Inevitável

14 Incondicionalmente.


Notas iniciais
Oi oi minna! Voltei o mais rápido que pude! Tem bastante gente esperando essa continuação que eu sei!Então lá vai... Mais 10.000 palavrinhas. O próximo será menor, eu acho! ^^' ~Se atentem às datas (esse vai dar uma corridinha). ~Qualquer erro me avisem, estou revisando e postando isso às 4h da matina xD Bem meus anjos, sem mais enrolation, boa leitura a vocês! Nos vemos nos comentários.

Segunda-feira, 29 de agosto — 16h21min

~Kagami Taiga~

Era o primeiro banho que tomara desde quando Seiko saíra de sua casa.

Ha quantos dias estava trancado tentando achar uma solução? O ruivo já não sabia mais, quatro talvez...? Era domingo então? Não... Segunda... Perdera as contas de tudo, perdera a noção de espaço e tempo, perdera a vontade de fazer as coisas... Perdera parte de si.

E quantas vezes o ruivo já se levantara da cama e saíra correndo na direção da casa de Daiki decidido a mudar aquilo tudo? Duas ou três? Não lembrava mais... Algo simplesmente o impedia de passar de certo ponto. Avistava a casa, andava sufocando até lá, parava na frente do portão com qualquer objeto para atirar na janela de Aomine, mas paralisava na hora... Talvez porque fizera essas tentativas idiotas no meio da madrugada... Quem sabe por receio de simplesmente dar de cara com Ethan ou Seiko e perder os argumentos novamente... Ou por medo de fazer Aomine sofrer mais do que já estava sofrendo? Decididamente era isso, não queria vê-lo se machucar mais, mas precisava vê-lo... Conversar... Esclarecer... Se fossem romper, pelo menos que fosse da forma certa, com um diálogo e uma despedida, e não dessa forma forçada e cruel.

Kagami perdera as contas de quantas vezes ligara o computador para pesquisar. “Como impedir casamentos?”, “Casamentos arranjados no Japão”, “Legalização de um casamento”, essas eram suas buscas frequentes. O ruivo queria desesperadamente encontrar uma brecha para impedir aquela coisa ridícula e nojenta que estavam fazendo com Daiki, mas infelizmente e inacreditavelmente eles agiam de acordo com a lei. Horrorizou-se quando descobriu que existiam empresas no Japão que faziam aquele tipo de prostituição, que merda de país era aquele? Descobriu também o nome do documento que Aomine assinara: Notificação de Casamento. Quando leu que a idade mínima para um homem casar era 18 praticamente viu a luz da esperança surgir por um instante, mas na linha abaixo já constava que com autorização dos responsáveis poderia ser antes... A luz apagou.

Mesmo já tendo quase se conformado que era um inútil e que nada poderia fazer a respeito, o ruivo criou mil hipóteses em sua mente: Mataria aqueles pais filhos da puta, faria um escândalo na frente daquela casa maldita, sequestraria Daiki no meio da noite e o levaria embora para algum lugar, chamaria a polícia alegando sequestro ou qualquer outra babaquice... Apenas divagações sem sentido e que não resolveriam nada.

Até já pensara em começar a estudar em Touou, com certeza seria a atitude mais sensata das quais ele considerou. Poucos segundos de noção o fizeram parar o telefonema no qual iria cancelar sua matrícula na Seirin. Aquele dilema de machucar Daiki o impediu no minuto final, não queria vê-lo pior e preso a si, já que não poderiam ficar juntos no final. Ele iria casar. Realmente tinha que deixa-lo ir... Estava sem saída, encurralado.

Kagami não conseguia mais chorar, já não tinha mais o que vomitar, comer era raro, dormir era impossível. Só pensava, pensava e pensava e não conseguia encontrar nenhuma solução que o fizesse levantar confiante, decidido em mudar a situação.

Não se conformava, Daiki estava tão bem ao seu lado, feliz, sorridente! O ruivo o amava com todas as forças... Mas de repente Seiko chega, fala coisas duras e egoístas, o faz de alguma forma entender que Daiki precisa seguir em frente e o convence a voltar para a América! Ela era manipuladora, cheia de veneno... Mas infelizmente tinha certa razão! Provavelmente o obrigou a assinar aquela merda de acordo também... Seiko poderia repetir mil vezes que Aomine se arrependera de estar com Kagami e decidira dar um basta naquilo casando, mas o ruivo não acreditava! Aomine fora forçado, apostaria a vida nisso!

Não conseguia aceitar que existiam no mundo seres humanos tão corruptos, malignos e exagerados como Seiko e Ethan. Não precisava de tudo aquilo, toda aquela dor, aquela cena, aquela verdadeira atrocidade... Eles atingiram o fundo do poço da sanidade. Era tortura.

Não queria nem imaginar o que acontecera com Daiki, já que a mulher se recusou a falar sobre isso! Por que Kagami não estava ao lado dele naquele momento? Não se perdoaria jamais... Sabia que ele era dependente dos pais e que precisava de sua ajuda para enfrenta-los... Teria segurado sua mão até o fim, o protegeria, o levaria embora em seguida, para onde não sabia, mas o levaria... Entretanto não estava lá e simplesmente o perdera para sempre por essa falha!

O único crime foi terem amado um ao outro... Não era errado. Porra, era o seu Aho, PRECISAVA vê-lo, saber como ele estava, conversar e deixá-lo ir em seguida... O ruivo estava angustiado, sentia muita dor, nunca se acostumaria com esse afastamento. Não importava se os dois passaram apenas quatro meses juntos, era tempo o suficiente para querê-lo do seu lado pela eternidade... Mas não conseguia tornar aquilo real, por mais que tentasse.

***

Segunda-feira — 30 de agosto, 21h32min

A vibração do travesseiro fez com que Kagami acordasse assustado. Pegara no sono enquanto pensava... Não era para menos, fazia tanto tempo que não dormia.

Olhou sem grandes esperanças para o celular, mas sorriu fracamente ao ver a foto no identificador de chamadas, era sua mãe. Suspirou fundo ainda um pouco cego pela iluminação da tela, mas apertou o botão.

– Hi mom... – Cumprimentou com a voz fraca, fechando os olhos, cansado.

– Hey my love, está melhorzinho? – Aquela voz melodiosa o acalmava tanto, fazia aquilo parecer um pesadelo que agora estava sendo esquecido com um afago na nuca.

– Não muito! – Admitiu, permitindo-se sorrir da melhor forma que podia. – Não consigo mais, mom... Não consigo mais... Simplesmente não vejo mais saída... Eu o perdi... Perdi.

– My dear, sinto tanto por você! Não era para ter acontecido dessa forma. – Ela disse compassiva. – Mas existem coisas que infelizmente são assim, não é sempre que conseguimos interferir e trazer tudo para o nosso lado. Simplesmente precisamos aceitar e seguir em frente com a cabeça erguida na esperança de superar. A vida continua, my angel.

– I know... – Kagami disse, sentindo novas e silenciosas lágrimas molharem seu rosto. – Mas dói tanto! É como se eu estivesse abandonando ele naquele ninho de cobras... Eu nem sequer o vi! Quero leva-lo junto comigo para casa mom, protegê-lo e mantê-lo do meu lado para sempre!

– Sweet heart... – Ela continuou com a voz tranquila e acolhedora. – Queria tanto de ajudar, dar um conselho, uma solução para isso... Mas infelizmente não existe muita coisa a ser feita. Sei como esses assuntos são tratados no Japão, ainda mais tendo como base uma família tão rigorosa e tradicionalista a ponto de apoiar um casamento arranjado. – Ela deu uma breve pausa para tomar ar. — Honey, existem pessoas sem escrúpulos que ligam apenas para status e dinheiro, a família dele é assim. Aomine foi criado para ficar aprisionado nesse meio, o forçaram a ser dependente... Infelizmente ele não conseguiu se libertar e seguir adiante, e eu sinto tanto por vocês! Aposto que esse menino deve estar sofrendo muito agora, assim como você, e por isso também o deixou ir... No momento vocês precisam aceitar e seguir em frente.

– I love him so much, mom! – Murmurou Kagami já não se contendo mais, simplesmente deixou as lágrimas fluírem. Sua mãe era tão gentil e doce, porque Seiko não era assim também? – Eu sei que ele não ia me deixar por nada! Tenho tanto medo do que fizeram para ele... Sei que o forçaram a assinar aquilo! E o que me tortura é não saber como ele está agora! Mas tenho receio de ir atrás e machuca-lo mais ainda, e sei que vou... I don’t know what to do... I’m so confuse...

– Se você for atrás só irá piorar a situação para vocês dois, my heart! – Ela disse com o coração na mão. – Despedidas são piores, ainda mais nesse caso onde não se tem uma saída. E os pais dele não iriam permitir essa visita jamais...

– I know...– Ele chorava. – Estou tão sozinho aqui! Tão perdido...

– Converse com algum amigo em comum de vocês, apenas para saber como ele está. – Sugeriu com um tom gentil. – Mas acredito que se vocês se encontrarem será doloroso demais para ambos e a chance de se libertarem é muito menor!

– Já pensei nisso... – Kagami suspirou tentando se acalmar e pensar em algo. – Kuroko e Momoi podem ajudar... Mas sabe, olho para todos os lados, para todas as pessoas, para tudo e só consigo pensar nele... Lembro-me dos nossos momentos aqui na casa, na quadra de basquete, em qualquer lugar... Não consigo mais mom, não consigo ficar aqui... Parece tortura... It hurts so much!

– Sweet Heart, você vai conseguir seguir em frente com a cabeça erguida, tenho certeza! Você é meu menino forte e decidido, vai ficar tudo bem! O mundo sempre dá voltas! – Ela sorria, mas também chorava sentindo a dor do filho. – E logo você vai chegar aqui e vou te dar aquele abraço de urso pra fazer tudo de ruim sair daí de dentro! Apesar de que Nick me disse que você cresceu um bocado, então talvez eu leve o abraço de urso agora.

– Mom, I love you! Thanks... – Kagami disse, mordendo os lábios para controlar o choro. – I miss you so...

– I love and miss you too, sweet heart! Mal espero para quando você chegar aqui, já estou contando os dias, sabia? – Ela sorriu, tentando animá-lo. – Vou fazer aquele bolo de chocolate que você tanto gosta, com duas camadas de recheio!

– Já consigo até sentir o gosto! – Kagami sorriu fracamente, secando as lágrimas com os dedos e sentindo-as serem substituídas rapidamente. – Mas acho melhor fazer dois bolos ao invés de um só!

– Como se eu já não soubesse que você come um inteiro sozinho! – Ela disse animada. – Seu pai comentou que está com dor no bolso por causa de você e suas comilanças.

– Você tem falado com ele? – Estranhou Kagami, fungando. Ele nunca mais havia entrado em contato com o ruivo, apenas mandava o habitual e-mail sem muito conteúdo explicando sobre os orçamentos do mês, mostrando os comprovantes de pagamento da escola e coisas assim. Nem parecia um pai, para falar a verdade.

– Sim! – Ela respondeu, em tom sério. – Consegui falar com ele ontem, por um milagre, e contei a situação toda.

– Você falou pra ele sobre mim? – Perguntou Kagami, imaginando a reação de seu pai se soubesse de seu relacionamento... Ou melhor, de seu antigo relacionamento. Naquele momento o ruivo sentiu um aperto forte no peito, como doía pensar daquela forma.

– Lógico que não, my love! – Ela sorriu meiga. – Mas falei que você vai voltar para cá porque está se sentindo sozinho e dei mais algumas desculpinhas de mãe... Ele entendeu no final das contas e achou melhor, já que não pode estar presente o tempo todo! — Ela continuou a falar com aquela voz que o acalmava, era tão bom. — Admito que ele não concordou muito com o trancamento repentino da matrícula, mas dei meu jeitinho e o convenci, como sempre. Ele já está providenciando a parte burocrática com a escola e a passagem já está ok.

– Thank you mom! – Fungou Kagami, mal contendo as lágrimas novamente. Não conseguia mais falar nada, apenas chorar.

– Oh, my little teddybear, don’t cry anymore, please! – Ela pediu com um tom de voz preocupado e acolhedor.

– Teddybear? – Repetiu com dificuldade, lembrando-se de seu apelido de infância.

– Você sempre vai ser meu ursinho, mesmo com 1,90 de altura.

Kagami não pode conter um leve sorriso ao secar novamente as lágrimas incessantes e dolorosas. Talvez realmente voltar para casa fosse a melhor solução... Apenas aquela conversa com sua mãe já o fizera sorrir um pouco, quem sabe na América tivesse mais condições e suporte para superar isso tudo.

Não poderia fazer mais nada, estava de mãos atadas! Não conseguiria impedir o casamento, não teria como conversar com Aomine pessoalmente... Não o veria mais! Aquilo machucava.

Daria tudo para poder estar com Daiki naquele momento, tudo mesmo, daria um braço, metade de sua vida, qualquer coisa... Mas acabou... Por algum motivo doloroso e infeliz o relacionamento de ambos acabou. Sem mais nem menos... Sem uma explicação lógica. Apenas acabou de uma forma dolorosa e triste.

De qualquer forma falaria com Momoi e Tetsu, precisava muito saber como ele estava, se ele ficaria bem... Estava decidido, o deixaria ir! Teve uma ideia simples e a colocaria em prática para então poder voltar para casa... Seria melhor para ambos dessa forma.

***

~Aomine Daiki~

O moreno sentava-se em sua cama e olhava destroçado para a foto que tinha em mãos. Era uma cópia daquela que entregara para Kagami em seu aniversário, na barraca, na noite mais perfeita e incrível de sua vida. Aquilo parecia tão distante agora, como se tivesse sido um sonho... Talvez fosse.

Hoje estava ali, com os olhos ainda inchados de tanto chorar e com a cabeça dolorida devido a pancada que levara de seu pai no pior dia de sua existência. Os pontos incomodavam em sua sobrancelha esquerda, provavelmente caíra contra a quina de algum móvel, não perguntou a ninguém, tampouco queria saber. Não ligava muito para isso, nenhuma dor física se comparava ao que sentia por dentro. Estava tudo rompido, sentia raiva e medo...

Aomine estava sozinho, preso em uma teia de aranhas como uma mosca sendo espreitado por seus pais... Teria que permanecer ali sem se debater, firme, para que o ruivo ficasse em segurança. Depois que ele estivesse em casa levaria o bote final, conhecido como casamento.

– E como você está agora? – Sussurrou olhando para o rosto inanimado do ruivo ao seu lado na imagem. Uma silenciosa lágrima escorreu por seu rosto. — Aquela filha da puta te magoou, não é? Seiko te fez chorar, tenho certeza... Você deve estar paranoiando nesse exato momento, não é Bakagami? Deve estar...

Seiko juntara todo o tom nojento que conseguia e contara para Aomine sobre a visita na casa Kagami no dia do apocalipse, como apelidou. Ela dissera que o convenceu a sumir de suas vidas para sempre de forma fácil, Kagami iria voltar para a América o mais breve possível.

Sua mãe era uma cobra venenosa das piores. Nunca imaginou isso dela, sempre tão gentil e com aquela feição simpática, mas na verdade era um monstro manipulador e asqueroso! Passou a odiá-la de forma doentia.

Ela insistia em repetir que Kagami se sentiu na obrigação de sumir após ver que Aomine estava noivo, que o ruivo simplesmente percebeu que não havia mais espaço para ele ali e aceitara ir embora sem pestanejar. Era mentira, o moreno sabia que era mentira! Kagami não faria isso sem mais nem menos, ele o amava, não o deixaria assim tão facilmente, tentaria encontrar alguma solução apesar de não haver, mas ele tentaria. Provavelmente fora chantageado ou qualquer coisa do gênero inescrupuloso que seus pais seriam capazes.

Mas Aomine sabia também que não tinha o que fazer a respeito, infelizmente. Seria obrigado a casar e o ruivo não poderia impedir... Nada do que Kagami fizesse resolveria seu problema, ele precisava seguir em frente e o melhor talvez fosse realmente voltar para a América com sua família.

– Você vai ficar bem lá, Bakagami. – Sorriu fracamente. – Sei que você quer voltar, e deve fazer isso...

Suspirou fundo acariciando o rosto do ruivo na foto com a ponta do dedo. Só de pensar que nunca mais sentiria a textura da pele dele, o gosto daquele beijo quente e doce, o cheiro perfeito que seu corpo lindo tinha... Na verdade evitava pensar, ainda tinha esperanças de que se reencontrariam algum dia. Quando tivesse autonomia o suficiente para se divorciar Aomine o procuraria em L.A., iria para o céu e para o inferno atrás dele.

Nos últimos dias o moreno teve um bom tempo para pensar nas coisas. Realmente reparou que não sabia fazer absolutamente nada, era um inútil, uma pessoa completamente dependente que não saberia sequer sobreviver por conta própria... Fora manipulado desde pequeno por seus pais, percebeu tarde demais. Mas daria um jeito nisso, nem que morresse tentando.

Um dia ainda voltaria para Kagami Taiga como uma pessoa independente e bem resolvida, como um homem de verdade capaz de resolver seus problemas sem depender de nada e ninguém! Até casaria, mas o divórcio era uma certeza mais do que absoluta, era só esperar a hora chegar. Nem conhecia sua futura esposa, mas pretendia fazer da vida dela um inferno, ela mesma imploraria pela separação.

Puta merda, como pensar naquilo era torturante e doloroso. Um dia reveria Taiga... Um futuro distante, sem nada certo, apenas seus planos feitos às pressas, mas que dariam certo um dia. Um dia... Suspirou fundo.

– Saudades... — Sussurrou, olhando para a foto com a visão embaçada pelas lágrimas. — Saudades gigantes, Bakagami! Ainda vamos ficar juntos, eu te prometo! Fica bem enquanto isso, tá...

***

~Kuroko Tetsuya~

Quarta-feira, 31 de agosto — 18h10min.

– Kagami-kun não foi para a aula novamente! – Disse o azulado, olhando para o rosto aflito de Momoi ao seu lado. – Não atende minhas ligações e nem abre a porta de casa quando vou visita-lo... Estou realmente ficando preocupado.

– Dai-chan também não foi mais para a escola. – Ela disse, girando o copo de milk-shake em sua mão. – Hoje é aniversário dele... Tenho até medo de aparecer lá, você tinha que ver o jeito da mãe dele na quinta-feira.

– Tenho a sensação que o problema é maior do que imaginamos. – Ele disse, tomando um gole de seu milk-shake de baunilha.

– Vamos até a casa do Tai-chan agora! – A menina disse decidida, olhando-o. – Ele vai abrir aquela porta na marra e contar o que está acontecendo. Mais tarde vou ligar na casa do Dai-chan também... Eu quero ajuda-los, Tetsu-kun.

– Certo! – Sorriu Kuroko com um péssimo pressentimento. Algo muito errado aconteceu. – Nós iremos.

***

~Kagami Taiga~

O ruivo suspirou triste olhando para a folha úmida de caderno preenchida em sua frente. Relaxou o corpo e apoiou uma das pernas em cima da cadeira enquanto atirava o pescoço para trás.

– Feliz aniversário, Aho... – Disse, com um sorriso triste olhando para o teto. — Você promete que vai tentar ser feliz? Promete não é? Eu te amo, para sempre. Desculpe-me...

Depois de reler mil vezes o que escrevera naquele papel o ruivo não conseguia mais chorar, só sentia a dor e se perguntava se alguma hora se acostumaria com aquilo. Aomine iria entender que aquela seria a única forma de despedida possível entre eles... Talvez Kagami não obtivesse uma resposta, mas mesmo assim faria aquilo chegar às mãos do moreno, colocara todos os seus sentimentos naquele papel.

Suspirando, voltou a encarar a mesa e dobrou a folha em quatro partes, colocando-a dentro de um envelope improvisado. Olhou desanimado para o celular jogado em cima de sua cama, precisaria da ajuda de Kuroko uma última vez.

Aquilo o deixava mal também, o menor era seu melhor amigo no Japão, passara por tantas coisas ao lado dele: Jogaram como luz e sombra, se esforçaram com o time inteiro, riram juntos, recebera dele várias colas nas provas, tudo... E agora do nada Kagami o deixava para trás em um ato egoísta... Só conseguia pensar em Aomine, em deixa-lo seguir em frente... Estava surtando, enlouqueceria de tanto pensar.

Sabia que Kuroko o visitara algumas vezes desde que sumira da escola, ouvia as batidas na porta, mas não tinha coragem de abri-la. Ignorava suas ligações também, estava paranoico demais para aceitar um ombro amigo naquela hora, precisava achar uma solução e voltar para Aomine o mais rápido possível, só pensava naquilo... Mas agora sabia realmente que não tinha o que fazer a não ser seguir em frente. Kagami não se conformara, mas já havia aceitado a derrota. Ligaria para Kuroko, explicaria tudo e pediria desculpas por seus atos egoístas antes de se despedir.

Pouquíssimos dias eram capazes de mudar extremamente a vida de uma pessoa, ele era a prova viva disso. Não fazia nem uma semana ainda... Kagami desistira da escola na metade do percurso e consequentemente perdera o ano letivo inteiro, seu pai já efetuara o trancamento de sua matrícula, não voltaria mais para a Seirin. Retomaria as aulas na América no ano seguinte repetindo o segundo ano, sua mãe achava o melhor caminho e de certa forma o ruivo também. Foi um ato exageradíssimo, com certeza, não avisara ninguém, apenas queria ir embora o mais rápido possível...

Se arrependera, estava agindo como um covarde ao abandonar o barco dessa forma e deixar muita gente naufragando, mas seria melhor assim... O ruivo se via numa angústia sem tamanho. Estava agora sem escola, sem basquete, longe dos amigos e principalmente sem Daiki... Só queria voltar para casa e tentar superar aquilo tudo. Um verdadeiro covarde, impotente, inútil... Derrotado.

A passagem já estava comprada, viajaria no dia 09 de setembro, em menos de duas semanas. Todas as questões burocráticas de transferência de documentos estavam sendo resolvidas e acertadas por seu pai também, ele era incrível quando se tratava desse assunto, conseguia adiantar tudo... Em breve poderia voltar para L.A. sem mais problemas. Estava decidido.

Tentando ignorar aqueles pensamentos que o torturavam segundo após segundo, o ruivo levantou-se em um salto e pegou o celular na mão. Encarou a tela por alguns instantes, tentando se recordar o que queria fazer com aquilo... Kuroko, queria falar com Kuroko.

Chamou uma, duas vezes. Chegou pacientemente na sala de sua casa ouvindo o barulho repetitivo do aparelho.

– Aleluia Kagami-kun! – Kuroko atendeu com um tom de voz aliviado. – Estou tentando falar com você há séculos.

– Desculpa. — Respondeu sem real entusiasmo.

– Eu e Satsuki-chan estamos chegando em seu apartamento para conversarmos. — Ele continuou. — Poderia abrir a porta dessa vez, por favor?

– Ah, claro... – Respondeu meio sem jeito, sentando-se no sofá manchado que não suportava sequer olhar. – Hm, eu vou desligar então... É só subir, você sabe.

O menor já havia desligado. Satsuki estava junto. Levantou-se preguiçosamente e dirigiu-se novamente ao quarto para pegar o envelope, ela daria um jeito de entregá-lo a Aomine. Queria dar e ele pessoalmente, mas não deveria vê-lo. A tentação o tomou... Se esperasse em Touou talvez o encontraria e poderiam conversar.

– Não! Vai ser pior para ele. — Murmurou, balançando a cabeça. — Noivo Bakagami, seu Aho está noivo! E não é mais seu...

Tentava achar uma brecha dentro de si mesmo, uma desculpinha qualquer que o convencesse a procurar Aomine, mas sua razão esmagava totalmente a emoção o tempo todo.

Voltou silenciosamente para a sala e sentou no sofá, apenas esperando. Pediria conselhos a eles, com certeza... Quem sabe eles próprios o indicassem uma forma de ver Aomine sem machucá-lo. Precisava se despedir, até começava a pensar que seria pior se não o fizesse...

– Eu vou enlouquecer. — Sussurrou, passando a mão com força em seu rosto e finalizando com um tapa forte nas bochechas.

Não demorou muito para o barulho das batidas na porta soarem pela casa. O ruivo levantou-se imediatamente para abrir. Foi quase um alívio ver o rosto deles, estava sozinho à quase uma semana por burrice, era muito estúpido mesmo, ainda tinha amigos para ajudá-lo.

– Kagami-kun! — Saudou Kuroko, encarando-o nitidamente preocupado. Momoi também o olhava com uma expressão semelhante. Sua cara estava tão ruim assim?

– Olá! — Sorriu fracamente, dando passagem aos dois.

– Tai-chan! — Momoi o encarou chorosa assim que ele fechou a porta. — Vocês terminaram, não é?

Doeu. Doeu muito ouvir aquilo. Doeu ainda mais confirmar com um aceno de cabeça. O choro da menina invadiu o ambiente, trazendo novamente aquele aperto no peito de Kagami, aquilo quase se tornara rotina.

Não precisou dois segundos para sentir-se envolvido pelos braços dela em um aperto forte e carinhoso ao mesmo tempo. Fora o primeiro abraço desde que aquilo aconteceu, o primeiro contato físico com uma pessoa. Inconscientemente devolveu o gesto, permitindo que uma lágrima rolasse novamente por seu rosto. Abraços eram realmente bons, estava precisando tanto de um, não importava quem era, apenas precisava.

– O que aconteceu, Tai-chan? — Ela soluçava contra seu tórax. — Por que? Vocês estavam tão bem...

– Eu não sei... — Respondeu o ruivo, apertando-a com mais força, desabando novamente.

– Kagami-kun! — Murmurou Kuroko, apoiando a mão em suas costas em um gesto de consolo.

Após algum tempo a menina se acalmou e o libertou, olhando-o com lágrimas escorrendo pela bochecha. Kuroko também o encarava, nunca o tinha visto com aquela expressão, um misto de preocupação e pena.

– Vem, senta aqui! — Ela fungou, puxando-o pela mão até o sofá. — Conta tudo pra gente!

– Estamos realmente preocupados com vocês! — Comentou Kuroko, sentando-se ao lado da menina, de frente para Kagami.

– É tudo uma merda mesmo! — Disse Kagami, olhando desanimado para o rosto de ambos. — Daiki vai casar. Vai casar... E não tem nada que eu possa fazer para impedi-lo. Eu o perdi para sempre!

– Casar? — Os dois o olharam incrédulos e aflitos.

– Aquela cadela da Seiko... Como odeio aquela mulher. — Disse, abrindo o jogo e sentindo mais uma lágrima escorrer. — Tenho certeza que o obrigaram a isso depois de descobrirem sobre nós dois...

– Calma, Kagami-kun! — Pediu Kuroko, olhando boquiaberto. — Conta direito.

– É difícil... — Murmurou ao respirar fundo, tentando se controlar. Esperou dois segundos e continuou. — Estava tudo normal, eu o esperando para nossas partidas no Maji... E ele não apareceu. Foi na quinta-feira passada...

– A mãe do Dai-chan foi buscá-lo na escola nesse dia. — Comentou Momoi, fungando e secando as lágrimas com as costas das mãos. — Ela estava furiosa.

– Descobriu sobre nós dois de alguma forma, ela não me contou como... — O ruivo continuou. — Enfim, quando cheguei em casa ela estava aqui me esperando. Aquela filha da puta vai arder no inferno quando a hora dela chegar. — Suspirou fundo novamente, controlando a raiva e as lágrimas. — Ela me falou um monte de asneiras sobre o estrago que fiz na família deles, sobre a desgraça que eu e ele somos, sobre como fomos ingênuos em achar que poderíamos ficar juntos... Falou mal da minha família, disse para eu sumir da vida deles... Ela me humilhou e me deu um tapa na cara. Desgraçada! — Ele cerrou os punhos com raiva, sentindo a dor apenas ao lembrar das palavras da mulher. — Eles controlam Daiki como se fosse um brinquedo, não ligam para o que ele realmente sente, são uns malditos que só pensam em dinheiro. Monstros! E o que me mata é que nem sei como ele está agora... Não o vi mais! Ethan e Seiko o obrigaram a assinar uma merda de contrato de casamento, e ela ainda teve a coragem de me dizer que ele escolheu aquilo porque viu a burrada que fez ao começar a se relacionar comigo. Filha da puta mentirosa!

– Calma Tai-chan... — Murmurou Momoi, segurando firma em sua mão, controlando-se para não chorar novamente.

– É um cacete mesmo! — Irritou-se, sentindo novas lágrimas cortarem-lhe a face. — E sabe o que é pior? Que eu não posso fazer nada, não posso mais vê-lo, não posso me aproximar... Não posso me despedir. Sei que se eu for atrás dele vai ser pior, só vai machucá-lo mais. Porra, meu Aho está noivo, eu o perdi... O perdi para sempre. Eles praticamente o acorrentaram... — Deu uma longa pausa. — Eu estou voltando para a América no dia 09.

– Kagami-kun, você não vai fazer isso! — Exclamou Kuroko, olhando-o incrédulo.

– Não desista dele, Tai-chan! — Pediu Momoi desesperada, chorando novamente. — Você não pode deixá-lo assim! Ele precisa de você...

– Eu sei que ele precisa de mim! Eu daria minha vida para estar com ele nesse exato momento! — Exclamou o ruivo sentindo seu peito ser atravessado por algo pontiagudo e quente, a dor da inutilidade. — Eu quero levá-lo comigo, eu quero estar do lado dele até o fim da minha vida... Se eu pudesse eu explodiria aquela casa com aqueles dois dentro. Mas o que eu posso fazer agora? Não existe saída... Se eu vê-lo será pior, vai ser impossível deixá-lo... Ele precisa seguir em frente... Ele precisa... Precisa se libertar de mim e tentar viver da melhor forma possível daqui para frente.

– Não Kagami-kun! — Momoi gritou. — Ele não vai casar, ele jamais aceitaria isso, ele te ama!

– Eu sei... — Murmurou o ruivo perdendo as forças. — Eu o amo mais que tudo Momoi, e é justamente por isso que eu preciso ir... A menos que vocês vejam uma luz que eu não consegui ver. O que eu posso fazer agora? Como posso impedir isso?

Eles o encararam em silêncio, apenas perdidos em seus próprios pensamentos. Seus olhares indicavam que não havia uma resposta para aquilo.

– Aqueles filhos da puta o chantagearam, eu tenho certeza! — Murmurou enterrando o rosto em uma das mãos. — Eles o machucaram muito e eu trocaria tudo para estar com ele agora, tudo, tudo, tudo! Mas eu vi com meus próprios olhos, era a assinatura de Daiki naquele papel, ele decidiu seguir em frente... Sei que não fez porque quis, mas por algum motivo ele assinou... E agora é tarde, está dentro das leis e tudo o mais.

– Mas isso é impossível, eles não podem...

– Tanto podem quanto fizeram. — Kagami foi incisivo. — Vocês dois realmente acham que eu não estou tentando encontrar uma desculpa qualquer para sair correndo daqui e arrombar a porta daquela casa para poder vê-lo?

Eles nada responderam.

– Não está sendo nada fácil deixá-lo lá com aquelas cobras. — Murmurou, sentindo novamente as lágrimas. — Dói pra caralho, machuca. Sou um inútil, um merda... Uma criança, como Seiko disse... Estou voltando para casa para que ele possa seguir em frente sem ficar preso, entendem?

– Tai-chan... — Murmurou Momoi.

– Eu não quero que ele sofra mais ainda. — Kagami chorava copiosamente. — Me ajudem a achar uma solução, porque eu não encontrei sozinho... O que eu faço?

Silêncio novamente.

– Se eu não for embora ele vai casar do mesmo jeito, mas eu estarei aqui para piorar tudo. — Ele disse, suspirando e segurando as lágrimas. — Se eu for para a América ele estará livre para seguir em frente... Quero que ele seja feliz, entendem? Ele ainda tem a chance de ser feliz com essa esposa do caralho. — O ruivo fez uma longa pausa antes de continuar. — Não sei esse é o termo, mas eu o amo incondicionalmente... Mesmo se não formos ficar juntos eu quero que ele seja feliz. Só isso... Se eu ficar ele não vai conseguir ir adiante, eu o conheço... Ele é dependente, ele vai tentar foder com tudo, vai tornar tudo pior... Preciso deixá-lo ir...

– Eu entendo seu dilema, Kagami-kun! — Murmurou Kuroko, olhando-o compreensivo. Momoi o olhava da mesma forma, mas com lágrimas nos olhos. Eles entenderam.

– Isso sem falar que está sendo uma tortura ficar aqui. — Disse o ruivo, passando a mão nos cabelos, respirando fundo novamente. — Eu lembro de tudo o que passamos... Se eu olho para vocês aqui eu o vejo surgindo pelo corredor resmungando alguma coisa... Se eu olho para a cozinha eu lembro do nosso primeiro beijo... Não suporto meu quarto, a gente fez tanta coisa... Bem... Eu não suporto olhar para uma bola de basquete que me embrulha o estômago... Eu também não vou conseguir ficar aqui sem ele, eu estou enlouquecendo, fiquei sem tomar banho e escovar os dentes por quatro dias, eu estou pirando, não consigo mais!

– Ai Tai-chan... — Ela chorava copiosamente. — Não existe mesmo uma forma de vocês ficarem juntos?

– Se você me mostrar uma sequer eu vou ter uma dívida gigantesca com você Momoi, mal saberia como pagar. — Murmurou Kagami, olhando para os olhos rosados da menina.

Ela era esperta, poderia achar uma solução. Não estava realmente esperançoso que ela fosse dizer algo, mas esperava uma resposta da menina... Nada.

– Me sinto um covarde egoísta sabe... — Sussurrou, envergonhado. — Sinto como se estivesse abandonando ele aqui.

– Não, Kagami-kun! O que você está fazendo é o oposto da covardia e do egoísmo. — Disse Kuroko, por fim, encarando-o firme. — Você realmente o ama incondicionalmente para conseguir fazer algo assim, está colocando ele em primeiro lugar em todos os sentidos. Nesse último ato você está dando a ele a chance de ser feliz. Eu te admiro por isso. — Ele fez uma breve pausa. — Não é uma escolha fácil, mas é a certa, isso eu te garanto. Não é nada justo o que estão fazendo com Aomine-kun, estou profundamente irritado com esse casamento, com essa separação forçada de vocês, e principalmente com os pais dele. Ethan e Seiko sempre me passaram uma outra visão, mas agora os desprezo profundamente.

– Eu nunca esperei algo assim deles. — Murmurou Momoi, com uma expressão arrasada. — São dois verdadeiros monstros, estou tão preocupada com Dai-chan... Ele não foi mais para a escola, não atende o celular...

– Preciso te pedir um favor, Momoi! — Pediu Kagami, tirando a carta do bolso e evitando pensar mais no assunto. — Quando você o ver novamente, por favor, entregue isso a ele. Daiki ainda vai para a escola algum dia, ou não sei como... É minha última esperança de que ele vai seguir em frente.

– Farei isso sim, Tai-chan, eu prometo com a minha vida! — Ela disse, segurando a carta com carinho. — Eu... Eu te entendi. Eu te admiro também... Sua atitude é realmente linda e incondicional, mas... Você vai ficar bem?

– Se eu souber que ele vai seguir em frente sim... — Sussurrou, arrasado. — Se ele estiver bem eu também vou estar.

– Mas esse casamento... — Ela começou com novas lágrimas.

– Satsuki, já chega. — Kuroko disse com suavidade, apoiando a mão no ombro da moça. — Kagami-kun já tomou sua decisão, e realmente é o mais sensato, você sabe. Não adianta fazer loucuras e piorar a situação, pois não existe maneira de impedir um casamento, o certo é seguir em frente. Ajudaremos Daiki a fazer isso... Pode contar conosco, Kagami-kun!

– Eu quero realmente agradecê-los por isso. — O ruivo suspirou, controlando as lágrimas. — Vocês são realmente importantes para mim, principalmente você, Kuroko. Eu vou sentir falta...

– Nós também vamos. — Disse o azulado, com um sorriso triste. — Mas ainda tem mais uma semana e pouco pela frente, não é mesmo?

– É! — Sorriu triste.

O ruivo estava grato por ter alguém como Kuroko ao seu lado. Ele era sensato e entendeu seu ponto de vista, até mesmo a exagerada da Momoi também se mostrou centrada. Eles o compreenderam... E com certeza ajudariam Daiki a seguir em frente.

***

Segunda-Feira — 05 de agosto, 09h16min

~Aomine Daiki~

Ha quanto tempo não ia mais para a escola? Uma semana e alguns dias? Por aí! Pelo menos era melhor do que ficar trancado em seu quarto sufocando com as memórias.

– Aomine Daiki, não ouse sair de sua sala de aula, ouviu bem? — Disse Seiko, estacionando perto dos portões da escola. — Seu pai foi bem direto com você sobre o que faria se...

– Não vou atrás dele! — O moreno interrompeu, encarando-a com desprezo.

– Acho bom! — Ela respondeu com um tom de voz calmo. — 15h30min estarei aqui, não se atrase!

Sem pensar duas vezes o moreno saiu do carro e bateu a porta com força. Começou a andar em direção à escola desanimado, não estava com cabeça para aula e nem para nada. Sua vontade era sair correndo em direção à Seirin assim que o carro dela virasse a esquina, mas lógico que não o faria, não correria o risco... Seu pai realmente fora direto.

– Dai-chan!

Aquela voz familiar e escandalosa soou em algum lugar do pátio, era agradável ouvir algo que não fosse o choro de Kento ou as ordens e ameaças de seus pais. Não precisou de muito tempo para avistar Momoi correndo como uma louca em sua direção. Ela estava chorando e sorrindo ao mesmo tempo.

– Dai-chan, que bom que você veio! — Ela o abraçou com força, apertando o rosto contra seu uniforme. — Eu estava tão preocupada!

Sim, ela provavelmente já sabia de tudo, no mínimo visitara Taiga com Tetsu. O pensamento causou dor... Era tão injusto não poder mais vê-lo, injusto e cruel.

– Oi Satsuki. — Murmurou, abraçando-a também. Era bom ver alguém familiar e que realmente se importava consigo, melhor ainda era receber um abraço consolador. Foi o primeiro gesto de afeto desde a última vez que vira Taiga...

– Como você está? — Ela o olhou preocupada e chorosa, passando o dedo com cuidado perto dos pontos em sua sobrancelha. — Eu já sei de tudo, Dai-chan! Estou tão triste por vocês!

– Procuro não falar sobre isso. — Foi direto, sentindo uma dor enorme cortar seu coração.

– Dai-chan! — Ela fungou, abraçando-o de volta. — Eu queria tanto poder ajudar.

– Não existe nada que possa ser feito. — Murmurou, controlando o próprio choro, que insistia em vir de vez em quando, nunca se acostumaria com aquilo. — As pessoas estão nos olhando.

– Desculpe Dai-chan! — Ela se afastou, olhando ao redor. — Mas eu estou tão arrasada, sua mãe não me deixou falar com você, fui até sua casa, liguei... Nem no dia do seu aniversário ela me deixou falar com você!

– Relaxa Satsuki, estou aqui, não é? — Deu de ombros, derrotado.

– Dai-chan, a gente precisa tanto conversar, quero saber de tudo! — Ela o puxou decidida para o gramado mais ali do lado, onde sentaram-se num banco abaixo de uma árvore. — Como eles descobriram?

– Kento viu... — Murmurou, sem forças. — Parece que beijou um amigo na escola porque achou ser normal, minha mãe foi chamada na diretoria e... E foi assim.

– Foi pior do que eu imaginava! — A menina exclamou. — Eu não acredito nisso, vocês estavam tão felizes juntos, tão bem... Eles te forçaram a assinar, não é?

– Lógico que sim! Eu jamais largaria Taiga por nada, ainda mais para casar com uma idiota desconhecida! — Exclamou derrotado, enterrando o rosto nas mãos. — Eles ameaçaram Taiga, me colocaram contra a parede... Além de que me falaram umas boas verdades também. Sou um inútil dependente, não pude fazer nada... Tive que assinar, eles iriam fazer sabe-se lá o que com ele.

– Dai-chan, eu sinto tanto! Que espécie de monstros eles são? — Ela olhou, com novas lágrimas nos olhos.

– São dois malditos filhos da puta, os odeio tanto Satsuki, não suporto vê-los na minha frente... Mas infelizmente são meus pais.

– Eles te machucaram. — Ela olhou preocupada para sua sobrancelha.

– Ah, isso? — Ele sorriu com dificuldade, colocando o dedo em cima dos pontos. — Eu apanhei, lógico. Mas isso não dói tanto quanto aqui. — Finalizou colocando a mão no peito.

– Ah Dai-chan, não sei nem o que dizer. — Ela acariciou seu braço de forma compassiva, deixando uma nova lágrima escorrer. — O que vai fazer agora?

– Vou me casar, infelizmente. — Disse derrotado. Suspirou fundo e olhou novamente com um sorriso forçado. — E Taiga vai voltar para casa... É o melhor para ele. Até porque não suportaria vê-lo de novo sem poder abraçá-lo. Ele deve seguir em frente...

– Eu e Testu fomos visitá-lo! — Ela disse suavemente, mas um tom aflito escapou por seus lábios. — Ele vai viajar na sexta-feira!

– Sexta-feira? — Aomine exclamou incrédulo, arregalando os olhos. Sentiu-se gelar, não esperava que fosse tão cedo. Mesmo sabendo que seria pior para ambos se ele ficasse, ainda tinha esperanças de vê-lo uma última vez. A lágrima que estava segurando escapou, não conseguiu mais conter.

– Dai-chan... — Ela sussurrou, abraçando-o pela cintura, também chorando.

– Eu sei que é melhor assim... — Ele disse, tentando controlar as lágrimas, enxugando-as com a manga do uniforme. — Mas eu não quero que ele vá para longe de mim... Não quero me casar... Eu o quero aqui comigo, agora.

– Eu sei Dai-chan. — Ela falou, secando as próprias lágrimas.

O sinal melodioso da escola ecoou pelo pátio, anunciando que a primeira aula daquela manhã iria começar. Aomine suspirou fundo e levantou-se arrasado. O amor de sua vida iria para longe dele em menos de cinco dias e não poderia fazer nada para tê-lo de volta... Taiga também não teria como impedir o maldito casamento. Ambos estavam de mãos atadas, foram separados a força. Acabou.

– Dai-chan... — A menina o chamou, tirando da mochila um envelope. — Ele te mandou isso!

– O que é? — Perguntou, pegando o objeto com cuidado, como se fosse uma relíquia. Sua mão tremia, Taiga encostara naquilo...

– Não sei, é para você! — Ela sorriu pesarosa, secando as lágrimas que escapavam dos olhos rosados conforme iam em direção ao prédio da escola. — Ele te ama muito, Dai-chan, e quer que você seja feliz.

– Sem ele é impossível! — O moreno admitiu. — Mas eu quero que ele siga em frente e seja realmente feliz também... Ele sente falta de casa, vai ser o melhor para ele. Sei que ele vai ficar bem...

***

Segunda-Feira — 06 de agosto, 00h10min.

O moreno estava sentado em sua cama ha horas encarando o envelope amassado em suas mãos. Não tivera coragem de abri-lo na escola, por isso o escondera dentro da própria cueca, não queria correr o risco de perder aquilo ou ser descoberto acidentalmente por seus pais.

Tinha medo das palavras, mas num suspiro de coragem o abriu. Dentro dele havia uma carta extensa, alguns rabiscos e correções, mas era a letra de Taiga. Pôs-se a ler.

"E aí, Aho? Saudade...

Seria irônico perguntar se está tudo ok, não é? Tenho certeza que nenhum de nós está realmente bem! Mas mesmo assim quero muito saber como você está! O que fizeram com você? Eles te machucaram? Estou tão preocupado.

Caralho Daiki, por algum motivo desgraçado tivemos que nos separar à força e isso está me matando por dentro. Não está sendo nada fácil aceitar, mas o mais difícil é saber que não posso fazer absolutamente nada para mudar essa merda toda. Estou sem saída, assim como você, não é?

Quase caí de costas quando vi que você está noivo! Ainda não consigo acreditar que seus pais foram capazes de algo assim. Mas relaxa, sei que você não assinou por vontade própria, você não faria isso consigo mesmo sem um bom motivo. Sei lá, por alguma razão você precisou assinar aquela bosta e não te julgo em momento algum... Jamais. Mas está feito!

Só que do jeito que te conheço tenho certeza que pretende fazer desse casamento um inferno, não é? Você quer cagar com tudo, eu sei!

Mas já pensou alguma vez em tentar fazer isso funcionar? Sério! Não estranhe o que estou falando, por favor. Mas, sabe, já que isso nos causou tanta dor e sofrimento, o mínimo é não deixar tudo ter sido em vão... Não acha? Não podemos mais mudar isso, precisamos seguir em frente.Você pode fazer isso dar certo se quiser... Se você me convenceu a gostar de você então pode qualquer coisa! Confio em você.

Lembra de quando jogávamos Mortal Kombat e você sempre perdia? Você nunca admitia a derrota, reclamava horrores, mas ficava firme e não desistia na esperança de vencer a próxima fazendo de um modo diferente. É algo mais ou menos assim... A gente perdeu, Daiki, infelizmente. Vamos seguir em frente de cabeça erguida com esperança de que um dia conseguiremos superar isso tudo?

Não pense que está sendo fácil escrever essas coisas ou abrir mão da gente. Eu estou enlouquecendo, me sinto um completo inútil para falar bem a verdade! Mas infelizmente não temos mais o que fazer. Por algum motivo que não entendo a gente foi obrigado a se separar. Dói tanto admitir isso, mas eu não posso mais te ver! Eu sinto sua falta, amor. Me perdoe por não ter estado com você quando você mais precisou de mim, eu não estava lá ao seu lado para segurar sua mão e te defender, nos defender. E agora me desculpe por não conseguir achar uma saída para nós. Perdão por eu ser um inútil!

Sua mãe deve ter te contado que estou voltando para a América. Foi uma decisão complicada e difícil de se tomar, tive que colocar muitas coisas na balança, mas o que mais pesou foi o seu bem estar. Se eu ficar vai ser pior para nós dois e você também sabe disso. Não sabe?

Não pense em momento algum que estou te abandonando, jamais faria isso com você. Entenda que o que eu mais quero nessa vida é que você siga em frente. Você merece ser feliz Aho! Sei que você é um cara forte e vai conseguir, confio em você. Levante a cabeça e siga adiante... Só assim eu conseguirei seguir também.

Me promete que vai fazer de tudo para ser feliz? Promete, não é? Sei que sim...Você nunca me desaponta, nunca!

Ah, te peço uma última coisa antes de ir... Não faça Medicina, não combina com você. Já imaginou o tanto de gente inocente que você vai matar no meio das cirurgias? Monte do jeito que é... :D

Sei que você quer virar policial, você me disse uma vez. Enfrente o que vier e se torne um ótimo policial. Isso combina mais com você!

Feliz aniversário atrasado. Não esqueci, no último dia do mês, mas não tive oportunidade de te entregar um presente. Um dia quem sabe, se o mundo permitir.

Daiki... Tenha a certeza de que o tempo que passamos juntos foram os melhores dias de toda a minha existência. Sim, eu te amo com todas as minhas forças e vou continuar te amando incondicionalmente para o resto da minha vida. Mesmo separados vou sempre te carregar comigo, seja no chaveiro da mochila, na fita azul em minha perna ou no meu coração.

Eu me despeço aqui, infelizmente. Sinta-se abraçado com todo o meu carinho e amor, assim como no dia do nosso primeiro beijo.

Eu te amo, Aomine Daiki.

Seja feliz, por favor... Você me prometeu!

Do seu eterno Bakagami."

A reação de Aomine não veio ao terminar de ler. Só havia a dor.

***

Sexta-feira, 09 de setembro — 19h22min

~Kagami Taiga~

O táxi chegara, o porteiro acabara de anunciar pelo interfone. O ruivo deu uma última olhada no apartamento de seu pai antes de fechar permanentemente a porta. Além dos móveis, as lembranças também deveriam ter ficado trancadas ali, mas não seria o caso. Suspirou fundo e continuou seu trajeto.

– Me dê sua mochila, Kagami-kun! — Disse Kuroko, esticando o braço para ajudá-lo a levar as coisas até o elevador.

– Valeu! — Sorriu com dificuldade, pegando o resto de sua bagagem no chão do corredor após entregar o objeto a ele.

Desceram silenciosamente pelo elevador. Aquele ar de despedida deixava Kagami com um embrulho no estômago, odiava do fundo de sua alma, e dessa vez tudo estava sendo diferente. Seria para sempre.

***

Sexta-feira, 09 de setembro — 20h11min

O clima no aeroporto era o mesmo. Ar gelado, pessoas falando e andando de um lado para o outro, bipes contínuos de máquinas, cheiro de limpeza e comida. O voo de Kagami sairia as 21h30min, conforme o telão enorme no centro da sala indicava. Para variar estava completamente adiantado.

Kuroko o acompanhava o tempo todo. Esteve ao seu lado a semana inteira, o ajudou com as coisas na casa, trazia sempre pessoas para visitá-lo, até notícias de Daiki ele dava de vez em quando. Era um verdadeiro amigo, sempre o amparando e buscando animá-lo, até uma pequena festa de despedida teve com o pessoal da Seirin. Não explicara o real motivo de sua viagem, mas eles entenderam que era o certo a fazer e em momento algum o culparam por abandono ou egoísmo, apenas o apoiaram.

– Valeu Kuroko, por tudo mesmo! — Sorriu fracamente Kagami dando um tapa nas costas do amigo assim que levaram a bagagem para a esteira. — Você é uma pessoa incrível!

– Você que é, Kagami-kun! — Sorriu o menor, encarando-o. — Vai sempre entrar em contato, não é?

– Lógico! — Afirmou, assim que se sentaram no banco de espera. Ainda teriam mais de uma hora até finalmente passar pelo portão de embarque. — Sempre que possível!

– E vai virar bombeiro mesmo? — Perguntou o menor em tom divertido.

– Sim! — Afirmou, com um aceno de cabeça para reforçar. — Sempre quis! Vou começar em breve como voluntário.

– Você vai ficar bem? — Ele perguntou, olhando-o profundamente.

– Na medida do possível... — Voltou a ficar sério, sentindo aquela maldita dor no peito, nunca iria sumir. — Não estou nada bem com essa merda, não consigo aceitar... Eu precisava pelo menos me despedir direito!

– Você tentou! — Ele sussurrou, dando-lhe um leve tapa nas costas.

– Kagami-kun! — Uma voz familiar soou em suas costas. Olhou rapidamente e se deparou com Hyuuga, Riko, Izuki, Mitobe, Koga e Furihata.

– Ah cara, vocês vieram! — Ele sorriu, sentindo uma pontada no peito.

– Não iríamos deixar você ir embora sem mais uma despedida, seu baka! — Falou Riko, sentando-se ao lado deles. Kagami jurou ter visto ela e Hyuuga de mãos dadas, mas nada disse.

O grupo aguardava a hora passar, estavam sentados conversando sobre os tempos bons da escola, do basquete, do primeiro campeonato que jogaram juntos, da WinterCup... O tempo passava e a hora de ir se aproximava cada vez mais.

– Tetsu-kun, Tai-chan! — A voz estridente de Momoi soou em algum lugar distante. — Olha, eles estão ali!

Kagami olhou para trás, já imaginando a menina correr como uma louca na direção do banco. Só não esperava que ela estivesse acompanhada. Levantou-se imediatamente, era quase cômico. Midorima Shintarou, Kazunari Takao, Kise Ryouta, Atsushi Murasakibara e Himuro Tatsuya estavam com ela.

– Tai-chan! — Ela gritou, abraçando-o com força. Balançando a cabeça ele retribuiu o abraço enquanto via os outros se aproximarem.

– Então o Kagami-chii realmente está indo para casa? — O loiro fez um biquinho, indo em sua direção para abraçá-lo. O ruivo pensou em se desviar, mas ficou ali e retribuiu rapidamente o gesto.

– Vai tarde! — Falou Midorima, ajeitando os óculos de forma discpliscente, como sempre.

– Cruel, Shin-chan! — Disse Takao, repreendendo o maior e voltando a olhar para o ruivo, confuso. — Onde esta o Aomine-chan?

– Ele não vem! — Respondeu Kuroko, dando um passo a frente. — Está ocupado hoje.

– Ah, que pena! — Takao respondeu com uma expressão triste.

Kagami sabia que ele era esperto. Desde a final do Interescolar ele tinha noção de que Taiga e Daiki estavam juntos, provavelmente notou a indelicadeza da sua pergunta e percebeu na hora que eles estavam separados. Sorriu desconfortável e segurou impulsivamente a mão de Midorima, que não desviou-se do gesto, simplesmente a retribuiu. Então eles estavam juntos... A inveja bateu em Kagami, assim como a dor, mas logo foi desviado do casal para olhar seu irmão.

– Vai para casa então, Taiga? — Ele sorriu, aproximando-se.

– Sim, já está na hora! — Sorriu fracamente, arranjando a melhor desculpa que conseguiu. — Não me habituei novamente com o Japão, sinto falta das coisas em L.A.

– Hmmmmm, que saco! — Atsushi murmurou, olhando para os lados. — Boa viagem então.

– Valeu Murasakibara! — Agradeceu, encarando o titã em sua frente.

Não pode deixar de sentir um misto de tristeza e felicidade. Bastante gente compareceu em seu embarque, mas quem ele mais queria e precisava com certeza não viria. Não tinha nem esperanças na verdade, apenas tentou aceitar que era o fim. Todos conversaram por mais algum tempo até a voz feminina ecoar pelo aeroporto anunciando que os passageiros do voo para L.A deveriam dirigir-se ao portão de embarque. Já era 21h10min, estava na hora de dar adeus.

Se despediu de todos com um abraço caloroso, principalmente de Kuroko. Estava fazendo de tudo para que suas lágrimas ficassem escondidas. Sentia vontade de chorar por dar adeus àquelas pessoas, muitas delas super importantes em sua vida, outras nem tanto. Mas queria chorar principalmente por estar realmente indo embora da vida de Aomine. Aquilo o matava, o destroçava, o fazia diminuir-se tanto que poderia sumir no mundo para sempre. Podiam até negar, mas era um covarde, um merda, um perdedor.

– Tai-chan! — Chamou Momoi, com o rosto cheio de lágrimas assim que se afastaram. Ela pegava algo do bolso. — Isso é para você!

Taiga sabia o que era. Não conseguiu mais, simplesmente deixou as lágrimas fluírem. Era o envelope com a resposta de Daiki. Pegou o objeto com cuidado, apertando-o contra o coração. Tinha medo do que estava escrito ali, sabia que aquilo era a despedida dele. Com muita cautela guardou em seu bolso mais seguro, teria algumas horas de viagem para ler e reler.

– Obrigado por tudo. — Foi o que conseguiu dizer, fungando. — Adeus galera! A gente se vê por aí!

Uma salva de "adeus" e "até logo" veio em seguida, assim que começou a se afastar com a mochila nas costas. Acenou uma última vez enquanto aproximava-se pacientemente da fila para o identificador de metais. As lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Prometeu a si mesmo que não olharia para trás, jamais olharia para trás, precisava seguir em frente...

~Aomine Daiki~

– Não ouse gritar! — Seiko disse, segurando-o firme pela manga.

– Por favor, mãe, deixe-me ir até lá! — Aomine chorava, olhando fixamente para Taiga na fila do identificador de metais. — Prometi que vou fazer tudo conforme vocês querem daqui para frente. Prometi que vou casar e fazer isso dar certo, eu juro que vou fazer dar certo... Nunca mais peço nada a vocês. Por favor mãe, eu te imploro. Só mais isso!

– Não Daiki! — Ela dizia inexpressiva, olhando também para o portão de embarque. — É melhor assim para vocês dois.

– Eu te imploro! — O moreno falou, olhando-a pesaroso, mordendo os lábios. Era sua última chance de se despedir, de ver o olhar dele por uma última vez. — Eu nunca mais o verei mãe. Nunca mais vou te incomodar com isso, esse assunto vai morrer para sempre, eu juro... Não me torture tanto...

Seiko o encarou por alguns instantes, avaliando-o.

– Seja discreto, não grite e novamente te peço que jamais deixe seu pai saber que estivemos aqui! — Disse ela arrependida. Soltou sua manga de forma relutante.

– Obrigado! — Disse, apesar de odiá-la do fundo da alma. Sem pensar duas vezes o moreno correu com toda a velocidade que conseguiu, desviando-se e esbarrando nas pessoas.

Taiga já havia sido vistoriado pelo identificador de metais, esperava a verificação de sua mochila. Precisava ir mais rápido, precisava chegar a tempo, em segundos ele iria sumir pela porta... As lágrimas ficavam para trás, sendo jogadas pelo vento que batia em seu rosto. A dor aumentava a cada instante, mas não ligava para isso, depois daria um jeito em sua vida e seguiria em frente com a cabeça erguida, conforme ele pedira.

– TAIGA! — Gritou, ao vê-lo atravessar as outras portas e seguir pelo longo corredor de vidro em uma fila.

Todos ali naquele aeroporto o olhavam, parte da Geração dos Milagres, parte da Seirin, todos. Não ligava para mais nada, sabia que receberia uma nova bronca por ter gritado e não ter sido nada discreto, mas não ligava. Pelo menos um abraço... Um mísero abraço. Ele já sumia pelo corredor, provavelmente não podia mais ouvi-lo e em segundos não o veria também... Era tarde, se atrasara.

– Dai-chan! — Satsuki exclamou incrédula e chorando assim que passou correndo por eles.

– TAIGA! — Gritou mais uma vez assim que chegou ao limite dos portões. Foi barrado por um segurança, que o olhava de forma severa, apoiando a mão em seu peito.

– Você não pode passar! — Ele disse.

– Olha pra trás, Taiga. — Murmurou, ignorando o homem que o parara. — Por favor, pelo menos acene para mim...

O ruivo continuou seu caminho e virou o último corredor à esquerda, mas era muito longe, já não podia mais ouví-lo. Em sua frente, a poucos passos, estava a porta que os separaria para sempre. Muita gente o acompanhava naquela fila, era um corredor pequeno e estava apertado, pareciam se empurrar lá dentro. Ele chorava e aquilo partia o coração de Daiki.

– TAIGA! — Urrou com toda sua voz, aproximando-se do vidro. Haviam várias paredes iguais e transparentes os separando. Ele estava num corredor lá dentro, lá no fundo... Lá longe. Muitas pessoas estavam bloqueando o caminho também. Ele não o veria mais...

Ele não o ouviu, não o viu... Apenas seguiu em frente e sumiu pelo portão de embarque. Aomine esmoreceu ali mesmo. Não sabia o que estava esperando na verdade, iria apenas dificultar a partida do outro, seu impulso poderia tê-lo machucado mais ainda. Fechou os olhos, derrotado. Mas era melhor assim, ele leria sua carta e seguiria em frente. Faria o mesmo de agora em diante.

***

Sexta-feira, 09 de setembro — 22h45min — Durante o voo.

~Kagami Taiga~

"E aí, Bakagami! Saudade é pouco...

Eu não estou bem, mas vou ficar um dia, assim como você, não é?
Vamos seguir em frente! Eu como policial, você como bombeiro! Dois bonitões de uniforme, do jeito que combinamos! :D

Eles me machucaram um pouco fisicamente, nada anormal, mas a dor maior está aqui dentro, provavelmente é a mesma que a sua, sabe? Eles me afastaram de você, arrancaram a minha metade, tiraram o amor da minha vida. Não está fácil! Estou enjaulado, mal posso sair do meu quarto por enquanto, mas já voltei à escola... É um começo.

Não consigo acreditar que isso está acontecendo, não me conformo com essa sacanagem da vida. E realmente estamos sem saída, não importa onde eu olhe, não vejo como fazer dar certo para nós dois. Me desculpe por não conseguir ser mais forte, por não conseguir resistir... Fui forçado a assinar, jamais faria isso com a gente, você sabe! Eles jogaram sujo, mas não vou entrar em detalhes. Como você disse, está feito.

Você me conhece tão bem, Bakagami! Eu, nesse exato momento, quero que minha noiva exploda e morra, assim como minha família inteira. Mas eu te entendo. Não considerei levar essa merda a sério, não mesmo. Será que vai dar certo? Eu não vou conseguir amar outra pessoa, muito menos essa mulher. Não sei se quero tentar. Mas vou fazer de tudo para seguir em frente com essa porcaria, nossa dor não vai ser em vão, promessa!

Eu vou ficar bem, vou tentar ser feliz da maneira que me foi concedida. Infelizmente não foi ao seu lado, e isso me mata, me corrói Taiga. Mas vamos em frente... Juntos e separados.

Não vou parar de repetir, você só ganhava de mim porque insistia em jogar com o Scorpion... Perdemos porque fizemos uma escolha na hora errada? Posso usar essa analogia? Mas agora fomos forçados a ir por outro caminho e podemos continuar a nossa vida. Vamos tentar então?

Eu também quero que você seja feliz Taiga, e sei que você vai! Meu Bakagami não me desaponta nunca, sempre me surpreende e me assusta!
Você é paranoico, deve estar morrendo de pensar agora, mas não precisa... Eu vou ficar bem! Promessa de Aho!

Porra Taiga, está sendo mais difícil do que parece. Eu queria voltar no tempo com a cabeça que estou agora, a gente faria diferente. Pensaria numa fuga desde o começo ou começaria a se virar juntos. Não adianta se lamentar agora.

Não se culpe por nada disso, não tem motivos para você pedir perdão! E sei que você não está me abandonando! Você precisa seguir com sua vida lá na América, ficar aqui deve ser torturante. Sei que sente falta de lá, mande lembranças para a Nick e para a Alex. E fique bem, por favor. Também vou ficar, te juro!

Seja feliz, meu eterno paranoico. Não pense mais nisso um instante sequer, leve com você todas as nossas lembranças boas, assim como eu estou tentando fazer. Obrigado por sua carta, me ajudou mesmo. Sem isso eu não conseguiria seguir em frente.Você é perfeito Taiga.

EU TE AMO, BAKAGAMI, TE AMO, TE AMO, TE AMO! Posso estar casado, solteiro, morto ou vivo, não importa, você sempre estará comigo. A fitinha continuará em minha perna até a morte, assim como você no meu coração e em minhas lembranças.

Boa viagem, meu amor! Seja feliz, eu juro que também serei. E prometo que escovarei os dentes antes e depois do café da manhã todos os dias :D

A gente se vê por aí, quando o mundo permitir.

Seu eterno Aho."

Notas finais
Ai gente! E agora? =/ O que acharam do capítulo??? O que será que vai acontecer daqui para frente? Logo logo sai a continuação! Comentem viu, PRECISO saber o que vocês estão sentindo! Eu pessoalmente estou triste pra caralho T_T Bjo bjo bjo da Lana-chan!