Inevitável

9 Paranoiar...?


Notas iniciais
GENTEEEEEEEEEEE... Voltei ♥ Eu fiz esse menorzinho, mas ainda ficou um capítulo grande! É praticamente impossível parar de escrever isso ~gomen >.

~Aomine Daiki~

Com muito custo o moreno abriu os olhos. Parecia ser muito cedo, uma fraca luz entrava pela fresta da cortina revelando peças de roupa em todos os lados do cômodo. Encontrava-se no quarto de Taiga, mas estava sozinho... Onde ele foi? Vagarosamente sentou-se, percebendo que ainda estava nu e que o lençol parecia úmido abaixo de seu corpo. Sentia-se desconfortável...

Assim que esticou os braços para espreguiçar-se sentiu uma leve pontada em suas costas, mas a dor no quadril era a campeã. Apesar de tudo achou que seria muito pior, teve que rir sozinho com sua própria vergonha. Quando em sua vida imaginou transar... Ser comido... Fodido... Por um homem? Não sabia nem qual palavra usar.

Olhou ao redor procurando pela cueca e a encontrou perto da janela, como aquilo foi parar lá ele não lembrava. Colocou os pés no chão e ao apoiar-se em suas pernas uma pontada no quadril o fez ter vontade de encher de socos cada pedaço do corpo de Taiga. Aquela porra era dolorida demais... Mas tinha que admitir, foi muito bom... Quem queria enganar, foi bom pra caralho. Riu novamente irônico.

Andou com calma até o local e vestiu a peça com dificuldade. Sentou-se novamente na borda da cama e ouviu passos cautelosos se aproximando. A porta abriu e Kagami entrou em silêncio olhando para o corredor. O sorriso que ele abriu ao ver Aomine acordado foi o suficiente para que o moreno deixasse toda a dor de lado. Teve certeza das coisas... Fez aquilo porque realmente gostava dele... Quase podia afirmar que o amava mesmo.

– Bom dia Daiki! – O ruivo sussurrou animado, fechando a porta. Ele vestia apenas a cueca preta e Aomine pôde perceber várias marcas em sua pele, provavelmente de seus apertos e arranhões na noite passada. Sua vergonha só aumentou.

– Bom dia! – Cumprimentou, tentando não sorrir.

Kagami aproximou-se a apoiando as mãos em suas coxas despidas, tocando-lhe suavemente os lábios em um selinho carinhoso. Sua boca tinha gosto de pasta de dentes, o que fez Aomine rir.

– Eu não acredito que você acordou só para escovar os dentes.

– Eu fui mijar, só aproveitei a deixa! –Explicou o ruivo, empurrando-o com o nariz.

– Sei... Você e essa mania estranha... – Sorriu Aomine, dando-lhe mais um selinho e sentindo sua bexiga reclamar. – Vou ao banheiro também.

– Elas ainda não acordaram, é bem cedo. – Avisou Kagami abrindo espaço para o outro levantar enquanto se jogava de novo na cama. – Mas você está bem?

– Na medida do possível... – Afirmou Aomine estreitando os olhos ao sentir mais uma pontada de dor, arrancando uma rápida risada do outro. – Prepare-se Taiga, na próxima vez eu que vou rir.

– Mal espero por isso... – Sorriu irônico fechando os olhos de forma sonhadora.

– Idiota! – Disse, virando-se e silenciosamente saíndo do quarto. Escondeu a tempo o sorriso de seu rosto, não daria o braço a torcer.

Havia um ar de verdade nas palavras de Taiga que fizeram Aomine arrepiar-se um pouco. Tentou se livrar da sensação balançando a cabeça enquanto andava vagarosamente pelo corredor em direção ao banheiro. Olhou para os lados certificando-se de que ninguém o veria seminu caminhando pela casa.

Assim que o moreno entrou no banheiro as imagens do dia anterior vieram à tona em sua mente... A sensação de Taiga penetrando seu corpo, a expressão de prazer do ruivo, as estocadas fortes que ele dava com gosto, o barulho dos corpos, os gemidos... Aomine viu-se no lugar dele e desejou ainda mais aquilo, queria proporcionar a mesma coisa a ele. Qual seria a sensação de foder Taiga? Tinha tudo para ser gostoso. Ele com certeza demonstraria a dor, era mais bocudo... Imaginou a expressão de prazer do ruivo quando acertasse aquele ponto... Mordeu os lábios e fechou os olhos, mas exasperou-se ao sentir seu pênis endurecer enquanto urinava.

Suspirou fundo ao terminar e guardou-o de volta na cueca. Agora tinha um volume ali que ia demorar em baixar... Por que tinha que pensar nessas coisas quando estava morrendo de dor? Balançou a cabeça e foi escovar os dentes também, pegando a escova que Kagami comprara para ele... Riu novamente, pensando no motivo de o ruivo ter uma mania daquelas.

Aomine se divertia com seus pensamentos enquanto sentia a pasta virar espuma em sua boca. Taiga realmente era peculiar em certas coisas: Seu ponto fraco era o queixo, sua orelha direita era mais sensível que a esquerda, tinha mania de escovar os dentes, ouvia rock meloso, quando concentrava-se demais fazia uma cara engraçada, pensava demais nas coisas e virava um paranoico, tinha medo de cachorros, era competitivo ao extremo, falava mais rápido quando estava nervoso, resmungava frases inteiras durante o sono, tinha os caninos extremamente pontiagudos...

Ao ver o reflexo no espelho inclinou o rosto para o lado e sorriu com a boca cheia de espuma. Mesmo em sua pele escura era possível ver a marca da mordida que Kagami o deu ao chegar ao orgasmo. Não se arrependeu um segundo sequer, gostava mesmo de Taiga e que se dane seu orgulho e todo o resto. Não devia satisfação a ninguém mesmo...

***

Ao abrir a porta do quarto encontrou Kagami dormindo de bruços abraçando a coberta com os braços e pernas, era uma bela cena. Seu tórax subia e descia suavemente enquanto soltava um ronco baixinho, que mais parecia um ronronar. Com dificuldade Aomine deitou ao seu lado abraçando-o pelas costas e tentando encontrar a melhor posição possível. Com a dor era difícil, mas se ajeitou como pôde, evitando ao máximo pensar em coisas que fizessem seu pênis ficar ereto novamente. Estava difícil.

– Daiki... – Ele chamou com a voz um pouco sonolenta, provavelmente só cochilou naquele meio tempo. – Eu te machuquei...

– Deixa isso pra lá Taiga. – Ele sorriu, passando a mão nos cabelos ruivos para que ele voltasse a dormir.

– To falando sério! — Ele murmurou. — É visível que está doendo.

– Achei que ia doer mais. — Falou Daiki de forma simplória.

– Mentiroso... – Sorriu Kagami, virando o rosto para olhá-lo. – Só está se fazendo de durão.

– É... É... Claro que sim... Agora dorme Taiga, dorme. – Ironizou o moreno empurrando a cabeça do outro contra o travesseiro.

– Eu quero saber o que você sentiu! — Disse Kagami rindo e lutando contra a mão do moreno para encará-lo.

– Mas você é um chato de manhã, né? – Reclamou o moreno olhando-o nos olhos e sorrindo, permitindo que ele se virasse em sua direção. – Não tem por que se preocupar. Eu estou bem, ok?

– Ok! — Sorriu ele de canto. — Mas mesmo assim quero saber o que você sentiu.

– Ah, sério? – Perguntou Aomine erguendo uma de suas sobrancelhas, avaliando-o. Era impossível simplesmente desconsiderar aquele sorriso, mas estava com vergonha de falar.

– Sim... – Começou Kagami, olhando-o intensamente e esperando, como uma criança.

– Quer saber o quê exatamente? — Questionou o moreno, bagunçando-lhe o cabelo. Por que não conseguia escapar da lábia dele?

– Eu quero saber tudo. — Disse o ruivo tocando-lhe os lábios suavemente.

– É embaraçoso falar essas coisas... — Começou um pouco desconfortável, olhando para os cabelos desarrumados de Kagami. — Dói bastante no começo, mas depois é muito bom, você viu que é...

– Vi sim Daiki, sua cara ficou tão excitante quando a gente fazia... — Ele sorriu malicioso, corando um pouco. — Só me deu mais vontade de experimentar. Quero sentir o mesmo.

Aquela reação do ruivo o pegou de surpresa. Já era tarde para resistir... Sentiu sua ereção voltar, assim como as imagens que teimavam em espocar em sua mente. Tentou disfarçar e esconder com a coberta enquanto se movia na cama, mas estava bem exposto. Torceu para ele não olhar pra baixo.

– Não diga essas coisas, Taiga...

– Você se arrependeu? — Perguntou o ruivo, olhando-o um pouco alarmado.

– Não! — Admitiu Aomine rindo da reação de Taiga enquanto encarava aqueles profundos olhos rubros que tanto gostava. — Se eu fosse me arrepender não deixaria você nem chegar perto. Pare de criar caso!

– Fico mais de boa ao saber disso. — Sorriu, entrelaçando a perna de ambos e quase encostando em seu membro com a coxa. — Me conte mais...

– Mais o quê? — Reclamou, erguendo as sobrancelhas. — É vergonhoso.

– Não é vergonhoso... Somos namorados! — Disse o ruivo, encarando-o intensamente. — E outra... Eu estou morrendo de vontade de tentar também, por isso quero saber.

– Taiga, não ficarei dando spoilers. — Sorriu o moreno, sentindo sua ereção aumentar com as palavras do ruivo. — Espere para quando for sentir.

O ruivo aproximou os lábios, mas sem tocá-los, encarando-o profundamente. Sentia os corpos quentes encostando parcialmente enquanto o hálito de ambos se cruzava. Era excitante...

– Pena que você está com muita dor agora, não é? — Ele sussurrou dando de ombros, mas sorrindo maliciosamente.

– Você está querendo me provocar Taiga? — Perguntou Aomine com a respiração acelerando. Mal acreditava nas palavras que saíam daquela boca tão próxima.

– Estou! — Disse o ruivo, tocando de leve os lábios e voltando a falar colado com sua boca. — Nunca mais vou esquecer sua cara de tesão enquanto eu te comia. Acha que não quero saber o que tinha de tão gostoso?

– Não brinque comigo Taiga. — Ameaçou Aomine, puxando-o pelas costas com força para colar os corpos e deixar claro o quão excitado estava. Quase ignorou completamente a pontada de dor em seu quadril.

– Ou o quê? — Arfou ele, mordendo-lhe os lábios e puxando-o para mais perto, forçando-o a subir em parte de seu corpo. — Você vai me foder?

– Você quer? — Perguntou pegando-o forte pelos cabelos para encará-lo, sabia que ele gostava de sentir aquele puxão. Mal conseguia se conter, iria fazer aquilo nem que morresse de dor.

– Quero Daiki... — Sorriu o ruivo beijando-lhe os lábios com vontade, indo contra o puxão nos cabelos.

– Então me pede! – Disse Aomine afastando-se do beijo e puxando-o para si pela nádega. Não se reconheceu ao ouvir aquelas palavras saírem de sua boca, mas a expressão de Taiga o dava liberdade para muito mais. Gostou.

– Quero você agora Daiki. — Sussurrou Kagami com a voz rouca, fechando os olhos ao sentir outro puxão nos cabelos.

– Implore! — Mandou Aomine, olhando-o extasiado enquanto mordia seu queixo, sabia que ele gostava e se rendia quando fazia aquilo.

– Me fode agora, Daiki. — Ele murmurou entreabrindo os lábios e puxando-o mais para perto de seu corpo. — Eu quero que você me coma agora! — Sussurrou em seu ouvido. — Por favor...

Aquilo foi demais para ele, não imaginou que ele realmente iria implorar, estava esperando um protesto no lugar daquilo. Fazendo força para ignorar as pontadas em suas costas, o moreno o agarrou instantaneamente, puxando-o com força para baixo si enquanto se beijavam. A língua quente e macia de Taiga era sempre muito excitante, não importava quando, onde e como.

Estava começando a sentir um frio na barriga, um pouco inseguro com o que viria a seguir... Não conseguiria ter tanta paciência quanto o ruivo e esse era o seu medo.

Kagami o trazia para mais perto também, abrindo as pernas para que Aomine acomodasse seu corpo entre elas. Taiga tinha tanta iniciativa, aquilo o excitava mais ainda. Deu uma última mordida nos lábios do ruivo e ergueu-se para encará-lo de cima, apoiando-se com os braços, arfante. Aquele sim era o seu lugar.

O ruivo o encarava intensamente com os lábios entreabertos em um meio sorriso quase sádico. Aomine adorou aquela expressão. Seus olhos azuis passaram por todo o corpo do ruivo demoradamente e dirigiram-se para a única peça de roupa que ainda cobria o pênis duro de Kagami. Com um sorriso passou a mão de leve por cima da cueca, arrancando-lhe um leve gemido rouco.

– Você é gostoso, Taiga! — Sussurrou Aomine, encarando-o enquanto ainda esfregava a mão em seu membro escondido pelo tecido preto. — E é só meu.

A expressão dele era a melhor, Taiga não sabia se falava ou se gemia com o toque. Aomine não permitiu nenhuma das duas coisas, pois voltou a beijá-lo na boca disfarçando a reação da dor em suas costas. Desceu novamente para seu queixo enquanto colocava a mão por dentro da cueca e tomava em suas mãos o pênis de Kagami, começando a masturbá-lo com vontade.

Aomine já conseguia sentir seu pré-gozo escorrendo junto com o de Taiga, não ia aguentar muito mais tempo naquela enrolação toda, queria ir direto ao ponto. Mordeu-lhe com força o pescoço, dirigindo-se até sua orelha, a qual lambeu antes de sussurrar:

– Você quer mesmo Taiga?

– Quero! — Disse o ruivo, puxando-o pelas nádegas para que o pênis encostasse em sua entrada.

– Então se vire! — Mandou Aomine sem hesitar, estava arfante e mal se controlava. Não sabia o que estava fazendo, mas algo lhe dizia que era assim que tinha que ser. — Agora!

Kagami abriu os olhos e o encarou um pouco surpreso, mas aquela expressão sumiu rápido, sendo substituída pela satisfação e o desejo. Aquilo fez Aomine sorrir, era ele quem mandava agora.

– Ou quer parar? – Perguntou, provocando-o com uma nova mordida no queixo percorrendo o corpo dele com as mãos.

– De jeito nenhum... – Gemeu o outro com voz rouca, erguendo o rosto e fechando novamente os olhos com um sorriso de canto enquanto enterrava os dedos nos cabelos de Aomine.

O moreno sentiu o corpo de Kagami virar-se em baixo de si, deixando a mostra suas costas largas cheias de arranhões e marcas vermelhas de seus dedos. Olhou ao redor em busca do lubrificante, estava perto da borda da cama. Ao esticar-se para pegar o tubo sentiu uma pontada em suas costas e uma forte queimação em seu quadril, mas pouco se importou. Depois se preocuparia com aquilo.

Deitou-se sobre o corpo de Kagami e mordeu sua nuca, fazendo um arrepio espalhar-se pelo corpo do ruivo. Tirou sua própria cueca enquanto ainda cravava os dentes em sua pele quente e doce. Livrou-se da peça e tirou a de Kagami também. Sorriu ao perceber que o traseiro dele era mais branco que o resto de sua pele bronzeada. Nunca se imaginou atraído pelo corpo de um homem... Mas aquele era todo seu.

Deitou novamente sobre o ruivo, colocando seu pênis entre as nádegas dele e o puxando para si, fazendo-o arfar com o toque.

– Agora é tarde para desistir... – Sussurrou no ouvido do outro enquanto abria o tubo de lubrificante com a mão livre e molhava os dedos com o gel.

~Kagami Taiga~

Estava tão excitado com a ideia que nem pensou na dor que viria a seguir. Ao ver Aomine gemer daquele jeito e gozar com vontade no dia anterior só teve mais curiosidade em sentir-se penetrado pelo moreno, não pensava em outra coisa desde então.

– E outra... Não sei se terei tanta paciência Taiga... – Admitiu Aomine com a voz rouca em seu ouvido, colocando aos poucos o primeiro dedo.

Kagami gemeu tensionando o corpo, o desconforto era enorme. Mordeu o travesseiro abaixo de seu rosto para disfarçar o barulho que teimava em sair por sua garganta. Sentia muita dor, era como se estivesse sendo rasgado por dentro. As lágrimas quase escorreram por seus olhos, mas não daria o braço a torcer. Sabia desde o começo que seria doloroso, mas que depois viria a parte boa. Começou a se masturbar como pôde para tentar camuflar a sensação ruim que passava aos poucos.

– Vai Daiki... – Gemeu virando parte do rosto para olhá-lo assim que se acostumou com a sensação. Não estava ligando para mais nada, apenas relaxou o corpo ao senti-lo mover o dedo devagar para dentro e para fora.

Sem avisar, o moreno o encarou e forçou a abertura de suas pernas com as dele. Inseriu mais um dedo aos poucos, deslizando-o vagarosamente enquanto mordia suas costas com força e o arrancava outro gemido contido.

Aomine realmente não parecia estar com muita paciência, mas Kagami não ligava, bem pelo contrário, gostava desse jeito bruto dele. Quando ele lhe puxava o cabelo adorava a sensação, amava as mordidas fortes que ele dava e por algum motivo estava começando realmente a gostar daquela dor, tinha um prazer diferente contido ali. Queria mais...

– Taiga... – Ele gemeu em seu ouvido com os olhos em chamas. – Sua cara está tão... Gostosa.

– Então continua! – Pediu com a voz embargada de desejo, mordendo os lábios ao ouvir as palavras de Aomine. Sentia-o deslizar os dois dedos com mais velocidade. Estava tão gostoso...

– Não está doendo? –Perguntou curioso, olhando-o sem pudor aumentando a intensidade das estocadas e empurrando mais fundo.

– Claro... Que está... – Murmurou trêmulo, com o travesseiro entre os dentes. – Mas é uma dor tão boa...

– Ah Taiga! – Ele gemeu, entreabrindo os lábios e franzindo as sobrancelhas, nitidamente excitado ao ouvir aquilo. – Eu não vou aguentar muito tempo assim...

Sentiu que Aomine inseriu sem muita cautela o terceiro dedo, causando uma dor extrema em Kagami, que soltou um gemido e enterrou o rosto novamente no travesseiro para esconder as lágrimas. Como aquela merda doía, mas como era bom também. Desde quando era masoquista? Relaxou novamente o corpo enquanto o moreno movia os dedos com destreza para dentro e para fora, indo cada vez mais fundo.

– Ahhhhh... Daiki... – Gemeu alto ao sentir um prazer imenso de repente, chegou a ver estrelas de tão bom que foi. A sensação se prolongou de seu interior para seu pênis, fazendo-o pulsar com intensidade. A dor ainda estava lá, mas quase não sentia mais, aquela sensação o preenchia agora.

– Quietinho! – Sussurrou Aomine sorrindo satisfeito em seu ouvido, tapando sua boca com a mão livre. – É bom, não é?

Ele continuou o movimento estocando aquele mesmo lugar continuamente com os dedos. Kagami acenou positivamente com a cabeça. Fechava com força os olhos para evitar gemer alto enquanto mordia os dedos de Aomine em sua boca. Aquilo estava tão bom...

– Taiga, eu não aguento mais! – Disse Aomine imperativo, já tirando os dedos e provocando uma sensação vazia em Kagami. – Eu quero você!

Novamente o barulho do lubrificante encheu o quarto, Kagami estava com vergonha de dizer alguma coisa ou olhar para trás, sua posição era embaraçosa e sabia o que viria em seguida. Apenas fechou os olhos e aguardou, queria sentí-lo dentro de si, puta merda, aquilo era tão bom quanto fodê-lo... Mas tinha a dor, que também era boa... Não estava se reconhecendo, mas pouco importava também!

~Aomine Daiki~

O moreno quase não precisava de lubrificante de tão molhado que estava, mas mesmo assim passou o gel em seu pênis. Sentia tanto tesão quanto no dia anterior, e ver ele assim, de quatro, esperando com aquela cara... Era torturante ficar apenas brincando. Já nem ligava mais para a sua dor corporal, ela era ínfima comparada ao que sentia.

– Bem quietinho Taiga... – Falou, aproximando seu pênis da entrada. Se ele falasse alto elas com certeza acordariam e seria um problema.

Aomine agia totalmente por instinto agora, não sabia direito o que estava fazendo ou falando, mas gostava demais daquilo, da sensação de poder e domínio... Taiga nem imaginava o quanto o deixava louco, e o ruivo ainda por cima apreciava de alguma forma a dor... Como aquele desgraçado era gostoso!

Foi empurrando o membro contra o ruivo puxando-o em sua direção pelas coxas. Kagami apertava e mordia com força o travesseiro, suas juntas estavam esbranquiçadas pelo esforço. Seu rosto em contrapartida ficava cada vez mais vermelho e havia lágrimas escorrendo de seus olhos conforme o penetrava mais fundo. Ficou com medo de estar machucando, mas a sensação de tê-lo ao seu redor era a melhor que sentira na vida.

Aomine procurava se controlar para não colocar tudo de uma vez, assim como Kagami fizera na noite passada. O moreno parou, monitorando-se ao extremo e evitando estocar até o final por impulso... Estava tão gostoso e apertado, fez milagre para se conter. Olhou cauteloso o rosto de Kagami, mas ele estava voltado para o travesseiro.

– Mete Daiki... — O ruivo pediu com a voz rouca, empurrando seu quadril para trás de repente, arrancando um gemido alto de Aomine, que sentiu seu pênis entrar de uma vez só. Não estava esperando aquela reação de Taiga em hipótese alguma, realmente ficara surpreso.

– Pervertido desgraçado. — Gemeu sorrindo com satisfação, começando a se movimentar devagar para fora e para dentro novamente. Já não ligava para mais nada, se Taiga gostava da dor então que se danasse tudo. — Vou te dar o que você quer!

O ruivo, arfando, olhou de canto com um meio sorriso safado que fez Aomine perder o controle. Então este é Kagami Taiga... Seu Kagami Taiga. Começou a estocá-lo bem devagar, sentindo e vendo seu pênis entrar e sair de forma gostosa, mas ainda deslizando com um pouco de dificuldade. Aquilo era tão bom que mal conseguia respirar de forma compassada. Era uma sensação única, nunca imaginou que aquilo sequer existisse...

Os ruídos contidos de Taiga eram abafados pelo travesseiro que ele mordia com força enquanto se masturbava continuamente. Começou estocá-lo mais fundo e mais rápido, queria atingir aquele ponto de novo e vê-lo gemer alto, já não se importava com o que tinha a sua volta, eram apenas os dois que importavam agora.

Mordendo os lábios começou a puxá-lo com mais força pelo quadril enquanto fazia força contra o corpo do ruivo. Cada vez mais fundo, cada vez mais rápido, cada vez mais gostoso... Fechou os olhos e apenas deixou fluir, era bom demais.

– Ahhhhh... Daiki... — Kagami gemeu, largando a cabeça para trás forçando Aomine a abrir os olhos para admirar aquilo.

– Achei! — Murmurou satisfeito, estocando-o com mais força ainda no mesmo lugar.

Kagami forçava e movia o corpo para trás, indo de encontro com o pênis de Aomine, procurando cada vez um contato mais fundo. O moreno podia sentir suas coxas batendo contra a pele do ruivo, trazendo novamente para o ambiente aquele som erótico e excitante.

Já sentia o suor escorrer pelas suas costas. Tudo em seu corpo doía, mas que se danasse a dor, queria Taiga, só ele importava agora. O ruivo gemia em um tom de voz consideravelmente audível, mas tentava se conter a toa mordendo o tecido do travesseiro. A essa altura já haviam acordado as duas, mas estava pouco se lixando. Continuava a estocá-lo com a mesma intensidade, sentindo cada vez mais tesão com aquilo tudo.

Estava certo, as duas realmente acordaram, conseguia ouvi-las andando no outro cômodo. Kagami percebeu também, e levantou o rosto alarmado, colocando uma das mão na boca para abafar seus próprios gemidos. Ainda assim o barulho dos corpos se chocando preenchia o ambiente. Aomine não iria deixar o ruivo ficar calado, queria ouvi-lo gritar seu nome.

Percorreu as costas molhadas do outro com uma das mãos, passando por sua nuca e chegando em seus cabelos. Aomine o puxou para si, forçando-o a se levantar e aproximar o corpo. O abraçava pelo tórax e fazia-o se mover para cima e para baixo, deslizando por seu membro.

– Está bom, Taiga? — Perguntou no ouvido dele enquanto penetrava vagarosamente.

– Sim... — Gemeu o ruivo tremendo ao encostar-se no corpo do moreno com as costas suadas.

– Você quer mais? — Mordeu a orelha dele, vendo e se deliciando com a expressão de puro delírio do ruivo.

– Quero... — Disse Kagami com a voz baixa e com os lábios entreabertos. Ele estava completamente submisso e entregue, Aomine gostava daquilo.

– Quer que eu continue te fodendo gostoso? — Provocou, diminuindo ainda mais a velocidade das estocadas.

– Quero Daiki... — Disse Kagami ainda com os olhos fechados sendo puxado pelo cabelo, respirando com dificuldade. — Me fôda agora.

O moreno, mal se contendo, passou a língua no pescoço dele antes de liberá-lo para que voltasse a ficar de quatro. Kagami estava surpreendendo com suas atitudes. Quando era para dominar ele sabia fazer muito bem e deixava Aomine sem reação. Mas quando se tornava submisso excitava o moreno ao extremo. Taiga era incrível e imprevisível. E todo seu...

O moreno começou a se mover novamente, puxando-o contra seu corpo como antes. O barulho recomeçou e o ruivo gemia de forma contida, segurando-se ao máximo. Aomine sabia que estava acertando o local, conseguia sentir, era tão gostoso, mas seu corpo comaçava a cansar.

Teve que rir quando a música começou a tocar alta no cômodo ao lado, era um metal bem pesado que parecia pertencer a Nick. Kagami também riu em meio aos gemidos, mas não se importaram mais com isso. Depois morreriam de vergonha, mas agora estava bom daquele jeito. E muito bom, diga-se de passagem.

Aomine sabia que não duraria mais tanto tempo, aquilo tudo estava tão delicioso e viciante, esqueceu que uma hora acabaria. Sentia o formigamento se intensificar em seu baixo ventre e seus músculos já protestavam cansados, sem falar em sua dor no quadril.

Ouvia o ruivo gemer mais alto e cada vez parecia ficar mais apertado e delicioso, ele também estava quase gozando, pois aumentou a intensidade de sua masturbação.

– Eu... — Arfou Kagami após algum tempo. — Eu... vou... Vou gozar Daiki...

– Goza Taiga! — Pediu Aomine, já não aguentando mais e sentindo o seu próprio orgasmo chegar. — Taiga... Ah... — Gemeu descontrolado apertando-o contra si e sentindo o corpo perder a coordenação aos poucos...

– Ahhh... Daiki... — Gritou Taiga com a voz rouca. O moreno abriu os olhos enquanto ainda sentia seu líquido jorrar dentro do ruivo, viu que Kagami também gozava, sujando a cama em sua frente e parte de seu abdome. Era uma sensação delirante... Parecia perder a consiência.

O moreno, sentindo-se fraco e cansado, soltou o peso em cima do corpo de Taiga, que fez o mesmo e desabou na cama. Aomine removeu-se vagarosamente de dentro de Kagami, abraçando-o em seguida ao deitar em suas costas que subiam e desciam com a respiração. Ali era bom... Ainda mais sentindo os braços de Kagami apertarem os seus.

Nada disseram por um longo tempo e apenas permaneceram assim até suas respirações normalizarem e seus corpos relaxarem. Aomine abriu os olhos e encarou o rosto do ruivo que se apoiava no travesseiro. Ele estava imóvel, sério e sereno, parecia estar cochilando.

– Taiga... — Sussurrou, chamando-o. Queria saber como ele estava. Sentia seu corpo doer tanto que parecia ter sido estraçalhado, mas tinha certeza que o dele estaria pior, afinal fora um pouco mais bruto.

O único som que se ouvia era a música alta e pesada no quarto ao lado, pois Kagami nada disse, apenas permaneceu daquele jeito sem sequer mover um músculo.

– Taiga... — Chamou novamente com um tom de voz mais alto, movendo um pouco o corpo para deitar-se com o rosto de frente para ele. Assoprou-lhe a face, fazendo os cabelos úmidos do ruivo moverem-se um pouco. — Oe...

Impaciente com a falta de reação, tirou os braços do aperto e chacoalhou o corpo do ruivo para forçá-lo a acordar. Nada também, ele continuava imóvel. Começou a ficar preocupado. Será que aquele idiota desmaiara?

– Taiga! — Chamou com a voz mais alta, mexendo o corpo dele com força novamente. — Acorda!

Nada ainda. É, agora estava realmente preocupado.

Com dificuldade ajeitou-se na cama e aproximou o rosto para olhar a face dele, dando-lhe um tapa meio forte na bochecha. Qualquer um acordaria com aquilo. Nada, nenhuma reação, nem mesmo dor.

Aproximou um pouco mais o rosto, sentia a respiração dele batendo em sua pele, sua temperatura corporal era normal e era possível ver que as pupilas se moviam por debaixo da pálpebra. O que tinha que fazer? Empurrou-o com o nariz e deu outro tapa em seu rosto.

– Taiga! Fala comigo seu idiota... — Disse, com a voz meio tremida, ainda com o rosto próximo ao dele, balançando-o com as mãos. — Acorda!

– Buu! — Exclamou Kagami abrindo os olhos de repente, fazendo com que Aomine quase caísse da cama com o susto.

– Seu filho da puta! — Disse com raiva, dando um soco forte no braço dele. — Quero que você vá a merda!

Aomine realmente ficou irritado olhando-o gargalhar daquela forma. Se preocupou a toa e ainda por cima passou por idiota. Taiga parecia muito bem, obrigado.

– Sua cara foi a melhor! — Kagami disse, apoiando a mão na barriga enquanto ainda ria.

– Fiquei preocupado de verdade, seu babaca! — Irritou-se Aomine, empurrando-o com força torcendo para ele cair pelo outro lado da cama e quebrar um dente, se possível.

– Foi mal... — Falou ainda rindo, esquivando-se do empurrão e fazendo algumas caretas de dor. — Mas eu não pude resistir.

– Você é um retardado. — Disse Aomine, esforçando-se para não rir também, mas ainda empurrando-o com força com as mesmas intenções em mente.

– Desculpa... — Disse, sorrindo e olhando-o profundamente. Parecia estar feliz, seus olhos estavam límpidos.

– Vai tomar no meio do seu cú Taiga! — Finalizou Aomine, parando de empurrá-lo e fazendo força para não sorrir.

– Vem cá Daiki... — Disse Kagami, aproximando-se para abraçá-lo. — Desculpa...

– Saia daqui, seu idiota! — Reclamou sorrindo, desviando-se de Kagami e empurrando com a perna.

Kagami o alcançou e beijou sua boca lentamente, daquele jeito bom que só ele era capaz. Foi de submisso a dominador em questão de instantes. Aomine retribuiu o beijo, abraçando-o também. Era impossível ficar realmente bravo com Kagami Taiga, mesmo depois de passar por idiota.

Afastaram e ficaram se encarando por um longo instante. O moreno não soube o que dizer, nada vinha em sua boca. Kagami sorria em sua frente, ele parecia estar satisfeito e realmente feliz, assim como o próprio Aomine.

– É... — Começou o ruivo, coçando a nuca, enquanto sorria tímido. — Eu acho que realmente te amo, Aomine Daiki.

– Eu também... — Disse o moreno, sentindo uma felicidade imensa ao ouvir aquilo, passando os dedos por entre os cabelos ruivos. — Eu também te amo, Kagami Taiga.

O ruivo o abraçou com força, mas parou de repente. Fez uma expressão de dor e voltou a deitar com a barriga para cima.

– Falei que eu ia rir da próxima vez... — Disse Aomine triunfante, olhando para o rapaz que colocava as mãos nas costas. — Dói né?

– Idiota... — Sorriu Kagami, ajeitando-se na cama.

Duas batidas na porta fizeram com que eles se sobressaltassem e puxassem juntos as cobertas que estavam jogadas em qualquer canto. Cobriram-se e esperaram alarmados pelo pior.

– Posso abaixar ao volume da música já? — Perguntou Nick sarcástica, fazendo os dois corarem. Ela apenas riu e se afastou.

– Vish... — Disse Kagami envergonhado, deitando novamente. — Espere pelo pior agora...

***

~Kagami Taiga~

– Sério que você não vai ficar para o almoço? — Perguntou Nick, que sentava-se a mesa e apoiava o rosto em suas mãos.

– Não! — Suspirou Aomine, que ainda tinha o celular na mão e encostava-se na bancada da cozinha perto de Kagami. — Quando se trata da minha mãe não tem muito o que fazer.

– Mas vai voltar aqui ainda, não é? — Questionou Alex, que estava deitada no sofá assistindo aos programas de TV que tanto gostava.

– Talvez amanhã... — Lamentou-se Aomine, olhando de relance para Kagami enquanto passava a mão em seus próprios cabelos molhados do banho. — Minha avó mora num sítio no meio do mato e é aniversário dela. A família inteira vai, algo assim.

– Que saco! — Riu Alex, voltando a olhar para a TV.

– É! — Concordou Aomine, dirigindo o olhar novamente para o ruivo.

Kagami apreciava desanimado o frango que cozinhava dentro da panela... Queria passar o resto do final de semana com Aomine, ainda mais depois do que eles fizeram. Mas entendia que não havia escolha.

– Então acho que a gente se despede aqui! — Sorriu Nick, levantando-se da cadeira. — Nós vamos voltar para L.A. amanhã a noite...

– Já? — Surpreendeu-se Aomine.

– Sim... Minhas duas semanas de férias estão expirando. — Suspirou Nick. — Mas pelo menos deu para ter certeza que meu maninho está muito bem aqui.

Kagami sorriu e virou-se para olhá-la.

– Bem demais por sinal! — Afirmou Alex rindo do sofá. — Tivemos certeza disso hoje de manhã, assim como a vizinhança toda!

– Porra, já deu! — Bufou Kagami corando e arrancando mais risadas das duas. Voltou a encarar sua panela.

Aquele assunto voltava a tona a cada cinco minutos, virou a piada da casa. Ouviu as risadinhas de ambas quando saiu do quarto, quando foi tomar banho, quando deu uma mancada ao andar por causa da dor, quando levou o lençol para lavar, quando sentiu dificuldade para abaixar-se e pegar a panela, em todos os momentos... Alex e Nick eram impossíveis quando estavam juntas, tinha esquecido daquilo.

– Então, acho que vou indo! — Falou Aomine sem graça, desencostando-se da bancada e trazendo novamente a atenção de Kagami para si.

O ruivo o encarou um pouco triste, mas sorriu compreensivo. O moreno também não parecia muito satisfeito com aquilo, mas não poderiam arriscar. Kagami abaixou a intensidade do fogo e deixou a panela sozinha, iria acompanhá-lo.

– Ah, foi muito bom te conhecer! — Disse Nick apressando o passo para abraçá-lo. Mal alcançava em seu peito. — Você é uma boa pessoa!

– Você é legal também! — Disse o moreno sem graça passando a mão nos cabelos curtos dela. — Cunhada?

– Cunhado! — Sorriu ela radiante afastando-se e encarando-o com o rosto levantado. Sua expressão ficou séria de repente. — Se você fizer Taiga sofrer por algum motivo, eu te juro Aomine Daiki, volto para cortar fora sua linguiça.

– Ah... Eu... — Balbuciou o moreno totalmente sem reação, com certeza não esperava aquilo. Kagami conteve-se para não rir.

– Sim, isso foi uma ameaça. — Alex sorriu gentilmente, aproximando-se também.

– Eu não vou fazê-lo sofrer! — Afirmou Aomine, olhando para Kagami com firmeza. O ruivo sorriu ao ouvir aquilo, sabia que era verdade e faria da mesma forma.

– Sei que não vai, vocês nasceram um para o outro! — Disse Alex, abraçando-o também. — Foi legal te encontrar Daiki, cuide do nosso menino, ok?

– Eu vou! — Disse ele abraçando-a sem graça e logo se afastando para olhar as duas. — Foi bom conhecê-las também.

– E pode ficar tranquilo que não vou mais beijar o Taiga! — Piscou Alex, assim que os dois iam juntos em direção a porta.

– É, isso sou eu que faço agora! — Sorriu Aomine envergonhado, coçando a nuca.

– E todo o serviço completo! — Completou Nick, que começou a rir sozinha.

– Vocês duas vão nos atormentar com isso para o resto da vida não é? — Perguntou Kagami incrédulo com a piada ao chegarem a porta.

– Vamos! — Responderam as duas em uníssono, rindo.

– Retardadas! — Resmungou o ruivo, abaixando-se com dificuldade para pegar a chave que largara no chão na noite anterior. Tudo doía em seu corpo, simplesmente tudo. — Cuidem do fogão, vou levar ele até lá em baixo.

– OK! — Disse Nick, indo até a panela, saltitante. — Tchau Daiki.

Kagami não deu tempo de resposta, simplesmente fechou a porta e olhou para Aomine, que já o esperava no corredor.

– Desculpa Taiga. — Ele disse sem jeito. — Eu não queria ir embora.

– Relaxa! — Sorriu o ruivo, encarando-o com um sorriso compreensivo e espalhando os cabelos azulados. — Sei que não! Não precisa se desculpar...

– Pelo menos não vou mais precisar ouvir as piadas! — Disse, fazendo o mesmo com os fios ruivos de Kagami.

– Elas são insuportáveis! — Bufou Kagami enquanto dirigiram-se as escadas.

– Ninguém mandou você ficar fazendo barulho. — Disse Aomine irônico, dando de ombros.

– Ah, seu filho da mãe. — Irritou-se Kagami, empurrando-o com o ombro contra a parede da escadaria. — Você também não estava muito quietinho ontem.

– Mas ontem não tinha ninguém em casa! — Riu Aomine triunfante, empurrando-o também.

Chegaram rápido ao pé da escada, rindo igual dois idiotas. O moreno parou e o puxou alguns degraus para cima novamente, longe do alcance de visão das pessoas que passavam pelo saguão.

– Que foi? — Perguntou Kagami erguendo uma das sobrancelhas perante a reação do moreno.

Aomine apenas levou o dedo aos lábios em um sinal de silêncio e o puxou para um beijo, encostando-o contra a parede. O ruivo com certeza não estava esperando aquilo, mas gostou e retribuiu o beijo com a mesma intensidade. Lógico que ele queria se despedir.

– Se cuide Taiga! — Ele sussurrou assim que se afastaram para respirar.

– Você também! — Sorriu Kagami, dando-lhe um selinho.

– E antes que você fique paranoiando sozinho, eu não me arrependi de nada, ok? — Sorriu Aomine, encostando a testa de ambos.

– Eu não estava paranoico. — Reclamou Kagami, franzindo a testa.

– Mas ia ficar, eu te conheço! — Esclareceu Aomine. — Já ia pensar que eu fui embora porque não queria mais ficar com você, que eu me arrependi e comecei a inventar desculpas para ficar longe... Enfim, você ia criar casos com essas caraminholas que tem aí dentro.

– Cala a boca! — Riu Kagami, reconhecendo-se no que ele dizia, mas jamais daria o braço a torcer. — Eu não sou assim.

– Ah, você é! — Assentiu o moreno erguendo as sobrancelhas e dando-lhe mais um beijo rápido apoiando a mão em sua bochechas.

Desde quando Aomine o conhecia tanto? Kagami parou para pensar que não sabia como o moreno era, ele não deixava transparecer tanto o que pensava ou sentia... Ou não conseguia reparar tanto assim nos pequenos detalhes?

– Quando eu voltar de lá eu te aviso. — Falou Aomine assim que começaram a descer novamente as escadas. — Ainda tem chances de eu te ver amanhã.

– Tá bom então! — Disse o ruivo, sorrindo quando chegaram no saguão. — Vou esperar.

– Então acho que é isso. — Falou Aomine sem graça, quando recomeçaram a andar até a porta de saída, passando ao lado do porteiro.

– Bom dia Akira-sama! — Cumprimentou Kagami, erguendo a mão.

– Jovem Kagami Taiga, como vai? — Ele cumprimentou mau-humorado, evitando olhar para Aomine.

– Bom dia para você também. — Disse o moreno, encarando-o com as sobrancelhas levantadas.

– Ah, nem te vi! Bom dia! — Disse o porteiro irônico, estreitando os olhos para Aomine e voltando a olhar para a revista que lia.

Kagami foi obrigado a sorrir assim que se aproximavam da saída.

– Tchau então, Taiga! — Disse Aomine com uma careta, estendendo o punho para que ele batesse.

– Falou Daiki. — Despediu-se, dando um leve soco na mão do outro. — Bom aniversário.

– Uh! — Ironizou ele já descendo os poucos degraus e chegando ao portão. — Ótimo, tenho certeza. Até.

– Até... — Falou, vendo-o se afastar. Aomine virou-se e acenou antes de continuar o caminho. Kagami suspirou fundo e voltou ao que estava fazendo, tentando não pensar na dor que sentia ao caminhar ou realizar qualquer movimento brusco. Valera a pena.

Evitava pensar também em qualquer outra coisa que o levasse a "paranoiar". Aquela palavra nem existia... Teve que rir.

***

~Aomine Daiki~

– Cheguei! — Disse Aomine abrindo a porta de casa contra a vontade. Daria tudo para voltar na casa de Taiga agora.

– Daiki, venha até aqui, por favor. — A voz de seu pai foi audível da cozinha.

Engoliu um pouco de saliva enquanto retirava os calçados na porta de entrada. Dirigiu-se pelo corredor de assoalho até chegar ao último cômodo, onde seu pai e sua mãe sentavam-se à mesa, pareciam estar esperando por ele. Engoliu saliva novamente e sorriu apreensivo.

– Bom dia. — Disse, sentando-se em uma cadeira restante e encarando-os.

– Tudo bem meu filho? — Perguntou a mãe com um sorriso tranquilizador. Pelo menos assim já sabia que não era uma bronca...

– Sim! — Sorriu, coçando a nuca. O que viria daquilo ele não sabia...

– Já tomou banho? — Perguntou o pai, erguendo uma das sobrancelhas.

– Ah, sim... — Disse corando, ao sentir os cabelos umedecidos com a mão.

– Isso é um milagre! — Sorriu Ethan cruzando os braço. — Nunca te vi acordar para tomar banho.

– É! — Riu Aomine nervoso. Não estava entendendo mais nada, mas sabia que eles estavam especulando. Decidiu mudar de assunto. — Hoje é aniversário da vovó?

– Sim! — Sorriu a mãe colocando os cabelos azulados atrás da orelha. — Vamos fazer uma surpresa, só estamos esperando seus tios para irmos juntos até o sítio. Está com fome?

– Eu tomei café da manhã... — Comentou, lembrando-se de como aqueles donuts que comeu eram bons. — Mas estou com fome.

– Pegue algumas bananas antes de sairmos. — Sorriu o pai.

– Ok! — Disse desconfortável, a hora da verdade estava chegando... O que eles queriam? — Pois é...

– Ok, sem mais delongas... — Comentou Aomine Seiko, chamando a atenção de ambos para si. — Daiki, o que tem de tão interessante na casa de Kagami Taiga?

– Hã? — Perguntou Aomine surpreso, sentindo seu coração dar um salto. — Como assim?

– Você passa bastante tempo lá. — Disse a mãe dando de ombros. — Sabemos que ele é um querido, mas o que você fazem juntos tanto tempo?

– Jogamos videogame, basquete... Assistimos NBA... Conversamos... Ele cozinha... Saímos com o Tetsu... — Ele começou, um pouco nervoso. Estava com medo do rumo que a conversa tomava. — Por quê?

– Você nunca foi de dormir na casa de amigos, Daiki! — Explicou o pai, olhando-o curioso. — Eu e sua mãe temos uma teoria...

Aomine sentia seu coração bater tão rápido que poderia morrer ali mesmo de infarto. Quando o pai falava a palavra "teoria" era de se esperar o pior. Onde eles queriam chegar? Será que suspeitavam de algo? Improvável! Não estariam conversando normalmente se eles soubessem de seu relacionamento com o ruivo, ainda mais se tratando de Ethan... Ele o arrancaria o couro e abriria um buraco no bucho de Taiga com uma .12 se descobrisse. Apenas esperou...

– Meu filho, hoje quando falava com você pelo telefone eu ouvi a voz de algumas meninas na casa de Taiga-kun. — Disse a sua mãe encarando-o com os olhos brilhantes. — Você tem uma namoradinha?

– Ah... Eu... — Balbuciou Aomine arregalando os olhos incrédulo, desejando do fundo do coração morrer ali mesmo. De onde eles tiraram aquilo? Namoradinha? Quem usava o diminutivo?

– Não precisa esconder essas coisas de nós! — Sorriu Ethan perante a reação do filho. — Você está na idade de começar a procurar as meninas.

– Mas eu... — Começou o moreno, não sabendo nem o que dizer. A coisa estava indo para um lado horrível, teria que reverter aquilo!

– Sabe que sempre gostei muito da Satsuki, não é? — Disse a mãe, interrompendo-o. — Mas não me importo se você encontrou outra pessoa.

Lógico que havia encontrado outra pessoa, só não poderia dizer que essa pessoa tinha um pinto. Estava completamente sem reação, a coisa estava indo para o pior lado possível, o contrário do que esperava.

– Mãe... Pai... — Ele começou, teria que dizer algo antes que fosse tarde demais. — Eu...

– Está na hora de termos aquela conversa Aomine! — Disse Ethan, encarando-o firme e também boicotando sua frase. — Sabe, aquela conversa de pai e filho.

– Sério, não precisa! — Disfarçou Aomine, querendo se afogar em um copo d'água ou em qualquer outro lugar. Eles não o deixavam falar nada, ficavam interrompendo... Estava sem reação.

– Eu quero conhecê-la, Daiki. — Sorriu a mãe dele, olhando-o orgulhosa. — Ela é conhecida de Taiga, ou mora no mesmo prédio?

– Ah, sim! — Mentiu Aomine, não encontrando outra saída. Estava se afundando cada vez mais, não tinha mais escapatória.

– Qual o nome dela? — Perguntou Ethan.

– Esperem! — Disse Aomine sentindo-se explodir, levantando os braços para que eles se acalmassem. — Eu não tenho namorada, vocês estão...

– Ele está com vergonha! — Disse Seiko, olhando com carinho para Ethan. — Desculpe filho, não vamos pressioná-lo mais.

– Na hora certa você vai apresentá-la pra gente! — Disse Ethan, sorrindo para o filho. — Mas sobre a conversa... Como pai tenho o direito de pedir que usem sempre camisinha e juízo, sempre juízo!

– Pai, por favor... — Disse Aomine sentindo a voz sumir enquanto enterrava o rosto em suas mãos. Aquilo era o fim.

– Deixa Ethan. — Sorriu Seiko. — Ele está com vergonha, uma outra hora vocês conversam.

– Tem razão. — Disse o mais velho, passando a mão nos cabelos do filho. — Fico feliz que você esteja começando a namorar, isso está endireitando você, Daiki. Percebo sua mudança nesses últimos meses.

– Eu... — Começou, olhando para os pais, ambos pareciam tão orgulhosos. Sentia-se sem chão. — É...

– Sendo uma garota está ótimo! Traga ela para jantar aqui. — Disse a mãe já levantando ao ouvir o barulho de uma buzina. — Acho que eles chegaram.

– Tem razão. — Falou Ethan, levantando-se também. — Corra trocar de roupa filho, pegue algo para usar amanhã também, vamos dormir por lá.

– Ok! — Disse Aomine levantando-se e dirigindo-se arrasado para o quarto no andar superior.

– Onii-chan... — Sorriu Kento, correndo em sua direção escada abaixo. — Olha que legal essa figurinha!

– É, bem legal... — Murmurou mau-humorado sem sequer olhar para o irmão. Não estava com cabeça para isso, continuou caminhando até a última porta do corredor.

Como um dia perfeito pode ter se transformado no início de um pesadelo em quastão de minutos? Agora seus pais estavam com a ideia totalmente contrária da verdade... Estava na merda.

***

~Kagami Taiga~

"Acho que estamos com problemas Taiga... Amanhã te explico. Se cuide."

Ok, Aomine o pedia para não estrar em parafusos, mas aquilo foi o suficiente para estragar o final de semana inteiro de Kagami Taiga. Digitou rápido a resposta, sentindo-se preocupado.

"Do que você está falando?"

Não recebeu a resposta.

Notas finais
E agora minna? Foi um capítulo básico, teve um lémon interessante (ou não?) e agora as tretas começam a acontecer '-' Lógico que nem tudo seria um mar de rosas na vida desses dois... COMENTEM, OK? ♥ O que vocês acham que vai acontecer? Gostaram??????? CONTA TUDO GENTEEEEEEEEEEEEE ♥♥♥ Até o próximo capítulo ^^'