Inevitável

26 Inocência...


Notas iniciais
Yo minna o/ Pois olha... Sei que me atrasei para postar esse capítulo aqui, e admito ele quase não saiu hoje, hahahaha :O Mas cá estamos com mais um capítulo! O penúltimo... Que vai ser um pouco turbulento e corrido! xD Tem sua importância para a história (digam oi para o Ranhento), mas ainda assim é um capítulo básico cheio de coisinhas a toa, como diálogos bestas e todas as tolices que adoro enfiar aqui pelo meio, hahahaha! ~E nesse tem lemon o/ Boa leitura meus anjos! Vou dar um leve desabafo lá nas considerações finais, ok? Hehehehehe!

Segunda-feira — 25 de setembro — 05:28

~Aomine Daiki~

O peso era consideravelmente bom, a pega também não deixava a desejar e o sistema de recarregar era o mais básico possível... Após pensar um pouco, fingindo mirar os alvos de papel na sala de tiros da delegacia, o moreno achou a pistola ligeiramente simples, talvez indicada para principiantes treinarem. Não seria realmente útil em campo.

Segurou a pequena arma com as duas mãos para melhorar a precisão do tiro e apertou o gatilho. Como esperado, acertou exatamente o ponto que queria, fazendo um estrondo razoavelmente alto ecoar pela sala. A mira da arma era bem precisa... Ponto positivo à pistola.

Essa seria perfeita para Taiga aprender a atirar decentemente, porque com as outras não estava dando muito certo. Ele era muito ruim! Daiki riu com o pensamento, olhando para a aliança dourada que agora sim pousava no dedo certo – o anelar da mão esquerda. A mão direita continuava com a prateada... Decidiram manter as duas, assim como a fitinha na perna, lógico.

Ainda era inusitado pensar que já estava casado com Taiga há dois meses. Teoricamente não mudara muita coisa, o convívio em casa era o mesmo de sempre, mas apenas o fato de estarem juntos de forma oficial e com assinatura bonitinha no cartório era o suficiente para provar que eram livres. Mais do que livres! E isso os deixava felizes, principalmente depois de tudo o que passaram até chegarem ali.

24 de julho. Nunca esqueceria essa data, ou quem sabe esqueceria acidentalmente, pois ninguém nesse mundo é mais desatento que Aomine Daiki. O moreno sorriu de canto imaginando o que aconteceria se realmente esquecesse a data do casamento deles... Quantos dias Taiga o faria dormir no sofá? Ou pior, quantos dias ficaria sem sexo? Ou quantas semanas? Conhecia muito bem seu Bakagami para saber que não seria uma punição tão suave, ele era cheio dessas frescuras. Ele era a noiva... Riu novamente, descarregando a arma. Estava rindo a toa nesses últimos tempos...

Há dois meses, numa segunda-feira, foram ao cartório de L.A. às 16h, onde ouviram algumas palavras do juiz e assinaram o que precisava assinar para enfim poderem se considerar casados. Alex e Nick foram as testemunhas e Anette não parava de chorar ali ao lado, chegava a ser engraçado a forma como ela tentava inutilmente se conter. Depois, saíram em família para jantar em um restaurante legal que tinha uma comida maravilhosa, quase melhor que a de Kagami. Foi uma comemoração extremamente simples, mas foi perfeito.

A despedida foi extremamente complicada e difícil, até mesmo Daiki sentiu um aperto no coração ao dar tchau para sua nova família, por assim dizer. Era bem triste estar indo embora daquele local onde foi tão bem acolhido, isso sem falar que precisou ver Taiga chorar, e não gostava disso, ainda mais quando não podia fazer nada para tirar a dor dele.

E lógico, teve que entrar novamente em um avião! O moreno já estava desesperado ao atravessar o corredor enquanto buscavam pelas poltronas, mas Kagami prometeu que se Daiki ficasse calmo durante o voo ele pensaria com muito carinho em seu fetiche. Foi uma frase mágica, Aomine fingiu estar calmo o tempo todo, e agora só estava esperando... Sabia que Taiga iria surpreender qualquer dia desses!

Ao retornarem ao Japão, os dois também precisaram registrar a união no cartório, mostrando a certidão de casamento e assinando mais alguns papéis. Nada muito simples, mas nada muito complicado. Só teve um básico pepino por Aomine já ter casado uma vez, mas foi resolvido rapidamente.

Não tiveram uma cerimônia oficial e nem nada, apenas fizeram uma pequena festa em casa para comemorar o casamento. Não planejavam convidar muita gente, apenas os amigos próximos mesmo... Foi então que se deram conta que tinham muitos amigos próximos, pois a casa simplesmente enchera e faltou comida. Kagami fez seu clássico Curry, mas de última hora ainda tiveram que comprar algumas pizzas. No final das contas foi muito bom e cansativo! Valeu a pena.

– Soldado Aomine Daiki?

– Capitão? – O moreno assustou-se ao perceber seu superior falando às suas costas. Virou-se prontamente e bateu continência, como de costume.

– Já terminou os testes?

– Sim senhor, capitão, essa foi a última delas. – Comentou, mostrando a pistola já descarregada. Deixaria seus devaneios para mais tarde, agora teria um relatório para fazer. Vinha a parte chata...

***

07:45

Bocejando, o moreno saiu do banheiro apenas com a toalha azul amarrada na cintura. Novamente esquecera-se de pegar as roupas antes do banho, por isso se trocaria no quarto. Despreocupadamente dirigiu-se ao cômodo cantarolando uma melodia do Ozzy Osbourne. Taiga o influenciava demais com as músicas que ouvia, na verdade parecia que cada momento da vida do ruivo precisava de uma trilha sonora. Às vezes isso estressava...

I'm going off the rails on a crazy train...

Abriu a porta do quarto e a fechou, mas quando se virou para dentro simplesmente congelou, incrédulo.

– Taig...?

– Aomine Daiki? – O ruivo o interrompeu com um tom de voz duro, desencostando-se da parede enquanto dava um leve tapinha na aba do cap. O moreno estava tendo uma ereção apenas ao vê-lo assim, vestindo seu uniforme completo de policial, andando em sua direção com passos firmes e sustentando aquela expressão séria e autoritária, quase agressiva.

– Ah, meu caralho... – Aomine murmurou com a voz levemente arrastada, vendo-o parar em sua frente, bem próximo, apenas o encarando por vários segundos. Não sabia nem como reagir, esteve esperando muito tempo para vê-lo assim... Só não esperava que ele fizesse tão bem o papel.

– Você está preso! – Ele disse sem mudar a expressão ou o tom de voz, removendo a algema do cinto que usava. Sem muita delicadeza, tomou seus pulsos e os prendeu na frente do corpo, fechando as travas do objeto com um clique característico. – Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá e deverá ser usado contra você no tribunal.

Que sexy, Taiga... Aomine pensou com um sorriso malicioso, mal contendo sua excitação. Sentiu Kagami forçá-lo a virar-se de costas e encostar os braços juntos na parede, como se estivesse prestes a ser revistado. E estava... As algemas pesadas viraram um simples detalhe, pois o que mais chamava sua atenção era a forma como Taiga apalpava e acariciava seu corpo praticamente nu. Ele era tão intenso... Não precisou de muito tempo para a toalha ser arrancada de sua cintura em um único movimento, sendo jogada para um canto qualquer.

O ruivo encostou o peito em suas costas, descendo as mãos provocantemente por seu tórax despido e passando a unha de leve por cada centímetro de sua pele morena. Sentia a respiração pesada e quente de Taiga bater em seu pescoço, assim como sua ereção roçando provocantemente contra as nádegas. Era tão excitante, o ruivo não tinha noção de como aquilo o estava enlouquecendo.

– Ah, que foda você fazendo assim, Taiga... – Gemeu com a voz grave ao sentir uma mordida entre seu pescoço e seu ombro. Ao mesmo tempo, as mãos espalmadas e firmes de Kagami passavam por sua virilha e desciam para sua coxa com força. Era tão bom, arrepios espalhavam-se pelo corpo do moreno com aqueles toques, mas sempre indo para o meio de suas pernas e fazendo sua ereção pulsar mais ainda.

– Sua situação é bem complicada, Aomine Daiki. – Ele sussurrou ao pé do ouvido. – Vai precisar de uma boa defesa para te tirar daqui.

Permitiu-se sorrir de forma maliciosa ao sentir o ruivo virar seu corpo, encostando com força suas costas contra a parede gelada. Kagami segurava seus pulsos algemados acima de sua cabeça com um dos braços e o encarava ainda com aquela expressão autoritária. Tão gostoso...

Sem esperar mais, Kagami deu um chupão em seu pescoço enquanto passava o dedo na cabeça de seu pênis duro. Era impossível não gemer com aquele misto de sensações... Sem nenhum pudor, Kagami limpou o pré-gozo que saía dali e levou os dedos lubrificados até seus lábios, lambendo-os lentamente, de forma insinuante. Tão erótico...

O ruivo sorriu de canto ao olhar seu corpo nu, havia muito desejo nos orbes vermelhos. Kagami analisou-o demoradamente dos pés à cabeça antes de dar-lhe um beijo lento e necessitado nos lábios. Aomine conseguiu sentir seu próprio gosto na boca de Taiga... Ele deixou seu pré-gozo na língua de propósito. Tão safado...

Foi obrigado a gemer contra os lábios de Kagami assim que o ruivo subiu a mão por sua coxa e encostou em seu pênis, iniciando assim uma lenta masturbação apenas para provocá-lo. Ficava tão vulnerável com as mãos presas, mas gostava daquilo, gostava mesmo. O cap caiu da cabeça de Taiga quando intensificaram o beijo, mas ninguém pareceu se importar com aquele detalhe.

Sem muita calma, Kagami o envolveu com os braços e o guiou até a cama desarrumada, derrabando-o ali mesmo com um forte empurrão. Ele fez questão de erguer os braços algemados de Aomine acima da cabeça novamente, apoiando-os no travesseiro. O olhar do ruivo era autoritário, dizendo ao moreno que seus braços deveriam permanecer ali ou seria punido. Quase queria ser punido por ele...

Taiga subiu em seu corpo deixando uma das pernas em cada lateral de seu quadril, estava sentado de forma insinuante em seu pênis e se movia devagar ali. Aomine deixava alguns gemidos escaparem ao encarar o olhar rubro de Taiga acima de si, com aquela roupa, aquele jeito agressivo, esfregando-se em seu membro.

– Meu caralho... Você fica tão gostoso assim! – Sorriu de canto, não conseguindo mais esconder o quanto queria o ruivo. Começou a empurrar o quadril para cima, contra o corpo de Taiga, simulando o sexo que em breve fariam. – Senta aqui no meu pau, senta! Deixa eu te foder...

– Aomine Daiki, você não está em posição de pedir nada! – O ruivo respondeu tentando manter o tom sério, mas a sua excitação transpareceu em seu tom de voz e seu rosto não mentia. Ele ainda se esfregava em seu pênis, mas começou a engatinhar para trás.

Não demorou muito para o ruivo começar a chupá-lo, passando a língua por toda a extensão de seu pênis, daquele jeito perfeito e excitante que só ele era capaz, sempre mantendo o contato visual. O barulho úmido da sucção encheu o quarto, assim como os gemidos roucos de Aomine.

– Isso Taiga, me chupa... – O moreno arfou com os olhos cerrados, tentando afastar as mãos algemadas para guiar a cabeça de Taiga... Era só descer as duas mãos juntas, mas ele iria parar o boquete se o fizesse. Conhecia muito bem sua putinha...

O ruivo o masturbava enquanto ainda lambia a cabeça de seu pênis, arrancando mais uma onda de gemidos de Aomine. Não queria gozar só assim...

– Taiga... – Arfou novamente em uma tentativa de fazê-lo parar aquela tortura. – Deixa eu meter em você!

– Acha que estou de brincadeira? – Ele perguntou sério, segurando seu pênis enquanto passava mais uma vez a língua pela cabeça. – Você não está em posição nenhuma de pedir nada Aomine Daiki. Quem manda aqui sou eu!

Aquele desgraçado estava tão sexy daquele jeito... Ainda mais quando tirava a língua para fora e acariciava seu membro com ela. Era tortura, a mais pura e verdadeira tortura.

Ainda o masturbando, Kagami sorriu de forma provocante e forçou a abertura de suas pernas com a mão livre, deixando-o completamente exposto. O ruivo não hesitou e o penetrou com a língua, colocando e tirando ela lentamente de sua entrada, indo cada vez mais fundo.

– Taiga, não... – O moreno gemeu rouco, perdendo as últimas forças. Cerrou os olhos, mergulhando no prazer que sentia com aquele gesto. Adorava quando Taiga fazia isso, mas era intenso demais e gozaria facilmente dessa forma, ainda mais com a punheta ao mesmo tempo. – Sem tortura hoje... Sério...

– Com tortura! – Ele se afastou brevemente para responder, mas não tardou a penetrá-lo novamente com a língua, movendo-a mais rápido enquanto ainda o masturbava. Ele repetiu o gesto por um longo tempo, incitando Aomine a mover os quadris de forma insinuante, procurando cada vez mais contato.

– Chega disso Taiga... Senta aqui... – O moreno arfou, apertando com mais força os punhos presos. Contradizendo-se completamente, ele abriu mais as pernas para que o ruivo fosse mais fundo com língua. E foi exatamente isso que Kagami fez, arrancando mais um gemido abafado de Aomine antes de responder.

– Eu vou sentar e rebolar no seu pau só quando eu quiser Aomine Daiki. – O ruivo sorriu de forma sádica, subindo lentamente com a língua, passando demoradamente por sua extensão até chegar à cabeça de seu pênis. Enquanto fazia isso, inseriu dois dedos em sua entrada, e começou a movê-los rápido.

– Taiga... – O moreno balbuciou entre dentes, fechando os olhos com o prazer que sentiu ao ter sua próstata tocada de leve. – Filho da puta, assim eu vou gozar...

– Você só vai gozar quando eu permitir! – Kagami sorriu satisfeito, removendo os dedos e dando uma última lambida na cabeça de seu membro.

Nunca se acostumaria com a delícia de homem que era Kagami Taiga. Aomine teve que repetir essa última frase em sua mente umas duas vezes ao ver o ruivo forçar suas pernas a se fecharem, para poder se sentar por cima delas.

Lentamente, Kagami se livrou do cinto com seus equipamentos da polícia, colocando-o no chão com certo cuidado. Como que para provocar, começou a abrir a calça com uma calma que não pertencia a ele, deslizando-a por suas pernas e por fim atirando-a para longe, levando a cueca junto. Seu pênis estava ali exposto, duro e molhado, pedindo para ser tocado... Mas o ruivo o ignorou e permaneceu parado acima de suas pernas, abrindo os botões da camisa azul-clara com vários símbolos e brasões da polícia.

– Você é tão gostoso, Taiga... – O moreno sorriu de forma safada, vendo-o deixar a camisa de seu uniforme aberta. – Senta e rebola aqui pra mim, vai... Sei que você quer!

Dito isso, Aomine elevou uma das coxas para tocar o meio das pernas de Taiga, arrancando um gemido contido e grave se sua garganta. Satisfeito com a reação, dobrou as duas pernas para que ele escorregasse até seu pênis.

– Vem logo Taiga, chega de me maltratar! – Sussurrou, encarando-o de forma quase suplicante.

~Kagami Taiga~

– Chega... – Permitiu-se libertar-se da tortura que estava fazendo com o moreno, mas ao mesmo tempo consigo mesmo também.

Com certeza era uma delícia ver Aomine contorcendo-se abaixo de si, mas cada vez que ele pedia para que sentasse em seu pênis era uma verdadeira tentação, e agora já não conseguia mais resistir. Até tinha planos de penetrá-lo, mas deixaria para outro dia... Hoje não aguentava a espera, queria senti-lo preenchendo-o por inteiro.

Observando o sorriso triunfante de Daiki, que ainda tinha os braços erguidos e presos pelas algemas, o ruivo posicionou-se sobre o membro dele. Mantendo o contato visual, foi descendo o corpo e sentindo a penetração acontecer de forma lenta e fácil, pois o pênis de Daiki estava bem duro e molhado.

– Já te disse que seu pau é gostoso? – Kagami perguntou malicioso em meio a um gemido rouco, assim que sentiu chegar até o fim.

– Algumas vezes... – O moreno mordeu os lábios, que se curvaram em um sorriso safado. Isso refletia o tamanho de seu ego ao ser elogiado daquela forma. Para deixar Daiki excitado era só ser sincero sobre seu pênis.

Sem esperar mais, Kagami apoiou as mãos nos joelhos dobrados de Aomine e iniciou os movimentos que seu corpo já havia decorado, mas que jamais se cansaria de repetir. Elevou o corpo até que o pênis dele quase saísse de sua entrada, e com força desceu novamente, movendo o quadril nesse meio tempo. Era assim que Daiki gostava, ele ficava entregue abaixo de si.

– Tão apertado, Taiga... Tão gostoso... – Ele gemeu palavras aleatórias, apertando o travesseiro com as mãos algemadas. Suas juntas estavam esbranquiçadas pelo esforço de se conter. – Vai...

Não precisaria daquela ordem para continuar a se mover daquela forma viciante e deliciosa, subindo e descendo enquanto rebolava. O ruivo aumentava a intensidade aos poucos ao ouvir os gemidos e ofegos do moreno. Sentia o corpo de Aomine subir de encontro com o seu a cada vez que descia novamente... Era tão gostoso e intenso, mal conseguia controlar os próprios gemidos roucos.

Daiki o deixava louco, ainda mais preso e vulnerável daquela forma, mordendo os lábios abaixo de si. Ele olhava a cena sem pudor algum, hora encarando o corpo semidespido do ruivo se movendo de forma erótica, hora fitando o seu próprio membro sumindo dentro de Taiga, hora sorrindo para os olhos vermelhos acima de seu corpo.

– Vai com calma Taiga... Você judiou demais de mim. – O moreno sorriu ofegante, erguendo mais o quadril para ir mais fundo ainda. – Vou gozar muito rápido...

– Então agora quem vai foder é você, Daiki! – Kagami murmurou decidido, inclinando o corpo para deitar sobre o de Aomine, beijando seus lábios de forma urgente enquanto enterrava os dedos nos fios azulados. – Meta como você quiser!

– Minha putinha... – O moreno sorriu satisfeito, fazendo com que os braços algemados envolvessem Kagami em um abraço restrito, mas que fez o contato entre ambos aumentar mais ainda.

O ruivo abriu mais as pernas para que o moreno movesse o quadril com uma maior liberdade e precisão... Não se arrependeu da decisão. Aomine começou a se mexer lentamente, mas logo iniciou aquele ritmo acelerado, puxando-o para mais perto enquanto mordia seu queixo com força.

– É tão gostoso... – Kagami gemeu rouco, sentindo-o atingir continuamente sua próstata enquanto espalhava mordidas por seu queixo e pescoço. Por mais que gostasse de executar os movimentos por si só, ter Daiki fazendo aquilo era extremamente prazeroso. – Mais... Vai...

– Eu sei que você gosta... – O moreno sorriu em meio a um gemido, descendo as mãos algemadas até chegar em suas nádegas, afastando-as para que pudesse penetrá-lo melhor. – Taiga, você é foda...

O ruivo nada disse, apenas sorriu e deixou-se levar pela sensação de ter o moreno entrando e saindo de seu corpo, cada vez mais rápido e mais forte. Cada nova estocada era mais gostosa que a anterior... Conforme ele se movia, o ruivo sentia o seu próprio pênis esfregar-se contra o abdômen de Aomine, e aquilo com certeza o faria gozar antes, talvez até mesmo antes do próprio Daiki... Mas ele também não iria demorar muito, seu rosto dizia isso.

– Goza na minha boca... – Kagami pediu com a voz rouca minutos depois, sentindo o orgasmo se aproximar. Seus músculos já travavam, indicando que em breve chegaria ao seu limite.

– Taiga... – O moreno o olhou com o puro desejo estampado em sua face, já abrindo espaço com os braços para que ele fosse até lá. Kagami sabia que ele gostava disso. – Eu... Quase... Vai...

O ruivo não esperou meio segundo. Assim que Daiki removeu seu pênis, já deslizou para baixo e o colocou na boca, começando a chupá-lo sem vergonha alguma... Não seria a primeira e muito menos a última vez que faria isso. O ruivo movia a língua e a boca na mesma intensidade com a qual se masturbava... Era satisfatório ver as reações de Aomine.

– Taiga! – O moreno gritou, contorcendo e elevando o corpo na direção de Taiga. Os ofegos indicavam que não iria aguentar muito mais. – Vou... Goz...ar!

O ruivo ouvia Aomine gemer palavras sem sentido quando sentiu o líquido quente dele preencher sua boca, trazendo aquela habitual ânsia no início... Já estava acostumado com isso e sabia como fazer. Permaneceu firme e engoliu tudo ao mesmo tempo em que se masturbava. A voz rouca e arrastada de Daiki era um incentivo para continuar até o fim.

Kagami chegou ao orgasmo assim que Daiki terminou o seu. Já sentia o formigamento em seu baixo ventre...

– Ah... – O ruivo gemeu, não se controlando mais. Elevou o corpo para ficar de joelhos e gozou na direção do abdômen do moreno, se masturbando. Aomine o encarava com um sorriso malicioso, deitado ofegante e satisfeito em sua frente. – Dai...

Não conseguia mais falar, apenas deixou-se levar, aquilo era tão gostoso. O ruivo ás vezes tinha raiva de si mesmo por gozar tão rápido e sem tanto esforço, poderia muito bem ter continuado com o sexo, penetrado Aomine e ter sido mais feliz gozando dentro dele minutos mais tarde... Mas Daiki era irresistível. Ele sustentava aquela expressão extasiante em seu rosto, exibia aquele corpo gostoso e moreno, o encarava com puro desejo... A situação não permitia que se segurasse. Fechou os olhos com força, dando os últimos espasmos, esperando aquela maravilhosa sensação dissipar-se aos poucos.

– Como é bom... – Suspirou com a respiração ofegante, soltando o peso do corpo em seus joelhos. – Meu caralho...

– Vem aqui comigo, policial! – Aomine sorriu e olhou para o ruivo. – Me dá um beijo.

Kagami apenas sorriu e inclinou-se novamente sobre o corpo de Daiki, ignorando completamente a poça de fluido sobre seu abdômen. Antes de beijá-lo, o moreno lambeu eroticamente a lateral de seus lábios, onde havia escorrido um pouco de seu gozo.

– Minha putinha! – Kagami disse, antes de colocar a língua lentamente em sua boca.

Amava o beijo de Daiki, era sempre tão quente e delicioso... Ainda mais depois do sexo. Sempre começava intenso, mas conforme se acalmavam o gesto se tornava carinhoso e por fim cômico, terminando com mordidas na bochecha ou com uma guerra de lambidas dentro da orelha.

– Caralho Taiga, você quer me matar? – Ele sorriu, erguendo novamente os braços algemados para envolver Kagami assim que se afastaram. – Foi foda demais!

– Sim, foi muito bom! – O ruivo admitiu satisfeito, dando-lhe um selinho. – Sabia que você iria gostar, eu fico muito gostoso vestido de policial!

– Quer vir trabalhar comigo assim todos os dias? – Aomine perguntou malicioso, concordando com um movimento de cabeça. – Eu não iria reclamar...

– A gente só não iria trabalhar... – Kagami riu, girando o corpo para o lado de Aomine, apoiando-se em um de seus braços no colchão. – Estaríamos ocupados demais para isso.

– Claro! – Daiki riu, girando o corpo e beijando-o rapidamente nos lábios. – Mas agora você poderia remover as algemas? Sou inocente de todas as acusações.

– Certo... – O ruivo sorriu, virando-se para o cinto na lateral da cama. Vasculhou-o até encontrar a minúscula chave.

– Você só me surpreende, sabia? – Daiki murmurou, vendo-o destrancar o objeto. – Isso foi muito foda Taiga.

– Eu sei! – O ruivo elevou os olhos rapidamente do que estava fazendo para encará-lo. – E quando você vai me algemar?

– Você quer? – Daiki riu, franzindo a testa. – Sério?

– Lógico! Até me surpreendo que nunca tenha feito isso antes. – Kagami sorriu de canto, levando a algema para a lateral da cama, na intenção de soltá-la no chão.

– Ei, me dá aqui então... – Aomine pediu malicioso, parando o movimento do ruivo com os braços livres. – Agora é minha vez de torturar você!

– Daiki, pervertido... – Kagami sorriu de canto, dando as algemas para ele. Sentiu um leve arrepio ao ver o rosto do moreno, sabia que ele não iria pegar leve consigo. Ele era bem vingativo, por assim dizer.

– Contraí seu vírus da safadeza com a nossa convivência! – Ele justificou, prendendo os pulsos de Kagami ao mesmo tempo em que subia em seu corpo, sentando-se sobre suas pernas. – Agora arque com as consequências.

– Pode vir, sou forte! – O ruivo sorriu malicioso, sentindo seus braços algemados serem forçados para cima.

– Ótimo! Segunda rodada, Taiga! – Aomine disse com um tom sério, removendo a gravata que ainda estava no pescoço do ruivo, atirando-a para longe. – Mas agora o policial sou eu!

O ruivo não teve tempo de responder, pois o moreno já o beijava na boca de uma forma bem insinuante. Pensariam em dormir mais tarde, agora estavam muito ocupados...

***

Domingo — 01 de outubro — 16:48

– Vai se foder, Daiki! – Kagami o empurrou, assim que ele o ajudou a se levantar. Acabara de ser praticamente jogado contra o chão ao tentar passar pelo moreno. – Qual a necessidade disso?

– Foi mal Taiga! Não fiz por querer. – O moreno resmungou, pegando a bola no chão e atirando para Kagami. – Vai, dois lances livres. Arremessa aí e cala a boca.

– Você nunca fez falta nos nossos mano a mano! – Kagami irritou-se com a displicência dele, quicando a bola no chão. – O que foi?

– Nada! Vai logo com isso! – Ele balançou a cabeça, erguendo uma das mãos em sinal de rendição.

– Acha que não te conheço? – Kagami murmurou, olhando-o de canto enquanto se dirigia a ponta do garrafão, preparando-se para arremessar. – Fala logo Aho!

– Sarna... O Kento acabou de entrar no Maji Burguer com alguns amigos. Só! – O moreno explicou com um suspiro cansado, colocando as mãos na cintura enquanto esperava os dois lances livres de Kagami.

– Sério? – O ruivo relaxou o corpo e o encarou com a expressão serena. Isso ainda era uma coisa delicada para Aomine, mas tocavam no assunto com bastante frequência nos últimos dias. Daiki estava considerando conversar com o irmão desde a volta de L.A., mas nunca tomava uma atitude. – Quer ir até lá?

– Não! – Ele foi direto, indicando a cesta com a cabeça. – Arremessa logo.

– Sem chance! Vamos lá, Daiki! – Kagami apoiou a bola na lateral do corpo e virou-se para olhá-lo de frente. – É uma oportunidade que não vai se repetir tão cedo... Ele nunca veio ao Maji Burguer antes, veio?

– Taiga, eu não sei se estou preparado. – Ele admitiu, secando o suor da testa com a munhequeira que usava.

– Preparado você nunca vai estar. – Kagami foi sincero, aproximando-se para olhá-lo e encorajá-lo de perto.

– É nosso domingo de folga, quero passar com você e apenas relaxar. – Ele sorriu de canto, removendo uma gota de suor que escorria pelo nariz do ruivo. – Deixa esse assunto para outro dia!

– Daiki...

– Por favor. – Ele pediu, olhando-o quase suplicante.

– Como quiser amor! – Kagami sorriu pesaroso, dando-lhe um selinho rápido. – Quer ir para casa?

– Não, vamos jogar mais um pouco. – Aomine disse de forma convicta. – Basquete é sempre bom.

– OK! – O ruivo concordou, acariciando levemente seu braço antes de voltar ao garrafão.

Ele não poderia adiar aquilo para sempre... Estava agindo como um idiota e no fundo sabia disso.

***

17:32

– Sua garrafa d'água! – Kagami sorriu displicentemente, vendo o objeto largado no chão assim que Aomine vinha em sua direção quicando a bola.

– Heh! – Ele sorriu de forma culpada, voltando para pegar o objeto. Era um cabeça-de-vento mesmo.

Ele voltou-se para o ruivo com um ar divertido, mas sua expressão mudou quando seu olhar se dirigiu às costas de Kagami. O sorriso dele foi substituído por uma expressão levemente incomodada... Já imaginando do que se tratava, o ruivo virou-se. Não foi surpresa nenhuma ver Aomine Kento parado na entrada da quadra, observando-os.

Era estranho olhá-lo por muito tempo, parecia um deja-vu na mente do ruivo, pois o ele ficara incrivelmente parecido com o Daiki quando tinha 16 anos... Era apenas uns dez centímetros mais baixo, menos musculoso e tinha a feição menos agressiva. Fora isso, os dois eram simplesmente iguais!

– Oi! – O rapaz disse de forma tímida, mas ao mesmo tempo segura. Até a voz era parecida com a de Daiki, mas menos preguiçosa.

Kagami não pôde deixar de pensar qual seria a sensação de Ethan e Seiko ao olhá-lo todos os dias e ver a sombra de Daiki ali em sua frente... Culpa, indiferença ou desprezo?

– Oi! – Aomine respondeu de forma direta, empurrando o ruivo gentilmente pelas costas até a saída, onde o rapaz estava.

– Quanto tempo, não?! – Kagami falou em um tom bem humorado, tentando restaurar o clima – Tudo certo com você, Kento?

– Comigo as coisas vão bem, Kagami-kun, espero que com vocês também! – Ele sorriu um pouco mais tranquilo, estendendo a mão. O ruivo a apertou sem pestanejar. – Hm... Vi vocês dois jogando, eu estava ali na lanchonete com alguns amigos... Pensei em vir aqui! A gente pode conversar?

– Sobre? – Aomine fez-se de durão ao apertar a mão do irmão, mas Kagami sabia que ele apenas estava inseguro.

– Sobre tudo! – Kento respondeu de forma convicta, dando de ombros. – A meu ver, a gente precisa conversar sobre muita coisa...

– Ok! – O moreno finalmente respondeu após alguns segundos sem reação. Ele apoiou a bola na lateral do corpo e passou o braço restante sobre os ombros de Taiga, esperando. – Pode falar.

– Daiki! – Kagami o repreendeu com o olhar, voltando-se para o rapaz. – Vamos para outro lugar conversar. Posso deixar vocês a sós também, se preferir.

– Seria melhor falar com vocês dois, Kagami-kun! – O rapaz foi direto, mas tinha uma expressão gentil. – Afinal, acredito que devo desculpas para ambos.

– Hm, ok! – O ruivo concordou, buscando o olhar de Aomine. Não teria oportunidade melhor para aquela conversa. – Vamos lá para casa? Acho que fica mais de boa...

Daiki o encarou incrédulo de repente e estreitou os olhos, fuzilando o ruivo por sua ideia repentina. Aomine com certeza não parecia muito favorável e provavelmente queria socá-lo, mas não tinha mais como mudar a proposta. O moreno apenas voltou o olhar para Kento e ficou esperando uma resposta.

– Eu não sei como fica melhor para vocês... – O rapaz disse um pouco tímido, olhando de um para o outro. – Não quero atrapalhar!

– Tudo bem, não vai atrapalhar. – Kagami sorriu, dando um tapa leve e encorajador no braço de Kento. Com um sorriso firme, voltou-se para Aomine ao seu lado. – Não é?

É! – O moreno respondeu com um aceno de cabeça. Sua expressão era indecifrável.

Depois Kagami sofreria as consequências por seu ato repentino, mas realmente parecia ser o melhor lugar para conversarem. O ruivo não tinha absolutamente nada contra Kento, ele seria extremamente bem-vindo no apartamento... Isso sem falar que conhecia Daiki o suficiente para saber que ele ficaria mais a vontade dentro do próprio lar. Foi a melhor opção, sem dúvida alguma! Não adiantava mais adiar aquilo... Tinha certeza que Daiki ficaria bem.

***

17:52

~Aomine Daiki~

Taiga o conhecia muito bem. Essa foi a conclusão que Aomine teve no exato momento que Kagami sugeriu ter aquela conversa ali, dentro de sua tranquila casa azul... Mas mesmo assim ele fora impulsivo e quase levou um soco por causa disso. Talvez mais tarde o ruivo até levasse um, dependendo do grau de estresse de Daiki após a bendita conversa.

Foi particularmente estranho estar com Kento no banco de trás do carro enquanto dirigia, ainda mais quando o trajeto inteiro foi percorrido com um desconfortável silêncio. Mas tudo bem... Chegaram consideravelmente rápido ao apartamento e agora estavam ali sentados no sofá manchado, se olhando como um bando de idiotas sem saber o que dizer.

– Posso fazer uma pergunta? – Kento pediu de repente, erguendo as sobrancelhas em uma expressão curiosa.

– Diga! – Aomine respondeu. Estava na hora de mostrar as caras na conversa, já que quem sempre tentava puxar algum assunto era Kagami.

– Vocês estão casados de verdade? – Ele sorriu de canto, indicando com a cabeça as alianças em suas mãos.

– Sim, há um pouco mais de dois meses! – O moreno respondeu prontamente e muito orgulhoso.

– Isso é bem legal! – Ele disse com aquele sorriso sincero que sempre tinha quando era mais jovem. Daiki com certeza não estava esperando aquela reação do irmão. – Sério, fico bem feliz por vocês dois. Desejo tudo de bom!

– Obrigado! – Kagami sorriu em resposta, agradecendo com um aceno de cabeça.

– Sabe... – Ele começou, apoiando os cotovelos nas pernas, olhando para o chão. – Quando vi vocês dois juntos no mercado, há alguns anos, eu senti um grande alívio... E agora vendo vocês casados eu sinto um alívio maior ainda! – O rapaz voltou o olhar para Aomine. – Porque eu sei que vocês se separaram por minha culpa quando eram jovens. E é sobre isso que eu preciso falar.

Ninguém se atreveu a dizer nada, o assunto estava começando a ficar sério. Daiki apenas o encarou, vendo seu próprio reflexo no rosto do irmão. Acenou positivamente com a cabeça para que ele continuasse a falar.

– Quando eu era menor, não sabia que o que vocês faziam era errado. – Ele continuou um pouco tímido, mas exasperou-se na hora com o que disse. – Quer dizer, não é errado... Mas eu não sabia que a maioria das pessoas achava errado. E muito menos que a mãe e o pai achavam... Eu não sabia de nada, na verdade! Na real eu sempre imaginei que vocês dois fossem muito amigos, tipo irmãos mesmo. Por isso eu sempre considerei o Kagami-kun como um irmão mais velho também. – Ele sorriu fracamente olhando para o ruivo, mas voltou-se para Aomine com a expressão séria. – E então veio aquele dia no sítio... Eu estava muito entediado só com os carrinhos e aquele papo chato na cozinha, então fugi e fui atrás de vocês para brincar ou fazer alguma coisa diferente. Andei um monte e encontrei vocês dois nadando no rio, por isso comecei a espionar como se estivesse brincando de Naruto, sendo um ninja e tudo o mais... E foi aí que vi vocês dois se abraçando e dando um beijo. Achei que era mais do que natural fazer isso com seus melhores amigos, e foi isso que eu fiz na escola...

Silêncio. O moreno já sabia a história de trás para frente, mas queria muito ouvir a versão do Kento. Era diferente, muito mais inocente! Queria ficar de bem com o irmão... Pela primeira vez depois de muito tempo permitiu-se admitir isso para si mesmo.

– Lembro que a mãe estava furiosa quando foi me buscar, fiquei com medo dela. – Ele continuou, entrelaçando os dedos. – Quando ela me perguntou, eu falei que vi vocês dois fazendo isso, mas não sabia que não era natural beijar outro menino... Enfim, depois a gente foi te buscar na escola, Daiki-kun. – O rapaz continuou, agitando os pés, um pouco incomodado. – A cara de vocês não era nada boa, mas eu fiquei com mais medo ainda quando ela jogou seu celular para fora da janela... Percebi que mãe não gostou nada da história de eu ter beijado outro garoto, aí eu comecei a me sentir pior ainda por ter contado que você também beijava. Era como se eu estivesse jogando as coisas nas suas costas...

O rapaz fez uma breve pausa, olhando de um para o outro, como se estivesse esperando que dissessem algo, mas ninguém falou. Ele voltou a encarar Aomine e continuou:

– Eu escutei os gritos e os tapas lá do meu quarto aquele dia. E então eu percebi que foi bem mais complicado do que eu imaginava... – Ele franziu as finas sobrancelhas de forma triste. – Ouvi que eles não iam mais deixar o Kagami-kun te ver, que você não queria isso, e que apanhou mais ainda por gritar algumas coisas a respeito... Eu não conseguia parar de chorar, porque eu escutei cada segundo da briga e lembro-me de tudo até hoje. – Havia sinceridade nos olhos dele conforme ele contava, pausadamente. – Fiquei com medo e me escondi em baixo da cama quando o pai chegou em casa e te derrubou na mesa de centro... Mas depois eu também apanhei muito: Por ter beijado um garoto na escola, levado a suspensão, por não ter contado para eles sobre o que vi no sítio da vó e outros motivos que nem lembro mais... – Ele começou a lacrimejar, mas tentou disfarçar esperando alguns segundos antes de continuar. – Depois daquilo você não falou mais comigo e eu nunca tive coragem de falar também. Admito que tinha medo de sua reação... Eu ainda não sabia direito o motivo daquilo tudo, mas sempre tentei pedir desculpas porque sentia que tinha feito algo errado... Só que você foi embora lá de casa e eu perdi a chance.

Novamente o silêncio. Foi quebrado apenas pela fungada que ele deu ao olhar para o chão, suspirando fundo para se acalmar.

– Aí conforme eu crescia, comecei a entender as coisas: O seu casamento forçado com a Yuuri por causa das famílias, a sua depressão, a monstruosidade da mãe e do pai durante esse período, o soco que você deu no pai na frente de todo mundo... Mas principalmente, comecei a entender sobre o seu relacionamento com o Kagami-kun e sobre a forma como eu separei vocês. – Ele continuou com a voz tremida, soltando algumas lágrimas. – E eu sei que foi tudo culpa minha... Hoje eu sei que te apunhalei pelas costas quando falei para a mãe sobre vocês dois no rio. Mas eu juro que não fiz por mal... Se eu soubesse de tudo eu jamais diria para ela, eu sofreria as consequências sozinho e tudo ficaria bem. Desculpem-me, por favor! Eu não sabia... E eu venho carregando essa culpa até hoje, porque eu realmente sinto muito. Eu sinto muito mesmo... Perdão Daiki-kun!

Ninguém disse absolutamente nada. Aomine continuou olhando para o irmão, que estava esperando alguma resposta com os olhos lacrimejantes. Sentiu o olhar de Taiga vir em sua direção também, ambos pareciam esperar... Mas precisaria pensar um pouco mais antes de falar.

O moreno estava se sentindo estranho. Um misto de alívio, alegria e pena de Kento... Sabia desde sempre que não era realmente culpa dele, que não foi por querer, que ele era novo demais para entender aquilo e tudo o mais... Mas nunca imaginou que ele iria chorar ou sentir remorso por isso. Aomine quase se sentiu um monstro por um dia tê-lo julgado e principalmente por ter sido egoísta a ponto de nem sequer procurar ouvi-lo. Queria se resolver com ele, sabia que o irmão não estava mentindo.

Kento guardou uma culpa por algo que ele não cometeu, e se sentia mal até hoje com isso... Mas o moreno jurava que ele tinha superado tudo, que nem pensava mais no assunto e que estava seguindo sua vida conforme Ethan e Seiko ditavam... Mas não, ele tinha remorso, pensava em Daiki e ainda por cima o aceitava da forma que era, ao lado de Taiga, sem julgamentos ou olhares estranhos! Isso era algo que o moreno jamais esperou, mas que o deixou imensamente feliz.

Como um filme passando em sua mente, Aomine conseguiu ver seu passado com ele rapidamente: A forma como odiou ter descoberto que teria um irmão mais novo, as vezes que derrubou ele de seu colo de propósito por ciúme, as brincadeiras bestas que faziam quando ele começou a ficar maior, os incontáveis episódios de Naruto que assistiam juntos, as figurinhas que comprava para ele... Mas percebeu uma quebra enorme ali no meio, pois de repente ele já estava com 16 anos de idade em sua frente. Como Nick perdeu um bom tempo da vida de Taiga, Aomine perdera da vida de Kento também... Agora se arrependia e entendia.

Como era idiota, poderia ter resolvido aquilo há muito tempo! Maldito orgulho... Mas de qualquer forma seria grato a Nick até o final da vida por tê-lo feito pensar no assunto de forma diferente. Se colocou na situação do Taiga e conversou com ele a respeito... Só não tinha coragem de procurar Kento para esclarescer de uma vez por todas. Parecia que tudo ficaria bem agora, era o que mais queria.

– Me chame de Onii-chan. Sou seu Onii-chan! – Aomine pediu com um meio sorriso depois de um longo silêncio, sentindo os próprios olhos arderem enquanto suas mãos suavam pela euforia. – Sabe Kento, eu admito que te culpei muito no começo, mesmo não fazendo sentido algum! Como você sabe, minha vida virou um inferno depois daquilo, sem o Taiga, com o casamento, com a depressão e tudo o mais... Mas quem causou isso não foi você, de forma alguma! Sua inocência na época não iria permitir que escondesse as coisas de sua mãe... Não tem porque se preocupar com isso. – Aomine disse calmamente, percebendo as lágrimas quentes e discretas cortarem sua bochecha. Sentia-se de certa forma aliviado ao dizer aquelas coisas. – Poderia ter sido muito mais fácil para todo mundo, não é? Era só Ethan e Seiko terem me aceitado do jeito que eu sou, procurado entender como eu me sentia na época, entender o que eu sentia pelo Taiga, conversar... Como você fez agora.

– Onii-chan... – O garoto balbuciou, sem conseguir falar mais nada. Provavelmente não estava esperando essa reação amigável de Aomine.

– Não me importo mais com eles há tempos, são parte morta nas minhas lembranças. – Aomine falou um pouco mais calmo. Sentiu o braço de Taiga envolver suas costas de forma acolhedora, o que era bem tranquilizador e passava segurança. – Estou muito feliz agora com minha nova família e sinceramente não espero absolutamente nada de Ethan e Seiko. Por mim poderiam apodrecer no inferno, e eles ainda vão, tenho certeza... Mas, por mais eu que tentasse, nunca consegui sentir esse mesmo desprezo por você, Kento. – O moreno continuou com a voz firme, olhando nos olhos idênticos aos seus. – Eu costumava achar bem mais fácil colocar a culpa na sua inocência do que no meu descuido, na minha impotência perante a vida, na minha incompetência com qualquer coisa que não fosse o basquete... E por aí vai! Era minha zona de conforto, digamos assim. Eu pensei que se te culpasse, você não iria se importar tanto. Você era só uma criança na época, iria crescer e superar, vivendo sua vida normalmente... Não sabia que você se sentia realmente culpado. Na verdade achei que os dois enfiaram na sua cabeça que os errados éramos eu e Taiga.

– Eles tentaram fazer isso incontáveis vezes. Principalmente a mãe. – O rapaz admitiu rapidamente, fungando e passando a manga da jaqueta no nariz enquanto se acalmava. – Mas eu gostava muito de vocês dois pra aceitar aquilo tudo que eles diziam, parecia distorcido demais para mim... Aí fui vendo como as coisas funcionam. Descobri que existem homens casados com homens, mulheres casadas com mulheres, e que todos são muito felizes e realizados dessa forma... Foi então que eu percebi como estraguei tudo para vocês dois. Por isso naquele dia, no mercado, eu me aliviei um pouco ao ver vocês dois juntos, e hoje me aliviei mais ainda por vê-los casados. Mas ainda sinto culpa pelo que fiz...

– Não foi você, Ranhento! – Aomine sorriu de canto, vendo os olhos dele brilharem ao ouvir o tratamento. Estava começando a se sentir infinitamente melhor com Kento ali, sentiu muita falta do irmão. – Você não fez nada de errado, pare de se culpar.

– Você me perdoa? – Ele insistiu, lacrimejando de novo.

– Relaxa, não tem pelo que perdoar. – O moreno disse de forma sincera, suspirando fundo. – Você era só um pirralho!

– Onii-chan... – Kento começou a chorar novamente, mas voltou-se para Taiga. – Kagami-kun... Me desculpa?

– Relaxa Kento! – O ruivo se pronunciou com o sorriso acolhedor e incrível de sempre, depois de muito tempo apenas ouvindo. – Eu nunca te culpei por nada, nunca mesmo... Eu não estava no olho do furacão e não senti a coisa de perto, mas não precisa disso para saber que a culpa é totalmente dos seus pais, pela forma cruel e egoísta que eles agiram. De minha parte sinta-se desculpado, se isso é tão importante para você.

– O-obrigado! – Ele gaguejou encarando-o, limpando as lágrimas e tentando se controlar.

– Vem cá, Ranhento! – O moreno tomou a iniciativa, levantando-se para abraçá-lo. Estavam precisando daquilo.

O rapaz não disse nada, apenas levantou-se de prontidão e o abraçou com força, ainda chorando. Aomine o envolveu e fechou os olhos, apoiando o queixo na cabeça do irmão. Porra, porque demorou tanto para deixar de ser idiota? Kento também estava mal esse tempo todo... Aomine chegou à conclusão de que era orgulhoso demais, precisava mudar isso... E principalmente, precisava pedir desculpas.

Com certeza se sentia extremamente feliz e completo tendo Kagami como seu porto-seguro, mas a família de criação fazia falta sim, precisava admitir! Não Ethan e Seiko, eles poderiam rastejar aos seus pés, mas não teriam seu perdão jamais... Entretanto isso não se aplicava à Kento! Ele era muito importante, bem mais do que se lembrava.

No fundo, Daiki estava muito feliz por ter sido aceito pelo irmão, estava precisando daquilo vindo de alguém da família. Seu maior receio na época era que ele pensasse algo negativo sobre si, tinha muito medo do que aquelas cobras enfiaram na cabeça dele. Por sorte, eram apenas caraminholas de Aomine Daiki... Kento aparentou ser bem maduro para idade e já tinha opinião própria.

– Acho que sou eu que preciso me desculpar, Kento! – Aomine falou por fim, mas sem desfazer o abraço. – Fui orgulhoso e babaca demais para te procurar... E continuaria sendo se você não viesse conversar comigo hoje. Eu sempre soube, lá no fundo, que você não tinha culpa de nada e mesmo assim me recusei a trocar uma ideia com você, achei que você pensava igual aos dois lá! Desculpe-me, Kento!

– Não onii-chan, não se desculpe! – Ele respondeu com um tom firme. – Só me perdoe, por favor.

– Claro que te perdoo Ranhento! – Aomine teve que sorrir, olhando para Taiga no sofá. – Mesmo não tendo porque te perdoar, eu te perdoo!

– Obrigado! – Ele disse, apertando mais ainda o abraço.

Aomine estava tão acostumado com aquele assunto não resolvido dentro de seu peito que nem notava mais o peso que aquilo causava. Mas agora que ele se foi, sentia-se tão leve... Estava livre de verdade.

– Kagami-kun, posso lhe abraçar também? – Kento perguntou meio sem graça, olhando para o ruivo assim que se afastou de Daiki.

– Claro! – O ruivo se levantou sorridente, aproximando-se para receber o abraço. – Mas não era assim que você me chamava...

– Taiga-Onii-chan! – Ele sorriu, apertando o ruivo.

– Melhor assim! — Kagami sorriu, olhando para Daiki por cima da cabeça do rapaz.

Taiga não ganharia soco nenhum por sua atitude de trazer Kento até o apartamento, ganharia mil beijos... Seria eternamente grato ao ruivo por isso, e à Nick também. Estava muito feliz, e seu sorriso deixava isso claro! Tudo ficaria bem agora... Só teria que recuperar o tempo perdido.

***

20:49

– Universidade de Toronto... No Canadá? – O moreno franziu a testa, confuso, olhando para o irmão no lado oposto da mesa. – Mas lá é frio!

–Melhor ainda! – Kento sorriu, pegando mais um pedaço de pizza da bandeja. – Vai ser bom pra mim.

– Sério que você quer fazer Medicina? – Kagami perguntou, passando dificuldade com um pedaço de queijo derretido que nunca acabava de sair da pizza.

– Eu quero sim! – O rapaz confirmou com a boca cheia, todo orgulhoso. – Acreditem, sou bem inteligente!

– Os dois lá não estão te forçando a isso? – O moreno perguntou preocupado, erguendo uma das sobrancelhas. Distraidamente, ajudou Kagami com o queijo, mas ainda olhando para o irmão.

– Não! – O rapaz sorriu, vendo o gesto dos dois. – É uma coisa que eu quero mesmo, serei Neurocirurgião! Aí foi só falar para eles que era isso que eu almejava e pronto... Apoiaram completamente meu intercâmbio. Vou estudar em uma universidade foda e de quebra não vou mais precisar aturá-los por alguns anos.

– Sei... – Aomine sorriu, percebendo a maturidade dele. Não pensava assim quando tinha aquela idade, era um baita de um vadio. – Mas lá é longe, porra! Não podia ser no Japão mesmo?

– Não! Tem que ser lá! – O rapaz falava com um grande sorriso, parecia animado demais para quem iria apenas estudar.

– Tem um marisco na jogada, não é? – Kagami perguntou de repente com um sorriso de canto, atraindo o olhar confuso dos dois. Franziu a testa e os encarou. – Que foi?

– Marisco? – Ambos perguntaram confusos.

– Ah... Vocês japoneses têm muito que aprender! – O ruivo revirou os olhos de forma irônica. – Quero saber se tem uma garota por lá que você está af...

– E o que diabos um marisco tem a ver com uma garota, Bakagami? – Aomine o interrompeu, fazendo um careta indignada.

– Já viu um marisco? – O ruivo perguntou com as sobrancelhas levantadas, recebendo um aceno positivo em resposta. – Já viu uma buceta?

– Já! – O moreno estreitou os olhos, pensativo, tentando encontrar uma relação entre as duas coisas. De repente começou a rir, assim como Kento. – É mesmo, é bem parecido!

– É igualzinho! – O ruivo riu, tomando um gole de cerveja.

– E onde você viu uma buceta? – Aomine perguntou de repente, olhando sério para Kagami. Já tinha o emo do Himuro Tatsuya e o viadinho do Benji para sentir ciúmes, mas se fosse jogar contra as mulheres, com certeza seria o seu fim.

– Naquelas revistas idiotas que você guardava em baixo do seu colchão antigamente! – O ruivo estreitou os olhos, acusando-o também. – Ou você realmente pensou que eu não sabia que elas existiam?

– É, mas eu as vendi depois e você sabe muito bem disso!

– Espero que tenha vendido todas! – Kagami o chutou por debaixo da mesa, mas voltou-se para Kento, que ria de ambos. – Enfim, tem uma garota por lá?

– Tem sim! A Roxanne. – Ele disse, sorrindo como um bobo. Parecia estar esperando o tempo todo para falar sobre isso. – Converso com ela há dois anos. Nos conhecemos através de um MMORPG.

MMO What? – Kagami perguntou, com uma careta, a mesma de Aomine.

Massively multiplayer online role-playing game! – O rapaz explicou como se fosse algo óbvio. Seu inglês era bom, muito bom. Não era para menos, já que ele iria morar no Canadá.

– Ah sim, muito esclarecedor! – Aomine debochou, mostrando o polegar enquanto tomava um gole de cerveja. – Não entendi merda nenhuma.

– São jogos online de computador! – Kento riu, dando mais uma paciente mordida na pizza de quatro queijos. – Eu e ela jogávamos World of Warcraft. Éramos da mesma Guilda e começamos a fazer Arenas juntos... Éramos sempre os primeiros do Rank, sempre! Começamos a ficar famosos e precisávamos bolar uma estratégia boa. – Ele falava de forma séria e compenetrada, como se fosse um assunto digno de uma mesa redonda. – No jogo ela tinha um Char masculino, mas quando começamos a falar por Skype eu descobri que ela era uma menina... No início só falávamos sobre o jogo, mas depois a gente foi se conhecendo e acabamos nos apaixonando.

– Que bonitinho! – Taiga sorriu, olhando-o com o rosto inclinado. – Cara, eu lembro de você me berrando pela casa com as figurinhas do Naruto na mão... E agora já está aí, todo apaixonado. Caralho...

– Pois é, as coisas mudam! – Kento sorriu animado, continuando a falar. – Agora eu e ela estamos fazendo planos para o ano que vem. A Roxy também vai cursar medicina em Toronto, e finalmente vamos nos conhecer pessoalmente... Se nosso namoro vai dar certo eu não sei, mas eu gosto mesmo dela e farei de tudo para que funcione. De qualquer forma, decidimos unir o útil ao agradável, no caso, a faculdade com o namoro. Vai ser muito bom, mal espero!

– Tá vendo isso, Bakagami? – O moreno sorriu incrédulo, apontando para o irmão de forma orgulhosa. – Não entendi metade do que ele falou na parte de Arena, Char, MMO e não sei o que mais, mas porra, até esse pirralho pensou mais do que a gente com 16 anos... Ele vai namorar, estudar e se dar bem na vida. Caralho, como a gente era burro e sem perspectiva!

– Pra você ver como as coisas são! – Kagami riu, balançando a cabeça ao olhar o moreno. – Isso que dá ficar pensando só em basquete e em sexo... Tem que se foder mesmo! Mas o Kento não! Ele estuda, joga MMO, vai fazer intercâmbio para estudar Medicina e ainda por cima vai fazer sexo com a Roxy! Parabéns cara, tem minha admiração.

– Oe, não diga dessa forma! – Ele sorriu tímido, coçando a nuca.

– Vai dizer que você é virgem? – O moreno perguntou imediatamente, tomando o resto da cerveja em seu copo.

– Não sou não! – Ele respondeu, com as sobrancelhas erguidas. – Mas é um assunto delicado.

– Meu caralho, ele não é mais virgem! – Aomine riu, olhando para Kagami com uma expressão incrédula. – Meu irmão mais novo perdeu a virgindade, caralho! Isso nunca me passou pela cabeça na vida... Conta aí, quando e como foi isso?

– Ah, Onii-chan, é embaraçoso... – Kento ficou um pouco tímido, tomando um gole de sua Coca-cola. – Mas foi antes de eu conhecer a Roxy... Com uns 14 anos.

– 14 anos? – Os dois o encararam incrédulos.

– Eu disse, eu sou inteligente. Hoje em dia as meninas preferem cérebro à músculos. – Ele disse de forma sábia.

– Meu caralho, como você foi perder a virgindade com 14 anos, porra? – Aomine exasperou-se. Kento estava mais maduro que Kagami e ele juntos, se duvidar.

– Num grupo de estudos! – Ele sorriu, encabulado. – Mas como eu disse, foi estranho. Mas foi bom... A gente não sabia muito bem o que fazer além da teoria...

– Ah, isso é normal! – Kagami confirmou com um gesto de mãos, olhando-o interessado.

– Enfim, não vou dar detalhes. – Ele os repreendeu. – Só que foi bom e ela era bem bonita. Tipo, peitão...

– Caramba, o que mais falta para você me surpreender? – Aomine perguntou, passando a mãos nos cabelos ao se apoiar no encosto da cadeira. – Fez um plano perfeito para namorar e estudar em Toronto, perdeu a virgindade aos 14 anos com uma peituda em um grupo de estudos, é um nerd maldito, um vegetariano viciado em queijo... Vai falando, Ranhento, vai falando. O que mais você faz de bom nessa vida?

– Hm... Não sei! – Ele riu, vendo a reação do irmão.

– Que tipo de música você escuta? – Kagami perguntou interessado, colocando a mão na coxa de Daiki.

– Dub Step. Principalmente Scrillex. O cara é foda!

– Só Kami sabe o que é isso! – Kagami riu fazendo um gesto de "deixa pra lá".

– É coisa boa! – Ele confirmou com a cabeça. – Tem uma música ótima chamada First of the Year, mas se você procurar como Equinox no Youtube também vai aparecer. O clipe é muito tesão, é bom para conhecer!

– Ok, parece-me que você aprendeu a falar um dialeto diferente também! – Aomine riu da expressão fascinada do garoto, e da confusão na cara de Taiga. – Mas vamos conversar um pouco mais sobre essa tal de Roxanne então. Tem foto?

– Tenho! – Ele sorriu satisfeito, pegando prontamente o celular, lidando com os dedos na tela com um agilidade impressionante. – Aqui ó!

Kagami e Aomine aproximaram-se para olhá-la na tela do aparelho.

– Parece e Avril Lavigne. – O ruivo disse de forma divertida, analisando melhor a imagem.

– Verdade. Ela é muito bonita Kento. – O moreno admitiu. Roxy era loura, mas a parte de baixo de seu cabelo era escura, usava óculos grandes e seus olhos eram bem verdes. – Ethan e Seiko sabem dela?

– Nops! – Ele sorriu de forma inocente, puxando o celular de volta para guardá-lo no bolso. – Eles não me deixariam ir se soubessem. Então não contei... Vou dizer que a conheci por lá mesmo e fim de papo.

– Como é sua relação com eles? – O moreno perguntou interessado, pegando carinhosamente na mão de Kagami, que estava pousada em sua coxa.

– Eles acham que me têm nas mãos! Ingenuidade pouca é bobagem. – O rapaz disse dando de ombros, erguendo as finas sobrancelhas. – Claro que sei quais são os meus limites, mas não tenho muito apreço por eles não, muito menos depois de descobrir tudo o que eles fizeram por debaixo dos panos. Além de toda aquela cena ridícula por causa do relacionamento de vocês dois, claro... Ah, você sabia que o pai já matou três caras?

– Tem provas? – O moreno sorriu de forma maquiavélica, apertando a mão de Kagami. – Posso dar uma ordem de prisão agora mesmo se você tiver.

– Não tenho, mas eu escutei uma conversa dele com o tio Sukko esses tempos. – O rapaz falou, ignorando a provocação. Ok, ele era maduro até demais para a idade. – Ele mandou matar um cara que devia dinheiro para ele, os outros eu nem quis ouvir. Só sei que o pai não é flor que se cheire... E a mãe também não é. Ela está começando a perder os cabelos de tanto estresse, então a gente mal conversa. Fico mais tempo no meu quarto estudando e jogando. E sinceramente, estou contando os dias para ir a Toronto. Lá sim as coisas vão ficar boas, principalmente agora que consegui seu perdão, Onii-chan.

– Você cresceu, Ranhento! – Aomine sorriu, reparando melhor no rapaz. – Admito que isso me assusta um pouco, sabia?

– Acho que vou deixar vocês conversando a sós agora... – O ruivo sorriu de repente, levantando-se e tirando os pratos da mesa. – Vou tomar banho, ok? Fiquem de boa aí...

– OK! – Ambos sorriram, vendo-o se afastar. Taiga era incrível!

– Continue... – Kento pediu, olhando-o de forma gentil assim que Kagami desapareceu pelo corredor.

– A última vez que te vi você ainda era banguela, só sabia falar de Naruto e não alcançava nem a minha cintura. Hoje você está usando esse aparelho nos dentes, fica falando coisas complexas e já bate nos meus ombros. – Aomine riu orgulhoso. – Fico feliz em saber que você amadureceu bastante e se tornou uma pessoa inteligente, Kento. Me desculpe por não estar com você nesse período... Realmente estou me sentindo um idiota por deixar você de lado esses anos todos.

– Você não precisa se desculpar por nada, já que tudo isso só aconteceu por uma mancada minha lá atrás... – Ele ficou novamente com a expressão triste. – Fico realmente feliz que a gente esteja bem agora. Achei que você não iria aceitar minhas desculpas...

– Claro que iria, mas saiba que você apareceu no momento certo! Ano passado não teria sido uma conversa tão fácil, por exemplo. – Aomine disse com toda a sinceridade do mundo. – Mas o que importa é que agora está tudo bem, passado é passado. E saiba que vai precisar vir nos visitar algumas vezes antes de viajar.

– Eu venho... Mas só vou pra Toronto depois da formatu... – Ele parou de falar ao pegar o celular vibrando no bolso. Olhou para a tela e sorriu para o moreno. – Nossa mãe querida! Já venho...

– OK! – Aomine disse, fazendo uma careta ao vê-lo ir até a sala para atender.

Uau, como a coisa estava dando certo! Foi o que Aomine conseguiu pensar. Sua sorte virou mesmo, assim como a vida de Kento. Nem parecia aquele pirralho chato... Estava tão diferente, apesar de ele ser ele mesmo no sorriso, no olhar e até mesmo em alguns gestos. Aomine estava completamente feliz com a situação, mas queria ter acompanhado essa mudança menos bruscamente.

Ele era tão independente para a idade... Aquele dia no mercado o moreno pensou que Kento estava sofrendo as mesmas influências e pressões que sofrera na época, que ele iria virar outro bosta na vida e que iria depender dos pais eternamente ... Mas foi bem o contrário, ele crescera e amadurecera antes.

– Onii-chan, eu preciso ir! – Ele disse pesaroso da sala.

– OK! – O moreno sorriu tristemente, levantando-se e indo até lá. – Mas vai voltar mais vezes, não vai?

– Lógico que sim! – O menor sorriu. – Sempre que vocês me convidarem.

– Minha casa, sua casa maninho! – Aomine disse, abraçando-o pelos ombros. – A gente ainda vai ter bastante tempo para conversar antes de sua viagem, Ranhento. Sei que você não me contou metade das coisas que andou aprontando por aí...

– Sim, vamos conversar um monte ainda! – Ele sorriu de orelha a orelha, pegando a mochila no sofá. – Deixa um abração para o Tai-Onii-chan, ok?

– Claro! Quer que eu te leve de carro até lá, ou até metade do caminho pelo menos? – O moreno perguntou, já destrancando a porta com sua cópia da chave.

– Não precisa, vai ficar suspeito demais. – Kento piscou de forma marota.

– Ok, mas te acompanho até o térreo então. – O moreno riu.

– Certo! – Kento sorriu com os olhos brilhantes, assim que saíram juntos da casa. Ambos estavam felizes.

***

21:35

~Kagami Taiga~

– Taiga! Caralho Taiga... Taiga!

O ruivo estava com a espuma do shampoo nos cabelos quando ouviu os passos pesados e os gritos alegres de Aomine surgindo pelo corredor, aumentando gradativamente conforme ele se aproximava. Teve que sorrir quando viu o moreno entrando bem louco no banheiro e abrindo violentamente a porta do box para encarar Kagami. Ele estava ofegante, mas mantinha um enorme sorriso cruzando seu lábios.

– Feliz? – Kagami soltou a pergunta retórica, tirando rapidamente a espuma dos cabelos.

– Muito! Obrigado Bakagami! – Ele sorriu, entrando em baixo da água com roupa e tudo para abraçar o ruivo. – Jurava que queria te socar por chamar o Kento aqui, mas você merece um beijo infinito por isso!

– Eu sabia que vocês iriam ficar bem! – Kagami riu, abraçando-o também. – Você que é um idiota, só isso!

– Caralho Taiga, você viu o tamanho dele? – O moreno ria, ainda o abraçando. – E as boiolices de Scrillex, Toronto, Roxy e toda aquela porcaria que não entendi nada! Taiga... Como ele está diferente, e maduro! Ele sozinho é mais adulto que nós dois juntos, porra! Eu nunca imaginei que isso iria acontecer... – Ele suspirou fundo e se acalmou, afastando-se do abraço. Daiki estava completamente molhando, mas o sorriso ainda estava ali. – Sei que parece um exagero tudo isso aqui, mas você não tem noção de como eu estou feliz amor... Saiu um enorme peso de mim hoje.

– Eu tenho certeza que sim! – Kagami sorriu, afastando os cabelos azuis de sua testa. – Admito que também fiquei surpreso com a maturidade dele, mas fiquei mais surpreso ainda com a forma que ele expôs os fatos abertamente pra gente... E sabe o que isso mostra?

– O quê? – O moreno perguntou curioso, tirando a camiseta que vestia.

– Que você é um idiota! – O ruivo riu, fazendo de tudo para não olhar o corpo de Daiki.

– Eu sei! – Ele concordou, tirando a calça também.

– Vocês poderiam estar de boa há muito tempo. – Kagami comentou, pegando o sabonete para continuar seu banho, concentrando-se na conversa, ou apenas tentando. – Ele também estava se sentindo culpado, e não indiferente como você pensou... E fiquei de cara ao ver que Ethan e Seiko não o influenciaram em praticamente nada. Ele é bem decidido!

– Ele gostava demais da gente, foi por isso! – O moreno sorriu de orelha a orelha, deixando a roupa molhada no canto do box. – E agora eu sei que vou poder vê-lo mais vezes... Admito que senti falta desse lance de família de sangue sabe.

– Eu sei que sim! – Kagami sorriu, ensaboando novamente o corpo. – É uma coisa que faz falta, e você ficou sem isso por dez anos! Quase onze agora...

– É! – Aomine sorriu, abraçando o ruivo. – Você é minha família Taiga, mas você entende, não é?

– Claro que entendo, idiota! – O ruivo sorriu, envolvendo-o também. – Você também é minha família, mas mesmo assim eu amo o pessoal lá de casa na América. Isso não é uma coisa que se compara porque é diferente, mas não menos intenso.

– É! – O moreno sorriu, beijando-lhe o pescoço. – Falando nisso, sou eternamente grato à Nick, e a você, claro. Obrigado amor... Não sei o que seria de mim sem você.

– Nada ué! – Kagami sorriu, vendo-o afastar-se para encará-lo. – Assim como eu sem você!

– É! – Ele disse, beijando-lhe os lábios de forma carinhosa. – Eu te amo, Bakagami!

– Eu te amo, Ahomine! – O ruivo sorriu, beijando-lhe novamente.

Não demorou muito tempo para o beijo se intensificar e aquele comum formigamento aparecer em seu baixo ventre. Kagami foi empurrado contra a parede, sendo prensado por Aomine, que já estava duro, roçando o corpo contra o seu.

– Depois a gente conversa mais sobre o Kento... – O moreno sorriu de forma maliciosa, falando contra seus lábios. – Porque agora eu quero você inteiro pra mim, Taiga.

– Mereço umas duas rodadas de sexo depois do que eu fiz hoje. – Kagami sorriu entre um gemido e outro, sentindo os dentes do moreno cravarem-se em seu pescoço, enquanto ele o abraçava com firmeza.

– Merece até três, Taiga! – O moreno disse, mordendo seu queixo de leve. – Você é foda!

– Eu sei... – O ruivo sorriu.

Bem no fim, não foi um soco que levou no final da noite... Foi algo infinitamente melhor, e multiplicado por três. Isso sem contar o infindável sorriso de Aomine.

Notas finais
E aí povo, gostaram do capítulo? ♥ Antes de qualquer coisa, quero saber se exagerei no lemon... Exagerei? Hehehehehehe! E por fim, o centro do capítulo: O RANHENTO ♥ Viu só, o Kento cresceu e amadureceu mais que o Taiga e o Aho juntos xD Eu fico feliz por ele não ter sido influenciado em muita coisa pela Seiko e pelo Ethan... Ele foi mais rápido e percebeu as coisas acontecendo ao seu redor! ~Acho que tem dedo da Roxy aí no meio! Enfim povo, é... Só tem mais um capítulo agora =/ Espero que tenham gostado mesmo desse quase "desfecho" com o Kento! Qualquer coisa me avisem nos comentários, ok? ~Como disse, vim aqui desabafar agora! o/ Acho que são poucas as fanfics onde a autora/autor não dá um mínimo desabafo! O meu vai ser grande, se não quiser ler não precisa xD ♥ Here we go: Como todos bem sabem (principalmente minhas divas e divos que são amiguinhos do face e derivados, hahaha), eu me envolvi MUITOOOOOOO na história... Muito mesmo! Desde outubro, quando comecei a história, eu tenho vivido mais na pele deles do que na minha própria... Já disse isso para muitas pessoas nos comentários e tudo o mais... É a mais pura verdade! Esses dois idiotas me trouxeram tanta alegria, tantas lágrimas, tantas coisas boas e únicas, tantas pessoas especiais, amigos novos e lindos, mil coisas boas, sentimentos e sorrisos dos mais variados tamanhos... Não me arrependo em ter me envolvido tanto com a história. Juro do fundo do meu coração que não queria terminar isso aqui, pois poderia ficar inventando cenas cotidianas deles o tempo todo... MAS, PORÉM, TODAVIA, ENTRETANTO, NO ENTANTO... Coisas aconteceram. Digamos que, por eu encarnar mais Ahos e Bakagamis, eu deixei MUITA coisa importante de lado na pele da Lana-chan... Sei que parece natural ou até simples, mas escrever mais de 10.000 palavras e revisá-las diversas vezes antes de postar em um período de 5 dias – que divido entre trabalho, marido, casa, estudos, comida, sono, família, amigos – não é NADA fácil! Acho que talvez pequei um pouco nesse ponto... Me dediquei demais à essa história e acabei negligenciando MUITA coisa ao meu redor! Já disse que não me arrependo, mas agora a coisa está começando a complicar um pouco... Brigas, tendinite, dores de cabeça (literalmente e não-literalmente)... Não culpo jamais a fanfic por isso, AMO ELA DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO e escreveria mais duas vezes se necessário, hehehehe, mas o meu tempo gasto com ela tem sido enorme e pouco dosado... Quem sabe se tivesse feito capítulos menores, com menos detalhes, menos enredo, etc, as coisas seriam "melhores"... Mas te garanto que não seria a Alana Floriani escrevendo! EU ENTRO DE CABEÇA E TENTO FAZER O MELHOR POSSÍVEL o/ Mas infelizmente esse é um dos principais motivos para eu estar finalizando a história! Eu me prendi demais à ela, quase que de forma DOENTIA... Hehehehe, Lana-chan psicótica! Vou continuar a escrever, inclusive tenho umas oneshots em andamento e minha MidoTaka... Hehehehehe! Garanto que vou seguir ao máximo com essa minha forma de expressão, porque, de verdade, EU AMO ESCREVER ISSO AQUI! Gostaria de agradecer a todos que vêm acompanhando a história desde o início, OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS, FAVORITOS, VISUALIZAÇÕES E RECOMENDAÇÕES! É mais do que gratificante ver isso, uma vez que gasto horas do meu dia escrevendo incansavelmente essas palavrinhas lindas e tolas para os meus leitores lindos! OBRIGADA DE CORAÇÃO! Bem... Acho que é isso! Foi só um desabafo bobin, só para não perder o costume de ser louca xDDD Bjo bjo bjo da Lana-chan! Vejo vocês nos comentários e no epílogo! AMO VOCÊS, DE VERDADE ♥