... Vai à merda! – Ele evitou sorrir ao perceber o sarcasmo exagerado em sua frase. – E me dá mais um chocolate.

– Claro! – Kagami riu, abrindo prontamente a mochila para pegar mais uma barra daquelas que ele tanto gostava. Quando Aomine esticou a mão, o ruivo puxou o chocolate para si e o encarou. – Mesmo sabendo que você tem medo de avião, eu ainda te amo muito, ok?

– Eu também te amo Bakagami, mesmo você sendo um babaca de primeira quando quer. – O moreno ergueu uma das sobrancelhas. – E eu não tenho medo de nada, só senti um desconforto na subida, ok?

– Certo! Aqui está seu chocolate, Sir. Desconforto. – Kagami disse ironicamente, dando a ele a barra e um selinho em seus lábios.

– Sabe aquela vontade de jogar certas pessoas em um buraco bem fundo, apenas para presenciar sua morte lenta e dolorosa? – Aomine perguntou com os olhos estreitos ao pegar o doce.

– Sei sim, foi a mesma que eu tive quando vi o lixo cheio, mesmo depois de eu ter pedido três vezes para você tirar! – O ruivo respondeu inocentemente, erguendo as sobrancelhas de forma interessada. – Mas prossiga...

Aomine nada disse, apenas permaneceu encarando Kagami de forma séria, mas logo o sorriso foi surgindo em seus lábios contra sua própria vontade. Não resistiu e começou a rir com Kagami, pois ficara completamente sem resposta.

– Meu Aho... – O ruivo sorriu divertido, estendendo uma saída do fone de ouvido para ele. – A vingança é um prato que se come frio.

– É Taiga, é! – O moreno admitiu derrotado, dando-lhe um selinho antes de colocar o fone na orelha. – Parabéns, continue assim. Você vai dominar o mundo.

– Nós dois vamos! – Kagami concordou, repetindo o gesto e pressionando o ícone do play na tela de seu celular.

Seria uma viagem longa, mas começou de forma bem divertida. Sentando-se melhor no banco, o ruivo entrelaçou os dedos com os de Aomine. Não demorou muito para apoiar a cabeça no ombro do moreno e dormir ali mesmo, sentindo o calor da bochecha dele em seus cabelos.

Todo mundo tem um medo. O maior medo de Kagami era perder Aomine Daiki. Enfrentaria aranhas, fantasmas e cachorros por ele...

***

~Aomine Daiki~

07:38

Nunca mais viajaria de avião em sua vida, ficariam ali em L.A. para sempre, apenas para não precisar entrar naquele troço novamente. Esse pensamento espocava constantemente em sua mente assim que saíram da plataforma de desembarque. Ainda sentia as turbulências do voo em seu corpo, pensou que iria morrer umas quatro mil vezes, mal conseguiu dormir em viagem... Mas Kagami jamais saberia daquilo.

De mãos dadas, os dois foram até o local onde as bagagens chegavam de forma organizada. Não demorou muito para pegarem as suas coisas e partirem em busca de Nick e Alex, elas viriam buscar os dois no aeroporto... Rezava a lenda, pelo menos.

– Só falta aquela vaca não ter acordado! – Kagami suspirou irritado, olhando para os lados em busca da irmã.

– Ela trabalha de noite também, não é? – Aomine riu, olhando ao redor. – A chance é grande.

– Mas eu mato ela, a gente marcou aqui em frente à cafeteria, 7h30min em ponto! – O ruivo estreitou os olhos. – E Alex não iria deixar isso acontecer, até pediu folga pra passar esses dias com a gente.

Aomine nada respondeu, apenas olhou ao redor em busca de uma baixinha de cabelos curtos e vermelhos e uma loura de cabelos compridos.

O ambiente do Aeroporto Internacional de Los Angeles, vulgo LAX, era parecido com o de Tóquio. Tinha quase o mesmo cheiro, os mesmos barulhos e as pessoas também pareciam ser iguais... Mas era só olhar para fora das janelas enormes de vidro e perceber a diferença gritante ao redor.

Tudo começava pela construção em si: era gigantesca, impressionante e cheia de curvas. O ambiente externo também era incomum, Aomine não sabia explicar como, mas a diferença era palpável para uma pessoa que ficou morando a vida inteira no Japão, mais precisamente em Tóquio. Agora estava do outro lado do planeta, e essa ideia fez Aomine sorrir.

Cacete, estava realmente em Los Angeles? O local onde seu Bakagami morou durante grande parte da vida... Onde as pessoas não falavam japonês... Onde passaria as férias sem preocupação nenhuma ao lado de seu namorado... E ainda por cima era a terra dos Lakers, caralho! Kobe Bryant estava ali em algum lugar, era só seu maior ídolo do basquete apesar de já ter passado de seu auge há tempos! Nem parecia real...

– Teddybear! – A voz de Nick soou de algum ponto que Aomine não viu, mas não demorou muito para sentir Kagami sendo afastado de si com violência. Um pequeno borrão preto e vermelho passou por sua frente, e agora abraçava o ruivo com força.

– Nick, sua merdinha! – Kagami sorriu mostrando os caninos ao abraçá-la com força e erguê-la no ar. – Que saudade, que saudade, que saudade!

– Ai, Teddy! – Ela ria como uma boba, enterrando o rosto no tórax do ruivo. – Nem me fale, seu idiota! Eu estava morrendo de saudade também.

– Taiga! – A voz de Alex soou lá do fundo, ela também veio correndo para abraçá-lo, mas dessa vez não beijou sua boca, apenas o envolveu animadamente em conjunto com Nick.

Era uma cena realmente legal de se ver, a saudade que sentiam era mais do que evidente. Aquilo arrancou um sorriso enorme de Aomine também, principalmente quando viu Kagami quase chorar, assim como as duas.

– E você, Nigga! – A menor sorriu de orelha a orelha, virando-se para olhá-lo, mas ainda envolvendo Taiga. – Faz tipo, uns dez anos que não te vejo pessoalmente.

– Sim, mais ou menos isso aí! – Daiki disse sem graça, ignorando o fato de ser chamado de Nigga tão naturalmente. Não gostava muito, mas teria que se acostumar com o apelido.

– Então cala a boca e me dá um abraço aqui também, cunhadinho. – Nick sorriu, já envolvendo sua cintura e o puxando para perto deles.

O moreno apenas riu e retribuiu o abraço. Gostava muito de Nick, muito mesmo. Conversavam direto por webcam e até mesmo por Whatsapp, ela vivia enchendo o saco para saber se estava cuidando direito de Taiga, se ele estava fazendo tudo o que tinha que fazer, se isso, ou aquilo... Era realmente a versão feminina de seu Bakagami.

Alex aproveitou a deixa e também o abraçou.

– Viu, hoje não precisa ficar com ciúmes! – A loura sorriu, piscando. – Não beijei ele na boca!

– Mas quem disse que sinto ciúmes disso ali? – O moreno riu ironicamente, indicando Taiga com a cabeça enquanto retribuía o abraço de Alex.

Kagami apenas deu risada de sua frase, vendo os três abraçados. Ele estava muito feliz em ter voltado, seu sorriso enorme deixava bem claro. E pensar que Kagami Taiga deixou aquilo tudo para trás apenas para ficar ao seu lado...

– Chega de melosidade! – Nick explodiu de repente abrindo os braços, mas logo enganchando-se em Aomine e em Kagami. – Tem uma mãe aflita nos esperando lá em casa! Vamos logo... Temos muito o que fazer ainda!

– Vamos sim! – O ruivo concordou, olhando feliz para Daiki, que retribuiu o sorriso na mesma intensidade. – Que saudade da minha mãe, sério mesmo!

– Ah, ela também está surtando! – Nick riu, apoiando o rosto no braço de Kagami.

– Fez até seus dois bolos de chocolate! – Alex disse, abraçando-o pelo outro lado. – E bem maiores que o comum... Acho que tem a ver com seu Nigga aí!

– É mesmo? – Kagami sorriu animado, olhando novamente para o moreno. – Esse vai ser o segundo melhor bolo que você vai comer na vida, Daiki!

– Como assim o segundo? – Nick exclamou alarmada.

– Existe uma cafeteria lá no Japão que eu e o Aho frequentamos umas duas vezes por mês. – O ruivo explicou. – Sério Nick, tem um bolo tão bom que eu até tive que admitir que é melhor que o da mamãe.

– Não fale isso na frente dela...

– Segredo de estado, ok? – Kagami pediu, com um olhar nervoso.

– Tadinha... – Alex riu. – Vou contar!

– Vai nada! – Nick a cutucou por trás das costas de Kagami. – Quer ver minha mãe entrar em deperssão e nunca mais olhar na cara do Teddy?

– Exagerada! – Kagami riu, puxando-as para mais perto de si. – Que saudade de vocês, suas idiotas.

Juntos, eles saíram do aeroporto conversando e rindo. Demoraram alguns minutos para chegar ao estacionamento gigantesco. Lá, entraram em uma caminhonete preta e enorme, que não condizia em nada com a minúscula Nick dirigindo. Era cômico na verdade... O banco ficava mais alto para ela conseguir ver as coisas à sua frente.

Aomine não pôde deixar de reparar que ela tinha o mesmo costume de Taiga, deixava a mão apoiada no câmbio enquanto dirigia. Nick era uma péssima influência, ironizou sozinho.

Sentou-se no banco de trás com a mala que dividia com Kagami, enquanto os três ficaram na frente. Queria acima de tudo que o namorado aproveitasse o tempo com sua família... Não é como se sentisse um intruso ali, mas Taiga precisava mais delas agora do que dele.

Aproveitou esse meio tempo para olhar ao redor... L.A. era uma cidade realmente fascinante. As palmeiras, sempre quis ver as ruas envoltas por aquelas gigantescas palmeiras, dava ao ambiente o ar litorâneo que não sentia desde quando era criança. Até o sol parecia diferente ali, talvez porque tinha menos poluição e ficava mais visível. A praia surgia aos poucos por entre os prédios grandes e bem construídos, e não demorou muito para aquele cheiro salgado entrar pela Pick-Up, assim como a maresia e o vento fresco.

Kagami comentara uma vez que a casa dele não ficava longe do litoral, apenas 20 minutos de caminhada. Provavelmente era isso mesmo, pois agora passavam em uma rua que ficava de frente para a praia mais bonita que o moreno já vira pessoalmente.

Ali tudo era muito foda! Vários carros que só vira em filmes passavam na rua como se fosse normal e corriqueiro... E todas as pessoas eram muito bonitas e pareciam felizes, sem tanta pressa com as coisas. Algo bem diferente do Japão onde todo mundo se atropelava para pegar um metrô... Sorriu de leve ao ver os policiais parados perto da praia, fiscalizando daquela forma sossegada de frente para o mar... Ah, e o mar! Aomine não via aquilo há anos, mal esperava para entrar naquela água com Taiga, e quem sabe realmente aprender a surfar. O pensamento o fez sorrir. Poderia viver ali tranquilamente se o ruivo quisesse...

– Não é Daiki? – Kagami virou-se e perguntou repentinamente.

– Uhm? – O moreno questionou confuso, movendo a cabeça para olhar o ruivo enquanto saía de seus devaneios.

– Tá viajando aí, Nigga? – Nick questionou, olhando-o pelo retrovisor.

– Estou olhando a paisagem! – Aomine sorriu, acariciando os cabelos de Taiga. – O que eu perdi?

– Estávamos falando sobre as conversas que você tem com a mamãe por telefone! – Kagami sorriu feliz. – Que você fica todo sem jeito no começo, mas que depois consegue falar de boa.

– Ah sim... – Aomine sorriu sem graça, vendo Alex virar-se para encará-lo também. – Mas eu vou travar hoje, acreditem!

Todos riram, até mesmo o moreno. Foi então que a ficha realmente caiu... Conheceria pessoalmente sua sogra dentro de instantes! Era quase estranho pensar que um cara de 26 anos de idade suaria frio com essa situação, mas já sentia as borboletas voarem pelo estômago.

***

– Oh, sweetheart! – Uma mulher de meia idade, ruiva e com cabelos longos correu porta afora para abraçar Kagami. Ela chorava muito, muito mesmo. – I missed you so much, my love! My little Teddybear!

– Hey mom, I missed you too! So so so much! – O ruivo exclamou, deixando as lágrimas rolarem.

O moreno observou por alguns minutos a cena, ainda sentado na caminhonete de Nick. Era impossível não sorrir vendo aquilo. Ambos choravam e riam ao mesmo tempo, tanto Taiga quanto sua mãe, que agora estava sendo erguida no ar pelo ruivo.

Uma leve e inevitável inveja bateu em seu peito. Nunca teve aquele afeto e carinho quando ainda considerava Seiko e Ethan seus pais... Balançou a cabeça e desceu do carro com um sorriso no rosto, trazendo a bolsa consigo. Aquela foi uma sensação chata que passou bem rápido, não se prendia mais à essas coisas, não se importava mais... Kagami estava feliz e era sua única e perfeita família, isso sim era a única coisa que importava!

– Então finalmente vou conhecer pessoalmente esse tal Aomine Daiki que roubou meu filho! – A mulher sorriu radiante, falando em inglês consigo. Ela ainda estava abraçada com Kagami e secava as lágrimas, mas esticava o braço para que fosse até lá. – Vem, deixa eu te abraçar também!

Aomine aproximou-se sem jeito, mas aceitou o abraço sem pensar duas vezes. Aquilo foi bom, foi muito bom na verdade. Ela tinha a mesma essência alegre de Taiga e Nick. Já havia conversado com Anette várias vezes, mas pessoalmente ela era mais encantadora ainda.

– Prazer em conhecê-la! – O moreno disse sem jeito em inglês, ao desfazerem o abraço. – Sou o Aomine Daiki que roubou o seu filho!

Todos riram da cena, inclusive Alex e Nick, que estavam abraçados na varanda da casa. Era uma construção bem bonita, com aquele mesmo ar litorâneo e americano. Nada muito grande ou diferente do tradicional.

– Você é tão bonito! – Anette sorriu, acariciando seu rosto na ponta dos pés, e olhando para Taiga em seguida. – E consegue ser maior que meu Teddy!

– Só dois centímetros! – Foi o que conseguiu dizer ao sentir o ruivo pegar sua mão, para encorajá-lo.

– Ouvi tanto sobre você, Daiki! – Ela sorriu, segurando sua mão restante, guiando-os para dentro da casa. – Espero que esteja cuidando bem do meu Taiga! Ele está, son?

– Está sim mom! – O ruivo sorriu para Daiki. – Muito bem!

– Acho que hoje é o dia mais feliz da minha vida! – A mulher exclamou emocionada, assim que entraram pela porta. – Vocês deveriam ficar aqui para sempre!

– Quem sabe um dia! – Aomine deu de ombros, olhando para Kagami. O ruivo franziu rapidamente a testa, mas sorriu em seguida.

– Traga as coisas deles para dentro, Nick! – Anette pediu para a filha, olhando em seguida para Aomine com um grande sorriso no rosto. – Seja bem-vindo à família, Daiki!

– Obrigado! – O moreno fez uma reverência, sentindo-se corar. Ela tinha o mesmo olhar intenso de Taiga, e os caninos também ficavam para fora quando sorria.

– Ah, que lindo, todo formalzinho! – Nick riu, cutucando-lhe as costelas ao passar com a bolsa de rodinhas. – Daqui há uma semana vai estar largado no sofá, arrotando com uma cerveja na mão!

– E deve fazer isso mesmo, você está em casa sweetheart! – A mãe de Kagami afirmou, voltando-se para o ruivo. – Para você eu nem preciso dizer nada, não é my love!

– Mom... – Ele sorriu, abraçando-a mais uma vez, deixando um beijo no topo de sua cabeça. – I love you!

– Love you too, my dear! – Ela sorriu, realmente feliz ao apoiar o rosto em seu tórax. – Vamos tomar café da manhã? Fiz bolo de chocolate.

– Fiquei sabendo, thanks! – Kagami sorriu mostrando os caninos, como ela. – Estou morrendo de fome, isso sem falar na saudade do seu bolo.

– Então venham! – Ela sorriu satisfeita, puxando-os pela mão. – Vem Daiki! Depois vocês podem tomar um banho e descansar um pouco.

– Descansar, claro... – Nick riu de forma sarcástica, seguindo-os de perto até a cozinha. – Eles vão dar um jeito de fazer coisinhas sem que a gente descubra.

– Nick, cala a boca! – Alex revirou os olhos, tapando a boca dela com a mão.

– Retardada! – Kagami sorriu envergonhado assim que sentou-se è mesa, trazendo Aomine para a cadeira ao seu lado. – Nunca muda!

– Só falei verdades... – A menor afirmou inocentemente ao sentar-se na cadeira da ponta, atraindo o olhar de todos.

– Nick, deixe suas bobeiras para depois! – Anette pediu, sentando-se à outra ponta da mesa com uma das sobrancelhas erguidas. – Pegue o café para mim, por favor?

– Claro... – Ela levantou-se novamente, lançando um olhar maroto para Aomine e Kagami. – Estou de olho, rapazes!

– Nick! – Alex e Anette exclamaram ao mesmo tempo, arrancando risadas ao redor da mesa.

O clima naquela casa era muito agradável. Aomine estava sentindo como se não fosse a primeira vez que entrava ali... Era algo bom! Nem mesmo em sua antiga casa se sentia tão bem. Era difícil parar de sorrir.

***

– E esse era o meu quarto! – Kagami sorriu animado, abrindo a última porta do corredor. – Vamos dormir aqui!

– Bem a sua cara! – Aomine riu, olhando ao redor. Conseguia quase sentir uma onda de Kagami Taiga bater com força em seu corpo. – Gostei...

Havia uma enorme prancha de surf, vermelha com duas listras verticais brancas, encostada à parede ao lado da cama de casal. Aquilo foi o que mais lhe chamou a atenção, já de cara... Aomine viu também vários pôsteres de diversas bandas espalhados e colados de forma milimetricamente organizada em cada parede. Um guarda roupa não muito pequeno ficava de frente para a cama de casal, e tinha vários adesivos de basquete colados ordenadamente por sua porta, principalmente dos Los Angeles Lakers, pois Taiga também era fã do time... Inclusive sua roupa de cama tinha essa temática, roxa e amarela com o enorme símbolo no meio.

– Claro que gostou! – O ruivo sorriu, abraçando-o o puxando para dentro do quarto. – Tudo aqui exala Kagami Taiga!

– Percebi! – Aomine murmurou sarcasticamente ao vê-lo fechar a porta. Kagami virou-se e o encarou com um grande sorriso. – Está feliz, não é?

– Muito! – O ruivo sorriu mais ainda, dando-lhe um beijo rápido nos lábios. – Obrigado por vir até aqui comigo, prometo que vão ser as melhores férias da sua vida.

– Claro que sim! – Aomine concordou, dando um selinho no ruivo também. – Já estão sendo, na verdade.

– Você não tá entendendo Daiki, vai ser melhor do que você imagina! – Ele disse em um tom de voz muito animado. – Bem, pelo menos eu espero que sim... É esse o objetivo!

– Como assim? – O moreno questionou, franzindo a testa ao notar a faísca que surgiu naqueles olhos rubros em sua frente. Conhecia muito bem o ruivo para saber que ele estava planejando algo.

– Surpresa! – Taiga deu mais um selinho em seus lábios, como que para finalizar o assunto.

– Bakagami, o que você está aprontando...? – O moreno sorriu, falando em um tom de voz desconfiado.

– Já disse que é surpresa. Então saiba esperar! – Ele respondeu de forma inocente. – Vamos para a praia?

– Agora? – Aomine questionou um pouco estupefato, vendo a animação do ruivo ao caminhar até a prancha.

– Claro! – Ele respondeu, como se fosse óbvio.

– Achei que a gente iria ficar por aqui no primeiro dia, para descansar da viagem, passar mais tempo com a sua família e tudo o mais...

– Está cansado? – Ele perguntou, virando-se para olhá-lo. – A gente pode ficar Aho...

– Não, capaz mesmo! – O moreno mentiu, vendo a reação automática de Taiga. Estava cansado sim, mas não deixaria isso atrapalhar o ruivo. – Vamos para a praia!

– Alex e Nick vão também! Voltaremos na hora do almoço, como sempre. – Kagami sorriu, passando a mão pela extensão da prancha em sua frente, como se estivesse verificando alguma coisa. Com um sorriso desafiador, ele virou-se para encarar Aomine. – Ou está com medo?

– Não tenho medo de nada! – O moreno estreitou os olhos, sentindo a provocação na frase.

– Claro, Sir Desconforto, então vamos logo! – Ele exclamou animado, dando as costas para a prancha e já abrindo a bolsa que estava em cima da cama. – Prefere sunga ou calção?

– Calção? – O moreno fez uma expressão confusa ao se aproximar de Taiga. A sua empolgação era evidente, parecia uma criança.

– Ok, toma! – Ele disse, tirando o objeto da mochila e entregando para Aomine. Voltou-se para a bolsa em busca de algo para vestir também. – Preciso reaprender a surfar antes de te ensinar, isso se tiver onda hoje. De manhã o mar aqui é sempre mais sossegado.

– Acho que eu não vejo o mar desde os dez anos de idade!

– Teu cú! – O ruivo parou o que estava fazendo e o olhou surpreso. – Sério?

– Sim, só fui algumas vezes para a praia quando era criança! Passava as férias no meio do mato, lembra? – Aomine deu de ombros, olhando para o calção preto de elástico em suas mãos. Aquilo com certeza ficaria caindo se entrasse na água... Ah não, tinha uma cordinha para amarrar.

– Então agora vamos todos os dias para a praia, se você quiser! – Kagami disse, já tirando a camiseta. – Até você enjoar.

– Não vou enjoar! – Aomine sorriu de canto, olhando mais uma vez para o corpo de Taiga. Amava cada detalhe, principalmente as costas... Com um suspiro, tirou a própria camiseta, tentando se controlar.

O ruivo assoviou de forma insinuante assim que se despiu. Ele lançou um olhar nada discreto para si, era muito tarado e não fazia questão nenhuma de disfarçar...

– Vamos dar um jeito de transar sem que ninguém descubra? – Kagami perguntou com um sussurro, aproximando-se devagar até encostar seus corpos.

– É, você é exatamente igual à sua irmã. – Aomine teve que rir, passando a mão pelas costas do ruivo, puxando-o para mais perto. – Mas podemos tentar...

– Já pensei em tudo, Aho! – Kagami sorriu, dando um leve beijo em seu pescoço, provocando um arrepio delicioso que desceu direto para sua virilha. – Não vamos nem fazer sujeira...

– Como? – Aomine arfou, ao sentir os dentes dele enterrarem-se em sua pele, enquanto suas mãos apertavam e acariciavam suas costas. Já sentia uma ereção se aproximar, Taiga nem precisava de muito esforço para que isso acontecesse, mesmo depois de tanto tempo juntos.

– Segredo... – Ele sussurrou em seu ouvido antes de dar-lhe um beijo necessitado nos lábios.

O moreno correspondeu à altura, inserindo a língua em sua boca com vontade, saboreando mais uma vez o gosto doce de sua carne. Não poderiam fazer nada agora e ambos sabiam, mas mesmo assim Taiga o empurrou contra a cama e deitou-se sobre seu corpo sem pensar duas vezes.

A pele de ambos se arrepiou com o toque de seus troncos nus, isso nunca mudava, mesmo depois de já terem feito sexo mais de uma centena de vezes. O moreno precisou arfar quando sentiu a coxa dele entreabrir suas pernas e tocar seu pênis de forma provocante. Kagami era muito intenso e sabia exatamente como deixar Aomine louco...

– Taiga... – Gemeu ao sentir o ruivo estender o beijo por seu queixo e então para seu pescoço.

– Shhhhh... – Kagami sorriu malicioso, olhando-o por entre os fios desorganizados da franja ruiva enquanto colocava um dos dedos na frente dos lábios, pedindo silêncio.

Taiga descia agora o beijo por seu tronco nu, depositando algumas mordidas em sua pele também. Aquilo era delicioso e causava torturantes arrepios, que insistiam em deslizar até sua ereção. Não queria parar, na verdade não conseguia... Não mais! Largou o calção e levou as mãos até a coberta dos Lakers, apertando o tecido conforme Kagami passava a língua pela sensível linha do sexo, abaixo de seu umbigo.

O moreno já abria as pernas inconscientemente, mas o jeans atrapalhava tudo. Taiga estava tão decidido, Aomine não reclamaria em revezar hoje... Adorava quando o ruivo tomava a atitude e agia daquela forma dominante. A troca era seu prêmio, sabia que ele adorava das duas formas. Na verdade os dois gostavam...

– Taiga... – Sussurrou quase inaudivelmente ao senti-lo passar a ponta do nariz em seu pênis, por cima da calça jeans. As mãos do ruivo enterravam-se em suas coxas, também por cima do tecido. – Sem tortura hoje...

– Com tortura... – O ruivo sorriu de forma sádica, abrindo o botão de sua calça com uma das mãos.

Naquele instante, ouviram duas batidas na porta. Não teve momento pior para aquilo acontecer... Mas ambos sabiam que não era hora e nem lugar para um boquete, muito menos para outras coisas! Levantaram-se rapidamente, fingindo estarem inocentemente trocando de roupa, mas o enorme volume por debaixo da cueca branca de Aomine denunciava tudo.

– Estou de olho em vocês! – Nick riu do outro lado da porta. – Já estão prontos?

– Quase! – Kagami exclamou com a voz rouca, retirando sua própria calça e já vestindo um calção vermelho e preto. Não escondeu absolutamente nada do que havia ali entre suas pernas. – Cinco minutos!

– Vish, acho que atrapalhei algo! – Ela riu, dando mais uma batida da porta antes de se afastar. – Cronometrando... Quatro minutos e cinquenta e sete... Cinquenta e seis... Cinquenta e cinco...

– Que vontade de matá-la! – O moreno murmurou com uma risada nervosa, dando um longo suspiro ao vestir o calção preto com detalhes azuis.

– A gente continua depois! – Kagami sussurrou, beijando-lhe os lábios de forma rápida e suave.

– Claro que sim! – Aomine reforçou, puxando-o para perto em abraço forte e apertado. – Apesar de eu estar bem louco para a gente revezar aqui, agora!

– Quer revezar hoje, é? – Kagami sorriu com a ideia, dando-lhe mais um selinho.

– Quero... – Ele sussurrou, encarando o ruivo intensamente.

– Vou anotar isso! – O ruivo sorriu, subindo a mão para seu rosto e acariciando-o de leve com a ponta dos dedos.

Ficaram se encarando por um bom tempo, até a adrenalina diminuir e o sorriso malicioso ser substituído por um simples sorriso feliz.

– Vamos? – Kagami perguntou, encostando o nariz de ambos.

– Vamos! – O moreno confirmou, notando a empolgação anterior voltar aos olhos de Kagami.

***

– Tá gelada! – Aomine exclamou com os olhos fechados, sentindo um arrepio enorme ao ter os pés encobertos pela água do mar.

– Deixa de ser fresco! – Nick o empurrou, fazendo-o cambalear e andar alguns passos até suas canelas ficarem imersas.

– Fresco é? – O moreno reclamou, chutando a água para molhar a cunhada. Deu risada na hora ao perceber a expressão horrorizada que surgiu em seu rosto. – Quem é fresco agora?

Ela ficava particularmente estranha com aquele biquíni preto, não por ter um corpo feio – porque não era - mas por ser branquela ao extremo. Já Alex era mais bronzeada, só que não entrava no mar por medo... Taiga em contrapartida correu empolgado e mergulhou naquela água gelada sem pensar duas vezes. Foi uma cena realmente interessante de se ver, ele ficava muito sexy mergulhando.

– Taiga, olha esse teu Nigga idiota! – Nick gritou para o ruivo que estava mais a frente.

– Parem de se enrolar e venham logo! – Ele respondeu dando risada ao perceber o que havia acontecido. – Vem Daiki!

O moreno sorriu, chutando a água mais uma vez em Nick antes de sair correndo e mergulhar por debaixo de uma onda também. Quase se arrependeu, mas quando emergiu já não sentia tanto frio, seu corpo se acostumou rápido com a temperatura da água. Nadou até Taiga, que estava como uma criança ali, mergulhando e emergindo... Não sabia que ele gostava tanto assim do litoral, teriam ido à várias praias do Japão passar alguns finais de semana se soubesse.

– Taiga! – O moreno exclamou, abraçando-o pelas costas assim que o alcançou.

– Oi! – Ele virou-se feliz, dando um beijo salgado em seus lábios. – Saudade!

– Retardado, a gente estava juntos há menos cinco minutos... – Aomine murmurou com um sorriso enorme, reparando em como ele ficava perfeito com o cabelo molhado e jogado para trás.

– Eu sei! – Ele deu de ombros, feliz. – Mas mesmo assim... Não posso sentir saudade então?

– Meu Bakagami... – Sussurrou de forma divertida, dando-lhe um novo selinho.

– Vamos nos divertir um monte aqui, eu prometo para você! – Ele exclamou feliz, puxando-o para uma abraço semi-imerso, deixando apenas o rosto dos dois para fora d'água.

– Eu sei que sim... – Sorriu satisfeito, puxando-o para seu colo. – Já estamos, não é?

– Já! – Taiga afirmou radiante, abraçando-o.

– O que mais vamos fazer hoje?

– Vamos almoçar quando chegarmos em casa, e de tarde podemos dar uma volta para você conhecer melhor o meu mundo longe de você. – Kagami riu de sua própria frase. – Quero te mostrar onde eu trabalhava e onde eu jogava basquete também... Podemos até jogar se quiser, sempre tem gente por lá. Vamos dar uma surra neles?

– Gostei da ideia! – O moreno riu triunfante, sentindo-o envolver seu tronco com as pernas. – Mas e sua família?

– Teremos bastante tempo para conversar com a minha mãe, não se preocupe com isso! – O ruivo sorriu de canto, colando o tórax de ambos. – De noite provavelmente a Alex e a Nick vão querer sair para fazer alguma coisa também...

– OK! – Aomine concordou, cuidando para não se empolgar com aquela posição que estavam debaixo d'água. Era quase difícil se concentrar em outra coisa, mas conseguiu. – O que importa é você aproveitar bem sua estadia aqui!

– Nós aproveitarmos Daiki! – O ruivo corrigiu feliz, dando mais um olhar insinuante de que estava aprontando algo. – Vai ser muito bom!

– Chega de viadagem, porque agora eu cheguei! – Nick exclamou de forma divertida, surgindo do nada. Mesmo com os pés no chão, a água batia nos ombros dela. – E a sua prancha Taiga? Era para você estar em cima dela, e não do Nigga.

– Tá vendo alguma onda por acaso? – O ruivo perguntou, olhando ao redor com uma expressão irônica. O mar estava extremamente calmo. – Você está vendo, Daiki? Porque eu não estou!

Aomine apenas balançou a cabeça rindo da cena em sua frente. A expressão de Nick foi épica quando pulou em cima de Kagami, arrancando-o à força de seu colo numa tentativa de afogá-lo. Quase conseguiu.

Com certeza se divertiriam muito ali...

***

~Kagami Taiga~

O ruivo saiu do banheiro cantarolando alguma música da banda Nickelback, enquanto terminava de secar seus cabelos com uma toalha vermelha que sua mãe separara. Estava feliz demais... Na casa de sua mãe, com sua família novamente. E Daiki estava junto!

– Sweetheart, o almoço está pronto! – Anette sorriu, vendo-o se aproximar.

– Thanks mom! – O ruivo agradeceu, dando um beijo no topo da cabeça da mulher. – E o Daiki?

– Parece que está dormindo, não quis acordá-lo. – A mulher explicou com um sorriso no rosto, já voltando para a cozinha enquanto Kagami ia até o final do corredor, para o seu antigo quarto.

Ao abrir a porta viu Daiki ainda com os cabelos úmidos do banho, dormindo tranquilamente com a toalha na mão. Ele estava bem cansado... Kagami sabia que o moreno não dormira direito na viagem por causa das leves turbulências, mas ele não admitiria aquilo nem sob tortura.

– Meu orgulhoso... – Sussurrou, sentando-se na cama ao lado dele, afastando os cabelos curtos de sua testa. – Amor, acorda...

– Hm... – Ele piscou, encolhendo-se um pouco, da maneira manhosa de sempre.

– Quer ficar dormindo? – Kagami perguntou, acariciando os cabelos azuis que caiam perto de sua nuca. – Eu deixo o almoço guardado para você!

Ele nada respondeu e nem sequer abriu os olhos, apenas acenou positivamente com a cabeça uma vez. O ruivo deu-lhe um selinho nos lábios antes de pegar a toalha molhada e deixá-lo ali, entregue ao sono. Ele ficava tão inofensivo daquela forma...

Bem... Pelo menos assim teria tempo de conversar com Alex, Nick e sua mãe sobre várias coisas... Inclusive o que viera planejando desde o ano anterior.

Notas finais
Foi um capítulo bem leve, não é? Só mais alguns episódios bestas de rotina desses dois bakas e a tão esperada viagem para Los Angeles! Depois de 3 anos, porra!!! O tempo voa na minha fanfic... Mas dessa vez sem separação nenhuma! Hahahahahaha... E está logo no fim, agora é oficial mesmo... Além desse, vai ter mais 2 ou 3 capítulos! Estou decidindo ainda... No fim vão ser três, eu sei, porque não quero acabar! Mas enfim... T_T Vamos lá xD Enfim meus anjos, gostaram? Como eu disse, foi bem básico... O outro vai ser mais legal >.< Mal espero para postá-lo, para ser franca! E outra... Descobri que adoro Los Angeles (nunca pesquisei tanto sobre lá quanto essa semana, hahahahahaha)! Um grande beijo meus lindos! Vejo vocês aqui nos comentários... Bjo bjo bjo da Lanacchi (Te amo também, Feeh) ;************************************