Inevitável

12 Juntos e Livres!


Notas iniciais
Gente... Demorei mas cheguei! Vida social me prendeu legal essa semana :P Mas aqui estamos novamente com mais um trecho da história fofuuuuda desses dois bakas que amo tanto ♥ Antes de começarem a ler sugiro que procurem a música "Wish You Were Here", do Pink Floyd (seria legal ver a tradução tbm)... Se precisar, o link do youtube está nas considerações finais, é importante vocês conhecerem essa música... Vcs vão entender mais tarde o motivo! ^^ Esse capítulo ficou GIGANTE! Gomen~ Boa leitura e se apaixonem um pouco mais por eles... MUAHAHAHAHA o/ Vejo vocês nos comentários!

~Aomine Daiki~

Ainda era 6h34min quando os tímidos raios de sol começaram a aparecer através das cortinas entreabertas da casa de Aomine. A movimentação ali era intensa desde muito mais cedo, assim como todas as vezes que viajavam nas férias de verão.

O moreno mal dormira de tanta ansiedade. Apesar de já ter acampado milhões de vezes no sítio de sua avó com os primos ou até mesmo sozinho, Aomine tinha certeza de que seria completamente diferente desta vez, e por um simples motivo: Taiga estaria com ele, seu Taiga, seu namorado.

– Puta que pariu, puta que pariu... – Ele murmurava extremamente elétrico, dando leves e repetitivos tapas em suas bochechas. Seu sorriso não saía do rosto.

E ainda por cima era aniversário de Taiga, faria de tudo para tornar aquele dia perfeito para o ruivo, principalmente em um lugar incrível como aquele. Aomine planejara o itinerário completo em sua mente, o levaria para todos os cantos que conhecia naquele terreno gigante e cheio de lugares escondidos que só ele havia explorado até então. Lógico que teriam que tomar cuidado em dobro com os seus pais, mas mesmo assim já tinha tudo definido e faria dar certo.

O moreno percorria pela terceira vez seguida o quarto verificando cada canto, certificando-se de que não esquecera nada.

– Mochila... Repelente... Barraca... — Ele murmurava, olhando de um lado para o outro e apalpando os bolsos. — Celular... Lanterna... Acho que é isso! Ah... Claro! O presente!

Olhou satisfeito para o embrulho azul em cima de sua escrivaninha... Não ficara cem por cento bonito, mas empacotou da melhor forma que conseguiu. Surpreendera a si mesmo ao escolher e elaborar aquele presente, pois nunca achou que teria mentalidade para esse tipo de coisa. Tinha certeza que Taiga iria gostar, só não sabia bem certo desde quando começara a ser romântico daquela forma... Sorriu envergonhado com o pensamento enquanto guardava o embrulho com cuidado em um dos compartimentos de sua mochila.

A campainha o despertou de seus devaneios, fora tomado pela euforia mais uma vez. Olhou rápido pelo vidro, e como o esperado era Taiga! Ele estava parado em frente ao portão olhando em direção à sua janela, um sorriso cruzou os lábios do ruivo quando o viu através da cortina azul.

Estavam namorando há quase quatro meses e já fizeram tudo o que era possível: Jogaram milhões de partidas mano a mano, saíram mais de mil vezes juntos, sentiram ciúmes um do outro, transaram bastante, dormiram juntos, praticamente tudo... Mas para Aomine nada mudara, a sensação de vê-lo era a mesma da primeira vez que se beijaram, suas mãos até suavam um pouco e seu coração batia descompassado.

– Taiga-onii-chan! – Kento gritou e correu faceiro para abrir o portão. O pequeno via o ruivo como um herói particular. O vilão, claro, era Aomine.

Sem esperar mais, o moreno pegou suas coisas e desceu apressado pela escada, encontrando Ethan e Seiko na cozinha arrumando as comidas que sempre levavam para sua avó. Sua mãe cantarolava alguma canção sem sentido, e sempre que fazia isso indicava certo grau de animação, o que era muito bom.

– Não esqueçam que é aniversário do Taiga! — Comentou Aomine colocando a mochila enorme ao lado da mesa, onde o resto da bagagem da família estava.

– Ah, é mesmo! — Sorriu Seiko, separando algumas conservas. – Já havia esquecido!

Sem esperar, o moreno saiu da cozinha e foi receber o ruivo, que ainda era abordado por Kento na porta de entrada. Ele estava usando uma roupa extremamente normal, calça jeans, tênis claro e uma camiseta branca que ficaria preta até final do dia. Péssima escolha para um acampamento, mas ele ficava muito bem assim... Na verdade ele ficava bonito de qualquer jeito, principalmente sem vestir nada.

– Feliz aniversário Bakagami! — Exclamou Aomine feliz, pulando em sua garupa e espalhando os cabelos úmidos do banho.

– Valeu, Ahomine, valeu! — Ele ria, tentando se livrar do outro em suas costas, curvando-se para frente e movimentando rápido o corpo.

– Tudo certo? — Perguntou o moreno ofegante ao ser derrubado e ver o outro tentar ajeitar os cabelos desgrenhados.

– Tudo ótimo! — Sorriu Kagami, cerrando os olhos de forma satisfeita.

Havia uma particularidade no sorriso de Taiga que percebera há pouco tempo: Quando os caninos pontiagudos dele sobressaíam-se de leve no canto da boca significava que ele realmente estava animado, já quando ficavam para dentro dos lábios então era um sorriso sem real entusiasmo.

– É aniversário do Taiga-onii-chan? — Perguntou Kento erguendo as finas sobrancelhas, olhando confuso para ambos.

– Sim! — Confirmou Aomine, lançando um olhar de canto para o irmão.

O menino, com uma expressão de puro fascínio, pulou repentinamente no colo de Taiga e o abraçou.

– Feliz aniversário, Taiga-onii-chan! — Kento gritou evidentemente emocionado. Para as crianças era sempre desse jeito, e para Kento era mil vezes mais... O pirralho era extremamente exagerado.

– Obrigado!

Aomine teve que rir quando Kagami retribuiu sem jeito o abraço do menino e olhou para o moreno pedindo auxílio, havia uma chama de desespero em seus olhos. Ele realmente não estava acostumado com crianças, e Kento conseguia ser a mais dramática de todas elas.

– Já deu, já deu! — Disse Aomine, puxando o menino pelo calção, fazendo-o cambalear no chão. Voltou seu olhar para o ruivo e sussurrou. — Depois te dou um "parabéns" mais decente.

– Relaxa Aho... — Sorriu o ruivo, cutucando-lhe as costelas com o dedo. — Teremos tempo!

– Idiota! — Disse o moreno, passando a mão no local dolorido enquanto dava um soco em seu braço. — Vem! Traz a sua mochila, eles logo vão colocar as coisas no carro.

– OK! — Confirmou o ruivo com outro sorriso que deixava os caninos a mostra.

***

~Aomine Seiko~

– Isso quase merecia uma foto, Ethan! — Sorriu a mulher, olhando para os três meninos profundamente adormecidos no banco de trás do carro.

Kento sentava-se no colo de Kagami, insistira nisso a viagem inteira até que finalmente conseguiu. O ruivo por sua vez apoiava o rosto no vidro do carro, e em cada buraco ou trepidação por onde eles passavam sua cabeça dava baques ocos contra a janela. Já Aomine, sempre espaçoso, apoiava as pernas nas pequenas de Kento e sua cabeça estava encostada no outro vidro, também batendo com o movimento.

– Fico feliz que Daiki tenha encontrado um amigo assim! — Comentou o homem com um tom divertido, olhando o trio pelo espelho retrovisor.

– Mas eles ficam tanto tempo juntos... — Comentou a mulher, virando-se novamente para olhar a estrada de barro e pedra em sua frente. Adorava aquela paisagem campestre nas redondezas da casa de sua mãe, lembrava a sua infância.

– No tempo da faculdade eu também tinha amigos bem próximos. — Deu de ombros Ethan. — Morávamos juntos e tudo, é normal.

– Eu sei! — Sorriu ela, satisfeita. — Gosto muito do Taiga, e ele fica tão sozinho lá naquele apartamento, tenho até dó. É bom que façam companhia um ao outro.

– Claro que Daiki poderia ter trazido a tal da Rin também... — Suspirou Ethan. — Mas Taiga é um bom menino, muito educado.

– Eu não iria deixar a mocinha vir! — Afirmou Seiko, olhando-o com as sobrancelhas levantadas. — Que garota de respeito sairia assim para acampar por uma semana com um rapaz?

– Tem razão! – Sorriu concordando. — Enfim, vamos ver se isso entre eles vai dar certo também...

– Parece que eles andaram brigando. — Comentou a mulher em voz baixa, olhando para trás, verificando se eles ainda dormiam. — Daiki andou me contando algumas coisas, parece que ela está um pouco distante ultimamente, ou algo assim. E foi isso refletiu nas notas dele, tenho certeza.

– Mas ele não pode relaxar nos estudos, muito menos por causa de um namorico sem futuro! — Disse Ethan incisivo, franzindo as espessas sobrancelhas. — Ele vai seguir com a profissão da minha família, precisa se esforçar para isso. Não quero que ele acabe como peão em uma empresa qualquer, estragaria com nosso nome.

– Eu sei! — Sorriu compreensiva. — Ele ainda está no segundo ano, vai se esforçar.

– Seiko, e sobre aquele assunto que conversamos no mês passado...

– Já sabe o que penso disso! — Ela olhou imediatamente para o marido, séria. – Não cabe a nós tomar essa decisão!

– Mas eles são de uma família muito influente. — Argumentou Ethan, olhando de relance para trás. — É uma proposta que trará muitos benefícios para nós!

– Não concordo nem um pouco com isso e me espanto que você tenha considerado. Ethan, você não é nem japonês para aprovar essas coisas! — Exclamou Seiko, erguendo as sobrancelhas. — Pode até ser uma família influente com uma boa proposta, mas é o nosso filho e ele deve ter pelo menos essa liberdade de escolha.

– Temos até o final desse ano para aceitar! — Suspirou o homem, virando à esquerda em uma curva acentuada.

– Ethan, não concordo e ponto final! — Bufou Seiko, irritada.

– Não vamos brigar de novo por isso! — Sorriu o homem, pegando de leve na mão da mulher. — Teremos uma ótima semana e mais tarde voltaremos a conversar com mais calma.

– Certo! — Sorriu ela, temerosa.

Seiko suspirou fundo. Aquilo não iria acontecer, Daiki não era uma mercadoria!

***

~Kagami Taiga~

– Você não disse que teria cachorros aqui! — Exclamou o ruivo pela quarta vez, engolindo a grande quantia de saliva que acumulara em sua boca.

Kagami recusava-se a sair do carro apesar de que toda a bagagem já fora levada para dentro e todos estavam apenas os esperando na casa de campo que ficava além da cerca viva. Aomine acariciava a barriga de dois labradores com dentes gigantes e olhares malignos. Ambos pareciam espreitá-lo, apenas aguardando o momento que ele fosse sair do carro para devorá-lo vivo.

– Eles são inofensivos, Taiga! — Ria o moreno, que parecia prestes a levar uma mordida nos dedos ao colocar a mão perto daquelas bocas enormes. — Pode vir.

– Leve eles para longe primeiro! — Pediu o ruivo, sentindo-se encabulado e desapontado consigo mesmo, mas não era uma coisa que conseguia controlar. Sua voz diminuiu. — Você sabia desde o começo...

– Vou te ajudar com isso! — Sorriu o morno, aproximando-se da porta e a abrindo gentilmente para Kagami. — Vamos apresentar vocês...

– Daiki, por favor, não... — Suplicou o ruivo em pânico, embrenhando-se mais para dentro do carro. — Eles são enormes!

– Calma, eles são bonzinhos! — Sussurrou Aomine com um olhar compassivo, sentando-se no banco do carro e encarando o ruivo com um sorriso gentil. — Te prometo que eles não vão te machucar.

Não soube o que fazer, apenas ficou em silêncio e sentiu o coração bater mais e mais forte. Sabia que Daiki fazia aquilo para acalmá-lo, e de alguma forma estava conseguindo, mas seu medo de cachorros era antigo.

– Você confia em mim? — Aomine perguntou com um meio sorriso tocando de leve sua mão apoiada no acento do carro.

Sem encontrar palavras, Kagami apenas confirmou com a cabeça e segurou a mão do outro. Aomine foi retirando as pernas do carro e levantando-se enquanto o ruivo deslizou até a borda do estofado. Os cães o encararam de forma ameaçadora, estavam a poucos centímetros de si.

– Taiga, esse é o Bob! — Sorriu o moreno, guiando a mão trêmula de Kagami até o topo da cabeça do mais corpulento dos dois.

Ao receber o toque hesitante, o cão moveu a cabeça ao encontro de sua mão. Kagami fechou os olhos por reflexo e começou a acariciar o pelo curto e dourado, era macio e bom de pegar, mas ainda assim era um cachorro.

– Pronto! – Kagami exclamou e afastou a mão bruscamente, sentindo-se trêmulo. O cachorro veio em sua direção, teve a certeza de que seria mordido em instantes. Fechou novamente os olhos!

– Ele gostou de você! — Riu Aomine perante a reação do ruivo, tocando de leve em sua coxa para acalmá-lo.

Sem avisar, ele pegou novamente a mão de Kagami com calma e guiou até a cabeça do outro.

– E esse magrelo aqui é o Dylan! — Sorriu, acariciando os dedos do ruivo contra o pelo do cachorro. – Ele gosta de carinho na nuca, tipo você quando está quase dormindo!

– Oe... — Exclamou Kagami tímido, permitindo um leve sorriso enquanto acariciava o cachorro no local indicado. Na verdade gostava mesmo, Aomine o conhecia muito bem.

– Pronto! Agora vocês são amigos. — Falou o moreno satisfeito, olhando na direção da casa e ajeitando a mochila nas costas. – Vamos?

Kagami estava ocupado acariciando Bob e Dylan ao mesmo tempo enquanto se levantava cauteloso. Não morrera, certo? Eles não pareciam querer morder, apesar de que o olhar ainda era meio sombrio. As caudas abandando e a língua para fora quase faziam aquele ar assassino sumir, mas ainda preferia os gatos.

– Ok! Acho que agora podemos ir! — Suspirou Kagami, ainda não muito confiante, mas um pouco melhor, sentindo Bob encostar com o focinho em suas pernas cheirando-o. — Obrigado Daiki... Eu jamais conseguiria sair dali sozinho.

– Não foi nada de mais... — Comentou o moreno sem graça, olhando-o intensamente. — Hoje quero que seu dia seja perfeito, Taiga.

– Você sempre torna meu dia perfeito. — Sussurrou Kagami, sendo sincero.

O moreno sorriu ao ouvir aquilo e deu um passo em sua direção fazendo menção para beijá-lo, mas hesitou. Não podiam, seu olhar dizia isso.

– Eu quero tanto... – Disse Aomine recuando com uma expressão de lamento.

– Eu também quero! — O outro sorriu, coçando a nuca. — Desde quando eu te vi pela janela mais cedo.

– Então vamos logo falar com a minha avó... — Começou o moreno urgente quase pegando sua mão. Hesitou novamente, rindo. — É costume ficar perto de você, não adianta. Mas enfim... Depois vamos montar a barraca numa clareira que tem ali para dentro e então ficaremos sozinhos.

– Tá bom! – Sorriu Kagami animado, sentindo-se muito melhor ao deixar os cachorros para trás e seguir Aomine... Apesar de que não sabia o que iria encontrar dentro daquela casa e isso também o deixava com medo.

Olhou ao redor e só então se deu conta de que estava num lugar que só vira antes em cenas de filme. Havia árvores grandes e pequenas para todos os lados, bastante grama, diversos tipos de pássaros cantando, uma casa campestre de madeira escura com uma cerca viva feita de arbustos bem aparados... Era um lugar lindo, nem parecia real.

– Tem um monte de coisas que quero te mostrar hoje ainda! – Comentou o moreno com gestos empolgados olhando para Kagami enquanto andava de ré, virado de costas para a casa. – Meu lugar preferido com certeza é o rio mais ali adiante! Tem uma cachoeira bem bonitinha, mas é pequena, nada estrondoso...

– Acredita que nunca vi nada assim? – Perguntou Kagami fascinado, olhando-o para tudo ao seu redor.

– Claro! Você é um menino da cidade... Dá para ver só pelas roupas que você escolheu! Calça jeans e camiseta branca, Bakagami? – Debochou Aomine, olhando-o dos pés à cabeça. – Estamos no meio do mato, meu caro! Sente o cheiro?

Kagami o observou puxar o ar até os pulmões encherem e soltar com calma. Repetiu o gesto controlando-se para não rir da cara de idiota que ele fazia.

– Ar puro! – O moreno sorriu, abrindo os olhos. — Aqui é um lugar muito foda. Ainda lá no rio tem uma árvore enorme, mas enorme mesmo! Costumava me pendurar pelo cipó e me jogar na água... Eu lembro que fiz uma cicatriz no joelho quando caí na pedra ao invés de cair na água.

– Daria tudo para ter visto a cena! – Riu Kagami, olhando com carinho para o outro. Ele parecia tão feliz ali, seu sorriso era contagiante, assim como sua empolgação. — É um monte mesmo!

– Monte nada, você vai ver! É alto para pular de lá, até para nós dois que somos enormes! – Sorriu o outro, coçando a nuca. – Ah, quase esqueci, tem outra coisa muito legal aqui! De noite é bem escuro e dá pra ver um monte de estrelas, é muito foda. Justamente por isso que eu gosto de acampar na clareira. Costumava ficar sozinho até altas horas só olhando aquilo. Mas hoje vai ser bem melhor fazer isso com você do meu lado... Mesmo com as nuvens fica massa pra caramba! Você vai ver...

Kagami se divertia ao ouvi-lo falar empolgado sobre aquilo tudo, nunca imaginou que houvesse esse lado "colono" oculto nele. Era impossível desviar o olhar enquanto o ouvia, Aomine tinha o sorriso mais perfeito do mundo. Antes de estarem juntos o moreno tinha sempre aquela expressão carregada com a enorme ruga na testa, mas hoje sua feição era tão límpida, tão serena e livre...

– Tem também alguns cavalos no terreno do vizinho! — Ele continuava assim que se aproximavam de uma grande escada de madeira envernizada que dava acesso a entrada principal. — Eu costumava roubar cenouras para alimentá-los, fazia isso todos os dias... Ah, e sem falar nas árvores com frutas que tem espalhadas por aqui! Agora no verão elas ficam bem maduras, é muito bom!

– E por que você parou de vir para cá então? — Perguntou Kagami, olhando-o curioso.

– Basquete! — Ele deu de ombros, encarando o ruivo. — Não me arrependo, mas admito que senti falta. Fazia uns três anos que não vinha aqui para acampar... E agora vai ser com você, o que torna tudo bem melhor!

O ruivo estava tão feliz que mal conseguia esconder. Lógico que em breve teria que enfrentar novos membros da família dele e começar com as habituais mentiras, mas era um esforço que merecia ser feito apenas para poder olhar aquele sorriso. Com certeza estava sendo o aniversário mais perfeito de sua vida, e o dia mal começara... Queria fazer tudo o que Aomine dizia, sobre o rio, o cipó, olhar o céu, acampar e tudo o mais. Tinha certeza que iria se divertir, afinal, estava com a pessoa que amava. Sentia-se explodir por dentro só de olhar para ele, a vontade de abraçá-lo quase o consumia.

– É tão fácil te amar, Aho! — Sussurrou Kagami, sorrindo de orelha a orelha, principalmente ao ver a expressão surpresa que surgiu no rosto do moreno.

– Não diga essas coisas, Bakagami! — Sorriu tímido, evidentemente alegre com o que ouvira, mas se fazendo de durão.

– Love you! — Sorriu, vendo-o entrar pela porta.

– Me too...? — O olhou um pouco confuso, como se não soubesse se o que disse era o certo.

Kagami apenas riu e acenou positivamente. Precisaria ensinar inglês para ele, urgentemente.

***

~Aomine Daiki~

A bochecha de Aomine chegava a doer de tanto sorrir enquanto tomava banho no chuveiro quente da casa de sua avó. Fora o dia mais divertido de sua existência com toda a certeza do mundo. Sentia-se extremamente cansado ao deixar a água escorrer por seu corpo, mas mesmo assim não tinha a intenção de dormir tão cedo, ainda era aniversário de Taiga e nem sequer entregara seu presente.

Tudo aconteceu exatamente como havia planejado, exceto o timing. Já era 19h02min quando ambos voltaram do passeio que levou a tarde inteira e o início da noite, quase escurecia completamente... Aomine não contava que sua avó se apaixonaria pelas habilidades culinárias do ruivo e ficaria a manhã inteira papeando com ele sobre temperos. Os dois perderam alguns momentos preciosos do dia por causa daquilo, pelo menos era o que o moreno achava.

Mas tudo o que fizeram durante aquela tarde levou Aomine a uma única conclusão: Kagami Taiga era realmente um cara que nasceu para morar na cidade... Ou pelo menos demostrou aquilo durante o dia inteiro com as bobeiras que fazia ou dizia.

O ruivo não sabia nem por onde começar a montar uma barraca, simplesmente parou e olhou todos os apetrechos por uns cinco minutos antes de iniciar qualquer coisa, apenas tentando entender o que fazer com aquilo. Quando começou a se mexer quase rasgou a lona forçando a haste contra o tecido. Isso aconteceu umas dez vezes e ainda quis reclamar quando o moreno foi ajuda-lo.

Subir na árvore então foi o fim da picada! Quando chegaram perto do rio onde costumava brincar, Aomine começou a escalar galhos da grande árvore sobre a qual falara com Kagami, fizera aquilo umas mil vezes em sua vida por isso tinha bastante facilidade com os movimentos. Conforme subia, indicava os lugares onde o ruivo deveria pisar e se apoiar, mas Kagami era desengonçado demais. Ele não deu o braço a torcer e seguiu o moreno até o fim, mas dava para ver que ele estava preocupado em saber como iria descer de lá depois.

Quando chegaram ao lugar onde o cipó estava amarrado Kagami teve quase uma vertigem. Era realmente alto e ele disse que jamais pularia dali. Foi até engraçado ver ele engolir o orgulho para admitir aquilo, mas até o final da semana Aomine o convenceria a ir, era realmente divertido.

A parte mais divertida com certeza foi quando encontraram a árvore de amoras e começaram a comer como dois loucos esfomeados que eram. Chegou uma hora que eles estavam esfregando as frutinhas um no outro em uma guerra completamente infantil e divertida. Como previsto a camiseta de Taiga mudara de cor, estava completamente arroxeada por causa do corante da fruta e nunca mais voltaria a ser branca.

O auge do dia foi o ruivo pegar sem querer em uma lagarta na árvore ao invés de apanhar a amora, o grito desesperado nunca mais sairia da mente de Aomine. Ele provavelmente estava até agora lavando as mãos em qualquer lugar do nojo que sentiu. Além de tudo era fresco.

o moreno ria só de lembrar enquanto passava o sabonete em seu corpo... Estava tentando apressar seu banho ao máximo, Taiga já tomara o dele e apenas o esperava conversando com sua avó e sua mãe, curiosamente ambas se interessavam pelo que ele tinha a dizer sobre temperos e segredos da culinária. Jantariam e em seguida voltariam para a barraca, supostamente para dormir, mas Aomine tinha outros planos.

***

~Kagami-Taiga~

– Boa noite meninos! — Acenou a mãe de Aomine, assim que eles se afastavam da iluminação da casa e se dirigiam para a barraca na clareira.

– Boa noite mãe! — Sorriu o moreno, acenando de volta, assim como Kagami.

– Amanhã alguém vai chamá-los para tomar café perto das 10h, se quiserem podem acordar antes! — Anunciou Seiko com um grito. — Cuidado no caminho!

– Tchau tchau onii-chan, Taiga-onii-chan! — Kento berrou com lágrimas nos olhos. Ele queria ter ido junto, mas fora repreendido severamente pela mãe e pelo moreno. Já era quase 23h quando saíram da casa, era hora do menino já estar na cama.

– Coitadinho! — Sussurrou Kagami, acenando compassivo para o menino, que ficava mais distante a cada passo.

– Coitadinho nada, tem que se ferrar mesmo! — Riu Aomine, olhando para trás também. — Eu jamais ia deixar ele ir até lá com a gente.

– Sei que não! — Sorriu Kagami, olhando receoso para o caminho escuro em sua frente. — Mas é seguro, não é?

– Sim! — Sorriu Aomine, colocando as mãos atrás da cabeça ao se afastarem dos olhares de sua mãe. — Acampei milhões de vezes sozinho lá.

– Acho que já dá para acender a lanterna. — Suspirou o ruivo ignorando o que ele dizia e sentindo-se um pouco temeroso com a escuridão que os engolia aos poucos.

– Não trouxe a lanterna!

– Como não? — Parou Kagami, olhando-o assustado e irritado. Como ele fora esquecer o item mais importante para um regresso seguro?

– Relaxa Taiga, sei o caminho como a palma da minha mão! — Disse Aomine. Agora apenas parte de sua silhueta ainda era visível auxiliada pela luz do céu norturno, porque a iluminação da casa sumiu há algum tempo.

– Daiki... — O ruivo chamou, sentindo um calafrio só de olhar para a penumbra do caminho em sua frente.

– Está com medo? — Ele perguntou em um misto de preocupação e deboche, se é que aquilo era possível.

– Não! — Mentiu Kagami, aproximando-se do moreno sorrateiramente. — Vou usar o meu celular para iluminar.

– Ficou na barraca, não é? — Riu Aomine, abraçando-o pelo ombro e o puxando para perto. — Vem aqui, eu te protejo... Meu cagão.

– Não estou com medo! — Mentiu novamente Kagami com a voz mais firme que conseguiu, tentando distinguir alguma coisa em sua frente enquanto andavam juntos.

Sentia-se melhor ao ser abraçado por Aomine, mas na real estava morrendo de medo. Era escuro demais, no meio do mato, com dois cachorros soltos e sabe-se lá mais o quê fazendo aqueles barulhos horríveis noturnos... Corujas, grilos, sapos... Argh, odiava sapos com todas as suas forças.

– Nem vou te falar sobre as histórias sinistras que meu avô contava quando era vivo então...

– Cala a boca! — Cortou Kagami imediatamente, olhando irritado para onde acreditava que estava o rosto de Aomine. — Nem comece!

– Relaxa, não vou contar nada sobre o espírito que andava por aqui, eu juro! — Debochou o outro, puxando Kagami para que ele continuasse a andar junto a seu corpo.

– Vai a merda, seu idiota! — Disse o outro, sentindo um calafrio percorrer cada célula de seu corpo. Ele conseguira agora...

– É mentira! — Riu Aomine, dando-lhe um selinho enquanto andavam. — Relaxa!

– Perdeu cinco pontos com essa brincadeira de merda!

– Vish, vou precisar recuperar isso então! — Disse o moreno com um sorriso transparecendo por sua voz.

– Não vai conseguir! — Bufou Kagami, realmente sentindo-se irritado e com medo.

– Vou sim! — O outro falou, dando-lhe um beijo carinhoso e úmido no rosto. — Você vai ver!

– Impossível... — Suspirou Kagami com um tom de voz desanimado.

– Sério, não precisa ficar com medo Taiga, eu estou aqui!

– Se formos possuídos não tem nada que você possa fazer! — Exclamou Kagami ouvindo um galho quebrar entre as árvores em seu lado esquerdo. Toda sua testosterona fora embora com seu último xixi, só podia ser! Não costumava ser tão medroso assim...

– É por essas merdas que você fala que eu te amo cada vez mais! — Riu o outro, fazendo um cafuné em seus cabelos.

– Isso não vai fazer você recuperar seus pontos... — Sorriu Kagami, olhando-o de canto inutilmente, porque mal conseguia enxergá-lo.

– Eu sei! — Ele afirmou, com uma risada nasal. — Pronto Bakagami, chegamos.

O alivio bateu no peito de Kagami ao adentrarem a pequena clareira. Lá estava a barraca, o santuário, o local seguro, sem mosquitos, sem escuridão, sem cachorros, sapos ou espíritos...

– Agora olhe para cima! — Sussurrou o moreno, abrindo a barraca e substituindo o silêncio pelo barulho do zíper.

Kagami obedeceu e não se arrependeu. Aquela com certeza era uma das cenas mais incríveis que vira em sua vida. Jamais tinha olhado o céu em um local sem iluminação, era tão fascinante que chegava a hipnotizar. Com certeza tinha mais estrelas do que Kagami poderia contar em uma vida inteira, sem falar que era claro, iluminado e brilhante.

– Que foda... — Foi o que conseguiu murmurar esticando mais e pescoço para conseguir olhar melhor.

– Né? — Sorriu o moreno, acendendo a lanterna e mirando bem em seu rosto, cegando-o momentaneamente.

– Aho! — Reclamou Kagami piscando os olhos e colocando a mão em frente ao seu rosto para proteger-se da repentina fonte de iluminação. — Tua pontuação apenas decresce!

– Vem... — Ele pediu, batendo de leve no fúton dentro da barraca.

Com um suspiro e uma última olhada para cima, Kagami deixou o tênis na parte de fora da barraca e entrou. Ali estava tão quentinho, pegara sol durante o dia inteiro, era bom... O espaço não era grande, ainda mais para os dois que eram gigantes, mas caberiam mesmo assim se deitassem na diagonal.

– Feliz aniversário, Bakagami. — Aomine sussurrou gentilmente, deitando-o contra o colchão e o encarando com uma expressão gentil.

– Obrigado... — Foi o que Kagami conseguiu dizer antes de receber um beijo carinhoso nos lábios.

Todas as sensações ruins foram embora imediatamente, restou apenas a felicidade de ter passado o melhor dia de sua vida ao lado da pessoa que amava. Retribuiu o beijo com a mesma intensidade, mal conseguindo se conter. Amava os lábios de Aomine, tinham um gosto próprio e uma textura tão macia... Aquilo o pertencia para sempre.

***

~Aomine Daiki~

Os dois estavam deitados dentro da barraca fracamente iluminada pela lanterna, olhavam para o teto de tecido verde-musgo há um bom tempo apenas desfrutando da companhia um do outro. Estava frio demais para ficarem do lado de fora, ainda mais que seus cabelos estavam ainda um pouco úmidos e o risco de pegar um resfriado seria grande... Mesmo sendo verão.

– Qual foi a coisa mais embaraçosa que você fez na vida? — Perguntou Kagami, fazendo carinho nos dedos da mão de Aomine.

– Foram tantas... — Sorriu o moreno, virando o rosto para olhá-lo. — Mas sinceramente?

– Sim...

– Acho que foi um pouco antes de nós começarmos a namorar, quando procurei uma menina...

– Ah, lembro que você me falou disso um dia e não continuou me contando. — Sorriu Kagami ainda olhando para o teto. — Se não me engano foi antes de amistoso quando a gente jogou basquete na chuva!

– Exatamente... Mas você quer mesmo saber? — Perguntou indeciso, avaliando a expressão que ele fazia no momento. Do jeito que ele era paranoico e ciumento era bem capaz de surtar...

– Vai em frente!

– Pois então, para você ter uma ideia eu nem lembro o nome dela! — Riu Aomine balançando a cabeça. — Fiz isso para tentar provar a mim mesmo que eu não estava gostando de você.

– Idiota! — Sorriu Kagami, olhando-o.

– Eu estava desesperado ué! Não é todo dia que você começa a gostar de um cara! — Deu de ombros soltando uma risada nasal. — Foi depois da escola... Decidi falar com ela depois de ter levado uns quarenta cortes de meninas diferentes. — Começou a contar apertando com carinho os dedos do ruivo. — Aí por algum milagre ela disse "sim", só que eu não estava realmente esperando, sabe? Não soube como agir depois... Quando vi estávamos atrás do ginásio igual dois idiotas se olhando... E no impulso eu dei um beijo nela, foi bem estranho... Tipo, ela fedia a um perfume doce e babava!

Kagami começou a rir, olhando-o com os olhos brilhantes.

– Sério, foi horrível! Depois disso não lembro mais de ter visto ela. — O moreno começou a rir, lembrando-se do fiasco que fora aquilo. Olhou com carinho para Taiga e sorriu. — Já com você foi bem diferente!

– Ah é? — O ruivo ergueu as sobrancelhas, avaliando-o com um sorriso irônico. Ele queria saber...

– É! — Aomine confirmou com um aceno de cabeça. — Admito que quando você falou que estava gostando de mim eu quase morri do coração porque também não estava esperando... Mas foi a melhor coisa que eu poderia ter ouvido na vida!

Kagami sorriu gentilmente e seus olhos brilharam com mais intensidade ao ouvir aquilo. O ruivo era a única pessoa que conseguia extrair aquelas palavras de sua boca com tanta naturalidade, não se importava em dizer...

– Quando eu te beijei foi natural! — Continuou Aomine, olhando-o com carinho. — Tipo, como se ali fosse o meu lugar mesmo, e realmente é o meu lugar... Eu quero estar com você para sempre Taiga.

– E você vai! — Sorriu Kagami, virando-se no fúton para dar-lhe um selinho. — Não pense que vou deixar você ir embora tão fácil, Daiki.

– E quem disse que quero ir? — Perguntou o outro, observando o ruivo virar-se e apoiar-se em uma das mãos, olhando-o de cima.

– Vai saber! — Deu de ombros Kagami. — É bem fácil enjoar de mim.

– Nah... É impossível! — O outro disse debochado. — Mas me fale você... Qual foi a coisa mais embaraçosa que você fez na vida?

– Pois olha... — Começou o outro pensativo, brincando com a mecha de cabelo na testa de Aomine. — Acho que foi lá na América, num festival de talentos... Na escola sempre tinha aquelas porcarias e decidimos formar uma banda para tocar.

– Vishhh... — Sibilou Aomine, fechando os olhos e prevendo o que viria em seguida, esse gesto arrancou uma risada de Kagami. — E o que você toca além de punheta?

– Idiota, eu tocava baixo, mas depois daquilo eu abandonei! — Disse o ruivo, dando-lhe um tapa. — O maldito do vocalista não foi, parece que foi atropelado ou algo assim, e o vocal sobrou pra mim também. — Falou Kagami dando risada e colocando a palma da mão na frente do rosto em um sinal de vergonha. — Era uma música bem difícil ainda por cima, se eu não me engano era Chop Suey, do System of a Down. Já ouviu?

– Já, essa é bem conhecidinha. — Falou Aomine, mal contendo a risada, encarando-o. Como diabos seria ele cantando aquilo?

– Pois então, a letra é corrida, você mal entende o que eles dizem! — Ele voltou a falar com dificuldade, dando bastante risada. — E eu fui forçado a cantar e tocar ao mesmo tempo... Foi um fiasco, ainda mais que tenho um pouco de sotaque! Vaiaram a gente até a morte... Dá até um embrulho no estômago só de lembrar daquele dia. Saiu tudo torto, caguei com mil acordes, cantei tudo errado!

– Acho que o seu fiasco foi pior que o meu. — Ria Aomine, fechando os olhos tentando se controlar. — No meu caso só uma pessoa viu, no seu tinha um público inteiro!

– É! — Riu Kagami, apoiando a mão na barriga. — Baixo eu tocava bem, mas sou um péssimo cantor...

– Canta para mim, aí posso dar o meu aval. — Sugeriu Aomine, suspirando fundo para se controlar. — Pode ser?

– Sem chance! — Bufou Kagami, sorrindo de canto.

– Ah Taiga... Por favor... — Pediu o moreno, fazendo uma expressão forçada de súplica.

– Vai a merda! — O outro disse, dando-lhe um tapa na orelha, que foi respondido a altura com outro.

Riram novamente e ficaram se encarando por um bom tempo. Seria a oportunidade perfeita para Aomine entregar-lhe o presente, mas agora que estava ali ficou inseguro... Será que ele iria realmente gostar? Ficou uma coisa idiota demais... Ou quem sabe muito gay... Estava tão confiante quando escolheu fazer aquilo...Na verdade ficaria feliz se ganhasse algo assim de Taiga, porque tinha um significado.

– Daiki... — Começou Kagami, fazendo-o sair de seus devaneios. — Foi com certeza o melhor aniversário de toda minha vida!

– Mas ainda não acabou, não é? — Engoliu em seco, aproveitando a oportunidade. — Não te dei seu presente!

– Ah, é mesmo... Você comprou! — Sorriu o ruivo sem graça, olhando-o curioso.

Aomine deu-lhe um selinho demorado enquanto sentava-se. Com calma dirigiu-se até o fundo da barraca e abriu a mochila que estava ao lado do fúton. Viu o embrulho no compartimento e fez menção de retirá-lo, mas também encontrou ali um chaveiro velho de uma bola de basquete... Não podia perder a oportunidade, não é? Sorriu maquiavélico com o próprio humor negro e pegou o pequeno objeto nas mãos.

– Feche os olhos, Taiga! — Sorriu inocentemente, virando-se para olhá-lo. — E estique a mão.

O ruivo ficou apreensivo e fez como ele pediu. Aomine fez um enorme esforço para conter a risada e colocou o chaveiro na palma aberta do outro. Kagami abriu os olhos assim que sentiu o contato e olhou intrigado para o pequeno objeto, mas sorriu em seguida.

– É a primeira coisa que ganho de você! — Ele o encarou feliz, dando-lhe um selinho carinhoso. — Tenho um igual e lhe darei também, assim teremos um par.

Dito isso, o ruivo virou-se e retirou um chaveiro idêntico da mochila, mas bem mais novo. Sem hesitar, o entregou para Aomine com um enorme sorriso no rosto. Aomine ficara boquiaberto com o gesto, não pode conter sua surpresa... Mesmo se fosse aquele troço velho ele iria gostar?

– Oe... Era brincadeira, Taiga... — Murmurou, ainda incrédulo pegando o objeto da mão do ruivo.

– Como assim? — Ele perguntou intrigado, olhando para a pequena e velha esfera em suas mãos.

– Eu comprei outra coisa, esse é um chaveiro que tenho desde pequeno. — Sorriu Aomine, sentindo-se envergonhado. — Queria só te zoar!

– Ah! Mas é um idiota mesmo! — Ele sorriu confuso coçando a nuca. — Eu tinha gostado... Vamos trocar mesmo assim?

– Claro! — O moreno sorriu se graça, ficara feliz com a troca. — Essa é a primeira coisa que ganho de você também.

– É! — Sorriu Kagami ainda olhando para o chaveiro velho em suas mãos, e guardando-o com cuidado na mochila.

– Foi mal! — Disse Aomine, pegando o embrulho e voltando-se para Kagami. — Esse é o seu presente, mas quando você abrir eu preciso te explicar...

– Explicar? — Perguntou Kagami confuso, deitando-se de bruços e apoiando-se com os cotovelos no fúton. Olhava curioso para o embrulho malfeito em sua frente.

– É! — Sorriu Aomine, indo para o seu lado e abraçando suas costas enquanto se apoiava em um dos braços para poder vê-lo melhor. — Abre devagar...

– Que medo! — Sorriu Kagami, olhando-o hesitante.

O barulho de papel sendo rasgado ocupava agora a barraca. Com cuidado, o ruivo depositou o conteúdo no colchão e de dentro dele retirou um CD. Era o Night Visions, da banda Imagine Dragons...

– Porra, Aho, valeu mesmo! — Sorriu o outro deixando a mostra os caninos, o que era um bom sinal. Ele estava um pouco trêmulo quando pegou o CD em mãos para analisá-lo.

– Eu comprei esse porque sei que você vivia escutando depois que eu te falei que gostava de Imagine Dragons. — Suspirou Aomine, um pouco nervoso mas satisfeito com a reação do outro. — Ficava pensando em mim que eu sei!

– Convencido de uma figa! — Riu Kagami, mal contendo a alegria ao retirar o plástico transparente que lacrava o CD. — Porra, eu gostei mesmo... E você tem razão em parte do que disse, eu fiquei escutando o tempo todo, mas não pensando em você!

– Sei, sei! — Sorriu Aomine, espalhando os cabelos vermelhos. — Você gostava de mim desde o começo, só não quer admitir...

– Ah, pare de falar merda aí... — Suspirou satisfeito o ruivo, colocando o CD com cuidado em cima do travesseiro e dando-lhe um selinho carinhoso nos lábios. — Obrigado!

– Veja direito o presente, tem mais ainda! — Riu Aomine, dando-lhe um último selinho antes de se afastar.

– Ah... — Exasperou-se Kagami, olhando novamente para o presente.

Com cuidado, Kagami retirou um segundo CD de dentro do pacote. A expressão incrédula em seu rosto deixava claro que ele gostara desse também.

– Aho, onde você achou isso? É o meu preferido... — Ele perguntou com os olhos brilhando, encarando a capa do álbum Wish You Were Here, da banda Pink Floyd.

– Segredo! — Sorriu o moreno, respirando fundo para esconder o nervosismo, suas mãos suavam. — Esse eu preciso te explicar... E espero que você me entenda.

Kagami o olhou atento e curioso, incentivando-o a continuar.

– Quando saí para procurar seu presente eu encontrei vários álbuns do Pink Floyd, mas tinha que ser esse aí! — Aomine explicou, sentindo-se corar enquanto brincava com os próprios dedos. — Quando você me falou que gostava deles eu comecei a escutar e quase tive um câncer, achei muito chato no começo... Até que eu escutei uma música... Ah cara, não sei falar direito, mas é a Wish You Were Here, a mesma do nome do álbum... É isso?

– Sim, sua pronuncia está quase boa... — Sorriu Kagami, fitando-o com carinho e atenção.

– Pois é, essa aí! — Confirmou Aomine, corando novamente e olhando para a capa do CD. — Achei essa música bem bonitinha e fui procurar a tradução... E meio que me identifiquei com a letra... Sabe... Tipo, eu sou meio lerdo para entender as coisas, mas essa música me passou exatamente como eu me sentia sem você! — Suspirou fundo antes de continuar, desviando o olhar para os próprios dedos com vergonha. — Ah, é estranho e difícil falar, porque foi uma coisa que eu senti... Mas tipo, você sabe a letra dela, não é? Tem bastante oposição na música... As coisas ruins que ela fala mostram como eu sou quando estou longe de você, e as boas mostram como sou quando estou com você... E o refrão... "Como eu queria que você estivesse aqui!" é o que eu penso o tempo todo quando estamos longe... Sei lá, pra mim fez sentido. Você não tem noção de quantas vezes eu ouço essa música quando estamos longe, porque ela me lembra você Taiga... Por isso tinha que ser esse álbum... Por causa dessa música...

– Daiki... — Sussurrou Kagami, atraindo seu olhar envergonhado.

Aomine entreabriu os lábios, sendo tomado pela surpresa assim que olhou nos olhos de Kagami. Ele estava quase chorando. Em um impulso o ruivo o abraçou com força, enterrando o rosto na curva se seu pescoço. Sorrindo, Aomine retribuiu o abraço, ajeitando-se no fúton para envolvê-lo melhor.

– Não acabou, seu bocó... — Sussurrou no ouvido de Kagami, acariciando-lhe a nuca com carinho. — Abre o CD.

– Oe... — Murmurou Kagami confuso e surpreso, fazendo força para não chorar.

– Abre! — O moreno afastou-se, olhando-o com carinho e acariciando a sua bochecha. — Agora que vem a parte legal...

– Aho... — Kagami o encarou com um sorriso meio bobo nos lábios, fungando.

A alegria que Aomine sentia era imensurável. Com certeza Kagami gostara de seu presente, que realmente ficou um pouco romântico demais, mas não esperava que ele fosse chorar... Kagami estava sendo totalmente transparente com seus sentimentos, e isso deixava Aomine feliz, pois ele fora também quando comprou aquilo, fez com a maior quantia de carinho que conseguiu.

O ruivo virou-se com o sorriso brincando em sua face, novamente olhando para o CD. Suas mãos estavam mais trêmulas do que nunca. Ele abriu a capa, que não tinha plástico por ser antigo e usado, Aomine não conseguira encontrar um novo. De dentro dele caiu uma foto e duas fitas finas de tecido, uma azul e a outra vermelha.

– De onde essa foto? — Kagami perguntou sorrindo. Ele secava os olhos com as costas da mão enquanto observava a imagem de ambos abraçados vestindo seus respectivos uniformes.

– Satsuki tirou para mim no dia em que ela nos viu indo juntos para a escola! — Ele sorriu, secando uma lágrima atrasada que escorria pela bochecha de Kagami.

– Ah! — Sorriu Kagami, provavelmente lembrando da cena e virando a foto, pois havia algo escrito atrás.

"Eu te amo, Bakagami! Feliz aniversário o/".

– Porra, Ahomine! Eu também te amo, sério! Muito! — Sorriu Kagami, fungando e dando-lhe um beijo carinhoso nos lábios. O moreno retribuiu, passando os dedos em sua bochecha e sentindo uma nova lágrima molhar sua pele. Talvez exagerara no presente, mas queria fazer algo que ele não esquecesse nunca.

– Gostou? — Perguntou Aomine, encostando nariz com nariz, ainda com os olhos fechados. Não conseguia parar de sorrir.

– Foi simplesmente o melhor presente da minha vida! — Sorriu Kagami, mal conseguindo se conter. — E... E isso?

Aomine se afastou e olhou para as fitinhas que ele tinha em mãos.

– Ah, isso... — Sorriu o moreno, olhando-o e pegando a faixa azul de sua mão. — É a nossa aliança de compromisso.

– Hã? — Kagami perguntou com os olhos brilhando, quase não acreditando.

– Sabe, não podemos ter um anel ou algo assim... — Deu de ombros Aomine. — Então achei que a gente poderia usar uma dessas no tornozelo, assim como você usa dos seus amigos da América. Eu fico com a vermelha, e você com a azul por causa dos nossos cabelos! — Sorriu satisfeito ao ver mais uma lágrima rolar pelo rosto do ruivo, enxugou-a com um beijo. — Dá aqui sua perna...

– Eu... Eu não sei o que dizer... — Balbuciou Kagami, olhando-o amarrar a pulseira em seu tornozelo, fazendo conjunto com a outra já existente. — Eu... Estou tão feliz... E...

– Não precisa dizer nada! — Sorriu Aomine, sentindo-se explodir por dentro de tanta satisfação. Deixara Taiga feliz, e isso era o principal. — Só me devolva meus cinco pontos que está tudo bem!

– Aho! Você já tinha recebido seus pontos de volta só com o primeiro CD. — Ele sorriu, aproximando-se para amarrar a fita vermelha em sua perna também, mas suas mãos estavam trêmulas. — Eu te amo tanto Daiki... Nada que eu falar vai superar o que você fez agora... Mas você é o amor da minha vida e eu quero que você jamais esqueça isso, ok?

– Claro que não vou esquecer, Bakagami. — Sorriu o moreno, ajudando-o a amarrar a fita. — Porque eu sinto o mesmo...

~Kagami Taiga~

Se morresse naquele momento o ruivo não reclamaria, continuaria sendo a pessoa mais feliz da face da Terra. Mal conseguira conter o choro, estava trêmulo, seu coração batia muito rápido, estava com calor, queria explodir... Queria passar tudo aquilo para Aomine da mesma forma que ele fizera com aqueles presentes, queria conseguir demonstrar seus sentimentos da mesma forma... Mas nada do que fizesse chegaria aos pés daquilo. A música agora não saía de sua mente, conseguira entender exatamente o que ele quisera dizer...

Kagami nunca se sentiu tão amado em toda sua vida, era a melhor sensação do mundo... As lágrimas formavam-se constantemente em seus olhos, mas não estava com vergonha de chorar na frente dele, era aquela a maneira de mostrar o quão feliz estava, já que palavras não iriam surtir tanto efeito... Tinham uma aliança, jamais tiraria aquilo de si, JAMAIS!

O abraçou com a maior força e carinho que conseguiu, assim que terminaram de amarrar a fita na perna do moreno. Derrubou-o suavemente contra o fúton, beijando se pescoço e subindo para a sua boca. Com todo o amor que tinha, tomou-lhe os lábios em um gesto doce e profundo, acariciando de leve seu rosto. Aomine, satisfeito, retribuiu com a mesma paixão, abraçando-o com carinho e o trazendo para cima de seu corpo.

– Você diz que é sortudo... — Começou Kagami afastando-se suavemente, pois com o choro sua respiração ficara mais pesada e difícil. — Mas o sortudo sou eu por ter você comigo... Eu te juro, Aomine Daiki, seremos muito felizes juntos, e livres...

– Sei que sim, Taiga! — Sorriu o outro olhando-o com carinho. Kagami jurou ter visto uma tímida lágrima surgir pelo canto do azul profundo do olhar de Daiki. — Juntos e livres.

Fora puxado para mais um beijo profundo, sentindo a língua do moreno adentrar sua boca com suavidade e leveza, de um jeito que só ele era capaz. As mãos de Aomine percorriam levemente suas costas espalhando um arrepio por todo o corpo do ruivo, mas que teimava em se concentrar entre suas pernas... Era sempre assim, eles tinham uma química tão boa.

Sentiu que as pernas do moreno abriram-se para comportar seu corpo entre elas. O beijo se intensificava, mas Aomine parecia ficar mais tenso a cada momento, algo estava errado e Kagami sabia o que era. Precisou rir antes de encará-lo com carinho.

– Daiki, não precisa... — Disse, dando-lhe um selinho.

– Taiga... — Ele murmurou encabulado.

– Não precisa se forçar a nada! — Repetiu Kagami, dando-lhe outro selinho rápido e voltando a encará-lo. — Eu sei que você não gosta tanto!

– Não é que eu não goste... — Ele murmurou um pouco tímido. — Mas...

– Shhhh... — Sorriu o ruivo, vendo-o se exasperar. — Eu sou seu, e realmente gosto do jeito que sempre fazemos. Não precisa disso só porque é meu aniversário... Sério!

Aomine o encarou e sorriu por fim.

– Foi mal... Sério...

– Idiota, não tem por que pedir desculpa! — Riu Kagami, encostando os narizes de ambos. — Eu te amo e quero seja sempre bom para nós dois. E é perfeito do jeito que fazemos...

– Taiga, é você que torna tudo perfeito! — Sorriu Aomine.

Dito aquilo, o moreno moveu o corpo de ambos, deitando-se por cima de Kagami e o encarando com carinho. Olhou para os CDs no travesseiro ao lado e os colocou com cuidado mais para o canto da barraca. Kagami sorriu, observando o gesto de Aomine.

Voltaram a se encarar por um longo tempo. O desejo entre os dois era quase palpável de tão forte, mas algo estava diferente... Kagami sorriu ao sentir Aomine acariciando seu rosto com as costas da mão, era um gesto inesperado naquelas circunstâncias, mas foi tão bom. Os lábios do moreno desceram suavemente até seu pescoço, onde ele depositou um beijo úmido e sugou de leve sua pele. Kagami fechou os olhos com o toque, sentindo seu pênis endurecer a cada beijo que ele dava, aproximando-se cada vez mais de seus lábios.

Quando as bocas voltaram a se encostar, a intensidade entre ambos apenas aumentou. A língua quente de Aomine acariciou demoradamente os lábios de Kagami, arrancando-lhe um sorriso de canto e um suspiro de satisfação. Permitiu a entrada da língua do moreno, que também tinha um leve sorriso safado no rosto.

Kagami sentia o gosto adocicado e quente do moreno e se deliciava com aquela sensação dentro de sua boca. As mãos de Aomine percorriam com suavidade sua pele, enterrando-se em seus cabelos e descendo lentamente por seu corpo até chegar na base de suas costas. Suspirou de prazer ao senti-lo retirar sua camiseta, e com movimentos de seu tórax o ruivo o ajudou a remover a peça.

Estava tão bom daquela maneira... Apesar de sempre apressarem as coisas quando iriam transar, Aomine estava fazendo tudo com calma dessa vez. Kagami sentia o membro duro do moreno roçando o seu conforme ele se movia para retirar a própria camiseta, olhando-o de cima enquanto deixava a peça de lado.

Aomine começou a percorrer seu tórax com a ponta dos dedos, descendo suavemente pela linha de seu umbigo em direção à sua calça. Aquela leveza era torturante.

– Daiki... — Suspirou o ruivo ao senti-lo abrir o botão de sua calça e roçar de leve em seu membro com os dedos. Involuntariamente o ruivo ergueu o quadril para ir de encontro com mais um toque daqueles.

Aomine sorriu de canto e tirou a mão dali imediatamente,deslizando a calça preta do ruivo pelas coxas com um movimento lento, fazendo questão de arranhar-lhe a pele durante o ato. Assim que a peça estava do outro lado da barraca, o moreno deitou-se suavemente para beijar a boca de Kagami. Enquanto enterrava os dedos nos cabelos vermelhos, ele começou a mover a virilha de encontro com a de Kagami, fazendo-o soltar leves gemidos contra seus lábios.

– Tortura... — Reclamou Kagami com a voz rouca, ao senti-lo beijar de leve seu queixo enquanto ainda esfregava-se em seu corpo. — Isso é tortura Daiki...

O moreno nada disse, apenas sorriu e continuou o trajeto com a boca, chupando-lhe o pescoço e descendo com a língua até um de seus mamilos. Percorreu o resto de seu abdome e chegou na linha do sexo abaixo de seu umbigo, dando-lhe leves chupões em linha reta até chegar ao cós da cueca, que se tornava mais apertada a cada instante.

– Por favor... — Gemeu Kagami, apoiado em seus cotovelos para poder apreciar melhor a cena. — Daiki...

O moreno o encarou de forma provocante, mas desviou a boca de seu membro, mordendo de leve a parte interna de sua coxa. Aquilo realmente era torturante, principalmente quando ele retirava sua cueca e o deixava exposto daquela maneira. Kagami sentia e via seu pênis pulsar, ansiando pelo toque.

Suavemente o moreno tocou com o dedo a cabeça de seu membro, limpando a generosa quantia de pré-gozo que de lá saia. Kagami gemeu apenas observando-o, sabia o que ele iria fazer com aquilo e almejava demais o que estava por vir.

– Feliz aniversário, Taiga! — Ele sussurrou malicioso, inserindo com cuidado o dedo lubrificado em sua entrada ao mesmo tempo que começava a chupar a cabeça de seu pênis com maestria.

O ruivo fechou os olhos com força e atirou a cabeça para trás com aquele misto de sensações. O dedo deslizava com facilidade para dentro e para fora, enquanto Aomine o chupava cada vez mais fundo, de um jeito provocante e sensual encarando Kagami o tempo todo.

– É tão gostoso... — Gemeu o ruivo, olhando-o novamente e deliciando-se com a cena. — Daiki... Vai...

Em resposta ao seu comentário Aomine inseriu um segundo dedo com cuidado enquanto sugava o membro do ruivo, colocando-o cada vez mais fundo em sua boca. Kagami sabia que ele conseguia ir até o fim, era delicioso sentir aquilo. Ele era um ótimo boqueteiro, pensou Kagami, sorrindo.

Sem avisar, o moreno inseriu um terceiro dedo, que deslizou com certa facilidade até o fundo. Kagami arqueou o corpo ao senti-lo tocar sua próstata, mas ele parou logo em seguida e retirou os três dedos, provocando no ruivo aquela sensação vazia.

– Daiki... — Suspirou Kagami, olhando-o suplicante. Queria mais daquilo. — Não para...

O moreno o encarava, avaliando-o. Um sorriso cruzou seus lábios enquanto ele ainda o chupava, diminuindo a velocidade aos poucos até finalmente parar. Ele lambeu suavemente seu membro da base ao topo e finalizou pressionando a língua contra sua glande, que expelia cada vez mais pré-gozo. Um longo gemido contido de protesto escapou da garganta Kagami, não aguentava mais aquela tortura.

A mão de Aomine foi em direção à sua coxa e iniciou uma carícia de leve com os dedos, provocando alguns arrepios pelo corpo de Kagami. O ruivo o encarou com desejo, observando-o remover a cueca branca e bater a cabeça com força no teto da barraca durante o movimento.

– Monte... — Sibilou Kagami com um sorriso, mal conseguindo esconder a excitação na voz. Seu olhar percorreu o tórax bem feito de Aomine, descendo até o pênis grande e ereto entre suas pernas... Como podia desejar tanto um homem? O seu homem... Seu Aomine Daiki.

Com um sorriso satisfeito o moreno deitou-se sobre o corpo de Kagami, posicionando as pernas do ruivo sobre seus ombros. Se encararam por um longo tempo antes de o moreno beijá-lo com carinho nos lábios, inserindo sem pressa a língua em sua boca.

Kagami retribuiu com a mesma intensidade, abraçando-o com firmeza e percorrendo as costas do outro com as mãos trêmulas, chegando em seus cabelos e enterrando ali os dedos. Sim, aquilo com certeza estava diferente, sem a pressa comum, sem os arranhões, puxões... Era tudo tão carinhoso e intenso dessa forma.

Aomine o olhava diretamente nos olhos quando começou a penetrá-lo devagar, sem dor, sem machucar... Nunca havia feito dessa maneira, estava tão gostoso e perfeito. Kagami fazia força para não fechar os olhos, queria permanecer encarando aquele azul profundo em sua frente.

– Taiga... — Ele gemeu de leve enquanto o penetrava, também esforçando-se para não fechar os olhos. — Eu te amo...

– Eu também te amo... Daiki! — Disse o ruivo em meio a um gemido, sentindo-o entrar até o fim e ali parar.

Aomine pegou as mãos de Taiga entre seus cabelos e as guiou até o travesseiro, apoiando uma em cada lado do rosto do ruivo. Aquelas atitudes eram inesperadas e surpreendentes, jamais imaginou algo assim vindo de Aomine, sempre tão urgente, com pressa, impulsivo... O ruivo sentia-se explodir de felicidade e desejo, assim como o outro em sua frente, que não desviava o olhar do seu em um momento sequer. Ele entrelaçou os dedos e começou a mover-se de forma lenta e compassada, para fora e para dentro.

– Daiki... — Gemeu Kagami, mordendo de leve os lábios ao senti-lo estocar de leve sua próstata.

O moreno sorriu e desceu para beijar sua boca, aumentando um pouco a intensidade das estocadas. Com leveza ele soltou uma das mãos de Kagami e segurou-se em sua coxa, para que o movimento fosse mais compassado e preciso. O pênis de Aomine deslizava tão facilmente, não havia a habitual dor que Kagami apreciava, mas era tão intenso e gostoso dessa forma, tinha bastante sentimento envolvido, dava para sentir. O ruivo permitiu-se sorrir ainda durante o beijo, nunca fora tão feliz, com certeza estava sendo o melhor aniversário de toda sua vida, e o presente perfeito era o próprio Aomine.

Cada vez a urgência entre ambos aumentava, assim como a intensidade das estocadas. Kagami estava sentindo tanto prazer ao ter sua próstata pressionada, quase não conseguia conter os gemidos contra os lábios de Aomine, que estava sentindo tanto tesão quanto ele.

– Mais, Daiki... — Kagami pediu, fechando os olhos com força.

– Ah... Taiga! — Ele gemeu ao sentir a mão do ruivo pressionar suas costas em um pedido para que fosse mais fundo.

Obedecendo sem hesitar, Aomine começou a estocar com mais força, do jeito que sempre faziam. Kagami atirou o pescoço para trás mal contento. Precisava fazer silêncio para seus gritos não ecoarem pela clareira.

O moreno beijou seu queixo, passando os dentes de leve em sua pele enquanto arfava a ia cada vez mais rápido. Ele movia os quadris com uma precisão incrível, do jeito que Kagami gostava. Era uma cena estarrecedora ver aquele corpo moreno e gostoso mexer-se tão eroticamente, rebolando e estocando em linha reta, sempre revezando aqueles movimentos contínuos e viciantes.

Kagami negligenciava seu pênis duro e molhado de propósito, não precisava masturbar-se para sentir o prazer total, aquilo iria apenas adiantar o orgasmo que estava quase chegando. Sentir Aomine deslizando para dento e para fora de seu corpo era mais do que o suficiente, amava dessa maneira e chegava a delirar, gemendo palavras sem sentido.

Aomine mal conseguia conter a voz, seus movimentos tornavam-se cada vez mais descompassados, ele iria gozar em questão de segundos e Kagami sabia disso. Forçou-o a olhar em seus olhos, apoiando o rosto dele com carinho em uma de suas mãos, masturbando-se em seguida com a outra.

– Juntos... — Gemeu Kagami, olhando-o profundamente enquanto sentia o formigamento aproximar-se de sua virilha também.

– Juntos... — Murmurou Aomine, mordendo os lábios e forçando se para não fechar os olhos com o tesão que sentia. — Ahh... Taiga...

– Daiki! — O ruivo gemeu, sentindo o orgasmo chegar junto com o de Aomine.

Fez todas as forças para manter os olhos abertos, encarando os orbes azuis e delirantes de Aomine. A sensação do gozo dele jorrando dentro de si com força era maravilhosa, quente e única. Seu próprio esperma batia contra o corpo de Aomine e fazia sua consciência quase ruir, chegava ao céu e ao inferno ao mesmo tempo.

Aomine ofegou e esperou alguns segundos antes de retirar-se de dentro de Kagami, removendo com carinho as pernas de seus ombros. Sorrindo de orelha a orelha, ele deitou-se no tórax do ruivo, que mal conseguia conter a felicidade também.

– Você é perfeito Daiki... — Sussurrou Kagami, abraçando-o com carinho e força.

– Você que é, Taiga! — Sorriu Aomine, dando-lhe um selinho carinhoso nos lábios.

– Obrigado por existir! — Foi o que o ruivo conseguiu dizer, mal contendo o sorriso. — E obrigado por estar comigo...

– Idiota, não precisa agradecer! — Riu Aomine espalhando os cabelos vermelhos. — Eu que te agradeço por ser perfeito.

– I love you! — Murmurou Kagami, dando-lhe um beijo carinhoso nos lábios.

– Love you too. — Sussurrou Aomine assim que se afastaram.

– Viu só, está melhorando! — Riu o ruivo, acariciando-lhe a bochecha com as costas das mãos.

– Sério, você precisa me ensinar inglês direito. — Sorriu Aomine, aconchegando-se na curva do pescoço de Taiga.

– Eu vou, prometo! — Disse Kagami, virando o rosto para se apoiar no do moreno. — Quando você for comigo conhecer L.A. precisa pelo menos saber como pedir uma pizza lá.

– É! — Concordou Aomine com uma risada nasal. — Pizza, please?

– Can you tell me the address for delivery?

– Fuck you! — Riu Aomine, dando-lhe um tapa no rosto e enterrando mais a face no travesseiro.

– É, você tem muito o que aprender! — Sorriu o ruivo, dando-lhe um beijo na testa.

Ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas ouvindo o som da natureza do lado de fora. Kagami sentia-se completo, podia explodir de tanta felicidade ao ter Aomine ao seu lado, ele era perfeito... Ainda estavam no primeiro dia que efetivamente passariam juntos nas férias, ali naquele sítio. Estava tudo tão bom, e assim seria até finalmente poderem estar juntos sem nenhum medo ou empecilho... Juntos e livres.

Era o que ele esperava...

Notas finais
OMEDETOOOOOOOOO o/ VOCÊ É UMA PESSOA VITORIOSA QUE CONSEGUIU LER ESSAS MAIS DE 10.000 PALAVRINHAS! ~Não custa comentar daí néam??? Dedinhos doendo aqui, logo vai me dar LER (Lesão por Esforço Repetitivo) xD ♥ Link da música Wish You Were Here, obrigatório vocês ouvirem: https://www.youtube.com/watch?v=NavVfpp-1L4 ♥ De quebra o link da música Chop Suey que o Taiga tocou no festival de talentos: https://www.youtube.com/watch?v=HrQsGeKN6qk Nhawnnnnnnnnnnnnnnnnn ♥ LINDOS QUE AMO TANTOOOOOOOOOOOOOOO! É muito bom escrever sobre eles >.< Espero que tenham gostado ^^ Só vou adiantando, preparem os corações... Tretas tretudas vão começar! Obrigada por acompanhar até aqui! Qualquer erro me avisem, ok??? Beijinhos carinhosos da Lana-chan, que ama escrever saporra para vocês ♥