Inevitável

25 Posso me declarar para você?


Notas iniciais
Oi genteeeeeeeeeee linda! Mais um capítulo compridinho para vocês lerem! o/ Espero que gostem, de coração! Vamos novamente para Los Angeles? Vamos o/ Vejo vocês lá em baixo nas considerações finais e nos comentários meus anjos! Beijo beijo beijo da Lana-chan! Boa leitura xD

Sábado, 22 de julho — 11h23min

~Aomine Daiki~

O moreno havia despertado, mas evitou abrir os olhos ao perceber as coisas ao seu redor. Tinha a sensação de que dormiu até tarde e isso era ruim, pois tudo parecia estar andando mais rápido do que o normal. Já era sábado e nem viu os dias passarem...

Essa viagem para L.A. estava sendo mais do que perfeita na opinião de Aomine. Taiga era extremamente atencioso consigo, mesmo dividindo seu tempo com a família... E isso sim era uma família de verdade! Daiki já se sentia parte dela, principalmente por Anette tê-lo acolhido tão bem desde o dia que chegaram. Já conversara com a sogra em diversas ocasiões sobre os mais variados assuntos, tanto bons quanto ruins. Ela era muito querida mesmo e sabia ouvir com paciência e atenção... Nick e Alex por sua vez, eram duas retardadas. Claro que ambas tinham seus momentos de maturidade para uma boa conversa, e isso era incrível e bem inesperado depois da postura infantil que elas insistiam em demonstrar.

Já foram a tantos lugares naquela cidade... Praticamente não paravam em casa!

No primeiro dia visitaram brevemente o local onde Kagami trabalhava, ele queria rever os amigos. A Sede dos Bombeiros de Los Angeles era ligeiramente menor que a de Tóquio, parecia ser só uma bipartição da central, ou algo assim. Lá, Kagami reencontrou bastante gente e fez questão de apresentar seus antigos colegas: Havia uma secretária morena que ele insistia em chamar de Uhura, mais alguns carinhas que não recordava o nome, e um tal de Zack, que namorava o Benji... O maldito Benji! Taiga falara sobre ele algumas vezes e Aomine já não foi com a cara do baixinho na hora que o encontrou. Para começar, não gostava da forma que o nome "Benji" saia bela boca de Taiga, poderia muito bem chamá-lo de Benjamin, mas tudo bem... O tal rapaz era "americanamente" bonito e tinha um jeito idiota de agir com Kagami, abraçando-o exageradamente, chamando-o de "grandão", sorrindo demais e essas coisas todas. Isso sem falar que ele mal olhou na cara de Daiki, agiu como se o moreno nem estivesse ali. Por sorte não demoraram muito tempo naquele lugar... Himuro Tatsuya ganhou uma companhia na parte secreta e ciumenta da cabeça de Aomine!

Os dois foram também até a quadra de basquete algumas vezes durante esses dias, e realmente deram uma surra nos vários jovens que lá jogavam... Se tornaram inclusive celebridades instantâneas no local, reunindo um bom público para assistir as diversas partidas para as quais foram desafiados. Era apenas os dois contra quem quisesse jogar, mas ninguém podia com Taiga e Daiki no mesmo time, eram simplesmente muito fodas em conjunto! Deu para se divertir bastante. Basquete era sempre bom!

Aomine também aprendera a surfar, depois de muita insistência! A prancha era enorme, só para começar... Não era como aquelas pontiagudas e finas, mais comuns. Ela era arredondada nas pontas e um pouco mais alta que o ruivo, consequentemente era mais pesada e grossa... Mas nos pés de Taiga aquilo parecia um simples skate, devido à facilidade que ele tinha em manobrá-la. Kagami era realmente muito bom no esporte, isso sem falar que ficava muito, mas muito gostoso e sexy se exibindo para Aomine lá no meio das ondas... O ruivo inclusive era um ótimo professor! Quando Daiki começou suas tentativas, riu muito, se estressou muito, quase quebrou a prancha nas costas de Taiga, quase fez o objeto voar mar adentro para nunca mais aparecer, quase se afogou e até mesmo cortou a perna sabe-se lá como... Mas depois de vários dias insistentemente indo à praia de manhã e de tarde, conseguiu se equilibrar no maldito objeto e já era capaz de pegar as ondas menores. Até o final da viagem faria igual a Kagami e se exibiria para ele também. Faria até melhor, se possível!

Los Angeles era uma cidade com milhões de lugares para se frequentar durante a noite! Foram em alguns barzinhos muito legais e temáticos com Alex e Nick. Elas eram uma ótima companhia quando não estavam sendo retardadas ao extremo. Tinham vários assuntos interessantes e eram bem inteligentes mesmo! Alex deixou o basquete por um problema de visão e então se formou em Química, já Nick trabalhava há anos em uma renomada escola de idiomas até as 23h, ensinando Japonês, Francês, Alemão e Espanhol... Isso realmente surpreendeu Daiki, nunca havia perguntado à Taiga o que ela fazia.

No terceiro dia em L.A., os quatro foram almoçar em uma lanchonete com a decoração mais foda e bem feita que Aomine já viu, respeitando a temática "Futebol americano". Lá, tanto Daiki quanto Taiga comeram um hambúrguer gigantesco, o Big Joe... Era o desafio da casa! Se a pessoa conseguisse comer até o último pedaço sem ajuda de ninguém, não precisaria pagar por mais nada durante um ano inteiro! Claro que eles conseguiram, mas estavam mais interessados na competição interna de quem conseguiria ingerir aquilo mais rápido... Nunca admitiria a vitória de Kagami. Nunca!

Os quatro foram também em uma grande casa de shows, onde uma banda que Nick e Taiga gostavam estava se apresentando... Algo como Arch Enemy! Era realmente interessante e diferente ver uma mulher, com cabelos azuis e muito bonita, cantando daquela forma estranha e masculina. Já havia escutado aquelas músicas em CD's, mas sempre imaginou ser um homem no vocal. Aomine gostou de verdade... Taiga nem se fala! Mas quem mais surpreendeu foi Nick, que insistiu em subir nas costas do ruivo para ver melhor... Só faltou se jogar no palco para abraçar a vocalista.

Pensando bem, o tempo estava passando normalmente, eles que não paravam quietos um instante sequer em Los Angeles...

Aomine riu baixinho com o pensamento, tateando a cama em busca de Kagami, queria abraçá-lo. Estranhou não acordar com a mão dele apoiada bem no meio de seu rosto, pois isso era mais do que comum quando o ruivo estava realmente cansado. Pela forma que ele capotou na madrugada anterior era quase uma certeza que seria assim... Mas a mão dele não estava ali, e nem seu corpo, e nem nada.

– Taiga? – Murmurou sonolento, abrindo lentamente os olhos para se acostumar aos poucos com a iluminação que entrava pela janela.

Nada do ruivo na cama. Ele já deve ter levantado, mas não quis acordá-lo... Ou não conseguiu. Ficaram até tarde conversando na noite passada, beberam um monte com Nick e Alex e ainda por cima transaram antes de dormir... Não era para menos ficar desmaiado até tarde.

Aomine sentou-se no colchão e olhou para o relógio ao seu lado, já era quase 11h30min, realmente dormira demais! Após passar a mão na frente do rosto para despertar, desceu os olhos para o chão ao lado da cama. As camisinhas que usaram na noite passada não estavam mais ali. Taiga provavelmente ajuntara e já jogara fora.

Novamente teve que rir sozinho. Chegava a ser cômico os dois tentando não fazer barulho durante o sexo, isso sem falar que estavam gastando duas camisinhas por vez, uma para cada um. Aomine particularmente não gostava de usar aquilo, não conseguia sentir Kagami direito, mas era um mal necessário para não sujarem nada ali no quarto. Tinham milhões de lençóis manchados no apartamento do Japão, mas fazer isso na casa da sogra era foda.

Bocejou e se espreguiçou mais uma vez, olhando ao redor em busca de suas roupas. Foi então que o moreno reparou que havia uma pequena barra de chocolate e um bilhete no travesseiro do ruivo. Franziu a testa de forma surpresa, o sorriso foi inevitável.

– Que viadagem bonitinha, Bakagami! – Teve que rir ao pegar os objetos com carinho e desdobrar o bilhete para ler.

"Bom dia Aho! Te espero na frente do Staples Center, às 19h em ponto! Não se atrase. Te amo muito!"

– Quê? – Resmungou em voz alta, relendo mais duas vezes as palavras confusas. Era muita informação estranha para uma manhã.

Isso significava que não veria Taiga até as 19h? E o que diabos era Staples Center? Não era um nome desconhecido, mas não conseguia relacionar com nada agora... Distraidamente, Aomine abriu o chocolate e começou a comer automaticamente o doce, talvez assim sua cabeça funcionasse melhor.

Aomine permaneceu sentado nu na cama, tentando entender o que ele quisera dizer com aquilo... Não estava realmente gostando da falta de respostas.

***

11:52

– Achei que nunca mais iria levantar! – Nick sorriu debochada ao vê-lo surgir pelo corredor. Ela estava arrumando a mesa, mas só colocava três pratos ao invés dos habituais cinco. – Dormiu bem?

– Bem demais até! – Admitiu distraidamente. Olhou ao redor em busca de Taiga, mas apenas encontrou Anette se aproximando.

– Good morning, sweet heart! – Ela sorriu, olhando para o moreno assim que chegou com os copos para colocar na mesa. Só três também.

– Bom dia! – O moreno sorriu ao receber um afago carinhoso no braço. Ela era simplesmente muito querida. Parecia realmente tratá-lo como um filho, principalmente depois de ouvir sua versão da história com Ethan e Seiko.

– Procurando o Teddybear? – Anette questionou, encarando-o com um meio sorriso. Ele acenou com a cabeça, ainda olhando ao redor, mas ela continuou: – Acho que vai ver ele só de noite, não é Nick?

– Sim! – A menor respondeu animada, seguindo a mãe até a cozinha novamente. Elas tinham o mesmo olhar de Taiga quando estava aprontando.

– Como assim? – Aomine perguntou um pouco impaciente. Parecia ser o único que não sabia o que estava acontecendo ali.

– Relaxa! – Nick virou-se e deu-lhe uma piscadela. – Surpresa do Teddy, você vai gostar!

– Sei... – O moreno estreitou os olhos, relendo o bilhete em sua mão. Surpresa do Teddy... Tinha medo de surpresas do Teddy.

– Deixa eu ver... – Anette se aproximou com uma panela, olhando para o papel em suas mãos. Ela riu assim que terminou a leitura e olhou para a filha. – Eles realmente vão no Staples, Nick! Teddy falou sério!

– O que você fez com o meu irmão pão-duro? – Ela perguntou boquiaberta, aproximando-se bem rápido para ler o bilhete também. Começou a rir, abraçando Aomine em seguida, parecia feliz demais.

– Ei, vocês podem me explicar o que é isso? – O moreno pediu erguendo e agitando o bilhete impacientemente, enquanto olhava de uma para a outra.

– Você vai ver com seus próprios olhos, sweetheart! – Anette sorriu animada, acariciando novamente seu braço. – Vamos almoçar?

– Vamos! – Nick sorriu, enganchando-se em seu braço para que fosse até a mesa e se sentasse, ao invés de ficar buscando explicações que não teria. – Hoje vou tratar de deixar você bem gato para o meu maninho!

– Hm... – O moreno suspirou, amaldiçoando Taiga por deixá-lo às cegas, apenas com uma informação estranha. E ainda por cima sob os cuidados de Nick. Poderiam muito bem ter acordado cedo e ido para a praia, jogado basquete durante a tarde e saído para qualquer lugar a noite, como sempre. – E a Alex?

– Saiu com o Taiga! – Nick explicou vagamente, olhando-o com um sorriso suspeito.

– Vocês poderiam me explicar pelo menos alguma coisa? – Aomine pediu novamente, olhando de uma para a outra de forma esperançosa, mas na verdade estava quase se irritando com aquele mistério todo.

– Não! – Elas responderam com um sorriso idêntico, já colocando a comida no prato. Foi impossível não rir da cena.

Droga... Não estava gostando disso. Mataria Taiga quando o encontrasse. Não sabia nem onde ficava o tal do Staples Center, e muito menos como chegaria lá...

***

14:04

The Big Bang Theory era sempre legal de assistir, mesmo já tendo visto aquele mesmo episódio umas vinte vezes com Taiga. Era a série preferida de ambos, e hoje por sorte estava passando um especial de duas horas na TV. Pelo menos assim o tempo passaria mais rápido e finalmente chegaria as 19h. A verdade é que já sentia falta de seu Bakagami e queria vê-lo logo.

– Achei você, Nigga! – Nick exclamou de repente, assim que o viu sentado no sofá assistindo televisão. – O que está passando de bom aí?

– Big Bang! – Respondeu prontamente, olhando para a cunhada que se sentou ao seu lado e lhe entregou um copo de suco, muito bem vindo por sinal. – Valeu! Tem mais uma hora do especial ainda!

– Ótimo! Amo o Sheldon... Me lembra muito a Alex quando começou a fazer faculdade de Química, toda metida a nerd! – Ela sorriu feliz, colocando uma almofada em cima das pernas cruzadas. – Depois vamos sair para dar uma volta? Fiquei sabendo que você gosta de café!

– Vamos sim! – Concordou, sem pensar duas vezes. Café era uma palavra mágica.

– Preciso conversar com você sobre algumas coisas também! – Ela sorriu, pegando o controle e aumentando um pouco o volume. – E ainda temos que achar uma roupa decente para você vestir!

– Minhas roupas são decentes! – Aomine ergueu uma das sobrancelhas, olhando de esguelha para a cunhada ao seu lado.

– Então roupas mais decentes! – Ela sorriu, sem desviar o olhar da televisão, tomando um gole de seu próprio suco.

***

16:26

– Já deu, né? – O moreno perguntou, olhando para a milésima combinação de roupas que Nick trazia ao provador daquela gigante loja no Shopping.

A cunhada parecia Satsuki desse jeito. Chegava a dar calafrios apenas ao lembrar das intermináveis compras que fazia com a amiga. Sorte que Kuroko tomou seu lugar assim que começou a namorá-la... E também parou de acompanhá-la porque teve que casar, lógico. Yuuri jamais teria permitido que Aomine saísse sozinho com Momoi, odiava a menina do fundo da alma. Um novo calafrio passou por seu corpo ao lembrar daqueles tempos ruins... Que ficasse lá no passado.

– Quase... – Nick estreitou os olhos, analisando-o dos pés a cabeça. – Coloca essa calça aqui, acho que vai combinar mais!

– Hmm... – Resmungou, pegando a peça de roupa da mão dela e fechando a porta.

Sem muita paciência, substituiu o oitavo jeans seguido, colocando a peça "descartada" no cabide ao lado. Vestiu a calça clara e se olhou no espelho. Ok, ficava bonito com qualquer roupa, não tinha como discutir, mas aquela calça realmente combinou mais. Na verdade Aomine já tinha ficado contente com a primeira combinação de roupas que vestiu, mas Nick era tão chata...

– Agora está bom, né? – O moreno perguntou, abrindo novamente a porta e encarando a cunhada, esperando seu aval.

– Perfeito! – Nick o olhou dos pés a cabeça com as sobrancelhas levantadas. – Está um gostoso na verdade!

– Oe! – Ergueu uma das sobrancelhas, rindo da reação da cunhada. Foi bem inesperado.

Sabia que era um gostoso, mas era estranho ouvir isso de uma mulher, ainda mais vindo dela. Gostava mais quando Taiga sussurrava aquilo em seu ouvido, principalmente quando não vestiam absolutamente nada. Conseguia arrepiar-se só de lembrar.

– Ok! Anda logo com isso! – Ela sorriu, batendo uma palma em sinal de animação e pressa ao mesmo tempo. – Temos que tomar café e vazar para casa para você tomar um banho decente! Você não vai querer chegar atrasado no Staples, não é?

– Me diga você! – O moreno ergueu as sobrancelhas, entregando a pilha de roupas "descartadas" para Nick. – Não faço ideia do que é o Staples e muito menos do que vou encontrar lá!

– Quando eu te deixar lá na frente você vai se ligar na hora e vai sorrir como um bobinho! – Ela disse, já se afastando com as roupas. – Anda logo, gostoso!

– Idiota! – Riu, fechando novamente a porta.

Se olhou mais uma vez no espelho, apenas para confirmar se Taiga realmente iria gostar. Claro que iria, o ruivo vivia repetindo que gostava do contraste de sua pele com os tons claros. Vestia uma camiseta branca com alguns detalhes em um cinza bem fraco, calça jeans de um azul claro e uma jaqueta preta bem leve e legal por cima de tudo. Era simples, mas era o jeito despojado dos dois... Isso nunca iria mudar, apesar de Nick tentar enfiar uma camisa social ali. Não ia rolar!

– Gostoso! – Sussurrou de forma divertida para si mesmo assim que começou a tirar a roupa.

***

16:45

– Daiki, posso te fazer uma pergunta? – Nick disse, assim que a atendente do Café trouxe os pedidos e se retirou com um agradecimento breve.

– Claro! – O moreno deu de ombros, tomando o primeiro gole do cappuccino que pediu. Não era ruim, mas não chegava nem perto do que tomava em Tóquio com Kagami. Quase sentiu saudades de casa.

– O que você espera do seu relacionamento com o Taiga?

A pergunta veio de supetão e o tirou rapidamente de seus devaneios. Não estava esperando algo realmente sério vindo de Nick.

– Como assim? – Foi o que conseguiu dizer, franzindo a testa.

– Você gosta mesmo dele? – Ela perguntou, comendo um pedaço da torta de morango que pediu.

– Claro! – Respondeu prontamente, encarando os olhos rubros da cunhada. Não entendeu onde ela quis chegar, mas decidiu ser sincero. – Taiga é minha vida, Nick.

– Que bom! – Ela sorriu, compreensiva. – Sabe Daiki, é que eu lembro da última vez que ele veio para cá, quando vocês se separaram. Juro que não o reconheci. Ele estava destruído... Não quero que ele se machuque de novo, nunca mais.

– Ele não vai! – O moreno foi incisivo e seguro ao responder, mas sentiu o estômago revirar um pouco ao lembrar do passado. – Eu o amo Nick, farei qualquer coisa para vê-lo feliz todos os dias.

– Eu fico realmente aliviada em saber disso! – Ela sorriu fracamente. – Não sei se Taiga chegou a te contar, mas quando ele era mais jovem, antes de ir para Tóquio, nosso relacionamento não era muito bom. Eu o culpava pelas atitudes do pai dele.

– Ele comentou alguma coisa...

– Pois então, depois de eu visitá-lo no Japão eu percebi a minha burrada! – Ela explicou, cutucando um morango com o garfo, em seu prato. – Eu queria compensar todos esses anos que ficamos afastados naqueles dias que passei com vocês... Lógico que não iria dar tempo, ainda mais sabendo que ele estava no começo de um namoro, descobrindo as coisas e tudo o mais. – Ela o encarou sorridente. – Fiquei tão contente, não apenas em saber que ele estava apaixonado, mas ao ver que ele realmente estava feliz ao seu lado. Ele te ama muito, Daiki, nunca duvide disso, ok?

– Eu sei... – Murmurou com um sorriso bobo. Era bom ouvir aquelas coisas, trazia uma nostalgia gostosa. As vezes dava saudade da inocência que tinham na época.

– Me desculpe Daiki, sei que nem conheço seus pais, mas eu poderia matá-los sem pensar duas vezes quando vi o estado de Taiga, assim que ele apareceu no aeroporto. – Nick exclamou de repente, em um tom de voz indignado. – Admito que fiquei tão arrasada quanto ele, eu sentia a dor só de olhá-lo... Fiquei ao lado do Teddy todos os dias, tentava animá-lo, o levava para a praia e até ia ver as partidas de basquete que ele jogava com Alex. Ele sofreu muito sem você... Demorou para voltar a sorrir.

Aomine não soube o que responder. Taiga nunca contou direito essas coisas, apesar de já terem tocado várias vezes no assunto.

– Ele é muito importante para mim, sabe! – Ela sorriu, finalmente comendo o morango. – Eu amo muito o Taiga, e nesses anos que convivemos eu pude melhorar infinitamente o nosso relacionamento. Nós dois ficamos muito próximos... Muito mesmo!

– Você influenciou ele em muita coisa! – Aomine complementou, tentando manter o sorriso firme em seu rosto.

– Eu sei! – Nick o encarou de forma serena. – Posso ser muito retardada, mas eu sempre tentei passar o melhor de mim para o Teddy. Foram os sete anos mais incríveis lá de casa, a gente fazia tudo juntos, ele sempre vinha me pedir opinião sobre tudo e até me ajudava nas brigas com a Alex. – O sorriso dela diminuiu um pouco. – Mas lá no fundo eu sempre via ele preso à você. Sabe Daiki, ouvi diversas vezes ele chorando no banho e no quarto durante a madrugada, mesmo depois de vários anos lá em casa. Ele também ficava sempre lendo aquela carta e vendo a foto de vocês dois todos os dias... E aquilo doía demais em mim, porque eu não podia fazer nada a respeito, não tinha como ajudá-lo nisso. – Ela voltou a sorrir de canto. – Sei que isso é uma coisa bem antiga, passado é passado... Mas ele nunca deixou de te amar um instante sequer e é importante que saiba disso.

Novamente Aomine ficou sem resposta. Nick estava se abrindo ali com ele, nunca esperou isso da cunhada.

– Eu até o encorajava a procurar outra pessoa! – Ela balançou a cabeça com um meio sorriso bobo, provavelmente lembrando de algo. — Ele ficava puto comigo, principalmente quando eu comecei a cismar com o Benji. Ele nunca quis seguir em frente, ou tentar te esquecer... E no final valeu a pena, não é? – Nick sorriu por completo, olhando-o nos olhos. – Ele te reencontrou do nada, e agora vocês já estão juntos há três anos! Fiquei tão feliz quando soube... E foi um grande alívio também, porque finalmente pude ver um sorriso de verdade no rosto do Teddy! – Ela admitiu, comendo mais um pedaço de torta. – Assim como vejo o brilho nos olhos de vocês dois quando estão juntos, e isso torna o relacionamento de vocês muito especial. Dá para ver que vocês se gostam mesmo. – Ela suspirou e fez uma breve pausa, ainda encarando-o. – Daiki, por favor, cuide bem do meu Teddy, ok?

– Eu já cuido muito bem dele! – Aomine sorriu tranquilizador, vendo-a lacrimejar discretamente.

– Ele é muito mais importante do que você imagina! – Ela fungou, disfarçando a lágrima que rolou. – Sei que ele já é um homem feito, mas como perdi a infância dele eu o considero o meu menininho ainda. Quero sempre ver aquele sorriso bobo no rosto dele, sempre! Não o magoe... Ele te ama muito!

– Não se preocupe Nick! – O moreno disse, olhando de forma firme para a cunhada em sua frente. – Como eu te falei, Taiga é minha vida. Amo o sorriso dele tanto quanto você, acredite! Jamais vou deixá-lo triste, magoá-lo ou qualquer coisa do gênero, isso eu te prometo! – Aomine decidiu diminuir a tensão com uma pequena piada. – Você nunca vai cortar minha linguiça fora, Nick, relaxa.

– Idiota! – Ela riu, comendo mais um pedaço da torta. – Espero que não, mas se precisar eu corto fora mesmo, apesar de não querer olhar teu pinto! Deixa isso pro meu irmão.

– Também prefiro! – O moreno riu, tomando mais um gole de cappuccino.

– Daiki, tenho mais uma coisa a te falar. – Ela começou novamente, olhando-o séria.

– Pode falar!

– Sei que nesse assunto eu não tenho direito de me meter, mas percebi que você está cometendo o mesmo erro que cometi com Taiga! – Ela disse com as sobrancelhas erguidas. – A respeito do seu irmão...

O moreno apenas suspirou fechando os olhos rapidamente, mas esperou ela dizer o que queria. Quem sabe Nick pudesse falar alguma coisa que ainda não soubesse.

– É exatamente a mesma coisa! Você está culpando ele por um erro de seus pais... – Nick suspirou, movendo o rosto para atrair o seu olhar. – Ele não teve culpa e você sabe disso, não sabe?

– Não o culpo por completo. Mas ele está lá no meio deles agora. – Deu de ombros, tomando mais um gole da bebida quente. – Vai saber o que pensa a respeito. Então que fique por lá e nos esqueça!

– O Teddy me contou que vocês encontraram sua mãe há alguns anos, e que ele tentou defender vocês na ocasião! – Nick comentou com a voz suave. – Taiga me pede muitos conselhos a respeito, e também acha que você deveria pensar melhor nisso.

– Sim, eu sei. Taiga já conversou comigo mil vezes sobre o Kento também! – Aomine respirou fundo. – Eu não sei como encararia o meu irmão em uma conversa, sabe? Digamos que o vejo como um traidor.

– Ele era só uma criança na época.

– Sim, mas...

– Não faça a burrada que eu fiz, Daiki! Você está agindo exatamente como eu agia. – Nick o interrompeu, segurando sua mão de repente. – Por sorte eu ainda tive tempo para ficar ao lado de Taiga e fazer nosso relacionamento melhorar infinitamente. Não perca a chance também... Irmãos são irmãos e isso nunca vai mudar. Ele não fez aquilo por querer...

– Vou pensar a respeito! – Comentou com a intenção de finalizar o assunto, mas realmente guardando aquilo em mente. Sabia como Taiga se sentia na época em que não se dava bem com Nick, por isso tentaria se colocar no lugar de Kento. Mas não hoje.

– É só um conselho de sua cunhada louca! – Ela sorriu, soltando sua mão. – E do seu namorado também!

– Vocês dois são iguais! – Aomine reclamou com um meio sorriso, olhando para ela. – Obrigado, Nick!

– De nada, Nigga! – Ela riu, comendo mais um pedaço de torta. – E ande logo com esse cappuccino, temos que dar um jeito nessa sua craca! Banho de uma hora no mínimo!

– Idiota! – Teve que rir ao vê-la apressar as garfadas, exatamente como Taiga fazia quando estava empolgado com alguma coisa.

Aquele assunto sobre Kento ficaria guardado para sua volta a Tóquio. Hoje estava mais preocupado com o que seu Bakagami vinha planejando. Na verdade estava curioso e um pouco ansioso. Não, muito ansioso.

E a hora realmente estava demorando para passar...

***

18:51

~Kagami Taiga~

– Ele logo chega, Taiga! – Alex riu, abraçando-o mais uma vez para dissipar sua tensão. – Relaxa aí! Vai dar tudo certo.

– Eu sei, Nick não vai deixar ele se atrasar! – Kagami sorriu, tentando disfarçar o nervosismo ao olhar para trás e se deparar novamente com o Staples Center. O local já estava começando a lotar... Sorte que pegara os melhores lugares e não teria muito com o que se preocupar.

Com certeza Daiki iria gostar da surpresa! Era um jogo dos Lakers contra os Clippers no ginásio mais foda de L.A.! Qualquer fã de basquete ficaria louco ao ver o time jogar apenas a alguns metros em sua frente, e ainda mais uma partida de rivalidade clássica como aqueles! Na verdade Kagami também estava ansioso ao extremo para o jogo. Kobe Bryant ia estar ali, porra!

O ruivo quase – QUASE – não se importou em pagar mais que o dobro do valor normal pelos ingressos. Ficariam em um lugar foda, bem perto da quadra, "quase cheirando o sovaco dos jogadores" de acordo com Alex. Kagami já havia reservado aqueles acentos há alguns meses e quase chorou quando pagou por aquilo, mas tudo bem, era por uma ótima causa. Aomine iria ficar louco, ele provavelmente nem se tocara que o Staples de seu bilhete era esse Staples! Idiota do jeito que era não ia nem imaginar...

Claro que as borboletas no estômago de Kagami não estavam apenas ligadas ao jogo, ali seria só o começo da noite dos dois. Seus planos eram muito mais ousados.

– Pronto, teu Nigga chegou! – Alex riu, vendo ao longe a caminhonete de Nick estacionar em um ponto já combinado. – Olha aqui para mim, deixa eu ver se você ainda está bonitão ou se já se mijou todo.

– Idiota! – Ele riu, virando-se para a loura analisá-lo.

Usava uma calça jeans bem escura, uma camiseta preta e uma jaqueta de moletom branca com detalhes vermelhos, tudo escolhido a dedo por Alex naquela manhã.

Kagami apalpou o bolso inconscientemente pela milésima vez.. Ainda estava ali, então estava tudo ok! Retirou os ingressos do outro bolso no mesmo instante, antes que esquecesse.

– Bem gato Taiga, e ainda está com cheiro gostoso de perfume! – Ela riu, abraçando-o pela cintura.

– Obrigado Alex, você foi de grande ajuda hoje! – Kagami sorriu, abraçando-a carinhosamente pelos ombros. – Te devo uma!

– De nada Taiga! – Ela piscou, encarando-o sorridente. – Boa sorte.

– Valeu!

Chegava a ser cômico... Esteve com Aomine Daiki no dia anterior, transaram na noite passada, dormira abraçado com ele até aquela manhã, isso sem falar que moravam juntos há três anos... Mas mesmo assim, vê-lo se aproximar na companhia de Nick estava dando um frio enorme em sua barriga e suas mãos estavam suando. Hoje tinha tudo para ser o dia mais importante da vida dos dois!

O sorriso enorme na cara Daiki já denunciava que ele havia entendido os fatos. Provavelmente só agora percebera o que exatamente era Staples Center, e o enorme letreiro ali anunciava o jogo de Lakers x Clippers. O olhar de Daiki ia do ginásio para Kagami, e então voltava para o ginásio... Parecia um retardado. E como amava esse retardado.

– Pronto, seu namorado está entregue! – Nick sorriu, olhando de Taiga para o moreno ao seu lado, que estava boquiaberto admirando cada centímetro do lugar.

– Taiga! – Ele sorriu abobado, aproximando-se para beijá-lo nos lábios. – Seu viado, não acredito que você fez isso!

– Surpresa! – Riu, abraçando-o em seguida. Ele estava tão cheiroso... Amava como o perfume que compartilhavam se mesclava ao cheiro natural de sua pele.

– Eu sabia que já tinha ouvido falar de Staples Center em algum lugar! – O moreno disse ironicamente, apertando-o mais forte. – Caralho, Taiga! Não acredito que a gente vai ver os Lakers!

– Acredite, Aho! – Kagami falou, mal contendo o sorriso ao afastar-se para encará-lo. – Vamos entrar? O jogo começa 19h30min, mas eu preciso de comida. Estou cagado de fome!

– Lógico que sim, vamos logo! – Ele disse de forma radiante, estendendo o punho para a cunhada. – Valeu por tudo Nick!

– Cala a boca e vai logo, Nigga! – Ela sorriu, socando sua mão, já abraçada com Alex. – Bom jogo para vocês, aproveitem e se cuidem!

– Obrigado! – Kagami piscou para as duas assim que se afastaram de mãos dadas. – Até...

– Boa sorte! – Elas sussurraram para Kagami. Aquilo fez seu coração pular, iria mesmo precisar de sorte mais tarde... Mas no momento quem precisava de sorte mesmo eram os Lakers, que não estavam em uma campanha muito boa nessa temporada.

Juntos eles foram se aproximando da entrada do ginásio. Era uma estrutura enorme e muito bem feita. Era impressionante olhar a parte externa, principalmente com aquela iluminação móvel refletindo nas nuvens. Era como estar vivendo um sonho... Kagami nunca fora ali, mesmo morando durante anos em Los Angeles. Ver pela TV era bem mais barato.

– Ah, meu Bakagami, agora você me deixou de cara, vou desconsiderar o fato de ser feito de bobo o dia todo! Eu te amo Taiga! – Aomine riu animado, abraçando-o pelos ombros com força, fazendo-o cambalear. – Caralho, caralho! O Kobe... O Kobe vai estar ali na nossa frente, amor! Não acredito nisso!

– Foda né? Estou tão ansioso quanto você! – O ruivo foi contagiado instantaneamente pela empolgação dele, abraçando-o também. Deixaria as outras coisas para pensar depois do jogo. – Só espero que os Lakers ganhem hoje, porque né... Estão feios na fita. Eu já ficava louco assistindo eles perderem pela TV, imagina pagando pra ver! Não queria os Clippers por cima hoje...

– Ah, os Lakers vão ganhar Taiga, relaxa! – Aomine afirmou confiante, como se pudesse decidir isso com suas palavras. – Eles estão meio podres na temporada, mas eles vão ganhar hoje! Só porque eu ganhei o melhor presente do mundo do meu Bakagami.

– É de aniversário bem adiantado, ok? – Kagami sorriu, vendo o brilho animado nos olhos de Aomine.

– Ok, então esse foi o melhor presente de aniversário que ganhei e ainda vou ganhar na vida! Obrigado, obrigado mesmo! – Ele disse, dando-lhe um beijo carinhoso nos lábios. Os olhares das pessoas à tempos não incomodavam mais. – Taiga, senti sua falta hoje!

– Eu também senti a sua! – O ruivo sorriu satisfeito, puxando-o para mais perto em um abraço lateral. – Como se virou com a Nick?

– Foi bom, conversamos bastante! Gosto muito dela, você sabe! – Ele sorriu, olhando para a pequena fila que se formava na entrada do lugar. – Menos na hora de comprar roupas.

– Hm, ela e Alex são terríveis companhias para isso, mas tem bom gosto! — Kagami riu, olhando-o mais uma vez dos pés a cabeça. Sussurrou no ouvido dele: – Você está tão gostoso, Daiki.

O sorriso que o moreno abriu ao ouvir aquilo foi impagável. Esperava que dali a umas 4h o sorriso fosse o mesmo, e se possível, maior ainda! Contava com isso...

Novamente apalpou o bolso, apenas para se certificar de que ainda estava ali. Estava!

***

21:28

– Você viu o jeito que o Kobe enterra? A jogadinha dos pés antes de pular? É foda demais! — Aomine ria assim que saíam como duas crianças do Staples Center, sendo rodeados por pessoas tão animadas quanto os dois. – Foi épico! É-pi-co!

– E aquela recuperada de bola dele ali no finalzinho? – Kagami exclamava animado, imitando os movimentos com o corpo. – Quando ele perdeu a bola... A recuperou em seguida, recuou e pah! Fez a cesta de três pontos! Nem o Midorima iria acertar aquela!

– É Lakers, porra! – O moreno riu, abraçando Kagami com força pelos ombros. – Sabia que eles não iam desapontar a gente hoje! Kobe é foda!

– Cara, que jogo! Valeu cada centavo! – O ruivo sorria tanto que sua bochecha chegava a doer. As pessoas já se dissipavam para todas as direções, mas eles caminhavam em linha reta. – Clippers se foderam! Foi tão prazeroso...

– Porra Bakagami, você pegou o lugar bem ali na frente da quadra! – Aomine balançava negativamente a cabeça, de forma incrédula. – Não acredito que isso acabou de acontecer! Obrigado mesmo!

– Foi foda, foi foda! – O ruivo exclamou satisfeito, parando na calçada e olhando para o rosto do moreno. – Tá com fome, Aho?

– Muita! – Ele admitiu, espreguiçando-se com os braços para cima. – Iria até um Big Joe agora, facilmente.

– Vamos lá, a gente não paga nada mesmo! – Kagami sorriu de forma displicente, aproveitando a deixa para economizar dinheiro. – Será que a gente ganha um bônus de dois anos sem pagar se comermos mais um?

– Pão duro de merda! – O moreno sorriu, dando-lhe um selinho ao fazer um cafuné exageradamente forte em seus cabelos. – Mas não custa tentar, não é?

– Ué, vai que cola... Eu vou ficar bem feliz! – O ruivo sorriu esperançoso, entrelaçando o dedo de ambos e olhando de um lado para o outro na rua em busca de um táxi, que não demorou a aparecer. Esticou os braço em um sinal para ele parar e então deu o endereço para o motorista assim que adentraram o veículo.

Estava feliz demais, e Aomine também. Isso que importava... A mão foi automaticamente ao bolso que vinha apalpando a cada movimento, ainda estava ali. Era um paranoico mesmo, aquilo não criaria asas e sairia voando assim, do nada. Estava quase na hora...

***

23:16

~Aomine Daiki~

– Relaxa Taiga, a gente tentou! – O moreno sorriu, acariciando os cabelos do ruivo enquanto caminhavam distraidamente e sem rumo pela calçada. – Pense que pelo menos não precisamos pagar por esse Big Joe ali. E outra, tenho certeza que mesmo em dois anos a gente não vai voltar!

– Ok, mas não é justo! Deveria acumular... – Kagami murmurou pela décima vez, olhando para trás em direção ao estabelecimento que acabaram de sair.

– Chato! – O moreno sorriu, sentindo os dedos serem entrelaçados pelos de Kagami. – Vamos para casa já?

– Não! – Ele sorriu de canto com a voz suave, olhando em seus olhos com aquela expressão marota. – Vamos dar uma volta, quero te mostrar um lugar bem legal aqui e tenho planos de ficar conversando até o sol nascer.

– Ok... Mas duvido que você aguente, ainda mais depois de passar o dia inteiro acordado, correndo para lá e para cá. – Aomine sorriu, sem saber o que esperar daquilo. Ele era uma caixinha de surpresas.

– Mas hoje não vou dormir! É um dia especial! – Ele disse, confiante, apertando mais ainda sua mão. – Vem...

Seguiram caminhando e conversando sobre os lances do jogo e outras coisas bobas por um longo trecho, andando sempre para o Leste, em direção à praia. Era tão fácil conversar e rir com Kagami... As vezes em casa os dois não tinham tempo para trocar palavras bobas sobre tantos assuntos aleatórios. Se prendiam muito às obrigações, ao trabalho, às contas, à rotina em si... Não que a vida ao lado do ruivo fosse tediosa, muito pelo contrário, era incrível, mas as vezes era bom escapar daquela mesmice.

Essas férias em L.A. estavam sendo mais do que merecidas. Nunca achou que fosse tão legal estar ali com Taiga, andando distraidamente pelas ruas próximas ao litoral, conversando sobre coisas bestas e engraçadas, encarando aquele sorriso mais do que perfeito que ele tinha... Sentiu realmente falta de Kagami durante a tarde. Foi então que percebeu que precisava do ruivo no seu dia-a-dia, por mais que ele estivesse passando roupa do outro lado do cômodo, ou jogando basquete no time adversário, ou tocando baixo no quarto enquanto o moreno cozinhava, ou até mesmo dormindo enquanto Aomine lia algumas páginas de um livro qualquer.

Kagami era incrível... Apesar de ser bem chatinho às vezes! Principalmente quando ficava emburrado nos cantos por uma semana seguida após discutirem sobre qualquer bobeirinha. Taiga não dava o braço a torcer, era sempre o dono da razão e preferia ficar quieto em um canto até se acalmar, já Aomine sempre procurava resolver as coisas na hora, mesmo que brigando, apenas para evitar remoer os problemas por muito tempo... Nesses momentos eram bem opostos um ao outro, já chegaram a ficar uma semana e meia sem fazer sexo por birra dos dois lados! Aomine sempre engolia o orgulho primeiro, o que na verdade era bem complicado, mas aprendera a lidar com Kagami... Na verdade eram muito parecidos: explosivos, intensos e ao mesmo tempo carentes e retardados. Lidar um com o outro era o mesmo que lidar consigo mesmo! E por isso conseguiam conviver muito, mas muito bem...

***

23:56

Não demoraram para chegar até o local que o ruivo queria. Conversando sobre tantas futilidades a hora passou bem rápido, e a distância também se tornou mais curta.

Era tudo bem bonito e simples ao mesmo tempo, Kagami tinha um bom gosto para lugares. Estavam em uma das praias de L.A., sentados em um banco parcialmente escondido entre várias árvores baixas à beira-mar. À direita deles havia um parque de diversões que já estava fora do horário de funcionamento, mas mesmo assim as luzes ainda estavam acesas na roda gigante, o que conferia uma meia iluminação para o local onde estavam sentados. Conseguia ver de relance o rosto do ruivo, hora com tons de verde, hora vermelhos, hora azuis, hora brancos... Nunca cansaria de pensar como ele era bonito!

– Você pensa mais sobre o passado, presente ou futuro, Aho? – Kagami perguntou de repente, dobrando a perna e colocando o pé em cima do banco, e então apoiou o cotovelo ali para manter o braço esticado.

– Sinceramente? – Aomine ponderou consigo mesmo, chegando mais perto de Kagami para apoiar o corpo. – Acho que uma mistura entre passado e presente... Digamos que tenho um pouco de saudade dos nossos momentos lá atrás sabe, quando éramos inocentes e estávamos começando a nos conhecer. Mas ao mesmo tempo amo acima de tudo o que a gente vive hoje, morar com você é muito bom!

– Nunca parou para pensar no futuro? – Kagami questionou, entrelaçando os dedos de ambos com a mão livre.

– Dificilmente! – Ele sorriu, olhando para o mar. – Nunca temos certeza do que vai acontecer amanhã, não é? Pode cair uma bomba atômica aqui, agora mesmo, e daí? De que adiantou pensar no futuro?

– Exagerado... – O ruivo sorriu e inclinou o rosto para olhá-lo. – Mas eu penso como você as vezes, sabe! Claro, há uns sete meses atrás eu já estava pensando no dia de hoje, sabia?

– Mesmo? – Olhou curioso para o namorado ao lado. Ele estava cheio dessas frases enigmáticas hoje. – Como assim...?

– Ah... Eu tive que comprar os ingressos para o jogo no ano passado ainda! – Ele sorriu, dando uma cabeçada cômica no ombro de Aomine. – Também queria encaixar nossas férias para que batesse bem com essa data, para podermos assisti-lo, lógico. E mais umas coisinhas aí que venho planejando...

– Tipo?

– Saiba esperar! – Kagami ergueu as sobrancelhas, ainda com aquele olhar suspeito que ele carregava desde quando chegaram ali.

– Chato! – Aomine fez um bico. – Você está assim cheio de enigmas o dia inteiro. O que mais falta acontecer ainda?

– Não fique falando disso, já me dá um frio na barriga! – Kagami sorriu tentando disfarçar, mas ele realmente estava nervoso, pois falava mais rápido do que o comum. – Mas como estávamos falando do passado e tal... Teoricamente então só adianta pensar no presente, não é?

– Sim, mas as lembranças são importantes também! – Aomine deu de ombros. – Eu por exemplo me prendi muito ás nossas lembranças, aos momentos que passamos quando éramos jovens e tudo o mais. Sem isso não ia dar pra ser feliz longe de você!

– É, nesse caso a gente percebe que felicidade é um ponto de vista, não é? – Kagami cogitou sozinho, olhando para as fracas estrelas que despontavam no céu. – Quando uma pessoa fica feliz apenas com as lembranças então não precisa pensar muito nas coisas que estão acontecendo agora, mas essa pessoa também não vive cada novo momento de sua vida, o que é um erro. Poderia ter sido bem mais feliz dessa forma... Sei lá, acho que viajei bonito aqui!

– Acho que você está muito filósofo hoje! – Aomine riu, fazendo uma careta. – Não entendi bosta nenhuma do que você disse!

– Bem, se a gente ficar completamente preso às coisas que aconteceram com a gente lá trás, então com certeza não estaremos vivendo o hoje e provavelmente perdemos muito, sacou? – Taiga tentou explicar, mas começou a rir. – Não, né?

– Entendi sim! – Aomine assentiu com a cabeça, acariciando uma mecha ruiva que caía pela testa dele. – Mas Taiga, a gente só tomou umas cervejas, de onde tá vindo isso tudo aí?

– Sei lá, acho que acordei meio filósofo e romântico hoje! – O ruivo riu de si mesmo, desfazendo sua posição e abraçando o moreno com um dos braços. – Posso me declarar para você?

– Oi? – Olhou confuso para Kagami, sentindo um leve frio na barriga. – Como assim?

– Ah, é que eu parei para pensar esses dias... – Kagami começou, olhando intensamente em seus olhos, enquanto brincava com seus dedos, entrelaçando-os e soltando-os com carinho – Você disse o primeiro "eu te amo", você se entregou primeiro para mim para provar seu amor, você me deu o presente de aniversário mais incrível do mundo, as nossas fitinhas... Você me pediu em namoro no café de Tóquio... Você se abriu comigo lá em casa, quando contou sobre o seu passado... E isso as vezes faz com que eu pareça frio com você.

– Eu não te acho frio, amor! – O moreno foi obrigado a rir da expressão desacorçoada no rosto de Taiga. – Você só demonstra de maneiras diferentes... Tipo hoje com o chocolate e o bilhete de manhã, você não tem ideia de como eu fiquei feliz quando vi. E a surpresa do Lakers x Clippers então? Foi épico demais... E aquela vez que brigamos por causa da pasta de dentes? Você preferiu se acalmar para não discutirmos... Isso sem falar que ensinou pacientemente a tocar baixo e surfar... Me distraiu no avião... Sempre tira o lixo quando eu esqueço... Satisfaz todas as minhas fantasias, só faltou aquela que você sabe qual é... E como se não bastasse, aceitou pintar a casa inteira de azul! Você acha que não percebo isso tudo?

– Tá vendo, é disso que eu estou falando! – O ruivo sorriu, cutucando a ponta do nariz de Aomine com o dedo indicador. – Você consegue falar tão bem as coisas!

– E você consegue demonstrar com seus atos, bem diferente de mim! – Aomine sorriu, dando-lhe um selinho. – Essa sua própria atitude de agora, querendo se declarar pra mim, já foi uma forma de se declarar!

– Mas deixa eu tentar? – O ruivo pediu, virando-se para olhá-lo de frente. – É bem importante para mim.

– Ok, senhor Bakagami! – Aomine virou-se para olhá-lo direito, apoiando a mão na perna do ruivo. Estava curioso, na verdade.

– Pois bem... Aomine Daiki! – Ele começou, com um tom de voz engraçado, olhando no fundo de seus olhos. – Você com certeza foi o cara mais idiota, prepotente, esnobe e preguiçoso que eu conheci na minha vida.

– Nossa Taiga, assim você arrematou meu coração! – Disse ironicamente, colocando a mão no peito ao fazer uma expressão sofrida. Riu muito com a frase que o ruivo soltou, quem começa uma declaração assim?

– Ah, eu sei, sou muito fofo! – Ele concordou com a cabeça, suspirando de forma sonhadora. – Mas sério...

– Ok, quando parar de me ofender eu vou sorrir! – Aomine disse, tentando a muito custo manter a expressão séria. – Continue.

– Como estava dizendo, eu te odiava no começo de tudo! Odiava mesmo! – Ele sorriu, apoiando a mão em cima da sua, mas sem desviar o olhar. – Não sei exatamente a partir de qual momento eu comecei a te achar legal... Porque não foram nos nossos mano a mano, muito menos quando você me incomodava de madrugada. Se eu não me engano foi quando você tirou sua máscara de durão e começou a ser você mesmo.

Aquilo veio de surpresa... Taiga nunca falara assim antes.

– E como já te disse antes, esse novo Aomine Daiki que surgiu na frente dos meus olhos costumava deixar um sorriso bobo no meu rosto por mais tempo que o necessário. Principalmente quando estendeu a mão para mim e perguntou "Amigos?" – Ele continuou, imitando o gesto do aperto de mãos. – E foi então que me peguei pensando demais nesse cara! Tanto que me desesperei, procurando alguma forma de "desgostar" dele... Mas então eu pensei melhor... E porque não tentar? Se ele mudou tanto e está tão próximo a mim, me fazendo bem, porque eu não poderia me apaixonar pela primeira vez na minha vida? Dane-se se ele é um homem.

Ok, aquilo estava sendo realmente era inesperado. Aomine engoliu em seco, sorrindo de canto com o que estava ouvindo, mas na verdade estava surpreso demais para esboçar alguma reação.

– E por algum motivo idiota eu decidi me abrir com ele. – Kagami continuou, passando o dedo suavemente na palma de sua mão, provocando um comichão gostoso. Taiga sabia que o moreno adorava aquilo. – E para minha surpresa maior, eu não estava sozinho nisso! O tal Aomine Daiki também estava apaixonado por mim... E foi nessa hora que demos o nosso primeiro beijo. Foi tão incrível que eu consigo lembrar da sensação até hoje. Meu coração batendo rápido, minha mão suando, nossos lábios se encostando, enfim... Foi único e indescritível, o meu primeiro beijo. – O ruivo falava aquilo com calma, mas seus olhos expressavam as coisas por si só. – Foi o dia mais inesperado da minha vida, até o momento, claro. Porque já no dia seguinte eu e o Aomine Daiki almoçamos juntos lá em casa, jogamos incontáveis partidas de videogame e... Uau... Foi a primeira vez que outra pessoa encostou no meu pinto!

Depois dessa Aomine teve quer rir, assim como Taiga!

– E então esse sim passou a ser o dia mais inesperado da minha vida! – Kagami continuou, ainda acariciando suas mãos daquele jeito gostoso. – Eu nunca tinha pensado em sexo antes daquilo, e pela velocidade que aconteceu eu me assustei. E aí eu comecei a errar com o Aomine Daiki... O evitei por umas semanas, com medo de estar apressando as coisas. Até que esse cara veio e me deu uma bronca, me fez entender que ia ser como era pra ser, de forma boa para nós dois! Eu pedi desculpas e acabamos como namorados de uma forma engraçada nessa noite também! No mesmo dia eu dormi abraçado com ele pela primeira vez, e adivinha... Acordamos com o pau duro, e fizemos um boquete um no outro!

Novas risadas quebraram a tensão do momento. Era tão bom relembrar... Era bom mesmo! Ainda mais quando Taiga falava de seu ponto de vista, se abrindo daquela forma.

– Claro que depois daquilo várias coisas aconteceram... Aomine Daiki me ensinou realmente como se deve agir quando gosta de uma pessoa, ele me ensinou a amar de verdade. E eu fiquei realmente apegado, de verdade mesmo! – O ruivo sorriu, atraindo novamente o olhar do moreno, que estava fixo em suas mãos. – E então teve a primeira vez que realmente fizemos sexo. O tal do Aomine Daiki aceitou ficar por baixo, mas no outro dia descobrimos que ele preferia ficar por cima, apesar de estar todo dolorido.

Era impossível não rir com aquilo, ainda lembrava da dor no quadril... Já não sentia mais dor com o sexo faz tempo!

– Mas nesse ponto eu já não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ele, o sorriso dele, o modo como ele me inspirava com seu basquete e com seu jeito espontâneo e incrível de ser, sem máscaras ou disfarces. Aomine Daiki era simplesmente a pessoa mais perfeita do mundo. – O ruivo prosseguiu com um tom de voz mais suave e sério. – Mas surgiu um problema com uma tal de Rin, conhece?

– Ah, muito, minha ex-namorada! – O moreno sorriu de canto com a interatividade. – Com 1,90 de altura, sobrancelhas gigantes, ruiva... Um filé!

– Pois é! – Kagami continuou sorrindo, entrelaçando os dedos de ambos. – Depois que a Rin fictícia surgiu em um suposto crime perfeito, eu fiquei com medo de perder o Aomine Daiki... Muito medo! Foi a primeira coisa que afetou o nosso relacionamento! Mas a fase passou e então, aí sim, veio o dia mais inesperado da minha vida... O dia que fiquei travado dentro do carro porque havia dois labradores enormes na casa da avó do Aomine Daiki! – Kagami riu, apertando mais os dedos do moreno. – Mas enfim, foi com certeza o dia mais perfeito da minha vida, até o momento! Eu nunca vou esquecer o presente que o Aho me deu, que inclusive ainda está comigo, na minha perna... E nunca vou esquecer de como a gente fez amor aquele dia, foi tão profundo e suave, diferente dos nossos comuns sadomasoquismos. – Ele fez uma breve pausa, atraindo novamente seu olhar. – Aomine Daiki roubou tudo o que restava para roubar de mim naquele dia... Foi coração, corpo e alma. Me prendi a ele para sempre naquele instante. E agradeço muito por esse dia ter existido... Foi a certeza de que ficaríamos juntos e livres para toda a eternidade!

O moreno não sabia o que dizer, nunca esperou ouvir tudo aquilo de Kagami, sentia o estômago cheio de borboletas, seu coração pulava de forma um pouco descompassada... Mas sabia o que viria em seguida. Manteve-se firme, olhando para os dedos entrelaçados de ambos.

– E então veio o pior dia da minha vida! O dia que me afastaram do meu Aomine Daiki a força. – O ruivo acariciou seu rosto, para que voltasse a olhar para seus olhos rubros. – Foi como se tivessem pegado meu coração e jogado fora. Doeu tanto, tanto! Eu me senti tão inútil por não estar ao lado do meu Aho quando ele mais precisava de mim... Ele foi obrigado a casar e eu não consegui impedir isso. Não consegui fazer absolutamente nada. – Kagami fez mais uma pausa breve. – Eu nunca iria deixar meu Aomine Daiki ir, mas foi dito que era o melhor a fazer para que ele seguisse em frente com sua vida, sem se prender a mim. E então tive que deixar o meu Aho para trás, me despedindo apenas com uma troca de cartas.

– Taiga... – O moreno suspirou, acariciando o rosto do ruivo também.

– Tudo bem... Deixa eu continuar. – O ruivo sorriu com os olhos brilhando, acariciando a mão de Daiki em seu rosto. – E começaram os anos mais torturantes da minha vida. Mas eles passaram consideravelmente rápido, pois eu comecei a fazer algo que realmente amo como profissão, fiz também amigos novos, tinha minha família... Enfim! Mas todas as noites o meu Aomine Daiki vinha dar oi nos meus sonhos. A gente conversava muito ali, sobre tudo o que nos impediram de conversar durante anos. – O ruivo fungou e esperou um pouco antes de continuar, ainda encarando seu rosto. – Até nos mínimos detalhes do meu dia ele estava presente: No número do meu armário, que coincidia com sua data de aniversário... Em qualquer música do Pink Floyd que eu ouvia... Até de madrugada eu acordava imaginando que eu olharia para o lado e não seria o travesseiro ali, e sim o meu Aho sorrindo para mim. Eu perguntava sempre dele para o Kuroko, lia sempre nossa carta, levava nossa foto para todos os cantos... Tudo isso porque eu ainda tinha esperança de viver junto dele, de forma livre! Mas demorou, demorou mesmo... Sete anos foi muito tempo! – Ele sorriu de repente, enxugando a lágrima discreta que rolou de seu olho. – E então, em uma bela madrugada de inverno, o Bakagami decidiu sair para jogar basquete em Tóquio! E aquele sim, sem dúvida nenhuma foi o dia mais inesperado da minha vida! Porque eu reencontrei meu Aomine Daiki vestido de policial e descobri que ele estava ali para me dar uma bronca, mas acabei ganhando um beijo e um grito de "Eu te amo, Kagami Taiga".

– Ah Taiga... – O moreno sorriu envergonhado, não conseguindo esconder a emoção que estava sentindo ao ouvir aquelas coisas.

– E então no outro dia o meu Aomine Daiki foi me visitar! – Kagami sorriu radiante, apertando a mão do moreno com carinho. – E eu te garanto que foi o dia que a gente mais fez sexo na vida, além de ser o dia que mais fomos melosos e fofos um com o outro. Mas ali foi só o começo... Porque eu sabia que minha vida sem Aomine Daiki não valia a pena, era tortura! E depois de mais umas despedidas e reencontros no aeroporto, nós começamos a nossa vida juntos, morando sobre o mesmo teto do nosso apartamento azul. – O ruivo agitou-se um pouco, ajeitando a perna no banco. – E tem sido assim até hoje... Cada dia eu percebo a minha sorte em ter encontrado uma pessoa incrível como o Aho. Ele é um grande amigo, um grande amante, um amor de verdade para mim!

Foi inevitável sorrir ao ouvir aquelas palavras.

– Como o próprio Aomine Daiki me disse uma vez, dane-se se somos dois marmanjos de 26 para 27 anos de idade com quase dois metros de altura, se ele é negro e eu sou branquelo, se somos homens, se eu tenho cabelo vermelho e o dele é azul... Dane-se tudo... O nosso sentimento é puro e eterno! O exterior não tem nada a ver com o que existe aqui dentro. – Kagami sorriu, colocando uma das mãos em se peito e a outra no de Aomine. – Provamos isso para o mundo inteiro e hoje finalmente estamos aqui, juntos e livres, não é?

– Sim! – Aomine não estava conseguindo se segurar muito bem, seu coração estava pulando e já conseguia sentir as lágrimas esquentando em seus olhos. Taiga nunca falara tanto assim, poderia esmagá-lo. E iria...

– E é por isso que hoje eu estou aqui, me declarando para o amor da minha vida, de coração, corpo e alma... – Kagami sorriu com os caninos a mostra, segurando sua mão enquanto tirava uma caixinha de veludo preto do bolso. – E quero saber se o meu Aomine Daiki quer casar comigo...

O moreno ficou completamente sem reação ao perceber o que estava acontecendo. Era zoeira de Taiga, certo? Mas e a caixinha, porque tinha caixinha então? Pela segunda vez em sua vida seus pulmões pareceram ficar ligeiramente menores. Um sorriso começava a esboçar em seu rosto, crescendo a cada instante em conjunto com sua incredulidade.

– Taiga... Isso é sério? – Foi o que conseguiu dizer, fitando a caixinha em sua mão e então os olhos do ruivo.

– Sim, é sério... – Kagami sorriu nervoso, evidentemente ansioso esperando uma resposta. Ele abriu a caixinha e mostrando um par de alianças douradas. – Quer casar comigo, Aomine Daiki?

O moreno hesitou alguns segundos, olhando incrédulo para o que havia em sua frente. Estava tão surpreso. Aquilo sim era algo infinitamente inesperado, mas o deixou tão feliz e abobado... Não conseguiu esconder o seu sorriso. A ideia de casar com Taiga era incrível, mas parecia tão utópica! Nunca tinha pensado nisso de verdade, achou que Taiga não se importasse com essas coisas... Mas ele vem e faz isso consigo. Iria esmagá-lo!

– É lógico que sim Taiga! – Respondeu sem esperar mais nenhum segundo, abraçando o ruivo com muita força. Nunca imaginou que algum dia realmente iria passar por uma situação como essas, não sabia nem como agir, mas estava tão feliz que poderia explodir. – Taiga... Meu caralho...

Afastou-se do ruivo e o beijou nos lábios com carinho, querendo passar cada um de seus sentimentos para Kagami através daquele ato. Foi um beijo carinhoso e inocente, mas tão cheio de sentimentos... Como o primeiro que trocaram na vida.

– Eu te amo, meu Kagami Taiga! – Foi o que conseguiu dizer assim que se afastaram para se encarar. Suas mãos estavam ligeiramente trêmulas, uma apoiada em cada bochecha do ruivo. – Eu não sei nem o que dizer...

– Eu também não! – O ruivo sorria mostrando os caninos, os malditos e maravilhosos caninos que davam a ele o sorriso mais perfeito da face da Terra. – Nunca pedi ninguém em casamento.

– Caralho Taiga! – O moreno olhou radiante para o ruivo em sua frente, passando o polegar por seu rosto. – Como isso? Como assim?

– Calma, vamos fazer bonitinho. Vou repetir... Aomine Daiki, você quer casar comigo? – Kagami suspirou fundo, mal contendo o sorriso gigante em seu rosto.

– Sim! – Aomine riu como um bobo, exatamente igual ao ruivo. – Sim Taiga, eu aceito ter você como minha noiva!

– Você é minha noiva! – Kagami riu da piada, tirando uma das alianças do suporte. – Me dê a sua mão...

– Sou o marido nessa história, todos sabem! – Ele riu, estendendo as duas mãos, nem lembrava qual era a da aliança. Na verdade não fazia ideia dos seus atos naquele momento.

– Somos dois maridos, pronto! – O ruivo decidiu, tirando a aliança já existente de sua mão direita. Kagami estava trêmulo. – Essa você guarda. Hoje nos estamos oficialmente noivos!

– Caralho Taiga! – Ele riu ao pegar a aliança prateada e ver uma dourada tomar seu lugar. – Eu quero fazer isso também!

Sem esperar muito, foi ávido pegar a aliança restante na caixinha e substituiu a prateada que existia no dedo de Taiga. Ficou olhando para a mão de ambos por um longo tempo... Era incrível ver uma coisa que nunca esperou, virar realidade num susto e de forma boa, em um lugar foda.

– Está feliz? – Kagami perguntou receoso, buscando seu olhar com um movimento de cabeça.

– Putamente feliz! – O moreno sorriu de orelha a orelha ao responder. – Taiga, nunca passou pela minha cabeça que isso iria acontecer com a gente, sabia?

– Eu sei! – O ruivo confirmou, dando-lhe um carinhoso selinho nos lábios. – Nunca achei que ia ter coragem para fazer isso também!

– Caralho... Isso foi foda Taiga! – O moreno ria, olhando como um bobo para os dedos entrelaçados deles.

– Mas você tem certeza mesmo que quer ser minha noiva? – O ruivo insistiu, colocando uma carga enorme de ironia na frase.

– Não, eu tenho certeza que quero ser o seu marido! – Aomine disse, erguendo as sobrancelhas, de forma cômica. Tinha tantas perguntas pulando em sua mente. – Mas Taiga, isso é só simbólico? Quer dizer... Não tem como a gente casar de verdade, não é?

– Tem sim! – O ruivo confirmou, passando uma das pernas por cima das suas. – Desde que eu vi o Midorima e o Takao casados eu fiquei pensativo a respeito. Tenho conversado bastante com eles, mas nunca planejei te pedir em casamento de verdade... Pelo menos não até ano passado! – O ruivo sorriu, um pouco envergonhado ao brincar com suas mechas azuis. – Estou há tempos vendo as questões dos papéis. Los Angeles aceita casamento homoafetivo, então eu pensei: Vou casar com ele, porra! Tenho mais de mil motivos para isso!

– Mas e no Japão? – O moreno perguntou, sorrindo mais ainda ao ouvir aquilo. Era sério mesmo?

– Lá eles não executam os casamentos, mas aceitam a certidão feita em outro país! – Kagami começou, explicando cada detalhe, de como iriam ao cartório na segunda-feira assinar e oficializar às 16h da tarde, como fariam para registrar aquilo no Japão na volta ao país e todos os outras burocracias. Aquilo apenas deixou Aomine mais abobado. Ele foi atrás de tudo, todos os papéis, documentos, burocracias, aliança... Era tão desatento assim para não perceber?

– Meu caralho, Taiga! – Não sabia nem o que dizer, apenas o abraçou novamente, com carinho. – Você é meu marido, então? Isso... É tão perfeito... E tão gay!

– Putamente gay! — Kagami concordou, acenando com a cabeça contra seus ombros. – Foi a coisa mais gay que já fizemos, pode ter certeza!

– Foda-se! Eu estou tão feliz! – Aomine riu da ironia dele, olhando a sua própria mão apoiada nas costas de Taiga. Agora sim uma aliança de casamento estava ali em seu dedo por vontade própria... Uma aliança que não parecia uma algema, e sim uma demonstração de amor de verdade. – Eu te amo Taiga, te amo mais que tudo nesse mundo!

– Eu também te amo, Daiki! – O ruivo sussurrou, dando-lhe um beijo no pescoço enquanto apertava mais o abraço. – Sabia que esses dias iriam chegar! Estamos aqui juntos e livres... Hoje mais do que nunca!

Poderia chorar se quisesse, mas não precisava disso... Aomine sorriria eternamente, assim como vinha fazendo nos últimos três anos. As coisas decididamente só funcionavam com Taiga ao seu lado.

Ficaram ali abraçados, unidos, por um longo tempo... As coisas pareciam ter parado de repente, apenas eles importavam ali. Estavam tão felizes, era possível sentir... Mesmo à metros de distância.

Sem nada a dizer, Daiki afastou-se do abraço e acariciou o queixo de Kagami com suavidade, segurando-o entre o incicador e o polegar. Permaneceu ali por longos minutos, apenas fitando o rosto do homem que amava. As luzes incessantes da roda gigante refletiam nos olhos dele, mas o intenso e raro vermelho estava ali, encarando-o também... Permitiu-se sorrir gentilmente, observando cada detalhe no rosto de seu marido. Sorriu um pouco mais ao pensar nele dessa forma, era bom.

Com carinho, passou a ponta do dedos na pele levemente sardenta. Não conseguia nem vê-las com aquela luz, mas sabia onde estava cada uma das quase invisíveis marcas... Subiu a mão para os cabelos, jogando-os para trás na intenção de afastá-los da testa de Taiga... Com a ponta do dedo indicador, acariciou suavemente a extensão do nariz do ruivo, passando por seu lábios e então voltando ao queixo.

– Taiga... — Sussurrou em um tom de voz muito baixo, apenas para sentir o nome do ruivo escapar futilmente por seus lábios. Estavam tão próximos e unidos.

– Daiki... — Ele respondeu no mesmo tom, repuxando um pouco os lábios em um meio sorriso.

Que gay, foi o que Aomine pensou ironicamente ao curvar-se para dar um beijo naqueles lábios. Os lábios que tanto amava, os lábios do homem que tanto amava.

Sentiu a língua de Taiga pedir permissão para adentrar sua boca, convite que aceitou prontamente ao enterrar os dedos delicadamente nos cabelos ruivos de sua nuca. Não era o primeiro beijo que davam, mas o frio em sua barriga foi intenso ao sentir o gosto de Kagami misturado ao da menta do chiclets, que inclusive ainda estava ali.

Taiga... Pensou ao trazê-lo mais para perto de si pela nuca. O amava tanto... Ele tinha a boca tão maravilhosa, um corpo tão quente, um cheiro tão gostoso. Poderia realmente ficar ali para sempre, apenas beijando aqueles lábios macios... Os mesmos que beijava todas as manhãs antes de dormir, todas as noites antes de trabalhar...

Os mesmos lábios que beijaria para sempre.


Notas finais
Juro que não queria acabar esse capítulo aí! Buuuuut... Pensem que eles realmente ficaram ali bem bonitinhos, sendo melosos, vomitando leite condensado um no outro, se beijandinho até o nascer do sol como dois lindos, boiolas, machos e apaixonados que eles são! Mas não teve lemon, porque sexo é só depois do casamento! Kkkkkkkkkkkkkkkkkk! ~Kill me! Na verdade poderia até acabar com a fic ali se eu quisesse... Mas sabe né, tem algumas pontas soltas para eu resolver ainda (Kento, Seiko, Ethan?) xDDD ~~Estou só me enrolando! E aí? Gostaram da viagem desses dois bakas? E da conversa super IMPORTANTE que o Aho teve com a Nick? E do jogo dos Lakers? ~~Pesquisei tanto, assisti tantos jogos, vi tantas fotos do Staples Center, uhhh... E da declaração do Taiga, terminando em um pedido de casamento???? Nha... Me digam xD Hehehehehe... Espero que sim! Logo logo sai o próximo... E agora é contagem regressiva! ~~Se eu não enrolar mais um pouquinho, CLARO :D Mas é difícil... D: Um beijão para vocês, meus leitores e leitoras mais lindos desse mundo! AMO VOCÊS! Vejo vocês nos comentários e no próximo capítulo de... Inevitável! (~le narrador da Globo) ;************************************************